Hoje acoredei bem cedo, assim, naturalmente. É o primeiro dia das férias de Páscoa. E lendo algumas coisas interessantes e outras várias imbecilidades na Internet, resolvi fazer o tão anunciado post sobre o livro "The World Without Us", do Alan Weisman.
Então, sobre o livro... Primeiro soube dele
por causa de um post da Beth, que tinha um filminho-propaganda. Comprei usado na Amazon.com. Em inglês, foi uma leitura mais demorada pela quantidade de termos científicos bem específicos. Mas posso dizer que o livro foi devorado com voracidade. O
autor e jornalista escreveu um artigo chamado
"Earth Without People", em 2005, e a partir daí surgiu o livro.
Renatinha também leu porque viu aqui, e escreveu a resenha dela. E resolveu dar o livro de presente. Eu ainda não dou o meu porque Lars quer ler. Daí eu dou!
Weisman começa a linha de pensamento assumindo que, num determinado dia, a raça humana desaparecesse da Terra por qualquer motivo (o motivo em si não é importante, o importante é assumir que a humanidade desapareceu, e foi a única. O resto permanece como foi deixado). A partir daí, ele vai tratando da durabilidade e dissolução dos materias, sua reabsorção ao ciclo do carbono, digamos assim. Primeiro, ele descreve o que aconteceria com as casas, edifícios. O que se desintegra primeiro, quantos anos leva a dissolução decada material, etc. Em seguida, vem as cidades.
Através de pesquisa e entrevista com cientistas de cada área envolvida, além de relatos de fuincionários de manutenção de grandes estruturas, como por exemplo o metrô de NY e a ponte do Brooklyn, ele vai contando quanto tempo levaria para que estas estruturas ruíssem, sucumbissem à natureza e suas forças. É chocante descobrir a batalha diária de centenas de homens contra a natureza, por exemplo no metrô, reparando infiltrações e vazamentos, arrancando plantas que insistem em aparecer nas menores cavidades e fissuras, que eventualmente poderiam virar árvores. Ainda sobre as cidades, ele conta também quanto tempo levaria para que florestas voltassem naturalmente a aparecer, e fala das espécies não-nativas levadas a outros lugares, que mesmo no futuro, competindo com as espécies nativas venceriam a batalha. Concluimos então que em muitos lugares, a vegetação jamais voltaria a ser o que era antes da curta existência da raça humana.
Das cidades ele vai às fazendas. Fala dos pesticidas e fertilizantes, e de como alguns deles levariam muito tempo pra se "desfazer", e do dano que causaram e ainda causam. Essa parte também pode ser descoberta
pelo documentário sobre a Monsanto, no Youtube, pra quem não quer ler o livro.
Chega a vez das grandes obras da humanidade, como a Muralha da China e o Canal da Mancha, e o Canal do Panamá, que teoricamente sem manuntenção, em algumas dezenas de anos voltaria a ser exatamente como era antes de nós destroçarmos a geografia panamenha. E vai falando também do que aconteceria com nossos animais domésticos e os selvagens. De como nossos animais domésticos tenderiam a morrer logo, sem nós pra cuidarmos deles, e como eles virariam presas dos animais selvagens, que, sem os humanos pra diminuírem seus habitats naturais e caça-los, voltariam a ser grandes populações. Vacas, carneiros, cabras, cachorros, todos sucumbiriam. Exceto os gatos domésticos, que totalizam bilhões no planeta. Estes são responsáveis, por sua vez, pela morte de 219 milhões de pásssaros por ano, isso apenas na área rural de Winsconsin. Chocante imaginar que nossos queridos bichanos sejam responsáveis por tal desequilíbrio, não é?
Fora isso, nossas antenas de rádio, televisão, telefonia e torres de eletricidade matam 200 milhões de pássaros ao ano, só nos Estados Unidos. Meu mundo caiu!
Depois ele entra no campo das guerras. Sem nós, haveria menos destruição causada pelas guerras. Mas os detritos e certos armamentos levariam milhares de anos pra desaparecer. Caso do urânio enriquecido e seus detritos. E então entram as usinas nucleares, e o que aconteceria quando as fortalezas sucumbissem à exposição aos elementos e, sem manutenção, liberassem todo o material radioativo na atmosfera.
