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terça-feira, setembro 07, 2010

Minha mega a-haventura em Tromsø - parte 2

Então, nesse post relato tudo sobre Tromsø (pronuncia-se Trumsa, assim como Bodø pronuncia-se Buda) que não tem relação com o a-ha....

Saindo do show, descendo as ladeiras da cidade, a batalha agora seria achar um buraco qualquer pra comer qualquer coisa. Aqui na Noruega, em geral, os restaurantes fecham suas cozinhas às 11 da noite. Depois disso, só os fast-foods da vida e quiosques, em geral de kebab, mas que servem também todo o tipo de porcaria, de cachorro-quente, pizza e hamburguer aos próprios kebabs nada tradicionais. Em geral, esses estabelecimentos são ou de propriedade de estrangeiros, ou tem imigrantes trabalhando neles.

E foi então nessa ocasião que presenciei a primeira cena de violência (mesmo que verbal) a um estrangeiro, e manifestação de racismo na caruda, aqui na Noruega. Quando eu entrei no kebab, havia duas mesas (das 5 possíveis) ocupadas, e na fila um bebum podre de bêbado e dois casais. O rapaz que trabalhava ali era bem moreno, cara de árabe/paquistanês/indiano. Ele estava sozinho e estava ocupadíssimo, precisava cobrar as pessoas, preparar os pedidos e levá-los pras mesas. Numa das mesas, um casal mais um cara, bem impaciente, ficava resmungando alto que tava com muita fome. Entendo a situação do cara. Afinal, no Burguer King nem cabia mais gente dentro. Os 13 mil que desceram do Valhall mais o público normal da cidade, tava tudo muito lotado mesmo. Esse kebab tava até vazio comparando com os outros, e os tamanhos das filas nos trailers que vendem o mesmo tipo de comida nas ruas era desanimador pra um sujeito que estivesse COM MUITA FOME.

Então o rapaz serviu o pedido daquela mesa onde o sujeito resmungava. Porém o pobre rapaz esqueceu o hamburguer do sujeito... O sujeito se enfureceu, mas seguiu esperando. Quando a fila começou a sair da porta pra rua, o rapaz fez um telefonema e em 2 ou 3 minutos chegou outro estrangeiro, com os cabelos completamente em pé e os olhos amassados, cara de quem levantou do décimo sono. Com 2 ali atrás do balcão a coisa começou a andar mais rápido. Mas não fizeram o hambeurguer do sujeito reclamão, que esperou uma meia hora, enquanto seus companheiros apreciavam um kebabão... Então, fila enorme, agora todas as mesas ocupadas, esse sujeito se levanta e começa a urrar que queria o dinheiro dele de volta, "seu bando de estrangeiro FDP*&^%, vem pro meu país porque se nem tem competência pra fritar um hamburguer, burros, idiotas, NEGROS"... Meu quiexo desabou... As pessoas todas presentes rindo muito. Não consegui decifrar se rindo porque acharam engraçada a situação, se porque acharam o sujeito muito trouxa e ridículo, se riram dos estrangeiros... Eu fiquei muito, muito constrangida. E o sujeito, gritando NEGROS (em norueguês a palavra é neger) do meio da rua, uns 2 ou 3 longos minutos, ao invés de ir pra outra fila tentar conseguir um outro hamburguer...

Depois dessa cena, minha comida ficou pronta, agarrei meu pacote e saí, me sentindo bem mal, e fui comer no hotel... Dormi com vontade, como dizem no Pantanal dormi bem duro, mas mais de 2 da matina... No outro dia levantei às 8 e meia como se tivesse dormido 10 ou 12 horas. Cama boa e um silêncio sepulcral são tudo de que preciso!

Saí pra dar um rolê pela cidade depois do café da manhã, enquanto fazia hora pro Lars chegar. Na praça principal, uma Bondensmarked, ou feira de fazendeiros. Vivo perseguindo a de Bodø agora no fim de verão, começo de outono, e nunca consigo alcançar porque tô sempre trabalhando (eles fecham às 2, sábados eu saio às 3), e vou dar de cara com uma em Tromsø... Morangos, cerejas (por 5 coroas e 90 centavos uma caixinha, aqui nunca por menos de 35!!!), muitas framboesas polares de Hamarøy (perto do nosso chale e bem longe de Tromsø, rsrsrs), batatas, aipos-rábanos e outras raízes afins, beterrabas, cenouras... Tudo orgânico ou direto da fazenda e eu sem poder comprar NADA! E me chamou a atenção uma barraca com umas moças tailandesas vendendo thai satay de frango e porco, e espetinhos de camarão... Hum, hum!

