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terça-feira, julho 14, 2009

Livrinho delicioso como a bebida da qual trata

Ontem à noite terminei de ler "Champagne - Como o mais sofisticado dos vinhos venceu a guerra e os tempos difíceis". Escrito pelo casal Don e Petie Kladstrup, dois jornalistam premiados que hoje vivem entre Paris e Normandia, e escrevem para publicações especializadas. O trabalho de pesquisa deles é fabuloso, e o livro começa contando a história da região da Champagne desde a época em que Átila, o Huno, ocupou a região com seu gigantesco exército. Após batalha sangrenta contra os romanos e seus aliados gauleses (sempre penso em Asterix e Obelix, inevitável), francos e visigodos, bateu em retirada. E os romanos, então, começaram a plantar vinhar e a escavar o solo calcário retirando material para a construção de templos e estradas, e deixando cavernas que séculos depois seriam redescobertas - e usadas como caves, as hoje famosas caves de calcário da Champagne.

De Átila, o Huno até as Guerra dos 100 anos, dos 30 anos, guerras civis e disputas religiosas, além das Guerras Napoleônicas, e a guerra de sucessão espanhola foram todas travadas na Champagne. As piores delas sendo a Grande Guerra, onde as trincheiras se encheram de sangue e corpos, e a Segunda Guerra Mundial.

Ao longo do livro, eles vão trazendo à tona personagens (alguns deles legendários como o prórpio Dom Pérignon, ou Madamme Pommery, ou a viúva Ponsardim) que deram, às vezes, a própria vida para defender o maior de todos os tesouros da França, ou contando como os terríveis alemães bombardearam a catedral de Reims, onde grande parte dos reis franceses forma coroados... Leitura incrível.

Dos mesmo autores já tinha lido o "Vinho & Guerra - Os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França". Nesse outro, um super sucesso editorial, eles contam como so franceses foram capazes de manter as batalhas e bombardeios longe dos vinhedos do Rhône, ou como eles encondiam os vinhos bons em lagos e ofereciam aos alemães líquidos de péssima qualidade, ou ainda como os champenois esconderam suas garrafas atrás de paredes falsas...

Pra quem gosta de vinho, é uma boa leitura. Pra quem gosta de História, é leitura preciosa. Pra quem gosta dos dois, leitura inebriante! Extremamente recomendável...

segunda-feira, julho 13, 2009

Cenas de um casamento - após o casamento...

No fim de semana relaxamos pacas. No sábado, uma linda manhã, resolvemos fazer um churrasquinho. Saímos para comprar as dilícias, mas claro que, bem na hora de acender a churrasqueira, o sol sumiu. Mas a ventania deu trégua essa semana, a apesar de não ter sol, a temperatura era agradável.

Bem, foi só acender o gás da churrasqueira (sem comentários, por favor), e recebemos um telefonema da joalheria - as alianças estavam prontas! Um dia atrasadas, mas como pedimos quarta passada, deveriam ter demorado 10 dias. Então, foi a jato.

Já de alianças colocadas e estranhando muito (quero deixar claro aqui que foi o Lars quem fez questão das alianças, juro. Eu por mim teria ficado de mão-pelada - piada pantaneira, rárárá!), bem na hora de comer o churras, a sogra chegou, com os presentes, os cartões e o resto da tralha que havia ficado na casa do Anders. Aproveitamos e a convidamos pra almoçar. Ela comentou que os convidados haviam amado a pequena recepção, que havia sido kjempe koselig! *kjempe é uma expressão tipo super, e pra saber sobre koselig, veja aqui...


Após o churrasco, que acabou sendo consumido indoors, à noite resolvemos dar outra chutada de balde e celebrar. Na semana passada, quando compramos o champagne pra recepção (comprei Cordoníu espanhol - que na verdade é cava, e não champagne - por uns R$33), também compramos um champagne melhor só pra nós dois. Escolhi um Gosset Brut Rosé NV (non-vintage), que eu tava dooidaaa pra provar (acho que era um dos poucos champagnes das grandes Casas, ou Maisons, da Champagne que eu ainda não havia provado). Em SP, nas lojas da Expand, saíam pela bagatela de R$500. Aqui, estava mais barata que Piper-Heidsieck Rosé, Veuve Clicquot Rosé, ou mesmo Moët & Chandon Rosé. Pagamos menos de R$100!!! E ao abrir a garrafa, era deleite líquido... Um rosé muito discreto, com pérlage (borbulhas) persistente, extremamente delicada. Um excelente investimento - e ótima motivação pra mexer a bunda e arrumar um trampo logo, assim posso bancar meus queridos pequenos luxos da profissão - tomar muuuitooooo vinho bom!


Depois de esvaziar a garrafa, pensei em abrir ma outra, também rosé, que ganhamos de presente. Mas Lars tinha outros planos... Um Louis XIII (um conhaque feito pela Remy Martin, um dos mais caros do mundo, elaborado com elixires de mais de 120 anos de idade. A história de como eu consegui uma garrafa merece um post à parte) e um charutinho na varanda. Vale ressaltar que nesse dia eu saí de calça capri e camiseta pela primeira vez, e tava dando pra ficar na varanda de noite, temperatura muito amena...

Domingo, fiz cassoulet improvisado, e a sogra veio almoçar conosco. Trouxe as sobras do kransekake pro café! Também precisávamos saber pra quem exatamente mandar os cartões de agradecimento pelos presentes. Pros mais íntimos, e que compareceram à recepção, vou fazer uma geléia de banana com chocolate, receita pela qual eu babei quando vi no fabuloso blog da Claudia, o Sabor Saudade. Pros outros, só cartão mesmo.

E hoje fomos à UDI, pegar os formulários pro próximo visto e fazer perguntitas sobre a troca de nome e etc. Aparentemente o visto - desde que eles achem que tá tudo legitimado, e o casamento é de verdade e não tramóia, eles nem mandam a papelada para Oslo - resolve-se aqui mesmo, rápido. Ela pediu os holerits do Lars, de três meses, além da minha certidão de nascimento e a certidão de casamento, além de fotos da cerimônia, além de um breve texto sobre como nos conhecemos. E vai custar outras 1100 coroas - apesar de no Consulado do Rio, após de cobrarem R$1000 pelo visto, terem informado que eu não precisaria pagar outra vez aqui na Noruega. Enfim...

De lá, fomos comprar potes para as geléias de presente e as bananas - e como sempre, acabei comprando muito mais do que precisava. Paguei o mercado com meu cartão pela primeira vez. Já tinha recebido o cartão do banco, mas eles não haviam enviado as senhas - sim, aqui a senha é determinada pelo banco, e não pelo cliente!