Tem também a questão do plástico. Essa, já bem martelada por mim. Fala do tempo que levaria pro plástico se decompor totalmente, e do tanto de plástico que já esxiste espalhado pelo planeta, até na cadeia alimentar. Das ilhas de plástico - lixo - que existem no Pacífico Norte, onde esse lixo é empurrado pelas correntes e ali se acumula. Triste. Dos exfoliantes corporais que tem plástico, plástico tão fininho e reduzido que acaba, junto com o esgoto, no mar, e ingerido por peixinhos que o confundem com plâncton, que por sua vez são comidos por peixes maiores, e assim por diante, chegando até nós.
Poderia passar o dia aqui narrando o livro, mas acho que o spoiler acima já foi suficiente para fazer com que as pessoas se decidam por lê-lo ou não. E não estou fazendo aqui alarde pra que se leia o livro, isso é opção pessoal. Mas seria bom se a população em geral se desse conta do quanto pequenas escolhas e gestos podem influenciar no mundo ao seu redor. E de quanto nós já f***mos de vez com planeta, de modo que a salvação deveria ser imediata, e não será. Por consequência, a raça humana está mais do que fada à extinção.
Extinção dos mesmos humanóides que os cientistas calculam ter sido responsáveis pela extinção da mega-fauna em todos os continentes exceto a África. Porque na África a mega-fauna e os humanóides evoluíram juntos, ao passo que no resto do mundo, os humanóides chegaram depois, e já matando tudo que viam pelo caminho. É traço genético da nossa raça ser destruidor.
Se continuarmos assim, calcula-se que em 2050 o planeta abrigará 9 bilhões de coitados. Digo coitados, porque imagina a fome, falta de água, doença, e tudo que acarreta viver num mundo que não comporta tanta gente!
Por isso me irrita muito quando eu levanto a questão da comida que nos é posta à mesa pelas corporações à lá Monsanto, e neguinho vem dizendo "coitadinhos dos bichinhos, não quero ver," e reduz a questão a mal-tratos de animais. Acorda, porra! Não é essa aquestão... A questão é garantir comida pra 9 bilhões de pessoas, garantindo também que essa comida não cause mais doenças (vide E. Coli nos EUA, ese vc não viu Food Inc. ainda, acorda pra vida e vai ver!) e pior, que a falta de comida não cause uma guerra sem precedentes (hello, alguém aí lembra da revolução francesa? Imagine-a em escala mundial!)
Muitos cientistas chamam esta fatalidade que poderia vir a acontecer de "a última grande extinção". Será que a raça humana consegue sobreviver, e levar consigo as espécies restantes, ou será que ela se conduzirá ao fim, levando consigo tudo ao seu redor?
Por isso eu digo que não quero ter filhos - acho que essa foi a única vez que assumi isso aqui. Mas assumindo isso, vemperguntas de gente intolerante que não consegue acreditar que alguém possa ser feliz sem a maternidade/paternidade. Eu e meu marido (assim como outros muitos casais) acreditamos. E antes que ataquem nossa decisão, eu ataco primeiro, dizendoque em primeiro lugar é uma puta sacanagem botar mais gente no mundo. Sacanagem com quem já está nele, e sacanagem com o que vem por aí, que terá que enfrentar tudi isso. #prontofalei
E não tenho a intenção de atacar quem opta por ter filhos não. Acho que cada um toma suas próprias decisões, e eu respeito. Só peço que respeitem a minha também. Existe um post de uma
blogueira chamada Lúcia sobre esse assunto, além
da série da Luciana. Concordo 100% com as duas.
E alguém pode estar se perguntando "O que isso tem a ver com o post?"... Bom, é que me chocou saber através do livro que já existe até um movimento chamado
VHEM - Voluntary Human Extinction Movement nos EUA. Que prega a extinção voluntária, ou seja, "parem de se reproduzir"... Por exemplo, a China, reduzindo a taxa de natalidade para 1,3% ao ano, ainda bota 10 milhões de habitantes na Terra, por ano. Mesmo que a fome, desastres naturais e guerras matem muito, ainda assim nossas taxas de reprodução são maiores. O criador do movimento acredita que a raça humana parasse de se reproduzir, clínicas de aborto fechariam em meses, e todas as crianças órfãs do planeta teriam sua qualidade de vida sensívelmente aumentada, através da adoção. Em 21 anos, não haveria delinquência juvenil... Um pensamento um tanto quanto radical.
