segunda-feira, agosto 31, 2009

Fonte da junventude norueguesa - parte 1

Minha musiquinha levanta-ânimo, em 6 de agosto na Alemanha



e há 18 anos atrás, na grande turnê brasileira....



Agora, fala sério... O Paul largou mão de viver na Noruega e foi morar em Manhattan. Olha o que deu, é o mais fregadão dos 3. Já Morten (faz 50ão agora dia 14 de setembro) e Mags, continuaram morando aqui, e olha no que deu!

Será que o ar, a água e a dieta rica em ômega 3 me trará os mesmo benefícios? Fala sério, eu faria, na boa, um "lanchinho" de Mags e Morten, hoje, com muito kaviar.... Quando Lars viaja, eu sempre digo à ele que vou pra cama com meus 3 namorados! Outro dia alguém perguntou no Youtube o que que o Brad Pitt tava fazendo tocando teclados!!!

Só pra dar uma animadinha nas meninas... E em mim!

Parte 2 está em andamento. Prometo!

domingo, agosto 30, 2009

The Sea Sheperds, e uns outros heróis de verdade

Já fazia uns meses que eu estava pra publicar este post. Agora com a estréia da segunda temporada da série Whale Wars aqui no Animal Planet, foi a deixa que eu estava esperando. Perdão se ele ficar meio confuso às vezes, pois é uma verdadeira colcha de retalhos!

A Sea Sheperd Conservation Society, ONG baseada nos EUA e Austrália (para operações na Antártica) foi fundada em 1977, pelo canadense Paul Watson, que havia acabado de ser "expulso" do Greenpeace, do qual ele foi co-fundador junto com Bob Hunter, entre outros. Em 1971 Watson foi votado fora do grupo com 11 votos a 1, sendo o único voto contra o seu próprio. A alegação dos membros do Greenpeace foi de que Watson era adepto de métodos violentos demais. A coisa esquentou mesmo quando eles começaram a discutir táticas, e Watson era extremamente contra apenas "testemunhar e registrar a matança de baleias" sem maior intervenção.

Os Sea Sheperds tem envolvimento numa série de projetos de conservação e proteção, incluindo campanhas contra a caça irrestrita de tubarões por suas barbatanas e a matança de focas no Canadá. Mas a campanha que os fez famosos e gerou a série de tv foi a campanha pra impedir que baleeiros japoneses continuem exterminando até mil baleias (a maioria mink) nas águas da Antártica. A Antártica não é um país, é um território da humanidade, e não há governo pra legislar ali nem exército que proteja suas águas, e portanto sua fauna marinha.

Watson diz que eles não são um grupo de protesto (como o Greenpeace), mas sim de intervenção em atividades ilegais - portanto, muito mais agressivos. Ele prega que a caça de baleias em território antártico por parte dos japoneses é ilegal. Em 1986 a International Whaling Comission decretou uma moratória (suspenção) da caça comercial às baleias, e em 1994 as águas da Antártica foram declaradas santuário das baleias. Essa moratória ainda não foi cancelada.

O fato interessante - na época em que essa proibição foi decretada, Noruega, Peru, Japão e (na época) a União Soviética protestaram, já que a proibição não havia sido recomendada diretamente pelo comitê científico da IWC.

Existem exceções à proibição, entretanto - que a caça à baleias por grupos aborígenes que usam a carne para subsistência ainda fosse permitida, e a captura com fins científicos e de pesquisa também. Aí entra a suposta malandragem japonesa: eles vêm caçando baleias desde então, sempre alegando que para pesquisa e para manejo sustentável dos estoques... Existem imagens do próprio Greenpeace, de arpoadores japoneses com 5, 6 baleias mortas e esquertejadas no deck, e tripulantes japoneses segurando cartazes em inglês - para serem fotografados - "Estamos recolhendo amostras de tecido" ou "Estamos estudando conteúdo estomacal". Então seria preciso matar uma baleia inocente para estudá-la?


Clique nas fotos pra ser redirecionado à fonte, o site do Greenpeace. Veja mais fotos como essas.

Os argumentos dos japoneses são fracos, sempre contestados por todos os países que são contra a caça à baleia, e não são reconhecidos nem pela IWC. Eles dizem que a tradição de pesca de baleia remonta ao século 17, e que a proibição além de impedir o povo japonês de dar continuidade à essa tradição, é uma intromissão estrangeira. Eles citam o hábito americano de comer peru no Natal, e dizem que nunca condenaram isso, então porque os outros países condenam a eles? Já outros dados indicam que a indústria baleeira se fortificou no Japão durante a Segunda Guerra. As baleias eram uma fonte barata de proteína, aliás 80% da proteína consumida no período da Guerra, e que o hábito se fortificou ali. Enfim, é difícil julgar, um hábito cultural... E nesse caso também se enquadra a matança bárbara de baleias e golfinhos todos os anos nas Ilhas Faroe, território dinamarquês entre a Escócia e a Islândia (você já teve ter recebido um e-mail, tá circulando na net um mega-protesto. Os argumentos do protesto são válidos, a matança é brutal e desumana. Mas a cerimônia é tradição ali, e é herança dos vikings, que realizavam a caça anual dessa forma. Hoje os insulares de Faroe ainda comem a carne dos animais, ao contrário do que alegam os exagerados e-mails. Veja um vídeo documental, jornalístico e não-sensacionalista aqui. A barbárie começa aos 5 minutos mais ou menos. Infelizmente apenas em inglês). Os Sea Sheperds também atuaram lá em 1986, e desde 200o tem exercido pressão mundial pra por fim à matança.

Mas voltando ao assunto... Que os japoneses tem rabo preso, acho que é fato induscutível, bem como a Noruega e Islândia tem sua parcela de culpa nessa história. Agora, como atuam os Sea Sheperds? Pra quem já assistiu ao menos um episódio do emocionante show, sabe perfeitamente. Eles perseguem com seu navio, o Steve Irwin (aquele conservacionista australiano que tinha shows de tv onde se atracava com crocodilos, e que acabou morrendo ao receber uma ferroada de arraia no coração. O nome do navio é uma homenagem, aparentemente Steve estudava a possibilidade de juntar-se a Watson na luta pelas baleias), a frota de baleeiros japoneses pelos mares gelados da Antártica. Atacam os navios com um ácido orgânico extraído de manteiga, que fede à beça e contamina toda a carne que estiver à bordo com a pestilência, tentam tirar o arpoador da rota, enfim, eles auto-definem seus métodos como assédio. Chegaram até a colidir navios (veja neste post). Para o olho destreinado, parecem verdadeiros heróis. O vídeo abaixo, também em inglês, traz uma entrevista deles ao Larry King. Bem interessante...



Entretanto, de acordo com várias organizações também sérias - inclusive o Greenpeace - os Sea Sheperds são piratas, agem a partir do pressuposto de superioridade moral em relação a seus "inimigos". Muitos alegam que eles representam o tipo de atividade conservacionista que faz um sujeito se sentir bem, o faz se sentir um herói por gritar, espernear e até arriscar a vida pela causa que ele acredita ser justa - no caso dos voluntários - mas não tem substância. Já no mundo real, as ações dos Sea Sheperds atrasam diálogos e tornam o progresso das ações conservacionistas por grupos de protesto mais lento. Os japoneses agora se recusama ouvir falar em voltar atrás na caça ou mesmo reduzir suas cotas, pois os "piratas" Sea Sheperds tem cometidos ações criminosas contra eles. O progresso de qualquer ação conservacionista envolve trabalho árduo pra encontrar valores que e soluções práticas pra um dilema. Poucos são aqueles prejudicando os oceanos e ecossistemas que realmente desejem mal à eles. Em geral, existem razões pra que cometam tais atos (vide o caso das Ilhas Faroe), e em geral essas razões não são apenas ganância (apesar de que na MINHA humilde opinião, os japoneses sim se enquadram nesse quesito, ao contrário da Noruega e Islândia, que caçam aqui no Atlântico Norte e em geral consomem o produto da caça internamente).* Aqui na Noruega, os Sea Shepreds também não são bem vindos. Em 1992, eles afundaram o navio Nybraena na região de Lofoten. Um dos voluntários invadiu o navio, que estava aportado em Steine, e abriu válvulas na sala de máquinas, permitindo que o navio começasse a se encher de água. A tripulação estava entretida numa festa de Natal, em terra. O navio se inundou de água e se afastou do porto, eventualmente afundando. Eles afundaram outras embarcações baleeiras em outros lugares do mundo.

Como os Sea Sheperds, o Greenpeace também segue a frota japonesa pela Antártica, mas se restringem a filmar e fotografar a pesca, como evidência que sirva de base para possíveis discussões, ou mesmo pra divulgar pra imprensa. Eles não impedem a matança. Já nossos piratas ecológicos... A crítica de um grupo a outro é feroz, não há cooperação entre eles, mas a figura de Paul é sempre ligada ao Greenpeace, o que incomoda aos protestantes pacíficos desse grupo.

Seria fácil afirmar que qualquer ação é válida, mas a coisa que não é bem assim.

Agora deixo aqui um homenagem a verdadeiros heróis da natureza, pacíficos, articulados, ativistas à maneira deles. Apresento Daniel e Tietta, o casal 20 da região da Bodoquena e Bonito! Tietta recentemente escreveu um post sobre o tráfico de animais, especialmente papagaios. Se você, sentado aí lendo este bloguinho, for o orgulhoso dono de um papagaio, saiba que você é um criminoso e eu te abomino!!! Não culpe os traficantes de animais e muito menos o governo. Esse mercado existe porque gente como você, seu cretino(a), ainda está disposta a pagar dinheiro pra possuir um animal ilegal e cruelmente retirado da natureza. Por favor, leiam o post da Tietta e passem adiante.

