Então, nesse post relato tudo sobre Tromsø (pronuncia-se Trumsa, assim como Bodø pronuncia-se Buda) que não tem relação com o a-ha....
Saindo do show, descendo as ladeiras da cidade, a batalha agora seria achar um buraco qualquer pra comer qualquer coisa. Aqui na Noruega, em geral, os restaurantes fecham suas cozinhas às 11 da noite. Depois disso, só os fast-foods da vida e quiosques, em geral de kebab, mas que servem também todo o tipo de porcaria, de cachorro-quente, pizza e hamburguer aos próprios kebabs nada tradicionais. Em geral, esses estabelecimentos são ou de propriedade de estrangeiros, ou tem imigrantes trabalhando neles.
E foi então nessa ocasião que presenciei a primeira cena de violência (mesmo que verbal) a um estrangeiro, e manifestação de racismo na caruda, aqui na Noruega. Quando eu entrei no kebab, havia duas mesas (das 5 possíveis) ocupadas, e na fila um bebum podre de bêbado e dois casais. O rapaz que trabalhava ali era bem moreno, cara de árabe/paquistanês/indiano. Ele estava sozinho e estava ocupadíssimo, precisava cobrar as pessoas, preparar os pedidos e levá-los pras mesas. Numa das mesas, um casal mais um cara, bem impaciente, ficava resmungando alto que tava com muita fome. Entendo a situação do cara. Afinal, no Burguer King nem cabia mais gente dentro. Os 13 mil que desceram do Valhall mais o público normal da cidade, tava tudo muito lotado mesmo. Esse kebab tava até vazio comparando com os outros, e os tamanhos das filas nos trailers que vendem o mesmo tipo de comida nas ruas era desanimador pra um sujeito que estivesse COM MUITA FOME.
Então o rapaz serviu o pedido daquela mesa onde o sujeito resmungava. Porém o pobre rapaz esqueceu o hamburguer do sujeito... O sujeito se enfureceu, mas seguiu esperando. Quando a fila começou a sair da porta pra rua, o rapaz fez um telefonema e em 2 ou 3 minutos chegou outro estrangeiro, com os cabelos completamente em pé e os olhos amassados, cara de quem levantou do décimo sono. Com 2 ali atrás do balcão a coisa começou a andar mais rápido. Mas não fizeram o hambeurguer do sujeito reclamão, que esperou uma meia hora, enquanto seus companheiros apreciavam um kebabão... Então, fila enorme, agora todas as mesas ocupadas, esse sujeito se levanta e começa a urrar que queria o dinheiro dele de volta, "seu bando de estrangeiro FDP*&^%, vem pro meu país porque se nem tem competência pra fritar um hamburguer, burros, idiotas, NEGROS"... Meu quiexo desabou... As pessoas todas presentes rindo muito. Não consegui decifrar se rindo porque acharam engraçada a situação, se porque acharam o sujeito muito trouxa e ridículo, se riram dos estrangeiros... Eu fiquei muito, muito constrangida. E o sujeito, gritando NEGROS (em norueguês a palavra é neger) do meio da rua, uns 2 ou 3 longos minutos, ao invés de ir pra outra fila tentar conseguir um outro hamburguer...
Depois dessa cena, minha comida ficou pronta, agarrei meu pacote e saí, me sentindo bem mal, e fui comer no hotel... Dormi com vontade, como dizem no Pantanal dormi bem duro, mas mais de 2 da matina... No outro dia levantei às 8 e meia como se tivesse dormido 10 ou 12 horas. Cama boa e um silêncio sepulcral são tudo de que preciso!
Saí pra dar um rolê pela cidade depois do café da manhã, enquanto fazia hora pro Lars chegar. Na praça principal, uma Bondensmarked, ou feira de fazendeiros. Vivo perseguindo a de Bodø agora no fim de verão, começo de outono, e nunca consigo alcançar porque tô sempre trabalhando (eles fecham às 2, sábados eu saio às 3), e vou dar de cara com uma em Tromsø... Morangos, cerejas (por 5 coroas e 90 centavos uma caixinha, aqui nunca por menos de 35!!!), muitas framboesas polares de Hamarøy (perto do nosso chale e bem longe de Tromsø, rsrsrs), batatas, aipos-rábanos e outras raízes afins, beterrabas, cenouras... Tudo orgânico ou direto da fazenda e eu sem poder comprar NADA! E me chamou a atenção uma barraca com umas moças tailandesas vendendo thai satay de frango e porco, e espetinhos de camarão... Hum, hum!
A feirinha... A primeira barraquinha, à esquerda, é a das tailandesas. Acabamos almoçando ali mesmo, mais tarde!