Outros proponentes, como o
Dr. Sergei Scherbov, chefe do grupo de pesquisa do Instituto Austríaco de Demografia da Academia Austríaca de Ciências, que também é analista do Programa Mundial de População, afirmam que se cada mulher fértil no mundo tivesse apenas um filho, a população mundial cairia em 1 BILHÃO até a metadedo século. Até 2075, teríamos reduzido a população para a metade, e a vida melhoraria significativamente, não só para nós, mas para todas as espécies. Pode parecer radical, e um monte de gente se levantar e gritar coisas feias, coisas sobre direitos de escolha, etc, etc. Mas NINGUÉM se refere ao direito humano e mais básico de TODO SER HUMANO ter acesso à água e comida.
Porque o pensamento é sempre "se eu economizar água, como avida das pessoas na África pode ser afetada?". E a resposta é "Pode não ser afetada, mas é uma questão ética não desperdiçar enquanto metade da população DO MUNDO não tem água limpa pra beber." Entendeu?
Então, voltando, seria lindo se as pessoas achassem que estão alcançando algum progresso em termos de melhoria da qualidade de vida humana - porque afinal, é disso que tudo isso se trata, nada daquele papinho abraça-árvore raso "vamos salvar o planeta"... Porque melhorar as condições do planeta hoje siginifica dar um futuro mais digno e mais fácil para os que deixaremos aqui! É isso. Porque o planeta sem nós, passará muito bem, obrigado. A natureza precisará fazer uma forcinha pra superar o monte de merda que deixamos pra trás, mas ela sobrevive. Nós, talvez não. Aliás, se os humanos se fossem de vez, várias espécies nem notariam, outras (golfinhos, baleias, chimpanzés, orangotangos, tubarões, vários pássaros, entre outros milhões) talvez até fizessem festa!
Ao apagar suas luzes para a Hora do Planeta, era nisso que você deveria ter refletido. Era pra pensar em como você pode se esforçar um pouco pra fazer mais. Que tal deixar de comprar um esmalte e comprar alimentos orgânicos ao invés? Colocar uma meta pra reduzir seu consumo de energia elétrica em 25% no ano? Sugerir ao restaurante que você frequenta que verifiquem a origem do peixe, ou que tire o atum do cardápio? Caminhar até a padaria? Sugerir ao síndico do seu prédio uma reunião com os funcionários do edifício para educá-los no uso de recursos? Reduzir a quatidade de produtos químicos usados na sua casa? Ter certeza ABSOLUTA que o herbicida que seu jardineiro usa não é Round-Up, nem fabricado pela Monsanto? Plantar uma hortinha de ervas na janela do apartamento (sol e água são suficientes e até aqui no ártico eu consegui ano passado)? Se não fez isso, ao menos
espero que tenha aproveitado como minha amiga Tietta... Porque, acreditem-me, eu penso nisso todo dia! Isso me atormenta, sério.
Ao invés de ter aquele pensamento bem
bourgeois "quero que o mundo se f***, o meu conforto é sagrado e eu náo abro mão"
, reflita seriamente. E se aprofunde nas questões, o futuro dos seus herdeiros depende de suas ações!
Assim como fui extremamente mal compreendida na questão das garrafinhas de água. Disse água de torneira, pronto, todo mundo aponta pro fato de que no Brasil a qualidade da água blablabla e precisamos de filtro. An-ham, isso é meio implícito, até óbvio, não é? E você enche filtro com o que? Água da torneira, não é? E sim,
o movimento da Annie começa no país dela. Mas a idéia é espalhar o conceito. Água hoje é uma questão de direitos humanos, e TODO e qualquer ser humano TEM DIREITO a água limpa e própria para consumo. Enquanto você continuar comprando água de garrafa, você só colabora pra que ela tenha DONOS. Pare de acreditar na mídia comprada que quer que você acredite que a água da torneira é ruim. Não é bem assim!
Mas afinal, num país em que um Marcelo Dourado pode ganhar um programa de TV através da manipulação da mídia e um José Serra pode ser eleito presidente (porque pra mim esses são o mesmo tipo de gente, asquerosos) através da manipulação da mídia, o trabalho de educar a classe média é ááááááárduo... O sistema precisa quebrar aos pés dela pra que ela reaja. Se não, fica tudo que nem
esse cretino aqui e os leitores dele (leiam oscomentários do post linkado)... Tomara que ele não tenha filhos, senão, imagina outros sendo educados por ele...
UFA! Falei! Agora posso seguir adiante...