Pois é, é hoje o dia! Uma das maiores blogagens coletivas mundiais, com 8269 sites e blogs que potencialmente atingirão 11.858.128 leitores em todo o planeta... O tema deste ano é "Mudanças Climáticas". E o que euzinha, uma reles mortal que tem um bloguinho modesto, que não é cientista nem nada, poderia falar a respeito?
Começa que se todos pensassem assim a gente tava perdido mesmo... Em primeiro lugar, mesmo que eu escreva um monte de asneira, ao menos eu consegui fazer com que os 30, 40 leitores que passam por aqui diariamente saibam da blogagem, e com muita fé, alguns 5 ou 6 leiam mais sobre o assunto. Pronto, já é uma mudança! E quem sabe esses que leram resolvem participar no próximo ano... Não foi assim com aquela
campanha de apagar a luz por uma hora, que cresce e cresce? Então, mudanças acontecem aos poucos. O importante é que se você atingir ao menos uma pessoa, já contribuiu para a mudança.
Voltando ao tema, o que eu poderia falar? Foi difícil escrever esse post. Dei uma olhada nos links que o próprio site da campanha sugere, pra que você e eu, leigos do assunto, pudessem se inspirar. Então resolvi escrever sobre coisas que efetivamente possam vir a nos afetar no dia-a-dia em função das mudanças climáticas. É só assim que funciona mesmo, se formos nos basear no
pensamento tipo classe média, "se não é comigo, tô pouco me importando..."
Uma coisinha que é muito afetada pelas mudanças climáticas é a agricultura. Quem planta, sabe disso! E uma cultura que está sendo visívelmente afetada é a das sensíveis uvas viníferas... Quem conhece um pouco de vinho sabe que existem cinturões no planeta onde elas crescem, no seu melhor potencial, e esses cinturões tem determinados climas e quantidade de chuvas. Na medida em que regiões que tem condições consideradas mágicas (Borgonha, na França, por exemplo, e dos vinhos que mais me excitam nessa vida) tenham a temperatura alterada, e a quantidade de chuvas também, baubau vinhos... E as regiões mais ao norte, mais frias - mas que em teoria também estão aquecendo - que antes eram frias demais para o cultivo das uvas viníferas, agora potencialmente seriam os novos locais ideiais. Isso significaria, por exemplo, vinho espumante britânico ou Cabernet Sauvignon alemão! Ao mesmo tempo, temperaturas mais quentes provocam o maior amadurecimento das uvas, portanto, aumentam seu teor de açúcar. Mais açúcar para ser fermentado significa maior teor alcoólico. Maior teor alcoólico significa vinhos mais pesados. Vinhos mais pesados não caem tão bem acompanhando uma refeição quanto os mais leves. Outra coisa... Esses vinhos de temperaturas mais altas tem sabores mais pronunciados, menos nuances e delicadezas do que um vinho produzido com uvas cultivadas em climas mais frios. Compare um super Cabernet Sauvignon da Califórnia com um Bordeaux. É uma questão de gosto, mas haverá uma mudança drástica nesse mercado - que de qualquer maneira nunca é estático em termos de sabores. Mas é uma mudança que me afeta diretamente, por exemplo.
Outro exemplo prático... Você, que sai de férias pra praia todos os anos, ou vai pro mato descansar quando precisa. Você gosta de mosquitos? Não, né? Prepare-se, eles vem aí... Mosquitos não vivem exclusivamente em climas tropicais. Basta ver a quantidade de mosquitos que se proliferampor minuto aqui mesmo, no Ártico. Lá no nosso chalé, beira o insuportável no verão... No inverno, os bichinhos hibernam, sei lá. Mas se a temperatura aumenta, o tempo de dormência deles nos locais mais frios diminui, e teremos mosquitos por mais meses ao ano. Também me afeta diretamente!
E das coisas que não nos afetam diretamente, mas que cortam o coração mesmo assim? Por exemplo, baleias cinzentas encalhando mais nas praias após passar fome, porque o aquecimento dos oceanos tem matado a comida delas, o plâncton... Ou ursos polares potencialmente comendo-se uns aos outros, já que as estações mais longas sem gelo polar os deixarão mais tempo longe das focas? Ou a clássica imagem (usada estrategicamente pelo Al Gore no seu filme) de ursos polares se afogando de tanto nadar porque não há gelo pra eles descansarem?
Pra muitos pode parecer exagero tudo isso. Ainda mais pra nós, mortais que vivem aqui no norte da Europa, vendo o friaco chegar mais chedo, com um inverno que promete ser mais rigoroso apenas porque quis chegar cedo... Mas pra quem vive em São Paulo, por exemplo, cidade que sempre teve seu clima louco, não há de concordar que nos últimos anos tem sido
mucho loco? Não esquenta no verão, não esfria no inverno, não chove mais em março, mas aí chove fora de hora e alaga todo o Sul do país...
