domingo, novembro 21, 1999

México

Este post é rapidinho... Estou novamente no México. Saí do trabalho mais cedo, comi comida mexicana, tomei uma cerveza (é só uma mesmo, senão não dá prá trabalhar depois), e agora volto rápido para o navio para me refrescar e descansar um pouco antes do trabalho.

Algumas mudanças acontecendo por aqui... O indiano que se dizia me chefe, o que trabalhava comigo nas saladas, virou namorado... Até que é bom ter alguém pra dividir os "problemas", e ele também me dá uma mãozona no serviço.

A picação de alface continua, e várias vezes me sentei na cama após o serviço e chorei, pensando que eu não tinha estudado prá isso, e que eu não precisava deste serviço por 700 dólares, que só tenho 25 anos e posso começar de novo... Confesso que o namorado ajuda a reduzir todo este stress, mas mesmo assim, as vezes não é fácil... Mas a boa notícia é a picação de alface vai acabar, e eu vou me mudar para o café da manhã. Vou entrar muito mais cedo no serviço, mas também termino muito mais cedo. E durante as tardes terei tempo para sair prá conhecer os portos.

Bom, agora preciso correr...

domingo, novembro 14, 1999

Agora da Jamaica

Cheguei de novo! Com algumas novas impressões de bordo. Estou na Jamaica. Meu chefe perguntou quando eu gostaria de ter meu off e e disse que na Jamaica. Leia bem: off não significa que eu poderia "não trabalhar" hoje, mas sim que eu poderia deixar de trabalhar algumas horas... Mas repare, uma vez que as tarefas são muito bem divididas, se eu não completar aquelas designadas a mim, ninguem o fará. Portanto, para poder sair do navio algumas horas, eu tenho que dar conta defazer todo o meu preparo pro jantar. O que significa que eu preciso, então, começar mais cedo. Então peguei no batente as 5 da matina, pra poder picar todas aquelas folhas pra 2000 pessoas...

As 10 da manhã eu já estava livre, dei uma descansadinha e as 11 eu saí. Estou em Ocho Rios, na Jamaica. Um taxista me "ofereceu" seus serviços de guia e me levou pra dar uma voltinha pela cidade. Primeiro fomos ver a principal atração turística, Dunn's River Falls, uma cahoeira que tem niveis, como mega degraus de pedra, e termina na praia. Então, começando na praia, os turistas sobem pelascascatas. Bonito. Mas Bonito, no Mato Grosso do Sul, é mais,verdade! Depois fui comer jerk chicken, a iguaria típica, que é um frango extra-temperado e apimentado assado em brasa, como o nosso churrasco. É servido com arroz e feijão, mas diferentemente do nosso, o feijão é como que cozido junto com o arroz. Não tem caldo, é tudo misturado. Para beber, Ting, um refrigerante jamaicano - só existe aqui - feito de grapefruit. Bem gostoso. Durante o almoço no lugar bem simples que o tal taxista me levou, tocava Bob Marley ao fundo. Quase um clichê, mas foi gostoso. E então, começou a chover, muito! Eu tinha apenas 1 hora para voltar ao navio. Até aí tudo bem. Mas no fim, quando o taxista diriga o taxi de volta, em direção aocentro, meteu o patão na minha perna e soltou um "I love brazilian girls...". Aí eu já fiquei nervosa,mandei ele tirar o mãozão e mandei parar ali, senão eu ia gritar. O cara ficou meio bolado, e me pediu 50 dólares. Paguei, porque fiquei com medo. Ele ainda falou umas barbaridades quando saí do taxi, mas tudo bem. Corri pradentro do Internet Cafe de onde lhes escrevo este post...

Decepção com a tão sonhada Jamaica, devo dizer...

Mudando de assunto, a nossa rota este cruzeiro é - saindo de Miami - Key West, Cozumel, at sea, Grand Cayman, Jamaica, at sea, Aruba, Curaçao, 2 at sea, Miami de volta. Até o final do ano ficaremos nisso. Reveillón muda um pouco, e passaremos o dia 31 no mar e dia 1 estaremos em Labadee, a "ilha" particular da Royal Caribben no Haiti. Parece muito divertido... MAS NÃO É!!!

