sexta-feira, dezembro 15, 2006

GI a solta na America do Norte

Apos uma longa e tenebrosa epidemia de GI (Gastrintestinal Illness) agora posso dar um update na situação.

Então, cheguei no Freedom no dia 19 de novembro, com o rabicho entre as pernas, pois a cada pessoa de quem já havia me despedido, tinha que explicar porque eu estava de volta tão rápido. Tinha deixado o navio em agosto. E só pra desenterrar assombração, neste mesmo dia o Leo, o ex irlandês, tambem deixava o Freedom para sempre. Sua irmã, que eu conheci na Irlanda, o estava esperando desembarcar no mesmo local que eu esperava para embarcar. Mas o re-encontro foi normal, morno até. Já havia passado muito tempo... Houve um pequeno porém... O navio estava com uma epidemia de GI, com 350 casos, portanto, o pessoal a bordo deveria sanitizar o navio inteiro antes de deixar novas pessoas embarcarem.

PAUSA PARA EXPLICAR O TAL GI
Na America do Norte, principalmente nos meses frios, existe um virus chamado Norwalk Virus, que causa doença gastro-intestinal (diarréia e vômito) e é facilmente transmissível. Uma pessoa infectada precisa somente tocar uma superfície para infestá-la. Outra pessoa que toque a mesma superfície e ponha as mãos numa mucosa (olhos, nariz e principalmente boca) irá contrair o virus e desenvolverá os sintomas dentro de no máximo 72 horas. É uma infecção, que pode atématar crianças e idosos. O CDC (Centre for Disease Control & Prevention) calcula que anualmente mais de 50 milhões de pessoas só no hemisfério norte sejam infectadas. Feio, né? O pior é pensar que muito dessa facilidade de transmissão tem a ver também com FALTA DE HIGIENE PESSOAL.

Mas os navios são sujos? Escuto esta pergunta - que ja ficou besta, pra mim! - sempre. Então, pense num virus-zinho que esta ali infectando um povo que já não lava a mão com a frequência que deveria. Pense numa pessoa indo ao banheiro público com diarréia, e tentando se limpar. Então o papel higiênico rasga e a pessoa acaba tocando suas proprias fezes,s abe? Fezes estas que são uma sopa de vírus, diga-se assim. Então ela, com as fezes+virus nas mãos, vai tocar a descarga. Depois vai abrir o trinco do reservado, e - SE ELA FOR UM MINIMO LIMPA!!! - vai então abrir a torneira para lavar as mãos. Mas em banheiros públicos todo mundo lava as mãos com pressa, certo? Então ainda vai ter um pouquinho de cocô virulento na mão da pessoa, que vai então tocar a porta de saída. Onde esta pessoa deixou vírus (e cocô)? Em todos os lugares que ela tocou, e ainda vai tocar na próxima hora ao menos. Imagine a próxima pessoa que der a descarga no mesmo reservado, etc, etc, etc. Esta pessoa vai contrair a infecção, ter os sintomas em algumas horas, e assim por diante. Agora pense nos EUA, em lugares como os aeroportos, shopping malls, e o PORTO DE MIAMI? Dá pra sacar a proporção do negócio?

Então, como a epidemia é continental e está ligada ao clima (Norwalk Virus gosta de frio), as pessoas já embarcam no navio carregando o vírus, que trouxeram de casa/escola/trabalho/elevadores/supermercados, etc. E dentro do navio, acontece igualzinho ao que aconteceu no segundo parágrafo (vírus+cocô). Só que no navio, o sujeito que fez a caca não vai embora de carro. Ele vai pro elevador, pro cassino, pega nos corrimãos.... Dá pra entender? Em 72 horas já virou um rebosteio. E o CDC exige que os passageiros reportem que estão doentes, mas eles não o fazem, pois sabem que se o fizerem serão isolados, portanto perderão alguns dias de seus maravilhosos cruzeiros trancafiados em suas cabines. Ao final de 7 dias, quando chega o dia dos passageiros desembarcarem, alguns ainda doentes continuam espalhando o vírus, e se as coisas não são desinfectadas, o vírus continua ali esperando outro hospedeiro porquinho, que tocará uma superfície e depois a boca.

