domingo, junho 13, 2004

Hospital geral

Yo, everyone!

Hoje fiz um tour interessante por Miami. Fui, junto com uns outros dez tripulantes enfermos, a um hospital que trata tripulantes (uma área especial!) em South Miami, a uns 25 minutos do porto. Chegando lá, nao era bem um ER, mas melhor que alguns hospitais que já entrei no Brasil. É uma ala específica do Hospital Batista que cuida de tripulantes de várias cias, inclusive a Carnival e NCL.

Às 8 fui ao hospital aqui do Navigator, peguei os papéis, fui a primeira a sair. Uma van veio buscar a gente, e nos deixou lá. Tudo bem que foi uma espera de 2 horas, mas com muffins, bagels e café e suco. Bem decente.

Fiz raio x, colhi sangue e urina e fiz um ultra som. O médico que me examinou é especializado em vias urinárias (urologist, em inglês, mas urologiasta em português não é outra coisa?). Me senti num episódio de ER, com a diferença que não vi as coisas escabrosas de emergência que aparecem na TV. Enfim, fui a última a terminar. O motorista ja tinha ido levar o povo que tinha terminado antes e voltou para me buscar. Esqueci de avisar - enquanto esperava o motorista voltar, almocei no restaurante do hospital, pois já tinha perdido o almoço em casa (Navigator). Foi superb! Tomei rootbeer e tudo (um refri de gengibre supimpa!). Voltando ao navio, passei pela doutora, peguei as píldoras (em espanhol) que me mandaram - o urologista, ou seja lá o que for - dobrou a dose de meu antibiótico.

E ai já me puseram para trabalhar. Mudaram o schedule, e eu agora estou trabalhando na disco, que se chama The Dungeon (a masmorra!). Além de ser o lounge mais feio, com caveiras e tudo, fecha as 3 da manha, e tem bebum pra dedel. Aliás, excelente para quem vem se recuperando, não? A vantagem é que tenho bastante tempo livre de dia.

Enfim, semana que vem pedirei pro bar manager - que se chama Mark Marotto (vejam os nomes de personagens que estou encontrando) me mudar de bar. Qualquer coisa, menos disco, oi.....

E hoje faz uma semana que o supervisor sulafricano surtou, e graças a Deus ele é sensato, então estamos como se absolutamente nada tivesse acontecido. Ele me trata como se a semana não tivesse acontecido, o que é bom, pois ele é meu supervisor favorito - o único profissional. O outro que eu apreciacva se foi, chegou outro filipino no lugar. Além do que, vou precisar da ajuda do cara esta semana... Com o treinamento de vinhos.

Enfim, I'll keep you posted.... I' m back!

quinta-feira, junho 10, 2004

Parece que era uma pedra, era sim....

Quando eu acho que estou a ponto de melhorar, aí vem o rojão.... Ontem fiquei na cabine, mas como minha doença não é contagiosa, não estava confinada, assim que saía para comer nas horas de fome, ou para por dinheiro no meu cartão - para poder acessar a Internet - ou mesmo para ir com um amigo chileno que está cuidando de mim tomar sorvete Ben & Jerry's no Promenade Cafe (pela porta de serviço, óbvio). Voltei a cabine e fiquei assisitindo Friends no crew channel até a Alê chegar. Depois que ela saiu de novo, eu não conseguia dormir. Aí chegaram meus vizinhos - uma casal, um indiano e uma peruana - e começaram uma festinha infernal. Às 4 da manhã tive que tomar um remédio para dor.

Óbvio que apaguei e não escutei o barulho do despertador, e perdi o horário da médica. 9 horas eles me chamam e ficam bem bravos comigo. Escutei um montão. Mas me tiraram sangue, um raio x, outra amostra de urina e agora, depois de 5 dias a dra. chegou a conclusão de que eu deveria ver um especialista em Miami, no sábado. Assim são eles. Dra. Martelle também disse que eu não deveria sair da cabine para NADA, que para comer tenho que chamar Room Service.

Para aqueles que pensam que trabalho aqui é só vida boa, prestem atenção.... Não fiquem doentes! Eles só ficam preocupados em conter epidemias.... Senão o CDC (Center for Disease Control & Prevention) vem a bordo. Aliás, ouvi que o Splendour ficou preso em Galveston, Texas, porque não passou na inspeção do USPH (United States Public Health). E custa dinheiro, por isso nos mantém saudáveis.

Mas quando aparecei no hospital no primeiro dia, com a urina cor de coca cola, a fdp da enfermeira sul africana (oh, racinha) me disse que poderia ser falta de higiene .... Tá pensando que eu vim de uma vilinha lá na Índia ou nas Filipinas? Por favor.... Ainda estou pensando se farei um report do caso para Human Resources ou não.

Por hora é isso. Trancada e assistindo aos dvds de Sex and the City que minha amiga mexicana Lidia emprestou. E pedindo room service por telefone!

No meio do meu rim tinha uma pedra....

Pois é!

Numa noite estou feliz e faceira, e na outra, meu mundo desaba. Não que seja motivo para fazer drama, mas o tipo sul-africano também é lelé! Ainda bem que este eu descobri rápido, e assim fica como uma conquista na minha lista. Segundo meu amigo mexicano Jose, esta é a maneira chilena de pensar - porque as chilenas não tem muito boa fama por aqui. Deixando este episódio de lado, que foi curto, e não merece ser comentado além do fato de eu ter me divertido um pouco, vem a pedra.