Primeiro porque, em Miami, tenho poucas horas. É dia de embarcação . Não há almoço, mas tenho que preparar as saladas para o jantar. No final do cruzeiro as folhas já estão prá lá de Bagdad, então prá começar o serviço tenho que esperar as folhas novas chegarem a bordo. Tenho menos tempo de preparo...

Neste Key West, não pudemos aportar porque o mar não estava prá peixe. O navio balançava tanto que os carrinhos com pratos andavam sozinhos pela cozinha! 30% da tripulação enjoa, o hospital lota, os passageiros comem menos. Eu até gosto disso, pois é gostoso prá dormir a noite. Não enjôo nem a pau... Nasci para o mar, sou filha de Iemanjá! Ao invés de pararmos no porto, passamos o dia navegando.

Paramos em Cozumel,emseguida, como previsto. Quase tivemosque passar a noite lá, a tripulação ficou eufórica - mas foi alarme falso. Netuno colaborou com nosso nórdico capitão Tor (sem brincadeira,ele é da Noruega). Ontem a noite balançou bastante, quase não paramos em Grand Cayman, já que lá não tem pier - tem quelevar os passageiros a praia de barquinhospara 150 pessoas de cada vez, esta operação chama-se tendering.

Minhas horas são pouquíssimas, e a tarde termino tão cansada que só quero dormir. Não tenho nem vontadede sair. Se quiser sair, tenho sempre que começar as 5 da manhã, e sair depois de ternminar, para então entrar a noite no mesmo horário. E confessando, depois do pequeno "incidente jamaicano" hoje, prá que? Melhor dencansar.

O trabalho vai bem, dentro do possivel. Iam me transferir de setor, me passando para o café da manhã, onde o serviço é mais leve, mas ainda não rolou. O Chef Executivo corporativo veio visitar o navio e disse aso meu chefe que já tinha dito isso antes, não queria mais ver mulheres na salada... E como em qualquer cozinha do mundo, as coisas as vezes ficam confusas, especialmente se vc tem gente aoseu redor falando um inglês ininteligível, além de suas mais de 20 línguas nativas.

Os indianos tem sido pais para mim. Me dão comida indiana (eles cozinham a comida deles todos os dias, não comem outra coisa), que apesar de ser forte e eu não gostar na maioria das vezes... Me ajudam no trabalho, e me defendem dos grosseiros garçons famigerados.

Apesar de todo o cansaço, tá dando prá levar. Além da rotina de trabalho, tem os malditos treinamentos (emergência, muito importante, caso o navio AFUNDE, cultura da corporação, Higiene na Cozinha, etc...).

Até a próxima...

sábado, novembro 06, 1999

A primeira vista II...

Bem, continuando a "aventura"...

Acordei no dia seguinte moída. Fui direto para a cozinha. Nem tomei café da manhã, porque não sabia onde era o refeitório. Agnes tinha saído um pouco antes de mim. Cheguei na cozinha, e o tal cara que tinha me agarrado pelo braço e me levado pro andar de cima da cozinha, já chegou e já ordenou que fosse com ele. No caminho tive tempo de perguntar o nome dele (Hemendra) e de onde ela era (Índia, como aparentemente todos oscaras que trabalhavam no meu setor, pantry).

Chegamos ao andar térrreo, no fundo do navio. Havia lá uma salinha com várias pias, várias mesas de inox e várias tábuas de corte. Então o cara me mostrou o meu local - uma bancada, um estrado plástico no chão, ao lado da bancada, uma pia e uma "máquina de lavar folhas". Nunca tinha visto uma daquelas, nem no catering do aeroporto de Cumbica quando fiz estágio lá. Então, o cara chegou com um negão imenso, que abriu uma porta de camara fria que dava de frente pro meu estrado plástico. O negão veio de lá de dentro com uma caixa no ombro e tacou a caiza no estrado. Nisso o indiano abriu a caixa, tirou uma cabeça de alface romana de lá de dentro e pegou um faca grande. Limpou as folhas exteriores da alface, picou o resto nuns 10 segundos, tacou dentro da pia, e disse que a pia estaria cheia de água e solução sanitizante. Quando a pia estivesse cheia, deveria tirar as folhas e secá-las naquela máquina, e ir enchendo umas caixonas plásticas com alface picada. "Você tem até as 3 da tarde para fazer isso. Precisa encher umas 4 e meia dessas caixas plásticascom folhas picadas. Hoje o jantar é formal, e a salada é Cesar Salad, que sai muito. Certifique-se que você tenha alface pros dois turnos de jantar" (explicação: como o restaurante principal acomoda só metade dos passageiros, o jantar é feito em dois turnos, cada um para mais ou menos mil pessoas...). Eu olhei aquela caixa de alface ali e achei que seria fácil. Até me esqueci de dizer ao indiano que as 8:30 da manhã eu tinha um treinamento. E no treinamento de ontem, eles disseram que haja o que houver, não se falta a treinamento.

