Apos uma longa e tenebrosa epidemia de GI (Gastrintestinal Illness) agora posso dar um update na situação.
Então, cheguei no Freedom no dia 19 de novembro, com o rabicho entre as pernas, pois a cada pessoa de quem já havia me despedido, tinha que explicar porque eu estava de volta tão rápido. Tinha deixado o navio em agosto. E só pra desenterrar assombração, neste mesmo dia o Leo, o ex irlandês, tambem deixava o Freedom para sempre. Sua irmã, que eu conheci na Irlanda, o estava esperando desembarcar no mesmo local que eu esperava para embarcar. Mas o re-encontro foi normal, morno até. Já havia passado muito tempo... Houve um pequeno porém... O navio estava com uma epidemia de GI, com 350 casos, portanto, o pessoal a bordo deveria sanitizar o navio inteiro antes de deixar novas pessoas embarcarem.
PAUSA PARA EXPLICAR O TAL GI
Na America do Norte, principalmente nos meses frios, existe um virus chamado Norwalk Virus, que causa doença gastro-intestinal (diarréia e vômito) e é facilmente transmissível. Uma pessoa infectada precisa somente tocar uma superfície para infestá-la. Outra pessoa que toque a mesma superfície e ponha as mãos numa mucosa (olhos, nariz e principalmente boca) irá contrair o virus e desenvolverá os sintomas dentro de no máximo 72 horas. É uma infecção, que pode atématar crianças e idosos. O CDC (Centre for Disease Control & Prevention) calcula que anualmente mais de 50 milhões de pessoas só no hemisfério norte sejam infectadas. Feio, né? O pior é pensar que muito dessa facilidade de transmissão tem a ver também com FALTA DE HIGIENE PESSOAL.
Mas os navios são sujos? Escuto esta pergunta - que ja ficou besta, pra mim! - sempre. Então, pense num virus-zinho que esta ali infectando um povo que já não lava a mão com a frequência que deveria. Pense numa pessoa indo ao banheiro público com diarréia, e tentando se limpar. Então o papel higiênico rasga e a pessoa acaba tocando suas proprias fezes,s abe? Fezes estas que são uma sopa de vírus, diga-se assim. Então ela, com as fezes+virus nas mãos, vai tocar a descarga. Depois vai abrir o trinco do reservado, e - SE ELA FOR UM MINIMO LIMPA!!! - vai então abrir a torneira para lavar as mãos. Mas em banheiros públicos todo mundo lava as mãos com pressa, certo? Então ainda vai ter um pouquinho de cocô virulento na mão da pessoa, que vai então tocar a porta de saída. Onde esta pessoa deixou vírus (e cocô)? Em todos os lugares que ela tocou, e ainda vai tocar na próxima hora ao menos. Imagine a próxima pessoa que der a descarga no mesmo reservado, etc, etc, etc. Esta pessoa vai contrair a infecção, ter os sintomas em algumas horas, e assim por diante. Agora pense nos EUA, em lugares como os aeroportos, shopping malls, e o PORTO DE MIAMI? Dá pra sacar a proporção do negócio?
Então, como a epidemia é continental e está ligada ao clima (Norwalk Virus gosta de frio), as pessoas já embarcam no navio carregando o vírus, que trouxeram de casa/escola/trabalho/elevadores/supermercados, etc. E dentro do navio, acontece igualzinho ao que aconteceu no segundo parágrafo (vírus+cocô). Só que no navio, o sujeito que fez a caca não vai embora de carro. Ele vai pro elevador, pro cassino, pega nos corrimãos.... Dá pra entender? Em 72 horas já virou um rebosteio. E o CDC exige que os passageiros reportem que estão doentes, mas eles não o fazem, pois sabem que se o fizerem serão isolados, portanto perderão alguns dias de seus maravilhosos cruzeiros trancafiados em suas cabines. Ao final de 7 dias, quando chega o dia dos passageiros desembarcarem, alguns ainda doentes continuam espalhando o vírus, e se as coisas não são desinfectadas, o vírus continua ali esperando outro hospedeiro porquinho, que tocará uma superfície e depois a boca.
