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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Retrospectiva 2008

Feliz 2009! Não posso deixar de colocar um post comemorando o ano que entrou já bastante auspicioso para mim - creio eu! E também quis analisar o ano que passou, pois faz um tempo que não olho prá trás...

Passei as festas do ano passado a bordo do Freedom, junto com o Lars, comemorando minha promoção para F&B Administrative Assistant (ou Assist. Administrativa de Alimentos & Bebidas), e estava feliz de, pela primeira vez durante todos os anos de navio, poder passar o Ano Novo sem estar atrás do balcão servindo os passageiros. Não que não tenha me divertido pacas fazendo isso, inclusive porque todos nossos misdemeanors (por exemplo, encher a lata de Perrier Jouet "emprestada", como nas fotos abaixo, com Lars, e com os parceiros de crime, no Reveillon de 2006/2007) eram perdoados.
Mas foi bom botar meu uniforminho de officer e assistir a passagem de ano tomando uma taça de champagne que eu comprei, e não "peguei emprestada"! E depois o ano começou com tudo...










Janeiro a mil, e eu embarcada desde maio de 2007. Minha data de férias saiu, para fevereiro. Iria de férias junto com o Lars pela primeira vez! Também tive que dizer adeus a grandes amigos que nos deixaram para ir abrir o Independence of the Seas, a Cláudia, o Nanton e o Gerson, companheiros de Freedom desde os primeiros dias. Antes da partida, porém, pudemos comemorar meu aniversário juntos no jantar mais caro de todos os tempos, para nós, claro, no El Botín em San Juan, Puerto Rico. E este momento também marca o ano.









Em fevereiro fiquei em Miami 1 semana para um treinamento (ADOREI!), e no resto das férias fui para a Noruega conhecer a cidade, a família e a vida do Lars. Frio pra burro, mas foi genial! Nos divertimos pacas. Fotos alguns posts abaixo. Já tinha visitado países frios e com neve, mas aquilo foi o maior tanto de neve que já tinha visto... Então o sonho das férias acabou e tive que voltar ao trabalho, só para ter mais uma surpresa. Resolveram me promover de novo, desta vez para Assistant Bar Manager, posição que eu já vinha tentando conseguir há algum tempo. De repente, já tinha até minha própria cabine.

E os 4 meses de contrato foram um tanto conturbados, pelo fato de haver uma máfia de indianos infiltrada no negócio! E dois deles estavam doidinhos pra me derrubar. Mas como Deus é pai e meu santo é mais forte que os 300 milhões de deuses deles (ver um, post antigo de maio de 2001), eles não conseguiram. Por outro lado, me senti muito util e muito querida por minha equipe. Trabalhamos muito duro, mas nosdivertimos muito duro também, apesar de a vida no navio ter se ternado cada vez mais sem graça, devido a politica do álcool estar cada vez mais reforçada e de a vigilância ter aumentado. Passamos a fazer nossas festas mais fora do navio que dentro, e um de nossos lugares preferidos era Cozumel.

E um dia, conversando sobre o futuro, Lars me diz que não tem vontade de continuar nos navios, que tinha outras ofertas de emprego na Noruega, e me disse que gostaria que eu fosse viver com ele lá. Pensei por um momento, disse que sim e em julho entreguei minha carta de demissão, e o Lars também. Mais uma vez iriamos sair de férias ao mesmo tempo. Daí em diante foram muitas despedidas - por vezes dolorosas, mas como já havia comentado, tantos anos de navio, num ambiente de rotatividade imensa de pessoal, a gente aprende a endurecer o coração.

Cheguei em São Paulo dia 24 de agosto, e cancelei os planos todos de férias quando vi os preços de passagem. Fui correr atrás da minha ida definitiva para a Noruega. E descobri que as coisas seriam bem menos fáceis do haviamos imaginado. Comecei a correr atrás dos documentos em meados de setembro. E também resolvi aprender norueguês, já que estava aqui sem fazer nada. Encontrei uma professora particular fantástica. Procurei algum trabalho, sem sucesso. Além do que, Lars tinha planos de vir ao Brasil em Novembro, então não ia adiantar arrumar trabalho. E resolvi me matricular na academia para perder osquilos extras ganhos por causa das orgias gastronômicas em Cozumel e St. Maarten, e também no Freedom. A saga dos documentos para o visto para a Noruega ficarão para um post separado.