De outro ângulo
E aqui, a Tromsø Domkirke, a única catedral de madeira da Noruega, construída em 1861Continuei minha caminhada, passei por lojas fabulosas (não sou muito dessas coisas de gastança com roupa atualmente, mas em Bodø só tem as Cubus, Lindex e H&M da vida, e todo mundo se veste igual. Ao ver uma Oasis ou Zara eu ADOGO!), resisti a uma tentação terrível de comprar um casaco divino da Desigual por 1300 coroitas (mas eu resisti, VIVA!), e pra deleite, achei uma loja de cafés e chás que vendia café brasileiro moido na hora. Comprei o café brazuca, três pacotes de chás orgânicos (mirtilos com iogurte, marroquino de menta e um indiano, de especiarias), comprei um aparelhinho que serve pra fazer espuminha no leite (tomo café com leite e MUITO chai indiano em casa, e não é a mesma coisa sem a espuminha). Depois da orgia gastanço-gastronômica, fui zanzar pra procurar um restaurante pro almojantar, imaginando que deveríamos reservar uma mesa na cidade tão cheia. Achei um recomendado pelo guia local impresso, chamado XII (12), e também enoteca-restaurante. A especialidade deles era bacalhau (!!!) e vinhos ibéricos... O menu parecia muito tentador. Até bolinho de bacalhau eles faziam... Porque aqui na Noruega se come o bacalhau fresco muito mais que o seco.
Aí voltei pro hotel, pra dar um tempo da garoa bem fininha que insistia em cair desde noite passada, e me refazer da friaca toda... E mal pisquei, Lars já estava chegando.
Tinhamos nos programado pra fazer duas coisas principais... Ir à Catedral Polar de Tromsø, cartão postal da cidade, e depois ao Museu Polar, com uma exposição permanente dedicada aos exploradores polares noruegueses, especialmente Roald Amundsen.
Começando pela Catedral, que ficava do outro lado da ponte. A ponte parecia loooonga, então fomos de busão. No banco do busão, alguém havia largado um jornal local, com o Morten na capa, falando do show de ontem e dando nota 6 (de 6 possíveis!). Entretenimento garantido, li o artigo ao invés de zoiar pela janelado busão e tirar fotas. Mas também, o tempo estava tão feio, tão feio, que seria mutcho difícir fazer fotas boas....
Vamos à Catedral...

Aqui sim, uma vista excepcional. Dentro de mais alguns dias, quando começar a nevar por lá, a vista no fim da tarde é essa... Essas montanhas ao redor da cidade são majestosas e dão um ar todo especial pra esse lugar.. De lá atravessamos à pé a ponte, e rumamos pro Museu Polar. Uma decepção total. Na entrada, vááááários arpões de caçar baleia. Lá dentro, uma penca de bonecos horríveis de fibra de vidro, e vários outros animais mortinhos e empalhados: ursos polares, focas de todas as espécies possíveis, raposas árticas, peles de lobo, e, pra minha maior revolta, na lojinha, vendiam TUDO de pele de foca. De um casaco no valor de 12 mil coroas até porta-níqueis. Fiquei poooota. Sobre o Amundsen, nada. Só uma menção. Acabamos compramos um DVD, caro à beça, que tem vídeos de 1912, quando da expedição dele pra Antártica. Pra quem não sabe, foi ele quem clamou os dois pólos para os noruegueses... A fota que tirei com a estalta do walruss foi antes de entrar no museu e me revoltar...

Depois de tanto bicho mortinho, era hora de tomar nossas vitaminas pra melhorar o humor. Fomos então ao bar na cervejaria Mack, a cervejaria mais ao norte do mundo! O lugar chama Ølhallen (alago como salão da cerveja) e é o pub mais antigo de Tromsø. Abre das 9 da manhã às 5 da tarde e por isso é um reduto de alcóolatras. Mas resolvemos arriscar. E demos sorte, chegamos às 4 e o lugar tava vazio... Tomamos umas Macks que não encontramos em outras partes da Noruega, sendo uma a bock, excelente!
Mais bicho morto, depois de umas cervejotas daquele tamanho...Segundo o bartender, esses ursos não eram de verdade, mas não acreditei nele não... O buteco fechou, e voltamos pro hotel, dar uma arriada nas pernas antes do jantar.
Foto do menu de um outro restaurante que eu queria ir, mas boicotei na hora em que li o menu...
Acabamos indo no restaurante de bacalhau mesmo (XII Mat & Vinhus) e no fim os bolinhos eram espetaculares. Pra molhar a goela, um Alvarinho português, barato e decentezinho. O bacalhau com presunto - que a garçonete pronunciou em português diretinho - tava muito bem feito, bem gostoso. Na verdade, o melhor bacalhau que comi na suposta terra do bacalhau (que não é!) que não foi feito por mim... Mudesta, né?
