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terça-feira, outubro 13, 2009

Branco, branquinho

Então, hoje foi o dia que eu esperava... Acordar e ver tudo branquinho lá fora! E ainda por cima com sol... Eram 9 da manhã, hoje era o dia de ir na Polícia buscar o visto. Tomei um belo café da manhã e lá fui eu, rumo à Busstorget, ou Estação de Busão. Disse ao motorista que ia à Polícia, e paguei 29 coroas... Apenas 2 coroas a mais que pra casa dos meus alunos de português. Que moram BEM mais longe. Dava até pra ir à pé pra Polícia, uma meia hora de caminhada cautelosa. Mas prefiri o busão, tava frio pra burro pra quem acabou de sair da cama.

vista da varanda de casa
a entrada do edifício e a rua de casa

Desci um ponto mais longe, só pra apreciar a entrada do parque coberta de neve. Mas, no estacionamento da Polícia, caí, de bunda no chão, não deu nem tempo de reagir. Levantei o mais depressa que pude e ttratei de escanear a redondeza pra ver se havia sido flagrada por alguém. Por sorte não havia ninguém por perto. Mas as luvas, o casaco e as calças, de neve...

Entrando na estação policial, fui direto pro banheiro enxugar os molhados. Tirei minha senha e esperei uma hore inteirinha. E olha que minha senha era a próxima! O funcionário da UDI (O Depto de Imigração) que me atendeu é muito gentil já havíamos passado por ele. Ao finalmente colar o adesivo no passaporte, problema detectado: meu passaporte vence em abril. Mas disse a ele que iria pra Oslo em Novembro, registrar casamento e pedir passaporte novo. Então ele me colou um visto válido até fevereiro (ele só pode ser válido até 2 meses antes do vencimento do passaporte), e disse que quando eu tivesse o passaporte novo, que voltasse, pois ele colaria outra etiqueta com a data correta.

Quando saí da Polícia, nevava bastante. Os floquinhos que caem no rosto da gente derretem. E gelam. Tava sem gorro... Mas segui em frente, sempre com cuidado pra não pisar em gelo, procurei pisar só na neve, que não derrapa quando está fresca. O duro é nos locais de alto tráfico (humano e de veículos),porque a neve fica comprimida e aí sim, escorrega.

Como a tal neve apertou, resolvi entrar no shopping um pouco, pra fazer hora.Acabei lembrando que precisava de umas ceroulas e meias-calças de lã, então jáme embrenhei na H&M, comprei 3 pares, e ainda um vestido preto de lã por 200 coroinhas. Eu mereço, como diz minha sogra! Depois passei na Vinmonopolet (a única loja que tem permissão para vender álcool em todo o país e pertence ao governo - pra saber mais, leia post do Bruno) pra comprar um Riesling barato pra fazer fiskesuppe - com esse friozinho, nada como uma sopa consistente!

a rua que fica abaixo da ladeira bendita, e a própria, hoje branquinha de neve fresca


E não só fiz a sopa, como outras aprontações, que conto depois no Caderninho.

sábado, agosto 29, 2009

Bondens Marked

Bondens Marked é o tal mercado de produtos "caseiros", que os produtores vem vender na cidade. Tem feiras assim no país inteiro, inclusive uma vez li anúncio na revista Mat og Vin (Comida e Vinho). Nossa compra foi excelente. Sogra comprou apenas um queijinho. Já eu...




Não é barato não, mas comprei esse queijo de cabra fedidésimo à lá francesa - a geladeira está empestelhada, mesmo eu tendo empacotado o queijo 500 mil vezes!, geléia de rosa e de folhas de pinheiro, mel dessa flor roxa que tem foto nesse post (última foto), e lefse caseiro com queijo marron. Os vegetais estavam maravilhosos, mas carésimos. 5 coroas por UMA beterraba! Pensei que com 5 coroas se compra 1kg de beterraba no Brasa...

Além dessas, fiz outras compritchas com a sogra. Comprei umas forminhas que vão do micro ao forno pra fazer sobremesas e tortinhas, e já usei logo, e vou postar no Caderninho depois. Comprei um belíssimo prato de vidro pra dar de presente pra minha cunhada, para agradecê-la por tudo o que fez por nós no nosso casamento - estávamos atrasados com isso. E finalmente comprei uma nova luminária pra sala de jantar. No verão tava claro na hora do almojantar, agora vai começar a escurecer! O engraçado aqui é que quando começam as liquidações, é em tudo. Roupas, sapatos, artigos de decoração, móveis, até churrasqueiras e redes... Então é a boa hora de comprar. Depois das compras fui almojantar com sogra, cunhada e sobrinhos do Lars. Comemos sei frito, a sobremesa que preparei nas forminhas novas, e a cunhada adorou o prato de vidro... E assim se passou grande parte do dia em que eu estou de folga, mas sozinha!