Em outubro fui a João Pessoa visitar meu amigo François, francês, amigo desde os tempos de Navigator of the Seas. Foi ótimo para dar uma relaxada. E na volta continuei com a vidinha besta - malhação, aulas de norueguês, e muita navegação na Internet. Então Lars me deu a ótima notícia de que viria passar o Natal e Reveillon aqui no Brasil. Já fui correndo fazer planos de viagem, e fiquei no aguardo, malhando, aprendendo norueguês e correndo atrás da papelada para o visto...


Em Dezembro uma semana antes do Lars chegar eu consegui ir ao Consulado Norueguês no Rio... # meses depois... E na semana seguinte ele chegou. Estávamos há 4 meses separados, o maior tempo que já passamos longe.

Levei o Lars passear no centro de sampa, Mosteiro São Bento, subir no Edifício do Banespa, almoçar no Mercadão, andar pela 25 de março no caos antes do Natal, Pátio do Colégio e Catedral da Sé. Ele conheceu meus amigos, foi levado a uma feijoada (coitado, em pleno verão), e então partimos para o Pantanal. Fomos visitar a Caiman, onde trabalhei há anos atrás. Passamos por Aquidauana, e chegamos na fazenda. Churrasco pantaneiro no café, almoço e jantar. Fomos fazer trilha, andar a cavalo debaixo de chuva, avistamos vários animais,alguns bem raros de se ver, passeamos de lancha no Rio Aquidauna, fomos ao baile de Natal dos funcionários da fazenda, encontrei muita gente do passado, foi genial. Na volta para Campo Grande paramos em Miranda e eu pude rever vários velhos amigos. Em Campo Grande Lars se divertiu tirando foto no orelhão de tuiuiú...






















Foi muito divertido. Voltamos pra São Paulo na véspera de Natal, que foi passado com meu familião na casa de uma das tias... Lars sobreviveu a uma família grande e barulhenta, e ainda adorou o fato de poder estar com roupas de verão em pleno Natal... Próximo passo, Paraty, onde passamos o Ano Novo, que foi até bem simples... Jantamos no restaurante Thai Brasil, em restaurante fantástico no Centro Histórico, na mesma rua do nosso hotel, e enchemos a cara de caipiroska de melancia com hortelã chamada Melancolia... Saímos de lá muito felizes o jantar e fomos ver a queima de fogos da beira do rio.


Abrimos uma cerveja (não tínhamos champagne!) e celebramos o fato de não estarmos trabalhando no navio, mas brindamos em homenagem a todos os nossos amigos que ainda estão nos navios... Depois do fim da muvuca, demos uma volta pela cidade e fomos dormir, pois tinhamos um passeio de barco no dia seguinte... E no dia 2 fizemos um passeio de Jeep pelas cachoeiras e alambiques de cachaça em Paraty. Foi ótimo... Vídeozinho do Lars escorregando na Pedra do Escorrega...


Dia 3 pegamos um onibus rumo ao Rio. Chegamos e já fomos direto ao Leblon, e caminhamos até Ipanema. Mostrei a Rua Vinicius de Morais pro Lars. Dia 4 foi dia de Corcovado e Pão de Açúcar. Na volta fomos tomar várias cervejas ecomer sanduíche de pernil no Bracarense, um dos pé-sujos mais famosos do Rio. De noite ainda tivemos força para mais cerveja no Devassa de Botafogo, depois de jantar na Cobal no Humaitá. Dia 5 levei o Lars ao Maracanã. Chovia horrores no Rio, mas ele estava nas nuvens. Na volta nos perdemos um pouco no centro, mas logo tomamos um bus pro Leblon, pra beber e comer bolinho de bacalhau, desta vez no Jobi.










Dia 6 infelizmente viemos embora, e dia 7 ainda levei Lars para Campinas para fazer um tratamento de canal e depois almoçar na minha tia e conhecer a casa onde passei grande parte da minha infância. E ontem ele foi embora...






Engraçado é que relendo este post, parece que não foi tanta coisa que aconteceu... Mas encerrar meu namoro de quase 9 anos com a Royal Caribbean foi muito grande coisa, inclusive considerando que minha carreira estava aonde eu queria. Porém resolvi seguir meu coração e viver este amor, que veio tão inesperadamente. Vai uma fotinho de despedida, em frente ao Freedom em St Maarten, e o Freedom chegando em Nova Iorque para ser batizado em 2006.

