quinta-feira, junho 10, 2004

No meio do meu rim tinha uma pedra....

Pois é!

Numa noite estou feliz e faceira, e na outra, meu mundo desaba. Não que seja motivo para fazer drama, mas o tipo sul-africano também é lelé! Ainda bem que este eu descobri rápido, e assim fica como uma conquista na minha lista. Segundo meu amigo mexicano Jose, esta é a maneira chilena de pensar - porque as chilenas não tem muito boa fama por aqui. Deixando este episódio de lado, que foi curto, e não merece ser comentado além do fato de eu ter me divertido um pouco, vem a pedra.

Na manhã seguinte ao surto do tipo, eu fui fazer stores - quando levamos as bebidas para o bar. Carreguei um monte de peso. Depois teve treinamento de emergência, e eu não me sentia bem.Pensava que era um misto de cansaço com ressaca com susto do surto do doido, mas quando fui fazer pipi, me assustei de verdade. Coisas que eu jamais imaginei que poderiam sair de nós. Uma coisa feia mesmo. Eram 11 da manhã, então esperei atá as 3 da tarde, quando abre o hospital, corri ao escritório do bar manager e peguei um formulário (burocracia?) e fui. A enfermeira pediu uma amostra de urina. Dei, ela viu e disse "Uh, it looks bad!" Very comforting para alguém em pânico que acha que está com hepatite, morrendo, né?

Enfim, a médica me viu, me deu uns remedinhos e me mandou para a cama. Disse que no outro dia estaria boa para trabalhar. Mas a dor não passou, e outro dia na cabine. Terça voltei ao trabalho, mas 3 horas depois a dor voltou. Voltei para a cabine, e hoje também. Se não fosse por meu chefinho, se eu morresse, só se dariam conta quando a Alejandra voltasse a cabine.

Quis dizer com isso que é nessas horas que você percebe como este mundo é solitaário. Meus "amigos", aqueles com quem vou a praia, tomo cerveja de noite, etc, desapareceram. Mas ai vem o bom: aqueles de quem você não espera apoio aparecem. E aí a gente volta a se surpreender com as pessoas.

Enfim, dramas a parte, apesar de entediadíssima trancafiada por 4 dias, estou preocupada, mas agora mais tranquila.

Espero me recuperar logo para voltar a vida louca de trabalho e crew bar, já que em 3 semanas perco a maioria do povo com quem tomo cerveja no crew bar - vai um montão de peruano de férias! Espero que cheguem outros tão legais - bonitos e solteiros - no lugar destes!

E para fechar com chave de ouro: tinha um amigo no dinning room, um português chamado Mário. Esta semana teve uma festa, o tio se emborrachou e alguém o levou para a cabine. Ele estava tão bêbado que ligou o som no último, e acendeu uma baseado - o que por si só já seria uma violação para a qual a Royal tem tolerância zero! Bem, o bicho tava bebum e doidão, e fez um fumacê desgraçado dentro da cabine, que é um ovo. Obviamente o alarme de incêndio tocou lá na ponte de comando (incêndios são o acidente mais comum em barcos, são a maior causa de afundamentos). O oficial de plantão telefonou para a cabine do bebum para ver porque o alarme de incêndio tava disparado, mas o doido não ouviu o telefone por causa da música. Então o oficial seguiu o procedimento de emergência e chamou a segurança para ir na cabine do Mario ver o que estava acontecendo. Quando a besta abriu a porta, a fumaça saiu quadradinha da cabine dele. Não sei por qual violação fatal ele estaria mais culpado, mas o burro foi demitido. Saiu ontem em St. Thomas. Perdi um amigo, mas que cara burro!!!!!!!!!!

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