Bom, quase que a ida pra Estocolmo vira mais uma memória esfumaçada, porque já parece que faz tanto tempo... Mas voltei terça passada, então vou aproveitar pra colocar no éter da Intenrnet minha experiência que quase beirou o bizarro. Explico aos poucos...
A viagem pra Estocolmo foi parte do prêmio de funcionária do ano. Eu mais as 3 chefes de departamento e a gerente do hotel (só mulheres, olha o poder!) saímos de Bodø numa Sexta, pra aproveitar sexta a noite e o Sábado todo na cidade, já que a conferência de inverno da Nordic Choice começaria efetivamente só no Domingo.
Depois da chegada e check-in (num hotel de design fabulosérrimo e chiquérrimo, o
Birger Jarl), e de a mulherada toda se ajeitar, nos encontramos no lobby do hotel pra uma tacinha de vinho, e então pegamos um taxi pra um restaurante MARAVILHOSO, chamado
Pont Nouveau. Foi uma noite divertidíssima de boa comida, bons vinhos, papo excelente, um pouquinho de trabalho, e chocolates excelentes (uma das especialidades do lugar). De lá fomos a um outro bar na frente do hotel, e de lá pro bar do hotel, e de lá pra mais um pub (a essas alturas só eu e minha chefe). O resultado no Sábado foi uma ressaca do tamanho do mundo... Com um café da manhã que desceu atravessado, mas tudo bem. E deveríamos trocar de hotel, já que ficamos no Birger Jarl porque o hotel em que deveríamos ficar não tinha lugar na Sexta.
É que como a conferência da Choice engloba todas as cadeias, cada cadeia teria seus chefes num mesmo hotel. Nós, e todos os outros chefes de todos os Clarion Collection mais os chefes de todos os Clarion ficamos no
Clarion Hotel Sign, outro maravilhoso hotel projetado por arquitetos dinamarqueses. E sim, fico falando de hotéis e comida porque essa é minha profissão, meu
métier, minha vida! E nada melhor que um bom hotel ou um bom restaurante que não seja o que você trabalha pra dar uma bela relaxada...
Então, ainda naquela ressaca fenomenal, o grupo se dissipou. As outras duas chefes foram pro outro hotel, a chefona foi às compras, e eu e minha chefe queríamos ir ao
Östermalms Saluhall, um mercado de comidas fabuloso que eu já havia cansado de ver nos programas de viagem, e de lá fazer check in no outro hotel e ir a Gamla Stan, ou o centro velho de Estocolmo.
Caminhamos bastante pela linda, maravilhosa, charmosa e encantadora cidade. Mesmo coberta de neve e com árvores sem folhas, um lugar lindo. Arquiteura fenomenal, quase tão bonita quanto Copenhagen (minha favorita até agora!). Paramos pra comprinhas, apreciei muitos suecos com seus cães das mais variadas raças no parque, até que finalmente entramos no famoso Saluhall. Imagina um Mercado Municipal de São Paulo mas bem menor, com muito mais gente dentro, e muito mais comida gostosa... Lagostas com garras de 1/2 quilo cada, camarões cozidos ou não, ostras gigantescas, mariscos no vapor, queijos suecos, patês de rena, alce, veado e o caramba a quatro, pães rústicos, ai meldeus! Doces, macarrons, chocolates, tudo de primeira linha, um verdadeiro playground pra bon-vivants, amantes da boa comida ou glutões... E o pior, além de nenhum lugarzinho pra sentar em canto nenhum, as filas eram imensas... Locais e turistas. Pleno sábado, hora do almoço.