O que tem me matado é ficar sem trabalhar, mas tenho me ocupado como posso. Só me resta esperar, agora, o tal visto sair e correr pro abraço, começar a vida nova num lugar muito distante e diferente. Mas aos olhos dos outros, é isso mesmo que eu vim fazendo a vida toda, trabalhando no navio, vida que parece tão exuberante e excitante para os outros. Não me queixo, afinal, foram 47 países e mais de 88 cidades visitadas. Fora as oportunidades incríveis de férias espetaculares só proporcionadas com o dinheirinho suado ganho no navio, de gorgeta em gorgeta...

Agora, as vésperas de completar 35 anos de idade, me sinto orgulhosa pelas minhas opções de vida. A festa tá só começando... E vamo que vamo, rumo a 2009, de tropeço a tropeço com alguns acertos no caminha a gente chega lá!

sexta-feira, abril 27, 2007

De férias

Bem, acho que os posts aqui passaram a ser semestrais! Também, a internet no navio nunca funciona, o que não me deixa tempo para as frivolidades internéticas!

Tô em Sampa de férias. Semana que vem to indo para a Ilha de Pascoa, no pacifico sul - um oceano onde ainda não estive. Mas essa aventura será narrada numa outra ocasião.

Depois de ter saido e ter me incorporado a tripulação do Grand Mistral, da Iberojet, retornei ao Freedom. Foi um contrato excelente - não esperava estar lá, e de repente me vejo em frente ao navio outra vez. Me senti um pouco perdedora, havia jurado que não punha mais os pés na Royal. E no fim foi o melhor contrato que tive até hoje. Primeiro porque foi um contrato curto - de 4 meses e 3 semanas - eu venho dando uma sorte com isso.... Segundo porque estive ao lado de minhas amigas loucas - das quais eu já havia me despedido para sempre. Como já havia contado no post anterior, muitas festas, muita diversão, e o trabalho também acompanhou o ritmo... Foi tranquilo, ninguém enchendo o saco da gente.... Meus companheiros de trabalho (somos 8 em nosso time) sao agradabilissimos, e todos nos nos damos super bem. No natal fizemos um amigo secreto entre nós e fomos almoçar num restaurante "chique" em Cozumel (Pepe's) para entregar os presentes - foi divertidíssimo. Meus companheiros na época: um indonesio, um indiano, um filipino, uma romena, uma búlgara, um mexicano e uma sul africana. Somos muito diferentes mas muito bem relacionados!









(eu e Lars, o naruegues, e a festa de natal)

Ja mencionei que no Natal conheci - já conhecia de vista - um norueguês? Pois é, estamos juntos desde então. O nome dele é Lars, ele é engenheiro eletricista (é assim que fala?). Juntou toda a alegria que eu tinha com isso... Além do que, nosso grupinho de amigos era bem ativo - crew bar toda noite, mesmo quando éramos só nós.... Em janeiro chegou a primeira brasileira pra aumentar o time comigo, a Mariana. Depois chegou Igor - mas este já vazou, infelizmente.

(os 3 brasileiros)
Enfim, tava tudo perfeito - ate o dia 4 de fevereiro, quando a Nadia (a amiga romena) foi embora. Ela foi pra casa de férias e depois ia abrir o Liberty (eu não quis ir por causa do Lars...). Fiquei bem abalada, pois ela era minha grande companheira pra todas as horas... E dai, dia 11 de fevereiro, véspera do meu aniversario, vários outros foram embora - pra sempre.... Cesar, Tracey, e mais gente linda que vai deixar muita saudade. Meu príncipe norueguês tambem saiu de férias neste dia.













(Eu, Lars, Tracey e Cesar, e ultima noite da Nadia)

Então no meu aniversário os wine tenders se juntaram e me deram uma festinha que foi a melhor festa de aniversário que ja tive num navio. Era um sea day e tinha TRIVIA no crew bar. Festinha, bolo, presentes, varios shots de Jagermeister.... Nunca ri tanto...
(aniversario, todos os wine tenders)
E dai foi só desabando.... 4 semanas depois a Kristine (a amiga búlgara, e minha roomie por muito tempo - a melhor que tive) também se foi, também indo para o Liberty depois. Gerson, o wine tender mexicano, tambem se foi de férias, felizmente pra voltar ao Freedom.