E no início do parágrafo disse que a infecção por Norwalk virus está ligada à falta de higiene pessoal, porque se você lava as mãos CORRETAMENTE e COM FREQUÊNCIA, é difícil contrair a doença. Se expostos a uma epidemia deste tipo - ou porque não, cotidianamente? - é necessário lavar as mãos com frequência, por no mínimo 20 segundos, esfregando bastante com sabão. Não é o sabão que propriamente lava a mão (sabão elimina ALGUMAS BACTERIAS, mas neste caso é um virus, e sabão não elimina). O vírus é eliminado pela ação mecânica de esfregar as mãos, e o sabão facilita isso. Água quente, de preferência (lembra que o virus gosta de frio?). Quem faz isso com frequência não fica doente. Não é a toa que a porcentagem da tripulação que fica doente é muito menor que a de passageiros.
PLAY PARA TERMINAR O POST

Então, esperei bastante para embarcar no navio. Para completar, depois que já haviam terminado de desinfetar o navio e liberaram o embarque, o pessoal do crew office disse que não havia cabine para mim. Eu estava sendo aguardada para o dia 26 de novembro. Algumas horas depois consegui embarcar - me colocaram numa cabine provisoriamente atá a semana seguinte.

Minha cabine era com uma garota do dining room. Ela não morava lá, acho que ficava com o namorado, assim que estive praticamente sozinha. Depois fui reencontrar as meninas, meus colegas de trabalho... E como de costume, correria, lavanderia, uniformes, pre-departure safety training... E fui trabalhar as 5 da tarde. E por num instante me sentia em casa de novo. Estava feliz por ter voltado. Mas a grama é sempre mais verde do outro lado da cerca, muitos dizem, não é? Se não tivesse saído, não teria percebido o que deixei para trás.

Fazendo um balanço, 2007 foi um ótimo ano. Fui pra Europa 3 vezes, conheci uns 10 países novos, revi lugares como Veneza, NY, Boston, conheci gente nova a beça, e melhor, me conheci um pouco melhor também... Não posso reclamar de nada.

E a saga da caganeira não terminou, mas continua outro dia, que este é só meu primeiro cruzeiro de volta!

quarta-feira, novembro 15, 2006

Aventuras mediterrâneas

Estava devendo uma explicação quanto ao belíssimo contrato de 4 SEMANAS que fiz a bordo do Grand Mistral. Ai vai...

Cheguei em Barcelona dia 16 de outubro e não havia ninguém esperando por mim no aeroporto. Me lembro que o porto de Barcelona era longe. Liguei para o escritório em Madrid e mandaram então um agente me buscar. Detalhe que meu vôo de SP pra Lisboa atrasou e em Lisboa chovia canivete no aeroporto, então o vôo para Barcelona atrasou também. O navio saía de Barcelona às 13 horas. Já era meio-dia. O agente chegou e já tinha um brasileiro com ele, o Fabio, que ia trabalhar na recepa, como dizia ele (recepcao). Ao chegarmos no porto, não pude deixar de resmungar "Que banheira véia, rapaz!". Afinal, eu tava vindo de um navio gigantesco e novo em folha pra um vovô de 1999. E resgatado de uma Cia de cruzeiros falida, a antiga Festival Cruises. Enfim...

Já a bordo, procedimentos-padrão de sign-on - preenche papel , entrega passaporte, assina contrato, recebe chave. E então veio uma filipina me receber. Ela já chegou resmungando que eu tinha chegado atrasada, que a pessoa que eu ia substituir já tinha ido embora, e então quem é que ia me explicar tudo... Eu disse a ela que só precisava de alguém que me mostrasse onde arrumar os uniformes, pois já cohecia outros navios, e afinal não poderia ser tão diferente. Mas era! Achar os lugares foi fácil. O difícil foi a situação em que a cabine se encontrava: NOJENTA. Moravam dois caras lá, que tinham desembarcado naquela manhã. UM NOJO, pêlo/cabelo, sabe-lá-Deus o que, por todos os lados. A cortina do banheiro cheia de mofo. O carpete da cabine imundo. Os armários imundos. Consegui com os chineses na lavanderia ao menos um pano. pra dar um tapa na cabine. Forrei todas as gavetas com plástico. Peguei roupa de cama limpa em dose dupla. Já dei um jeitinho no banheiro.

