sábado, maio 29, 2010

Um pouco mais de ativismo

Mais uma coluna do Efraim Rodrigues (original aqui) que reforça a idéia da Annie Leonard, mas numa visão totalmente voltada para a realidade brasileira.

"Água dos bobos

Se a propaganda da mina de água limpíssima em meio a floresta o impressiona a ponto de comprar água engarrafada e achar que está fazendo bem para alguém, você precisa rever seus conceitos.

Há muita gente interessada em convencê-lo que você será mais limpo, mais bonito e até mais ecológico bebendo água engarrafada porque este é um mercado de mais de 10 bilhões de dólares em franco crescimento e baseado em matéria prima muito barata. Se algo nisto o fez lembrar das antigas propagandas de cigarro com barcos a vela e gente bonita, não foi por acaso.

Com a recente queda no consumo de bebidas carbonadas, as grandes engarrafadoras têm se mudado para este mercado promissor. Quando o Seu Zé do bar nos trás uma garrafa de água sem lacre você logo imagina que ele está lhe vendendo água de torneira. Não precisa incomodar-se, a própria Pepsi está fazendo isto. Em 2007 as ações da gigante tiveram uma queda brusca quando veio a público que sua marca Aquafina nada mais era que água de torneira. A única diferença com Seu Zé é que eles podem comprar a máquina que faz um lacre de plástico bonitinho.

Aqui no Brasil a coisa é um pouco pior. A Nestlé comprou todos poços de São Lourenço e não precisa, ao contrário da Pepsi, nem mesmo pagar a conta de água.

De toda forma você está também fazendo mal para você mesmo bebendo a água engarrafada. Como a garrafa é geralmente de plástico, você estará ingerindo disruptores químicos endócrinos que podem bloquear a testosterona, responsável entre outros, pela fertilidade masculina e o desejo sexual feminino. Os ftalatos, usados para deixar o plástico das garrafas e copinhos mais macio também causam problemas na formação de fetos. Leia o volume especial “The Plastic World” da Revista Científica Environmental Research de Outubro de 2008. A Professora Shanna Swan da Universidade de Rochester cunhou o termo “síndrome de ftalato” associado a pênis pequeno e má formação testicular. Até riria do nome da pesquisadora se não tivesse ficado desesperado.

Além do gasto e dos efeitos biológicos, a água engarrafada também desperdiça transporte e combustível. Não precisamos comer arroz do Rio Grande do Sul e frutas de Goiás, posto que todo nosso território é capaz de produzir frutas e grãos. Beber água transportada por caminhão é ainda pior, só se justifica em casos de calamidade pública. Se você não é um refugiado, compre um filtro de cerâmica onde a água ficará por umas horas perdendo o cheiro de cloro e beba uma água saudável, fresca, com flúor, barata para seu bolso e boa para o ambiente de todos."

E agora que deu tempo, queria também divulgar uma campanha abraçada pela minha fada inspiradora, a Claudia.

Se você fica put@ da cara ao saber que tudo isso de gente no mundo NÃO TEM O QUE COMER, clique no link, assine a petição, leia mais sobre a campanha, e veja o vídeo com o Jeremy Irons ficando Mad as Hell.

E aí, já saiu pra comprar seu filtro de cerâmica? Ou patrocina essa indústria enquanto gente na sua cidade, aí bem vizinho seu, se você mora nas Américas, Ásia ou África, PASSA FOME TODO DIA??????

quinta-feira, maio 27, 2010

Bloqueio

Tô sofrendo de um terrível bloqueio com as palavras - talvez excesso de assunto, não consigo me obrigar a contar nossa maravilhosa semana em duas (na verdade 3 se considerarmos o pit-stop estratégico em Oslo) maravilhosas cidades...

Já temos 24 horas de muita luz e tem sido difícil dormir - como ano passado. Hoje saí pra trabalhar às 5:20 com um solaço na fuça. Logo logo começa o sol da meia noite em Bodø. Mais um pouco ao norte ele já brilha ininterruptamente.

Comentaristas de plantão, saibam que são lidos e apreciados a cada vez, mas não consigo responder. Aos que visitam sempre e não comentam, não desistam de mim, eu tomo jeito logo, juro.

Falei muito pra quem tava bloqueada... Mas deixo aqui mais um comercial norueguês, hilário de tão infame... Me divirto moito!


terça-feira, maio 25, 2010

Sob o sol da Borboleta - parte 2

Para esse post terei que adiar o post sobre o 17 de maio e o diário de viagem. Depois volto com o túnel do tempo.

Sonildes já narrou nossa desvirtualização... Ficaram faltando fotas, que posto aqui.