E logo antes de eu vir embora chegaram mais 3 brasileiros - a Clarissa e seu irmão Pedro - gente finíssima, e a Giovana (com quem falei uma vez só...). Tem mais um brasileiro chegando comigo dia 27 de maio, o Thiago. Achei ele numa comunidade do Orkut... E por ai deu pra perceber que tem um montão de brasileiros chegando... A maioria com destino traçado - serão transferidos para o Splendour, que chega no Brasil dia 4 de dezembro deste ano. Felizmente pra mim, eu não posso trabalhar nele porque minha posição so existe em 4 navios - Navigator, Mariner, Freedom e Liberty.

Por hora é só, queria dar um uptade no diário....

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Natal e Ano Novo

Estou aqui sentada em minha cabine (por isso nao tenho acentos neste post), horrorizada com o noticiario da CNN, falando das Tsunamis que arrasaram a Asia. Estando num navio, isto me preocupa... Tsunamis sao sempre tratadas como mito, e ai estao.... Imagina so, voce esta la deitadao, no maior sol numa praia da Tailandia, e de repente, uma super onda te varre longe... Se voce sobreviver a onda, morre do coracao!

Bem, feliz natal! Nao posso dizer que foi muito feliz, mas ao menos estamos fazendo dinheiro. A festa de natal em si foi dia 21. Foi bem legal, fazia tempo que nao via a galera aqui tao bebum. Se houvesse um acidente naquela noite, o barco certamente ia afundar. Papai Noel nos trouxe de presente internet gratis entre os dias 24 e 31. O sistema ta um pouco sobrecarregado, mas... E falando em internet, o ultimo avanco tecnologico agora e wireless conection pelo barco afora para os passageiros. Agora temos tiozinhos gringos chegando no bar com seus laptops, surfando na Internet. Pretty amazing, se considerarmos onde estamos.

O cruzeiro de natal comecou sexta, dia 24, e engloba o reveillon tambem. Ficamos 9 dias, e vamos a Costa Maia no Mexico pela primeira vez. Nao que eu esteja muito feliz, pois para nos, winetenders, e muito trampo. Vendendo champagne e vinho a beca, ao menos.

Semana passada em Saint Martin tinham 3 barcos da Royal no porto, o NV, o Jewel e o Adventure. Era uma reuniao de tripulacao como eu ainda nao tinha visto. Eu e meus amigos Alejandro, Carol e Marie fomos para Marigot, a capital do lado frances de Saint Martin. Apesar de ser tudo em Euros, almocei uma lagosta maravilhosa com uma garrafa de Muscadet de Sevre et Maine sur lie... Gastamos uma grana, mas so ganhar, ganhar e ganhar nao e tao divertido quanto gastar!

(a lagosta; sentido anti-horario: Marie, Karol, eu e Alejandro)










Comprei 4 garrafas de vinho que estou guardando para o reveillon.

A noite de natal foi puxada, trabalhando pra caramba, fechamos o Vintages as 2 da manha, eu e os dois hungaros novos. Depois fomos pra festa latina de natal. E falando em festa de natal, hoje a noite tem a terceira, do pessoal das lojas! Tudo e motivo pra festa!

Depois escrevo mais contando como foi a festa de reveillon.

sábado, dezembro 04, 2004

5 years award & back to the Splendour

Adivinhem só... Outro dia me chamaram pra ir receber meu prêmio de 5 anos de serviços prestados na companhia. Uma festinha muito da sem graça, com camarão e coca cola, e o Capitão tirando fotos com a gente. Me deram um pin folheado a ouro que tem a forma do logo da cia, com 5 minúsculos diamantes (que eu ainda acho que são de mentira). E eu nem trabalhei estes cinco anos, mas eles contam os três anos que passei fora como válidos. Melhor pra mim, pois se um dia pegar minha aposentadoria de 10 anos, ja estou com meio caminho andado!

