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quarta-feira, julho 28, 2010

Quando a conscientização te morde na bunda...

Perdão pelo título, mas eu raciocino metade do tempo em inglês, e fiquei com preguiça de achar algo que substituísse a expressão "bites you in the ass", ou quando o tiro sai pela culatra, ou coisa assim.

Bem, é que nesses dias, desde o post sobre o novo vídeo do projeto The Story of Stuff, fiquei pensando muito nessa coisa da segurança nos nossos produtos de higiene básica. Mesmo usando sabonete líquido da The Body Shop, que alega no rótulo que não contém nenhum saponáceo, li e reli o rótulo e vi o tal Sodium Laureth Sulfate. Escolhi a definição do Wikipédia por ser neutra. Há artigos em blogs que defendem a periculosidade do produto (como esse, que fala dos parabenos. Meio extremista, nénão?), e outros (ligados à industria cosmética) que dizem que ele não causa problema nenhum à saúde. Pois bem, o ponto é: a substância é um saponáceo, detergente, seja lá o que for, e portanto a The Body Shop mente. Será? Fiquei uns dias nesse mato sem cachorro. Eu quando fico obcecada com algo, sai de baixo.

Nos EUA existe toda uma regulamentação pra essa indústria, e a agência que a regula é o FDA (Food and Drug Administration). No Brasil, a indústria é regulada pela Anvisa. Infelizmente no Brasil não há campanhas como a da Annie Leonard. No Brasil não existem muitas Annie Leonards. Existe uma população em parte ignorante, e em outra parte apática, que lê a Veja, acredita em tudo que sai impresso na Folha, no Estadão, no JB, no Globo, no Jornal Nacional. Por um lado, se eu posso optar por comprar produtos relativamente seguros, ou de empresas que ao menos tornam público o compromisso de tentar usar alternativas aos químicos sobre os quais se conhece pouco, como podem fazer os brasileiros?

Por enquanto, podem ler o guia da Anvisa sobre cosméticos seguros. Achei também um blog de Portugal sobre vida sustentável, e o post Cosméticos fala um pouco sobre o tema. Mas o material disponível é pouco. Então o jeito é tapar o sol com a peneira - ou então levantar o bundão do sofá e tentar fazer algo pra exigir mais informações, ou mais regulamentação...

Agora já resolvi que vou ignorar certos aspectos, pois não quero virar uma ogra fedida... Mas vou deixar de contribuir com empresas de "renome" como Clinique, Lancôme, Estée Laudeer, que eu já usei anteriormente (uma das vantagens de tripulante era comprar nas lojas tax free do navio ainda por cima com 20% de desconto...), porque NENHUMA delas assina o acordo americano de cosméticos seguros. Algumas, por serem francesas, talvez precisem obedecer apenas à legislação daquele país, sobre a qual não posso pesquisar porque não falo o idioma... Mas mesmo assim, prefiro fazer escolhas mais sensatas daqui pra frente, como por exemplo buscar alguns produtos em lojas de produtos naturais. Exceto, claro, o sabonete, o desodô e a pasta de dente!

Sábio quem disse que o ignorante às vezes é mais feliz. Sabedoria é poder, e também pode ser MEDA! Decido que me recuso a viver com MEDA!

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Recadinho 1 - Pérola, ainda não consegui enviar a latinha. Tá comigo, mas ainda não foi despachada...

Recadinho 2 - Ariane, de Bodø, não tenho como entrar em contato contigo, pois deixaste o comentário sem perfil ou e-mail. Te mandei uma mensagem via Google, mas não sei se aquilo funciona... Vamos tomar um café qualquer hora dessas.



sábado, maio 29, 2010

Um pouco mais de ativismo

Mais uma coluna do Efraim Rodrigues (original aqui) que reforça a idéia da Annie Leonard, mas numa visão totalmente voltada para a realidade brasileira.

"Água dos bobos

Se a propaganda da mina de água limpíssima em meio a floresta o impressiona a ponto de comprar água engarrafada e achar que está fazendo bem para alguém, você precisa rever seus conceitos.

Há muita gente interessada em convencê-lo que você será mais limpo, mais bonito e até mais ecológico bebendo água engarrafada porque este é um mercado de mais de 10 bilhões de dólares em franco crescimento e baseado em matéria prima muito barata. Se algo nisto o fez lembrar das antigas propagandas de cigarro com barcos a vela e gente bonita, não foi por acaso.

Com a recente queda no consumo de bebidas carbonadas, as grandes engarrafadoras têm se mudado para este mercado promissor. Quando o Seu Zé do bar nos trás uma garrafa de água sem lacre você logo imagina que ele está lhe vendendo água de torneira. Não precisa incomodar-se, a própria Pepsi está fazendo isto. Em 2007 as ações da gigante tiveram uma queda brusca quando veio a público que sua marca Aquafina nada mais era que água de torneira. A única diferença com Seu Zé é que eles podem comprar a máquina que faz um lacre de plástico bonitinho.

Aqui no Brasil a coisa é um pouco pior. A Nestlé comprou todos poços de São Lourenço e não precisa, ao contrário da Pepsi, nem mesmo pagar a conta de água.

De toda forma você está também fazendo mal para você mesmo bebendo a água engarrafada. Como a garrafa é geralmente de plástico, você estará ingerindo disruptores químicos endócrinos que podem bloquear a testosterona, responsável entre outros, pela fertilidade masculina e o desejo sexual feminino. Os ftalatos, usados para deixar o plástico das garrafas e copinhos mais macio também causam problemas na formação de fetos. Leia o volume especial “The Plastic World” da Revista Científica Environmental Research de Outubro de 2008. A Professora Shanna Swan da Universidade de Rochester cunhou o termo “síndrome de ftalato” associado a pênis pequeno e má formação testicular. Até riria do nome da pesquisadora se não tivesse ficado desesperado.

Além do gasto e dos efeitos biológicos, a água engarrafada também desperdiça transporte e combustível. Não precisamos comer arroz do Rio Grande do Sul e frutas de Goiás, posto que todo nosso território é capaz de produzir frutas e grãos. Beber água transportada por caminhão é ainda pior, só se justifica em casos de calamidade pública. Se você não é um refugiado, compre um filtro de cerâmica onde a água ficará por umas horas perdendo o cheiro de cloro e beba uma água saudável, fresca, com flúor, barata para seu bolso e boa para o ambiente de todos."

E agora que deu tempo, queria também divulgar uma campanha abraçada pela minha fada inspiradora, a Claudia.

Se você fica put@ da cara ao saber que tudo isso de gente no mundo NÃO TEM O QUE COMER, clique no link, assine a petição, leia mais sobre a campanha, e veja o vídeo com o Jeremy Irons ficando Mad as Hell.

E aí, já saiu pra comprar seu filtro de cerâmica? Ou patrocina essa indústria enquanto gente na sua cidade, aí bem vizinho seu, se você mora nas Américas, Ásia ou África, PASSA FOME TODO DIA??????

sexta-feira, maio 07, 2010

Coluna Ambiente Por Inteiro de Efraim Rodrigues

Pra refletir um pouco... As colunas do Prof. Efraim podem ser lidas no Jornal de Londrina aos Domingos. Reproduzo suas colunas com permissão dele, que pedi por e-mail.

"Estou aqui de passagem, este mundo não é meu

As facilidades da vida moderna fizeram com que qualquer um da classe média de hoje tenha mais confortos que um rei da idade média. Imagine o trabalho que dava para ter banho quente e suco gelado no castelo, mas quem hoje está feliz só com chuveiro quente e geladeira ?

Mas quero ir além do chavão corretíssimo da ganância que gera dano ambiental.

Nem o rei da classe média nem o da idade média se relacionam com estas coisas que aparecem como que do nada. Eles não são da sua rua e aliás nem de rua alguma, como me lembrou nesta semana a música de Arnaldo Antunes.

Comidas se materializam em prateleiras refrigeradas nas lojas, pessoas são transportadas morro acima em caixas de metal com rodas, roupas sujas são limpas depois de passarem um tempo em uma caixa. Na idade média isto só aparecia do nada para meia dúzia de eleitos. Todos outros estavam trabalhando para fazer a mágica acontecer e mais importante, estavam conhecendo e experimentando materiais e tecnologias.

Como as pessoas podem saber sobre o impacto que a energia elétrica causa para ser gerada se a luz se acende magicamente ? A luz do candeeiro era muito mais cara que a atual: tinha que carregar o óleo, acender, era muito fraca, então precisava de uma quantidade enorme de óleo e candeeiros. Porém, ao lidar com a origem daquele recurso as pessoas construíam uma relação com ele e principalmente usavam os recursos com mais eficiência.

Ao não nos dissociarmos da origem de tudo que nos cerca, nos tornamos estrangeiros em nosso próprio mundo. Nada ali nos interessa porque não nos diz respeito. O governo força a barra para construir uma hidrelétrica ? São Paulo mais uma vez privilegia o transporte individual ? A Nike mais uma vez tem problemas sociais com a produção de seus artigos ? Nada disto nos diz respeito porque terceirizamos tudo que nos diz respeito. Comida, água luz, energia. A única preocupação dos reis de hoje é ganhar o suficiente para pagar tudo isto.

E qual o mal desta situação ?

Tem uma pesquisa sobre a coleta de lixo na cidade de Sommerville – Massachusetts, onde morei por dois anos, mostrando que as pessoas de lá separavam menos o lixo que a vizinha cidade de Cambridge. Seria fácil dizer que isto se deve a Cambridge ter moradores mais ricos e por isso mais educados. O problema é que a diferença perdura mesmo quando se compara famílias similares em ambas cidades. A grande diferença entre elas é que há muitos estrangeiros em Sommerville e poucos em Cambridge.