***
Mudando de assunto, minha fadinha filipina veio me contar que segunda, 31 de agosto, é o dia para inscrição na Voksenopplæring (escola para adultos) daqui de Bodø. É lá que todo estrangeiro é obrigado a cursar 300 horas de norueguês para depois fazer um tipo de Toefl do norueguês chamado Norskprøve, para então poder aplicar para a residência permanente ou ainda cidadania norueguesa. Bom, voltando à fadinha, perguntei à ela se a irmã dela iria se inscrever, e Roselle disse que estava de folga e iria levar a irmã. Eu disse que também estava de folga, e perguntei se ela se incomodaria de me encontrar em algum lugar pra irmos juntas. Sem problema, trocamos telefone e tudo. Algumas horas mais tarde, ela me mandou uma mensagem de texto, dizendo que a inscrição começa às 6 da tarde, e que me encontra lá (porque, só pra variar, a escola é a 5 quadras de casa!) Ah, e disse pra levar o passaporte. Eu ainda acho que não é tão simples assim, pois o povo aqui da cidade é meio cri-cri com burrocracia, e considerando que ainda estou no meu visto de noivado, pois o de casada ainda não saiu, pode ser que eu dê com os burros n'água. Então, segunda pela manhã, vou à UDI (a imigração) levar a Certidão de Casamento definitiva e cópia do contrato de trabalho, pra ver se ajuda. Faz um mês que pusemos o requerimento, então tô precisando dar uma acelarada nas coisas.

Por outro lado, fico aqui pensando que não entendo esse desespero com a tal da escola. Nos fóruns e comunidades do Orkut, a mulherada (porque há apenas um ou outro homem que se envolve nas discussões) - que eu passei a acompanhar cada vez com menos frequência - já logo avisa pras recém-chegadas ou pras que ainda nem chegaram, que sem falar a língua é impossível adaptar-se - ou conseguir trabalho. Por vários motivos eu entendo e concordo, mas por outros acho que fazem mesmo tempestade em copo d'água. Eu e mais uma ou duas somos a prova viva de que nada é impossível. Claro que estudar a língua é fundamental, mas tem várias pessoas que sobrevivem sem precisar falar noruga no dia-a-dia. Depende da qualificação, do tipo de emprego, do setor em que atua, etc. Pode ser difícil, mas não é impossível não. Também depende muito do fator "a que se sujeita uma pessoa". Quem se sujeita a trabalhos mais básicos, digamos assim, talvez consiga se colocar mais rapidamente - eu ACHO.

A minha sangria desatada com a escola era pra poder arrumar um trabalho logo, pra poder contribuir com meu marido nas despesas, ter dinheiro pra poder viajar, ir pro Brasil quantas vezes sejam necessárias, comprar o que eu tiver vontade... Achamos que fosse levar mais tempo, mas como o trabalho veio, a escola perdeu um pouco a importância no presente momento. Primeiro, dá pra sobreviver com o norueguês parco que eu já falo, e que melhora a cada dia, por osmose mesmo. Segundo, eu não tenho A MENOR intenção de voltar a estudar. Admiro muito os acadêmicos - quem dera eu levasse jeito pra coisa. Mas a essa altura da vida, depois de 25 anos na escola, uma faculdade, mesmo que de curta duração, já feita, e uma especialização, digamos assim, CHEGA! Mestrado em Enologia? Doutorado em formas pós-modernas de administração de custos em cozinhas industriais ou não? Correr atrás de professor e orientador, estudar pra prova, a esta altura da vida? Só se eu talvez pudesse pesquisar os efeitos negativos do aquecimento global nos vinhedos da Borgonha, e tenho certeza que já deve ter um Zé estudando isso, lutando pra ser financiado, cheio de lobistas de Bordeaux com algum argumento contra o estudo, etc, etc,etc. Que papo chato, né? Prefiro é ler o trabalho do Zé quando ele conseguir ser publicado!

Não consigo entender porque alguns expatriados acham que melhorar de vida é ter empregão, cargão e carrão! Milhares deixam o Brasil todos os anos em busca de uma vida melhor. Aqui, no caso da Noruega, muitos acreditam que precisam ter um emprego igual ou melhor do que tinham no Brasil, não enxergando o que eu enxergo (talvez a minha visão da coisa seja muito romantizada mesmo) como vida melhor. Porque, em primeiro lugar, eu procuro nunca me esquecer que estou na posição em que me encontro hoje por causa das escolhas que fiz na vida.

Sem contar o que deixei pra trás nos navios, pois como já expliquei aquela vida é irreal... Saí de uma cidade féladapooota e ingrata como São Paulo. Com poucas possibilidades de retornar ao mercado de trabalho na posição pra qual tenho qualificação hoje - gerente de Alimentos & Bebidas, ou de restaurantes, empresas de caterig, etc. Alimentos e Bebidas em grandes quantidades, ou com muita qualidade, se vocês me entendem. Salários tão inferiores à realidade que as pessoas ainda preferem se aventurar no mar, por exemplo, pra mudar de vida (e começa assim o ciclo!). Caos no trânsito, falta de segurança, violência, excesso de ruído, excesso de poluição, sistema de saúde praticamente inexistente se você não tiver acesso à rede particular, que te quebrará um dia se o seguro não cobrir tal cirurgia. Pensão ridícula se você não puder pagar um plano privado. Impostos altos sem retorno. Políticos cretinos (mas isso existe no planeta inteiro, seguramente!)... Quer mais?