As bananas estavam muito verdes, então usei o velho truque de enrolar em jornal e guardar dentro do forno, mas preciso esperar que amadureçam, pra geléia ficar mais gostosa. Enquanto isso, fui mexer com os quinhentos kilos de morangos que havíamos comprado semana passada. Fiz arroz doce (aqui chamam de ris grøt, acho que já falei dos grøt, tipos de mingau) com morango, fiz três potes de geléia de morango, e ainda fiz picolé de iogurte com framboesa. Os morangos daqui da área já estão capengando, mas as framboesas norueguesas... São gigantes! Hoje comprei aquelas forminhas de picolé pra criança. Bati meia caixa de framboesa com 200 g de iogurte desnatado sabor baunilha e umas duas colheres da geléia de morango no liquidificador. Coloquei nas forminhas de picolé, e voilá... Picolé low sugar, low fat, high flavor!!!

Nessa fotinho, a pilha de bananas para a geléia, os potes de geléia de morango, o arroz doce (que depois de frio endureceu um pouco) e as framboesas gigantes. Ah, e meu pézinho de hortelã!

quarta-feira, novembro 15, 2006

Aventuras mediterrâneas

Estava devendo uma explicação quanto ao belíssimo contrato de 4 SEMANAS que fiz a bordo do Grand Mistral. Ai vai...

Cheguei em Barcelona dia 16 de outubro e não havia ninguém esperando por mim no aeroporto. Me lembro que o porto de Barcelona era longe. Liguei para o escritório em Madrid e mandaram então um agente me buscar. Detalhe que meu vôo de SP pra Lisboa atrasou e em Lisboa chovia canivete no aeroporto, então o vôo para Barcelona atrasou também. O navio saía de Barcelona às 13 horas. Já era meio-dia. O agente chegou e já tinha um brasileiro com ele, o Fabio, que ia trabalhar na recepa, como dizia ele (recepcao). Ao chegarmos no porto, não pude deixar de resmungar "Que banheira véia, rapaz!". Afinal, eu tava vindo de um navio gigantesco e novo em folha pra um vovô de 1999. E resgatado de uma Cia de cruzeiros falida, a antiga Festival Cruises. Enfim...

Já a bordo, procedimentos-padrão de sign-on - preenche papel , entrega passaporte, assina contrato, recebe chave. E então veio uma filipina me receber. Ela já chegou resmungando que eu tinha chegado atrasada, que a pessoa que eu ia substituir já tinha ido embora, e então quem é que ia me explicar tudo... Eu disse a ela que só precisava de alguém que me mostrasse onde arrumar os uniformes, pois já cohecia outros navios, e afinal não poderia ser tão diferente. Mas era! Achar os lugares foi fácil. O difícil foi a situação em que a cabine se encontrava: NOJENTA. Moravam dois caras lá, que tinham desembarcado naquela manhã. UM NOJO, pêlo/cabelo, sabe-lá-Deus o que, por todos os lados. A cortina do banheiro cheia de mofo. O carpete da cabine imundo. Os armários imundos. Consegui com os chineses na lavanderia ao menos um pano. pra dar um tapa na cabine. Forrei todas as gavetas com plástico. Peguei roupa de cama limpa em dose dupla. Já dei um jeitinho no banheiro.

Minha room-mate chegou depois. Era uma cubana. Eu nunca tinha visto cubanos em navios, pois sempre havia trabalhado para Cias americanas, mas a Iberojet era espanhola. Era a primeira vez da menina, e ela estava assustada. Primeiro dia de navio para marinheiro de primeira é um choque... Neguinho corre com você pra tudo que é lado, e você não tem nem tempo de absorver quão minúscula é a cabine, muito menos o caminho pro serviço todos os dias... Já te levam pra lavanderia que sempre é impossível de achar de novo, pra pegar uniformes e roupa de cama e banho. Depois vão te mostrar onde você vai trabalhar, depois onde você vai comer.... E a menina já estava zureta. Eu nem lembro o nome dela...

O primeiro tempinho que tivemos depois de desfazer as malas foi limpar o banheiro. E quando assustamos já era hora de ir trabalhar. Então fui encontrar meu chefe no Bar Office. Fui recebida por um colombiano, o Assist Bar Manager. Ele andou por aí comigo, me levou para ver a adeguinha do restaurante onde eu ia trabalhar. Me apresentou pessoas... E então já fui fazer o trabalho em si, com um cara me ensinando.

A carta de vinhos era novidade pra mim, pois sõ tinha vinhos da Espanha. Eu teria que administrar todo o estoque para os dois restaurantes e ainda servir vinhos no restaurante menor, que depois vim a saber que era o restaurante exclusivo dos passageiros que se hospedavam nas suítes.

Para minha supresa, ao começar o serviço, dei de cara com duas pessoas que haviam trabalhado comigo no Splendour em 2000. O Marcelo, mâitre, e a Erika, que ainda era waitress. Muita coincidência.... E mais um montão de brasileiros - eram quase 150, ou ate mais.

Pra encurtar a história, a galera que trabalhava comigo era na maioria latina. Havia um indiano, três brasileiros, um cubano, e o resto tudo colombiano. E este povo, exceto os 3 brasileiros, não gostou do fato de a Cia ter trazido uma pessoa tão "inexperiente" para fazer o serviço, sendo que eles poderiam ter promovido alguém do time. Enfim, começou o esquema de sabotagem, diz-que-disse, tudo apoiado pelo Assist. Bar Manager da Colombia que nao ia com a minha cara. E tudo isso à parte, eu trabalhava almoço e jantar todos os dias, tendo direito a um almoço livre. por cruzeiro. Então dava pra sair muito pouco nos portos. E em cima de tudo isso, o crew bar fechava às 2 da manha, e você não podia sair de lá com cerveja pra tomar na cabine. E muito menos comprar bebida nos portos e trazer pro navio. Isso era normal nas outras Cias que eu havia trabalhado. Lembro de um episódio em que comprei em Livorno uma garrafa de Sassicaia - um vinho italiano RARO e CARO - para a minha pequena coleção, e tomaram de mim na entrada. Ate aí tudo bem, eu sabia que não poderia levar o vinho para a cabine, que ele seria confiscado e devolvido no meu último dia. Mas aí era um merda de um guarda indiano (precisava ser dessa raça, né? Vejam meus postsde 2001!) quem pegou a garrafa e todo, mas TODO dia ele me via e vinha me dizer que eles tinham tomado o meu vinho na noite anterior. E eu pensando naqueles oficiais com um Sassicaia nas mãos, dava até arrepio, meu vinhozinho que eu paguei tão baratinho (1oo euros, comparando com os 3000 reais que ele vale aqui no Braza, já viu, né?)....Pesadelos.

O Bar Manager, meu chefe, que era finlandês, não queria saber de nada, só de encher a cara na discoteca do navio. Era o colombiano que mandava em tudo...