Estamos todos nos tornando estrangeiros ? "

Deixo aqui a música do Arnaldo, cantada pela Marisa...



PS - troquei o vídeo depois de me dar conta de ter colocado o errado!

sexta-feira, abril 23, 2010

Sobre o vulcão islandês e mais umas cosinhas

Eu não cheguei a comentar sobre a erupção do vulcão islandês, primeiro porque a internet fica tão bombardeada sobre o assunto que falar qualquer coisa sobre o mesmo assunto é redundância. E os blogueiros, disseminadores de informação, se adiantam logo em passar informações cruzadas, às vezes erradas, enfim, resolvi dar um tempo, fazendo coisas mais interessantes - pra mim, claro.

Fora o caos aéreo causado pelo vulcão (não vou nem me dar ao trabalho de repetir o nome dele, tá? O islandês é uma língua ancestral que evoluiu pouquíssimo ao longo dos anos, e é complicada pra caramba), outro problema que se apresentou pra mim foi o risco de precisar tirar uma licença do trabalho. Assim, da noite pro dia, todas as conferências e reuniões que aconteceriam no hotel (que é um hotel executivo e vive disso) antes do verão foram canceladas. Assim, foi preciso reduzir o contingente de funcionários a um mínimo. Como somos muito flexíveis, a coisa foi feita de modo que ninguém saísse totalmente prejudicado. E como eu e Lars já havíamos planejado uma semana de férias em maio, eu não precisei (ainda) ser jogada no banco de reserva.

Dizer que agora é rezar pra que o vulcão sossegue me parece bem triste... O que me fica muito evidente nesse momento é a fragilidade do sistema em que nossas vidas se baseiam nesse período da História. Antes da invenção da aviação, um evento dessa proporção talvez difícilmente virasse notícia. A vida seguiria normalmente, desde que esse vulcão fosse assim, digamos, pequeno e calminho. Veja há quantos anos os havaianos convivem com um vulcão ativo e constantemente atirando lava pra fora... Se fosse um vulcão maior e mais furioso, a coisa seria diferente, como já foi no passado, e ainda pode vir a ser. Explico em breve.

Outra coisa que me irrita profundamente é notar o quão as pessoas ainda são ignorantes com relação às questões de mudanças climáticas, aquecimento global, etc. Talvez lobotomizadas pela mídia main-stream propagandista, que bombardeia informações picadas aqui e ali, mas dificilmente vai fundo às questões. Desde o terremoto no Haiti, leio e ouço coisas do tipo "oh, a natureza está em fúria" ou "ah, é o preço que pagamos por não cuidarmos da natureza", e blablabla. Entretanto, terremotos e vulcões são as forças mais arrasadoras da Natureza sim, e não sofrem NENHUMA influência nossa. Ao contrário, nós é quem vivemos à mercê deles. O centro de nosso planeta é uma bola de líquido fervente quentíssimo, que se comporta como quer, de acordo com suas próprias regras. Nós, que conseguimos estabelecer morada na crosta terrestre, a casquinha da bola de fogo, não podemos controlá-la e nem mudar o seu comportamento.

As placas tectônicas se movem, sim! Não existe a teoria de Pangea, quando todos os continentes eram um só? Ou alguém aí já se deu o trabalho de ler sobre a formação das Ilhas Galápagos? Pois é, se sim, saberia que a cada ano que passa o movimento das placas tectônicas é constante, o aparecimento de falhas é iminente, e por aí vai. Com esse grande número de terremotos ocorrendo no mundo quase silmultâneamente (pra idade da terra, meses devem representar frações de segundo), é óbvio que há uma grande movimentação acontecendo abaixo da nossa casquinha. É possível fazer algo pra prevenir isso? N-Ã-O. É mais fácil hoje em dia começar a prever essas coisas e evitar catástrofes com evacuações. Mesmo assim, tregédias continuarão acontecendo, e hoje ao menos a espécie humana sabe onde amarrou seu burro. Ponto final.

Sobre o vulcão... Domingo passado assistimos por acaso a um especial do History Channel chamado A Global Warning? O programa fala dos ciclos naturais de aquecimento e esfriamento do planeta, sobre a adaptação das espécies durante essas mudanças, às vezes cíclicas, às vezes abruptas, causadas por situações inesperadas como.... Erupções vulcânicas, tchantchan!!! E bem nesse momento em que meio planeta para por causa de um vulcãozinho num país do qual se ouve falar muito pouco, eu tomo conhecimento da fato de que há dezenas de vulcões mais poderosos que estão já passados do tempo de erupção, que podem entrar em atividade a qualquer momento, com consequências infinitamente mais desastrosas.

Um deles é o Yellowstone, nos Estados Unidos. Se você nunca ouviu falar, é porque nem o Zé Colméia você assistia quando criança. Yellowstone é um Parque Nacional americano que fica nos Estados do Wyoming, Montana e Idaho. Apesar de a probabilidade do bicho explodir (e esse é um vulcão com uma formação particular, chamada caldera em inglês) ser pequena no momento, SE isso acontecesse, seria praticamente o fim dos tempos como o conhecemos. Se o caos se instala a partir do momento em que aviões não podem voar hoje em dia, imagina no dia em que uma erupção vulcânica seja tão potente que cubra quase todo o planeta em gases e cinzas, por um período relativamente longo, bloqueando a luz solar e mudando as estações, causando grande esfriamento e portanto as colheitas e a produção de alimentos... Pois é. É pra se parar e pensar, enquanto um sujeito acha que a vida dele acabou porque ficou "preso" na Europa sem conseguir voltar pra casa quando bem entende, que poderia sem BEEEEEEM pior. Olhando pra história (antiga e recente) de outros lugares do mundo, é possível prever o que pode acontecer. Pergunte aum irlandês sobre a Grande Fome irlandesa de 1840 representa a eles, uma fome que pouco teve a ver com a miséria que se vê na África hoje em dia... Aí seria possível perceber que perder sua carona pra casa por 10, 15 dias não é tão ruim assim....

E antes que alguém diga, SIM, EU ADORO CUTUCAR FERIDAS... Pense nisso quando soltar seu papinho "vamos salvar a natureza" assim, da boca pra fora!

segunda-feira, março 29, 2010

A Hora do Planeta, O Mundo Sem Nós, e um monte de chatice pra tirar as pessoas da zona de conforto - Spoiler Alert: post muito pessimista

Hoje acoredei bem cedo, assim, naturalmente. É o primeiro dia das férias de Páscoa. E lendo algumas coisas interessantes e outras várias imbecilidades na Internet, resolvi fazer o tão anunciado post sobre o livro "The World Without Us", do Alan Weisman.


Então, sobre o livro... Primeiro soube dele por causa de um post da Beth, que tinha um filminho-propaganda. Comprei usado na Amazon.com. Em inglês, foi uma leitura mais demorada pela quantidade de termos científicos bem específicos. Mas posso dizer que o livro foi devorado com voracidade. O autor e jornalista escreveu um artigo chamado "Earth Without People", em 2005, e a partir daí surgiu o livro. Renatinha também leu porque viu aqui, e escreveu a resenha dela. E resolveu dar o livro de presente. Eu ainda não dou o meu porque Lars quer ler. Daí eu dou!

Weisman começa a linha de pensamento assumindo que, num determinado dia, a raça humana desaparecesse da Terra por qualquer motivo (o motivo em si não é importante, o importante é assumir que a humanidade desapareceu, e foi a única. O resto permanece como foi deixado). A partir daí, ele vai tratando da durabilidade e dissolução dos materias, sua reabsorção ao ciclo do carbono, digamos assim. Primeiro, ele descreve o que aconteceria com as casas, edifícios. O que se desintegra primeiro, quantos anos leva a dissolução decada material, etc. Em seguida, vem as cidades.

Através de pesquisa e entrevista com cientistas de cada área envolvida, além de relatos de fuincionários de manutenção de grandes estruturas, como por exemplo o metrô de NY e a ponte do Brooklyn, ele vai contando quanto tempo levaria para que estas estruturas ruíssem, sucumbissem à natureza e suas forças. É chocante descobrir a batalha diária de centenas de homens contra a natureza, por exemplo no metrô, reparando infiltrações e vazamentos, arrancando plantas que insistem em aparecer nas menores cavidades e fissuras, que eventualmente poderiam virar árvores. Ainda sobre as cidades, ele conta também quanto tempo levaria para que florestas voltassem naturalmente a aparecer, e fala das espécies não-nativas levadas a outros lugares, que mesmo no futuro, competindo com as espécies nativas venceriam a batalha. Concluimos então que em muitos lugares, a vegetação jamais voltaria a ser o que era antes da curta existência da raça humana.

Das cidades ele vai às fazendas. Fala dos pesticidas e fertilizantes, e de como alguns deles levariam muito tempo pra se "desfazer", e do dano que causaram e ainda causam. Essa parte também pode ser descoberta pelo documentário sobre a Monsanto, no Youtube, pra quem não quer ler o livro.

Chega a vez das grandes obras da humanidade, como a Muralha da China e o Canal da Mancha, e o Canal do Panamá, que teoricamente sem manuntenção, em algumas dezenas de anos voltaria a ser exatamente como era antes de nós destroçarmos a geografia panamenha. E vai falando também do que aconteceria com nossos animais domésticos e os selvagens. De como nossos animais domésticos tenderiam a morrer logo, sem nós pra cuidarmos deles, e como eles virariam presas dos animais selvagens, que, sem os humanos pra diminuírem seus habitats naturais e caça-los, voltariam a ser grandes populações. Vacas, carneiros, cabras, cachorros, todos sucumbiriam. Exceto os gatos domésticos, que totalizam bilhões no planeta. Estes são responsáveis, por sua vez, pela morte de 219 milhões de pásssaros por ano, isso apenas na área rural de Winsconsin. Chocante imaginar que nossos queridos bichanos sejam responsáveis por tal desequilíbrio, não é?