Daí conheço o amor da minha vida - não sei se já disse isso, mas quanto Lars e eu apenas nos paquerávamos, à distância, uma noite ele me olhou bem nos olhos, e eu disse à minha roomie Kristine (da Bulgária) que eu ia casar com ele! Ela rolou de rir. Então, quando casamos, era pra ela estar aqui, mas não conseguiu licença pra desembrcar... Então, conheço o amor da minha vida, e ele diz (depois que eu havia vindo pra cá de férias e conhecido o lugar) que quer vir viver na terra dele, junto comigo... Morria de medo que eu jamais aceitasse, porque a cidade é pequena e talz. Então, eu tive que sentar e refletir muito antes de concordar. Vou ser imigrante pro resto da vida. Check. Vou apanhar pra aprender a língua. Ok. Vai demorar até que eu consiga fazer parte do sistema. Ok. Vou viver ao lado da pessoa que amo. Checadíssimo, maior númeor de pontos! Vou viver numa cidade pequena onde não há congestionamento, não há transporte público muito decente porque não é necessário, e poderei ir e vir à pé ou de bicicleta. Check. Vou pagar impostos altíssimos mas terei um sistema de saúde decente que não me quebre caso fique muito doente e mesmo um pouquinho doente. Check. Poderei mandar meus filhos (se e quando tiver) pra escola sem perder o sono com o pagamento pela educação deles. Check. Vou poder me aposentar e desfrutar da vida com a dignidade merecida sem precisar contar moedas pra pagar os remédios pra pressão e coração. Check, muito check. Vou viver num país maravilhoso, frio pra cara***, mas que ainda assim é belíssimo, e a natureza é poderosa - bem o Brasil aí ganha, mas as montanhas, fjordes, florestas e o mar, ah, o mar, Check, check, check. Vou morar num apartamento que me possibilita ir à pé ao aeroporto mesmo com bagagem. Check... Alguém aí me entende? Pelo Lars, talvez até pra Zâmbia eu me mudasse... E ele ainda veio com todos os acessórios.

Então, não importa o tipo de trabalho, ou status social, ora bolas! Olha a vida que eu tenho!!! A escola de norueguês pode muito bem esperar. Já tive meu ano sabático mesmo, entre abandonar o navio e começar a trabalhar aqui foi um ano certinho. Tive tempo pra mim, redescobri a chama do meu amor pela cozinha, pude ressucitar esse bloguinho que conta, malemal, 10 anos da minha vida (quão interessante ela poderia ser, meldeus, a não ser pra mim mesma?). O grande negócio é dar tempo ao tempo. Afobação e stress, num lugar como esse, não tem espaço, nénão? Carrão? No dia em que eu tiver um carro, vai ser um Buddy. Pagar os olhos da cara de imposto? Sinceramente, não entendo o povo.

***
No mais, preparando a casa - e várias guloseimas - pra chegada da minha irmã com o marido na sexta. Que bom receber família!

sexta-feira, agosto 14, 2009

Último dia de fazer-nada

Bem, o fazer nada não é exatamente fazer nada, porque era cuidar da casa, aprontar várias na cozinha, ler muito e escrever bastante. Mas amanhã começo a trabalhar. Muita gente, como o meu pai, deve se perguntar "Mas porque raios não começar na segunda?". Bem, bem-vindos ao velho mundo da hotelaria, onde o seu momento mais ocupado são as férias dos outros! No meu caso, não serão as férias, mas os negócios. Sim, porque o hotel onde vou trabalhar é quase um business hotel, guardadas as proporções. Então, o Chef Executivo saiu de férias ontem, e esse fim-de-semana eles tem 170 pessoas no hotel. Vão precisar da mãozinha extra aqui, por isso começar no sábado.

Por pura coincidência, sábado também faz exatamente 4 meses que cheguei. Antes de vir estava com a idéia que conseguir emprego seria IMPOSSÍVEL, pois é assim que muitas brasileiras que moram aqui na Noruega em sua maioria pregam no Orkut. Que isso sirva pra mostrar que não é verdade. É possível trabalhar com o visto de noivado (que já é o próprio arbeidstillatelse, ou permissão de trabalho, assim que é colado no seu passaporte) e é possível arrumar trabalho sem falar a língua, dependendo da sua área de trabalho. Lembro de uma cretina que vivia berrando que o visto de trabalho demorava um montão de tempo pra sair. Só se o dela levou, pois o visto de noivado contém tudo junto.

Me impressionou muito o sistema todo. Por exemplo, ontem pela manhã, antes de sair pra ir dar aula, eu já recebi por e-mail meu cronograma de trabalho até o fim de setembro. E também um e-mail onde a gerente avisava pro hotel todo que tinha gente nova no pedaço. Achei simpático. Aliás, ela - a gerente, minha chefe, é muito simpática. Daí depois da aula eu tinha que ir até lá, entregar uns papéis. Ela disse que se eu comprovasse experiência anterior, poderia melhorar o salário. Tenho meu diploma de Chef Internacional e a tradução dele mais o histórico do curso, e o contrato de cook da Royal Caribbean, afinal, entrei de gaiata no navio, não descascando batata, mas picando alface no porão!

Mas antes uma presepada minha. Meu aluno me deu carona pra cidade (engraçado como eles sempre tem que ir à cidade depois da minha aula... Mas economizo o busão!). Era meio-dia, e eu tinha que estar no hotel às 13. Então, era muito cedo pra fazer hora pelo centro. E não que haja cafés e lugares gostosos prase esperar. Não, um expresso custa 20 a 30 pilas! Então, resolvi ir pra casa, deixar cadernos, dar uma refrescada na cara, e voltar. Levei 18 minutos do centro até aqui. Entrei, larguei umas coisas, penteei as madeixas, lavei a cara, sabe como é, né... Bebi uma aguinha, e saí de novo dez minutos depois. Pensei, tenho meia-hora, dá pra ir devagar, na boa. E resolvi fazer um caminho diferente, e com a cabeça nas nuvens, pensando na vida, não é que a cretina aqui conseguiu se perder? Não que tenha me perdido sem saber onde estava, mas acabei me distraindo e indo pra direção oposta. Quando vi as bandeiras do estádio de futebol, acordei do transe... Cretina, o que você está fazendo aqui? É pra lá que tens que ir! E ao tentar retomar o curso, não achava uma rua reta que me levasse à principal. Acabei dando uma gigantesca volta no quarteirão, mas ainda assim retomei a posição e cheguei 5 minutos adiantada no hotel.