E pra terminar, eles me haviam prmetido salário em Euros, pago em cash, etc. E na minha primeira semana o fod** da empresa veio a bordo pra COMUNICAR os tripulantes que a partir do próximo ano os salários passariam a ser pagos em DOLAR, e muito possivelmente em Reais quando o navio estivesse fazendo a temporada brasileira. Entao eu tive aquele velho pensamento: Ai, o que eu vim fazer aqui? Nesta mesma noite mandei um e-mail a RCCL, dizendo que queria voltar. Eles levaram + ou - uma semana pra me achar um lugar e perguntaram se eu poderia embarcar na semana seguinte em Miami. Eu disse que estava em Barcelona, precisava de uns 15 dias pra sair dali e arrumar a passagem pra Miami. Então eu esperei uma semana mais antes de pedir demissão, senão eu sabia que ia ser tratada "diferente" pela equipe. E eles continuavam ferrando minhas folgas, sumindo com vinho pra depois jogar a culpa em mim, e eu QUIETA. Então uma semana depois, quando já tinha a grana da passagem de volta, eu pedi as contas. O dinheiro que recebi nas últimas duas semanas serviu pra pagar a passagem de volta justamente porque quebrei o contrato e a Cia não cobre a despesa nestes casos.

Dubrovnik, Coratia Valetta, Malta
Mas voltei ao Brasil com novos portos "na bagagem" - alguns deles não conhecia, como Malta, uma ilha no Mediterrâneo que era um dos lugares mais lindos que já havia visto, a Tunísia, a Croácia e a Grécia. Também tenho muito boa lembrança dos brasileiros que deixei por lá, muito divertidos, alguns bem determinados, outros enganados como eu. Fora a lembrança dos colombianos, nem tudo foi tão mal assim. Afinal, foram 4 semanas de "férias" no mediterrâneo! Com amigos ótimos...

Corfu, Grecia
E alguns dias depois estaria novamente em Miami, em frente ao Freedom of the Seas, depois de todas as despedidas já feitas e de ter jurado que jamais voltaria lá...


quinta-feira, setembro 09, 2004

Últimos dias argentinos....

Nestas alturas deveria já ter terminado de escrever o diário sobre a viagem a Argentina, mas depois de um mês, os detalhes pequenos se foram... Então, resumindo, na quinta-feira, fiz um tour pela região de Luján de Cuyo, no estado de Mendoza. É a area vitivinicultora argentina de onde saem os melhores Malbec argentinos. A guia que me levou (chamada Eugenia) além de muito gente boa, sabia muito de vinho.

Ela me pegou às 8 da manha no albergue, e saímos em direção à vinícola Família Zucardi (produtora dos vinhos Santa Julia, entre outros). Super moderna, produção em larga escala, tecnologia... Visita de meia horinha, depois fomos provar os vinhos. Era muito cedo, e ainda tinhamos 5 vinícolas pela frente, assim que provávamos e cuspíamos, profissionalmente! De lá, ela me levou a Faculdade de Enologia Dom Bosco, a mais antiga da Argentina. Uma maravilha. Tudo meio artesanal, mas vi uma classe de alunos e tudo mais. Vimos o enólogo fazendo testes com barris de carvalho francês com ondulações diferentes (muito complicado)... Foi show. Provamos uns 10 vinhos - cuspindo!

E a[i veio a hora do almoço. Ela me levou num lugar chamado Finca La Adalgisa, um hotelzinho com um vinhedo de Malbec de 2 ha. A matriarca da família cuida do vinhedo, tem um cavalo (UM) que trabalha no vinhedo... A família colhe as uvas e faz o vinho, com uvas prensadas mecanicamente numa prensa antiga de madeira. O vinho é fermentado em piletas de concreto que ainda nem tinham sido cobertas com tinta epóxi. Depois de pronto, o vinho é engarrafado, não envelhece em carvalho. E foi o vinho mais educativo que provei - para ver o que é um Malbec sem traços de carvalho. Além de fresco e delicioso. Durante o almoço (vejam as fotos) tomei mais de meia garrafa! E enquanto eu comia saladas, queijos, pães caseiros e pêssego em compota com doce de leite (tudo feito lá), a Eugenia buscava um casal que contunuaria o tour conosco.

(acima, faculdade de Enologia; ao lado, almoco na La Adalgisa)


Quando ela veio me buscar, o casal era brasileiro. Luiz Henrique e Carla. Então fomos à Catena Zapata, a maior produtora de vinhos argentinos de qualidade. Chegamos atrasados, e claro, no nosso grupo tinha um brasileiro vovô (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) mala pra caramba, que fez a gente passar um monte de vergonha com seus comentarios ridículos. Depois de visitar as instalações monumentais, fomos provar os vinhos. Pedimos mil desculpas a guia da Catena pelos brasileiros mala.

(Catena Zapata, a Opus One argentina; Alta Vista; eu, Luiz e o proprio Carmello ao fundo)










De lá, fomos para a Alta Vista, mas chegamos tarde pra visitar a bodega, então passamos direto a prova de vinhos.... E de lá, a Carmello Patti, um senhor muito simpatico que possui uma bodega boutique - faz vinhos com muito amor, e em pouca quantidade.

Terminei o tour às 7 da noite, bebum e com fome. Ja não tinha forças, mas ainda assim tomei um banhão e saí caminhando até um restaurantezinho próximo, comi algo simples e corri de volta pra cama. No dia seguinte, sexta-feira, tinha combinado com o Luiz Henrique e a Carla de irmos na Bodegas Escorihuela, onde esta ubicado o restaurante de Francis Mallman, o chef argentino mais famoso, que inclusive esteve pelo Brasil, no A Figueira Rubayat.

Então na sexta, ao meio dia eles passaram pra me pegar. Chegamos um pouquinho cedo, mas fomos direto pro restaurante. Muito bonito, modernoso. A comida foi excelente, dos aperitivos\vinhos de entrada a uma salada morna de centolas (aqueles caranguejos gigantes que parecem aranhas). Depois uma pratada de risotto (super bem cozido) de cogumelos frescos e secos, tudo isso regado a duas garrafas de vinho. Malbec Obra Prima, of course... Não sobrou espaço pra sobremesa.


(restaurante Francis Malman)


De lá saímos para o tour pela bodega com - adivinhem.... Uma casal de brasileiros... A bodega era linda, os caras são super profissionais, e depois no final, mais vinho.

(linha de engarrafamento, Bodegas Escorihuela)








Na volta fiquei pelo centro, fazendo umas comprinhas. No finzinho da tarde, quando estava já escurinho, tomei um chocolate quente com media-lunas. E de lá pro albergue, onde teria um churrasco à noite. Minha última noite.... Então tomei um banho e cochilei uma siesta, depois desci pro churrasco. Só tinha alpinista no albergue, assim que eu estava totalmente fora do meu elemento. Conheci vários caras que são guias de montanha, e de tours pra Patagônia. Um pessoal bem interessante.