Então o indiano me explicou que ele cuidaria das folhas para o almoço, e faria os croutons, o molho e ralaria o queijo para a salada. "Vai ser fácil", pensei. Então o indiano disse ao negão "Pode tirar tudo e botar aqui, ó. Ela entendeu o serviço". Então o cara começa a sair de dentro da câmara fria com caixas de alface romana de 2 em 2. E começa a empilhá-las no estradinho de plástico. Quando ele ternimou, a pilha era maior que eu. Aí eu saquei a gravidade da coisa...

Mas então logo depois tive que sair correndo pro tal treinamento. Tinha um filipino que trabalhava lá comigo, e pedi a ele que avisasse se o indiano viesse atrás de mim, que eu tinha ido. Voltei umas 2 horas depois (no treinamento havia croissants, donuts, suco de laranja e café, então tinha comido algo...). Quando cheguei no meu escritório o indiano me viu e se pôs a urrar comigo "Cadê vc, onde se enfiou, como sai sem me avisar, eu sou seu chefe!!!!!!!". E de cara disse que tinha ido ao training. E ele continuou gritando queeu não poderia ter ido, que agora estávamos muito atrasados, que eu não ia terminar o serviço nunca.... Então eu disse que se acalmasse, parasse de gritar, que ele NÃO era meu supervisor, esim o indiano de óculos que estava lá em cima (a chef sueca tinha me explicado isso), e que eu precisasse passar a tarde toda picando a porcaria de alface, eu ficaria. O cara foi embora. O filipino soltou um "Vc é corajosa...". E eu respondi a ele que não era só porque eu era nova que eu ia ter que engolir desaforo, ainda mais sem ter culpa, ué....

Então passei a tarde toda picando aquelas caixas de alface toda. Terminei as 4 da tarde. Já não tinha niguém na cozinha quando subi prá guardar a alface picada. O indiano gritão tinha me ajudado. Claro que eu tinha perdido o almoço... Tava azul de fome. Então na camara fria o indiano me deu um sanduba - e de novo dizendo prá não deixar ninguém ver, que é proibido comer na cozinha...

Fui descansar uma meia hora, e as 5 já tinha que estar de volta na cozinha... Prá ajudar a montar as saladas. E nada de jantar... Servi as saladas do primeiro turno e lá fui eu recolher mais pratos limpos, jantar de novo escondida na camara fria pois o senhor indiano do andar de cima foi o único que perguntou se eu tinha jantado.

Pra vocês terem uma idéia, só no segundo dia, depois que acabei de picar todas as folhas, é que alguém se lembrou de mostrar onde era o refeitório, e de me mostrar os horários de funcionamento...

E assim tinha início minha vida de picadora de alface....

A primeira vista...

Bom, fiquei devendo um post sobre o primeiro dia, então lá vai...

De manhã, no dia do embarque, me despedi do Márcio, meu amigo que me hospedou. Ele não pode ir ao porto comigo pois tinha aula. Então me colocou no táxi e lá fui eu. No caminho, o motorista perguntou se eu ia fazer um cruzeiro. Lhe respondi que ia era ser tripulante, trabalhando na cozinha. Papo vai, papo vem, eu olhando a bolsa a toda hora só pra reconferir pela milionesima vez se todos os documentos estavam lá,etc. E então o taxista solta a pérola "Então, acho que vc vai trabalhar a beça, olha o tamanho do barco!". E então ergui a cabeça e por alguns segundos prendi a respiração.... Nunca vivi em cidade portuária, então não era acostumada a ver navios. Achei aquela coisa imensa!!! E o taxi virou pra entrar no porto. Meu coração a mil por hora. O taxista desejou boa sorte...