Não sei se consegui explicar direito no post anterior, mas se você é leitor da Brabuleta, você a conhece bem. A delícia de conhecer de verdade é confirmar certas suspeitas de que temos mais coisas em comum do que apenas aquelas que já sabemos. Isso descobrimos no último encontro, num bate-papo descontraído sobre o que escrevemos- ou deixamos de escrever!

Foi um encontro de gente que parecia se conhecer há tempos, dado o fato de termos nos preocupado mais em compartilhar as companhias uma da outra (e de toda a galera altíssimo astral que tava lá na casa da Sonildes do dia do churras) do que ficar tirando fota!

Mas bem, no dia de nosso primeiro encontro, também nosso primeiro dia em Malmö, Sonildes deixou de ir a uma festinha pra nos levar pra passear. Passeamos sob o sol da Suécia, e depois fomos jantar. Conversamos bastante, até um ponto em que eu percebi que tinha tanto pra perguntar - e contar - e não ia caber no nosso tempo.

Depois fotos tomar solvete na praça, e já era tarde - 9 da noite, sol ainda alto - e nem vimos o tempo passar...






No dia seguinte, o dia do churras, era aniversário do Lars. Chegamos um tanto tímidos, mas logo a brasilidade se revela, e estamos ambos, eu e marido, em rodinhas de conversa... As amigas da Sonildes, Xu e Liana, sempre com ela, cujas fotas eu vi muitas vezes no blog, lá estavam, gente de carne e osso, ajudaram a transformar a tarde linda de sol e temperatura amena numa memória que não se apaga. A cereja do bolo foi a a torta de morangos perfumadíssimos que o maridón da Borboleta fez pra celebrar o dia do Lars e dessa memória... Sem palavras pra agredecer...

Lars e Gigi e a torta detonada


Sonildes com Ângelo, Gigi e o menino de belos olhos cujo nome eu esqueci...

Meu marido bem descontraído, sainda da festa, indo pegar o busão, com a lua quase cheia ao fundo... A Brabuleta mora no Campo de Batatas, que hoje não tem mais batatas. E até a saída de lá foi meio mágica, dada a beleza do lugar, a beleza do fim de dia, e a leveza de nossos espíritos.





Uma vista do Turning Torso e a vista do por do sol marcado por avião que provavelmente descia em Copenhagen, ambos do lado de fora da varanda da Brabuleta, na rua.

Depois fomos tomar uma saideira em Lilla Torg e olha só o visual na volta pro hotel... Sonildes, essa é a sua Malmö vista pelos meus zóios...



Por fim, no dia da despedida de Malmö, a fota de nós duas juntas em Lilla Torg, com a bandeira da Suécia querendo aparecer ao fundo...



Mal posso esperar pela pizza em dezembro na Vila Madalena! E antes que me esqueça, suas palavras me fizeram muitíssimo orgulhosa quando me disseste que eu influenciei a sua consicientização, e não caibo em mim... Não só por saber que uma gotinha de água pode causar uma onda, mas também por saber que uma pessoa que eu admiro muito escuta de verdade o que eu tenho pra dizer... E também quando disseste que sou apaixonada pelo meu noruga, claro!

sábado, maio 22, 2010

Sob o sol da Borboleta

Direto de Malmo, a terra da brabuleta... Estou sem tempo pra escrever sobre Copenhagen, a divina fabulosa cidade, mas posso dizer que Malmo é a pedida perfeita pra relaxar depois de lá. Tranquila, adorável, charmosa. Fácil de entender porque a Brabuleta adora essa terra...

Ontem saímos de CPH depois de aproveitar nossa última manhã em Christiania (quero muito falar sobre isso, mas vai ser bem lá pra frente) e almoçar numa das inúmeras microcervejarias da cidade, com direito à degustação de 5 cervejas. Então pegamos o trem, atravessamos a Storebelt Bridge, ou Oresundbron, olhamos do trem o lugarzinho onde passamos por baixo dela com o Freedom of the Seas, e pum! Estávamos na Suécia, e Borboleta ao telefone...

A foto é Wiki mesmo, pois as minhas foram feitas do avião na chegada a CPH, e ontem, do trem, obviamente não é possível tirar foto dela!

Chegamos no hotel, que achamos com facilidade, descansamos um cadinho e então fomos ao encontro de Sonildes e seu Angelinho. Engraçado como a gente imagina uma pessoa, e mesmo vendo fotos, lendo os pensamentos mais íntimos no blog, de repente a pessoa é diferente de como imaginamos? Pois com Sonildes isso não acontece, ela é exatamente como eu imaginava. Ela fala como escreve (ou escreve como fala?), ela é ela, gente! A única coisa que a gente não conhece é a voz... Engraçado isso, né?

Angelinho um tanto tímido no começo, depois começou a se soltar. O mesmo vale pra meu maridón, primeiro reservado, depois mais à vontade. Passeamos pela linda cidade, conversamos, jantamos, tomamos sorvete, ainda com muita luz às 9 da noite... Foi ótemo!