E no dia seguinte saí cedinho pra o aeroporto de Mendoza. Às 8 da manha, na Curitiba argentina, me roubaram minha bagagem de mão.... Com todos os meus cremes, perfumes, relógio, brincos, cabos da maquina digital, e 1000 dólares. Eu ficaria ainda um dia em Buenos Aires, mas assim que cheguei no aeroporto eu mudei a passagem e voltei pra casa no sábado mesmo.... Acabou bem mal a viagem tão boa, mas os momentos prazerosos foram tantos que não vou deixar algo assim estragar minhas memórias....

And now back to the ship.....

quarta-feira, setembro 08, 2004

Que Miércoles!!!!!!!!

Bueno, hoy dia és miércoles...

Depois do pileque de ontem, dormi até acordar, sabe? Até mais tarde um pouco. Lá pelas 10 e pouco sai para telefonar, confirmando o tour com a garota da Vino y Aventura, uma agência especializada em levar "conoisseurs" para conecer vinhedos e vinícolas, sem blá-blá, com guias que entendem de vinhos. Então fui num Internet café (hé milhões deles, tanto em Buenos Aires como aqui em Mendoza, e a hora da Internet custa 1 peso, ou seja, 1 real) para descarregar o memory card de minha câmara num CD. Levou 2 horas, o cara disse que sabia fazer, mas enrolou, enrolou...

De lá fui cambiar plata numa casa de câmbio. Já tinha andado um bocado, a fome estava apertada, e lembrei da guia Carolina, de ontem, quando havia perguntado a ela qual seria uma muy típica refeição mendocina. E ela me disse "Chivito assado, muy rico". Me deu o nome duma rua onde há vários restaurantes que servem. O tal chivito é um cabritinho assado inteiro, mas o bichinho é bem novinho...

Então andei um bocado, cheguei na tal Calle Sarmiento, e tinha uma churrascaria (perdon, parrilla) atrás da outra. Entrei numa que me agradou, Don Tristan - segundo referências posteriores, acertei em cheio! Tinha um bufezinho de salada. Pedi o tal chivito, veio um prato imenso, e olhando eu achei que não ia dar conta. Mas, vixe, como o bichinho era bom... Carne bem macia, rosadinha, com aquele sabor especial de madeira... Pra acompanhar, como dizem os mozos (garçons) : "Vinito?" "Por supesto...". Tomei um Trapiche Malbec 2004, super jovem e fresco, ainda que um pouco ácido. Mas casou perfeito com o chivito.

Depois do almoço, aquela leseira desgraçada... Andei umas 8 quadras até o supermercado, onde comprei uma garrafa de água mineral, outra de vinho (Santa Julia Bonarda 2003), e voltei pro albergue. Como tirei o dia para descansar, fiz uma siesta, depois acordei, tomei banho e desci, pra tomar meu vinho e fazer um pouco de lição de casa - sim!, estudar, fazer anotações sobre os vinhos que andei provando e as coisas que aprendi sobre eles.

Depois de 2 tacinhas, fui me trocar (mais roupa de frio, pois tava um pusta dum frio) e fui jantar na mesma Calle Sarmiento, num restaurante chamado Azafran, que se intitula "almacen de esquicitices y vinos". Era um bistrozinho moderno com loja de vinho anexa. Sabia que o local era uma referência regional, então, lá fui... Era bem em frente ao Don Tristan.

Entrei solita. Os mendozinos, assim como os portenhos, não dão muita pelota pra gente que sai pra comer sozinha. Mas o que eu podia fazer? O lugar estava lotado, mas tinha uma mesa legal, para quatro, e uma mínima. Adivinha qual eu ganhei? Claro, atrás de um movel, não via nada. Mas como estava para comer e tomar um big vino qualquer, tanto fazia.

O cardápio, de pôr qualquer um que aprecia a boa comida louco. De frutos do mar a cervos patagônicos, o que fazer? Pedi um sorrentino de cervo patagônico defumado com ricota, e molho de hongos (funghi) selvagens. Puts, como comi hongos na Argentina até agora!!! Para beber, um Alamos Bonarda 2001, que me tinha sido recomendado pelo dono do La Tasca de la Plaza Espana (aquele bistrozinho espanhol, lembra?), e tambem pra comparar com o Santa Julia que tinha comprado à tarde.

A senhorita simpatica que me servia trouxe uma magnifica cestinha de pães caseiros, e serviu o vinho. E eu fiz firula, não por metidice, mas para realmente apreciar o vinho. Ao meu lado, tinha uma mesa com dois senhores. E eles ficavam olhando pro meu vinho. E pra minha cara. E eu rodava o copo e metia o nariz dentro do copo, e eles me olhando. O vinho era ESPETACULAR. Muito diferente do que eu estava acostumada... Logo chegou meu prato.

Quando acabei, o vovô (EU E OS VOVÔS!!!!!!!!!) da mesa ao lado se virou e finalmente me perguntou que vinho era aquele. Lhe respondi, e ele, todo cerimonioso, disse "você entende de vinhos?", e eu, sem pompa "Sou sommelier". E ele "Ah... Eu bem desconfiei quando vi você não só provando como tomando seu vinho. E ele está bom?" E eu "Excelente. Quer provar?" A garconete lhes serviu 2 taças de meu vinho, e els me ofereceram um prova do vinho deles. Mas logo antes de eu provar, me disseram "Perdoe-nos, mas seu vinho é bem melhor que o nosso!". E assim engatamos uma conversa antes e durante a sobremesa (a minha era mil folhas com ricota fresca de cabra e frutos regionais). Depois do jantar, cada um pagou sua conta e eles se despediram, deixando seus enderecos de Buenos Aires, caso eu quisesse companhia para tomar vinho durante minha última noite lá...

E assim levantei e caminhei novamente aquelas 10 quadras de volta ao albergue, isso la pelas 12 da noite. Nestas alturas eu já tinha me acostumado, já nem olhava para trás pra ver se havia algum movimento suspeito.

E fui dormir empanturrada novamente, mas feliz!

terça-feira, setembro 07, 2004

Destino: Aconcagua

Bom, o recepcionista me acordou 6 horas da manhã. O tempo estava horrível, chovia. Mas me alegrei, pois devia estar nevando na montanha ao menos pra eu poder ver os picos nevados, como nas fotos de Mendoza. Uma outra garota do albergue tambem ia. Era portenha (de Buenos Aires pra quem não sabe).

Classicamante o microbus parou, e a guia nos veio buscar: "Hola, soy Carolina. Mucho gusto...". Subimos no bus e ja tinha um casal de vovôs e um casal jovem. Ainda passamos em outro albergue pra buscar mais um casal, e por último num hotem, outro casal. E só agora me dei conta que eu e Gabi (a portenha) eramos as únicas avulsas!