Bem, o hotel, outro capítulo. A cozinha é minúscula, mas bem equipadinha. No café da manhã servem um buffet aos hóspedes. Depois, no almoço, só pra quem é hospede e faz o pedido do quer com antecedência. Ou seja, não é como um restaurante de hotel, que é aberto normalmente e qualquer transeunte pode entrar e resolver almoçar. Então é uma barbada, pois você sabe antes quantos vão comer o quê... E depois, no almojantar, outro buffet. Ontem havia dois senhores almoçando. O Chef, em seu último dia antes das tão sonhadas férias, estava de bracinhos cruzados, com as sobremesas já montadas, esperando apenas pra servir. Ah, detalhe... Ele cozinhando e a gerente servindo!

Conheci as instalações, que estão longe de ser um luxo, e deixam evidente a falta de mão-de-obra (e olhos) treinados em hotelaria. Outro dia vi uma tia na televisão dizendo que não se ensina na faculdade como gerir um hotel... "Coméqueé, cara pálida? Como assim?". Na verdade ela falava de um B&B (Bed & Breakfast) que era dela. Uns 10 quartos, no máximo? Assim até eu. Mas é justamente a falta de formação que leva certos estabelecimentos à completa ruína, especialmente na parte financeira e nas práticas de higiene e sanitização. Mas enfim, meus olhos treinados e a lobotomia que sofri durante os anos no ramo ainda estão muito ativos. Eu vejo as coisas com outros olhos.

Por exemplo, meu último navio, o Freedom of the Seas, tinha 1800 cabines (passageiros), carregando 4200 passageiros e 1400 tripulantes. A higiene é questão muito séria nos Estados Unidos, e a Vigilância Sanitária deles (o United States Public Health, do qual o CDC é um braço) não perdoa. E se você considerar que num dia de embarcação, 4200 passageiros deixam o navio até 10:30 da manhã e às 11:15 mais ou menos os outros 4200 entram, imagina a operação militar precisa pra estar com tudo pronto, e IMPECÁVEL! Acredite-me, tripulante ODEIA embarkation day! Ainda há o risco de o USPH nessa manhã embarcar de surpresa pra fazer a inspeção trimestral deles. Acredite-me, você tem que estar pronto TODA embarcação. Se o navio for reprovado, ele não pode deixar o porto. Imagina 4200 pessoas esperando no pier, em termos de indenização... Já aconteceu com o Freedom, por causa de epidemia de GI, e é uma catástrofe.

Em meu último contrato, como Assistant Bar Manager, eu e meu chefe francês (o Emmanuel de alguns posts abaixo), mais o Head-Bartender que estivesse em turno da manhã, começávamos a inspecionar os 32 bares e bar pantries do Freedom às 5:45 da manhã. Com uma lanterna de fazer inveja a qualquer farol de neblina, era um tal de abrir geladeiras e freezes, olhar cada material, cada copo, cada ralo, cada cm com minúcia, cada container, ler cada etiqueta, e se tivesse alguma coisa errada, ligar pro supervisor que tinha inspecionado durante a noite, pra que ele visse o que tinha deixado escapar e tratasse de corrigir antes que o navio fosse liberado (em geral 9 da manhã). Imagina como meus olhinhos são exigentes!

Então, tô acostumada com um padrão muito restrito e rigoroso, e o que sai dele me parece estranho. Além do que, por ser uma marca americana (Choice International) eu estava imaginando algo mais rígido. Mas não parece. Não que o hotel seja porquinho, muito pelo contrário. Mas os padrões não são os mesmos. Por um lado, ainda bem, não há tanto stress com isso. Por outro, aquela vozinha da perfeição , ou o diabinho sentado no ombro, não se cala, e eu preciso aprender a afogá-lo ou fritá-lo em gordura quente!

Depois fui com Lars no xópicents comprar mais uma calça preta (não sou muito fã de compartilhar calça de uniforme não!) e sapatos pretos confortáveis. O uniforme é todo preto (bom que emagrece!) com um avental verde-limão - não fui eu quem escolheu...

segunda-feira, julho 27, 2009

Home Alone

Como vida de caminhoneiro é difícil como quê, lá se foi meu marido (nossa, é a primeira vez que uso essa expressão assim, escrita!) trabalhar ao norte, podendo retornar só na quarta feira... Mas faz parte da vida, e aqui na Noruega as horas extras e horas extras em horários fora do "comercial" são muito bem pagas. Já tive gente perguntando "Nossa, caminhoneiro???" Sim. Aqui a profisaão é bem remunarada, e Lars, que é Engenheiro Elétrico por formação, o faz porque ele adora! "Big toys for big boys". Primeiro ele brincava de navio gigante, agora ele brinca de caminhão gigante.

Hoje é o aniversário de 66 da sogra. Almojantamos lá com ela, e amanhã se o tempo tiver bom, vamos catar mirtilos nas florestas aqui ao redor da cidade. E também vou almojantar lá com ela e com o resto da família - Anders, Sylvia e as crianças.

Outra coisa que quero registrar aqui - hoje fomos no escritório da UDI dar entrada no visto de permanência. Ele será válido por um ano, e depois deve ser renovado periodicamente. Há duas semanas, quando fomos lá, conversamos com uma moça que informou que o processo não seria demorado, uma vez que a papelada estivesse ok.