Hoje eu e Lars fizemos um passeio de barco pelos canais de Malmo e eu fiquei encantada com a cidade. Fiz vários vídeos pra levar os leitores da Borboleta pra passear em Malmo conosco, mas preciso voltar pra casa pra editá-los...

E logo mais vamos pra casa da Sonildes, pra um baita rasta-pé a moda brasiliansk... Infelizmente pra contar esse causo vai demorar um cadinho mais...

quarta-feira, maio 19, 2010

Oslo/Copenhagen - a quicky!

Quicky, de rapidinha mesmo... Porque essa cidade divina fabulosa maravilhosa que é Copenhagen me espera... Faz mais ou menos 10 anos que estive aqui a primeira vez com o Splendour of the Seas. Nosso hotel é MARA! Pela localização, gastronomia e tudo o mais... O IceBar by icehotels, um daqueles bares de gelo, fica aqui! É hoje!

Bem, a jornada foi longa... De Bodø pra Oslo, e então teríamos 7 horas de espera em Gardermoen. Então pegamos um trem e fomos passear em Oslo. Foi a primeira vez que vi essa cidade com sol, sem neve. A alta temporada ainda não começou, é possível ver os passantes apressados na Karl Johan, pois fomos ao meu local favorito, a WB Samson, uma confeitaria-padaria divina. De lá fomos a Aker Brygge, sentamos num bar-restaurante chamado Druen (uva em norueguês) e tomamos váááááárias taças de vinho, comemos mexilhões...

Bebinhos, corremos pra pegar o trem e ir pro aeroporto... Nossa maior surpresa: a revista da Norwegian tinha uma matéria sobre Copenhagen e suas microcervejarias... Já deu pra sacar, né? Começamos hoje por uma mega exposição de design escandinavo, e depois vamos pra Calrsberg direto! Eu preciso! Em Dublin fui direto pra St. James Gate, a fábrica da Guinnes, porque não aqui também?

Copenhagen tem bicicletas pra serem usadas por todos, à disposição... Você pega uma com uma moedinha, e quando terminar de usar, devolve a bicicleta e pega a moedinha de volta, como os carrinhos de bagagem nos aeroportos... O máximo! Em Oslo também tem isso, mas nunca acho as danadas... Aqui elas estão literalmente por toda a parte.

As fotos ficarão pra depois... Agora é hora de aproveitar o solzinho lá fora!

sábado, maio 15, 2010

Alt for Norge, ou crash course em como se tornar norueguês mais rápido!

Porque a Renata se interessou, eu fui fuçar no Youtube pra ver se tinha algum vídeo do Alt for Norge, a série sobre americanos descententes de imigrantes noruegueses, competindo pra conquistar sua "norueguesidade" e o direito de conhecer sua longínqua família noruga... A série é produzida pela TV Norge, e pra assistir via internet é preciso pagar. Mas uma alma boa disponibilizou trechos, ainda por cima legendados em inglês. É que durante o programa, os americans obviamente falam inglês, mas as explicações e as auto-tirações de sarro dos norugas são em noruga, claro.

Então, se esse é um blog que conta da minha vida na Noruega, e deve também contar algumas curiosidades a respeito da cultura desse povo tão peculiar, nada melhor que me utilizar de uma ferramenta já prontinha pra isso...

Abaixo alguns trechos interessantes, e que fazem parte do cotidiano norueguês... Esse vídeo fala do 17 de Maio... Quando a norugada toma 14 milhões de litros de refrigerante (são só 4,5 milhões de habitantes, gentem!) e devoram nada menos que 16 milhões de pølse med brød (salsicha com pão, vulgo cachorro-quente). O episódio explica também o Russ, sobre o qual eu até ia postar, mas acabei esquecendo... O Russ é uma espécie de rito de passagem para os jovens noruegueses, que estão prestes a terminar o equivalente ao colegial e partir então pra vida adulta... Aconteceu entre 1 e 17 de maio. Você começa a ver adolescentes vestidos com roupas vermelhas ou azuis ou pretas, todas decoradas com bandeiras e outras porcarias mais. Durante essa semana, esses jovens tornam-se pequenos delinquentes, enchendo o caneco por aí, correndo com seus carros também decorados com fita crepe, ficando pelas ruas até tarde, eventualmente bimbando com tudo e todos... É uma tradição, é normal, é aceito, faz parte da cultura deles. No vídeo, os aspirantes a norugas vão participar de um Russ - mesmo sendo muito velhos pra isso! E, numa coisa eles tem muita razão... Em qual país do mundo você veria dois ônibus lotados de adolescentes prestes a sair azucrinando, tendo esse comportamento animal até legitimado, estacionando no jardim do palácio real? Só na Noruega mesmo!