Minha room-mate chegou depois. Era uma cubana. Eu nunca tinha visto cubanos em navios, pois sempre havia trabalhado para Cias americanas, mas a Iberojet era espanhola. Era a primeira vez da menina, e ela estava assustada. Primeiro dia de navio para marinheiro de primeira é um choque... Neguinho corre com você pra tudo que é lado, e você não tem nem tempo de absorver quão minúscula é a cabine, muito menos o caminho pro serviço todos os dias... Já te levam pra lavanderia que sempre é impossível de achar de novo, pra pegar uniformes e roupa de cama e banho. Depois vão te mostrar onde você vai trabalhar, depois onde você vai comer.... E a menina já estava zureta. Eu nem lembro o nome dela...

O primeiro tempinho que tivemos depois de desfazer as malas foi limpar o banheiro. E quando assustamos já era hora de ir trabalhar. Então fui encontrar meu chefe no Bar Office. Fui recebida por um colombiano, o Assist Bar Manager. Ele andou por aí comigo, me levou para ver a adeguinha do restaurante onde eu ia trabalhar. Me apresentou pessoas... E então já fui fazer o trabalho em si, com um cara me ensinando.

A carta de vinhos era novidade pra mim, pois sõ tinha vinhos da Espanha. Eu teria que administrar todo o estoque para os dois restaurantes e ainda servir vinhos no restaurante menor, que depois vim a saber que era o restaurante exclusivo dos passageiros que se hospedavam nas suítes.

Para minha supresa, ao começar o serviço, dei de cara com duas pessoas que haviam trabalhado comigo no Splendour em 2000. O Marcelo, mâitre, e a Erika, que ainda era waitress. Muita coincidência.... E mais um montão de brasileiros - eram quase 150, ou ate mais.

Pra encurtar a história, a galera que trabalhava comigo era na maioria latina. Havia um indiano, três brasileiros, um cubano, e o resto tudo colombiano. E este povo, exceto os 3 brasileiros, não gostou do fato de a Cia ter trazido uma pessoa tão "inexperiente" para fazer o serviço, sendo que eles poderiam ter promovido alguém do time. Enfim, começou o esquema de sabotagem, diz-que-disse, tudo apoiado pelo Assist. Bar Manager da Colombia que nao ia com a minha cara. E tudo isso à parte, eu trabalhava almoço e jantar todos os dias, tendo direito a um almoço livre. por cruzeiro. Então dava pra sair muito pouco nos portos. E em cima de tudo isso, o crew bar fechava às 2 da manha, e você não podia sair de lá com cerveja pra tomar na cabine. E muito menos comprar bebida nos portos e trazer pro navio. Isso era normal nas outras Cias que eu havia trabalhado. Lembro de um episódio em que comprei em Livorno uma garrafa de Sassicaia - um vinho italiano RARO e CARO - para a minha pequena coleção, e tomaram de mim na entrada. Ate aí tudo bem, eu sabia que não poderia levar o vinho para a cabine, que ele seria confiscado e devolvido no meu último dia. Mas aí era um merda de um guarda indiano (precisava ser dessa raça, né? Vejam meus postsde 2001!) quem pegou a garrafa e todo, mas TODO dia ele me via e vinha me dizer que eles tinham tomado o meu vinho na noite anterior. E eu pensando naqueles oficiais com um Sassicaia nas mãos, dava até arrepio, meu vinhozinho que eu paguei tão baratinho (1oo euros, comparando com os 3000 reais que ele vale aqui no Braza, já viu, né?)....Pesadelos.

