Bem, continuando a "aventura"...
Acordei no dia seguinte moída. Fui direto para a cozinha. Nem tomei café da manhã, porque não sabia onde era o refeitório. Agnes tinha saído um pouco antes de mim. Cheguei na cozinha, e o tal cara que tinha me agarrado pelo braço e me levado pro andar de cima da cozinha, já chegou e já ordenou que fosse com ele. No caminho tive tempo de perguntar o nome dele (Hemendra) e de onde ela era (Índia, como aparentemente todos oscaras que trabalhavam no meu setor, pantry).
Chegamos ao andar térrreo, no fundo do navio. Havia lá uma salinha com várias pias, várias mesas de inox e várias tábuas de corte. Então o cara me mostrou o meu local - uma bancada, um estrado plástico no chão, ao lado da bancada, uma pia e uma "máquina de lavar folhas". Nunca tinha visto uma daquelas, nem no catering do aeroporto de Cumbica quando fiz estágio lá. Então, o cara chegou com um negão imenso, que abriu uma porta de camara fria que dava de frente pro meu estrado plástico. O negão veio de lá de dentro com uma caixa no ombro e tacou a caiza no estrado. Nisso o indiano abriu a caixa, tirou uma cabeça de alface romana de lá de dentro e pegou um faca grande. Limpou as folhas exteriores da alface, picou o resto nuns 10 segundos, tacou dentro da pia, e disse que a pia estaria cheia de água e solução sanitizante. Quando a pia estivesse cheia, deveria tirar as folhas e secá-las naquela máquina, e ir enchendo umas caixonas plásticas com alface picada. "Você tem até as 3 da tarde para fazer isso. Precisa encher umas 4 e meia dessas caixas plásticascom folhas picadas. Hoje o jantar é formal, e a salada é Cesar Salad, que sai muito. Certifique-se que você tenha alface pros dois turnos de jantar" (explicação: como o restaurante principal acomoda só metade dos passageiros, o jantar é feito em dois turnos, cada um para mais ou menos mil pessoas...). Eu olhei aquela caixa de alface ali e achei que seria fácil. Até me esqueci de dizer ao indiano que as 8:30 da manhã eu tinha um treinamento. E no treinamento de ontem, eles disseram que haja o que houver, não se falta a treinamento.
Então o indiano me explicou que ele cuidaria das folhas para o almoço, e faria os croutons, o molho e ralaria o queijo para a salada. "Vai ser fácil", pensei. Então o indiano disse ao negão "Pode tirar tudo e botar aqui, ó. Ela entendeu o serviço". Então o cara começa a sair de dentro da câmara fria com caixas de alface romana de 2 em 2. E começa a empilhá-las no estradinho de plástico. Quando ele ternimou, a pilha era maior que eu. Aí eu saquei a gravidade da coisa...
Mas então logo depois tive que sair correndo pro tal treinamento. Tinha um filipino que trabalhava lá comigo, e pedi a ele que avisasse se o indiano viesse atrás de mim, que eu tinha ido. Voltei umas 2 horas depois (no treinamento havia croissants, donuts, suco de laranja e café, então tinha comido algo...). Quando cheguei no meu escritório o indiano me viu e se pôs a urrar comigo "Cadê vc, onde se enfiou, como sai sem me avisar, eu sou seu chefe!!!!!!!". E de cara disse que tinha ido ao training. E ele continuou gritando queeu não poderia ter ido, que agora estávamos muito atrasados, que eu não ia terminar o serviço nunca.... Então eu disse que se acalmasse, parasse de gritar, que ele NÃO era meu supervisor, esim o indiano de óculos que estava lá em cima (a chef sueca tinha me explicado isso), e que eu precisasse passar a tarde toda picando a porcaria de alface, eu ficaria. O cara foi embora. O filipino soltou um "Vc é corajosa...". E eu respondi a ele que não era só porque eu era nova que eu ia ter que engolir desaforo, ainda mais sem ter culpa, ué....
Então passei a tarde toda picando aquelas caixas de alface toda. Terminei as 4 da tarde. Já não tinha niguém na cozinha quando subi prá guardar a alface picada. O indiano gritão tinha me ajudado. Claro que eu tinha perdido o almoço... Tava azul de fome. Então na camara fria o indiano me deu um sanduba - e de novo dizendo prá não deixar ninguém ver, que é proibido comer na cozinha...
Fui descansar uma meia hora, e as 5 já tinha que estar de volta na cozinha... Prá ajudar a montar as saladas. E nada de jantar... Servi as saladas do primeiro turno e lá fui eu recolher mais pratos limpos, jantar de novo escondida na camara fria pois o senhor indiano do andar de cima foi o único que perguntou se eu tinha jantado.
Pra vocês terem uma idéia, só no segundo dia, depois que acabei de picar todas as folhas, é que alguém se lembrou de mostrar onde era o refeitório, e de me mostrar os horários de funcionamento...
E assim tinha início minha vida de picadora de alface....