Deu pra sacar a merda que vira esse país em época de Russ? Porque eu me sinto tão chocada com isso quanto os americanos ficaram... Se eu tivesse filhos, não sei como reagiria a isso. Mas tudo bem, faz parte!

Nesse outro trecho, uma especialidade norueguesa, o rømmegrøt, sobre o qual falei ano passado. Só não mencionei que em algumas pessoas ele causa repulsa, pois o sabor é mesmo forte... Veja como os gringos se saíram... A tia que diz que adora é a única do grupo que mantém suas raízes norueguesas, e sabia o que era. Os outros se chocaram ao descobrir que aquilo era o jantar! E a cantora de ópera Maia não consegue dizer rømmegrøt (mais ou menos rêmegrêt), fica repetindo cromegot...



E aqui, um pouco do que nós, pobres imigrantes, somos obrigados a passar por... Norkkurs, curso de norueguês... O detalhe é que o R do idioma norueguês é latino, digamos assim. Ou ele soa R como no português, ou como no alemão, em algumas regiões da Noruega. Os americanos tem uma dificuldade imensa em pronunciar o R assim, já que os Rs deles são arrastados como os dos piracicabanos, por exemplo...



E então, eu já havia prometido falar sobre isso no post "Você está na Noruega há muito tempo se...". Nessa parte, os gringos tem que preparar matpakke, tradução literal, pacote de comida, ou a boa e velha lancheira... As crianças levam pra escola, os adultos levam o almoço pro trabalho, a família toda leva quando vai pescar ou esquiar ou passear na montanhas. Lars não vai trabalhar sem a dele. Existem produtos a venda nos supermercados em tamanho especial pra matpakke... Elaconsiste em geral do famigerado smørbrød, fatias de pão com manteiga e o que mais lhe convier. Na Noruega (e na Dinamarca, não sei na Suécia) não se come sanduíche - os sanduíches são todos americanizados. A versão local de sanduíche é um sanduíche aberto... Frios, queijo, pepino, pickles, caviar de bacalhau, o Nugatti, versão pobre de Nutella, e o tradicional salmão defumado com ovos mexidos são algumas variações. A maioria das lancheiras terá isso, mais uma fruta ou uma saladinha... Esse trecho está sem legenda em inglês, mas a narradora explica o que eu já expliquei... Eles tem à disposição os itens que em geral são levados como matpakke, e eles não tem idéia do que seja... Misturam coisas que não sabem o que são, doce X salgado...





Por último, outra iguaria norueguesa, essa graças à Nossa Senhora dos Imigrantes Brasileiros não é típíca daqui do Norte, mas do Sul e interior do país... Smalahove, ou cabeça de ovelha. Luciana já havia postado sobre isso há MUITO tempo... Enfim, agradeço pelo fato de esse prato não figurar entre os pratos típicos do norte da Noruega, assim não preciso enfrentar isso numa época de Natal qualquer. Não que eu me recusasse a comer. Mas é preciso calma nessa hora, e sem ter um monte de gente à sua volta, esperando sua reação. Sou a favor de experimentar de tudo. Mas que essa não seria fácil, isso não seria. Cabeça de peixe - especialmente bacalhau - isso sim é típico daqui da minha região. Ainda não provei... Veja os americanos cantando o hino norueguês pra criar coragem!



Queria muito que já houvesse vídeos do quinto episódio, quando eles vão passar o típico fim de semana no chalé... Mas quando subirem trechos, eu posto.

sexta-feira, maio 14, 2010

Férias merecidas e mais um montão de coisas...

Em primeiro lugar, queria pedir desculpas pela minha falta de disciplina em responder comentários - sei que é chato comentar para as paredes. Mas o tempo anda escasso... Mentira! O tempo não anda escasso nada, é que tenho passado muito menos tempo na internet mesmo... Enfim, prometo tentar me manter em dia com isso - na volta das férias...

Então, por partes... Terça feira fiz a primeira das aulas de auto-escola que resolvi tomar antes do teste prático. Primeiro, pra saber, de um instrutor, o que os examinadores realmente examinam. Segundo, pra aprender melhor as regras de trânsito daqui. Essas, apesar de serem praticamente universais, não são na cidade de onde eu venho, a bárbara SP (bárbara de barbárie no trânsito, isso que quis dizer). Terceiro, porque eu tirei carteira de motorista tarde na vida, e dirigi na maior parte do tempo no Pantanal - fosse nas estradas dentro da fazenda, fosse na estrada da fazenda pra Miranda (uma montanha russa de poeira - ou lama), ou na BR 267, nosso único caminho pra Campo Grande. Voltando, o instrutor é o dono da auto-escola, e fala espanhol e inglês muito bem, assim nos entendemos. 45 minutinhos dirigindo em Bodø, how hard can it be? Mas é, porque só penso no examinador que provavelmente só vai falar noruga e eu vou ficar nervosa e tals. Mas enfim, é mais uma burrocracia que está se resolvendo.

