Aconteceu tanta coisa esse fim de semana longo, que nem sei por onde começar. E como me aconteceram várias coisas pela primeira vez, vou contar sobre elas, independente da ordem...
a primeira vez que vi a lua cheia em Styrkesnes
Porque todas as vezes em que estive lá antes, ou eram outras fases da lua, ou o solão estava lá a noite quase toda. Até aurora boreal já vi lá. Mas nunca a lua cheia. Linda. Nascendo divina e amarela atrás de uma das montanhas. Infelizmente as fotos não são de altíssima qualidade, primeiro porque a câmera não é lá essas coisas, e segundo porque amarramos um fogo essa noite... O que me leva a outro primeiro.


a primeira vez que enchemos a cara na frente da sogra
Mas também foi dela a brilhante idéia de fazer uma festinha pra comemorar nosso casamento e o aniversário dela com os vizinhos lá de Styrkesnes. O chalé da família Hareide foi construído em 1980, e os vizinhos todos já moravam ou veraneavam lá. Então são muito íntimos. A festinha foi um churrasco de alce com bebes à vontade. Os convidados tinham idades entre 65 e 79 anos! Juro! Foi divertidíssimo... Quando tomo umas meu norueguês desembesta que é uma beleza. E começamos eu e Lars tomando cerveja, foi a sogra quem trouxe uma caixa de vinho branco e uma garrafinha de aquavit dinamarquês delicioso chamado Aalborg - eu adoro Aalborg, mas havia tomado uma dose só... Dessa vez, cada vez que eu acabava um copinho, alguém o enchia. E pensa que os vovôs fcaram pra trás? Todo mundo acompanhando, minha gente. Aí Dona Sogra me bota uma garrafa de conhaque na roda. O tempo estava agradável, a temperatura amena, a lua nascendo... O único porém foram os mosquitos. Nunca pensei que houvesse tanto mosquito que picasse tão duro no ártico. Enfim, após uma noite de bebedeira, é só dizer que não houve água que bastasse no dia seguinte. Mas foi o máximo - e a sogra nem repreendeu a gente!


a primeira vez que fui à praia na Noruega
Quando estive lá da outra vez, encontramos a praia por acaso. Dessa vez, saí em traje de banho, com protetor solar em punho, de barco com Lars, até a mesma prainha que fica no lugarejo onde há a igreja antiga (Rørstad). O passeio de barco por si já foi um luxo, porque o tempo estava quente (26 graus), não havia nenhum vento, e o mar estava paradíssimo, sem ondas ou marolas. Levamos 15 minutos pra chegar lá (contra mais ou menos 1 hora se o mar estivesse em seu estado normal). Tirei fotos divinas no caminho. Chegando lá, caminhamos pela trilhazinha até a prainha. Não havia nehuma pegada na areia. Então, faceiríssima, fui entrar na água, mas não foi possível, pois meus dedos do pé quase congelaram. Além disso, dei de cara com uma água viva cor-de-rosa muito sinistra, gigante. Nã-não, que não entro nessa água não. Mas deu pra tomar um solzinho, caminhar na areia fininha, até chegar um barquinho cheio de gente pra estragar nossa paz. Resolvemos ir embora, mas antes disso, outro primeiro.




a primeira vez na vida que vi patos selvagens, ainda por cima nandando no mar
Quando estavamos no pier pra ir pro barco, Lars avistou uma família de patos no mar, perto da praia. Caminhamos até mais perto pra tirar umas fotinhos. Mas o zoom da máquina não é lá essas coisas.

a primeira viz que vi pés de frutos silvestres selvagens carregados (e comi das frutinhas deles)
Groselhas vermelhas selvagens, framboesas selvagens, groselhas pretas selvagens (sem foto), e zimbro (especiaria usada na fabricação de gin, e planta muito usada aqui na defumação de salmão). As fotos estão na mesma ordem em que mencionei as bichinhas.



a primeira vez que nadei na Noruega
Não foi na praia, não... No dia do ressacão bravo, a sogra resolveu que queria tomar banho de mar. Caminhamos até a praia (em Styrkesnes a praia não é muito bonita, há muitas pedras e algas), e lá foi ela se molhar e tudo. Mas a água estava geladíssima. Fazia de novo uns 26 graus, mesmo assim não consegui molhar além dos pés. E o pior, ela estava toda refrescada por sua "nadada", e nós dois, de ressaca, e com mais calor por ter que subir o morro de novo.