E no início do parágrafo disse que a infecção por Norwalk virus está ligada à falta de higiene pessoal, porque se você lava as mãos CORRETAMENTE e COM FREQUÊNCIA, é difícil contrair a doença. Se expostos a uma epidemia deste tipo - ou porque não, cotidianamente? - é necessário lavar as mãos com frequência, por no mínimo 20 segundos, esfregando bastante com sabão. Não é o sabão que propriamente lava a mão (sabão elimina ALGUMAS BACTERIAS, mas neste caso é um virus, e sabão não elimina). O vírus é eliminado pela ação mecânica de esfregar as mãos, e o sabão facilita isso. Água quente, de preferência (lembra que o virus gosta de frio?). Quem faz isso com frequência não fica doente. Não é a toa que a porcentagem da tripulação que fica doente é muito menor que a de passageiros.
PLAY PARA TERMINAR O POST
Então, esperei bastante para embarcar no navio. Para completar, depois que já haviam terminado de desinfetar o navio e liberaram o embarque, o pessoal do crew office disse que não havia cabine para mim. Eu estava sendo aguardada para o dia 26 de novembro. Algumas horas depois consegui embarcar - me colocaram numa cabine provisoriamente atá a semana seguinte.
Minha cabine era com uma garota do dining room. Ela não morava lá, acho que ficava com o namorado, assim que estive praticamente sozinha. Depois fui reencontrar as meninas, meus colegas de trabalho... E como de costume, correria, lavanderia, uniformes, pre-departure safety training... E fui trabalhar as 5 da tarde. E por num instante me sentia em casa de novo. Estava feliz por ter voltado. Mas a grama é sempre mais verde do outro lado da cerca, muitos dizem, não é? Se não tivesse saído, não teria percebido o que deixei para trás.
Fazendo um balanço, 2007 foi um ótimo ano. Fui pra Europa 3 vezes, conheci uns 10 países novos, revi lugares como Veneza, NY, Boston, conheci gente nova a beça, e melhor, me conheci um pouco melhor também... Não posso reclamar de nada.
E a saga da caganeira não terminou, mas continua outro dia, que este é só meu primeiro cruzeiro de volta!
Então, cheguei no Freedom no dia 19 de novembro, com o rabicho entre as pernas, pois a cada pessoa de quem já havia me despedido, tinha que explicar porque eu estava de volta tão rápido. Tinha deixado o navio em agosto. E só pra desenterrar assombração, neste mesmo dia o Leo, o ex irlandês, tambem deixava o Freedom para sempre. Sua irmã, que eu conheci na Irlanda, o estava esperando desembarcar no mesmo local que eu esperava para embarcar. Mas o re-encontro foi normal, morno até. Já havia passado muito tempo... Houve um pequeno porém... O navio estava com uma epidemia de GI, com 350 casos, portanto, o pessoal a bordo deveria sanitizar o navio inteiro antes de deixar novas pessoas embarcarem.
PAUSA PARA EXPLICAR O TAL GI
Na America do Norte, principalmente nos meses frios, existe um virus chamado Norwalk Virus, que causa doença gastro-intestinal (diarréia e vômito) e é facilmente transmissível. Uma pessoa infectada precisa somente tocar uma superfície para infestá-la. Outra pessoa que toque a mesma superfície e ponha as mãos numa mucosa (olhos, nariz e principalmente boca) irá contrair o virus e desenvolverá os sintomas dentro de no máximo 72 horas. É uma infecção, que pode atématar crianças e idosos. O CDC (Centre for Disease Control & Prevention) calcula que anualmente mais de 50 milhões de pessoas só no hemisfério norte sejam infectadas. Feio, né? O pior é pensar que muito dessa facilidade de transmissão tem a ver também com FALTA DE HIGIENE PESSOAL.