Falando em burrocracia... Meu visto vence em julho. Pra não correr o risco de ficar com visto vencido, resolvi - como sempre - fazer tudo direitinho e ir na UDI com o formulário de visto (alguém me ajuda com uma tradução pra application...). Entrei no site, procurei todas as informações e lá fui eu fazer cópia dos documentos, aquele CALHAMAÇO de novo. Fiz tudo, menos pagar a taxa, pois não sabia quanto era, e além disso é possível pagar lá na polícia mesmo (a imigração fica junto da polícia, ou melhor, dentro). Depois de quase uma hora de espera, aliviada por meu inseparável iPod, chegou minha vez. O agente de imigração que me atendeu olhou minha papelada, entrou no sistema, e perguntou se eu estava casada ainda... Disse claro que sim! E ele: Mas seu visto vence em julho... Porque você veio tão cedo? E eu pensei um grande "WTF?", mas respondi que não queria ser pega de surpresa, caso o visto demorasse. Ele disse que levaria 4 semanas... Na vez anterior disseram o mesmo, e levou três meses, mas não ia dizer isso pro moço, né? De todos os documentos, ele ficou apenas com o formulário e a cópia do meu passaporte. MAAAAAS... Aí ele me deu um papel que precisava ser preenchido por mim e por Lars, assinado pelos dois. Uma delcaração de que moramos juntos. Liguei pro Lars na frente do moço, ele disse que chegaria em 10 minutos. Enquanto isso, fui pagar a taxa de 1100 coroas (cerca de 300 e poucos reais). Lars chegou, assinou, entreguei e o moço disse apenas que se precisasse de algo mais, telefonava...

Narro esse fato porque antes de vir pra cá escutei tantos horrorres a respeito da UDI que dava quase medo. A verdade é bem mais rosa do que o que pintam por aí. É burocrático sim, mas anda e funciona. Ponto. Outro potencial problema resolvido.

Esses dias andei trabalhando pacas, quase não sobrou tempo pra mais nada. O cansaço impera, e o bodão na frente na TV toma conta do meu espírito. Temporada nova de American Idol (porque eu adoro música em geral - e essa temporada tá boa! Tem um mulequinho tiquinho de gente, 16 anos, com uma voz... Aliás, são todos bons. E tem a Elen DeGeneris no corpo de jurados, o que rende boas risadas.), uma série muito boa da TV norueguesa chamada Alt for Norge (Tudo pela Noruega), onde 10 americanos de raízes norueguesas foram escolhidos pra competir, e o vencedor terá a chance de encontrar econhecer seus familiares noruegueses . É um reality, mas diferente, menos óbvio. A cada semana, esses americanos passam por provas que são uma tentativa de transformá-los em mais noruegueses (já teve vilarejo viking, com direito a matar galinha, já teve chalé em área rural com direito a corrida de trator e festival de dança, e ontem, três coitados tiveram que esvaziar o banheiro de um chalé - tenho certeza de que já contei sobre as casinhas do lado de fora, né?). Enfim, esse show mereceria um post só pra ele, mas a grande L.Jay, do My Little Norway, faz a resenha a cada semana. Deixo pra ela, pois não tenho tempo agora. Entretanto, vale ressaltar que pra nós, forasteiros, o show é muito mais divertido que pros norugas, pois a percepção que os americanos tem daqui é a mesma que nós, com vários "WTF?", sendo que o que mais me fez rir foi o estranhamento ao ver uma foto da família real no banheiro do chalé. NENHUM norueguês jamais conseguiu me explicar o porque disso!

Hoje foi oficialmente o primeiro dia das férias que eu resolvi tirar agora, pois no meio do verão fica tudo lotado. Vamos terça pra Copenhagen, depois pra Malmo na Suécia. Enquanto isso, temos esse longo fim de semana. Ontem foi feriado (acho que Corpus Christi???) e segundona é o 17 de maio, o dia nacional da Noruega. Cheio de tradições. Ano passado estávamos no chalé, esse ano ficaremos na cidade, o que significa "botar a roupa de Domingo" e ir assistir aos festejos na cidade. Pra ilustrar melhor, m post da L.Jay, um da Raquel e um da Luciana, até que eu possa escrever o meu próprio.

Aproveitamos pra faxinar a casa (spring cleaning, tão precisada), arrumar o jardim, e íamos plantar umas plantinhas, mas o tempo mudou, resolvemos esperar... Vai que neva...

Por enquanto é isso.

quarta-feira, maio 12, 2010

Vamos acordar, galera!

Incrível como algo tão importante seja tão pouco comentado, em meio à reclamações sobre a seleção do Bunga, digo, Dunga, e um patriotismo exacerbado que acomete o braisleiro em véspera de copa do mundo (mas não em véspera de eleição, engraçado, não?)