Fora isso, nossas antenas de rádio, televisão, telefonia e torres de eletricidade matam 200 milhões de pássaros ao ano, só nos Estados Unidos. Meu mundo caiu!

Depois ele entra no campo das guerras. Sem nós, haveria menos destruição causada pelas guerras. Mas os detritos e certos armamentos levariam milhares de anos pra desaparecer. Caso do urânio enriquecido e seus detritos. E então entram as usinas nucleares, e o que aconteceria quando as fortalezas sucumbissem à exposição aos elementos e, sem manutenção, liberassem todo o material radioativo na atmosfera.

Tem também a questão do plástico. Essa, já bem martelada por mim. Fala do tempo que levaria pro plástico se decompor totalmente, e do tanto de plástico que já esxiste espalhado pelo planeta, até na cadeia alimentar. Das ilhas de plástico - lixo - que existem no Pacífico Norte, onde esse lixo é empurrado pelas correntes e ali se acumula. Triste. Dos exfoliantes corporais que tem plástico, plástico tão fininho e reduzido que acaba, junto com o esgoto, no mar, e ingerido por peixinhos que o confundem com plâncton, que por sua vez são comidos por peixes maiores, e assim por diante, chegando até nós.

Poderia passar o dia aqui narrando o livro, mas acho que o spoiler acima já foi suficiente para fazer com que as pessoas se decidam por lê-lo ou não. E não estou fazendo aqui alarde pra que se leia o livro, isso é opção pessoal. Mas seria bom se a população em geral se desse conta do quanto pequenas escolhas e gestos podem influenciar no mundo ao seu redor. E de quanto nós já f***mos de vez com planeta, de modo que a salvação deveria ser imediata, e não será. Por consequência, a raça humana está mais do que fada à extinção.

Extinção dos mesmos humanóides que os cientistas calculam ter sido responsáveis pela extinção da mega-fauna em todos os continentes exceto a África. Porque na África a mega-fauna e os humanóides evoluíram juntos, ao passo que no resto do mundo, os humanóides chegaram depois, e já matando tudo que viam pelo caminho. É traço genético da nossa raça ser destruidor.

Se continuarmos assim, calcula-se que em 2050 o planeta abrigará 9 bilhões de coitados. Digo coitados, porque imagina a fome, falta de água, doença, e tudo que acarreta viver num mundo que não comporta tanta gente!

Por isso me irrita muito quando eu levanto a questão da comida que nos é posta à mesa pelas corporações à lá Monsanto, e neguinho vem dizendo "coitadinhos dos bichinhos, não quero ver," e reduz a questão a mal-tratos de animais. Acorda, porra! Não é essa aquestão... A questão é garantir comida pra 9 bilhões de pessoas, garantindo também que essa comida não cause mais doenças (vide E. Coli nos EUA, ese vc não viu Food Inc. ainda, acorda pra vida e vai ver!) e pior, que a falta de comida não cause uma guerra sem precedentes (hello, alguém aí lembra da revolução francesa? Imagine-a em escala mundial!)

Muitos cientistas chamam esta fatalidade que poderia vir a acontecer de "a última grande extinção". Será que a raça humana consegue sobreviver, e levar consigo as espécies restantes, ou será que ela se conduzirá ao fim, levando consigo tudo ao seu redor?

Por isso eu digo que não quero ter filhos - acho que essa foi a única vez que assumi isso aqui. Mas assumindo isso, vemperguntas de gente intolerante que não consegue acreditar que alguém possa ser feliz sem a maternidade/paternidade. Eu e meu marido (assim como outros muitos casais) acreditamos. E antes que ataquem nossa decisão, eu ataco primeiro, dizendoque em primeiro lugar é uma puta sacanagem botar mais gente no mundo. Sacanagem com quem já está nele, e sacanagem com o que vem por aí, que terá que enfrentar tudi isso. #prontofalei

E não tenho a intenção de atacar quem opta por ter filhos não. Acho que cada um toma suas próprias decisões, e eu respeito. Só peço que respeitem a minha também. Existe um post de uma blogueira chamada Lúcia sobre esse assunto, além da série da Luciana. Concordo 100% com as duas.

E alguém pode estar se perguntando "O que isso tem a ver com o post?"... Bom, é que me chocou saber através do livro que já existe até um movimento chamado VHEM - Voluntary Human Extinction Movement nos EUA. Que prega a extinção voluntária, ou seja, "parem de se reproduzir"... Por exemplo, a China, reduzindo a taxa de natalidade para 1,3% ao ano, ainda bota 10 milhões de habitantes na Terra, por ano. Mesmo que a fome, desastres naturais e guerras matem muito, ainda assim nossas taxas de reprodução são maiores. O criador do movimento acredita que a raça humana parasse de se reproduzir, clínicas de aborto fechariam em meses, e todas as crianças órfãs do planeta teriam sua qualidade de vida sensívelmente aumentada, através da adoção. Em 21 anos, não haveria delinquência juvenil... Um pensamento um tanto quanto radical.

Outros proponentes, como o Dr. Sergei Scherbov, chefe do grupo de pesquisa do Instituto Austríaco de Demografia da Academia Austríaca de Ciências, que também é analista do Programa Mundial de População, afirmam que se cada mulher fértil no mundo tivesse apenas um filho, a população mundial cairia em 1 BILHÃO até a metadedo século. Até 2075, teríamos reduzido a população para a metade, e a vida melhoraria significativamente, não só para nós, mas para todas as espécies. Pode parecer radical, e um monte de gente se levantar e gritar coisas feias, coisas sobre direitos de escolha, etc, etc. Mas NINGUÉM se refere ao direito humano e mais básico de TODO SER HUMANO ter acesso à água e comida.

Porque o pensamento é sempre "se eu economizar água, como avida das pessoas na África pode ser afetada?". E a resposta é "Pode não ser afetada, mas é uma questão ética não desperdiçar enquanto metade da população DO MUNDO não tem água limpa pra beber." Entendeu?

Então, voltando, seria lindo se as pessoas achassem que estão alcançando algum progresso em termos de melhoria da qualidade de vida humana - porque afinal, é disso que tudo isso se trata, nada daquele papinho abraça-árvore raso "vamos salvar o planeta"... Porque melhorar as condições do planeta hoje siginifica dar um futuro mais digno e mais fácil para os que deixaremos aqui! É isso. Porque o planeta sem nós, passará muito bem, obrigado. A natureza precisará fazer uma forcinha pra superar o monte de merda que deixamos pra trás, mas ela sobrevive. Nós, talvez não. Aliás, se os humanos se fossem de vez, várias espécies nem notariam, outras (golfinhos, baleias, chimpanzés, orangotangos, tubarões, vários pássaros, entre outros milhões) talvez até fizessem festa!

Ao apagar suas luzes para a Hora do Planeta, era nisso que você deveria ter refletido. Era pra pensar em como você pode se esforçar um pouco pra fazer mais. Que tal deixar de comprar um esmalte e comprar alimentos orgânicos ao invés? Colocar uma meta pra reduzir seu consumo de energia elétrica em 25% no ano? Sugerir ao restaurante que você frequenta que verifiquem a origem do peixe, ou que tire o atum do cardápio? Caminhar até a padaria? Sugerir ao síndico do seu prédio uma reunião com os funcionários do edifício para educá-los no uso de recursos? Reduzir a quatidade de produtos químicos usados na sua casa? Ter certeza ABSOLUTA que o herbicida que seu jardineiro usa não é Round-Up, nem fabricado pela Monsanto? Plantar uma hortinha de ervas na janela do apartamento (sol e água são suficientes e até aqui no ártico eu consegui ano passado)? Se não fez isso, ao menos espero que tenha aproveitado como minha amiga Tietta... Porque, acreditem-me, eu penso nisso todo dia! Isso me atormenta, sério.

Ao invés de ter aquele pensamento bem bourgeois "quero que o mundo se f***, o meu conforto é sagrado e eu náo abro mão", reflita seriamente. E se aprofunde nas questões, o futuro dos seus herdeiros depende de suas ações!

Assim como fui extremamente mal compreendida na questão das garrafinhas de água. Disse água de torneira, pronto, todo mundo aponta pro fato de que no Brasil a qualidade da água blablabla e precisamos de filtro. An-ham, isso é meio implícito, até óbvio, não é? E você enche filtro com o que? Água da torneira, não é? E sim, o movimento da Annie começa no país dela. Mas a idéia é espalhar o conceito. Água hoje é uma questão de direitos humanos, e TODO e qualquer ser humano TEM DIREITO a água limpa e própria para consumo. Enquanto você continuar comprando água de garrafa, você só colabora pra que ela tenha DONOS. Pare de acreditar na mídia comprada que quer que você acredite que a água da torneira é ruim. Não é bem assim!

Mas afinal, num país em que um Marcelo Dourado pode ganhar um programa de TV através da manipulação da mídia e um José Serra pode ser eleito presidente (porque pra mim esses são o mesmo tipo de gente, asquerosos) através da manipulação da mídia, o trabalho de educar a classe média é ááááááárduo... O sistema precisa quebrar aos pés dela pra que ela reaja. Se não, fica tudo que nem esse cretino aqui e os leitores dele (leiam oscomentários do post linkado)... Tomara que ele não tenha filhos, senão, imagina outros sendo educados por ele...