Já o marido dela, Daniel, publicou recentemente dois posts de causar inveja a muito cidadão, "O Pantanal é o cara" e "Meu vizinho é um Parque Nacional". Leia, delicie-se, divulgue, se perca nas fotos dele... Os dois vivem na região de Bonito há vários anos (desde que trabalhamos juntos no Pantanal, entre 1998 e 1999), e tem realizado grandes trabalhos de educação ambiental. Gente de verdade, com trabalho e dedicação à natureza de verdade. Os dois vão aparecer no canal ESPN Brasil, no programa Caravana do Esporte e da Música, dia 20 de setembro às 19:30h. Canal 70/NET ou 30/SKY. Alguém aí do Brasa grave pra mim! A Tietta também tava na Globo no programa Terra da Gente.

* Nota - usei esse blog como fonte nesse parágrafo, fazendo tradução livre.

Free Foot of The Mountain in Latin America and in Brazil Petition

Free Foot of The Mountain in Latin America and in Brazil Petition

Só pra dar uma força pros fãs no Brasil e América Latina, se você gosta do a-ha e quer ter acesso aos álbuns deles sem ter que importar, assine a petição acima. Leva apenas 2 minutinhos. Aparentemente a Universal Brasil chegou a lançar uma tiragem de 2500 exemplares, de Fot of the Mountain, mas a Universal Alemã proibiu o lançamento aqui, por uma questão de direitos. Conversa pra boi dormir, me parece. Desculpinha de alguém que nãoquer contar os verdadeiros motivos. Só a maior comunidade do a-ha no Orkut tem 35 mil membros. 2500 cópias não dão nem pra encher buraco do dente, né...

Eu aqui, usando meu espaço por uma boa causa!

sábado, agosto 29, 2009

Bondens Marked

Bondens Marked é o tal mercado de produtos "caseiros", que os produtores vem vender na cidade. Tem feiras assim no país inteiro, inclusive uma vez li anúncio na revista Mat og Vin (Comida e Vinho). Nossa compra foi excelente. Sogra comprou apenas um queijinho. Já eu...




Não é barato não, mas comprei esse queijo de cabra fedidésimo à lá francesa - a geladeira está empestelhada, mesmo eu tendo empacotado o queijo 500 mil vezes!, geléia de rosa e de folhas de pinheiro, mel dessa flor roxa que tem foto nesse post (última foto), e lefse caseiro com queijo marron. Os vegetais estavam maravilhosos, mas carésimos. 5 coroas por UMA beterraba! Pensei que com 5 coroas se compra 1kg de beterraba no Brasa...

Além dessas, fiz outras compritchas com a sogra. Comprei umas forminhas que vão do micro ao forno pra fazer sobremesas e tortinhas, e já usei logo, e vou postar no Caderninho depois. Comprei um belíssimo prato de vidro pra dar de presente pra minha cunhada, para agradecê-la por tudo o que fez por nós no nosso casamento - estávamos atrasados com isso. E finalmente comprei uma nova luminária pra sala de jantar. No verão tava claro na hora do almojantar, agora vai começar a escurecer! O engraçado aqui é que quando começam as liquidações, é em tudo. Roupas, sapatos, artigos de decoração, móveis, até churrasqueiras e redes... Então é a boa hora de comprar. Depois das compras fui almojantar com sogra, cunhada e sobrinhos do Lars. Comemos sei frito, a sobremesa que preparei nas forminhas novas, e a cunhada adorou o prato de vidro... E assim se passou grande parte do dia em que eu estou de folga, mas sozinha!

***
Mudando de assunto, minha fadinha filipina veio me contar que segunda, 31 de agosto, é o dia para inscrição na Voksenopplæring (escola para adultos) daqui de Bodø. É lá que todo estrangeiro é obrigado a cursar 300 horas de norueguês para depois fazer um tipo de Toefl do norueguês chamado Norskprøve, para então poder aplicar para a residência permanente ou ainda cidadania norueguesa. Bom, voltando à fadinha, perguntei à ela se a irmã dela iria se inscrever, e Roselle disse que estava de folga e iria levar a irmã. Eu disse que também estava de folga, e perguntei se ela se incomodaria de me encontrar em algum lugar pra irmos juntas. Sem problema, trocamos telefone e tudo. Algumas horas mais tarde, ela me mandou uma mensagem de texto, dizendo que a inscrição começa às 6 da tarde, e que me encontra lá (porque, só pra variar, a escola é a 5 quadras de casa!) Ah, e disse pra levar o passaporte. Eu ainda acho que não é tão simples assim, pois o povo aqui da cidade é meio cri-cri com burrocracia, e considerando que ainda estou no meu visto de noivado, pois o de casada ainda não saiu, pode ser que eu dê com os burros n'água. Então, segunda pela manhã, vou à UDI (a imigração) levar a Certidão de Casamento definitiva e cópia do contrato de trabalho, pra ver se ajuda. Faz um mês que pusemos o requerimento, então tô precisando dar uma acelarada nas coisas.

Por outro lado, fico aqui pensando que não entendo esse desespero com a tal da escola. Nos fóruns e comunidades do Orkut, a mulherada (porque há apenas um ou outro homem que se envolve nas discussões) - que eu passei a acompanhar cada vez com menos frequência - já logo avisa pras recém-chegadas ou pras que ainda nem chegaram, que sem falar a língua é impossível adaptar-se - ou conseguir trabalho. Por vários motivos eu entendo e concordo, mas por outros acho que fazem mesmo tempestade em copo d'água. Eu e mais uma ou duas somos a prova viva de que nada é impossível. Claro que estudar a língua é fundamental, mas tem várias pessoas que sobrevivem sem precisar falar noruga no dia-a-dia. Depende da qualificação, do tipo de emprego, do setor em que atua, etc. Pode ser difícil, mas não é impossível não. Também depende muito do fator "a que se sujeita uma pessoa". Quem se sujeita a trabalhos mais básicos, digamos assim, talvez consiga se colocar mais rapidamente - eu ACHO.

A minha sangria desatada com a escola era pra poder arrumar um trabalho logo, pra poder contribuir com meu marido nas despesas, ter dinheiro pra poder viajar, ir pro Brasil quantas vezes sejam necessárias, comprar o que eu tiver vontade... Achamos que fosse levar mais tempo, mas como o trabalho veio, a escola perdeu um pouco a importância no presente momento. Primeiro, dá pra sobreviver com o norueguês parco que eu já falo, e que melhora a cada dia, por osmose mesmo. Segundo, eu não tenho A MENOR intenção de voltar a estudar. Admiro muito os acadêmicos - quem dera eu levasse jeito pra coisa. Mas a essa altura da vida, depois de 25 anos na escola, uma faculdade, mesmo que de curta duração, já feita, e uma especialização, digamos assim, CHEGA! Mestrado em Enologia? Doutorado em formas pós-modernas de administração de custos em cozinhas industriais ou não? Correr atrás de professor e orientador, estudar pra prova, a esta altura da vida? Só se eu talvez pudesse pesquisar os efeitos negativos do aquecimento global nos vinhedos da Borgonha, e tenho certeza que já deve ter um Zé estudando isso, lutando pra ser financiado, cheio de lobistas de Bordeaux com algum argumento contra o estudo, etc, etc,etc. Que papo chato, né? Prefiro é ler o trabalho do Zé quando ele conseguir ser publicado!

Não consigo entender porque alguns expatriados acham que melhorar de vida é ter empregão, cargão e carrão! Milhares deixam o Brasil todos os anos em busca de uma vida melhor. Aqui, no caso da Noruega, muitos acreditam que precisam ter um emprego igual ou melhor do que tinham no Brasil, não enxergando o que eu enxergo (talvez a minha visão da coisa seja muito romantizada mesmo) como vida melhor. Porque, em primeiro lugar, eu procuro nunca me esquecer que estou na posição em que me encontro hoje por causa das escolhas que fiz na vida.

Sem contar o que deixei pra trás nos navios, pois como já expliquei aquela vida é irreal... Saí de uma cidade féladapooota e ingrata como São Paulo. Com poucas possibilidades de retornar ao mercado de trabalho na posição pra qual tenho qualificação hoje - gerente de Alimentos & Bebidas, ou de restaurantes, empresas de caterig, etc. Alimentos e Bebidas em grandes quantidades, ou com muita qualidade, se vocês me entendem. Salários tão inferiores à realidade que as pessoas ainda preferem se aventurar no mar, por exemplo, pra mudar de vida (e começa assim o ciclo!). Caos no trânsito, falta de segurança, violência, excesso de ruído, excesso de poluição, sistema de saúde praticamente inexistente se você não tiver acesso à rede particular, que te quebrará um dia se o seguro não cobrir tal cirurgia. Pensão ridícula se você não puder pagar um plano privado. Impostos altos sem retorno. Políticos cretinos (mas isso existe no planeta inteiro, seguramente!)... Quer mais?

