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quinta-feira, agosto 13, 2009

A lição do busão virou uma memória de um micão!

Hoje de manhã chovia... E eu tinha que pegar o ônibus pra ir dar a minha aula. Saí cedo demais de casa - mania de paulistana - em SP, se você precisa estar em algum lugar às 9, saia duas horas antes! E ainda assim você vai se atrasar! Enquanto esperava, fui dar uma fuçada no centro turístico, dar uma olhadinha nas coisas. Achei um panfletinho com a história da cidade (reproduzirei em outra ocasião), dei uma lida, então lá vem o bus. Logicamente a motorista era a mesma! Dei risada ao olhar pra ela, porque me lembrei do vexame anterior. Porém, dessa vez, disse à ela, em noruga, "Bom dia! Mesmo lugar! " mostrando à ela o bilhete da viagem anterior, e já dando as moedinhas. Ela sorriu. Yey! Existe vida feliz atrás das direções de busão em Bodø...

E então, sentada no busão, lembrei de uma história gozada que resolvi contar - mais para futura auto-lembrança que por qualquer outro motivo. Afinal, esse blog conta minha vida (maomenos) há dez anos. E essa viagem foi meio pulada...

Pois é. Antes de conhecer Lars, eu tinha um namorado irlandês no navio. E em 2006 vim passar férias nas "Oropa" com ele. Passamos uns dias lá na terra dele, e depois saímos on tour. O primeiro lugar do tour foi a Hungria. País onde falam aquela língua que, de acordo com Chico Buarque (aprendi isso num blog, blog é cultura), nem o diabo compreende. Pouca gente na Hungria fala inglês. Se você seguir os guias turísticos e ficar em locais turísticos, é provável que não enfrente problemas. Mas o Leo era um sujeito muito descolado, e resolveu ficar num panzio, ao invés de um hotel ou albergue. Ele fez a reserva pela net. Panzios são casas de família, mais ou menos como se a família tivesse uma edícula nas fundos da casa, com cozinha, quarto, banheiro, entrada separada, etc. Um jeitinho pós-comunismo de famílias húngaras faturarem um troquinho extra. Eu super recomendo, mas... Em geral são longe das áreas centrais. Hoje em dia já existem panzios que são praticamente hotéis, mas o nosso era bem simples, um puxadinho acima da casa onde a família morava. Mas era enorme!

Budapest tem duas áreas principais, que são divididas pelo Rio Danúbio. De um lado, Buda, a parte mais residencial, cheia de colinas, e aqueles edifícios horrorosos da Era Comunista, que parecem pombais, e do outro Pest, a parte mais central, onde se encontram as atrações turísticas, a cidade antiga, a vida norturna... Então, nosso panzio era em Buda, e ainda por cima no alto dum morro. Pra ir à Pest, precisávamos pegar um ônibus pra descer o morro, andar um pouco, pegar um trenzinho que atravessa o rio, e dependendo do destino, então o metrô (um metrô sinistro, também da Era do Comunismo).

vista do Danúbio cortando a cidade - cheio de gelo se partindo com a correnteza

Fora que os nomes das estações de metrô levam minutos pra serem decifradas se você conseguir distinguí-las at all. Mas Leo era profissa, pois conhecia a cidade.

Então, quando chegamos à cidade, saímos do aeroporto de busão, chegamos ao metrô depois de uns 45 min, daí umas cinco estações de metrô, daí o trenzinho que atravessao rio, daí outro bus, e daí tínhamos o bus de subir o morro. Cadê que ele vinha? Pra ajudar, o telefone do Leo estava sem bateria, e era um Domingão à noite. Não havia muita gente na rua - e muito menos táxis! O que salvou a noite (tava bem frio) foi um MacDonald's do outro lado da rua. Entrei e sentei no quentinho, enquanto o Leo tentava se atirar de algum eventual táxi. 40 minutos depois,ele conseguiu. O taxista não falava inglês. Leo mostrou um mapinha impresso da net com a direção do panzio. Mais a subidona de morro, e voilá. O dono da casa achou que não chegaríamos mais.