UFA! Falei! Agora posso seguir adiante...

quinta-feira, março 25, 2010

Coisas poderosas acontecem no escuro

Pois bem, começou em 2007 na Austrália. Ano passado, 88 países aderiram. Este ano, a previsão é de 120 países. Então, faça o favor de apagar suas luzes por uma horinha, às 20:30, horário local. Não custa nada. Acenda velas, jante nesse momento, faça outras coisas divertidas no escuro (an-haaaam). Mas principalmente, pense no tanto de gente que vai fazer o mesmo. Pra que? Ora bolas, porque podemos! E porque, afinal de contas, é uma forma de protesto. É uma campanha de conscientização. Alguns podem até achar vazia, mas enfim, ficar esperando deus resolver o problema do aquecimento global é que não dá, né, minha gente? O banner da campanha tá aí ao lado já tem mais de mês...

Que tal apagar a luz mais vezes do que só uma hora por ano?

Esse ótimo vídeo abaixo tem um truque... Assista primeiro do jeito que está. Na segunda vez, apague a luz do vídeo no interruptor que aparece no canto inferior esquerdo... Viu como coisas poderosas acontecem no escuro?



Ah, e faça o favor de não beber água de garrafinha enquanto observa seu bairro apagadão...

segunda-feira, março 22, 2010

Garrafinhas de água, nunca mais!

Hoje é o Dia Mundial da Água. E a Annie Leonard, criadora do projeto "The Story of Stuff" - aquele filminho em animação que fala sobre a não-sustentabilidade do sistema capitalista de consumo desenfreado (e que eu já postei aqui, em julho no ano passado, quando falava sobre o lixo na Noruega), escolheu bem hoje pra lançar outro projeto maravilhoso: "The Story of Bottled Water". Recebi via e-mail, porque acompanho o projeto há algum tempo, e me enchi de alegria por saber que tem gente sim capaz de levantar-se contra as corporações e tudo de mal que elas nos causam!

Somos responsáveis por nossas escolhas e capazes de decidir se vamos corroborar com a destruição deste planetinha, comprando centenas de garrafinhas plásticas, ou se vamos exigir que a água da torneira seja limpa e adequada para o consumo. Aqui na Noruega, por exemplo, ela é. E deveria ser no mundo todo. Porque, no fim das contas, se a água da torneira está mal, a da garrafinha também está, pois cada vez mais resíduos (de tudo é merda imaginável) estão sendo encontrado nos mananciais. Visite a Lúcia Malla hoje e descubra mais.

Assista ao filme, que fala por si só... Por enquanto só em inglês, afinal foi lançado hoje! Se aparecerem versões legendadas, atualizo. Graças à Nossa Senhora das Águas Limpas existe gente como a Annie Leonard nesse mundo!



Lembre-se, NÃO COMPRE água engarrafada! A água que sai de sua torneira provavelmente tem qualidade melhor, e É GRATIS!!!!

Para rebelar-se contra o mundo corporativo, há várias coisas que você pode fazer. Veja aqui.

Tin-tin com um copão de água da torneira.

segunda-feira, março 15, 2010

The Cove - você pode ajudar a espalhar esse filme

O documentário que ganhou o Oscar traz imagens repulsivas e revoltantes - me deu ânsia de vômito. Não chorei compulsivamente assim diante de quase mais nada. Revolta, impotência, indignação, e por fim ódio.

O filme conta o que se passa num vilarejo japonês chamado Taiji. Uma cidadezinha com desenhos e estátuas de baleias e golfinhos por toda a parte. Um lugarejo que abriga um museu de baleias (ou melhor dizer, de caça às baleias). Um lugar que esconde um segredo tão terrível que aqueles que atrevessem a desmascará-lo poderiam não sair de lá com vida...

O diretor Louie Psihoyos, que também é mergulhador, começou a notar ao longo dos anos um decréscimo na quantidade de vida marinha nos locais em que mergulhava ano após ano. E fundou uma organização chamada Oceanic Preservation Society. E começaram a documentar vida marinha em recifes de corais no mundo. Um dia ele foi à uma conferência sobre mamíferos marinhos em San Diego. Os participantes eram cerca de 2000 especialistas da área. Ric O'Barry deveria ser um dos palestrantes principais.

No último momento, os patrocinadores do evento retiraram Ric do programa. Os tais patrocinadores eram o Sea World (todos aí lembram do caso da orca e da tratadora? Então, eles...). Ric O´Barry faria uma palestra contra a manutenção desses animais em cativeiro... Segundo o próprio Ric, um grande número dos cientistas que estudam esses animais obtém financiamento do braço não-lucrativo do Sea World, chamado Hubbs-Sea World Reaserch Institute.

Foi assim que Louie ficou sabendo da matança de golfinhos que acontece todos os anos em Taiji.

A ironia disso tudo é que Ric O´Barry foi uma das assumidades mundiais em treinamento de golfinhos. Ele era o treinador de Flipper, lembram-se? Ele ajudou a capturar os golfinhos que seriam Flipper na natureza e os trouxe para o cativeiro.

O documentário inteiro gira em torno de todas as tramóias que eles precisaram armar para burlar a vigilância do governo japonês e conseguir imagens absolutamente incriminatórias como prova daquilo que aquele governo vem veementemente negando ao longo dos anos.

O diretor inclui entrevistas e depoimentos de outros ativistas do tipo mão-na-massa, como o meu antigo herói Paul Watson, co-fundador do Greenpeace e expulso do mesmo por seus métodos anti-convencionais de protesto. Paul hoje comanda os Sea Sheperds, de quem já falei aqui diversas vezes. Paul menciona as organizações ambientais "mais convencionais" tipo o Greenpeace, WWF e outros que juntos arrecadam milhões de dólares anualmente e fazem por** nenhuma para denunciar a matança de Taiji. Watson, por sua vez, levou um de seus barcos a Taiji. Foram presos e expulsos e jamais podem voltar ao Japão. Watson hoje se dedica a combater cara a cara a matança de baleias por parte dos japoneses no território antártico (tem até o programa Guerra de Baleias no Animal Planet, sobre o qual já falei diversas vezes também), a matança de tubarões mundo afora e a matança de focas no Canadá...

Mas voltando... O filme vai mostrando a operação de guerra que foi montada, usando tecnologia militar e até especialistas em efeitos especiais para cinema para enfiar câmeras de alta definição em imitações de pedras.

Quando conseguem instalar todo o material, conseguem finalmente obter as imagens que causam muito mal estar. Os golfinhos capturados neste local (The Cove, como eles chamam) são mortos um a um, da maneira mais brutal possível. Sua carne é vendida clandestinamente, uma vez que o povo japonês (entrevistado nas ruas das grandes cidades japonesas) não tem nem conhecimento de que golfinhos são comestíveis... A carne é distribuída como carne de baleia, ou, como o plano do prefeito de Taiji, seria distribuída gratuitamente na merenda das escolas de todo o país.

O que os realizadores do flime ressaltam também é que a carne de golfinho é extremamente contaminada por mercúrio, que se acumula na cadeia alimentar.

O filme também mostra imagens de reuniões da IWC (Comissão Internacional de Caça às Baleias, que regulamenta a caça no mundo todo, e que impôs em 1986 a moratória por período indeterminado de caça às baleias, moratória essa que a Noruega - VERGONHA - Islândia e Japão ignoram, sendo que o Japão usa a desculpa de fins científicos para a caça. Quase todo o planeta se opõe a essa prática, inclusive o Brasil, que aparece no filme falando da pouca vergonha que são as desculpinhas japonesas). Mostram como o Japão vem recrutando nações desesperadamente pobres para votar a seu favor, dando-lhes dinheiro.

Enfim, nunca senti um embroglio tão grande. E um ódio mortal, não pelos japoneses, mas pelo seu governo patético. Isso precisa parar. E a única forma de conseguir isso é fazendo barulho. A Academia prestou um serviço gigantesco à essa causa dando a estatueta a esse documentário. A entrega do prêmio foi vista por bilhões, e deve ter despertado a curiosidade de alguns - meu caso. O que eu posso fazer pra ajudar, no momento, é divulgar... Por isso uso este espaço.

Assistam a este filme, contem a todos os amigos, e se você tem amigos ou familiares no Japão, recomendem. Porque se o povo japonês se levantar contra essa atividade, é um grande passo em direção ao fechamento dessa indústria. Já deve existir cópia em DVD, senão, mande um comentário com seu e-mail e eu mando o filme de presente... Prometo que não publico seu e-mail.



Pra terminar, uma musiquinha do a-ha, lançada em 1986, quando eles já pensavam nas baleias...
A música, pra meu deleite, está incluída no set list da tour de despedida, e se chama "We're looking for the Whales". Esse vídeo é do show do Citibank Hall no Rio, sábado à noite.



We're Looking for the Whales
Magne Furuholmen / Paul Waaktaar-Savoy


One left low left two who left high
They seem so hard to find
Three came twice took once the time
To search
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for the whales

Restlessness is in our genes
Time won’t wear it off
Born into this world with our eyes wide open

Girl
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for the whales

I found angels beached outside your doors
Don’t you set those lonely eyes on me
We’re looking for the whales
We’re looking for the whales





sexta-feira, março 05, 2010

Curtas

Depois de uma linda semana de sol, céu azul e temperaturas baixas (entre -5 e -10), ontem a temperatura "subiu" pra -1 e começou a nevar - de novo. Isso porque passamos a semana toda planejando ir pro chalé. E vamos hoje, debaixo de neve mesmo. Agora que me aclimatei a estas temperaturas mais baixas, dessa vez vou criar a coragem necessária pra literalmente me jogar na neve. Lars queria até comprar esquis pra nós dois hoje - o que eu não deixei, claro! Que não quero hematomas na poupança... O melhor amigo do Lars - Trond Vidar (ao pronunciar rápido, soa como Trumídar) - tem a mãezinha dele muito doente, em estado terminal, e vai conosco, porque precisa desanuviar um pouco. Mas ele volta amanhã e nós, no Domingo.