De lá demos umas voltas, na chuva, tentando tirar fotos da catedral iluminada do outro lado do fjord, mas tudo em vão. Pouca luz, fotos todas tremidas. Hora de procurar abrigo, fomos ao Gründer, um bar-restaurante que tinha uma filial em Bodø e outra em Harstad. A de Bodø faliu no inverno. Coisa mais triste, era o único bar que tinha uma carta de drinks esperta na cidade. Por isso fomos matar a saudade, e pra nosso espanto, a matriz era BEEEEEM maior! Bar lotado, mas ainda sobrevivemos a umas 3 rodadas antes de jogar a toalha, afinal nós dois saímos pouco e não conseguimos mais acompanhar o ritmo da norugada out numa naite de sábado...
Porque acordamos com uma ressaca que não tínhamos desde os tempos de navio, rsrsrs.
Foto do menu de um outro restaurante que eu queria ir, mas boicotei na hora em que li o menu... Acabamos indo no restaurante de bacalhau mesmo (XII Mat & Vinhus) e no fim os bolinhos eram espetaculares. Pra molhar a goela, um Alvarinho português, barato e decentezinho. O bacalhau com presunto - que a garçonete pronunciou em português diretinho - tava muito bem feito, bem gostoso. Na verdade, o melhor bacalhau que comi na suposta terra do bacalhau (que não é!) que não foi feito por mim... Mudesta, né?
De lá demos umas voltas, na chuva, tentando tirar fotos da catedral iluminada do outro lado do fjord, mas tudo em vão. Pouca luz, fotos todas tremidas. Hora de procurar abrigo, fomos ao Gründer, um bar-restaurante que tinha uma filial em Bodø e outra em Harstad. A de Bodø faliu no inverno. Coisa mais triste, era o único bar que tinha uma carta de drinks esperta na cidade. Por isso fomos matar a saudade, e pra nosso espanto, a matriz era BEEEEEM maior! Bar lotado, mas ainda sobrevivemos a umas 3 rodadas antes de jogar a toalha, afinal nós dois saímos pouco e não conseguimos mais acompanhar o ritmo da norugada out numa naite de sábado...
Porque acordamos com uma ressaca que não tínhamos desde os tempos de navio, rsrsrs.
A primeira parte deste post está aqui...
Pra quem achou que eu não ia meter o a-ha neste post, eu menti!!! Hauahuahauhauahua! Toma mais uma! Afinal, se não fosse por eles, eu não teria ido a Tromsø... Eu AAAAAMO os 3 tocando guitarra juntos...
Ah, e respondendo pergunta da Lu... Se Tromsø é a Paris do Norte, eu diria que não. Mas considerando o fim de mundo que é daqui pra cima, a cidade é grande, cheia de opções gastronômicas, lojas e outras coisas que talvez seja muito possível não achar em outras cidades. Mas que é um lugar encantador e adorável, isso é... Mais charmosa até que Trondheim, pra falar a verdade.
Mas um traço em comum com Bodø: nem McDonald's nem IKEA. Porque será?












6 comentários:
Oi Camélia!
Muito legal viajar contigo por Tromso! E imagino como deve ter ficado puta com esse chilique racista. Uma pena que ainda existam pessoas assim. Uma pena que as pessoas ao redor tenham apenas dado risada ao invés de um puxão de orelha no infeliz.
Sobre a maquininha de fazer espuminha no leite, aqui o Daniel chama de mixer e tem uma que adora!!!! Compramos no Paraguai e ele usa todo dia, tanto que até quebrou e ele aplicou uma de suas famosas gambiarras para consertar, do tipo que agora a maquininha só liga acionando um clip de papel, hehe!
Eu acho que ia ficar maus também nesse museu dedicado aos carniceiros de baleias e focas, nada a ver!! Mas enfim, tem gente que acha que esse tipo de coisa é cultura...
Você nunca mais falou sobre o trabalho ou seus alunos, ou curso de norueguês... parou tudo?
Quando vem ao Brasil? Planos de passar pelo Pantanal ou Bonito? ;-)
Beijos
Tietta
Bonito - MS
Ti, tava aqui lembrando das gambiarras do Daniér... Aparelhinho paraguaio, é? O meu deve ser paraguaio da China também, rsrsrs
Então, trabalho é boring, por isso não escrevo muito sobre ele, mas tô firme na firma! Mais de um ano já... Os alunos de português eu parei, porque é impossível acha-los! Eles vivem ocupados... O pior é que devo 10 aulas praeles (pre-pagas) e eles ficam adiando. Mas tô esperando...