O Bar Manager, meu chefe, que era finlandês, não queria saber de nada, só de encher a cara na discoteca do navio. Era o colombiano que mandava em tudo...

E pra terminar, eles me haviam prmetido salário em Euros, pago em cash, etc. E na minha primeira semana o fod** da empresa veio a bordo pra COMUNICAR os tripulantes que a partir do próximo ano os salários passariam a ser pagos em DOLAR, e muito possivelmente em Reais quando o navio estivesse fazendo a temporada brasileira. Entao eu tive aquele velho pensamento: Ai, o que eu vim fazer aqui? Nesta mesma noite mandei um e-mail a RCCL, dizendo que queria voltar. Eles levaram + ou - uma semana pra me achar um lugar e perguntaram se eu poderia embarcar na semana seguinte em Miami. Eu disse que estava em Barcelona, precisava de uns 15 dias pra sair dali e arrumar a passagem pra Miami. Então eu esperei uma semana mais antes de pedir demissão, senão eu sabia que ia ser tratada "diferente" pela equipe. E eles continuavam ferrando minhas folgas, sumindo com vinho pra depois jogar a culpa em mim, e eu QUIETA. Então uma semana depois, quando já tinha a grana da passagem de volta, eu pedi as contas. O dinheiro que recebi nas últimas duas semanas serviu pra pagar a passagem de volta justamente porque quebrei o contrato e a Cia não cobre a despesa nestes casos.

Dubrovnik, Coratia Valetta, Malta
Mas voltei ao Brasil com novos portos "na bagagem" - alguns deles não conhecia, como Malta, uma ilha no Mediterrâneo que era um dos lugares mais lindos que já havia visto, a Tunísia, a Croácia e a Grécia. Também tenho muito boa lembrança dos brasileiros que deixei por lá, muito divertidos, alguns bem determinados, outros enganados como eu. Fora a lembrança dos colombianos, nem tudo foi tão mal assim. Afinal, foram 4 semanas de "férias" no mediterrâneo! Com amigos ótimos...

Corfu, Grecia
E alguns dias depois estaria novamente em Miami, em frente ao Freedom of the Seas, depois de todas as despedidas já feitas e de ter jurado que jamais voltaria lá...


quarta-feira, setembro 20, 2006

Depois de um longo inverno...

Bom, eu sei que fiquei muito tempo sem escrever, e por desencargo de consciência vou dar uma atualizada nas coisas.... Depois da inauguração do Freedom, passei o contrato trabalhando muito e fazendo muita festa com minhas colegas Nadia e Kristine (Romênia e Bulgária respectivamente), com a adição de Arvinder Singh, indiano do Navigator que se juntou a nós no Freedom. Festa direto, até altas horas da madrugada, e no dia seguinte, que praia que nada.... No final do contrato ja tinha emagrecido 9 kilos, foi a dieta da cerveja!!!!


Enfim, minha data prevista de férias seria em novembro, mas acabaram adiantando para setembro, porque precisaram que eu trocasse com uma menina. Aceitei na hora, caso contrário meu contrato seria de 8 meses. Saindo em setembro, acabai fazendo 5 meses.

E quando saí de férias, avisei a todos que não voltaria mais.... Queria arrumar um trabalho em terra firme, tipo horario comercial, pois esta vida de navio já estava me exaurindo... Ainda lá no Freedom eu tinha mandado já uns e-mails procurando trabalho. Cheguei no Brasil e uma amiga - tambem Camila - tinha encaminhado meu cv para uma empresa de navios chamada Iberojet, onde precisavam de um Head Sommelier a bordo de um navio pequeno chamado Grand Mistral.

