Estas últimas semanas tenho aumentado meu grau de ousadia na cozinha. Como já havia dito, aqui é possível encontrar quase todo o tipo de comida pronta, mas na minha cozinha elas não entram! Essas coisas tem muito sódio, gordura trans e sabe Dues lá que tipo de preservativos e aditivos. Então tenho me virado pra fazer eu mesma. Já andava fazendo hambúrguer de salmão, que na minha versão é apenas a carne do peixe com temperos, moldada em forma de hambúrguer. Nada de gordura ou coisas calóricas. Depois passei a fazer bolinhos de peixe, ou o famigerado fiskekake. Os industrializados tem consistência gelatinosa depois de cozidos, um horror. Então, pego o peixe (qualquer tipo vale), limpo bem, taco no processador com cebola, mostarda, um poquinho de miolo de pão, ervas ou especiarias a gosto, sal, pimenta e tabasco. A resultante disso é moldada em pequenas almôndegas, depois achatadas um pouco. Coloco os bolinhos prontos numa assadeira untada e asso no forno até que estejam cozidos - em geral 10 minutos. Lars adora, e no dia que a sogra provou, também aprovou!
Na terça passada, deu na telha que eu ia fazer gravlax, em norueguês, gravlaks. Pra quem não sabe, é um salmão curado. Vende nos Pão-de-Açúcar da vida uma marca chamada Lofoten - pois é, é daqui. Lembram do meu post sobre a história da alimentação na escandinávia? Pois é, o gravlaks vem de tempos anteriores à refrigeração, quando os pescadores costumavam enterrar o salmão na praia, na linha da maré alta, e deixavam fermentar. Grav significa grave, ou cova, e laks é salmão. O processo evoluiu (ainda bem!) e passaram a curar o salmão com sal e açúcar e endro dill. Já havia feito lox, como diziam meus professores americanos do CIA (Culinary Institute of America) no curso de Chef.
Enfim, compramos um belo filé de salmão. Procurei uma receita na net e peguei a do meu livro do CIA, minha bíblia de 1200 páginas, que era o livro-roteiro do curso de chef do Senac. Comparando, usei a do livro, obviamente mais profissional.
Então, dei uma aproximada, pois eu ia fazer apenas um filézão. Numa vasilha coloquei uma xícara de sal e uma de açúcar. Não importa a quantidade, a proporção de 1 pra 1 deve ser sempre mantida. Depois peguei uns 3 pacotinhos de dill e piquei só as folhas, e misturei ao sal. Depois peguei uma pimenta do reino moída com limão, comprado pronto, e coloquei umas duas colheres de sopa. Numa outra tigelinha, misturei suco de meio limão tahiti, uma dose de aquavit (a cachaça escandinava) e uma boa quantidade de azeite. Este líquido deve ser suficiente apenas para cobrir o filé.


Depois de prontas as misturas, enxaguei o filé de salmão e procurei por espinhas, que foram removidas com uma pinça - tenho uma na cozinha só pra peixe. Então a mistura de aquavit foi pincelada no salmão. Por causa do suco de limão, ele dá uma esbranquiçadinha de leve. Então abri o filme plástico na mesa e coloquei o filé, pele para baixo. O filé foi então coberto com a mistura de sal, açúcar e dill, numa grossa camada., apertando bem. Então o salmão foi enrolado em filme plástico, mas bem apertado, para garantir que o sal fique sempre em contato com a carne. Então coloquei o peixe, desta vez com a pele pra cima, numa assadeira, e por cima é preciso fazer peso. Pus então outra assadeira com um vidro de azeite, uma lata de tomate e um vidro vazio, que enchi de água. E assim vai à geladeira por 3 dias.




A cada 24 horas é preciso escorrer a água grossa que fica no fundo da assadeira. É normal, resultado da desnaturação da proteína do peixe, causada pelo sal. Ao se juntar com o açúcar, ela engrossa e também dá o carater adocicado ao laks.
Na quinta à noite, o resultado:
Então raspei cuidadosamente o sal e dill, e dei uma enxaguadinha de leve, muito rápida. O salmão dá uma endurecida por causa da perda de água, fica com uma casca mais grossa por cima. Depois cortei o filé em três, separei uma para consumo e congelei as outras duas. No sábado, os amigos do Lars que vieram ao churrasco também experimentaram e adoraram. Ainda fiz maionese (de liquidificador) de dill e hortelã pra acompanhar. Achei que teria sabor mais delicado que a maionese industrializada que os noruegueses tanto consomem, e que tem uma cor amarela muito feia! A sogra ainda não comeu, mas vou levar pra ela. E nunca pensei que pudese ser tão simples.Meu próximo passo, pickled herring, ou picles de arenque! Claro que, com a minha bíblia, tudo fica mais fácil mesmo...

E nosso primeiro café da manhã na varanda, e também meu primeiro pølse med lompe... Lompe é um pão de batata, em forma de panqueca mesmo. Pode ser usado para várias coisas, ele só não tem muito gosto sozinho. Mas fazem cachorro-quente com ele... Adorei. Com queijo, mostarda e catchup, assistindo ao jogo do Brasil com a África do Sul.


E ainda, no quesito comida brasileira... Outro dia eu e Bel falávamos de expatriados e suas vontades inexplicáveis de comer comida brasileira... A minha é farofa, mas ainda não vi nada de farinha aqui, nem na loja chinesa que fui sábado... Ah, foi como ir ao prque de diversões, aquele mundo de especiarias e grãos asiáticos. Vou voltar lá. Mas enquanto não volto, achei uma marca que vende feijão preto e lentilhas, já prontinhos. É só temperar. Sem aquele saco de ficar de molho nem nada! O feijão ficou muito bom, refoguei cebola, alho e bacon, e pus uma folinha de louro. Já a lentilha ficou um pouco salgada, apesar de eu não ter colocado nada de sal. A água da conserva era muito salgada, e eu só escorri, não lavei. Mas está aí a dica, GoGreen, que acho que uma marca sueca. Só encontro no CoopMega. Dessa marca também já comprei lentilha marrom seca - que fiz e ficou ótima - e feijão branco, que ainda não fiz. Quero fazer um cassoulet, mas pra isso preciso da receita da minha tia Bebé primeiro... É inigualável! Acho que nem na França...

E no quesito Comida, ainda devo um post sobre a Disneylândia das liguiças, mas isso ficará pra depois.



5. Name