A Denise, como sempre, foi a única a comentar... Repasso porque não é de agora que venho me oponho à tudo que envolva essa publicação. E confesso, quando abro um blog e vejo que a pessoa tem em sua lista de links um blog de algum colunista da Veja (especialmente o Boçal Mainardi e o Tio Rei), eu dificilmente voltarei a visitar esse blog. Porque a vida é feitade escolhas...

A Abril demitiu o Editor-assistente da National Geografic por criticar a Veja no Twitter... Leia tudo aqui, aqui e aqui.

E nem pense em perder seu tempo vindo defender a revisteca (ou a editoreca) pra mim. Vou considerar trolagem. Não há NADA que possa ser defendido! E antes de continuar pagando por essa revista, conheça o que o Nassif tem a dizer sobre ela, e entenda como ela vem ajudando a mascarar certas verdades ao longo dos anos. Depois faça suas escolhas, a minha tá feita há muitos anos...

segunda-feira, maio 10, 2010

Só pra não perder o a-hábito...

Pois é, os três heróis noruegueses estão agora na perna norte-americana da turnê de despedida.

Os primeiros shows aconteceram no Nokia Theater, em Times Square, NY. Há pouco material disponível no Youtube, e aparentemente os concertos foram meia-boca, pra um público de 2000 fãs - um deles esgotado. Numa das noites, havia 7 bandeiras brasileiras no teatro, mostrando que os fãs do a-ha tem esse traço meio fanático. Teve gente que saiu do Brasil no fim de semana só pra ir assistir ao show.

Os shows americanos começam com um interlúdio de música e imagem, e eles abrem o show com Foot of the Mountain, e vão tocando os sucessos em ordem inversa de idade, digamos assim, indo do último álbum pros hits mais antigos.



Set list:
Foot of the Mountain
Bandstand
Analogue
Forever Not Yours
Minor Earth Major Sky
Summer Moved On
Move to memphis
The Blood That Moves The Body
Stay On These Roads
The Living Daylights
And You Tell Me
Scoundrel Days
The Swing Of Things
Manhattan Skyline
I’ve Been Losing You
Cry Wolf
The Sun Always Shines On TV
Hunting High and Low
Take On Me

Enfim, também li que Morten cantou mal "pacarai" - dá pra sacar como ele errou FEIO a letra de Early Morning (uma das minhas músicas favoritas do a-ha) e o Paul deu uma zoiada emputecida nele! Claro, é a casa do Paul, a cidade dele! E Morten ainda meio que ri depois... Enfim, amei o arranjo acústico com xilofone. Também amei o guarda roupa, os três podres de chique.



E minha eterna queridinha, essa música muito lindinha, And you tell me...




Em Summer Moved On, ele desafinou no aaaaaaaaaaask tanto que deu uma certa vergonha alheia... Mas afinal, herrar é umano, né não?

Pra quem ver o show todo, aqui nesse canal do Útubio.

Foram três shows em NY, hoje logo mais é a vez de Toronto, depois Chigaco e LA... E aí eles voltam pra Zoropa. I´ll catch you in Tromsø, boys!

Ah, e antes que eu me esqueça: comemorando os 25 anos da banda, os álbuns Hunting High and Low e Scoundrel Days estão sendo relançados em edições especiais, remasterizados, com várias demos, etc. Quer me dar um presente, já sabe!

sexta-feira, maio 07, 2010

Coluna Ambiente Por Inteiro de Efraim Rodrigues

Pra refletir um pouco... As colunas do Prof. Efraim podem ser lidas no Jornal de Londrina aos Domingos. Reproduzo suas colunas com permissão dele, que pedi por e-mail.

"Estou aqui de passagem, este mundo não é meu

As facilidades da vida moderna fizeram com que qualquer um da classe média de hoje tenha mais confortos que um rei da idade média. Imagine o trabalho que dava para ter banho quente e suco gelado no castelo, mas quem hoje está feliz só com chuveiro quente e geladeira ?

Mas quero ir além do chavão corretíssimo da ganância que gera dano ambiental.

Nem o rei da classe média nem o da idade média se relacionam com estas coisas que aparecem como que do nada. Eles não são da sua rua e aliás nem de rua alguma, como me lembrou nesta semana a música de Arnaldo Antunes.

Comidas se materializam em prateleiras refrigeradas nas lojas, pessoas são transportadas morro acima em caixas de metal com rodas, roupas sujas são limpas depois de passarem um tempo em uma caixa. Na idade média isto só aparecia do nada para meia dúzia de eleitos. Todos outros estavam trabalhando para fazer a mágica acontecer e mais importante, estavam conhecendo e experimentando materiais e tecnologias.