No meio do caminho de volta, me lembrei que havia um lago na montanha, mais acima do chalé. A sogra então disse que a água lá (além de doce) era mais quente que a do mar. Eu estava toda suada, irritada, lotada de picada de mosquitos, e doida por um banho. (Não sei se já havia mencionado, mas no chalé não tem água. A água no inverno é neve derretida, pra lavar louça, fazer um banho de gato no máximo. Mas banho, banho, nada. No verão, a água é a que a gente leva daqui de casa em vários galões, e de um córrego que passa ao lado da casa. Só que esse ano o córrego secou pela falta de chuva. No inverno, de boa ficar sem banho - continuo dizendo que o paraíso tem seu preço. Mas com esse calorão, é muito ruim, e desconfortável. A sogra está acostumada desde de 1980 - e não pensem que o povo é porco, não. Mas é banho de gato, tipo com paninho molhado - , mas eu não! Nem perguntem então sobre descarga, pois também acho que já mencionei que os chalés na maioria dos lugares aqui no norte tem uma casinha fora... Isso mesmo. E numa boa, até já acostumei... Mas graças ao bom deus da água fresca, esse ano Lars ganhou um poço artesiano do vizinho!!! Ano que vem dá pra tomar banho de esguicho no verão!) Enfim, fiz o Lars de ressaca e tudo caminhar morro acima. Tinha arrumado uma mochila com uma muda de roupa limpa e seca, shampoo e sabonete. Se rolasse de nadar, ia rolar banhão também. E nem quero ouvir nenhum comentário maldoso sobre eu poluir o lago com meu shampoo, ok? A necessidade foi maior... Chegamos lá com ainda mais calor pela caminhada (uma meia hora), e aquele lagão ali dando sopa... Arranquei a roupa e fui entrando. A água tava fria, mas digamos que menos fria que uma cachoeira da Serra do Mar, ou por exemplo Paraty. Fomos entrando de pouquinho, acostumando, e de repente, gol! Foi nadada e banho, tudo junto. A água do lago limpíssima, o lodo do fundo não era tão espesso, e dava pra ver o fundo a todo momento. Foi uma felicidade... No dia seguinte, fazia 27 graus na sombra, e lá fomos nós de novo, dessa levando a sogra! Nadei tanto que no dia seguinte minhas pernas até estavam doloridas!


a primeira que vi golfinhos selvagens na Noruega
Sim, porque vi golfinhos na natureza antes. Na Ilha do Cardoso, quando eu tinha uns 13 anos, numa viagem de estudo do meio com a escola. E depois, no Caribe, quando várias vezes eles nadam acompanhando o navio, coisa mais linda... Mas enfim, estávamos pescando, dessa vez à noite (porque ainda tem luz, o sol tem se posto depois das 10). É mais fresco, a maré no NOSSO fjord (Leirfjorden) está mais baixa, tem menos vento, enfim, é mais agradável. Fomos dois dias, e no primeiro a sogra já de cara pescou outro bacalhauzaço (uns 5 kilos) e vários sei pequenos. No segundo dia, tava difícil pescar. Mas o mar estava muito, mas muito calmo. Um espelho. Lars desligou o motor do barco por um tempo. Estávamos até vendo os peixes batendo na superfície, mas ninguém mordia a isca... Então, Lars ligando o motor novamente para relocar o barco, e a uns 20 m de distância, ouvimos todos um barulho, como um assoprão, e a água mexendo... Ai, que emoção... Congelei... E então é que você tem que grudar os olhos na superfície e esperar, pois eles sobem pra respirar novamente - o duro é que você não sabe onde... Pode ser mais perto do barco, mais longe... Por isso nem me abalei pra pegar a máquina fotográfica, pois até alcançá-la, perderia os golfinhos de vista. Preferi ver o quanto fosse possível, ao invés de ter fotos de superfície do mar! E então concluímos que eles estavam caçando, e assustando os peixes. Ainda os vimos mais uma vez. Mágica pura... O golfinho que avistamos chama-se em inglês Harbour Porpoise, e não achei o nome em português. Mas ponho uma fotinho... A barbatana deles é pequenininha, eles tem uma cor escura, e respiram forte pra caramba! Lindos!