E a guia começa a falar de futebol (Má ideia, eu pensei). As janelas do microbus já estavam embaçadas, fazia um senhor frio lá fora... E o papo de futebol seguia. Cada um tinha que dizer o nome, de onde era e pra que time torcia. E assim descubro que o último casal, sentadinho ao meu lado, era carioca! Fluminense, acho... Dai logo veio a minha vez, eu disse que não achava uma boa idéia falar de futebol quando há argentinos e brasileiros presentes. O povo riu, e os brasileiros começaram a conversar comigo. Gente muito fina! Não eram daqueles brazucas que fazem a gente passar vergonha lá fora.

Bom, conforme fomos indo em direção às montanhas o tempo ia melhorando. Não sol, mas a chuva estava parando. E a guia explicou que a Cordilheira era dividida em três partes: pré-cordilheira, depois cordilheira frontal, e por fim a Cordilheira. A moça era bem informada e preocupada em passar informação. Na primeira parada colheu plantinhas e explicou todas. Depois falou dos animais que habitam a região (inclusive o condor, animal ameacadíssimo!). Se tivessemos sorte, íamos ver alguns...

Paramos num lugar onde tinha uma ponte bem rústica sobre um riozinho. Ela nos fez tomar água do riozinho, só pra poder fazer piadinhas depois (até que bom senso de humor). Por esta ponte passou o General San Martin, libertador da República Argentina. A estrada seguia o rio Mendoza e a estrada de ferro. E adivinha quem avistou o primeiro condor do dia??? Euzinha, olhava algo lá no céu, e vi um pontão preto. Olha o condor lá... Virei heroína. E viva a Caiman! E fomos embora. Então, paramos num hotel no meio do nada pra pegar mais um casal. Um lugar lindo, mas frio.... Já se podia ver um pouco de neve no alto das montanhas. Passamos por um povoado onde ficou hospedado o Brad Pitt quando das filamgens de "7 anos no Tibet". Raaaaah, pensavam que tinha sido filmado no Tibet? Que nada! Uspallata é o nome do lugar. O Brad é um herói lá!!!! E paramos num local pra tomar um café (que caiu super bem) e alugar sapatos de neve. Eu, porque estava muito da entretida com meu café e um imenso cão perdigueiro, não ouvi a guia falando dos sapatos. Depois eu vi o povo com eles. Perguntei a vovó do bus (como se eu não tivesse ainda aprendido a lição com vovòs) se deveria alugar, e ela disse "Não, é só pra arrancar dinheiro do povo". Bom, quem precisa de botas, afinal...

E subimos, e subimos, até alcançar os 3500 metros de altitude. E tava tudo branco.... (Vejam as fotos, no link do Webshots) Nevava!!!!! Fazia frio.... E eu sem sapatos de neve! Quem precisa????? EU!!!! Paramos numa estação de esqui chamada Los Penitentes. Estava fechada, pois só nevou agora. No inverno não houve neve suficiente. Lindo.... Mas frio. E a guia Carolina tirava sarro de nós, brazucas. Com razão, pois eu nunca tinha visto tanta neve!!!! E nem os cariocas....

De lá fomos mas allá, arriba, até um lugar chamado Punte del Inca. Uma ponte natural, com umas pedras ao lado, que depois foram esculpidas em forma de templo. É uma estação termal. Mas o pé afundava na neve. E minhas botas (que não eram pra neve, claro) já estavam há muito congeladas. Já não sentia o dedão, e comecei a ficar preocupada. Assim, deixei o grupo e fui tomar (OUTRO!) café num botequinho espelunca. Havia uma lareira improvisada, e na frente uma mesa com 4 (ADIVINHA?????) vovôs. Pedi licença, puxei uma cadeira e me sentei. Pus as botas perto do fogo. Saia fumaça delas. Tirei as botas e saía muita fumaça das meias... Os vovôs (e vovós) eram chilenos. Ficaram morrendo de pena de mim. Mas o pé só tava frio mesmo. Nada sério. Um alfajor e 30 min depois, fomos embora para nosso local de almoço, outra vez em Los Penitentes. Nos sentamos, eu, Ana Lúcia, Flavio (os cariocas) e Gabi (a portenha). Pedimos uma garrafa de vinho. A opção de almoco era bife de tira com batatas ou um guiso de lentejas (lentilhas). Pedi lentilhas. Veio quase que uma sopa, cobrindo um monte de arroz, com abóbora, linguiça, uma delícia!!!!!!! E quentinho. "Postrezito?". "No, gracias. Cafe con conhaque". "quatro...". Quentinhos e bebinhos, saímos em direção ao bus e quem tinha aparecido???? O sol!!!!!! A paisagem tinha mudado por completo. Lindo, um céu azul de tirar o fôlego!!!!!!

(a drástica mudanca de tempo depois do almoço, e depois da fronteira com o Chile)

E então nosso motorista Hugo se encheu de braveza e tentou nos levar ao Aconcagua. A estrada estava fechada por causa da neve, mas o Hugo passou pelo posto policial, onde não havia ninguém. E lá chegamos... Nós, a uns 3800 metros de altitude, e ele a quase 7000. Vimos na verdade uma montanha "mas alla", com nuvens tapando. Mas valeu. Me senti 1% alpinista!!!!!!


Na volta, a Carolina encheu uma garrafa de água com ar da montanha. Disse que quando chegássemos na cidade iriamos ter uma surpresa. Então, na descida, paramos ainda uma vez na pré-cordilheira, pra ver uma represa importante... E Carolina e Hugo nos surpreenderam com café e alfajores. Nesta altura do campeonato, eu ja nem falava de frio. Falei um palavrão em português e o povo morreu de rir... Eles adoram nosso sotaque, dizem... E meu alfajor eu dei pr´uns cachorros que estavam por ali... Tadinhos...

Pra encurtar, o passeio terminou, e eu e Gabi combinamos de encontrar Flávio e Ana no La Tasca de la Plaza Espana, lembram? O primeiro lugar onde jantei em Mendoza. Nos encontramos por volta de 10 da noite. Pedimos entrada, e um fabuloso Malbec 2000 chamado Obra Prima, de uma bodega-boutique. A entrada eram mariscos com salsa de açafrão.... De prato principal, eu Flávio e Ana pedimos Lomo de ternero a la plancha (file de novilha grelhado). Excelente. Mas o prato da Gabi, Cazuela de mariscos, tava muito mais bonito.

Depois de um super dia agradával, um lindo passeio, belíssimas refeições, caí na cama feito pedra. E chega!

segunda-feira, setembro 06, 2004

Um tour furado....