Daí conheço o amor da minha vida - não sei se já disse isso, mas quanto Lars e eu apenas nos paquerávamos, à distância, uma noite ele me olhou bem nos olhos, e eu disse à minha roomie Kristine (da Bulgária) que eu ia casar com ele! Ela rolou de rir. Então, quando casamos, era pra ela estar aqui, mas não conseguiu licença pra desembrcar... Então, conheço o amor da minha vida, e ele diz (depois que eu havia vindo pra cá de férias e conhecido o lugar) que quer vir viver na terra dele, junto comigo... Morria de medo que eu jamais aceitasse, porque a cidade é pequena e talz. Então, eu tive que sentar e refletir muito antes de concordar. Vou ser imigrante pro resto da vida. Check. Vou apanhar pra aprender a língua. Ok. Vai demorar até que eu consiga fazer parte do sistema. Ok. Vou viver ao lado da pessoa que amo. Checadíssimo, maior númeor de pontos! Vou viver numa cidade pequena onde não há congestionamento, não há transporte público muito decente porque não é necessário, e poderei ir e vir à pé ou de bicicleta. Check. Vou pagar impostos altíssimos mas terei um sistema de saúde decente que não me quebre caso fique muito doente e mesmo um pouquinho doente. Check. Poderei mandar meus filhos (se e quando tiver) pra escola sem perder o sono com o pagamento pela educação deles. Check. Vou poder me aposentar e desfrutar da vida com a dignidade merecida sem precisar contar moedas pra pagar os remédios pra pressão e coração. Check, muito check. Vou viver num país maravilhoso, frio pra cara***, mas que ainda assim é belíssimo, e a natureza é poderosa - bem o Brasil aí ganha, mas as montanhas, fjordes, florestas e o mar, ah, o mar, Check, check, check. Vou morar num apartamento que me possibilita ir à pé ao aeroporto mesmo com bagagem. Check... Alguém aí me entende? Pelo Lars, talvez até pra Zâmbia eu me mudasse... E ele ainda veio com todos os acessórios.

Então, não importa o tipo de trabalho, ou status social, ora bolas! Olha a vida que eu tenho!!! A escola de norueguês pode muito bem esperar. Já tive meu ano sabático mesmo, entre abandonar o navio e começar a trabalhar aqui foi um ano certinho. Tive tempo pra mim, redescobri a chama do meu amor pela cozinha, pude ressucitar esse bloguinho que conta, malemal, 10 anos da minha vida (quão interessante ela poderia ser, meldeus, a não ser pra mim mesma?). O grande negócio é dar tempo ao tempo. Afobação e stress, num lugar como esse, não tem espaço, nénão? Carrão? No dia em que eu tiver um carro, vai ser um Buddy. Pagar os olhos da cara de imposto? Sinceramente, não entendo o povo.

***
No mais, preparando a casa - e várias guloseimas - pra chegada da minha irmã com o marido na sexta. Que bom receber família!

sexta-feira, agosto 28, 2009

Pesquisando

Tenho feito considerações finais pra poder publicar o post sobre os Sea Sheperds, finalmente. Enquanto isso, sogra me levará às compras amanhã. Vamos ver umas lâmpidas em promoção (aqui quando resolvem liquidar é pra vender mesmo. Hoje comprei 2 abajures lindões por 100 reais! Agora posso me atracar toda noite com Sookie Stackhouse -True Blood, people, True Blood! - e todos os 7 livros da Charlaine Harris sem ficar com a vista incomodada por luz fraca!) Depois sogra me levará a um mercado de fazendeiros (uma vez por mês os fazendeiros vem à cidade vender seus produtos -mel, lefse, pão sueco, geléia, ovos, e se der sorte, vegetais , salames exóticos e queijos. Depois ainda vamos à uma peixaria especial comprar salmão fresco pra eu fazer mais gravlax pra esperar minha irmãzinha na sexta com um buffet!

E hoje é aniversário da minha mama... Mama, feliz aniversário, tudo de lindo pra você, e deixo aqui um presentinho... Beijo!!!


quinta-feira, agosto 27, 2009

Sozinha outra vez

Lars foi hoje pra Glomfjord, assim às pressas, na última hora, e fica até quinta que vem - véspera da minha irmã chegar aqui. Tínhamos programado dar um jeito da casa, já que tô de folga no fim de semana. Então, farei sozinha,e do meu jeito. Assim mando um montão de coisas que ele não usa e ocupam espaço lá pra baixo (temos um super porão embaixo do apartamento)!

Já são maisde sete da noite, mas já dei umas cochiladas vendo tv. Tava assim meio borocochô porque True Blood acaba em duas semanas, e daí, o que ver? Quando vejo no Animal Planet o anúncio da segunda temporada de Whale Wars. O que me lembrou que há tempos quero fazer um post sobre os Sea Sheperds, e nunca rolou. O rascunho tá guardado, vamos ver se com o retorno da série eu me animo... Eles são controversos, e há muita polêmica quanto aos métodos deles (pra salvar baleias na Antártida), mas são gente ou muito burra ou muito corajosa - e ao longo da série descobre-se que há os dois. Isso sim é reality show! É o tipo de TV de que gostamos aqui em casa. Aliás, o Animal Planet ganha em horas de audiência aqui em casa. Ah, mas deixa o Paul Watson (fundador dos Sea Sheperds e capitão do Steve Irwin, o navio em que eles navegam) saber que eu provei baleia em Landegode...





Ontem à noite assistimos ao "Ensaio sobre a cegueira". Sem palavras. Pra quem viu, já sabe. Pra quem não viu, que veja.

Amanhã é meu último dia de trabalho em agosto. Na semana seguinte tem salário... Temos planos pra ele, um deles, uma máquina fotográfica nova, já que a nossa se afogou e não se recuperou 100%... Veremos!

E só pra encher a paciência de quem não gosta, e deliciar a quem curte, vem aí o novo single do a-ha no Reino Unido, "Nothing is Keeping You Here". É uma versão remixada produzida por Martin Terefe, que trabalhou previamente com o Mags . Está bem diferente da original, que pode ser ouvida aqui. A foto aí ao lado é a capa do single, e foi tirada do grupo Pal Waaktaarfans no Facebook. Mais uma vez, música e letra do glorioso Paul Waaktaar-Savoy, ele é o cara mesmo ... O clip com a música foi disponibilizado pelo pessoal do a-habrasil.com.br no canal deles no Youtube. Obrigada à Samantha e ao Quissåk pelas horas de trabalho, sempre trazendo informações à nós, fãs doentes!




NOTHING IS KEEPING YOU HERE
The lights change on the hill
The air seems strangely still
Everyone's asleep
The floorboards creak at dawn
As you walk out on the lawn
The grass is wet beneath
You think it rather strange
You think it rather weird
It's fair to say that
Nothing is keeping you here
Nothing is keeping you here
Nothing is keeping you here
The phone is off the hook
As you sink into a book
You don't know where you are
From the world detached
Unto a girl you latched
It never got too far
And everybody's down
And everybody cares
It's fair to say that
Nothing is keeping you here
Nothing is keeping you here
Nothing is keeping you here
And everybody talks
And everybody stares
You knew your day to shine
Would come without you here
Come without you here
Nothing was keeping you here
Here...
Nothing is keeping you here

quarta-feira, agosto 26, 2009

Tantas coisas...

Então, pra começar, só contando que os dias tem amanhecido (a partir das 3 e meia da manhã) cor-de-rosa, coisa mais linda. Agora, com o celulr novo, dá pra tirar fota. O celu que morreu não tinha programa pra passar as fotos dele pro computador. A anta aqui foi baixar um programinha básico do site da Motorola, e o computador morreu. Tive que reconfigurar, perdi 13 G de música que não tinha back up sem contar fotos, filmes e vídeos. Motorola nunca mais! Pois é, voltando ao assunto... Como eu sei que os dias amanhecem cor-de-rosa? Porque eu amanheço junto, oras! Tenho me levantado às 4:45 da manhã, pois entro às 6 da manhã. A partir de setembro, parece que farei mais turnos da noite (das 15 às 23). Aí o problema é que não verei meu maridinho até o dia das folgas. Mas vamo que vamo, é din din na conta todo mês.

Segunda feira tivemos uma reunião do staff do hotel. Achei muita graça ver que todo o staff cabia numa sala de reuniões! No Freedom, uma vez por mês tinha Captain´s Meeting, que precisava ser no teatro... E lotava, óbvio... Então, mas a reunião foi em norueguês. A GG (Gerente Geral, GG é termo de hoteleiro) perguntou se eu entendia noruguês, disse que litt (pouco), e começou a reunião. Gente, foi uma hora de muita falação da parte dela e pouca compreensão da minha parte. Que nervoso, porque eu tava quase dormindo. Sim, porque depois que terminei o expediente tive que voltar, minha chefe me pediu pra ir. Só acho que ela esqueceu do detalhe do idioma! Enfim, entendo palavras soltas ao vento. Tipo, numa frase, reconheço várias palavras, mas elas voam ao vento, sabe? Deu pra sacar do que se tratava, afinal, alma de hoteleiro é alma de hoteleiro, né! Mas aquilo me motivou a esforçar-me um pouco mais. Agora até tenho conseguido manter diálogos básicos com os hóspedes. Por exemplo, se vem me pedir mais leite, perguntar se tem tal coisa, etc, eu entendo tudo. Às vezes respondo em noruga, às vezes em inlgês... Mas tem melhorado. Meus companheiros só falam inglês comigo, mas até quando?

Bom, meu serviço é extremamente mecânico. Se trabalho de dia, tenho que montar o buffet de café da manhã. Depois, se há conferência ou reunião no Centro de Convenções, devemos preparar o coffee break (frutas, café, chá, água). E depois, o almoço pro pessoal da convenção. Pode ser desde uma salada até um sanduíche. Hoje tivemos os dois... Além de preparar o almoço, também preciso desmontar o buffet de café da manhã, limpar tudo, guardar tudo, repor tudo pro dia seguinte, lavar toda a louça e panelas usadas, além das travessas e jarras, ufa... Depois preparar a comida quente do buffet de jantar e deixar do jeito pro turno da noite, preparar vafler (waffles - uma instituição norueguesa) que são colocados no buffet entre 3 e 6 da tarde, lavar a cozinha... Enfim, acabarei pegando o jeito e a cada dia você aprende um atalho pra te fazer completar as tarefas com mais eficiência. O mocinho que tem trabalhado comigo esses dias (é o chef do dia) é muito rápido, e com ele, sempre terminamos em tempo. Já com minha chefe, aiaiai. Ah, esqueci do detalhe. Enquanto preciso preparar e fazer tudo o que descrevi, ainda preciso correr ao salão e recolher pratose copos, talheres, depois lavar também. Na máquina industrial, claro. O turno da noite é quase igual, só que ao invés de café, preparamos o jantar.

