Só queria registrar a minha satisfação neste momento histórico, que assisti, junto com mais uns estimados pela CNN 100 milhões de pessoas. Deu uma certa satisfação ver Obama, Biden e suas esposas dando adeusinho a Bush filho, que estava acompanhado de seu pai e mãe no helicóptero.
Foi um adeus representando um "Sai pra la, coisa ruim!" que muitos de nos deveriamos estar pensando - ao menos eu estava. Tanta coisa pra dizer neste momento, mas as palavras não saem. Ainda bem que estas imagens ficaram registradas... E agora, esperança de que ao menos se busque progresso em relação aos direitos humanos e ao meio-ambiente, porque de resto, a gente dança conforme a música!
Mas agora, o mundo no estado em que se encontra, vamos voltar ao trabalho (ou, no meu caso, a busca dele, enquanto o visto não vem).
Feliz 2009! Não posso deixar de colocar um post comemorando o ano que entrou já bastante auspicioso para mim - creio eu! E também quis analisar o ano que passou, pois faz um tempo que não olho prá trás...
Passei as festas do ano passado a bordo do Freedom, junto com o Lars, comemorando minha promoção para F&B Administrative Assistant (ou Assist. Administrativa de Alimentos & Bebidas), e estava feliz de, pela primeira vez durante todos os anos de navio, poder passar o Ano Novo sem estar atrás do balcão servindo os passageiros. Não que não tenha me divertido pacas fazendo isso, inclusive porque todos nossos misdemeanors (por exemplo, encher a lata de Perrier Jouet "emprestada", como nas fotos abaixo, com Lars, e com os parceiros de crime, no Reveillon de 2006/2007) eram perdoados. Mas foi bom botar meu uniforminho de officer e assistir a passagem de ano tomando uma taça de champagne que eu comprei, e não "peguei emprestada"! E depois o ano começou com tudo...
Janeiro a mil, e eu embarcada desde maio de 2007. Minha data de férias saiu, para fevereiro. Iria de férias junto com o Lars pela primeira vez! Também tive que dizer adeus a grandes amigos que nos deixaram para ir abrir o Independence of the Seas, a Cláudia, o Nanton e o Gerson, companheiros de Freedom desde os primeiros dias. Antes da partida, porém, pudemos comemorar meu aniversário juntos no jantar mais caro de todos os tempos, para nós, claro, no El Botín em San Juan, Puerto Rico. E este momento também marca o ano.
Em fevereiro fiquei em Miami 1 semana para um treinamento (ADOREI!), e no resto das férias fui para a Noruega conhecer a cidade, a família e a vida do Lars. Frio pra burro, mas foi genial! Nos divertimos pacas. Fotos alguns posts abaixo. Já tinha visitado países frios e com neve, mas aquilo foi o maior tanto de neve que já tinha visto... Então o sonho das férias acabou e tive que voltar ao trabalho, só para ter mais uma surpresa. Resolveram me promover de novo, desta vez para Assistant Bar Manager, posição que eu já vinha tentando conseguir há algum tempo. De repente, já tinha até minha própria cabine.
E os 4 meses de contrato foram um tanto conturbados, pelo fato de haver uma máfia de indianos infiltrada no negócio! E dois deles estavam doidinhos pra me derrubar. Mas como Deus é pai e meu santo é mais forte que os 300 milhões de deuses deles (ver um, post antigo de maio de 2001), eles não conseguiram. Por outro lado, me senti muito util e muito querida por minha equipe. Trabalhamos muito duro, mas nosdivertimos muito duro também, apesar de a vida no navio ter se ternado cada vez mais sem graça, devido a politica do álcool estar cada vez mais reforçada e de a vigilância ter aumentado. Passamos a fazer nossas festas mais fora do navio que dentro, e um de nossos lugares preferidos era Cozumel.
E um dia, conversando sobre o futuro, Lars me diz que não tem vontade de continuar nos navios, que tinha outras ofertas de emprego na Noruega, e me disse que gostaria que eu fosse viver com ele lá. Pensei por um momento, disse que sim e em julho entreguei minha carta de demissão, e o Lars também. Mais uma vez iriamos sair de férias ao mesmo tempo. Daí em diante foram muitas despedidas - por vezes dolorosas, mas como já havia comentado, tantos anos de navio, num ambiente de rotatividade imensa de pessoal, a gente aprende a endurecer o coração.
Cheguei em São Paulo dia 24 de agosto, e cancelei os planos todos de férias quando vi os preços de passagem. Fui correr atrás da minha ida definitiva para a Noruega. E descobri que as coisas seriam bem menos fáceis do haviamos imaginado. Comecei a correr atrás dos documentos em meados de setembro. E também resolvi aprender norueguês, já que estava aqui sem fazer nada. Encontrei uma professora particular fantástica. Procurei algum trabalho, sem sucesso. Além do que, Lars tinha planos de vir ao Brasil em Novembro, então não ia adiantar arrumar trabalho. E resolvi me matricular na academia para perder osquilos extras ganhos por causa das orgias gastronômicas em Cozumel e St. Maarten, e também no Freedom. A saga dos documentos para o visto para a Noruega ficarão para um post separado.