Desisti. Tive que deixar o lugar, pois eu e chefe estávamos azuis de fome agora que a ressaca havia dado uma trégua. Achamos outro lugar charmosinho pra comer., fazer o que... Depois do rango, voltamos pro primeiro hotel pra pegar nossa bagagem, pegamos um taxi pro novo hotel, fizemos check in e ao ver as caminhas macias e confortáveis, resolvemos deixar Gamla Stan pra lá. Não sem uma dorzinha na consciência, mas minha vida de marinheira me ensinou que nem sempre se pode desfrutar um porto como gostaríamos, pois o dever vem primeiro. E nesse caso, o dever era a conferência de inverno. Sábado a noite seria o dia de confraternizarmos com o pessoal dos Clarion Collection de Nord-Norge (Trondheim pra cima). Descansamos algumas horas, e logo mais partimos em comboio pra um lugar muito peculiar, digamos assim, chamado Wallmans. Um restaurante-cabaré, onde os garçons cantam e dançam - e no nosso caso, era ABBA do começo ao fim... A comida era medíocre, o show divertido, mas eu me diverti vendo a escandinavada toda jogando os bracinhos pro alto... Nem em show do a-ha eu vi esse povo tão animado, rsrsrs. Tenho vídeos, mas preferi não colocá-los pra preservar a integridade dos diretores dos hotéis...
Terminado o jantar-show, começaram a arrancar mesas e cadeiras e o local se tornou uma imensa discoteca - ao som de ABBA, claro! Nesse momento eu pedi licensa e me fui. A gerente do meu hotel aproiveitou minha deixa e se foi comigo... Dia seguinte no café soube que as outras duas chegaram depois das duas da manhã, e minha chefe não tinha aparecido no quarto até 4 da manhã.
Era domingo, tomamos café, e os ônibus começaram a vir buscar as tropas pra conferência, que acontece num local chamado Globen, um globo gigantesco que é uma arena de hóquei... E começou um sem fim de palestras, algumas em norueguês, algumas em sueco (foneticamente mais parecido com o norueguês, mas pra quem fala norueguês, o sueco soa estranho, como se eles tivessem a amídala colada na garganta, sei lá...) e outras em dinamarquês, língua maldita que nem os noruegueses nem os suecos entendem bem. Mas no fundo eles se entendem todos entre eles, e eu fiquei a boiar... Foi bizarro! É bizarro ouvir uma palestra onde você entende 2/3 do que o palestrante fala. E daí a audiência toda desata a rir, e você lá com cara de "WTF?''...
Foi assim por DOIS DIAS inteiros... Um sufoco. Por outro lado, me saí melhor do que esperava ao conversar com colegas, fornecedores... Agora já não preciso logo avisar de cara que meu norueguês é ruim. Dou conta, mas no meio da conversa sempre acabam me perguntando de onde sou porque meu sotaque é especial, rsrsrs. E quando mudam pra inglês, peço que por favor continuem em norueguês, e todos tem o cuidado de falar bokmål, uma graça! Viva a vida profissional pra gente se sentir inserido!
Domingo a noite foi a festa informal no nosso hotel. Todos os 2 mil participantes vieram festar no nosso hotel. Um ambiente com DJ, um karaokê (onde vi Petter Stordalen fantasiado numa cena bem assustadora, rsrsrs) e um show ao vivo com uma banda cover do U2. A festa foi divertidésima, passei momentos divertidésimos com a chefe de recepção e a de Governança. A comida estava D-I-V-I-N-A, drinks ótemos e cada um de nós ainda tinha 400 coroas suecas pra beber, PAGOS pela empresa... Fui dormir tarde essa noite, mas bebi só água após a meia-noite, pra evitar a cruda no dia seguinte, pra poder tentar entender algo nas palestras sem cair no sono...