Falando de comida... Outro dia encontrei um blog chamado Culinária Tosca. Morri de curiosodade, entrei e rolei de rir. O motivo por eu não colocá-lo no blog roll é porque o cara não escreve com frequência (ainda mais agora que virou papai), e a culinária dele é muito tosca MESMO! Mas amei o senso de humor... Então, o Tosco ia adorar a culinária do hotel, porque ela é tosca. Se resume a picar vegetais e frutas, e no máximo cozinhar arroz e pasta. O resto todo vem pronto, é só tacar no forno combinado. Pão, bolos, as carnes vem pré-cozidas e temperadas, tudo congelado, os molhos são pó, etc. Mas os hóspedes não reclamam não. Pelo contrário, o hotel tem boa posição no ranking do braço escandinavo da corporação, que é americana. Acho eu que o motivo principal é tudo ser incluso. Imagina, pagar uma diária de hotel que vem com café da manhã, lanche (os waffles são grátis) e jantar inclusos? Só nos destinos turísticos afastados, quando o hotel é a única opção mesmo. Mas um hotel no centro de uma cidade... Eu não sei disso não, e olha que sou da área, hein...

Mas notei uma coisa... Todo mundo nesse hotel faz de tudo. Os recepcionistas também cuidam do bar, o do turno da noite assa os pães do café da manhã pra mim... Então, a mão-de-obra é cara,e se faz mais com menos. Nos navios grandes, a taxa de tripulante/cabine é quase 1 pra 1. No nosso Clarion Collection Grand Bodø, deve ser tipo 1 pra 35, rsrsrs. Então, me sinto melhor. Todo emprego aqui é muito digno. E estrengeiros, somos 3. Eu, a Fada Roselle, das Filipinas, e Nina, uma russa adorável que trabalha comigo. Ela sim, tem dificuldade de falar inglês. O resto todo é noruga.

Então, um pouco sobre o trampo, pra quem queria saber. Por passar horas em pé, sempre correndo, tenho dores horrorosas nas costas (que foram destruídas por mim mesma, ao longo dos anos, nessa profissão ingrata que envolve muita carregação de peso... Especialmente nos navios) e nos pés, mas chego em casa, tomo um banhão, me atiro no sofá com as patas pra cima... E durmo! Cochilo feio! Tenho ido pra cama antes das 9 e meia da noite. Senão, não há cidadão que aguente.

E dando início à série "O que mais me irrita no noruegueses". Número um - PALITAR O DENTES APÓS CADA REFEIÇÃO. Pois é. No início, pensei que fosse só a família aqui. Notei isso ano passado, na minha visita de férias. Lars às vezes fazia no navio, e levava bronca, sem entender nada. Expliquei à ele que era falta de educação das bravas, ele parou. Chegando aqui, reparei que era a família toda após o almojantar. Nunca quis comentar isso porque achei que fosse só aqui e o povo ia ficar pensando que a família do Lars não tinha educação. Então, reparei que nos supermercados há sessões inteiras dedicadas ao item. Há palitos plásticos com formatos especiais que vem em embalagens de bolso, há caixinhas de palitos que vem embalados individualmente... Então comecei a pensar que aquele estoque todo, aquela variedade não poderia ser só pros Hareide... Notei que nos restuarantes sempre há palitos disponíveis. Tudo bem, no Brasil também. Mas o povo que palita os dentes sabe que é feio (e aqueles que tentam tapar a palitação com a mãozona na frente?). Sim, porque palitação de dentes é um dos meus pet peeves (uma expressão americana pra descrever aquelas pequenas coisas que lhe causam horror!), não suporto! Na minha recepção de casamento o povo foi discreto, mas os palitões tavam ali, esperando pra ser apanhados. A coisa só ficou realmente clara pra mim numa das minhas aulas. Meu aluno, Kjell (já passou dos 65 há tempos) perguntou como era o nome do paliteiro. Eu respondi, mas disse à ele que não palitasse os dentes no Brasil, que era considerado falta de educação. E a esposa dele solta um "Eu não te disse? Eu sempre disse isso, você nunca quis acreditar!!!" Então ela me explica que na Escócia também é falta de educação, e que ela havia proibido o marido de fazê-lo em público. Morri de rir. "Então isso explica tudo. É uma coisa norueguesa?", perguntei. Ela disse que sim. Em todas as casas as crianças já aprendem vendo os pais. E a pergunta do Kjell - se você tem comida no meio dos dentes, o que fazer? Eu respondi que se escovasse os dentes, oras. Mas e se estiver num restaurante, blábláblá... Não quis mais discutir, chamei a atenção dos dois pra voltarmos à aula! Esse meu aluno é de família rica, bem educado, estudou fora da Noruega... O que aqui não diz muito, afinal a Noruega é um país novo rico, né... E agora, no trabalho, a coisa que mais me pedem é tannpirker (palito de dente!). Todos os dias, umas 10 vezes no mínimo! Isso foi a última prova de que precisava pra confirmar que a palitação pavorosa é cultural.

Pras minhas leitoras do blog que moram na Noruega... Aí na sua Noruega também rola palitação de dente? (Não precisa dizer se na sua casa, mas no geral... Eu disse a verdade, sem vergonha, afinal, não sou eu palitando os dentes! Eles que são norugas que se entendam!)

Ah, e ontem enganei a todos! Disse que ia ver Julie and Julia, mas o que baixou foi um malware, isso sim! Então, tô tentando de novo. No lugar, vi - finalmente - "Vicky Cristina Barcelona", do glorioso Woody Allen. Não preciso dizer que amei, e a Penélope Cruz como a ex doidona mereceu o Oscar qaue levou. Javier Barden, que nem em sonho parece com o maníaco de "No Country for Old Men", está ótimo de latin lover. Woody é um dos meus favoritos, sempre, e mesmo que ele faça coisas fraquinhas, sempre adoro. Comédia da vida privada, aquele toque de humor que é pra poucos, excelente entretenimento. Aqui um aperitivo...


terça-feira, agosto 25, 2009

Enrolando

Mas quando chego do trabalho não quero mesmo falar dele... A fadinha filipina que tenho lá se chama Roselle, e me disse que ainda dá tempo de me matricular na escola, mas acho que não vou aguentar... Essa semana fui sozinha no Skattekontor, ou o Imposto de renda daqui, digamos assim, pegar minha documentação de imposto. Fui sozinha, com o noruga arranhando, e ganhei ajuda på engelsk (em inlgês, como eles dizem). Até que o susto não foi tão grande... Meus aluninhos, já concelamos duas vezes essa semana - se não sou eu, são eles que são ocupadésimos...

Assim que der tempo, vou começar uma nova série, "O que mais me irrita nos noruegueses". Tenho bom material, afinal, venho lidando com o público! Acho que vai ser divertida - e curta, pois os norugas não tem tanta coisa que irrita.

Já vi que a-ha não dá Ibope aqui, mas não tô nem aí. Preciso ouvir minha musiquinha pra acalmar. Como havia prometido publicar cada uma das 10 músicas do novo álbum (aliás, 9, pois a faixa-título já havia sido publicada assim que o single saiu), e ainda faltam várias, deixo hoje "Shadowside", música e letras do Paul Waaktaar-Savoy. Essa música será o segundo single, menos no Reino Unido, que terá outra música - a ser publicada em breve. Então, o grande Paul escreveu essa música pro pessoal do Stargate, um grupinho da música, liderado por dois norugas, que explodiu no mundo da música produzindo "coisas" como Beyoncé e Ne-Yo (dá até ânsia!). Graças ao bom senso, Paul desistiu de dar a música pros caras, e resolveu fazê-la uma canção a-ha. Linda, e baseada numa palavra norueguesa (skyggesiden) que significa lado sombrio!


SHADOWSIDE
The shadowside
You say I have
Is making everything
Go bad
You say I don't
Care enough
For all the things that
I have got
But I do
And I will
I don't want to see myself descend
Into the shadowside again
If you ever let me go again
In the shadowside I'll end
The shadowside
Where I go
I'm never where
I'm needed so
You say I don't
Give enough
That I don't care for
All I've got
But I do
And I will
I don't want to let myself descend
Into the shadowside again
If you're letting go of me again
In the shadowside I'll end
But I do
And I will
Yes I will
I don't want to let myself descend
Into the shadowside again
If you're letting go of me again
In the shadowside I'll end
In the shadowside I'll end

E esse post foi uma grande enrolação, enquanto esperava o filme "Julie and Julia", sobre a fabulosa Julia Child, pioneira da gastronomia francesa nos Estados Unidos, de quem tenho um livro, "Baking with Julia". Ela faleceu em 2004. E nem me critiquem por baixar. Se eu for esperar, só poderei ver o filme lá por 2011 mais ou menos! Vejam o trailer no Útúbio, o embedding está desabilitado...

segunda-feira, agosto 24, 2009

"I reached inside myself today..."

"Thinking there's got to be some way to keep my troubles distant, ohoohoh!"



Essa é uma frase da música "The Sun Always Shines on TV" do a-ha. Música aliás lançada em 1985, no álbum Hunting High and Low, e desde aquela época (24 anos) é uma das minhas favoritas. Se estou tristinha, e escuto "Touch me, how can it be, Believe me, the sun always shines on tv..." imediatamente um sorissão me corta o rosto! Esse não era o vídeo que queria por, mas não tô com tempo nem saco de mauitas edições. Então fica esse, Forgnerparken, Oslo, 2005. Veja comentário mais abaixo...