E outro dia chegarmos em Cozumel, e o Splendour tava estacionado ao lado. Eu e várias pessoas que trabalharam lá fomos visitar. Foi tão emocionante que eu até chorei.... Encontrei meu primeiro chefe, um cozinheiro de Honduras... Encontrei várias pessoas que trabalharam comigo e ainda estao lá... Mas o mais esquisito, é como o Splendour é pequeno comparando com o Navigator... Eu nao tinha esta idéia, até andar lá dentro outra vez... Mas o Splendour é muito mais chic, se é que vocês me entendem. E durante todo o inverno vamos encontrá-lo todo Cozumel, a cada 15 dias.









(duas v ezes no Splendour, revi Nicholas e Revelin; SP X NV)

Assim que Cozumel seguinte eu fui lá outra vez, com amigos diferentes, pra visitar o pessoal do bar. Encontrei uma galera outra vez... Foi muito legal.

Além disso, meus tours gastronômicos continuam a todo vapor... Cozumel, St. Thomas (comi uma Zarzuela de marisco num restaurante espanhol chamado Maison Amália que era de chorar), St. Martin, Jamaica, Cozumel...

Cada vez melhor....

Até a proxima.

sábado, abril 17, 2004

Um sopro de ar fresco...

Desde que cheguei, só saí duas vezes. Uma em Cozumel, para almoçar com minha amiga chilena Midzilla (sim, este é o nome da cabrocha), e depois tomar um café com ela e mais um bartender argentino - o primeiro de sua raça que vejo por aqui. Ele é super buena onda, mas não entende porque os mexicanos tratam ele mal depois que descobrem sua origem... :)

A outra vez foi em St Thomas, para fazer compras no K Mart. Travesseiro, toalhas, tapete de banheiro, enfim, coisas que façam a cabine ficar mais agradável. Neste mesmo dia, fui trabalhar no bar do teatro e saí um pouco mais cedo da cabine - assim poderia ver o sail away. Foi muito impressionante ver o Capitão puxar este barco enorme do porto tão devagarinho... Depois a velocidade aumenta, ele se vira sobre seu eixo...Lá embaixo, no porto, os trabalhadores portuários soltavam as amarras - fácil como se elas fossem fininhas, mas tem a espessura de minhas coxas ao cubo...

Ao fundo, o sol se punha, as pessoas la embaixo acenavam com as mãos, e então ele tocou o "apito" uma vez. As gaivotas voavam ao redor do barco, dizendo "Me, Me", como no filme do Nemo. Um passageiro parou do meu lado e começou a fazer um montão de perguntas. Queria ficar sozinha e o mandei (sugeri) para a piscina, pois é mais alto. Ele foi - e voltou! Dizendo que não tinha gostado da sugestão!!!! Ai fui embora trabalhar, depois de escutar o Capitão tocar o apito mais três vezes, indicando a partida. Ai me lembrei porque estou aqui. Me arrepiei toda.

Depois fui trabalhar no show no Studio B, a pista de patinação no gelo. O navio se movia (balançava mesmo) e pensei quão impressionante é um show de patinação no gelo em pleno mar. O cuidado que os caras tem para o gelo não quebrar quando o mar está bravo, o cuidado dos patinadores para não se machucarem.... Isso aqui é mesmo um shopping flutuante.

Esta semana me toca a terceira semana no Metropolis - o teatro com 1100 lugares. Já conheço os shows de cor - inclusive o de ice skating. Há tambem um malabarista peruano que trabalhou no circo Thiany - mundo pequeno - e morou em SP por 3 anos. A irmã dele é contorcionosta. Fazem um show bem legal. As chilenas dizem "el chow de la mina que se dobla". Me cago la risa, como dizem elas.

Já tenho uns amiguinhos portugueses, peruanos, colombianos, mexicanos... A latinaiada toda junta. Cada um se vira como pode.

Ainda não estreei minha maquina digital - comprei a que o Daniel indicou - powershot A80, mas o farei logo!

sábado, dezembro 16, 2000

Cheguei!!!!

Olá, criaturas!

E, ainda estou viva... Quero dizer, quase...

Mas vamos por partes.

Temporada caribenha foi bem curta, mas muito mais proveitosa que a última. Fui fazer snorkling em Cozumel com o marido, e aliás, que mar, quantos peixes... De todos os tamanhos cores e formas. O barco era um daqueles com o fundo de vidro, entao quando passávamos de um recife a outro íamos vendo os peixinhos. Quando o barco parava, tigurf na água, e dá-lhe peixinhos e peixões. Nunca tinha visto um fundo de mar tão claro... Depois almoço mexicano no restaurante de sempre, para despedir. No mesmo cruzeiro fui a praia em Aruba. Praia linda, só por uma horinha, mas já restaura a cabeça...