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Nossos móveis novos chegaram - quer dizer, chegaram na loja desmontados, e Lars foi buscar e montou em casa, claro, esse é o país do Faça Você Mesmo. Minha decepção foi saber que a mesa de centro é Made In India... Não tenho nada contra ela ter sido feita na Índia, mas pelo preço que pagamos, sei que contribuí para a exploração de alguns indianos, provelmente mal pagos e em condições sub-humanas de trabalho. Isso me faz mal. Mas pro que não tem remédio, remediado está, não é assim que dizem? Ao menos a mesa antiga foi levada pra loja da Cruz Vermelha.

O quarto de hóspedes/escitório está um chuchu, e o hotel Hareide já está aceitando reservas pro verão...

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Depois da tristeza de saber que o a-ha não vem pra Bodø com a Ending on a High Note Tour, vem a boa notícia de que mais 6 shows - dessa vez em estádios - foram marcados pra Noruega, incluindo Oslo, Bergen, Trondheim, Kristiansand, Stavanger e Tromsø. E parece que desses shows é bem capaz que pinte um DVD ao vivo. Então lá fui eu com a canetona no calendário. Trabalho uma semana sim outra não, então é só ir marcando on e off no calendário pra ver em quais semanas tenho o fim de semana off. A semana que inclui os shows de Trondheim, Stavanger e Tromsø é off. Como Lars não tem escolha em ir ao show ou não, dei a ele aescolha da cidade (ô, marido bom esse meu!) e ele escolheu Tromsø, que não conhece. Já olhei que lá tem hotel do meu, então rola descontíssimo. É no começo de setembro. Pra quem quiser ver o calendário de shows, basta entrar no site oficial da banda - que aliás está de cara nova, com music player sensacional e fotos belíssimas.

Faltam 4 dias pra começar a perna brasileira da tour, com shows em Bauru, SP, Rio, Brasília, BH, Recife e Fortaleza. Ontem à noite foi o show de Buenos Aires e eu e a comunidade do Orkut passamos a noite em quase vigília esperando o set list. Acabei indo deitar às quase 4 da manhã...

Sim, sou louca... Por a-ha!

Fonte da foto - clique na foto

Update: diretamente do Luna Park... The Sun Always Shines on TV e Forever Not Yours





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O Oscar já é Domingão, e eu provavelmente não poderei assistir porque trabalho cedo Segunda, e tendo em consideração o fuso horário, a hora que começar a festança em LA vai ser tarde pra dedéu aqui. Mas mesmo assim participei do bolão da Lolinha, porque segundo ela, coisas horríveis acontecem a quem não participa. A Lolinha organiza um bolão do Oscar todos os anos há 20 anos...

Falando nele, o Oscar, mais dois filmes que vimos esta semana que passou. "A Serious Man" ("Um Homem Sério" no Brasa), de Joel e Ethan Coen. Pra quem conhece o trabalho dos irmãos Coen, é um filme bem coenesco, dessa vez talvez um pouco mais profundo. O personagem principal nos agonia de tão resignado - mas é uma resignação forçada, porque em vários momentos eu achei que o pobre cara fosse explodir num acesso à lá Michael Douglas em "Um Dia de Fúria", mas isso não acontece. Um filme Coen de primeira categoria, e recomendo, assim como recomendo toda a filmografia Coen pra quem não curte (ou tá cansado) de banalidades e clichês na telona.



Outro filme que vi e adorei, apesar de ter lido críticas que destroem o filme, é "The Lovely Bones", dirigido por Peter Jackson (o diretor da trilogia Senhor dos Anéis). O filme no Brasil estreou como "Um Olhar do Paraíso", outro título "traduzido" faz-me rir... Sem spoilers, o filme é uma adaptação de um best-seller do qual eu não tinha ouvido falar (sim, tenho preconceito literário com best sellers e é problema meu!). Trata-se de uma garota de 14 anos que é assassinada pelo vizinho (não, eu não estraguei o final do filme, pois a própria Suzy lhe contará isso nos primeiros 3 minutos de filme). Presa numa espécia de limbo, Suzy vai narrando os acontecimentos, olhando a família arrasada que deixa pra trás, traçando o perfil de seu assassino, e tentando administrar o amor profundo de/por seu pai... Elencão holywoodiano, com Mark Wahlberg, Rachel Weisz, uma Susan Sarandon nada impressionante, e um Stanley Tucci tão irreconhecível que só me toquei que era ele depois de 1 hora de filme... Não sei o quanto Holywood premia aqueles que interpretam serial killers (politicamente incorreto fazê-lo nos dias de hoje?), mas ele merece a indicação e se bobear leva. No bolão da Lolinha apostei no Christoph Waltz ("Bastardos Inglórios), mas me arrependi, devia ter apostado no Tucci.

Achei as imagens belas e o filme interessante, mas sei que tem gente que vai odiar. A Lu gostou, como eu. Até a música tema "Alice", do Cocteau Twins, é boa (mas já havia sido usada na trilhasonora de "Beleza Roubada"...). Troquemos figurinhas depois.



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E pra terminar a Sexta, deixo uma recomendação de leitura pro final de semana. A Tietta, minha companheira de tempos de Pantanal e atual passarinheira lá em Bonito, postou no blog dela um link pra uma matériasobre o Projeto Arara Azul, que nós duas tivemos a oportunidade de conhecer de perto, pois eles tinham (ainda tem) uma base na Caiman, onde trabalhamos. Conhecemos a Neiva Guedes, fundadora do Projeto, e pudemos conviver um pouco com os pesquisadores e seu trabalho. O que me reforça o sentimento de que todos os meus heróis são gente que faz! Vale dar uma lida no post (e no blog todo) da Tietta e no post original, pra ver que é muito possível salvar uma espécie ameaçada.

Bom fim de semana!

PS: Upadated - o post Sexta-feira Ambiental está com a reprodução da coluna do Efraim...

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Sexta-feira ambiental - Updated

Das soluções possíveis para o material mais nocivo que existe, e mais durável também, como me contou Alan Weisman em seu livro "The World Without Us", aqui está uma, sendo desenvolvida por um pessoal do País de Gales...



Outro cara que tem me contado várias coisas interessantes através de sua coluna semanal é o Efraim Rodrigues. Mandei um e-mail a ele pedindo permissão pra reproduzir a coluna aqui, já que tá duro achar links pra ela. Se ele responder - e permitir - posto aqui logo mais, neste mesmo post. Update - ele respondeu e permitiu... Lá vai...

Sem sair de casa



O corretor de imóveis vende a imagem que você passará a ser ecológico se viver fora da cidade. Vai acordar com os passarinhos, terá árvores em seu jardim. Aliás, carneiros e cabras pastarão solenes nele.

Mesmo que tudo aconteça assim, seu impacto ambiental será muito maior em um terreno grande do que em um apartamento na cidade.

Pense grande, pense no número 6.805.000.000. Esta é a quantidade de pessoas no mundo hoje. Pegue a área de seu paraíso ecológico, 500 m2 ou 1000 m2, multiplique por este número e veja o que seria do mundo se todos dispusessem desta área. Mas a coisa não para aí. O “paraíso ecológico” exige usar o carro para tudo. Acabou o fósforo ! carro. Estou sem sal ! carro. Escola, aula de balé, cinema a noite. Carro, carro e carro.

O prejuízo não é só ambiental. É também psicológico. Ao vestir esta neo-armadura de metal, vidro e plástico nos tornamos estrangeiros em nosso próprio mundo. Não conhecemos o vizinho porque nunca passamos andando na porta da casa dele, quando ele também estaria saindo a pé.

Há urbanistas estudando isto. O arquiteto Peter Calthorpe criou o conceito de “andabilidade” a partir da sua experiência em uma casa-barco em Sausalito, Califórnia (Calthorpe é também especialista em causar inveja em pobres mortais como eu).

Os leitores assíduos desta coluna irão lembrar-se do Shopping Center no meio do nada que virou um centro comercial para onde vão milhares de carros de manhã e saem todos a noite. Ninguém vive lá. Tyson’s Corner tem andabilidade zero. É o lugar que só existe por causa do carro. Tyson’s Corner tem mais lugares para carros que empregos.

Há alguns anos, mencionei este problema e recebi um telefonema de um importante jornalista que mora em uma chácara, cria porcos e faz até a própria lingüiça. É muito bom consumir produtos locais, que viajaram menos e com isto consumiram menos recursos. É igualmente bom dar os restos de comida para animais. No entanto, se formos todos morar em chácaras, precisaríamos de um outro país para elas.

E vivendo em cidades, como fazem hoje 70% dos brasileiros, precisaremos de cidades melhores. A agricultura deve entrar cidade adentro, produzindo aquilo que estraga rápido e é mais caro, hortaliças principalmente. Estas hortaliças estariam muito bem se fossem nutridas com restos de alimentos compostados e humificados, fechando um ciclo de matéria e melhorando as cidades.

Voce não precisa mudar-se para reduzir sua pegada ecológica. Ao contrário, há muito a fazer dentro de nossas próprias cidades.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Nos fins de semana ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva.
Veja colunas anteriores em http://www.efraim.com.br/Blog/Blogger.aspx

E a sempre relevante Lúcia Malla, em sua Sexta Sub de hoje, linka uma matéria da Revista New Scientist. Vale a pena ler o post dela e a matéria. E se a Lúcia tem esperanças de que mudanças são possíveis, então eu também tenho. Segundo a Lúcia, fazendo a nossa parte cada um contribui. E meu amigo Daniel sempre fazendo a dele...

Como colocou a Daniela no post sobre as pérolas do Enen (seria hilário se não fosse trágico), o que nos mostra (se são verdadeiras as frases selecionadas), o tamanho grau de ignorância sobre um assunto tão martelado hoje em dia, o aquecimento global. O que me prova que educar é fundamental, então tô aqui sempre tentando fazer o meu pouqinho, né?