Então, o fim de semana terminou desastrosamente. No Sábado saímos para o Parken, dessa vez com menos indumentária de chuva. E, claro, o céu caiu sobre nossas cabeças. Aguentei firme. Já no meio do show do Big Bang, eu estava literalmente pingando. A capa de chuva não era forte o suficiente. E ainda por cima pingando na calça, que tava ficando molhada. Os bolsos, inundados. E neles, câmera e celular... Já imaginam, não é? Pois é, não dava mais pra segurar a irritação e fingir que tava me divertindo. Então, me despedi de meu marido (puta sacanagem cortar o barato dele, né? Que tá super acostumado com esses contratempos) e fui embora, bem antes do Röyksopp, motivo principal pelo qual comprei os ingressos. Tudo bem, paciência. Cheguei em casa encharcada, tentei secar celular e máquina com secador de cabelo. A câmera sobreviveu, ferida mas sobreviveu. Já o celular, Mortinho da Silva. Só pra amenizar a raiva, me fiz uma sanduba quentinho e meti no DVD um DVD do a-ha em Frognerparken em Oslo, em 2005, concerto gratuito patrocinado pela empresa Hidra. Um dos melhores registros do a-ha, eles estavam num baita fogo! Esperei Lars chegar, e fomos dormir cedo, porque ontem eu tive que trabalhar. Por isso a falta de tempo pra escrever.

Esse DVD do a-ha chegou junto com um pacotão que minha mãe mandou. Um jogo de cama da Zelo com edredon de casal (depois falo sobre o motivo) e os DVDs do a-ha que eu tinha encomendado, mais uns presentinhos da mama.

Entre eles, o filme "Across the Universe", um musical só com músicas dos Beatles. Pra quem AMA os Beatles, só as versões das músicas feitas pro filme já valem. Junte a isso um elenco fora do circuito principal de Hollywood (estrelas que ainda não estouraram, digamos assim), uma historinha de amor que seria água com açúcar se não estivesse inserida no contexto histórico americano, da época da Guerra do Vietnam, e participações especialíssimas de Bono e Eddie Izzard. Pronto! Entretenimento de primeira! Eu amei, o Lars gostou. Recomendadíssimo. Deixa Chicago de Havaianas, bem pra trás, em termos de musical! (Beservação - escrevi este post ANTES de assistir ao episódio 10 de True Blood. Dizia que a Evan Rachel Wood não era tão proeminente em Hollywood, pois fez mais filmes alternativos. Então, eis que a mocinha surgirá no episódio 11 como a Rainha dos Vampiros, Sophie-Ann... Aiaiai, que daqui a pouco a mocinha fará um blockbuster qualquer. Tão boa atriz...)

E como toda boa segunda, hoje é dia de True Blood. Escrevo-lhes este singelo post enquanto esperamos o episódio 10 terminar de baixar. E já comecei a ler o primeiro livro, Dead After Dark, apesar de já ter visto as duas primeiras temporadas. O jeito agora é correr com a leitura!

Enfim, esse post foi uma rapidinha pra dizer que tô na área, e que continuo lendo os blogs de sempre, às vezes sem tempo - e saco - de comentar. Minhas costas e pernas tem doído bastante ainda, então passo um tempão largada no sofá! Ainda bem que comprei todos os livros.... Volto em breve!

Ah, e tive que comprar um celular novo hoje. Foi o concerto mais caro de todos os tempos!


sexta-feira, agosto 21, 2009

Diabinhos e uma visita do Rei

Primeiramente, queria começar dizendo o quanto fiquei impressionada com a repercussão do post "O monstro está chegando"... Escrevi aquele post após o trabalho, tinha saído do hotel às 11 da noite. Na rua, um frio gelando os ossos, o maldito ventão féladapoooota de Bodø. Eu andando sozinha na rua às 11 da noite, coisa impensável pra um paulistano! Trechos do caminho muito escuros, deu mais medo de fantasma que de um ladrão... E a mente vagando pela escuridão da rua, e o diabinho safado sentadinho ali no ombro, falando, falando. Cheguei em casa, fiz um sanduba e me servi um copo de leite, sentei na poltrona do Lars (que nesta altura já roncava há tempos), assisti 5 minutos de tv enquanto devorava o sanduba, e de repente me bateu uma vontade incontrolável de escrever. Taquei o computador no colo e saí digitando. Nem pensei muito no que escrevia, foi mesmo um desabafo. Quando terminei e reli o post, matei a minha charada... Era apenas o meu consciente dando bronca no inconsciente, que às vezes insiste em dominar os pensamentos e acaba nos botando pra baixo. Acredito piamente em seguir os instintos, mas se deixamos os pensamentos negativos nos dominar, a vida fica bem mais difícil e triste. Haja terapia pra se livrar dos nossos próprios monstros.

Eu tive foi um momento de clareza, como disse minha mama. Meu pai tinha ficado até preocupado, achando que eu estava triste... Não estava. Não quero que o diabinho desapareça não, pois se temos lucidez e clareza pra lidar com eles, eles podem trazer muito bem às nossas vidas. Eles são um sinal de alerta, e avisam que talvez reflexão seja necessária. No meu caso, era!

Fico profundamente agradecida por todas as palavras de apoio que recebi, todas me tocaram profundamente - o que só aumenta a clareza com que vejo as coisas agora. E o diabinho não venceu, dessa vez. Mas logo logo ele acha outro ponto sensível pra cutucar. E assim vamos matando um leão (ou diabinho) a cada dia! Não consegui responder a todos os comentários, mas agradeço mesmo. Obrigada, gente boa!

Antes de continuar, vou dar uma saidinha pra dar uma espiadinha no Rei, que está de visita aqui em Bodø e volto já.

***

Então, só consegui voltar hoje, Sábado. Ontem estava de folga, mas saí pra dar minha aula cedo. Depois da aula os aluninhos me deram carona até a cidade, pois a movimentação pra ver o Rei era grande. Ele esteve aqui uma vez em 1999 e a última em 2007. Dessa vez, ele veio inaugurar uma nova ala e Centro de Operações Militares na Base Aérea. Aqui está o ponto de defesa mais importante da Noruega, e de interesse específico pra Otan, pela proximidade com a fronteira russa - acreditem, as atividades russas ainda são monitoradas de perto até hoje. Quase todas as manhãs pilotos da Força Aérea saem em exercício com seus F-16. Às vezes eu acho que moro no filme Top Gun, rsrsrs. Como o aeroporto é aqui atrás de casa, às vezes o apartamento até treme com o barulho.


Então, ontem, bandeiras enormes começaram a ser hasteadas no Centro, eu vi do ponto de ônibus. O Rei chegou (o Rei voa em vôos comerciais normais, não tem avião dele não!), e helicópteros da Base Aérea e os caças começaram a voar sobre a cidade, muito barulho, muito alarde. Depois chegou um navio e vários barquinhos estranhos. Às 2 da tarde, os caças simularam um ataque com bombas num forte antigo que fica em frente ao píer. E fui lá ver, pois um vizinho me disse (ao me ver andando na rua com o pescoção esticado olhando os 4 caças voando em formação e sorrindo pelo fator surreal da coisa toda) que 20 caças simulariam o ataque. Eu precisava ver isso! E fui correndo pro pier, eu e meia cidade (a outra meia cidade estava no porto, esperando o Rei). Então os caças voaram de 2 em 2, jogando umas bombas (imagino que de mentira), mas não foram 20 ao tempo. Fiquei decepcionada!


Mas foi muito curioso presenciar o nacionalismo dos noruegueses, a firula toda pra ver o Rei... Eu não tive saco de ir até o porto, tava chovendo e ventando. Voltei pra casa, fiz almojantar, Lars chegou e fomos direto pro Parken Festivalen. Perdi o De Lillos, assisti a uma banda sueca, uns gangsta rappers americanos horríveis, e The Hives.

Hoje, vamos pra lá às 4 da tarde, ver Big Bang, Röyksopp e Manic Street Preachers. Tem um live streaming aqui pra quem quiser acompanhar - no Brasil, a partir das 10 manhã. O festival se chama Parken porque é no parque da cidade. Ele é como uma cratera de vulcão, e o palco fica lá embaixo, assim é possível ver o palco de todos os ângulos. Mas antes de música, é mais um mega evento cultural. Chovia, havia lama pra todos os lados, ainda assim lotado. Um Bodøstock, digamos assim. Ontem viemos embora antes da meia noite, e paramos numa lanchonete pra comer uma comida trash pra não acordar de ressaca. Hoje, sem beber pois amanhã trabalho. Só às 5 da tarde, mas trabalho.

quarta-feira, agosto 19, 2009

O som do idioma norueguês

Pra quem queria saber... E olha que tem gente que diz que achou fácil! Pra quem não entedeu nada, mais uma vez o a-ha, dessa vez na abertura do Mundial de Atletismo na Alemanha. A música Foot of the Mountain foi escolhida como a oficial do evento. Até o a-ha sabia que precisava compor em inglês pra conquistar o mundo, rsrsrs!





Quer saber como soa uma canção na língua? Pois bem, apresento-lhes De Lillos, uma das bandas norueguesas que optaram por manter-se locais (afinal, a indústria fonográfica norueguesa conta com um mercado pequeno, apenas 4 milhões, talvez um pouquinho mais se considerarmos a Suécia e Dinamarca,cujos idiomas são semelhantes. Mas até onde eu me recorde, muitos brasileiros se viram tentados a gravar em espanhol pra agradar ao enorme mercado dos vizinhos, pois a semelhança do idioma naquele caso não era sufuciente, né?), e que eu vou assistir na sexta, na abertura do Parken Festivalen. Aparentemente, o boato que corre é que os caras são muito ruins ao vivo... Enfim...