Bem, eu haviado jurado que navio nunca mais, mas como o Mistral vem para o Brasil nos verões, pensei que seria uma chance de fazer algo, ganhar dinheiro enquanto esperava algo melhor aparecer, e se pintasse, era só pular fora em Santos. Então fui à entrevista no Rio de Janeiro, onde passei 2 dias ótimos dias na casa de meu amigo Felipe, ex-colega de Navigator também. A entrevista foi ótima, adorei a gerente de RH, adorei a possibilidade de estar em um cargo de supervisão dentro de um navio, e mais ainda, adorei o fato de me mandarem embarcar em Barcelona com passagem paga e ficar um mês na Europa antes de cruzar o Atlântico rumo ao Brasil.

Entao lá fui eu de ferias, deixando o Freedom com muitas despedidas e muitas boas memórias na bagagem... A aventura na Iberojet eu conto num próximo post...

domingo, agosto 20, 2006

Coração partido na Finlândia & Freedom inaugurals

Bom, é isso mesmo... Leo, o namorado irlandês e eu terminamos a relação de um ano e pouco. Ele disse que queria coisas diferentes, e eu concordei. Foi duro, ainda mais porque não só sou obrigada a saber que o bicho está na mesma lata de sardinha gigante que eu, 24 horas por dia, mas além disso a loja onde trabalha é exatamente ao lado do bar onde eu trabalho. Enfim, meus amigos estão aí para dar apoio mesmo... E saímos da Finlândia rumo a um estaleiro em Hamburgo, na Alemanha. A saída de Turku foi linda porque o mar estava congelado, e precisamos ser rebocados até o Báltico. Um dos quebra-gelos se chamava Apu (para os fãs dos Simpsons...). Os funcionários do estaleiro ficaram lá no pier dizendo Adeus ao navio que eles construiram por 37 meses.

Durante aquela noite o navio navegou bem devagar em meio a uma grossa camada de gelo quebrado, e eu escutava os blocos de gelo raspando na parede do navio - minha cabine era lateral, no deck zero, como toda cabine de peão, né gente... Uns dias depois, já em alto mar, que na verdade não era alto mar e sim o báltico, todo o suspense depois de contornar a Suecia, para passar em baixo da Storebelt Bridge, que é uma das mais longas do mundo.



Na Alemanha ficamos, ainda sem passageiros, em doca seca (dry-dock) por mais cinco dias. A equipe precisava trocar um propeller com defeito. Então seguimos no mesmo ritmo de Turku - trabalhando em "hora comercial" e a noite, bota festança nosbares. Hamburgo é uma cidade bem bonita. E no dia 24 de abril o CEO da Royal Caribbean assinou o contrato de posse no navio, numa cerimonia chique na ponte de comando do navio. Claro que eu, Nadia e Kristine servimos as bebidas. Até aparecemos na TV, no especial do Discovery sobre a construção do Freedom. E depois disso, o navio pertenciaa Royal, assim que podiamos fazer que faziamos num navio da Royal. Para comemorar, a primeira Full Crew Party a bordo no crew bar - em Turku eram em uma disco na cidade.

Depois destes últimos cinco dias de férias, começamos então a receber ai mprensa européia, agentes de viagem e VVVVVIP guests, para cruzeiros de uma noite "to nowhere". A cada dia embarcavam aproximadamente 3000 pax, e saíamos com elas dando "uma voltinha no mar" - assim eles teriam chance de experimentar "the Freedom of the Seas experience". Detalhe que tudo era grátis para este povo sortudo. Eu e Nadia trabalhando no restaurante principal, responsáveis pelo estoque de vinhos (como boas e responsáveis wine tenders, as mais experientes da equipe, sacumé?). Vinhos que seriam servidos a vontade E DE GRAÇA no jantar... Enfim, fizemos isso na Alemanha, depois Oslo. A norueguesada bebia o triplo do que bebiam os alemães, e por conta disso o pessoal do bar tomou na cabeça, porque dá-lhe repor estoques todos os dias. Nem deu pra sentir o cheirinho de Oslo. E da Noruega para a Inglaterra, onde também não consegui sair do navio nem uma vez.