Naquela confusão de gente e bagagem, olhei pra cima de dentro do terminal, pela janela, e contei 9 andares. Naquele momento eu queria gritar e chorar. Não acreditava que estava ali, tinha conseguido, e não estava embarcando num navio pirata ou coisa parecida. Era tão bonito o tal navio...

E então abri a bolsa procurando o numero da Embratel pra ligar a cobrar. Liguei pra casamas nao atendeu... Entao liguei no trabalho da minha melhor amiga, a Ana Paula. Ela mal atendeu eu desatei a falar... Desabafei um pouco. Desliguei, me recompus e fui me apresentar. Havia um senhor ingles de uniforme de marinheiro, recebendo os tripulantes. Ele bateu o olho na papelada e me mandou entrar. Havia uma pessoa com uniforme de cozinheira me esperando. Se apresentou, era a Sous-Chef. Ja me foi levando aqui e ali, falava, falava, e eu não "ouvia" nada, mas estava me esforçando pra entender tudo. Primeiro fui a uma sala cheia de gente, assinar o contrato de trabalho. E recebi um envelope com a a chave da minha cabine, um cartão cheio de números... De lá a chef ja foi me ajudar a achar a cabine. Ate mandou uns caras me ajudarem com as malas. Descemos umas escadas,vira lá,vira cá... Abri a porta...Gente, que ovinho! Mas não deu nem tempo, ela me mandou escolher uma cama - peguei a beliche de baixo, e já saimos de novo. Ela me levou pra pegar uniforme, na lavanderia pegar roupa de cama, e me disse pralevar tudo pra cabine e ir encontra-la na cozinha quando terminasse.

Quando finalmente consegui achar a cabine, a porta estava aberta, havia uma outra garota la, uma sul-africana, que ia trabalhar como waitress. Nos comprimentamos, eu taquei roupas de cama e uniformes na cama e já sai de novo procurando a cozinha. Demorou,mas achei - fui perguntando no caminho. Achei a chef e ja saimos de novo. Ela andando rápido e eu atras. Era um entra aqui, sai ali, sobe e desce escada, elevador.... Ela foi me mostrar o local onde eu deveria ir a um treinamento ainda esta tarde, e depois foi me mostrar meu posto de emergência - ??????? E eu com cara de ?????

Chegando no lugar, ela me explicou que toda vezque houvesse uma emergencia ou um treinamento de emergencia ela ali que eu tinha que ir. E de la, devia depois ir para outro lugar, de onde embarcariamos nos salva-vidas (só caso acontecesse alguma coisa!). Se eu tava assustada? Rapaz...... Então ela me explicou que o treinamento de logo mais era pra isso, mas que ela so queria me mostrar o local, pra eu não ficar muito perdida depois.... De lá voltamos a cozinha, ela me mandou ir comer, e eu respondi que não tinha fome (estava tão nervosa,intimidada, apavorada...). Então ela me madou voltar a cabine e arrumar as coisas, dar um relax, para depois ir ao treinamento e por fim, TRABALHAR! Eu perguntei se já tinha que trabalhar hoje, ela quase riu. Disse que obviamente sim, pois a pessoa que eu estava substituindo tinha saido de férias hoje. Tudo bem!

Depois de mais um tempo rodando e procurando a cabine, quando chego encontro uma filipina, ao inves da sul-africana. OOOPS! Cabine errada... Ela disse que não, que a outra garota e que tinha sido mandada pra la por engano. Entao, ah, vc vai ser minha roomie... Apresentações de novos,etc. Então ela foi encontrar a chef pra fazer aquilo tudo que eu ja tinha feito. Aproveitei para desfazer as malas, arrumar a cama, fazer tudo caber naquele espacinho... Quando terminei sentei um minuto. A Agnes voltou e perguntou se eu não ia almoçar, pois estavam fechando o refeitório. Disse que não tinha fome, ela deu de ombros.

Então fomos juntas ao tal treinamento, ou Pre-Departure Safety Training. De acordo com o regulamento internacional, todo e qq tripulante deve passar por ele antes que o navio parta. Assim, se acontecer alguma coisa, eles já saberão como proceder. Aqui durou umas 2 horas. saindo de lá foi o tempo de as 2 tomarem banho, vestir o uniforme e sair para a cozinha. Deveriamos nos apresentar as 5 da tarde.