Há uns meses atrás, atraves
desse blog aqui, assisti uma série de vídeos no Youtube, um documentário chamado
"The Great Global Warming Swindle", traduzido como "A Grande Farsa do Aquecimento Global". Produzido pelo Canal 4 inglês (não é nenhuma BBC!), exibido pela primeira vez em 2007. Você pode assistir
a todas as 9 partes com legenda no Youtube, vale a pena. Nesse documentário, uma série de cientistas, que segundo o filme "ousou desafiar o 'trade' de pesquisa e anunciou descobertas de que o aquecimento global provocado pelo homem não é real" foi como que expulso do meio científico e caiu no ostracismo. Há cientistas que pregam que o aquecimento global vem em ciclos, e que agora estaríamos num ciclo natural de aquecimento. Outros dizem que o clima terrestre é regido pela atividade solar, e se há maior atividade solar (tempestades solares e manchas solares) a Terra esquenta. Outros dizem ainda que a imprensa é grande vilã nesse assunto, pois adoram ir à Patagônia e ao Ártico nos verões e fotografar os icebergs desmoronando no mar, quando no verão é isso mesmo que acontece. Há ainda uma facção que diz que o Aquecimento Global é manipulado pelas grandes potências para manter a África miserável, uma vez que alguns países africanos emcontram petróleo mas são forçados a não usar essa reserva pra não aquecer ainda mais o planeta (e o Brasil, com todo esse petróleo novo, cai na mesma categoria? Lulinha disse que não! Que usa petróleo sim, mas se compromete a desenvolver energias renováveis também...).
Há um trecho ótimo dizendo que a idéia de Aquecimento Global como arma nasceu na Inglaterra de Margareth Tatcher, quando os mineiros se rebelaram, e ela financiou pesquisas que mostrassem que o CO2 aquecia o planeta pra manter ao mineiros sob controle. Assista você mesmo...
Encontrei, na mesma época,
artigo do Wall Street Journal, que mostra como alguns cientistas americanos (claro!) consideram que o CO2 é um gas presente naturalmente na atmosfera terrestre, e que milênio após milênio tem sua concentração alterada. Outros cientistas acreditam, mesmo, que a alta concentração de CO2 aquece o planeta, pois o CO2 e outros gases do chamado Efeito Estufa impedem que o calor gerado na terra saia dela, ficando preso na atmosfera e elevando as temperaturas.
As discussões são ferrenhas, e os argumentos são fortes dos dois lados. Euzinha, por via das dúvidas, opto por acreditar que é nossa culpa, e que não custa nada, nadinha, tentar minimizar os efeitos deixados por nós. Eu só, não posso fazer muito, mas procuro eliminar meus gramas de CO2. Gostaria de fazer mais, como por exemplo não viajar de avião, até que encontrem uma alternativa viável de biocombustível para aviões. Navios de cruzeiro também são movidos a diesel, para quem não sabe... Pensando assim, melhor não viajar? Nem sempre. Há alternativas aqui na Europa, como trens em vários países, que são elétricos. E seu carrinho? Já pensou em como seria a vida em São Paulo com menos veículos nas ruas?
Há até quem diga que os carros elétricos (meu sonho de consumo aqui na Noruega - estamos nos preparando pra comprar um pra mim. Não emite gases e paga-se zero de imposto aqui na Noruega) poluem sim. Ao serem fabricados! E que a energia elétrica por si é poluente. Achei essas considerações aqui neste
outro ótimo blog, de uma pessoa que sonha com um mundo movido a bicicletas. Acho a idéia linda... Você aí vai dizer (ou pensar) que no Brasil isso é impossível. Porque? Basta a coragem dos que se arriscam no trânsito todos os dias pelo princípio. Meu amigo Edu é assim. A gente se conhece há 24 anos. E desde sempre, ele sempre vai de bicicleta. Sem problemas. E ele tem vários amigos que vão de bicicleta, e a
Renata Falzoni vai de bicicleta, e aos poucos tem se considerado mais esta alternativa em Sampa. O que você pode fazer pra mudar? Deixar seu veículo em casa, encarar um busão e metrô nem que seja algumas vezes na semana. E escolher seus representantes quando for votar. Não vote
com a filosofia classe média, vote com o espírito coletivo! E
calcule sua pegada de carbono pra ver o que você pode fazer pra reduzi-la. Leia mais, informe-se. Aqui mesmo tem um montão de links entre meu rádio da Last.fm e o selo do a-habrasil.
E aqui alguns outros blogs que contribuíram
Uma malla pelo mundo - maravilhoso post "Era uma vez Tuvalu"
Rio-Oslo Blog do Planalto - A ousadia brasileira contra as mudanças climáticas vai a Copenhage
Charles Nisz Climate Blog -Discussing CO2 emissions and (re)thinking transportationProjeto Bioeducação - Como o aquecimento global vai afetar o Brasil?
Sublime Biologia - Mudanças Climáticas
Terminando com uma matéria que meu pai me mandou, bem à calhar... para ler na íntegra, clique na imagem.