Segunda-feira foi noite do jantar de premiação, uma espécia de cerimônia do Oscar pra cadeia Nordic Choice. Hotel do Ano, Hotel amigo do meio-ambiente do ano, diretor do ano, empregado do ano (esse eu tava concorrendo, minha fotinha aparecia no meio de muitas outras centenas de fotinhas no Globen durante o dia, cômico!)... Eu estava nervosíssima com esse jantar, primeiro porque dizia GALA no convite. Tava com medo da minha roupitcha estar assim aquém das necessidades. Depois, porque a distribuição pelasmesas eratotalmente aleatória, cadamesa gtem gente de um hotel, país, cadeia diferentes... Foi meio desesperador! Mas no fim, mesmo com todo esse design escandinavo, pode-se dizer que as escandinavas não são as mulheres mais bem vestidas do mundo, rsrsrs. E caminhei com toda a coragem do mundo até minha mesa. Vi ali duas mocinhas e já me botei ao lado delas. Pra que, jisuis, eram dinamarquesas, falam com uma batata quente na boca... Então se aproxima um tipo grandalhão apertando a mão de todo mundo e se apresentando. "Nada nórdico esse cara", pensei. Então ele se sentou ao meu lado, e depois de eu não entender NADA do que o cara dizia, eu disse que meu norueguês era capenga, e ele "Você prefere inglês? Eu sou americano!" Aleluia!!!!
Um americano completamente atípico, casado com uma dinamarquesa há 18 anos. Fala dinamarquês fluente, mas com aquele hilário sotaque americano. Nos divertimos pacas tentando quebrar o gelo na mesa, mas pouco adiantou. Uma das mocinhas dinamarquesas era muito simpática, depois delas haviam dois suecos que só conversavam entre si, ao lado deles uma mocinha que não sorriu nenhuma vez dirante a noite, ao lado dela uma tia norueguesa, e ao lado dela um rapaz novinho do QG de IT em Oslo, e ao lado dele ninguém. Ou seja, eu tinha o Scott de um lado e ninguém do outro. A cerimônia foi longa, o jantar ordinário, uma tentativa de comida do norte da África meio fracassada.
A mocinha dinamarquesa simpática que estava sentada na nossa mesa chamava-se Ea (sim, Ea) ganhou o prêmio de funcionária do ano e 50 mil coroas norueguesas... Ficamos orgulhosíssimos dela na mesa, e aí os dois suecos antipáticos e a mocinha que não sorria começaram a se soltar. Daí foi tarde demais. Eu resolvi não ficar pra festa. Fui embora a hora que o MadCon (uma dupla de hip-hop-pop? Sei lá o que eles são, tocaram um hitzinho no odioso Eurovision do ano passado) entrou ao vivo no palco... Não tava nem um pouco a fim de festa, estava exausta, e sabia que teria uma semana dura na volta da viagem...
Terça pegamos o avião lá pelo meio-dia em Estocolmo e chegamos em Bodø pelas 5 da tarde. É fácil e perto ir a Estocolmo, e estou doida pra levar Lars lá um dia desses, na primavera. Por isso, das poucas fotas que eu tirei da belíssima Estocolmo, fica uma em PB que eu gostei bastante...

A viagem foi intensa, cheia de novidades, me renovou profissionalmente falando, me inspirou em idéias novas pra trazer pro nosso hotel, do qual agora sou a gerente de A&B temporária (e rezando praser permanente, mas pra isso preciso desejar também que minha chefe não se recupere, e isso me traz uma certa culpa...)
O título do post? Ah, os suecos são sortudos, porque Estocolmo é bem mais charmosa que Oslo, porque os restaurantes são melhores que os das bandas de cá, porque o serviço é melhor, e por incrível que pareça, tenho a impressão que os suecos tem mais senso de humor que os noruegueses (à exceção dos dois imbecis que sentaram na minha mesa no jantar de premiação!), a julgar pela mestre de cerimônia do evento, a atriz sueca Sissela Kyle, hilária, divertidíssima, mesmo entendendo só metade, rsrsrs.
Pra quem mora por aqui, essa moça aqui...*****************************************
Numa outra nota, já que estou por aqui mesmo, prestes a desfrutar meu primeiro fim de semana livre desde que voltei do Brasil, só pra anuncuiar que o sol apareceu hoje, mais cedo que de costume. O que significa que a partir de agora, a cada dia amanhece um tiquinho mais cedo e escurece um tiquinho mais tarde. As temperaturas tem andado muito amenas por aqui, sempre entre -3 e 4 graus, nunca muito menos nem muito mais. A neve quase toda se foi, pra desespero dos esquiadores locais. A primavera se anuncia lentamente.