Acordei no dia seguinte moída. Fui direto para a cozinha. Nem tomei café da manhã, porque não sabia onde era o refeitório. Agnes tinha saído um pouco antes de mim. Cheguei na cozinha, e o tal cara que tinha me agarrado pelo braço e me levado pro andar de cima da cozinha, já chegou e já ordenou que fosse com ele. No caminho tive tempo de perguntar o nome dele (Hemendra) e de onde ela era (Índia, como aparentemente todos oscaras que trabalhavam no meu setor, pantry).
Chegamos ao andar térrreo, no fundo do navio. Havia lá uma salinha com várias pias, várias mesas de inox e várias tábuas de corte. Então o cara me mostrou o meu local - uma bancada, um estrado plástico no chão, ao lado da bancada, uma pia e uma "máquina de lavar folhas". Nunca tinha visto uma daquelas, nem no catering do aeroporto de Cumbica quando fiz estágio lá. Então, o cara chegou com um negão imenso, que abriu uma porta de camara fria que dava de frente pro meu estrado plástico. O negão veio de lá de dentro com uma caixa no ombro e tacou a caiza no estrado. Nisso o indiano abriu a caixa, tirou uma cabeça de alface romana de lá de dentro e pegou um faca grande. Limpou as folhas exteriores da alface, picou o resto nuns 10 segundos, tacou dentro da pia, e disse que a pia estaria cheia de água e solução sanitizante. Quando a pia estivesse cheia, deveria tirar as folhas e secá-las naquela máquina, e ir enchendo umas caixonas plásticas com alface picada. "Você tem até as 3 da tarde para fazer isso. Precisa encher umas 4 e meia dessas caixas plásticascom folhas picadas. Hoje o jantar é formal, e a salada é Cesar Salad, que sai muito. Certifique-se que você tenha alface pros dois turnos de jantar" (explicação: como o restaurante principal acomoda só metade dos passageiros, o jantar é feito em dois turnos, cada um para mais ou menos mil pessoas...). Eu olhei aquela caixa de alface ali e achei que seria fácil. Até me esqueci de dizer ao indiano que as 8:30 da manhã eu tinha um treinamento. E no treinamento de ontem, eles disseram que haja o que houver, não se falta a treinamento.
Então o indiano me explicou que ele cuidaria das folhas para o almoço, e faria os croutons, o molho e ralaria o queijo para a salada. "Vai ser fácil", pensei. Então o indiano disse ao negão "Pode tirar tudo e botar aqui, ó. Ela entendeu o serviço". Então o cara começa a sair de dentro da câmara fria com caixas de alface romana de 2 em 2. E começa a empilhá-las no estradinho de plástico. Quando ele ternimou, a pilha era maior que eu. Aí eu saquei a gravidade da coisa...
Mas então logo depois tive que sair correndo pro tal treinamento. Tinha um filipino que trabalhava lá comigo, e pedi a ele que avisasse se o indiano viesse atrás de mim, que eu tinha ido. Voltei umas 2 horas depois (no treinamento havia croissants, donuts, suco de laranja e café, então tinha comido algo...). Quando cheguei no meu escritório o indiano me viu e se pôs a urrar comigo "Cadê vc, onde se enfiou, como sai sem me avisar, eu sou seu chefe!!!!!!!". E de cara disse que tinha ido ao training. E ele continuou gritando queeu não poderia ter ido, que agora estávamos muito atrasados, que eu não ia terminar o serviço nunca.... Então eu disse que se acalmasse, parasse de gritar, que ele NÃO era meu supervisor, esim o indiano de óculos que estava lá em cima (a chef sueca tinha me explicado isso), e que eu precisasse passar a tarde toda picando a porcaria de alface, eu ficaria. O cara foi embora. O filipino soltou um "Vc é corajosa...". E eu respondi a ele que não era só porque eu era nova que eu ia ter que engolir desaforo, ainda mais sem ter culpa, ué....
Então passei a tarde toda picando aquelas caixas de alface toda. Terminei as 4 da tarde. Já não tinha niguém na cozinha quando subi prá guardar a alface picada. O indiano gritão tinha me ajudado. Claro que eu tinha perdido o almoço... Tava azul de fome. Então na camara fria o indiano me deu um sanduba - e de novo dizendo prá não deixar ninguém ver, que é proibido comer na cozinha...
Fui descansar uma meia hora, e as 5 já tinha que estar de volta na cozinha... Prá ajudar a montar as saladas. E nada de jantar... Servi as saladas do primeiro turno e lá fui eu recolher mais pratos limpos, jantar de novo escondida na camara fria pois o senhor indiano do andar de cima foi o único que perguntou se eu tinha jantado.
Pra vocês terem uma idéia, só no segundo dia, depois que acabei de picar todas as folhas, é que alguém se lembrou de mostrar onde era o refeitório, e de me mostrar os horários de funcionamento...
E assim tinha início minha vida de picadora de alface....
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