Então ontem imprimimos fotos do casamento e de antes - no navio, no Brasil, e daqui da Noruega. Fizemos cópias de todos os documentos pedidos, e lá fomos. Hoje não havia ninguém na fila (aqui a UDI só abre para atendimento às segundas e terças, das 9 às 2 da tarde). A moça que nos atendeu hoje era diferente daquela de duas semanas. Foi muito simpática, conversou comigo em inglês numa boa - já aconteceu de nego falar com o Lars, pra ele traduzir pra mim... Mesmo sabendo inglês! Deu uma olhada na papelada, e disse que pelo fato de eu ter o visto de noiva, este visto não é o primeiro, será tipo uma renovação, o que por si já é mais rápido. Documentos que eu havia entregue no Consulado do Rio não foram nem recolhidos por ela. Ela apenas pegou a cópia do meu passaporte, a certidão de casamento provisória (porque ainda não recebemos a definitiva), os 3 últimos comprovantes de salário do Lars, e as fotos. Disse que estará trabalhando sozinha no próximo mês, mas que não deve levar muito mais que isso pra sair o visto. E que assim que recebermos a certidão definitiva de casamento, pra levar pra ela. Ela disse a entrada no processo deveria ser mais do que suficiente pra escola me aceitar, e se houvesse problemas, que a mulher da escola ligasse pra ela. Nos deu seu nome e telefone num papelzinho.

Se por um lado uma coisa vai sempre muito bem, sempre parece haver outra pra te por pra baixo... Na escola, o povo ainda está de férias e ninguém responde telefone ou e-mails. Me mandaram casar e tirar o visto antes de me inscrever. Agora, com o caminho livre, como posso me inscrever, se não há ninguém trabalhando? O jeito é esperar mais um pouco.

Ah, e semana que vem eu começo a dar aulas de português pra um casal de velhinhos podre de ricos, que tem uma casa no Porto. São os pais de uma amiga de infância da Sylvia, que aliás nos deu de presente de casamento uma garrafa de champagne rosé, de um produtor que ela visitou na Champagne! Yumi, essa tá guardadinha, por enquanto. A verdade é que vão me pagar pouco - mas acho que não saí do padrão de trabalho de limpeza, pelo que vi na Internet... O negócio é que eu não tenho nem cara de cobrar mais, afinal NUNCA dei aula na vida. Aceitei a coisa mais pela distração e pelo networking em si. Vamos ver no que dá.

É preciso mexer o traseiro mesmo pra conhecer gente. Trabalho sem falar a língua não vem fácil, não. Apesar do monte de hotel que tem aqui, agora com o verão acabando fica mais difícil. A pura verdade é que ainda não me pus de corpo e alma na busca de emprego, pois estou insegura com a língua. E quero trabalhar naquilo que me faça feliz - uma cozinha, ou atrás de um bar, por exemplo. O emprego na Disneylândia spo virá depois de falar norueguês - falar bem mais do que falo agora, porque eu não tô tão mal assim, não. Até consigo conversar com a Sofia (sobrinha de três anos do Lars) ultimamente!

Lars e Sofia no dia do nosso casamento

Ainda não saí pra tirar fotos dos lírios laranjar porque o tempo esteve uma caca hoje - e ontem, foi a ressaca. Agora dei de fazer poema?

Antes que eu me esqueça, para umas risadas extras, se seu dia estiver ruim, convido você leitor a ler comigo o blog Photo in Natura, do meu queridíssimo amigo e ex-companheiro de gerência de hotel lá no Pantanal, biólogo, super fotógrafo de natureza, marido da Tietta, e que tem histórias fabulosas pra contar, Daniel de Granville. Ao ler o post Pestilências, gargalhei, por lembrar das nossas pestilências, e do tanto que tínhamos que aguentar histórias de pestilências piores no refeitório da Caiman. Oh, tempo bom que não volta! Que saudades de vocês, seus micróbios! Olha o que eu achei aqui nas gavetas do computador... Natal de 1998, na casa dos Micróbios, Caiman, Pantanal.


domingo, abril 19, 2009

Dias atarefados, mas nem tanto...

Cheguei na quarta passada. Quinta Lars foi trabalhar, e na sexta não. Então tiramos o dia para resolver as coisas, digamos assim, urgentes.

Todo imigrante quando chega na Noruega tem até sete dias para se apresentar a Polícia local, que é na verdade quem emite o visto. Até então tinha viajado com uma carta do Real Consulado Norueguês, que por sinal não foi nem mostrada em nenhum aeroporto. Tinha até comprado um seguro viagem no Brasil, por medo de ser "devolvida", mas o oficial de imigração em Paris abriu meu passaporte bem na página onde já haviam carimbos de entrada e saída da França, e carimbou. Nem peguntou nada.

Chegamos a Polícia com a tal carta, o policial perguntou se tínhamos fotos. Tivemos que sair prá tirar as fotos (que ficaram horríveis!!!). Ao retornar, entregamos o passaporte e a foto, e em 15 minutos recebemos de volta com o visto colado. O visto diz "Oppholdstillatelse ", ou autorização de residência. O policial explicou que ele me dá os mesmos direitos e deveres em qualquer país que faz parte do acordo Schengen. Perguntamos sobre o exame de tuberculose, e o policial disse que eu receberia uma carta com maiores instruções. Também explicou que devemos casar em 6 meses a partir da data em que o visto foi emitido. Recebemos também uma carta com regras e direitos.

Ainda falta muita coisa pra resolver, mas já foi um começo.