(barrica antiga da Bodegas y Cavas Weinert)


Hoje decidi fazer um tour (intermediado pelo albergue) às minhas primeiras vinícolas, aqui chamadas de Bodega. Pela manha dei um rolê pela cidade, fui até a Plaza Independencia, visitei umas vinotecas (lojas de vinhos). Comprei uma comida vegetariana pra viagem e fui almoçar no albergue. O tour saiu às duas da tarde.

Aquele tour típico: um microbus cheio de turista, uma guia falante... Ih, acho que não cou curtir... Tinha uns gringuinhos, pobrezinhos, e o inglês da guia - Laura - era carregadíssimo. No caminho para Maipu, uma das cidadezinhas vizinhas, onde se concentram boa parte das bodegas e dos vinhedos, a criatura se atracou com o microfono e não parava de hablar.

Explicou que a região de Mendoza é um deserto, e o homem a transformou num oásis, através de um sistema de irrigação fenomenal, que usa a água de degelo das montanhas - inclusive das Neves Eternas... É realmente incrível o sistema que eles usam, com diques que represam os rios Mendoza e dois outros. Há um sistema de comportas que são abertas por horas ao dia, e assim a água é distribuída igualmente em toda a região. Se não fosse a extrema secura do ar, não se poderia jamais dizer que a região é (foi) um deserto!

Explicou a história dos vinhedos, os diferentes tipos de plantio, as diferenças climáticas que tornam este lugar um lugar especial para vinhos, e o tal vento Zonda. É um vento quente que só ocorre aqui e em mais dois países da Europa - não lembro quais - e quando ele sopra, ele aumenta a temperatura e pressão atmosférica. Depois que ele cessa, bum! Frio - e consequentemente neve nas montanhas (eeebaaaa!). Além disso, os vinhedos são castigados anualmente com chuvas de granizo. Algumas das pedras são grandes o suficiente para matar uma vaca, dizem eles. As chuvas de granizo são o pesadelo dos viticultores mendocinos.

Bom, chegamos na Bodega Baldrón. Nosso grupo se juntou com outro, éramos uns 30. Uns brasileiros daqueles de dar vergonha... Se empurrando e tudo. Uma guia da casa nos acompanhou. Mostrou todo o processo (uma bodega pobrinha...), e por fim fomos para a sala de degustação. Um vinho horroroso! Mas tudo bem.

De lá, fomos à Bodegas y Cavas de Weinert, em Luján de Cuyo, outro lugarejo que vive da vitivinicultura. A Weinert foi fundada na argentina por um germano-brasileiro. É uma das únicas bodegas que ainda utilizam tonéis de carvalho ao invés das barricas menores. Por uma questão de opção. A bodega é linda! Se diz que frequentemente é possível ver membros da família enfiados dentro das barricas fazendo a limpeza. Tradição vitvinícola - de geração para geração. Depois do tour, uma breve degustação. Vinhos bem melhores, inclusive um Cabernet/Malbec rosé bem seco! Interessante...

Nestas alturas, ja tinha feito "amiguinhas": uma suíça que hablava español muy bien, e umas argentinas do meu albergue. Paramos ainda na igreja da Santa de la Carodilla, a protetora dos vinhedos. Comemos empanadas, e finito o tour!

A noite, saí para jantar. Andei, andei e acabei parando num lugar de massa. Só fiquei porque tava exausta, mas comi mal. Caí na cama e dormi feito un angelito. No dia seguinte, ia sair para um tour até o Aconcagua.

Mendoza, um caso à parte

Mendoza é uma província argentina (estado), e a cidade de Mendoza é a capital desta província. é a primeira região produtora de vinhos da Argentina em quantidade. Fica a 200 km de Viña del Mar (Chile) e 1400 de Buenos Aires. Assim que é mais perto do Chile.

Cheguei às 8:30 da manha, estava fresco (13 graus), e dava pra ver as montanhas - os respeitáveis Andes - sem neve. Me decepcionei um pouco. O albergue era dez, uma casona, com quarto legal, e um staff ótimo. Fiquei horas esprando para poder ocupar o quarto, e lá pelas duas da tarde saí para um passeio. A cidade estava deserta, era um domingão. Logo achei uma praça linda, com um restaurante que eu gostei da cara, em frente. Mas estava fechado. Andei um pouco mais. Almocei num lugar qualquer, e mal. Tava tudo fechado, então, "ja que sá tem tu, vai tu mesmo". Voltei pro albergue, sesteei, tomei um banho e saí de novo. Resolvi que ia naquele restaurante da Plaza Espana, pois tinha comprado a revista El Conocedor (a Gula deles) e o tal lugar estava recomendado. Porém, eu não tinha grana trocada - só dolar, porque eu sou fina..., e eles quase nao aceitam "tarjeta" de credito aqui. Entao me mandaram ao hotel Hyatt cambiar la plata. E lá no hotel (um prédio lindo) tive que ir até o casino. O que me broxou, pois de cassino, chega os dos navio.... Troquei o dinheiro e fui comer, la no LA TASCA DE LA PLAZA ESPAÑA. Se alguém um dia vier a Mendoza, não pode deixar de ir la.

Servico excelente. O dono me trouxe um livro sobre a cidade. Depois que souberam que eu trabalhava com vinhos, so me papacaricaram....

Tomei um Torrontes (Atilio Avena Y Hijos) 2003 excelente, acompanhando um plato de machas - um bivalve chileno (só existem no Chile) - afinal, Valparaíso é logo ali.... com molho de ervas e queijo. Perfeito! Depois, pescado a Don Carlos, uma mescla de peixes brancos com um molho de vinho branco, gratinado com queijo.... De sobremesa, pêssegos frescos cozidos em Malbec... Passei tão bem...

Isso tudo depois de comprar brinquedinhos de antigamente numa feira de artesanato na Plaza España.

Voltei caminhando pro Albergue, umas 6 quadras. Isso, prum paulistano, e uma dadiva por si só! Caminhar de noite na rua, sem preocupação! Dormi o sono dos justos (se não fosse o vento Zonda). Pero esso es otra historia...

sábado, setembro 04, 2004

Continuação...

Bem, o título do último post ficou sem explicação... Mas aí vem o porquê. Buenos Aires tem um ar europeu, sim, assim como Montevidéo, Havana... Mas a sujeira na rua não trai o traço latino! Ruas imundas... Como São Paulo!

Entretanto, com um café a cada esquina, podemos ver os portenhos lendo seu jornal e tomando seu café com medialunas - um tipo de croissant, típico - serido sempre com um copinho de água ao lado. Cafés excelentemente bem tirados, diga-se de passagem. E garçons empertigados, por todos os lados. E os cafés ou confiterias tem nomes Paris, Gardel, Piazolla, Espana, e por aí vai... Paris seria aqui se não fossem os argentinos...