Em outubro fui a João Pessoa visitar meu amigo François, francês, amigo desde os tempos de Navigator of the Seas. Foi ótimo para dar uma relaxada. E na volta continuei com a vidinha besta - malhação, aulas de norueguês, e muita navegação na Internet. Então Lars me deu a ótima notícia de que viria passar o Natal e Reveillon aqui no Brasil. Já fui correndo fazer planos de viagem, e fiquei no aguardo, malhando, aprendendo norueguês e correndo atrás da papelada para o visto...
Em Dezembro uma semana antes do Lars chegar eu consegui ir ao Consulado Norueguês no Rio... # meses depois... E na semana seguinte ele chegou. Estávamos há 4 meses separados, o maior tempo que já passamos longe.
Levei o Lars passear no centro de sampa, Mosteiro São Bento, subir no Edifício do Banespa, almoçar no Mercadão, andar pela 25 de março no caos antes do Natal, Pátio do Colégio e Catedral da Sé. Ele conheceu meus amigos, foi levado a uma feijoada (coitado, em pleno verão), e então partimos para o Pantanal. Fomos visitar a Caiman, onde trabalhei há anos atrás. Passamos por Aquidauana, e chegamos na fazenda. Churrasco pantaneiro no café, almoço e jantar. Fomos fazer trilha, andar a cavalo debaixo de chuva, avistamos vários animais,alguns bem raros de se ver, passeamos de lancha no Rio Aquidauna, fomos ao baile de Natal dos funcionários da fazenda, encontrei muita gente do passado, foi genial. Na volta para Campo Grande paramos em Miranda e eu pude rever vários velhos amigos. Em Campo Grande Lars se divertiu tirando foto no orelhão de tuiuiú...
Foi muito divertido. Voltamos pra São Paulo na véspera de Natal, que foi passado com meu familião na casa de uma das tias... Lars sobreviveu a uma família grande e barulhenta, e ainda adorou o fato de poder estar com roupas de verão em pleno Natal... Próximo passo, Paraty, onde passamos o Ano Novo, que foi até bem simples... Jantamos no restaurante Thai Brasil, em restaurante fantástico no Centro Histórico, na mesma rua do nosso hotel, e enchemos a cara de caipiroska de melancia com hortelã chamada Melancolia... Saímos de lá muito felizes o jantar e fomos ver a queima de fogos da beira do rio.
Abrimos uma cerveja (não tínhamos champagne!) e celebramos o fato de não estarmos trabalhando no navio, mas brindamos em homenagem a todos os nossos amigos que ainda estão nos navios... Depois do fim da muvuca, demos uma volta pela cidade e fomos dormir, pois tinhamos um passeio de barco no dia seguinte... E no dia 2 fizemos um passeio de Jeep pelas cachoeiras e alambiques de cachaça em Paraty. Foi ótimo... Vídeozinho do Lars escorregando na Pedra do Escorrega...
Dia 3 pegamos um onibus rumo ao Rio. Chegamos e já fomos direto ao Leblon, e caminhamos até Ipanema. Mostrei a Rua Vinicius de Morais pro Lars. Dia 4 foi dia de Corcovado e Pão de Açúcar. Na volta fomos tomar várias cervejas ecomer sanduíche de pernil no Bracarense, um dos pé-sujos mais famosos do Rio. De noite ainda tivemos força para mais cerveja no Devassa de Botafogo, depois de jantar na Cobal no Humaitá. Dia 5 levei o Lars ao Maracanã. Chovia horrores no Rio, mas ele estava nas nuvens. Na volta nos perdemos um pouco no centro, mas logo tomamos um bus pro Leblon, pra beber e comer bolinho de bacalhau, desta vez no Jobi.
Dia 6 infelizmente viemos embora, e dia 7 ainda levei Lars para Campinas para fazer um tratamento de canal e depois almoçar na minha tia e conhecer a casa onde passei grande parte da minha infância. E ontem ele foi embora...
Engraçado é que relendo este post, parece que não foi tanta coisa que aconteceu... Mas encerrar meu namoro de quase 9 anos com a Royal Caribbean foi muito grande coisa, inclusive considerando que minha carreira estava aonde eu queria. Porém resolvi seguir meu coração e viver este amor, que veio tão inesperadamente. Vai uma fotinho de despedida, em frente ao Freedom em St Maarten, e o Freedom chegando em Nova Iorque para ser batizado em 2006. O que tem me matado é ficar sem trabalhar, mas tenho me ocupado como posso. Só me resta esperar, agora, o tal visto sair e correr pro abraço, começar a vida nova num lugar muito distante e diferente. Mas aos olhos dos outros, é isso mesmo que eu vim fazendo a vida toda, trabalhando no navio, vida que parece tão exuberante e excitante para os outros. Não me queixo, afinal, foram 47 países e mais de 88 cidades visitadas. Fora as oportunidades incríveis de férias espetaculares só proporcionadas com o dinheirinho suado ganho no navio, de gorgeta em gorgeta...
Agora, as vésperas de completar 35 anos de idade, me sinto orgulhosa pelas minhas opções de vida. A festa tá só começando... E vamo que vamo, rumo a 2009, de tropeço a tropeço com alguns acertos no caminha a gente chega lá!
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