E porque é Sexta, pra terminar com música, uma outra bandinha que ouço muito há muitos anos, e de quem tenho TODOS os Cds já lançados, o Jamiroquai. De seu álbum de estréia, Emergency on Planet Earth, de 1993, saiu o single "When you gonna learn?". Talvez tenha sido a primeira banda a tocar no assunto meio-ambiente tão descaradamente. E eu, na época fazendo faculdade, vivia grudada na MTV e assistia emocionada ao clipe. Em 96, fui a um show deles em São Paulo, se não me engano no Via Funchal, com minha amiga Ana Paula... Os caras são fanomenais ao vivo também. Desculpem pela versão meio low definition, mas foi a única que achei.



When you gonna learn? by Jamiroquai

Yeah, yeah
Have you heard the news today?
People right across the world are pledging they will play the game
Victims of a modern world, circumstance has brought us here,
Armaggedon's come too near, too too near now
Foresight is only key to save our children's destiny
The consequences are so grave, so so grave now,
The hipocrites we are their slaves
So my friend to stop the end on each other we depend, oh we depend

Mountain high and river deep
Stop it going on,
We gotta wake this world up from its sleep,
Oh People, stop it going on

Yeah, yeah,
Have you heard the news today?
Money's on the menu in my favorite restaurant,
Well don't talk about quantity, 'cause there's no fish left in the sea
Greedy men been killing all the life there ever was,
and you better play it nature's way, or she will take it all away,
And don't try tell me you know more than her 'bout right from wrong,
Oh, you've upset the balance man, done the only thing you can,
Now my life is in your hands.......

Mountain high and river deep, oh yeah, we gotta stop it going on,
We gotta wake this world up from its sleep,
Oh people, stop it going on

Oh, ohoh hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey.
Oh hoho hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, heyyyyy.
x(2]

Mountain high and river deep yeah, we've gotta stop it going on,
We gotta wake this world up from its sleep,
Oh people, stop it going on
Greedy men will fade away, yeah yeah,
When we stop it going on,
I know it's got to be that way, when people, stop it going on!
I'm asking,
Oh, when you gonna learn, to stop it going on?
Now, when you gonna learn, to stop it going on?
Now, when you gonna learn, to stop it going on?
Oh. When. You. Gonna. Learn. To. Stop. It. Going. On?

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Recordar também é morrer de vergonha pelas escolhas passadas

O Léo, do freezer vizinho, a Finlândia, me fez cavar umas coisas antigas da minha vida que eu prefiro deixar engavetadas... Mas ele chamou a atenção para o blog da Jarid. E eu fui lá ler sobre o que se tratava. Pra quem não sabe, a Jarid é uma brazuca casada com um indiano sikh (os de turbante). Então, pra quem não vai ter saco de ir lá xeretar, eu resumo...

Jarid recebeu um pedido de ajuda via Internet, em nome de uma brasileira que havia largado tudo pra ir atrás de seu amor indiano que conheceu na net. A sogra até tinha falado com ela via webcam, e ela partiu com poucos dólares no bolso (erro número 1) e sem falar nem inglês (erro número 2). Quer dizer, tudo errado, mas existem váááááários casos assim. Aqui na Noruega, na Índia, nos States, seja onde for. E, como "se a esmola é grande o Santo desconfia", as recepções nem sempre são como esperadas. No caso dessa brasileira, o indiano era casado com dois filhos... Nem quero ir muito mais além (quem quiser, vá ler no blog da Jarid), mas no fim que a moça estava sendo envenenada...

Me parece que muita gente suspeitou da história. Eu empatizei na hora, nem por um minuto eu imagino que seja mentira. Porque isso acontece por lá aos montes. Os indianos são complicados, a cultura deles é muito diferente da nossa, e é preciso compreender e aprender MUITO antes de se envolver com um. Os valores são distintos, sabe? Em muitos aspectos acho que a Índia ainda tem bastante da novela de Glória Perez. Mas pior!

Aconteceu comigo entre 1999 e 2001. Namorei um indiano. Se você um dia chegou a ler os imensos arquivos deste blog saberá. Se não, eu facilito... Começa aqui, e então aqui, depois aqui, aqui , e o último, aqui. Resumo do meu Caminho das Índias particular: namorei o indiano no navio, indiano foi demitido por bebedeira durante o cruzeiro de travessia pro Brasil, onde minha família nos esperava no Rio no Natal. Naquelas férias (2001) resolvi ir pra Índia. No começo foi tudo tranquilo, a irmã dele ia se casar e eu fui pro casamento. E foi aí que deixei de narrar a história.

Mas o fim dela é assim...Depois do casamento, quando a irmã foi morar com o marido dela, a sogra mudou de anjo pra bruxa de vassoura. Não me fazia nada fisicamente, mas gritava conosco o dia todo. Parece que o medo dela era que eu roubasse o filho dela. Viúvas, na Índia, não podem fazer nada, tem "pouca serventia", digamos assim. Um horror, mas a cultura é deles, não minha!

Então voltei pro Brasil e resolvemos (na verdade eu resolvi porque resolvi e meus pobres pais, apesar de contrariados, não fizeram nada além de apoiar, ajudar, aceitar...) trazer o indiano pro Brasil. Lá se foi o indiano pra Delhi pegar o visto... O visto foi recusado, eu até liguei na Embaixada... Então tentamos de todo o jeito trazer o indiano, e não teve jeito. O plano então foi voltarmos a trabalhar em navios, cada um a partir de seu país. Eu arrumei em poucos meses um agente, e embarquei em menos de duas semanas (foi assim que eu fui parar na Carnival...). Quando embarquei, recebi um e-mail do indiano dizendo que ele ia pra um navio da Princess... :0 O que???? E fiquei com esse o que no ar, pois foi aquele o último e-mail que recebi do indiano. Nunca mais.

Então mandei a Carnival à merda e voltei pro Brasil. Fui fazer muita terapia pra digerir tudo o que havia acontecido comigo, e digerir a própria Índia! Um ano depois, recebo um e-mail, pedindo desculpas, e pedindo pra voltar :O O que??????? Apaguei o e-mail, aquilo já era passado e a fila já tinha andado!

E num belo Domingo de verão, quente pra burro, estava eu trabalhando lá no Pantanal, quando meu pai me liga pra contar que o indiano tinha ligado e meu pai tinha dado o telefone do hotel. Minutos depois, o indiano liga e chora e diz que ama e o escambau a quatro. Ouviu tanto palavrão que nem eu sabia que meu repertório em inglês era tão vasto... E então ele disse que a família o havia obrigado a desistir de mim, bla, bla, bla. (Bem, hoje, pensando bem, abençoada sogra-bruxa, porque se ela tivesse sido permissiva, sabe-lá-deus onde eu estaria hoje - E VCS NESTE MOMENTO NÃO PODEM IMAGINAR O DESCONFORTO QUE ESSE PENSAMENTO ME CAUSA).

Enfim, moral da história... Conhecendo o cara pessoalmente por mais de um ano, indo pra Índia pessoalmente pra ver onde eu tava pensando em amarrar meu jegue, não foi suficiente pra evitar o estrago, imagina largar tudo, pular num avião e chegar numa terra doida sem falar nenhuma língua que eles entendam? Meu inglês já era fluente, eu fui com grana e cartão de crédito pra emergências e passagem de volta comprada. Num dá nem pra cogitar circunstância diferente! Ou dá? Se você acha que dá, então vá lá na Jarid ler o que aconteceu com a moça!

O pior é que ouvi (li) dizer que esses casos tem sido cada vez mais comuns por causa do Orkut (maiores países usuários: Brasil e Índia!). Por isso, todo o cuidado é pouco. Love stories de internet existem e dão certo sim (tenho leitoras que me confirmam, né?). Mas não é sempre. Ainda mais quando as diferenças culturais vão muito além das novelas da Globo...

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(Notaram meus asteriscos pra mudar de assunto?)

Ontem assisti ao filme Sharkwater. Chorei de desgosto. É um documentário sobre a matança de tubarões no mundo, por causa do hábito asiático de consumir a tal sopa de barbatana escabrosa. Ficom aqui me perguntando porque o Homem acha pode andar nesse planeta decidindo quem vive e quem morre no mundo animal... Quando o que dá mesmo é vontade de matar os chefões da indústria de barbatana, ou da indústria de carne de baleia (fácil, já tô na Noruega mesmo, agora é só achar os caras!)por exemplo. Sem eles, o mundo não perderia NADA, absolutamente NADA.

Enfim... O produtor/escritor/diretor/cinegrafista do filme, Rob Stewart, passou uns tempos com Paul Watson e os Seas Sheperds, de quem também já falei aqui. Foi ótimo ter outra perspectiva do trabalho do Watson, um ambientalista renegado pelos outros mais "certinhos". Na verdade, ele é o cara que não tem medo de ir lá peitar as máfias que pescam em territórios onde não existem leis nem regulamentações. O mundo precisa de mais gente assim, e fod**-se os críticos. Oficialmente, Paul Watson entrou pro meu hall da fama de ídolos - um dia falo sobre eles...

Pra quem não viu o filme, vale a pena correr atrás. Acho que já tem em DVD. (Ou me mandem comentário com o e-mail e eu mando a mágica, rsrsrs)

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Fim de semana de folga, iríamos para o chalé, mesmo sabendo que a previsão do tempo é de muito frio... Mas Lars se acidentou hoje no trabalho (nada grave, mas poderia ter esmagado o dedo de verdade... Tá inchadão, coitadinho!). Então, vamos ficar em casa, assistindo uns filminhos e tomando uns traguinhos...
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sexta-feira, dezembro 11, 2009

Tuvalu botou a boca no trombone; e das pequenas mudanças no cotidiano

Lembram de Tuvalu? Eu citei o país nesse post - verdade que só aprendi sobre ele por causa da Lucia... Então, gente, a pequena ilha meteu a boca no trombone em Copenhage. Assista ao vídeo.