Como as pessoas podem saber sobre o impacto que a energia elétrica causa para ser gerada se a luz se acende magicamente ? A luz do candeeiro era muito mais cara que a atual: tinha que carregar o óleo, acender, era muito fraca, então precisava de uma quantidade enorme de óleo e candeeiros. Porém, ao lidar com a origem daquele recurso as pessoas construíam uma relação com ele e principalmente usavam os recursos com mais eficiência.

Ao não nos dissociarmos da origem de tudo que nos cerca, nos tornamos estrangeiros em nosso próprio mundo. Nada ali nos interessa porque não nos diz respeito. O governo força a barra para construir uma hidrelétrica ? São Paulo mais uma vez privilegia o transporte individual ? A Nike mais uma vez tem problemas sociais com a produção de seus artigos ? Nada disto nos diz respeito porque terceirizamos tudo que nos diz respeito. Comida, água luz, energia. A única preocupação dos reis de hoje é ganhar o suficiente para pagar tudo isto.

E qual o mal desta situação ?

Tem uma pesquisa sobre a coleta de lixo na cidade de Sommerville – Massachusetts, onde morei por dois anos, mostrando que as pessoas de lá separavam menos o lixo que a vizinha cidade de Cambridge. Seria fácil dizer que isto se deve a Cambridge ter moradores mais ricos e por isso mais educados. O problema é que a diferença perdura mesmo quando se compara famílias similares em ambas cidades. A grande diferença entre elas é que há muitos estrangeiros em Sommerville e poucos em Cambridge.

Estamos todos nos tornando estrangeiros ? "

Deixo aqui a música do Arnaldo, cantada pela Marisa...



PS - troquei o vídeo depois de me dar conta de ter colocado o errado!

quinta-feira, maio 06, 2010

Você está na Noruega há muito tempo se...

Nunca havia parado pra pensar em nada disso, até porque estou há apenas um ano aqui. Mas num fórum de expatriados na Noruega encontrei isso, resolvi traduzir e editar um pouco, além de acrescentar notas.

Quem me conhece um pouco sabe que, por causa do meu histórico de vida, detesto e abomino preconceito e generalizações, mas nem eu escapo de cometer algumas generalizações, mesmo depois de 9 anos vivendo num meio com tanta gente tão, mas tão distinta. Só quem já trabalhou no mar pra entender o que é um refeitório repleto de gente de umas 60 nacionalidades ao mesmo tempo, certo?

Pra quem nunca viveu no mar, resta imaginar que é o caos, mas garanto que, pelo contrário, é o exemplo perfeito de que todos os povos poderiam viver em paz, e que o ser humano é mais tolerante do que se imagina. A coisa muda de figura quando interesses políticos e economicos estão envolvidos. Mas é possível.

Por isso sempre evitei generalizar os norugas, até porque norugas que vivem no nortão aqui são diferentes dos norugas que vivem no sul, os dialetos, alguns hábitos, etc.

Mas... lá vai!

Você sabe que está há muito tempo na Noruega quando

-você acha que não existe tempo ruim, só roupas inadequadas

-você associa mingau de arroz com sábados ou véspera de Natal (na meu caso, mingau de arroz não desce ainda...)

-parece muito agradável a idéia de passar uma semana numa pequena cabine de madeira nas montanhas, sem água ou energia elétrica

-parece razoável que a idade mínima pra entrar nos night clubs de Oslo seja de 25 anos

-você acredita que cross-country ski seja a única forma real do esporte

-você não acredita que tem gente que (inclusive EU!!!!) que não sabe quem é Bjoern Daehli

-você conhece ao menos 5 palavras diferentes que descrevem os diferentes tipos de neve (ainda num cheguei lá)

-quando um assopro ao contrário (pra dentro) faz parte do seu vocabulário (isso acontece na Irlanda também!)

-você associa sexta-feira à tarde com uma visita ao Vinmonopolet (a loja estatal que vende todo o álcool na Noruega...)

-é aceitável almoçar às 11 e jantar às 15

-o seu hall de entrada parece uma sapataria

-silêncio é divertidoSilence is fun

-os motivos pelo qual você pega um ferry boat pra Dinamarca são
a. vodka duty free
b. cerveja duty free
c. pra festar (sem motivos pra descer em Copenhagen, apenas virar o barco e fazer tudo de novo) - essa última é prática comum entre os mais novos, e mais ao sul. Diz muito sobre a juventude norueguesa, rsrsrsrs

-já parece razoável gastar mais 800 c0r0as em álcool numa única noite - de novo, e infelizmente, essa também é real e tambpem diz muito sobre os jovens noruegueses

-você gosta do sabor de lutefisk - o bacalhau curtido em soda cáustica...