E a maldita escola, eu teveria já ter voltado, mas não consegui ir fazer a inscrição. Qualquer dia desses vou lá. Masem janeiro vou tirar uma licensa do hotel, ora poder terminar as horas de curso exigidas pelo governo. Vou protelando até lá.
E vamos ao Brasil em dezembro, or 5 semanas. Já até avisei a Lucélia. O bom é que deve ter um povo nos arredores de SP por causa das natividades, né não? Sogra vai também. Ainda náo decidimos se vamos pra Bahia, MS, sei lá. Tudo vai depender do din-din, na verdade. Tem tempo ainda pra planejar...
beijo
Camila, obrigada por me responder, foi gentil demais.
Menina, já achei um luxo a cidade, só em não ter McDonald's...
Pelo que você descreveu deve fazer jus mesmo a ser a Paris norueguesa, por aqui em Sandnes o charme passou longe.
Demorei pra enxergar o porque do boicote ao restaurante, também boicotaria.
Fiquei chocada com a grosseria do bruto, era lendo e imaginando a cena, e realmente difícil saber porque o povo riu, mas acredito que muitos da estupidez do cara, mas tenho outra teoria, a de que a galera era toda rica e por isso riram à toa, tem horas que não tenho entendido porque o povo rir, a comecar uns da minha classe, até dia desses eu achava até que um dos meus colegas ria gozando da cara da gente, mas outro dia a professora contando uma história falou sobre alguém da família dela que morreu e como, o cara comecou a rir, ela olhou estranhando pra ele, e eu cheguei a conclusão que nem ele sabe do que rir. Muito doido.
Mas enfim, ainda tenho outra pergunta pra você hoje, kkkk
Esse chai que você toma, você compra onde e como? Eu tomo um que compro no supermercado, em caixinha mesmo, gosto bastante, mas não sou experiente no assunto. E como faz com a espuminha? Você pode mostrar aqui no blog? Também gosto de café com leite com espuma, chá nunca tomei.
Evito sempre a Desigual, apesar de achar os casacos lindos, mas o que me consola é que o colorido deles não combina com a fofura na qual me encontro no momento, kkkkk
Beijo
Camilitcha,
Impressionante a disposição de vocês dois, o maior gas para circular no frio e na chuva, gosto de ver;
Racistas aqui também tá cheio, mas acho que em Oslo é o pior lugar para este tipo de manifestações, como era de se esperar;
Em Oslo também se acha restaurantes com bom bacalhau, Per me levou num francês ótimo uma vez e eu comi uma brandade de bacalhau perfeita, melhor do que as que eu faço aqui em casa;
Meu, os cara tem a manha de colocar baleia mink no cardápio? FDPs desgraçados. Eles são caras de pau mesmo;
Vc já foi no museu Fram, em Oslo? É o museu dos aventureiros, em frente ao Kon Tiki em Bygdøy, o Fram eu acho demais e conta a trajetória toda do barco que levou os aventureiros ao norte e depois ao sul, eu acho aquele museu duca, as crianças curtem e conta tudo sobre as aventuras do Nansen, Sverdrup e Amundsen que usaram o mesmo barco e não tem clima de pesca, mas de aventura;
Aqui:
http://www.fram.museum.no/en/
Nunca fui a Tromsø mas acho que vc precisa circular por Trondheim melhor acompanhada, comigo, claro, pois eu tenho certeza que aqui é bem mais legal do que Tromsø. Não que seja a cidade mais legal da Noruega, acho que Bergen é bem mais legal e Oslo a melhor, claro.
Bj,
C.
oi Cah!
aventura mesmo!! feio quando esses xiliques acontecem perto da gente, neh? eu por exemplo fico com aquilo na cabeca por meses a fio... falto chorar de dor no coracao...
ai credo...
mas que bom que o restante do passeio foi supimpa!! fico feliz que tenha se esbaldado com seus 3 boys and husband! :)
beijos!
Oi Camila,
Adorei a sua fota com a foca!
Fiqeui pensando sobre o preconceito que vc presenciou ai. E apos tanto tempo. Aqui, logo na primeira semana ja vi. O alvo aqui sao os ciganos, bosnios e servios, esses dois ultimos, "ex-irmaos" joguslavos!Nao me atrevo ainda a dizer algo profundo, pois a questao tem questoes tao subliminares que ainda nao captei.
Mas os locais dizem que os ciganos sao mais protegidos que o tigre da sibéria.
E qdo o preconceito se manifesta, o entorno, se comporta como se nada estivesse acompanhando, ninguem se manifesta. Nem positiva, nem negativamente...
gostaria de entender...
Nossa que comentario serio...
bjs
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