Será que o a-ha teria feito sucesso se tivesse resolvido escrever em norueguês?

Um samba sobre o infinito...

Precisava registrar essa... A linda, maravilhosa, divina, fabulosa, escandalosamente talentosa, a deusa Marisa Monte ganhou dois troféus no Prêmio Multishow. Levou melhor cantora, e melhor DVD de música com Infinito ao Meu Redor. Tenho apenas o CD, então quando alguém quiser me dar um presente, aceito o DVD na boa! Assisti a um show dela (eu e minha querida amiga Ana Paula) em São Paulo, da turnê do Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. Ela abria aquele show cantando Roberto Carlos (Eu te amo, Eu te amo - veja o clipe aqui)

Então, deixo aqui uma das minhas músicas favoritas (que é do Paulinho da Viola), Para Ver as Meninas.



"Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito..."

Não é genial essa frase? Parabéns pra Marisa, e pra Dona Rita Lee, também maravilhosa e doida, que recebeu homenagem.


O monstro está chegando...



Esses dias de trabalho tem trazido também reflexão... Fui enganada no que dizia respeito à minha descrição de cargo, mas ainda assim hoje assinei o contrato. Enquanto lavava panelas, fazia sopa de pacote ou passava asiprador de pó no restaurante, pensava: "Olha eu aqui, 35 anos de idade, nessa situação..." Sim, porque o diabinho do ombro é, entre outras coisas, o diabinho da auto-sabotagem. E se um dia eu consigo afogá-lo, no outro ele aparece de novo.

Pois é, me formei na faculdade de hotelaria, e enquanto todos perseguiam A CARREIRA na hotelaria, fui fazer o curso de Chef. Me formei, e fui trabalhar - já como gerente - no Pantanal. Cansei, e resolvi ir atrás do sonho abandonado da cozinha. Sim, num navio da Royal Caribbean, mais precisamente o Splendour of the Seas. E me vi, um belo dia, picando alface e brigando com jamaicanos por causa de pratos! E pensei que não precisava daquilo... Daí mudei pro departamento de bar. E depois de um tempo também pensei que não precisava daquilo. Então saí da vida de navio e fui trabalhar novamente em SP como gerente de hotel. E de lá voltei ao mesmo emprego no Pantanal. E de lá voltei pros navios, pois era onde meu coração estava!

E nessa brincadeira, anos se passaram. Tenho colegas de faculdade (poucos, a maioria dos 60 da classe abandonou a profissão) que subiram muito, e hoje tem cargos bonitinhos como mandava o figurino da faculdade. Mas eu, eu estava trabalhando no navio, conhecendo o mundo. (47 países, mais precisamente! E esnobando sim, afinal, consegui ralando muito!). Até que finalmente achei um espaço dentro da profissão que me fez feliz como nunca - o mundo dos vinhos. Me matei de estudar com livros pra iniciantes, e depois fui aumentando o grau de profundidade, passando a almoçar e jantar as Wine Spectator que recebíamos toda semana. Fui pra Argentina de férias visitar vinícolas. Nas férias seguintes, fui pro Napa Valley fazer curso no CIA e conhecer a indústria mais a fundo.

Então me voluntariei pra ir abrir o Freedom of the Seas, novo navio da Royal - isso em 2006, pois a nova criança é a do vídeo lá do começo do post! Lá conheci o Lars. Após 3 anos com muito sucesso como Wine Tender, me ofereceram uma promoção e resolvi aceitar. No total, foram três promoções dentro de um ano. Parecia que todo o investimento - nos estudos, e do tempo - finalmente estava retornando. De cozinheira a Assistant Bar Manager, oficial de 2 barras e meia, com cabine só pra mim... Se tivesse insistido, talvez após um ano eu fosse Bar Manager... Carreirão e dinheirão. Contratos de 4 meses e 2 de férias. Bonus anuais e férias pra onde eu quisesse, sempre com dinheirão no bolso. Isso é o mais tentador, pois possibilita a realização de vários sonhos.

Ao invés disso, por amor e por acreditar que seria o melhor, larguei tudo aquilo pra imigrar pra Noruega. Foi opção minha, e muito bem pensada. Queria essa vida tipo "quero uma casa no campo". Colher frutinhas silvestres no verão, pescar o próprio peixe, comer a carne que o marido caça, um dia ter um jardim fabuloso, um forno de pizza de barro e uma churrasqueira pra queimar lenha de verdade, fazer a própria linguiça... EU ESCOLHI SER IMIGRANTE numa terra onde eu não falo a língua. EU ESCOLHI abandonar a carreira promissora no navio!

Preciso me lembrar disso quando estiver lá, passando aspirador de pó no restaurante e achando que aquilo está aquém de mim. Porque eu me saboto muito, sempre foi assim. Eu deveria estar pulando de alegria por ter arranjado um trabalho, e ainda por cima na minha área... Seria, se eu tivesse arranjado um trabalho como sommelier, ou ainda como F&B Manager, que é o que sou qualificada pra fazer. Ao invés disso, recolho pratos sujos de um restaurante de hotel, monto e desmonto buffets e salas de reuniões... Sim, eu poderia fazer o que minha chefe faz, e muito melhor, pois tenho não só a qualificação como a experiência. Mas como disse Cláudia num comentário desse post, são poucos os estrangeiros que conseguem, muito menos os que conseguem trabalhar em suas áreas. Me pergunto se um engenheiro aceitaria trabalhar como faxineiro, se fosse só o que ele conseguisse.

Mas aí, como sempre aparece uma fadinha, hoje conheci uma filipininha que trabalha no hotel. Sorrisão de filipina de orelha a orelha. Pra quem é familiar, "I'm prom the Pilipine", já que na língua deles, tagalo, não existe o som do f, e eles falam como p. Eu e Lars amamos filipinos (a equipe dele era toda filipina!), e alguns dos momentos mais doces e sublimes nesses anos de navios foram passados na companhia de filipinos. Então, a filipina do hotel me fez lembrar de todos os filipinos dos navios - no Freedom, de 1400 tripulantes, 350 mais ou menos eram filipinos - que tem diplomas universitários e acabam trabalhando como faxineiros, copeiros, barboys, e vão subindo aos poucos... Jonjon, um chefe meu (amava ele) tinha mandando um filho e uma filha pra escola de medicina e outro pra ser piloto de avião. Os orgulhos dele! Jonjon tem 40 anos de idade, 20 de carreira em navios, começou como copeiro na cozinha, hoje é Assistant Bar Manager. Ele vai abrir esse navio aí do vídeo. Aliás, ele abriu todos os navios da Royal desde o Splendour mais ou menos... E se eu e Lars estivéssemos ainda na Royal, provavelmente estaríamos indo abrir o Oasis também. Afinal, todo ser vivente que já trabalhou ou tomou um cruzeiro morreria de curiosidade pra ver essa maravilha ao vivo. E foi com medo que isso acontecesse conosco - não conseguir mais parar com essa vida de marinheiro - que eu e Lars decidimos jogar âncora. Então, é por isso que estou aqui passando aspirador de pó no restaurante, e sorte minha que ao menos isso eu consegui. E ao invés de conhecer o Oasis trabalhando nele, Lars e eu tomaremos noso primeiro cruzeiro nele. E graças ao meu emprego lavando panelas e fazendo sopa de pacote, isso será possível! Então, tudo tem seu porque, e se você beservar minha vidinha, perceberá que ando, ando, mas acabo voltando ao mesmo lugar. Está na hora de mudar esse ciclo.

(eu com alguns de meu filipinos queridos na festa de Natal do Freedom Bar Team, e Lars com os dele no Natal do Freedom Electrical Team, tudo em 2007)



Não tenho nenhuma aspiração em fazer carreira nesse hotel. Meu sonho aqui na Noruega é trabalhar no Vinmonopolet, a minha Disneylândia. Cercada por arte e beleza o dia todo! Sonhando com cada pedacinho de terra em que cada uvinha que foi usada pra fazer o néctar em cada garrafa cresceu! E ainda por cima ser funcionária pública, pois TODAS as lojas Vinmonopolet da Noruega pertencem ao governo! E vamo que vamo, fazendo o ciclo se completar. Da cozinha ao bar ao vinho, de volta à cozinha, e então de volta ao vinho!

Outra beservação: Esse post foi mesmo um desabafo, uma maneira de calar o diabinho. Pode ser que ele magicamente seja deletado, e logo.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Exaaaaaaustaaaaaa!

E por isso, gente, não tem dado pra escrever... Hoje levantei às 4:45 da manhã. Fazia 6 graus. Entrei às 6 da manhã hoje, às 14:20 já estava no caminho pra casa. Tenho ido e voltado à pé - são umas 6 quadras, ou 20 miutos de caminhada sem pressa - pra não chegar suando no trampo... Então, o serviço não é exatamente o que me foi "vendido"... Mas como hoje soube do quanto ganharei, fiquei muito feliz. O orçamento de casa dobrou, pois estou ganhando quase o mesmo que o Lars. Pra Noruega, é salário normal. Se converter pra Real, posso dizer que um sujeito que faz o que eu estou fazendo teria que trabalhar uns 6 meses pra ganhar o que eu tô ganhando. Mas aí essa semana vamos saber quanto vou pagar de imposto, e aí dá vontade de chorar. Mas tudo bem, não se pode ter tudo na vida!

