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quinta-feira, outubro 01, 2009

Escolinha do Professor Raimundo



É assim que me sinto!

Há um mês atrás, primeira aula. Dois filipinos, uma etíope, três indianos, um paquistanês, dois sérvios, dois alemães, um rapaz latino-americano (não descobri de onde era), 5 poloneses e três russos. E penas eu de brasileira, apesar de um nome de brasileira estar na lista (conheci a sujeita no dia da inscrição, mas ela nunca mais apareceu na escola). Professora norueguesa, que tem como trabalho real dar aulas pracrianças. Lill Cecile é o nome da moça. Na primeira aula, fizemos um speed dating. Sentados em duplas, a cada 5 minutos trocávamos de parceiro. Havia um roteirinho básico de perguntas, praconhecermos uns aos outros. Depois, professora pedia que cada um levantasse e outro colega contasse sobre aquela pessoa. Achei interessante, mas me apavorei, pois ali tinha gente que falava o noruga muito bem.

Isso porque não mencionei... No dia da inscrição, fui falando o meu parco noruga com a diretora, e ela disse que eu deveria começar no nível 2, pois nível 1 era perda de tempo pra mim. Lá fui eu, apreensiva. Ao final da primeira aula, achei que fosse tudo bem. Só não gostei de a professora ter anunciado que o lívro que usaríamos se chama Har Bor Vi 2. Putz, quando eu fiz meus 3 meses de aula particular em SP com a Bjøtg, importei o På Vei, o livro mais usado geralmente. Chegamos até o Capítulo 15 (o livro tem 17, se não me engano). Então, de nada teria adiantado estudá-lo, pensei. Mas na verdade adiantou, sim, pois a minha gramática vai muitíssimo bem, obrigada, e a escrita também.

A segunda aula foi um choque. Muita gente sumiu... Os alemães, o paquistanês, um polonês... Sei lá se mudaram de classe ou abandonaram. Detalhe, quase todos são pagantes. Os imigrantes que são casados com cidadão norueguês, que são empregados pelo Estado (é o caso da Felicidad, a filipina) e que outras situações especiais tem direito ao curso de graça (ao menos as 300 h0ras exigidas). No dia da inscrição, a diretora disse que não me faria pagar (pois meu visto ainda não saiu), mas que não poderia começar a computar minhas horas oficialmente. Beleza, ao menos não pago e ganho o livro com CD! Economizei umas 500 coroas só de livro! Na minha classe são poucos os que tem o curso gratuito.

Bom, enfim, na segunda aula, a tal Lill Cecile desandou a falar rápido. Pra ajudar, os sérvios atrás de nós numaconversa brava, em sua língua natal, e os indianos idem. Saí da classe com dor de cabeça, e frustradíssima. Até comecei a pensar em ir pra uma classe iniciante.

A terceira aula, eu perdi. Tive que ir trabalhar. Mas como me deixaram frequentar as aulas de graça (e também mostrar pra minha chefe que acordo é acordo), pedi que o hotel me fizesse uma cartinha provando que eu tinha ido trabalhar, por isso perdi aula.

Essa segunda, fui pra escola de novo. A professora me viu, e já foi logo perguntando (pensei que fosse levar bronca porque faltei) se eu queria ir pra umaclasse mais avançada. Como assim, tá doida? Eu não consigo me comunicar! Ela disse que eu lia e escrevia bem (ela nem teve tempo de perceber!), e que talvez fosse mais proveitoso pular um pouco aparte inicial... Eu disse que preferia ficar ali mesmo. Ao menos pra treinar conversação (já que no hotel só as camareiras e os hóspedes falam noruga comigo - o resto todo adora falar um inglês!). Então, nessas de classe nova, mais uns 4 desapareceram da classe - inclusive os sérvios falantes, e um dos indianos. A aula foi um silêncio danado! Uma beleza... Foi puxadinho pelo fato de ter perdido a aula anterior e não recebido o material, mas deu pra acompanhar. E também já recebi o livro novo com CD (é no mesmo estilo do På Vei, mas mais avançadão). Agora é me dedicar sozinha.

Hoje meus alunos de português resolveram falar noruga comigo, e acharam que eu tô falando bem. Também tenho forçado Lars a não falar mais inglês comigo. A gente começa bem, masdepois de 10 minutos, o inglês volta automaticamente. Eu acho tudo um saco, e muito frustrante não conseguir me comunicar muito. Elizabeth me disse pra ter mais auto-confiança...

Agora, uma vantagem da aula à noite, uma vez por semana... Todo mundo que está ali trabalha, então o povo entra e sai. Não há muito tempo pra social, e papo-furado. Nos intervalos eu sempre converso muito com a Rawda, a etíope, e a Felicidad. Em noruga!

Nossa, me havia dado muita preguiça de escrever sobre esse assunto, e agora que resolvi, saiu em 10 minutinhos. Inspiração ou disposição? Acho que disposição por saber que amanhã posso dormir até o colchão soltar fumaça, acordar e não fazer NADA o fim de semana inteiro. Apenas cuidar da casinha, que tá num desleixo só. Lars ajuda, e muito, mas não é uma Brastemp!