Contamos à ele a saga, e ele disse que os ônibus no Domingo demoravam mesmo. Então, muito gentil, ele nos disse onde poderíamos comer algo - que não fosse McDonald's. Tinhamos que descer o morro de ônibus. Então veio o detalhe fundamental... Na Hungria você entra no buso pela frente OU por trás, o mesmo pra descer. Há umas maquininhas no buso onde você, honesto passageiro, picoteia o bilhete. "Tá, mas onde compra o bilhete?" e ele "Ah, hoje é Domingo, vocês não compram. Mas podem pegar o ônibus, não tem problema. Mas comprem bilhetes amanhã, às vezes aparece um fiscal, e se você não tiver bilhete, é multa." Ah, e em 2006 a Hungria ainda não havia adotado o Euro. E descemos o morro de buso, depois do jantar numa pizzaria, subimos o morro de buso, sem pagar, sem problema. Na segunda, descemos, ainda sem pagar, pois pra comprar bilhete, só na cidade e nas estações de metrô.


a sala do panzio - o lugar era imenso, e bem confortável

Então, depois de um dia inteiro pra cima e pra baixo de metrô, na hora de voltar pro panzio, lembramos do ônibus. E fomos ao caixa do metrô tentar comprar um bilhete integração. A caixa não falava lhufas de inglês, e nós, absolutamente nada de húngaro (aliás, eu aprendi a dizer "tim-tim" e um palavrão em húngaro, mas não ouso escrever!). Então, ela nos deu um bilhete de metrô e um cor-de-rosa. Presumimos que fosse o do ônibus.

Então, passamos a picotar o bilhetinho rosa no busão do morro. Até que na terça à noite, pegamos o penúltimo ônibus pra subir o morro, eis que sobe o fiscal. Nós pegamos os bilhetinhos rosa picotados e mostramos pro cara. O ônibus estava lotado, e o cara veio direto na gente - como que sentindo o cheiro de turista.

Ao mostrarmos o bilhetinho rosa, o cara começou a abanar as mãos que não, e Leo foi tentar explicar que comprou na estação do metrô, etc. Quanto mais tentávamos explicar, mais nervoso o cara ia ficando, gritando, agitando as mãos, abrindo a bolsinha de fiscal dele. Então, puxou um tabelão da bolsinha, apontou um preço lá e começou a escrever num bloquinho. Putz, multa, pensei.

Nessas alturas, o ônibus inteiro olhava pra gente, nós com as sacolinhas do mercado, acuadinhos no fundo do busão... Não restou nada a fazer, além de pagar, ué... O equivalente de 20 Euros por cabeça, uns 40 Euros.

Pra não dizer que ter ficado hospedado no panzio não compensou, pois se tivéssemos ficado num albergue em Pest talvez tivessemos gasto mais mesmo. Não lembro o valor do panzio, mas era muito mais barato que o albergue. E como essa viagem tinha ficado muito barata (de Dublin a Budapest de RyanAir por 18 Euros por cabeça - viu? Mais barato que a multa!), não reclamamos mais disso. Aliás, não tocamosmais no assunto. Mas não consigo esquecer da vergonha terrível que passamos.



E como sempre, tudo tem seu preço na vida. Budapest é uma cidade fabulosa, considerada a Paris do leste europeu, e deve ser incluída em planos de viagem futuros. Se resolver ficar num panzio, assegure-se que esteja localizado em Pest!

domingo, março 19, 2006

Updating

Ok, ok, eu sei que estive absolutamente relapsa com esta página, mas é dificil manter tudo em dia.

Não escrevi nada sobre meu contrato passado, mas realmente o que importa é que eu e Leo vamos firme, e nós dois nos voluntariamos para abrir o novo navio da Royal Caribbean, o Freedom of the Seas (acessem o site e deem uma olhada, 20 mil toneladas maior que o Navigator, 100 pés mais longo, e com novas e imbatíveis atrações). Achamos que seria bom mudar de ares, e obviamente abrir o maior barco do mundo deve adicionar algo no currículo. Mas, o mais importante, bastante dinheiro, pois no primeiro ano o barco e disputadíssimo, vive lotado, e não há promoções... Sorry, sem visitas no Freedom até o ano que vem.