foto daqui, e informações sobre a espécie aqui
E depois da pescaria, gaivotas famintas esperando pra comer cabeças e entranhas de peixe, com um por do sol de chorar ao fundo... Fim perfeito pra um dia magnífico!


a primeira vez que vi um gato com seis dedos (em cada pata da frente!)
É uma mutação genética, e o gene é dominante, foi o que li na intenrnet. Ela é uma fofa, peludona, e as patinhas da frente são grandonas... Também sem foto (da próxima eu consigo), pois ela é a gata da vizinha, e como a vizinha viajou e hoje chovia horrores de manhã, eu e Lars fomos ver se ela estava bem. Chamamos "bichano,bichano" no celeiro, e ela veio, toda rebolando, miau, ronronando. Um doce...
E não foi a primeira vez, mas recebemos a deliciosa visita de um cão (com a mesma vizinha) border collie misturado com qualquer outra coisa. Um ano de idade, hiperativo como todo border collie, ele vinha com pauzinhos pra gente atirar pra ele ir buscar... Bamse era o nome dele. Mas ele foi embora hoje, pois a vizinha estava cuidando dele pra filha que saiu de férias... Tô sentindo muita falta de um bichinho...

Bom, ainda voltamos pra casa com as malas cheias de peixe (sei e bacalhau) e mais, muitos mais, mirtilos selvagens. Haja anotações no Caderninho!


No meio do caminho de volta, me lembrei que havia um lago na montanha, mais acima do chalé. A sogra então disse que a água lá (além de doce) era mais quente que a do mar. Eu estava toda suada, irritada, lotada de picada de mosquitos, e doida por um banho. (Não sei se já havia mencionado, mas no chalé não tem água. A água no inverno é neve derretida, pra lavar louça, fazer um banho de gato no máximo. Mas banho, banho, nada. No verão, a água é a que a gente leva daqui de casa em vários galões, e de um córrego que passa ao lado da casa. Só que esse ano o córrego secou pela falta de chuva. No inverno, de boa ficar sem banho - continuo dizendo que o paraíso tem seu preço. Mas com esse calorão, é muito ruim, e desconfortável. A sogra está acostumada desde de 1980 - e não pensem que o povo é porco, não. Mas é banho de gato, tipo com paninho molhado - , mas eu não! Nem perguntem então sobre descarga, pois também acho que já mencionei que os chalés na maioria dos lugares aqui no norte tem uma casinha fora... Isso mesmo. E numa boa, até já acostumei... Mas graças ao bom deus da água fresca, esse ano Lars ganhou um poço artesiano do vizinho!!! Ano que vem dá pra tomar banho de esguicho no verão!) Enfim, fiz o Lars de ressaca e tudo caminhar morro acima. Tinha arrumado uma mochila com uma muda de roupa limpa e seca, shampoo e sabonete. Se rolasse de nadar, ia rolar banhão também. E nem quero ouvir nenhum comentário maldoso sobre eu poluir o lago com meu shampoo, ok? A necessidade foi maior... Chegamos lá com ainda mais calor pela caminhada (uma meia hora), e aquele lagão ali dando sopa... Arranquei a roupa e fui entrando. A água tava fria, mas digamos que menos fria que uma cachoeira da Serra do Mar, ou por exemplo Paraty. Fomos entrando de pouquinho, acostumando, e de repente, gol! Foi nadada e banho, tudo junto. A água do lago limpíssima, o lodo do fundo não era tão espesso, e dava pra ver o fundo a todo momento. Foi uma felicidade... No dia seguinte, fazia 27 graus na sombra, e lá fomos nós de novo, dessa levando a sogra! Nadei tanto que no dia seguinte minhas pernas até estavam doloridas!