Na manhã seguinte ao surto do tipo, eu fui fazer stores - quando levamos as bebidas para o bar. Carreguei um monte de peso. Depois teve treinamento de emergência, e eu não me sentia bem.Pensava que era um misto de cansaço com ressaca com susto do surto do doido, mas quando fui fazer pipi, me assustei de verdade. Coisas que eu jamais imaginei que poderiam sair de nós. Uma coisa feia mesmo. Eram 11 da manhã, então esperei atá as 3 da tarde, quando abre o hospital, corri ao escritório do bar manager e peguei um formulário (burocracia?) e fui. A enfermeira pediu uma amostra de urina. Dei, ela viu e disse "Uh, it looks bad!" Very comforting para alguém em pânico que acha que está com hepatite, morrendo, né?

Enfim, a médica me viu, me deu uns remedinhos e me mandou para a cama. Disse que no outro dia estaria boa para trabalhar. Mas a dor não passou, e outro dia na cabine. Terça voltei ao trabalho, mas 3 horas depois a dor voltou. Voltei para a cabine, e hoje também. Se não fosse por meu chefinho, se eu morresse, só se dariam conta quando a Alejandra voltasse a cabine.

Quis dizer com isso que é nessas horas que você percebe como este mundo é solitaário. Meus "amigos", aqueles com quem vou a praia, tomo cerveja de noite, etc, desapareceram. Mas ai vem o bom: aqueles de quem você não espera apoio aparecem. E aí a gente volta a se surpreender com as pessoas.

Enfim, dramas a parte, apesar de entediadíssima trancafiada por 4 dias, estou preocupada, mas agora mais tranquila.

Espero me recuperar logo para voltar a vida louca de trabalho e crew bar, já que em 3 semanas perco a maioria do povo com quem tomo cerveja no crew bar - vai um montão de peruano de férias! Espero que cheguem outros tão legais - bonitos e solteiros - no lugar destes!

E para fechar com chave de ouro: tinha um amigo no dinning room, um português chamado Mário. Esta semana teve uma festa, o tio se emborrachou e alguém o levou para a cabine. Ele estava tão bêbado que ligou o som no último, e acendeu uma baseado - o que por si só já seria uma violação para a qual a Royal tem tolerância zero! Bem, o bicho tava bebum e doidão, e fez um fumacê desgraçado dentro da cabine, que é um ovo. Obviamente o alarme de incêndio tocou lá na ponte de comando (incêndios são o acidente mais comum em barcos, são a maior causa de afundamentos). O oficial de plantão telefonou para a cabine do bebum para ver porque o alarme de incêndio tava disparado, mas o doido não ouviu o telefone por causa da música. Então o oficial seguiu o procedimento de emergência e chamou a segurança para ir na cabine do Mario ver o que estava acontecendo. Quando a besta abriu a porta, a fumaça saiu quadradinha da cabine dele. Não sei por qual violação fatal ele estaria mais culpado, mas o burro foi demitido. Saiu ontem em St. Thomas. Perdi um amigo, mas que cara burro!!!!!!!!!!

quinta-feira, junho 03, 2004

Festa estranha com gente esquisita & Pense no Haiti

Bom, muitos dias sem tempo para isto, e sem muita coisa nova acontecendo, e de repente acontece tudo de uma vez. Então, vamos por partes

1) Mudei de cabine. Minha nova room mate também eéchilena (ai, que lástima), mas ela é wine tender - trabalha com os vinhos, posição para a qual estou aplicando. A cabine e um pouquitito maior, mas esta tão imunda quanto a anterior. Para dizer a verdade, esta chica eémais porca que a outra, mas fazer o que? Ao menos ela me deixa dormir em paz! E esta nova cabine não é em cima da lavanderia chinesa - um barulhão. Então tá! Acho que ainda estou no lucro.

2) Festa estranha! Este cruzeiro é um charter - um DJ afro-americano chamado Tom Joyner fretou o navio e vendeu as passagens através de seus programas de radio em Chicago, Atlanta. e LA. O lucro é para caridade - para ajudar a manter negros carentes nas escolas, e para manter vivas as escolas negras historicamente importantes - ou algo assim. Resultado: temos 2900 african-american guests neste navio, e cheio de celebridades (populares aqui, lógico), como por exemplo Michael McDonald e En Vogue. Mudaram tudo - todo o entretenimento veio com eles. Nossos entertainers (os bailarinos, o pessoal do Ice skating, os músicos) não tem nada o que fazer.... Haja paciência, pois estes passageiros são meio high maintenance - exigentes e chatos a beça, além de sem educação. Mas fazer o que.... Sábado já esta ai!

3) Semana passada voltamos a Labadee, a ilha particular da Royal no Haiti. Bonito que só! Fui a praia, e esta tudo muito diferente do que vi lá no reveillón do milênio. Entretanto, neste cruzeiro charter, voltamos a Coco Cay - mas a tripulação está proibida de desembarcar, pois haverá um show do Sean Paul na ilha - um rapper jamaicano famosão - e além do que, nossos hóspedes farão nudismo! EEEEcaaaaaaaaa. Muito obrigada, tomarei sol no crew deck!

4) Mais importante. Me enrabichei com um dos meus supervisores (pra variar, e sempre assim comigo!). Ele é sul africano, tem minha idade, não é nem nunca foi casado, portanto não há BAGAGEM. É que aqui sempre temos que checar estas coisas, pois é quase como conhecer gente pela internet! Estou feliz, mas o bichinho se vai de férias em duas semanas mais. A princípio volta para cá para ser o novo assistant bar manager, mas pode ser que o mandem para outro barco. Enfim, seja o que Deus quiser, e o jeito é aproveitar o momento.

5) Nosso novo chefe - Bar manager - é um americano de Las Vegas, trabalhava num cassino imenso. Gente boa. Assim quem sabe ele me ajuda a mudar de posição (para wine tender) mais fácil....

Bueno, acho que e so! Hasta la vista....