Chegando na cozinha, ja havia muitos funcionarios por la. Então a chef nos levou ao nosso posto - pantry, a cozinha fria, responsavel pelas saladas, entradas frias, frutas, canapes, etc (não era a confeitaria, como o Sr Tulio já me havia dito...). Só havia homens, e eles tinham uma cara muito esquisita. Quase todos tinham um bigodão. Apresentações daqui, boas vindas de lá, e o chef do setor " Bom, agora vamos trabalhar, que já vai começar o jantar... Quem quer ficar com qual?" E um caraja me catou pela mão e já foi me levando pro andar de cima. Me botou em frente a uma mesa grande de inox, com umas 6 geladeiras atrasde mim. Trouxe um carrinho cheio de pratos. Depois uma caixona de folhas, outra com tomates fatiados, outra com champignons frescos picados, e um container com pignolis. Tacou tudo ali. Pegou um pratinho, montou uma salada, e me preguntou se eu tinha entendido. "Sim...". E ele "Como já viu, vc vai fazer as saladas". Eu disse OK. "Só isso mesmo?" E ele respondeu, sim ,mas voce vai ter que encher as 6 geladeiras ai atrás...E tem 1 hora pra fazer isso. Lágrimas apareceram nos olhos, mas as empurrei pra dentro! Tava com fome, afinal não tinha almoçado. Perguntei que horas poderiacomer algo, e o cara disse que mais tarde, depois que eu terminasse as saladas.

Então comecei. Havia um senhor mais velho me ajudando. Eu perguntei se ele trabalharia comigo, ele disse que não. Que só estava me dando uma força pq era meu primeiro dia. E começamos, e conseguimos. Logo em seguida começaram a aparecer garçons ali e levar as saladas. Me aliviei, pois havia terminado. Fui perguntar ao senhor mais velho se podia comer agora. Ele disse que não, pois esse era só o primeiro turno, e eu deveria repetir a operação para o segundo turno de jantar. O que??????????? E vi então que o cara ficou compena de mim. Então alguns minutos depois ele me apareceu com um prato de macarrão e me apontou a câmara fria em frente a mesa de serviço. E disse "Coma lá dentro, e rápido. Não deixe ninguém te ver, pois é proibido comer dentro da cozinha!" Eu catei o prato e voei. Acho que devorei em menos de 5 min. (esta nota eu resolvi acrescentar anos depois... Depois de muitos anos,eu já como chefe, quando recebia meus tripulantes de primeira viagem, sempre os levava ao refeitório primeiro de tudo, e sempre fiz questão de dizer a eles que comessem quando eu lhes dissesse, pois mais tarde poderia não haver mais chance. Este trauma ficou,viu...)Então ele catou o prato vazio e sumiu, voltou correndo e disse praeu agarrar o carrinho de pratos e ir encontrar o cara que tinha me trazido la pra cima no lava-pratos.

Chego la com o carrinho, e o indiano que era a meu chefe imediato tava agarrando pratos que saiam da lava-louçascom os dois braços, e começou a tacá-los no meu carrinho. E disse, "hoje eu to te ajudando, mas a partir de amanhã vc fará isso sozinha... É preciso recolher os pratos e esfriá-los na camara-fria, pra vc poder começar a montar as saladas outra vez. O segundo turno começa em menos de 1 hora e meia..." Já deu prá sentir que eu queria chorar, né... Mas me segurei e terminei o serviço, imaginando que amanhã melhoraria, pois eu teriamais tempo. Mal sabia eu...

Fui pra cabine exausta... Tomei um chuveiro e caí na cama. Nem sei como lembrei de botar o despertador. A Agnes também tava podre. E como este post ficou muito longo, termino depois. Aguardem o fim desta aventura (ou seria presepada?).

Detalhe - na primeira entrevista no Brasil, o Sr Tulio achou que eu não tinha experiência na cozinha, mas acabou memandando como Assistant Cook, que é uma "patente" acima do nível de entrada, Cook Trainee... Salário de 700 doletas, contra os 500 do nível de entrada! Mas já tava na chuva mesmo, e fiz isso não pelo salário, mas pela experiência que isso iria me proporcionar.