A feirinha... A primeira barraquinha, à esquerda, é a das tailandesas. Acabamos almoçando ali mesmo, mais tarde!

De outro ângulo

E aqui, a Tromsø Domkirke, a única catedral de madeira da Noruega, construída em 1861

Continuei minha caminhada, passei por lojas fabulosas (não sou muito dessas coisas de gastança com roupa atualmente, mas em Bodø só tem as Cubus, Lindex e H&M da vida, e todo mundo se veste igual. Ao ver uma Oasis ou Zara eu ADOGO!), resisti a uma tentação terrível de comprar um casaco divino da Desigual por 1300 coroitas (mas eu resisti, VIVA!), e pra deleite, achei uma loja de cafés e chás que vendia café brasileiro moido na hora. Comprei o café brazuca, três pacotes de chás orgânicos (mirtilos com iogurte, marroquino de menta e um indiano, de especiarias), comprei um aparelhinho que serve pra fazer espuminha no leite (tomo café com leite e MUITO chai indiano em casa, e não é a mesma coisa sem a espuminha). Depois da orgia gastanço-gastronômica, fui zanzar pra procurar um restaurante pro almojantar, imaginando que deveríamos reservar uma mesa na cidade tão cheia. Achei um recomendado pelo guia local impresso, chamado XII (12), e também enoteca-restaurante. A especialidade deles era bacalhau (!!!) e vinhos ibéricos... O menu parecia muito tentador. Até bolinho de bacalhau eles faziam... Porque aqui na Noruega se come o bacalhau fresco muito mais que o seco.

Aí voltei pro hotel, pra dar um tempo da garoa bem fininha que insistia em cair desde noite passada, e me refazer da friaca toda... E mal pisquei, Lars já estava chegando.

Tinhamos nos programado pra fazer duas coisas principais... Ir à Catedral Polar de Tromsø, cartão postal da cidade, e depois ao Museu Polar, com uma exposição permanente dedicada aos exploradores polares noruegueses, especialmente Roald Amundsen.

Começando pela Catedral, que ficava do outro lado da ponte. A ponte parecia loooonga, então fomos de busão. No banco do busão, alguém havia largado um jornal local, com o Morten na capa, falando do show de ontem e dando nota 6 (de 6 possíveis!). Entretenimento garantido, li o artigo ao invés de zoiar pela janelado busão e tirar fotas. Mas também, o tempo estava tão feio, tão feio, que seria mutcho difícir fazer fotas boas....

Vamos à Catedral...

Vista do lado de cá da ponte...


Vista dos fundos, do lado de lá da ponte...



O vitral gigantesco... Mas honestamente nada de excepcional.

Aqui sim, uma vista excepcional. Dentro de mais alguns dias, quando começar a nevar por lá, a vista no fim da tarde é essa... Essas montanhas ao redor da cidade são majestosas e dão um ar todo especial pra esse lugar..

De lá atravessamos à pé a ponte, e rumamos pro Museu Polar. Uma decepção total. Na entrada, vááááários arpões de caçar baleia. Lá dentro, uma penca de bonecos horríveis de fibra de vidro, e vários outros animais mortinhos e empalhados: ursos polares, focas de todas as espécies possíveis, raposas árticas, peles de lobo, e, pra minha maior revolta, na lojinha, vendiam TUDO de pele de foca. De um casaco no valor de 12 mil coroas até porta-níqueis. Fiquei poooota. Sobre o Amundsen, nada. Só uma menção. Acabamos compramos um DVD, caro à beça, que tem vídeos de 1912, quando da expedição dele pra Antártica. Pra quem não sabe, foi ele quem clamou os dois pólos para os noruegueses... A fota que tirei com a estalta do walruss foi antes de entrar no museu e me revoltar...

Lars e o ídalo...

Eu e o Leôncio...

Os famigerados arpões...