Mas os navios são sujos? Escuto esta pergunta - que ja ficou besta, pra mim! - sempre. Então, pense num virus-zinho que esta ali infectando um povo que já não lava a mão com a frequência que deveria. Pense numa pessoa indo ao banheiro público com diarréia, e tentando se limpar. Então o papel higiênico rasga e a pessoa acaba tocando suas proprias fezes,s abe? Fezes estas que são uma sopa de vírus, diga-se assim. Então ela, com as fezes+virus nas mãos, vai tocar a descarga. Depois vai abrir o trinco do reservado, e - SE ELA FOR UM MINIMO LIMPA!!! - vai então abrir a torneira para lavar as mãos. Mas em banheiros públicos todo mundo lava as mãos com pressa, certo? Então ainda vai ter um pouquinho de cocô virulento na mão da pessoa, que vai então tocar a porta de saída. Onde esta pessoa deixou vírus (e cocô)? Em todos os lugares que ela tocou, e ainda vai tocar na próxima hora ao menos. Imagine a próxima pessoa que der a descarga no mesmo reservado, etc, etc, etc. Esta pessoa vai contrair a infecção, ter os sintomas em algumas horas, e assim por diante. Agora pense nos EUA, em lugares como os aeroportos, shopping malls, e o PORTO DE MIAMI? Dá pra sacar a proporção do negócio?
Então, como a epidemia é continental e está ligada ao clima (Norwalk Virus gosta de frio), as pessoas já embarcam no navio carregando o vírus, que trouxeram de casa/escola/trabalho/elevadores/supermercados, etc. E dentro do navio, acontece igualzinho ao que aconteceu no segundo parágrafo (vírus+cocô). Só que no navio, o sujeito que fez a caca não vai embora de carro. Ele vai pro elevador, pro cassino, pega nos corrimãos.... Dá pra entender? Em 72 horas já virou um rebosteio. E o CDC exige que os passageiros reportem que estão doentes, mas eles não o fazem, pois sabem que se o fizerem serão isolados, portanto perderão alguns dias de seus maravilhosos cruzeiros trancafiados em suas cabines. Ao final de 7 dias, quando chega o dia dos passageiros desembarcarem, alguns ainda doentes continuam espalhando o vírus, e se as coisas não são desinfectadas, o vírus continua ali esperando outro hospedeiro porquinho, que tocará uma superfície e depois a boca.
E no início do parágrafo disse que a infecção por Norwalk virus está ligada à falta de higiene pessoal, porque se você lava as mãos CORRETAMENTE e COM FREQUÊNCIA, é difícil contrair a doença. Se expostos a uma epidemia deste tipo - ou porque não, cotidianamente? - é necessário lavar as mãos com frequência, por no mínimo 20 segundos, esfregando bastante com sabão. Não é o sabão que propriamente lava a mão (sabão elimina ALGUMAS BACTERIAS, mas neste caso é um virus, e sabão não elimina). O vírus é eliminado pela ação mecânica de esfregar as mãos, e o sabão facilita isso. Água quente, de preferência (lembra que o virus gosta de frio?). Quem faz isso com frequência não fica doente. Não é a toa que a porcentagem da tripulação que fica doente é muito menor que a de passageiros.
PLAY PARA TERMINAR O POST
Então, esperei bastante para embarcar no navio. Para completar, depois que já haviam terminado de desinfetar o navio e liberaram o embarque, o pessoal do crew office disse que não havia cabine para mim. Eu estava sendo aguardada para o dia 26 de novembro. Algumas horas depois consegui embarcar - me colocaram numa cabine provisoriamente atá a semana seguinte.
Minha cabine era com uma garota do dining room. Ela não morava lá, acho que ficava com o namorado, assim que estive praticamente sozinha. Depois fui reencontrar as meninas, meus colegas de trabalho... E como de costume, correria, lavanderia, uniformes, pre-departure safety training... E fui trabalhar as 5 da tarde. E por num instante me sentia em casa de novo. Estava feliz por ter voltado. Mas a grama é sempre mais verde do outro lado da cerca, muitos dizem, não é? Se não tivesse saído, não teria percebido o que deixei para trás.
Fazendo um balanço, 2007 foi um ótimo ano. Fui pra Europa 3 vezes, conheci uns 10 países novos, revi lugares como Veneza, NY, Boston, conheci gente nova a beça, e melhor, me conheci um pouco melhor também... Não posso reclamar de nada.
E a saga da caganeira não terminou, mas continua outro dia, que este é só meu primeiro cruzeiro de volta!