Agora não tô afim de falar sobre o trampo, só digo que o fim-de-semana foi punk, mas aparentemente o movimento que teve o hotel nesse período só acontece uma vez ao ano. Ou seja, daqui pra frente não me assusta mais... Teve um campeonato de futebol adolescente nacidade e os atletas-adolescentes-montros estavam todos lá. Que ódio que eu tenho de adolescente. A vantagem é que aqui na Noruega não se engole sapo de cliente como nos EUA - nos navios, minha nossa... Me fizeram uma lobotomia - "Yes, sir, yes, mam, I will check for you, I will get it for you, blablabla". Aqui, se não tem algo que o hóspede quer, é dizer que não tem! Adorei!

Nos primeiros dois dias de trabalho o diabinho do ombro tava falando alto. Mas hoje eu dei fim nele, de vez. Outra hora explico.

Ah, os colegas de trabalho tem sido gentis e falado inglês comido. É um hotel, cheio de turista estrangeiro, então eles acabam querendo praticar e tirar dúvidas de inglês comigo. Mas estou segura de que logo logo eles desligam o botão do inglês. Já com os hóspedes, tem sido uma comédia, mas tenho conseguido me comunicar. O grupo de velhinhos hoje, todos fofíssimos, foi divertido... Entendo metade do que eles falam. A outra metade, pura linguagem corporal, sacomé?

Então, só pra dar uma luzinha... Hoje acordei cedo, chegando em casa fui lavar roupa, aprontar um rango rápido pra nós dois, e depois fui dar minha aula, e até perdi o programa Glamour Puds da BBC Lifestyle... Amanhã só entro às 3 da tarde, então pretendo escrever e explicar mais. Por hora, deixo uma música (do a-ha, claro!). Ah, e antes disso, antes que eu esqueça... Esse fim-de-semana acontece o Parken Festivalen aqui em Bodø, que eu Lars aguardamos desde abril. Conseguimos comprar ingressos pros dois dias inteiros, e vamos ver muita música norueguesa boa, como Big Bang, DeLillos, Royksopp, e música inglesa, sueca, americana... Enfim, tudo de bom! Depois faço outro post musical. No momento, a-ha e "Don't do me any favours", do álbum "Analogue", de 2005. A letra me bateu hoje, pois fala de não depender de favores... Agora eu estou muito independente mesmo! Letra e música em rara colaboração entre os 3 - Paul, Magne e Morten. (Beservação - o vídeo, único que achei, não é o da música, mas serve pra ver os mocinhos de quase 50 anos no palco de qq jeito)

E agora estamos esperando o episódio 9 de True Blood terminar de carregar pra poder assistir. Só mais 3 episódios pra terminar a segunda temporada, e daí dá-lhe esperar meses e meses por mais. Ainda bem que meus livros chegam em Setembro!



"Don't Do Me Any Favors"

You offer your assistance
But you won't accept my help
You draw your own conclusions
And there's room for little else

Your own participation's
Based on how much you can lose
I cannot help but feel
That this won't be of any use

Don't offer me your credit
Cuz I do not want the blame
Don't do me any favors
I don't wanna play that game

I do not want to see myself
As someone that you saved
I'd rather be your adversary
Than to be your slave

Cuz every friendly gesture
Turns my stomach inside out
Don't do me any favors
I am better off without

Don't offer me your credit
Cuz I do not want the blame
Don't do me any favors
I don't want to know your name

But it's alright
Yes it's alright
Yes its alright
Yes its alright
Yes it's alright

Don't offer me your credit
Cuz I do not want the blame
Don't do me any favors
I don't want to know your name

Don't do me any favors
Don't do me any favors
Don't do me any favors

Coz it's alright
Yes, it's alright etc

Ooh-don't give me any credit
Cuz I do not want the blame
Don't do me any favours
I don't want to see your face

But it's alright
Yes it's alright

sexta-feira, agosto 14, 2009

O sarcasmo nato dos noruegueses

Não ia mais postar nada hoje, mas aqui vai uma distração até que eu volte com novidades - se eu conseguir tratar a dor nas costar que vai me abater após algumas horas na cozinha - não é choramingo, é fato.

Uma entrevista com Mags e Morten do a-ha, maravilhosa - o entrevistador ajudou muito. Sarcásticos, irônicos, inteligentes, E gatões. Por isso amo esses rapazes. falam sobre drogas, a música de Morrisey e Leonard Cohen, e sobre o segredo de juventude de Morten residir no fato de ele ser um vampiro - que não morde pessoas, mas vai ao Banco de Sangue! Acho que Morten tá assistindo True Blood, rárárárárá!

Akira The Don Vs A-Ha - The Foot Of A Mountain Interview from akdonovan on Vimeo.


Último dia de fazer-nada

Bem, o fazer nada não é exatamente fazer nada, porque era cuidar da casa, aprontar várias na cozinha, ler muito e escrever bastante. Mas amanhã começo a trabalhar. Muita gente, como o meu pai, deve se perguntar "Mas porque raios não começar na segunda?". Bem, bem-vindos ao velho mundo da hotelaria, onde o seu momento mais ocupado são as férias dos outros! No meu caso, não serão as férias, mas os negócios. Sim, porque o hotel onde vou trabalhar é quase um business hotel, guardadas as proporções. Então, o Chef Executivo saiu de férias ontem, e esse fim-de-semana eles tem 170 pessoas no hotel. Vão precisar da mãozinha extra aqui, por isso começar no sábado.

Por pura coincidência, sábado também faz exatamente 4 meses que cheguei. Antes de vir estava com a idéia que conseguir emprego seria IMPOSSÍVEL, pois é assim que muitas brasileiras que moram aqui na Noruega em sua maioria pregam no Orkut. Que isso sirva pra mostrar que não é verdade. É possível trabalhar com o visto de noivado (que já é o próprio arbeidstillatelse, ou permissão de trabalho, assim que é colado no seu passaporte) e é possível arrumar trabalho sem falar a língua, dependendo da sua área de trabalho. Lembro de uma cretina que vivia berrando que o visto de trabalho demorava um montão de tempo pra sair. Só se o dela levou, pois o visto de noivado contém tudo junto.

Me impressionou muito o sistema todo. Por exemplo, ontem pela manhã, antes de sair pra ir dar aula, eu já recebi por e-mail meu cronograma de trabalho até o fim de setembro. E também um e-mail onde a gerente avisava pro hotel todo que tinha gente nova no pedaço. Achei simpático. Aliás, ela - a gerente, minha chefe, é muito simpática. Daí depois da aula eu tinha que ir até lá, entregar uns papéis. Ela disse que se eu comprovasse experiência anterior, poderia melhorar o salário. Tenho meu diploma de Chef Internacional e a tradução dele mais o histórico do curso, e o contrato de cook da Royal Caribbean, afinal, entrei de gaiata no navio, não descascando batata, mas picando alface no porão!

Mas antes uma presepada minha. Meu aluno me deu carona pra cidade (engraçado como eles sempre tem que ir à cidade depois da minha aula... Mas economizo o busão!). Era meio-dia, e eu tinha que estar no hotel às 13. Então, era muito cedo pra fazer hora pelo centro. E não que haja cafés e lugares gostosos prase esperar. Não, um expresso custa 20 a 30 pilas! Então, resolvi ir pra casa, deixar cadernos, dar uma refrescada na cara, e voltar. Levei 18 minutos do centro até aqui. Entrei, larguei umas coisas, penteei as madeixas, lavei a cara, sabe como é, né... Bebi uma aguinha, e saí de novo dez minutos depois. Pensei, tenho meia-hora, dá pra ir devagar, na boa. E resolvi fazer um caminho diferente, e com a cabeça nas nuvens, pensando na vida, não é que a cretina aqui conseguiu se perder? Não que tenha me perdido sem saber onde estava, mas acabei me distraindo e indo pra direção oposta. Quando vi as bandeiras do estádio de futebol, acordei do transe... Cretina, o que você está fazendo aqui? É pra lá que tens que ir! E ao tentar retomar o curso, não achava uma rua reta que me levasse à principal. Acabei dando uma gigantesca volta no quarteirão, mas ainda assim retomei a posição e cheguei 5 minutos adiantada no hotel.

Bem, o hotel, outro capítulo. A cozinha é minúscula, mas bem equipadinha. No café da manhã servem um buffet aos hóspedes. Depois, no almoço, só pra quem é hospede e faz o pedido do quer com antecedência. Ou seja, não é como um restaurante de hotel, que é aberto normalmente e qualquer transeunte pode entrar e resolver almoçar. Então é uma barbada, pois você sabe antes quantos vão comer o quê... E depois, no almojantar, outro buffet. Ontem havia dois senhores almoçando. O Chef, em seu último dia antes das tão sonhadas férias, estava de bracinhos cruzados, com as sobremesas já montadas, esperando apenas pra servir. Ah, detalhe... Ele cozinhando e a gerente servindo!

Conheci as instalações, que estão longe de ser um luxo, e deixam evidente a falta de mão-de-obra (e olhos) treinados em hotelaria. Outro dia vi uma tia na televisão dizendo que não se ensina na faculdade como gerir um hotel... "Coméqueé, cara pálida? Como assim?". Na verdade ela falava de um B&B (Bed & Breakfast) que era dela. Uns 10 quartos, no máximo? Assim até eu. Mas é justamente a falta de formação que leva certos estabelecimentos à completa ruína, especialmente na parte financeira e nas práticas de higiene e sanitização. Mas enfim, meus olhos treinados e a lobotomia que sofri durante os anos no ramo ainda estão muito ativos. Eu vejo as coisas com outros olhos.