a primeira que vi golfinhos selvagens na Noruega
Sim, porque vi golfinhos na natureza antes. Na Ilha do Cardoso, quando eu tinha uns 13 anos, numa viagem de estudo do meio com a escola. E depois, no Caribe, quando várias vezes eles nadam acompanhando o navio, coisa mais linda... Mas enfim, estávamos pescando, dessa vez à noite (porque ainda tem luz, o sol tem se posto depois das 10). É mais fresco, a maré no NOSSO fjord (Leirfjorden) está mais baixa, tem menos vento, enfim, é mais agradável. Fomos dois dias, e no primeiro a sogra já de cara pescou outro bacalhauzaço (uns 5 kilos) e vários sei pequenos. No segundo dia, tava difícil pescar. Mas o mar estava muito, mas muito calmo. Um espelho. Lars desligou o motor do barco por um tempo. Estávamos até vendo os peixes batendo na superfície, mas ninguém mordia a isca... Então, Lars ligando o motor novamente para relocar o barco, e a uns 20 m de distância, ouvimos todos um barulho, como um assoprão, e a água mexendo... Ai, que emoção... Congelei... E então é que você tem que grudar os olhos na superfície e esperar, pois eles sobem pra respirar novamente - o duro é que você não sabe onde... Pode ser mais perto do barco, mais longe... Por isso nem me abalei pra pegar a máquina fotográfica, pois até alcançá-la, perderia os golfinhos de vista. Preferi ver o quanto fosse possível, ao invés de ter fotos de superfície do mar! E então concluímos que eles estavam caçando, e assustando os peixes. Ainda os vimos mais uma vez. Mágica pura... O golfinho que avistamos chama-se em inglês Harbour Porpoise, e não achei o nome em português. Mas ponho uma fotinho... A barbatana deles é pequenininha, eles tem uma cor escura, e respiram forte pra caramba! Lindos!

foto daqui, e informações sobre a espécie aqui
E depois da pescaria, gaivotas famintas esperando pra comer cabeças e entranhas de peixe, com um por do sol de chorar ao fundo... Fim perfeito pra um dia magnífico!


a primeira vez que vi um gato com seis dedos (em cada pata da frente!)
É uma mutação genética, e o gene é dominante, foi o que li na intenrnet. Ela é uma fofa, peludona, e as patinhas da frente são grandonas... Também sem foto (da próxima eu consigo), pois ela é a gata da vizinha, e como a vizinha viajou e hoje chovia horrores de manhã, eu e Lars fomos ver se ela estava bem. Chamamos "bichano,bichano" no celeiro, e ela veio, toda rebolando, miau, ronronando. Um doce...
E não foi a primeira vez, mas recebemos a deliciosa visita de um cão (com a mesma vizinha) border collie misturado com qualquer outra coisa. Um ano de idade, hiperativo como todo border collie, ele vinha com pauzinhos pra gente atirar pra ele ir buscar... Bamse era o nome dele. Mas ele foi embora hoje, pois a vizinha estava cuidando dele pra filha que saiu de férias... Tô sentindo muita falta de um bichinho...

Bom, ainda voltamos pra casa com as malas cheias de peixe (sei e bacalhau) e mais, muitos mais, mirtilos selvagens. Haja anotações no Caderninho!
3 comentários:
Camila,
Essas suas peripécias por estas bandas gélidas e maravilhosas são cheias de aventuras. Até bacalhau pode-se pescar nesta beleza de lugar!
E as frutinhas que beleza! Eu ia depenar todas as árvores da região.
Quanto a bebedeira em conjunto com os velhinhos, valeu a pena, afinal não é sempre que se tem companhia tão agradável e segura para fazer uma loucura desse tipo. Quanto a ficar sem tomar banho, acho até que poderia aderir por 1 dia, mas se passar disso, fica 'estreito'. hahaha
Que final de semana gostoso, heim!
beijos cariocas
Camila, esse seu final de semana foi tudo de bom.
Quero ver golfinhos também.
Beijo
em primeiro lugar, amei as fotos!!! fiquei apaixonada de novo na lua.... "suspiro"
e haja pique pra um fim de semana longo desses.... ao invez de descansar, a gente chega mais cansada em casa, neh?
mas eh bom aproveitar...
beijos!
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