Então chegou a famosa travessia do Atlântico - seis dias em alto mar. O tempo estava divino. Muito sol, apesar da baixa temperatura. Não havia hóspedes a bordo conosco, exceto ainda alguns trabalhadores (porque afinal de contas o maledeto navio ainda não estava 100% pronto!) finlandeses e alemães, e uma equipe de TV belga que filmou um capítulo inteiro de uma novela. Muito engraçado, todos os dias anunciavam nos alto-falantes que precisavam de extras. E para "testar" os serviços, várias áreas abriram para os tripulantes. Todos os dias as piscinas, jacuzis, parede de escalada e toda a área de esportes abria, o restaurante principal abria pra podermos testar a cozinha, os show de variedades, as paradas e o show de patinação foram apresentados só para nós, e a cada noite dois bares abriam. Foi muito divertido. Mas então chegamos a New York, onde seria realizado o batismo do navio, e fomos recepcionados por 25 helicópteros da imprensa. Um episódio do Today Show com Katie Courik foi filmado a bordo, muita imprensa, um evento do Spike Lee tambem rolou, com direito a Oprah, Wesley Snipes, Morgan Freeman, etc. De New York a Boston, no mesmo esquema - 3mil in, cruzeiro até a esquina, 3000 out. Todos os dias, tudo de graça para os passageiros. E enfim, no dia 2 de junho de 2006 finalmente chagamos a Miami. Teríamos 2 dias para abastecer com os produtos de costume, pois até então tinha sido tudo especial e diferente. Neste dia também encontramos o Navigator no porto e eu consegui um tempinho para correr lá e dar um oi pros meus antigos companheiros. Alguns deles tambem vieram conhecer o Freedom.

E depois de exatos dois meses de muito trabalho, mas tambem muita diversão, o Freedom of the Seas partiu pro abraço com seus primeiros 4200 passageiros pagantes, no dia 4 de junho de 2006. Agora era hora de começar a ganhar dinheiro!

E com tanto trabalho, e tanta diversão, nem deu muito tempo de pensar no irlandês com tristeza. E no fim nos tornamos amigos...

Ah, e detalhe: eu era a única brasileira a bordo, num universo de 1400 tripulantes. Dá pra por a banderinha, né?

domingo, abril 09, 2006

Turku, Finlândia

Pois é, povo, tô aqui na Finlândia, depois de uma longa viajem... Cheguei aqui dia 4 de abril.

O navio no dia que cheguei não estava em condições, uma zona. Para se ter uma idéia, é como andar numa obra qualquer. Fora a tripulação, que ainda não está toda a bordo, há 3 mil operários e construtores trabalhando no local. Nós estamos como escravinhos descarregando conteiners e guardando as coisas dentro do navio, aguardando os lugares ficarem prontos. Tudo coberto com plástico para não estragar carpetes e estofamentos, as obras de arte ainda sendo instaladas, o teto TODINHO em todos os lados está descoberto por causa da fiação... Mas em cinco dias o trabalho rendeu, e hoje já se dá pra ter uma idéia. O bicho vai ficar lindão... Aguardem...

Enquanto isso, algumas horas de trabalho duro por dia e depois muita cerveja em Turku, que não e o c* do mundo. Uma cidadezinha bem bacana, lotada de bares, restaurantes e finlandeses que sempre nos olham com caras curiosas.

Sexta-feitra teve um festão numa disco local só pra tripulação. Foi bem legal. O Navigator tá em peso aqui, umas cem pessoas vieram de lá comigo, fora a honra e surpresa de reencontrar algumas pessoas do Splendour que não via há anos.

Por hora é isso, depois conto mais... Agora tenho que ir tomar cerveja!

domingo, março 19, 2006

Updating

Ok, ok, eu sei que estive absolutamente relapsa com esta página, mas é dificil manter tudo em dia.