Por exemplo, meu último navio, o Freedom of the Seas, tinha 1800 cabines (passageiros), carregando 4200 passageiros e 1400 tripulantes. A higiene é questão muito séria nos Estados Unidos, e a Vigilância Sanitária deles (o United States Public Health, do qual o CDC é um braço) não perdoa. E se você considerar que num dia de embarcação, 4200 passageiros deixam o navio até 10:30 da manhã e às 11:15 mais ou menos os outros 4200 entram, imagina a operação militar precisa pra estar com tudo pronto, e IMPECÁVEL! Acredite-me, tripulante ODEIA embarkation day! Ainda há o risco de o USPH nessa manhã embarcar de surpresa pra fazer a inspeção trimestral deles. Acredite-me, você tem que estar pronto TODA embarcação. Se o navio for reprovado, ele não pode deixar o porto. Imagina 4200 pessoas esperando no pier, em termos de indenização... Já aconteceu com o Freedom, por causa de epidemia de GI, e é uma catástrofe.

Em meu último contrato, como Assistant Bar Manager, eu e meu chefe francês (o Emmanuel de alguns posts abaixo), mais o Head-Bartender que estivesse em turno da manhã, começávamos a inspecionar os 32 bares e bar pantries do Freedom às 5:45 da manhã. Com uma lanterna de fazer inveja a qualquer farol de neblina, era um tal de abrir geladeiras e freezes, olhar cada material, cada copo, cada ralo, cada cm com minúcia, cada container, ler cada etiqueta, e se tivesse alguma coisa errada, ligar pro supervisor que tinha inspecionado durante a noite, pra que ele visse o que tinha deixado escapar e tratasse de corrigir antes que o navio fosse liberado (em geral 9 da manhã). Imagina como meus olhinhos são exigentes!

Então, tô acostumada com um padrão muito restrito e rigoroso, e o que sai dele me parece estranho. Além do que, por ser uma marca americana (Choice International) eu estava imaginando algo mais rígido. Mas não parece. Não que o hotel seja porquinho, muito pelo contrário. Mas os padrões não são os mesmos. Por um lado, ainda bem, não há tanto stress com isso. Por outro, aquela vozinha da perfeição , ou o diabinho sentado no ombro, não se cala, e eu preciso aprender a afogá-lo ou fritá-lo em gordura quente!

Depois fui com Lars no xópicents comprar mais uma calça preta (não sou muito fã de compartilhar calça de uniforme não!) e sapatos pretos confortáveis. O uniforme é todo preto (bom que emagrece!) com um avental verde-limão - não fui eu quem escolheu...

quinta-feira, agosto 13, 2009

A lição do busão virou uma memória de um micão!

Hoje de manhã chovia... E eu tinha que pegar o ônibus pra ir dar a minha aula. Saí cedo demais de casa - mania de paulistana - em SP, se você precisa estar em algum lugar às 9, saia duas horas antes! E ainda assim você vai se atrasar! Enquanto esperava, fui dar uma fuçada no centro turístico, dar uma olhadinha nas coisas. Achei um panfletinho com a história da cidade (reproduzirei em outra ocasião), dei uma lida, então lá vem o bus. Logicamente a motorista era a mesma! Dei risada ao olhar pra ela, porque me lembrei do vexame anterior. Porém, dessa vez, disse à ela, em noruga, "Bom dia! Mesmo lugar! " mostrando à ela o bilhete da viagem anterior, e já dando as moedinhas. Ela sorriu. Yey! Existe vida feliz atrás das direções de busão em Bodø...

E então, sentada no busão, lembrei de uma história gozada que resolvi contar - mais para futura auto-lembrança que por qualquer outro motivo. Afinal, esse blog conta minha vida (maomenos) há dez anos. E essa viagem foi meio pulada...

Pois é. Antes de conhecer Lars, eu tinha um namorado irlandês no navio. E em 2006 vim passar férias nas "Oropa" com ele. Passamos uns dias lá na terra dele, e depois saímos on tour. O primeiro lugar do tour foi a Hungria. País onde falam aquela língua que, de acordo com Chico Buarque (aprendi isso num blog, blog é cultura), nem o diabo compreende. Pouca gente na Hungria fala inglês. Se você seguir os guias turísticos e ficar em locais turísticos, é provável que não enfrente problemas. Mas o Leo era um sujeito muito descolado, e resolveu ficar num panzio, ao invés de um hotel ou albergue. Ele fez a reserva pela net. Panzios são casas de família, mais ou menos como se a família tivesse uma edícula nas fundos da casa, com cozinha, quarto, banheiro, entrada separada, etc. Um jeitinho pós-comunismo de famílias húngaras faturarem um troquinho extra. Eu super recomendo, mas... Em geral são longe das áreas centrais. Hoje em dia já existem panzios que são praticamente hotéis, mas o nosso era bem simples, um puxadinho acima da casa onde a família morava. Mas era enorme!

Budapest tem duas áreas principais, que são divididas pelo Rio Danúbio. De um lado, Buda, a parte mais residencial, cheia de colinas, e aqueles edifícios horrorosos da Era Comunista, que parecem pombais, e do outro Pest, a parte mais central, onde se encontram as atrações turísticas, a cidade antiga, a vida norturna... Então, nosso panzio era em Buda, e ainda por cima no alto dum morro. Pra ir à Pest, precisávamos pegar um ônibus pra descer o morro, andar um pouco, pegar um trenzinho que atravessa o rio, e dependendo do destino, então o metrô (um metrô sinistro, também da Era do Comunismo).

vista do Danúbio cortando a cidade - cheio de gelo se partindo com a correnteza

Fora que os nomes das estações de metrô levam minutos pra serem decifradas se você conseguir distinguí-las at all. Mas Leo era profissa, pois conhecia a cidade.

Então, quando chegamos à cidade, saímos do aeroporto de busão, chegamos ao metrô depois de uns 45 min, daí umas cinco estações de metrô, daí o trenzinho que atravessao rio, daí outro bus, e daí tínhamos o bus de subir o morro. Cadê que ele vinha? Pra ajudar, o telefone do Leo estava sem bateria, e era um Domingão à noite. Não havia muita gente na rua - e muito menos táxis! O que salvou a noite (tava bem frio) foi um MacDonald's do outro lado da rua. Entrei e sentei no quentinho, enquanto o Leo tentava se atirar de algum eventual táxi. 40 minutos depois,ele conseguiu. O taxista não falava inglês. Leo mostrou um mapinha impresso da net com a direção do panzio. Mais a subidona de morro, e voilá. O dono da casa achou que não chegaríamos mais.

Contamos à ele a saga, e ele disse que os ônibus no Domingo demoravam mesmo. Então, muito gentil, ele nos disse onde poderíamos comer algo - que não fosse McDonald's. Tinhamos que descer o morro de ônibus. Então veio o detalhe fundamental... Na Hungria você entra no buso pela frente OU por trás, o mesmo pra descer. Há umas maquininhas no buso onde você, honesto passageiro, picoteia o bilhete. "Tá, mas onde compra o bilhete?" e ele "Ah, hoje é Domingo, vocês não compram. Mas podem pegar o ônibus, não tem problema. Mas comprem bilhetes amanhã, às vezes aparece um fiscal, e se você não tiver bilhete, é multa." Ah, e em 2006 a Hungria ainda não havia adotado o Euro. E descemos o morro de buso, depois do jantar numa pizzaria, subimos o morro de buso, sem pagar, sem problema. Na segunda, descemos, ainda sem pagar, pois pra comprar bilhete, só na cidade e nas estações de metrô.


a sala do panzio - o lugar era imenso, e bem confortável

Então, depois de um dia inteiro pra cima e pra baixo de metrô, na hora de voltar pro panzio, lembramos do ônibus. E fomos ao caixa do metrô tentar comprar um bilhete integração. A caixa não falava lhufas de inglês, e nós, absolutamente nada de húngaro (aliás, eu aprendi a dizer "tim-tim" e um palavrão em húngaro, mas não ouso escrever!). Então, ela nos deu um bilhete de metrô e um cor-de-rosa. Presumimos que fosse o do ônibus.

Então, passamos a picotar o bilhetinho rosa no busão do morro. Até que na terça à noite, pegamos o penúltimo ônibus pra subir o morro, eis que sobe o fiscal. Nós pegamos os bilhetinhos rosa picotados e mostramos pro cara. O ônibus estava lotado, e o cara veio direto na gente - como que sentindo o cheiro de turista.

Ao mostrarmos o bilhetinho rosa, o cara começou a abanar as mãos que não, e Leo foi tentar explicar que comprou na estação do metrô, etc. Quanto mais tentávamos explicar, mais nervoso o cara ia ficando, gritando, agitando as mãos, abrindo a bolsinha de fiscal dele. Então, puxou um tabelão da bolsinha, apontou um preço lá e começou a escrever num bloquinho. Putz, multa, pensei.

Nessas alturas, o ônibus inteiro olhava pra gente, nós com as sacolinhas do mercado, acuadinhos no fundo do busão... Não restou nada a fazer, além de pagar, ué... O equivalente de 20 Euros por cabeça, uns 40 Euros.

Pra não dizer que ter ficado hospedado no panzio não compensou, pois se tivéssemos ficado num albergue em Pest talvez tivessemos gasto mais mesmo. Não lembro o valor do panzio, mas era muito mais barato que o albergue. E como essa viagem tinha ficado muito barata (de Dublin a Budapest de RyanAir por 18 Euros por cabeça - viu? Mais barato que a multa!), não reclamamos mais disso. Aliás, não tocamosmais no assunto. Mas não consigo esquecer da vergonha terrível que passamos.



E como sempre, tudo tem seu preço na vida. Budapest é uma cidade fabulosa, considerada a Paris do leste europeu, e deve ser incluída em planos de viagem futuros. Se resolver ficar num panzio, assegure-se que esteja localizado em Pest!