Bom, dia 3 em Buenos Aires. Acordei moída, cheia de dores nas pernas e pés. Fui a Calle Florida trocar dinheiro, e sabadão estava bem mais tranquilo. Depois fui ao tradicional bairro San Telmo, tipo a Vila Madalena deles. Ruinhas cheias de antiquários, quase tudo fechado. A Feria de San Telmo acontece só aos Domingos. Resolvi almoçar num restaurante recomendado, e barato. Mesinhas grudadas umas nas outras. Pedi uma parillada para una persona, com chorizo (linguiça), chinchulines (a tripa leiteira do Pantanal, que por sinal é melhor que a daqui, pois o sabor da daqui é de queijo velho), riñones (ecaaaaa) e bife de tira. Pedi uma salada verde pra acompanhar, e ela estava bem suja. Assim que não valeu o almoço, mas foi barato. Nas mesas ao lados, dezenas de portenhos apreciando garrafas de vinho tinto barato misturado com água com gás.

De lá resolvi ir ao Parque Lezamo. Uma boa caminhada... O parque nem é tão bonito, mas o destaque fica para a igreja Ortodoxa Russa. Bem típica da Rússia!

De lé decidi ir a La Boca, conhecer o Caminito. Mas as ruas foram ficando cada vez mais sujas... E me disseram umas señoras a quem pedi informação, que perto do porto era perigoso. Ainda bem que nem tinha levado a máquina hoje.

Finalmente cheguei ao Caminito. Um lugar interessante, mas tinha um festival rolando, estava absolutamente LOTADO... E meu humor já não era dos melhores, pois estava exausta. Depois de tomar um café num barco-bar no imundo porto do Mar del Plata, tomei um táxi e voltei pro albergue. Me dei conta de quanto tinha andado...

Descansei, fui à Internet e liguei no Navigator. Estava tudo ok, o cruzeiro tinha sido estendido por 2 dias, e eles estavam navegando ao redor das Bahamas. Então fui ao Cafe Tortoni, o mais tradicional de Buenos Aires. Lindo, decoração original do começo do século. Comi um sanduba, tomei um café (nunca na vida tomei tanto café num só fim de semana)...

Na volta pro albergue, chuva... A primeira. E fui terminar meu Finca El Portillo Malbec no albergue, assisitindo a cobertura do furacão Frances no Larry King. Que salada cultural.

No dia seguinte saí cedinho pra Mendoza. Mas aí é outra história.

Paris é em Buenos Aires??? Na-não....

Well, e assim comecava meu segundo dia na terra do tango. Acordei tarde, pois fui dormir bebum. Fui tomar café, fiquei papeando com um casal de alemães que vai ficar viajando 4 meses por estes lados - menos Brazil, muy caro!

Já eram pra la de 11 quando finalmente saí, em direção a Plaza de Mayo - Bairro Monserrat. Tinha que chegar cedo lá, pois é na hora do almoço que começam as manifestações de piqueteiros (quem nao sabe o que esta rolando lá, vá ler jornal). Há umas duas quadras do albergue, atravessava a rua quando um velhinho me pede inofrmações. Peço desculpa e lhe digo que não sou daqui... Ele pergunta se sou brasileira, e aí começa.... Morou no Brasil, a filha mora na Alemanha... Me convidou para um cafá e eu aceitei, pois dizia o Guia da revista Viagem que assim eram os portenhos. Mas ai o vovô desatinou a falar e não parava mais... Eu olhava o relágio agoniada... 1 hora depois pedi desculpas e fui. Cheguei na Plaza de Mayo 12:30 e já escutava o burburinho. Um mar, um exército de policiais na rua, em frente a Casa Rosada, por todos os lados... A Casa Rosada tinha acabado de fechar para visitação. Aliás, ela é pink! Nem tirei fotos, pois deu medo. O clima foi ficando tenso, e eu piquei a mula. Me mandei para o Centro pela Calle Florida (a 25 de Março deles, só que o comércio não é popular). Peguei a Av. Corrientes (tem a ver com tango, mas não achei nada disso). Cheguei ao Restaurante Arturcito, 40 anos de tradição, o melhor bife de chorizo da cidade. E era mesmo. E destaque para o café expresso, com uma espuma tão cremosa que parecia de chopp. Durou até eu acabar de beber o café...

De lã, fui ao teatro Colón. Nem ia entrar, mas lembrei do Municipal de Havana ( Cuba), que tinha valido a visita. Então, por 7 pesos, vi o interior do teatro, desbundantemente belo!!!!! Um espetáculo por si... Ouvi um recital de violino e um ensaio de ópera. Quem for a Buenos Aires não pode perder este passeio. Já eram 3 e pico e voei, pela Calle Florida, até a Recoleta. No meio do caminho, um show de tango de rua, a música era La Cumparsita. Custou 2 pesos, muy bem pagos. Cheguei a Recoleta. Parecia com os Jardins, em São Paulo. A Av. principal, Alvear, parece a Oscar Freire. Salvatore Ferregamo, Escada, joalherias, etc. Nesta altura, o bife de chorizo já tinha sido digerido havia tempo. A barriga gritava arroz... E aí, era hora da famosíssima empanada do San Juanino. E óbvio, ao chegar lá, fechado! Mas o dono me abriu a porta e me vendeu duas empanadas (uma normal, outra picante, as duas de carne, claro). Ia ao cemitério dar um alô pra Evita, mas não deu. 4 horas de caminhada, 3 bairros, os olhos ardiam.... Tomei um táxi e voltei pro albergue.

Banho, e saí para comprar vinho no super da esquina. Um Finca El Portillo (Salentein) Malbec 2002 por 10 pesos. Que barganha... Vinho gostosinho! Aí jantei no resto (como dizem os portenhos) embaixo do albergue. Uma massa caseira, uma água, um copo de vinho ordinário... 12 pesos com serviço! Exausta, subi, abri o vinho e liguei a TV. Chegaram outros alemães, começamos a conversar, e de repente vi no jornal da Globo (na Globo Internacional) que a Florida seria varrida pelo furacão Frances. Entrei em pânico ao pensar no Navigator, que estaria em Miami neste mesmo dia, e na Ana Paula de Paula, que tinha me mostrado as proteções anti-furacão na casa nova deles. Como não podia fazer nada, bebi mais um pouco e fui dormir...

Continuo depois...

sexta-feira, setembro 03, 2004

Diários argentinos de Bacco

Só pra não perder a linha de raciocínio...

Estou de férias, pra quem não se deu conta, e resolvi viajar pra Argentina, pra conhecer uns vinhedos e vinícolas, e Buenos Aires, por supuesto. Bom, ontem meu vôo atrasou 2 horas, cheguei duas horas mais tarde aqui, mas tudo em riba. O albergue que estou é legal, bem localizado, dividido em duas casas, uma na frente da outra. Numa delas, dizem que o Borges costumava ler seu trabalho para o público.