E para entender o que aconteceu, leia a matéria da BBC Brasil na íntegra... Achei ótimo que eles levantem suas vozes, afinal, é o deles que está em primeira mão na reta. A ilha deles irá desaparecer logo se as coisas não mudarem, e eles tem que se preocupar com coisas do tipo "Onde vamos morar?" e "O que será de nossas raízes culturais?" etc, etc... O que pode ser mais importante pra eles do que isso? Muito corajosos!

Pra ler mais sobre outros acontecimentos da COP15, continue plugado no Faça a sua parte...

E quanto às mudanças no cotidiano, porque tenho chegado à triste conclusão de que se formos esperar por essa gente doida toda reunida aqui no país vizinho, não haverá mudança significativa nenhuma e caminharemos - ou correremos? - para a auto-extinção da espécie... Então, tem muita gente legal fazendo pequenas mudanças - ou agindo - no seu cotidiano, e as transformações feitas pelos indivíduos são poderosas. Como exemplo, a Borboleta Sômnia, que transforma objetos jogados fora em arte. O Léo, que vem fazendo questionamentos e dando exemplos de pequenas mudanças que podem fazer a diferença. Beth, com seu Mãe Gaia e Movimento Natureza, na luta diária pra conscientizar as pessoas. Daniel e a Tietta, também na luta diária pelo desenvolvimento do turismo sustentável na região da Serra da Bodoquena e em todo o país... Vários pequenos gestos que eu garanto, fazem toda a diferença... E você, quer fazer a diferença conosco?


quarta-feira, dezembro 09, 2009

Muita conversa, nenhum resultado?

É o que tudo indica, até agora...



E um artigo do Der Speigel, publicado no Uol, sem destaque, bem pequenininho. Enquanto isso, as principais manchetes nas maiores redes de notícias televisivas (a BBC e a CNN) são o Relatório de Pré-Orçamento da Grã Bretanha, a afirmação de Obama em mandar 30 mil soldados pro Afeganistão (e quanto custa isso???????) e o novo antro de tráfico de drogas mundial, a região do Sahel, ao sul do Sahara. Triste, né?

Por que um fracasso em Copenhague seria um sucesso

Der Spiegel
Bjørn Lomborg

Os políticos desperdiçaram quase 20 anos sem fazer qualquer progresso significativo na nossa tentativa bem intencionada, mas irrealista, de reduzir as emissões de carbono. Não temos mais tempo a perder com uma resposta criticamente inadequada ao aquecimento global


Frustrados ativistas ambientais já estão se preparando para desenrolar as suas faixas de protesto, e os políticos procuram encontrar uma forma meio digna de declararem que a conferência foi um sucesso. Entretanto, nem manifestações nem um acordo político sem significado representarão uma vitória sobre o aquecimento global.

Ainda seria possível obter um resultado positivo deste fracasso da reunião, mais isto só aconteceria se os governantes admitissem os motivos pelos quais um acordo para a redução drástica e de curto prazo das emissões de carbono tem se mostrado elusivo, e passassem a cogitar opções mais inteligentes.

No decorrer dos últimos dez anos vem sendo travada uma discussão acalorada entre aqueles que negam a existência do aquecimento global e os que estão profundamente alarmados pelo início deste fenômeno. Em certos momentos, a retórica de ambos os lados mostrou-se exagerada. O aquecimento global é real e ele é causado pela humanidade. Isto está bem claro há muito tempo. Mas é também óbvio que nós não conseguimos adotar as políticas que fariam frente a este desafio da melhor forma possível.

Muitas vezes alega-se que nós poderíamos deter facilmente o aquecimento por meio de reduções das emissões de carbono, se os políticos demonstrassem vontade para isso. Na verdade, vontade política é a menor das nossas preocupações. Esta abordagem política - que temos adotado durante quase 20 anos - tem deficiências críticas. Ela é economicamente deficiente porque os impostos de carbono de curto prazo custarão uma fortuna e terão poucos resultados. Ela é politicamente deficiente, porque as negociações para a redução de emissões de dióxido de carbono tornar-se-ão ainda mais pesadas e divisivas para os protagonistas na Europa, na América e na Ásia. E ela é tecnologicamente deficiente por não garantir que as energias alternativas estejam prontas para fazer com que deixemos de depender do carbono.

O primeiro desses desafios fica óbvio ao examinarmos o plano das principais nações industrializadas - o Grupo dos Oito (G-8) - no sentido de utilizar a redução de emissões de carbono para limitar o aquecimento global a não mais do que dois graus centígrados acima dos níveis pré-industriais. Esta seria a política pública mais cara da história. Em um estudo para o Centro de Consenso de Copenhague, o iminente economista climático Richard Tol - um importante membro contribuinte dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - demonstrou que, para se atingir a meta almejada, seria necessária a adoção de um imposto alto e global sobre as emissões de dióxido de carbono, com um custo mínimo de 45 euros (R$ 115) por tonelada.

A redução das emissões de dióxido de carbono custará mais do que o aquecimento global
Com base em estimativas convencionais, esse programa ambicioso reverteria grande parte dos danos provocados pelo aquecimento global, que deverão custar cerca de dois trilhões de euros (R$ 5,13 trilhões) por ano até 2100. No entanto, Tol concluiu que um imposto desta magnitude poderia reduzir o produto bruto global em impressionantes 12,9% até 2100 - o equivalente a 27 trilhões de euros (R$ 69,24 trilhões) por ano.

Os números apresentados por Tol baseiam-se em projeções de todos os principais modelos econômicos do Fórum de Modelagem de Energia da Universidade de Stanford. Cerca da metade dos modelos revelou que é de fato impossível alcançar a meta de manutenção dos aumentos de temperatura abaixo de dois graus centígrados com a implementação de reduções das emissões de carbono; o custo de 27 trilhões de euros refere-se aos modelos capazes de atingir essa meta.

Esta estimativa de custos é na verdade otimista. Ela assume que políticos de todo o mundo fariam, em todas as ocasiões, as escolhas mais efetivas e eficientes possíveis para a redução das emissões de carbono, sem desperdiçar dinheiro algum. Caso se deixe de lado esta esperança irrealista, o custo poderia facilmente ser dez ou até cem vezes maior.

Para colocar o problema de forma mais extrema: reduções drásticas de emissões de carbono nos atingiriam muito mais do que o aquecimento global em si. A redução das emissões de carbono é algo extremamente caro, especialmente no curto prazo, já que as alternativas aos combustíveis fósseis são poucas e dispendiosas. Sem alternativas viáveis ao uso do carbono, nós simplesmente prejudicaríamos o crescimento.

Em segundo lugar, nós podemos observar também que essa abordagem é politicamente falha pelo simples fato de que países diferentes possuem metas muito diversas e todas as nações acharão difícil reduzir emissões a um grande custo doméstico para ajudar um pouco o mundo daqui a cem anos.

Isso é particularmente óbvio em países como a China e a Índia, que têm dependido do carbono como motor de um crescimento que está retirando milhões de pessoas de uma situação de miséria.

A lacuna entre as nações desenvolvidas e as subdesenvolvidas quanto a esta questão constitui-se no empecilho político para que se negocie um substituto de sucesso do Protocolo de Kyoto. A China e a Índia serão os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do século 21, mas os dois países ficaram isentos do Protocolo de Kyoto por terem emitido muito pouco durante o período de industrialização do Ocidente.

Há alguns argumentos para que a China e a Índia concordem em instituir limites para emissões de carbono - e razões convincentes para que resistam às pressões para a adoção de tais limites.

Os modelos climatológicos revelam que, pelo menos durante o restante deste século, a China na verdade terá um benefício líquido com o aquecimento global. Embora o aquecimento global vá provocar problemas no país, as temperaturas mais elevadas farão aumentar a produção agrícola e melhorarão a saúde da população chinesa. O número de vidas perdidas durante ondas de calor aumentará, mas a quantidade de mortes prevenidas no inverno crescerá muito mais rapidamente: o aquecimento terá um efeito bem mais drástico nas temperaturas mínimas do inverno do que nas temperaturas máximas do verão.

Alguns indivíduos na Europa sugeriram que os países ricos pagassem as nações desenvolvidas para garantir que estas participassem de um acordo para a redução das emissões de carbono. Deixando de lado o fato de que esse dinheiro poderia ser gasto de forma bem melhor, não se sabe se os contribuintes dos países mais desenvolvidos estariam dispostos a transferir dezenas, ou até centenas, de bilhões de euros para o mundo em desenvolvimento, para projetos de benefício limitado.

Em terceiro lugar, a abordagem atual é tecnologicamente deficiente. Nós carecemos dos substitutos adequados para o carbono que queimamos atualmente. O uso de combustíveis fósseis - embora extremamente criticado - continua sendo absolutamente vital para o nosso desenvolvimento, prosperidade e sobrevivência. Tentar taxar as emissões de carbono sem criar alternativas energéticas substitutas é algo que simplesmente deixaria o planeta em uma situação pior.

Promessas fantásticas com pouca ou nenhuma chance de serem cumpridas
A demanda global por energia dobrará até 2050. Falta ainda muito para que fontes alternativas de energia estejam prontas para o uso generalizado. Em um estudo de julho de 2009 para o Centro de Consenso de Copenhague, Isabel Galiana e Chris Green, da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, demonstraram o tamanho do desafio tecnológico. Eles observaram que uma redução de três quartos das emissões de carbono até 2100, com a manutenção de um crescimento razoável - uma meta um pouco menos ambiciosa do que a do G8 - exigiria que as fontes de energia não baseadas em combustíveis fósseis fossem duas vezes e meia maiores em 2100 do que o nível de consumo global de energia em 2000, uma quantidade impressionante. Se continuarmos na nossa rota atual, o desenvolvimento tecnológico estará muito longe de ser suficientemente significativo para tornar as fontes de energia que não são baseadas em carbono competitivas em relação aos combustíveis fósseis em termos de preço e efetividade.