No final de semana, foi tempo de visitas. Na sexta feira a tarde jantamos com a sogra. A refeição principal do dia aqui na Noruega, o middag, é em geral as 4 da tarde (ao menos na família Hareide). O pessoal em geral toma café da manhã, e na hora do nosso almoço é o que eles chamam de lunsj, que é um lanche, normalmente café com sanduíche, ou até mesmo uma salada. E então, quando as pessoas voltam pra casa do trabalho, é o middag. O middag de sexta-feira com a sogra foi bacalhau fresco (torsk) cozido, com fígado e ovas, servido com batatas cozidas e pão sueco. Vinho riesling alemão acompanhando, já que era sexta-feira. Para o café, o irmão do Lars com a esposa e os filhos vieram visitar, e já aproveitaram prá convidar a gente pro jantar de sábado. Sexta a noite o fiel escudeiro do Lars veio em casa, assistimos um filme ("Tudo o que você queria saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar", do Woody Allen) e bebemos algo.

Sábado de manhã arrumei mais um pouco das minhas coisas, e a tarde fomos na loja da Cruz Vermelha, onde a sogra (Marit) é voluntária. As pessoas doam objetos pra loja, e o lucro das vendas vai pra Cruz Vermelha. A quantidade de roupas e louças é imensa. As vezes se acha jogos inteiros de jantar por uma bagatela. Compramos umas quinquilharias de cozinha. De lá fomos a loja de eletrodomesticos escolher um processador de alimentos, que vamos comprar com uma grana que ganhamos de presente de casamento. Achamos um dentro das nossas possibilidades, que vem com liquidificador e tudo. Segunda feira voltaremos, pois precisamos primeiro trocar os euros no banco.

E de lá fomos jantar. Peixe, destes de cara feia, que vivem no fundão do mar (em inglês, Atlantic Monk fish). Estou adorando tanto peixe, a maioria de carne branca e firme, do jeito que eu gosto... A noite, Tor Erik veio nos visitar de novo. Beber em casa fica bem mais em conta do que sair... Duas cervejas e uma dose de vodka, ou seja, uma rodada de rodada de bebidas para nós três, no bar da cidade, fica por volta de nok 240, ou seja, uns R$80. Então, é melhor em casa.

Domingo foi a vez de nós convidarmos a mãe do Lars para o jantar. Fizemos perna de alce (dos que o Lars caçou) assada com molho de vinho. Foi a primeira vez comi não-peixe desde que cheguei. Até fiz sobremesa. A sogra ficou feliz, diz que Lars vai ficar saudável, já eu como salada de verduras cruas todos os dias. Eles não tem o hábito, mas quando faço, acaba! Comprei um pé de alface que vem no vaso, e se quiser você "cria" ele na cozinha, num pratinho com água.

E no Domingo a noite fomos para a casa de um outro amigo do Lars, e assistimos "O dia em que a terra parou" novo, com o Keanu Reeves. Uma b**** , comparado ao original, de 1951, dirigido por Robert Wise (assista ao discurso final aqui).

E assim voou meu fim-de-semana. Segunda feira o Lars não trabalha, então poderemos resolver outras questões de documentos, procurar a escola para pedir informações, etc. Por enquanto sigo morrendo de frio, a temperatura ainda não foi acima de zero desde que cheguei. Aparentemente eu trouxe a onda de frio...

quinta-feira, março 12, 2009

A novela de um visto para a Noruega

Passos para conseguir um visto de noivado para a Noruega:
1) Arrumar namorado norueguês...

Seria muito engraçado começar um post assim, mas não é desta forma... Só quis fazer uma piadinha! Nosso último contrato no navio (eu tinha chegado 4 semanas antes do Lars), Lars me disse que não estava mais a fim de fazer aquilo, tava de saco cheio, e que na Noruega tinha melhores oportunidades. E daí me disse que não voltaria mais para o navio, e que na verdade só tinha voltado porque queria conversar comigo pessoalmente, queria me perguntar se eu iria com ele para a Noruega. Disse que sim. E foi isso. Nós dois pedimos demissão (no navio tudo depende de terminar o contrato ou não, e neste caso nós dois avisamos que terminaríamos o contrato, mas não retornaríamos).

Pra quem tem alguma noção do que é trabalhar numa posição de gerência em um navio com 4000 passageiros entenderia que nas horas vagas tudo que um ser humano quer é desaparecer, e não ter problemas. Então deixamos para verificar como seria a questão de morar na Noruega depois que saíssemos. No início a idéia era morar lá primeiro- pra ver se dava certo., e só então decidir o que fazer dali prá frente. Entretanto já tínhamos acertado que de qulaquer maneira eu não iria para o norte da Noruega no inverno, e que o melhor seria viajar no princípio da primavera. Então combinamos que eu iria visitar o Lars em setembro por algumas semanas, e depois ele viria para o Brasil conhecer minha família.

Cheguei no Brasil dia 25 de agosto de 2008. Como de costume, chegando do navio, por uma semana você só quer dormir. E depois que acordei, fui ver preços de passagem, e caí dura. Afinal, era verão na Europa e as passagens estavam bem caras. Desisti da viagem. Eu e Lars decidimos que então ele viria ao Brasil. Entrei no site do consulado da Noruega. Foi aí que eu descobri que não seria simples. Havia muitas opções, com prazos e requisitos distintos. Então achei no site do consulado um link para o fianceé´s permit, ou permissão de noivado. Conversava com Lars via Skype. Resolvemos entrar com o pedido deste visto, pois eu teria 6 meses para viver lá, sendo que dentro destes 6 meses deveríamos casar. Mas durante a estadia, você tem direitos de cidadão, inclusive permissão para trabalhar.