Bem, me ajeitei, fiz um roteirinho básico com o guia que comprei no aeroporto, e decido começar com estilo, num show de tango. O guia trazia uma recomendação de Sergio de Paula Santos, um enófilo brasileiro, para ir ao Club del Vino. E aí me fui... Chegando lá, o tal do show era só para convidados... Mas a gerente me deu um convite, viva a boa educação dos portenhos. Era um show de tango sem dança, mas com uns músicos muito bons e uma cantora que parece que é popular por aqui. Bem intimista, bonito. Sentei numa mesa com um velhinho, que era o pai da diretora do espetáculo. Engatamos uma conversa, pedi um vinho - um Malbec 2001 de uma vinicola artesanal, muy rico!, o vovô pediu uns queijos... Foi legal... Depois passei pro restaurante pra jantar. Um lugar agradabilíssimo, com um cardápio bem interessante. Pedi de cara um cervo da patagonia, mas, claro, não tinha... Então, mudei pra morcilla (linguiça de sangue) com peras carameladas. Pra tomar, um blend de Shiraz Bonarda 2002 de uma vinícola de San Juan chamada Santos. Delicioso, mas aí eu já estava entupida. Mas já tinha pedido um risoto de funghi selvagem com alho poró doce, e pra tomar, um Tannat Merlot 2003, também da Santos... Maravilhoso! Estava tudo perfeito, mas eu estava realmente entupida... Deixei quase metade do risoto - o vinho eu acabei, é claro. E o mais assutador, pedi a conta... Esperei um susto, e assutei! 40 pesos, o que dava uns 40 reais... Em São Paulo esta refeição não teria saído por menos de 70 reais!!!

Voltei pro albergue estufada e de pileque, mas valeu... Se todos os dias forem assim, eu fico aqui pra sempre!!!!

sábado, agosto 07, 2004

Depois de um mês

Pois é, muita coisa aconteceu nestas semanas, mas poucas realmente importantes.

Por onde começar??? Vejamos: depois que o "amiguinho" sul-africano se foi de férias, tive uma maratona de degustações de vinho e estudo, pois para mudar de posição precisava estar pronta. Estava trabalhando no Ixtapa, depois me passaram para a Disco, The Dungeon, outra vez. Duas semanas trabalhando até as 4 e pouco da manhã, fazendo pouco dinheiro, mas me divertindo muito. Tenho um amigao húngaro chamado Norbert que estava trabalhando comigo, mais meu amigao Bozidar, sérvio. O Bartender do service bar era o Arnold, jamaicano, e o do front bar, Calvert, de St. Vincent. Como o front da disco é super movimentado, um montão de bartenders vem fazer back up. E vira uma zona. Pra começar que nos todos enchemos a cara (eu e o Norby, nem tanto, mas eles, ai,ai,ai...). Toda vez que servimos shots aos passageiros, os bartenders preparam um para nós também. E assim foram duas semanas: uma tequila para passageiro, uma para mim. E no dia seguinte tinha que acordar mais cedo e ir experimentar vinho! Uma loucura, mas só assim para aguentar o tranco... O bom é que é só na disco que rola isso.

Durante as duas semanas de trabalho na disco, briguei com minha ex-amiga Jocelyn, a chilena, por um motivo idiota. Ficamos duas semanas sem nos falar. Assim que minha confidente passou a ser a Lidia, uma mexicana. Com minha room mate as coisas iam bem mal. Ela pediu demissão, e nas últimas semanas estava cagando e andando para tudo, só queria saber de correr atrás de homem (s). A cabine estava um nojo, e eu decidi não limpar mais para ver até onde ela ia. Um belo dia, no crew bar, desabafei com meus amigos mexicanos (são vários): o papel higiênico tinha acabado, e era sempre eu a ir buscar mais. Ela nunca trouxe um rolinho sequer para a cabine. A pasta de dente da desgraçada acabou e ela passou a usar a minha - se pedisse, sem problemas. Mas sem pedir é f***. Como a idiota tirava a maquiagem com papel higiênico e óleo Johnson (que ecaaaaa), ela passou a usar meu algodão, já que não tinha papel higiênico. E o Ingmar deu uma sugestão: não trazer papel higiênico e ver o que acontece. Pois busquei papel higiênico para mim e escondi no meu armário. Escondi tambem a pasta e o algodão. Não é que a desgraçada levou UMA SEMANA para trazer um rolinho de papel higiênico e comprar pasta de dente, que aliás tem a venda aqui no navio? Eu não entendo como ela se virava. Até tirei minha toalha de banho do banheiro com medo que ela resolvese substituir!!!!!

A gota d´água foi o dia em que ela fez minha toalha de banho de tapete de banheiro. Quando acordei , tive tanto ódio que pegei a toalha dela, limpei o chão do banheiro e a privada (que não eram limpos há duas semanas!!!!!!), e pendurei de volta. No jantar deste dia encontrei o Ingmar e contei a ele. Ele sugeriu que eu fizesse pipi na escova de dentes dela, mas aí já era demais. Estava vingada com a toalha mesmo!

Entao a desgraçada se foi, faz 3 semanas, roubando alguns de meus Cds. Gracas a Deus, eram CDs gravados, mas que piranha. E os uniformes de wine tender que ela deveria deixar para mim, ela roubou, levou tudo embora! Que ela seja bem feliz la no inferno, a louca!

E então veio a coisa boa: quando a desgraçada se foi, eu fiquei no lugar dela. Sim, consegui minha transferência para wine tender. Nas últimas 2 semanas passadas, estou no Vintages, o wine bar, fechando. Ou seja, seja sea day ou port day, trabalho das 5 da tarde atá a 1 da manha). Moleza de vida, tenho provado todos os vinhos, já estou bem mais confiante!

A única dureza é que em uma semana mais, a partir do dia 14 (quando volta o amiguinho), eu passo a fazer os wine tastings sozinha. Estou estudando muito ainda, e pelo visto deverei continuar estudando sempre! Passo então a abrir o Vintages, um shift um pouco mais longo, mas em compensação estarei terminando o serviço no máximo às 10 da noite. Torçam por mim.

E amanhã chega das férias minha nova room mate, uma romena, também wine tender, mas é super gente boa. Depois que a louca da Alejandra se foi fiquei duas semanas sozinha na cabine! Maravilha.

E neste meio tempo todo, muita festa, festa, festa. Aqui dão festa para comemorar o aniversário do cachorro de alguém. Dining room party, casino party, gift shop party, spa party, bar party, e ontem foi Jamaican Independence day party. Wicked! Numa dessas festas, sobre umas cervejas a mais, fiz as pazes com a Jocelyn. Assim que quase tudo está voltando ao normal.

Depois escrevo mais sobre Fidel Castro e as Quinceaneras (note to self!)