Green e Galiana examinaram a situação atual da energia não baseada no carbono - incluindo nuclear, eólica, solar e geotérmica - e descobriram que, juntas, as fontes alternativas de energia nos forneceriam menos da metade do que seria necessário para que atingíssemos um patamar estável de emissões de carbono até 2050, e apenas uma fração minúscula daquilo que é necessário para a estabilização até 2100. A tecnologia simplesmente não estará pronta em termos de estabilidade e capacidade de ajuste. Em muitos casos, ainda existe uma necessidade de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias energéticas básicos. Nós não estamos sequer próximos de alcançar o ápice da necessária revolução tecnológica que foi iniciada. E não nos devemos esquecer de que as futuras gerações não nos julgarão pela escala das nossas ambições, mas sim por aquilo que nós de fato realizarmos.

Neste momento, os políticos estão fazendo cada vez mais promessas fantásticas que têm pouca ou nenhuma chance de serem cumpridas. Vejamos, por exemplo, o Japão. Em junho, aquele país comprometeu-se a reduzir em 8% até 2020 os níveis de gases causadores do efeito estufa em relação aos índices de 1990. Conforme observou em um estudo o cientista Roger Pielke Jr., do Centro de Pesquisas de Políticas Tecnológicas e Científicas, o cumprimento dessa promessa exigiria a construção de nove usinas nucleares novas e o aumento da utilização delas em um terço, a construção de mais de um milhão de novas turbinas eólicas, a instalação de painéis solares em quase três milhões de residências, dobrando a percentagem de novas casas que atendessem aos rigorosos padrões de isolamento térmico, e o aumento das vendas de automóveis "verdes" de 4% para 50% das vendas totais de carros.

Isso seria um esforço hercúleo, especialmente para uma nação que já foi um exemplo mundial em termos de eficiência energética. Mas o plano japonês foi altamente criticado ao ser apresentado. Quando o novo primeiro-ministro do Japão prometeu uma redução bem maior, de 25%, ainda que não contasse com nenhuma maneira visível de cumprir a promessa, ele foi sonoramente aplaudido. Belas palavras são mais valorizadas do que metas realistas.

Um investimento de 53 bilhões de euros só impediria uma hora de mudança climática
A nossa atual abordagem para resolver o problema do aquecimento global - focada primariamente na quantidade de carbono que tentaríamos reduzir por meio de impostos, em vez de em como tornar isso tecnologicamente possível - coloca o carro adiante dos bois.

A resposta mais efetiva seria aumentar drasticamente as verbas públicas para pesquisas e desenvolvimento de fontes de energia não baseadas no dióxido de carbono. Em vez de tornarmos os combustíveis fósseis mais caros, precisamos tornar a energia alternativa mais barata.

Serão necessários investimentos anuais em pesquisas e desenvolvimento da ordem de 66 bilhões de euros (R$ 169 bilhões). Isto é uma quantia 50 vezes maior do que aquilo que o governo gasta atualmente, mas é apenas uma fração do custo proposto para a redução das emissões de carbono. Green e Galiana, os acadêmicos da Universidade McGill, descobriram que, em termos econômicos, cada dólar investido evitaria um dano climático no valor de 11 euros (R$ 28).

Nós não podemos confiar na iniciativa privada. Assim como ocorre com a pesquisa médica, muitas das necessárias descobertas inovadoras no setor energético não gerarão recompensas financeiras significativas, de forma que atualmente não existe nenhum incentivo forte para o investimento privado nessa área.

Um aumento drástico de financiamentos públicos resolveria vários dos problemas políticos com a abordagem adotada em Kyoto. Haveria uma probabilidade bem maior de que nações em desenvolvimento como Índia e China adotassem uma rota de inovação mais barata, inteligente e benéfica.

Taxas de carbono poderiam desempenhar um importante papel secundário no apoio à pesquisa e ao desenvolvimento. Green e Galiana propõem que a taxação do carbono fique inicialmente limitada a uma pequena taxa (digamos, de US$ 5 por tonelada) para o financiamento de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias energéticas. Eles sugerem que, com o passar do tempo, dever-se-ia permitir que esta taxa subisse no sentido de estimular o desenvolvimento de tecnologias alternativas efetivas e acessíveis.

É importante que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico sejam dedicados à criação de novas tecnologias alternativas, e não ao simples aperfeiçoamento das atuais tecnologias ineficientes. Um exemplo deste último caso é a Alemanha, que paga uma fortuna para reduzir muito pouco as emissões de carbono por meio do apoio à energia solar. Esse apoio custa 43 centavos de euro (R$ 1,10) por kWh, o que é equivalente a gastar 716 euros (R$ 1.834) para a redução de cada tonelada de carbono emitido. Mas o custo de cada tonelada em termos de danos climáticos é de cerca de quatro euros (R$ 10,24).

O custo disso é fenomenal - cerca de 53 bilhões de euros (R$ 135,73 bilhões) pelos painéis solares instalados de 2000 a 2010 -, mas o efeito máximo será o adiamento do aquecimento global em apenas uma hora, no final do século. Essa tolice incrivelmente dispendiosa é um exemplo de política que gera uma sensação agradável, mas que não tem efeito concreto.

Os governantes deveriam abandonar as problemática negociações para a redução de emissões de carbono e concordar em investir em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias alternativas no nível que se faz necessário.

Desde que os políticos prometeram pela primeira vez reduzir as emissões de carbono, no Rio de Janeiro, em 1992, nós desperdiçamos quase 20 anos sem fazer nenhum progresso significativo na nossa tentativa bem intencionada, mas basicamente irrealista, de diminuir essas emissões. Não temos mais tempo a perder com uma resposta criticamente deficiente ao aquecimento global.

terça-feira, dezembro 08, 2009

COP15 - Fique por dentro

Abertura...




Atenção ao Yvo de Boer, aos 2:08...



E a como crianças, criativas que são, respondem facilmente aos estímulos... Porque não mobilizar as crianças da sua comunidade? Além disso, elas tenderão a educar seus pais...

Se você é daqueles que acredita na farsa do aquecimento global, leia este artigo da Lúcia Malla pra descobrir que, ao contrário do que pregam aqueles que alimentam a teoria da conspiração - Climategate - , o aumento de CO2 na atmosfera não causa apenas aumento nas temperaturas, mas outros danos irreparáveis...


E da BBC pra você...

UN hits back at climate sceptics amid e-mails row

The UN's official panel on climate change has hit back at sceptics' claims that the case for human influence on global warming has been exaggerated.

The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) said it was "firmly" standing by findings that a rise in the use of greenhouse gases was a factor.

It was responding to a row over the reliability of data from East Anglia University's Climatic Research Unit

Leaked e-mail exchanges prompted claims that data had been manipulated.

Last month, hundreds of messages between scientists at the unit and their peers around the world were put on the internet along with other documents.

Some observers alleged one of the e-mails suggested head of the unit Professor Phil Jones wanted certain papers excluded from the UN's next major assessment of climate science.

Professor Jones, who denies this was his intention, has stood down from his post while an independent inquiry takes place.

In a statement, Professor Thomas Stocker and Professor Qin Dahe, co-chairmen of the IPCC's working group 1, condemned the act of posting the private e-mails on the internet, but avoided commenting on their content.

They went on to point to a key finding that states: "The warming in the climate system is unequivocal.

"[It] is based on measurements made by many independent institutions worldwide that demonstrate significant changes on land, in the atmosphere, the ocean and in the ice-covered areas of the Earth.

"Through further independent scientific work involving statistical methods and a range of different climate models, these changes have been detected as significant deviations from natural climate variability and have been attributed to the increase of greenhouse gases."

They added: "The body of evidence is the result of the careful and painstaking work of hundreds of scientists worldwide.

"The internal consistency from multiple lines of evidence strongly supports the work of the scientific community, including those individuals singled out in these e-mail exchanges."

The row comes ahead of the Copenhagen climate summit which starts on Monday.

Professor Jean-Pascal van Ypersele, vice-chairman of the IPCC, said it was no coincidence the information was released in the run-up to the summit.

He claimed unnamed conspirators could have paid for Russian hackers to break into the university computers to steal the e-mails.

He said the theft was a scandal and was "probably ordered" to disrupt the confidence negotiators have in the science.

Earlier, Climate Change Secretary Ed Miliband told the BBC he would be "very surprised" if there had been any wrongdoing on the part of the East Anglia University scientists.

"We're in a moment when the world is about to make some big political decisions," he said.

"And there will be people who don't want the world to make those big decisions and they are trying to use this in part to say somehow this is all in doubt and perhaps we should put the whole thing off.

"Well, I just think they're wrong about that."

Prime Minister Gordon Brown said the scientific evidence was "very clear" and called doubters a "flat Earth group".

He said: "There is an anti-change group. There is an anti-reform group. There is an anti-science group, there is a flat Earth group, if I may say so, over the scientific evidence for climate change."

'Open and transparent'

Meanwhile, the Met Office said it would publish all the data from weather stations worldwide, which it said proved climate change was caused by humans.

Its database is a main source of analysis for the IPCC.

It has written to 188 countries for permission to publish the material, dating back 160 years from more than 1,000 weather stations.

John Mitchell, head of climate science at the Met Office, said the evidence for man-made global warming was overwhelming - and the data would show that.

"So this is not an issue of whether we are confident or not in the figures for the trend in global warming, it's more about being open and transparent," he told the BBC.

The Met Office said it had already planned to publish the material long before the row and denied reports that government ministers had tried to block the publication.