Não escrevi nada sobre meu contrato passado, mas realmente o que importa é que eu e Leo vamos firme, e nós dois nos voluntariamos para abrir o novo navio da Royal Caribbean, o Freedom of the Seas (acessem o site e deem uma olhada, 20 mil toneladas maior que o Navigator, 100 pés mais longo, e com novas e imbatíveis atrações). Achamos que seria bom mudar de ares, e obviamente abrir o maior barco do mundo deve adicionar algo no currículo. Mas, o mais importante, bastante dinheiro, pois no primeiro ano o barco e disputadíssimo, vive lotado, e não há promoções... Sorry, sem visitas no Freedom até o ano que vem.

Saí de férias no meio de janeiro e fui para a Irlanda, conhecer a famiíla do Leo. Primeiro fiquei uma semana em Dublin, na casa do irmão do Leo - eu fiz sign-off uma semana antes dele. Para quem conhece a famosa infame anedota da Índia, tenho a dizer que esta experiência foi muito mais prazerosa. De Dublin fomos a Galway, a cidade natal dele, na costa oeste. Conheci a familia, amigos, e viajamos pela Europa, fazendo o roteiro que sempre quis: Budapeste, na Hungria, passando rapidamente pela Eslováquia só para adicionar um país a nossas listas, depois Viena, na Áustria, Praga, na República Tcheca, e finalmente Paris.

A viagem foi ótima, muita neve começou a cair em Budapest - ah, que lindo Budapest, e o caminho de trem de lá para a Eslováquia foi branquinho, branquinho. Em Bratislava ficamos apenas 6 horas, esperando o próximo trem. Foi suficiente para ver a cidade com 10cm de neve, comer num restaurante trendy e tomar vinho eslovaco, ou a sommelier aqui não sossega, e sentar na estação de trem e tomar várias Staropramen e Budvar... Chegamos em Viena à noite. O albergue era ótimo. Saímos para jantar e no dia seguinte fomos passear. Em um dia deu pra ver muita coisa. Exaustos, pegamos o trem pra Praga no dia seguinte. Já o albergue de Praga não era tão legal, mas deu pro gasto. Passamos a maior parte do tempo na rua de qualquer jeito.

De Praga tomamos um avião para Paris. E foi fabuloso. Notre Dame, Sacre Couer, Louvre, Orsay, Versailles, enfim, fizemos muito com nosso tempo. Passei meu aniversário lá, comendo um prataço de frutos do mar crus. Num bistrô fenomenal. Comi muito bem, aliás, exceto pelo dia em que resolvemos economizar e comer um almoço furreca numa dessas lojinhas turcas de kebab. Tive uma baita intoxicação alimentar com sanduiche de queijo, pode?

De Paris voltamos a Irlanda de Ryan Air - se estiver na Europa, ainda com dinheiro contado, Ryan Air na cabeça. É baratíssimo. Descemos em Shannon, mais perto de Galway. E então ficamos uns dias em Galway e depois fomos para Limerick, onde Leo tinha feito faculdade, um pouco mais ao sul. Alugamos um quarto numa residência de estudantes, por umas duas semanas. Saiu barato. Conheci lugares incríveis, como os Cliffs of Moher e o Bunratty Castle, no condado de Clare. Para quem não conhece a Irlanda, recomendo. Minha passagem estava marcada para dia 18 de março, então dia 16 fomos para Dublin e ficamos na casa do tio do Leo, para eu poder assistir a Parada de Saint Patrick. Foi fantástico. E pra ajudar, uma amiga irlandesa louca do navio tambem estava lá... Voei no dia seguinte com a maior ressacado mundo, afinal, os irlandeses quase não bebem!!!

Enfim, fico aqui no Brasil até dia 1 de abril, quando embarco para Miami, e de lá para a Finlândia (Turku). Devemos estar por lá umas 2, 3 semanas, e depois faremos tours com imprensa e agentes de viagem pela Europa. Atravessaremos o Atlântico, ficaremos um tempo por Boston e NY e depois, de volta ao bom e velho Port of Miami.

Juro que dessa vez vou tentar manter as coisas mais atualizadas.

Bye now...









(Budapest, margem do Danubio; Cliffs of Moher, costa sudoeste da Iralanda; Praga)
(Notre Dame, Paris; parada de St. Patrick, Dublin)