Depois de tanto bicho mortinho, era hora de tomar nossas vitaminas pra melhorar o humor. Fomos então ao bar na cervejaria Mack, a cervejaria mais ao norte do mundo! O lugar chama Ølhallen (alago como salão da cerveja) e é o pub mais antigo de Tromsø. Abre das 9 da manhã às 5 da tarde e por isso é um reduto de alcóolatras. Mas resolvemos arriscar. E demos sorte, chegamos às 4 e o lugar tava vazio... Tomamos umas Macks que não encontramos em outras partes da Noruega, sendo uma a bock, excelente!

Nam-nam!

Mais bicho morto, depois de umas cervejotas daquele tamanho...

Segundo o bartender, esses ursos não eram de verdade, mas não acreditei nele não... O buteco fechou, e voltamos pro hotel, dar uma arriada nas pernas antes do jantar.

Foto do menu de um outro restaurante que eu queria ir, mas boicotei na hora em que li o menu...

Acabamos indo no restaurante de bacalhau mesmo (XII Mat & Vinhus) e no fim os bolinhos eram espetaculares. Pra molhar a goela, um Alvarinho português, barato e decentezinho. O bacalhau com presunto - que a garçonete pronunciou em português diretinho - tava muito bem feito, bem gostoso. Na verdade, o melhor bacalhau que comi na suposta terra do bacalhau (que não é!) que não foi feito por mim... Mudesta, né?

De lá demos umas voltas, na chuva, tentando tirar fotos da catedral iluminada do outro lado do fjord, mas tudo em vão. Pouca luz, fotos todas tremidas. Hora de procurar abrigo, fomos ao Gründer, um bar-restaurante que tinha uma filial em Bodø e outra em Harstad. A de Bodø faliu no inverno. Coisa mais triste, era o único bar que tinha uma carta de drinks esperta na cidade. Por isso fomos matar a saudade, e pra nosso espanto, a matriz era BEEEEEM maior! Bar lotado, mas ainda sobrevivemos a umas 3 rodadas antes de jogar a toalha, afinal nós dois saímos pouco e não conseguimos mais acompanhar o ritmo da norugada out numa naite de sábado...

Porque acordamos com uma ressaca que não tínhamos desde os tempos de navio, rsrsrs.

E assim terminou essa outra a-haventura, a terceira de uma série de 4. Em três meses acontecerá a última, dias antes de nossa partida pro Brasil com Dona Sogra a tiracolo... Oslo vai ser muito divertido em Dezembro com milhares de a-hafanáticos!

A primeira parte deste post está aqui...

Pra quem achou que eu não ia meter o a-ha neste post, eu menti!!! Hauahuahauhauahua! Toma mais uma! Afinal, se não fosse por eles, eu não teria ido a Tromsø... Eu AAAAAMO os 3 tocando guitarra juntos...



Ah, e respondendo pergunta da Lu... Se Tromsø é a Paris do Norte, eu diria que não. Mas considerando o fim de mundo que é daqui pra cima, a cidade é grande, cheia de opções gastronômicas, lojas e outras coisas que talvez seja muito possível não achar em outras cidades. Mas que é um lugar encantador e adorável, isso é... Mais charmosa até que Trondheim, pra falar a verdade.

Mas um traço em comum com Bodø: nem McDonald's nem IKEA. Porque será?

domingo, setembro 05, 2010

Minha mega a-haventura em Tromsø - parte 1

Sexta feira, um dia de sol de lascar, daqueles sem uma nuvenzinha no céu em Bodø. Mas eu nem consegui me animar, pois na véspera ficamos sabendo que Lars não ia poder ir a Tromsø comigo porque teria que trabalhar. Não teve jeito.

Mas pra não melar tudo de vez, na sexta ele sube que poderia viajar no Sábado ao menos. Ia perder o show do a-ha, mas ao menos poderíamos passear juntos o resto do fim de semana. Consegui trocar a passagem dele, e às 6 da tarde lá fui eu rumo à Paris do Norte. Não fui eu que inventei isso, são as pessoas de lá que assim chamam a cidade.