-você usa "Mmmm" no meio das conversas

-temperatura de 9 graus é amena, no meio de junho (não, não, não, com isso é mais difícil dese acostumar)

-você usa sandálias com meia

-anadar de bicicleta na neve é totalmente normal (com ou sem pneus pra neve)

-jantares tradicionais não necessariamente envolvem uma refeição quente

-é aceitável enrolar uma salsicha numa panqueca fria

-você não se lembra direito quando dizer POR FAVOR ou COM LICENÇA... (essa também diz muito sobre os onruegueses, já que POR FAVOR não existe no idioma dele. Eles usam a expressão vær så snill, que significa seja bonzinh@...)

-você possui vários cachecóis

-você tem vários gorros, ao menos um deles tem abas tapando as orelhas

-você sabe a diferença entre cera azul ou vermelha pra esquis

-você não cai ao andar no gelo (vixe, acho que pra essa eles nascem com essa habilidade!)

-você sabe preparar peixe de 5 maneiras diferentes que não requerem cozimento (eu já domino três dessas artes!!!)

-você sabe o desempenho da Noruega nos três últimos Eurovision (nesse caso, não aqui em casa, pois meus leitores já estão C-A-R-E-C-A-S de saber o que achamos de Eurovision aqui!)

-você começa a acreditar que se não fosse pelos esforços noruegueses, o mundo estaria pior do que está agora...

-você fala meio-sueco com os suecos

-você não questiona o hábito de sempre preparar lancheira (eles chamam de matpakke - um dia explico melhor)

-você conhece 105 maneiras de preparar arenque

-você come arenque de 105 maneiras diferentes

-você conversacom as pessoas na rua quando faz -10 graus!

-ingressos numerados no cinema fazem todo o sentido. E você senta no seu número mesmo que a sala esteja completamente vazia.

-é normal tomar sorvete quando faz -15 graus

-você usa a palavra "ou" como uma pergunta (Eller?)

terça-feira, maio 04, 2010

Parem o mundo que eu quero descer!

Cansei... Por isso tenho dado um tempo da Internet, sério mesmo... Falta de assunto generalizada, essa época parece que tá tudo suspenso, esperando alguma coisa realmente significativa acontecer...

Essa melda de tempo, essa primavera suspensa que chega nas propagandas, nas prateleiras dos supermercados, mas efetivamente, tem NEVADO ainda por aqui. A neve não chega a acumular, pois logo em seguida chove, daí sai sol! o_0 Que saco isso!

No fim de semana fomos pro chalé, ficamos de bobeira assistindo a chuva, lendo, ouvindo música (meu iPod se encheu de ouvir a-ha e pifou! Agora fica no Shuffle Songs e não desliga disso, coitado!)... Sábado botamos o barco na água só pra deixar o pobrezinho tomando chuva e neve... E pescar nele, agora provavelmente só em junho...

Em duas semanas tiramos férias, Copenhagen e Malmö - passagens compradas, hotéis reservados - e Sonildes, estamos na área! Já passei EMBAIXO da Storebelt Bridge, agora vou passar POR CIMA DELA! Também tava querendo ir (ingênua, eu!) ao Noma, um restaurante em Copenhagen ultra famoso por celebrar a culinária escandinava usando as mesmas técnicas que tornaram o Ferran Adriá famoso - a gastronomia molecular. Pra quem não sabe nada disso, assista ao fabuloso Anthony Bourdain tentando entender a culinária do Adriá aqui.

O que isso tem a ver com o Noma? É que mês passado o Noma tomou do El Bulli de Adriá o título de melhor restaurante do mundo... Um jantar pra dois custa cerca de 2 mil coroas dinamarquesas - fora as bebidas e os extras. Então, vai ficar no sonho, né? Tipo tirar foto na porta só pra mostrar a passagem pelo monumento, como fiz com o Taillevant em Paris... Vida de chef pobre é assim mesmo! rsrsrs Deixa, Rene Redzepi, que eu vou comer churrasco com Sonildes, você não!!!

Por enquanto fico aqui, lendo meu milésimo livro sobre vinho. Pra quem gosta, esse é do Neal Rosenthal, o importador mais picky da costa leste americana, com sede em NY. Chama-se Reflections of a Wine Merchant, e conta de sua vida de visitas aos produtores na Itália e França, a busca por terroir e a verdadeira expressão do local em cada vinho que ele escolhe vender, e ainda analisa o sistema atual de pontuação, apontando suas falhas e banalidades. Um bom livro sobre vinho, pra quem gosta de vinho.

É isso, sem novidades! Espero que minha chatice passe logo... Entretanto, tenho visitado vossos bloguinhos, mas se não deixo comentário é porque não tenho mesmo muito a dizer...

PS - Não poderia deixar de dividir a sensação de alívio que uma notícia como essa me trouxe, e que a Jux, do Dolcinha, foi uma das únicas a comentar! Leiam!