Bom, lá fui eu - já em Setembro - começando a correr atrás da papelada. Primeiro, nova via da certidão de nascimento, pois a minha estava amarela e caindo aos pedaços. Depois, fui amolar minha amiga Alessandra e seu marido para que fizessem meu atestado de estado civil (um documento que atesta que vc é solteira). Custou R$250 no Vampré, em Pinheiros, mas sabia que 1)nem todos os cartórios da cidade emitem este tipo de doc, e 2)os cartórios em SP tem os serviços tabelados. Ah, e 3) esta porcaria de documento é valida por 3 meses apenas. Neste meio tempo escrevi pro Lars pedindo que ele providenciasse urgentemente:
  • certidão de nascimento
  • contrato de aluguel ou escritura do imóvel onde vive
  • copia do contrato de trabalho atestando os ganhos mensais (se o sujeito ganha menos de 208mil coroas ao ano, eles não emitem o visto)
  • copia das primeiras páginas do passaporte dele
  • atestado de estado civil (solteiro)
  • formulario chamado Guarantee Form for Visits preenchido por ele e carimbado pela polícia da cidade dele
Enquanto isso, comecei a procurar informações na Internet. Foi quando encontrei o blog da Raquel (Vim parar na Noruega, com link em Minha Lista de Blogs). No site do consulado também havia o telefone do tradutor juramentado, prof. da USP Francis Aubert. Aproveitei e perguntei a ele se ele me indicaria algum professor particular aqui em São Paulo. Ele me deu o telefone da Bjørg, e eu de cara comecei a ter aulas na casa dela. Em posse de minhas certidões, fui levá-las a casa do prof. Francis. Já era quase final de setembro.

Em outubro, depois de quase um mês, as traduções ficaram prontas. O preço foi de R$150 por dois documentos. Estas traduções e as certidões originais foram copiadas e autenticadas em cartório. Juntei a isso cópia de todas as páginas carimbadas de meu passaporte. Por sorte, enquanto esperava no cartório, liguei para o consulado no Rio perguntando o que mais era necessário. Me atenderam muito bem, mas me frisaram que eram necessárias TODAS as 32 páginas do passaporte. Tirei todas as cópias também autenticadas.

Então era hora de achar um serviço de despachante para mandar meus documentos ao Itamaraty em Brasília. Pesquisei muito antes. Primeiro, descobri que lá o serviço é gratuito e fica pronto em 24 horas. Se mandar pelo correio, 60 dias! Pensei em ir pessoalmente. Pesquisei preço de passagem, mais hotel, e obviamente desisti. Então fui pesquisar se não havia representação do Itamaraty em SP, a maior e mais importante cidade do país... Não há! Mas há em Florianópolis, Belo Horizonte e Rio. Então liguei no Rio, mas para que eles aceitassem os papéis eles deveriam ter reconhecimento em cartório do Rio, ou seja, passagem de avião (ou busão) mais ums R$100 de cartório, fora outras despesas, não! Pesquisando na net descobri o site da empresa do Sr. Ismael, o Habbiba.com. Liguei (gratis, via Skype) e fui informada que levaria menos de uma semana e o custo era de R$150 por todos os documentos. Mandei a papelada (aproveitei e juntei as traduções dos meus diplomas da faculdade) por Sedex. Pedi que ele mandasse legalizar os documentos no Itamaraty e também na Embaixada da Noruega, conforme instrução do Consulado. Já era começo de novembro.

Os documentos demoraram 2 semanas pra voltar, via Sedex, e só depois do recebimento paguei o Sr. Ismael, por depósito bancário, R$236 reais. O valor aumentou porque na Embaixada da Noruega eles cobram taxas consulares para reconhecer documentos. Eles também retiveram os documentos por alguns dias, por isso a demora. Mas no fim deu tudo certo porque os documentos do Lars chegaram alguns dias depois. Então fui imprimir o formulário Application for a residence permit or work permit. Preenchi com muito cuidado, porque tinha lido no blog da Raquel que ela tinha errado uma coisinha e ficou encucada... Duas fotos de passaporte, e tava tudo certo...

Na última semana de novembro, com tudo em mãos, comprei uma passagem promoção da Gol para o Rio. Caso alguém se pergunte, é porque o Consulado de SP não atende mais a pedidos de visto, é tudo via Rio. Ligamos para a Bernadete, amiga dos meus pais de longos anos, pedindo hospedagem por uma noite. Só então liguei no Consulado marcando a visita (é necessário, senão corre o risco de vc ir até lá e não ser atendido).

A maior coincidência de todas... 2 de dezembro, meu vôo era as 6:50 da matina (por isso barato) e eu tava troncha de sono na sala de embarque, quando alguém me cutuca. Era minha grande amiga Ana Paula, da faculadade, que estava no mesmo vôo, indo para seu novo emprego... Enfim, cheguei no Rio muito cedo, enrolei um pouco e fui para o Consulado, que fica na torre de escritórios do Shopping Rio-Sul (Flamengo/Botafogo?). Levei um chazinho de cadeira, finalmente chegou uma senhora muito loura e muito alta pra me atender.