Tromsø fica a exatos 2 mil quilômetros abaixo do Pólo Norte. Tem 66 mil habitantes, 20 mil a mais que Bodø. Foi a capital da Noruega por 2 semanas durante a II Guerra. Fica num fjord, e acidade é formada por uma ilha dentro desse fjord, chamada Tromsøya, e outra parte fica no continente. As duas partes são ligadas por uma ponte...

O tempo lá tava tão bom como aqui. Só mais frio... O aeroporto é um ovo, e fica do outro lado da ilha. Peguei um busão que me deixaria perto do hotel. Descendo dele, me perdi uns 5 minutos, mas logo achei o hotel. Um Thon novinho, bem decente. E mal tive tempo de largar as coisas, já saí correndo pro estádio. Com uma hora de antecedência pro show. Andei uns 15, 20 minutos. A ilha é uma montanhona, e claro, o Valhall fica no topo dela... Uma subida de fazer faltar o ar, e ar frio, que não ajuda. Ao chegar, fui pra bilheteria tentar vender o ingresso do Lars. Em 5 minutos apareceu um interessado. Mas entrei em campo 20:50, achando tarde. Pra minha surpresa - e isso é uma característica noruga - o povo tava por ali mais interessado em socializar e tomar cerveja. Eu, com esse meu tamanho todo, fui driblando a galera, e consegui chegar a uns 50 metros do palco. Me meti entre duas famílias com crianças.

Uns 15 minutos depois começou uma certa empurração vinda de trás, a ponto da organização ter que vir ao palco e pedir pro pessoal todo dar um passinho pra trás pra não espremer as crianças, que eram muitas. Me espantei ao ver o encontro de gerações, eram pais com filhos e avós com netos!

Às 21:30 em ponto, começa a introdução.... E aí a gritaria, e PUF! Meus heróis aparecem no palco. Eu estava perto o suficiente pra poder as carinhas deles, os sorriros, expressões... O show abre como de costume com The Sun Always Shines on TV, e a galera tava bem animada. Bem mais animada que no Spektrum ano passsado. A única pena era o tamanho do palco, bem menor que o palco usado nos 4 shows exclusivos em estádios, e sem a parafernália de vídeo. Mas melhor isso que nada!

O set list foi mais curto, 18 músicas apenas, mas cada minuto foi aproveitado ao extremo... Algumas lágrimas em algumas músicas (que quase congelaram, pois tava frio pacarvalho!), bastante sing-along... Morten tava cantando como um anjo e não esqueceu a letra de nenhuma música (como ele costuma). Magão animadíssimo como sempre, e Paul sorrindo muito, também não é costume...Meus vídeos ficaram horríveis, o som não dá praaproveitar, mas como sempre (fã do a-ha é sempre generoso com isso...) uma alma caridosa filmou o show inteiro e subiu tudo no Youtube. Os vídeos podem ser vistos nesse canal aqui. No post, destaco os vídeos cujas performances me impressionaram mais...

Manhattan Skyline... Wave goodbye, wave goodbye, waaaave goodbyyyyyyyeeeeee.....



We´re looking for the whales, que eu nunca tinha ouvido ao vivo!



The Living Daylights - no final da música, já no final do show, Magão botou a norugada toda pulando pra espantar o frio... E ouvir o coro da galera cantando junto me arrepiou...



Voltando pro encore, uma impressionante Cry Wolf, com Magão tocando batera com Karl. E uma surpresa! Anneli Drecker, cantora do Bel Canto, natural de Tromsø, veio dar uma canja, já a banda dela se apresentou no festival também. Anneli participou do Live at Valhall, em Oslo em 2001, e da turnê do Lifelines com o a-ha. Eu adoro Crying in the Rain em dueto com ela...



Uma amostra das minhas fotinhas tremidas e cheias de cabelo, cabeças e luvas na frente...













Nem acreditei quando terminou o show - passou voando. Eu teria ficado ali mais umas 3 horas na boa, mesmo no frio. Durante o show o tempo fechou, e começou a garoar na volta pra casa. 13 mil pessoas desceram as ladeiras de Tromsø ao mesmo tempo, e sem incidentes. Foi uma via sacra voltar pra cidade, mas tudo na maior paz!

Apesar de lamentar Lars ter perdido o show, eu aproveitei por mim e por ele...

Depois conto sobre o resto do fim de semana, senão o post fica longo e chato.

A segunda parte desse post está aqui...