Saí de férias no meio de janeiro e fui para a Irlanda, conhecer a famiíla do Leo. Primeiro fiquei uma semana em Dublin, na casa do irmão do Leo - eu fiz sign-off uma semana antes dele. Para quem conhece a famosa infame anedota da Índia, tenho a dizer que esta experiência foi muito mais prazerosa. De Dublin fomos a Galway, a cidade natal dele, na costa oeste. Conheci a familia, amigos, e viajamos pela Europa, fazendo o roteiro que sempre quis: Budapeste, na Hungria, passando rapidamente pela Eslováquia só para adicionar um país a nossas listas, depois Viena, na Áustria, Praga, na República Tcheca, e finalmente Paris.

A viagem foi ótima, muita neve começou a cair em Budapest - ah, que lindo Budapest, e o caminho de trem de lá para a Eslováquia foi branquinho, branquinho. Em Bratislava ficamos apenas 6 horas, esperando o próximo trem. Foi suficiente para ver a cidade com 10cm de neve, comer num restaurante trendy e tomar vinho eslovaco, ou a sommelier aqui não sossega, e sentar na estação de trem e tomar várias Staropramen e Budvar... Chegamos em Viena à noite. O albergue era ótimo. Saímos para jantar e no dia seguinte fomos passear. Em um dia deu pra ver muita coisa. Exaustos, pegamos o trem pra Praga no dia seguinte. Já o albergue de Praga não era tão legal, mas deu pro gasto. Passamos a maior parte do tempo na rua de qualquer jeito.

De Praga tomamos um avião para Paris. E foi fabuloso. Notre Dame, Sacre Couer, Louvre, Orsay, Versailles, enfim, fizemos muito com nosso tempo. Passei meu aniversário lá, comendo um prataço de frutos do mar crus. Num bistrô fenomenal. Comi muito bem, aliás, exceto pelo dia em que resolvemos economizar e comer um almoço furreca numa dessas lojinhas turcas de kebab. Tive uma baita intoxicação alimentar com sanduiche de queijo, pode?

De Paris voltamos a Irlanda de Ryan Air - se estiver na Europa, ainda com dinheiro contado, Ryan Air na cabeça. É baratíssimo. Descemos em Shannon, mais perto de Galway. E então ficamos uns dias em Galway e depois fomos para Limerick, onde Leo tinha feito faculdade, um pouco mais ao sul. Alugamos um quarto numa residência de estudantes, por umas duas semanas. Saiu barato. Conheci lugares incríveis, como os Cliffs of Moher e o Bunratty Castle, no condado de Clare. Para quem não conhece a Irlanda, recomendo. Minha passagem estava marcada para dia 18 de março, então dia 16 fomos para Dublin e ficamos na casa do tio do Leo, para eu poder assistir a Parada de Saint Patrick. Foi fantástico. E pra ajudar, uma amiga irlandesa louca do navio tambem estava lá... Voei no dia seguinte com a maior ressacado mundo, afinal, os irlandeses quase não bebem!!!

Enfim, fico aqui no Brasil até dia 1 de abril, quando embarco para Miami, e de lá para a Finlândia (Turku). Devemos estar por lá umas 2, 3 semanas, e depois faremos tours com imprensa e agentes de viagem pela Europa. Atravessaremos o Atlântico, ficaremos um tempo por Boston e NY e depois, de volta ao bom e velho Port of Miami.

Juro que dessa vez vou tentar manter as coisas mais atualizadas.

Bye now...









(Budapest, margem do Danubio; Cliffs of Moher, costa sudoeste da Iralanda; Praga)
(Notre Dame, Paris; parada de St. Patrick, Dublin)