Ela pegou o envelope com toda a papelada e sentou-se a meu lado. Leu tudo, um por um. Perguntou sobre os documentos do Lars, dise que estavam atrás... Ela leu todos, e na hora do papel do trabalho dele, ela fezas contas... Disse que o visto não é concedido se o sujeito não ganha o mínimo que eles crêem ser necessário para manter os dois. Estava tudo em ordem. Então ela perguntou se eu tinha levado o dinheiro da taxa do visto (R$1058,00, em cash ou cheque). Paguei, ela me deu o recibo, e perguntei a ela quanto tempo levaria, mas ela enrolou e não respondeu. No site da UDI eles dão aproximadamente 4 meses de espera. Também dizem que quanto mais corretos os documentos, mais chance de o visto sair no prazo.

Gastos com o visto:
Cartórios - R$350 (incluindo a certidão de solteira)
Traduções - R$150
Despachante - R$236
Taxa de visto - R$1058
Avião da Gol - R$230
TOTAL - R$2024

Lars chegou ao Brasil uma semana depois. Passamos o mês juntos (detalhes no post Retrospectiva 2008), e ele foi embora dia 6 de janeiro. Assim que ele chegou, foi ao escritório da UDI em Bodø, que só abre 2 dias da semana, e informaram a ele que o meu processo já havia sido enviado, chegou em Oslo dia 22 de dezembro, mas ainda não havia sido aberto. Não sabia se interpretava a notícia como boa ou ruim. Pois e se meus papéis estivessem em Oslo embaixo da pilha de papéis, ao invés de em cima? Do jeito que o mundo vai, tantos seres humanos em condições sub-humanas de vida, se refugiando? Mas era cedo pra pirar. Combinamos que Lars ligaria a cada duas semanas.

No começo de fevereiro ele passou lá uma vez, e disseram que estavam esperando que alguém abrisse o caso em Oslo... Agora, eu sem trabalhar desde agosto, procurando trabalho... Imagina o desespero da mente desocupada... Tinha minhas aulas de norueguês, a academia e o vigilantes do peso, e meus amigos e familia pra me distrair. Mas de vezem quando dava uma crises de ansiedade que não podem ser descritas. Só quem passa por isso entende.

E vc acha que neste tempo poderá se preparar psicologicamente, etc. O engraçado é que eu lembro de quando o Lars estava no Brasil e eu o levei para conhecer a Bjørg, e disse que eu tinha um pressentimento de que este visto sairia antes do esperado... Mas como cabeça vazia é a casa do diabo, a gente fica pensando bobagem. Então tomei uma decisão... Liguei para a Royal Caribbean e resolvi pedir meu emprego de volta. Depois de várias entrevistas frustadas aqui (dizem que as coisas acontecem de acordo com a energia que vc emana, e pedir emprego mentindo... Ou alguém acha que eu ia sair dizendo que estava de mudança programada?), achei que era o mais sensato, pois fazendo um contrato de 4 meses enquanto esperava, recupararia todo o dinheiro que gastei com o visto e outras despesas aqui, podendo repor as minhas economias. E passei a fazer o processo seletivo deles para conseguir ser re-contratada na mesma posição que deixei. Por ser um cargo de gerência, existe todo um processo formal para isso.

Então, na segunda passada tinha pedido ao Lars para pegar a número do processo e ligar para a UDI em Oslo, para saber como ia o andamento do caso. Na terça ele não tinha tido tempo, e eu tinha feito a penúltima entrevista por telefone com o pessoal da Royal lá em Miami. Achei que fui mal... Na quarta feira (dia 4 de março) eu acordei com o telefone. Tinha que ir no vigilantes cedo, mas deu preguiça. Então o alarme do celular tocou mas eu desliguei. Quando tocou de novo, acordei um pouco atordoada, olhei o numero e vi um monte de zeros. Vi que não era o alarme, mas não atendi. Depois de desperta me ocorreu que poderia ser o Lars ligando. Então liguei o computador, e nada dele. Continuei com meus daily chores, a tarde nos falamos via Skype. Sabe um daqueles dias em que a conexão está uma eca? Pois é... Então ele disse que tinha recebido um telefonema da UDI e que eles tinham perguntas para mim, pois estavam tentando me telefonar e não conseguiam... Já pensou se eu tivesse atendido o telefone sonada, e tivesse um cara falando inglês de norueguês - ou pior, norueguês - comigo? Então o sujeito disse ao Lars que talvez ele mesmo pudesse responder as perguntas. 1) Algum de vcs foi casado anteriormente ou tem filhos de relacionamentos anteriores? e Lars, "Não." 2) Vocês vão se casar quando ela chegar aqui? E Lars, "Sim." E o cara disse que tinha mais uma pergunta, mas que não era importante. Ele então disse ao Lars que o visto tinha sido concedido, que eu tinha até 6 meses para chegar na Noruega, e que chegando eu tinha 7 dias pra me apresentar a policia. O consulado no Brasil iria me notificar. Eu paralisei!

Não tinha nem o que falar... Agora é pra valer, por onde começar???

Então, resumindo, do dia que eu entreguei os papéis no consulado até o dia de receber o telefonema foram 3 meses e 2 dias (de 2 de dezembro até 4 de março). Um mês a menos que o estimado pelo consulado e exatamente como o meu pressentimento havia me dito. E vou viajar exatamente quando eu queria, em abril. O friacão começa a ir embora, a primavera chega, casório no verão....

E aquela entrevista da Royal que eu achei que tinha ido mal, eu passei, e ontem fiz outra... Quando chove, alaga! Mas agora a Royal é só uma portaça que eu deixarei aberta caso algo vá mal na Noruega. Mas eu sei que não vai dar... E deixa eu acabar que este post ficou longo... Perdão pelos erros de portuga e typos, mas não tenho saco nunca de reler os posts antes de publicar!