Cruzeiro seguinte, fui à praia na Jamaica, para não levar para o resto da vida uma má impressão de Ocho Rios. Fomos ao hotel Renaissence, pagamos 5 dolares (eu e uma amiga filipina que trabalha comigo) e pudemos usar nao só a praia particular (que nem era lá essas coisas) como a piscina. Esta sim, um espetáculo! Cachoeira artificial, bar daqueles que os banquinhos são dentro da água, cinematografico. Valeu...

No mesmo cruzeiro, fui a praia em Curaçao com o marido. Também muito linda. E 8 de dezembro saí pela última vez em Miami. E aí embarcaram os 1600 passageiros (sendo 800 brazucas) que nos acompanhariam na travessia de 16 dias...

Público complicado, cruzeiro complicado... E só para ajudar, aconteceu uma coisa que me abalou profundamente: há três dias o marido foi embora. Cansado demais, estressadíssimo e triste por não poder estar presente no noivado da irmã (ah, as tradições indianas...), brigou com o chefe e pediu as contas... Depois que a merda já tava feita é que ele se tocou: faltava tão pouco pra gente chegar ao Brasil, pra ele conhecer meus pais, pra gente ficar um tempo junto no Brasil... Já era tarde, e botaram ele pra fora em Barbados, primeiro porto antes de chegarmos ao Brasil. Foi tudo tão rápido que não deu tempo nem de cair a ficha. A gente combinou que, como eu ia com ele para a Índia de qualquer jeito, assim que eu terminar o contrato (em Março) vou para lá. Aí a gente resolve o que vai fazer. Só posso assegurar uma coisa: acho que chega de barco.

Na noite em que ele foi embora eu estava muito abalada, mas nada que meia garrafa de Baileys não resolvesse. Cai na cama, só e arrasada, mas dormi rápido.

Cama que aliás mudou de endereço. Me mudei da cabine da chilena, porque era muita chilenice pro meu gosto, e a mulher, alem de ter tanta coisa amontoada na cabine que quase não tinha espaço pra gente, não me deixava dormir.

Além do que, o "bairro" onde eu morada era bem sujinho, onde moram os lavadores de pratos e etc... O corredor novo é mais bem habitado e mais limpo. E moro com uma portuguesa chamada Cristina, ô pá! E tá dando super certo.

Também fui promovida. Agora trabalho no Champagne Bar, o bar especializado em champagne, vinhos e caviar. Acho que dá para fazer mais dinheiro, se a Cia. não pagar a garantia que prometeu... Porque esta brasileirada está uma catástrofe: o cassino anda vazio, e os bichos vão aos bares para tomar cafezinho e pedir copos de água da torneira... Tragédia para meu bolso...

Enfim, estou agora a umas duas milhas de Fortaleza, onde aportaremos hoje às 5 da tarde para um overnight. Vou sair e enfiar o pé na jaca, agora que tenho boa vida e muito tempo livre. O marido faz muita falta, mas como me disse meu chefe, ele está vivo e o mundo é pequeno...
Proxima parada, Salvador, dia 20.

São Luis não paramos, pois o mar estava endiabrado...

Enfim, estou aqui para desejar a todos um excelente natal e um maravilhoso ano novo. Mandem suas orações de fé a mim. Tenho saudade de todos os meus amigos....

Paz, amor e muita macacada

Beijos
Cami Camelia Cristina Regina Maria

sexta-feira, dezembro 01, 2000

Bom, pessoal, cá estou eu... Ainda viva

...para contar que as coisas aqui continuam cheias de onda!!! Ráráraá!
Temos muitos brasileiros novos chegando a bordo, fora a tonelada de hispânicos em geral.

A travessia de Boston para Miami foi feita em 2 cruzeiros de 7 noites . O primeiro de Boston para Puerto Rico, e depois de Puerto Rico para Miami. Em ambos passamos por St. Thomas, St. Marteen, Antigua e St. Croix. Dexei para trás St. Croix, que ja tinha visto ano passado, Antigua foi ma decepção (oh, lugar pobre e feio), St. Thomas sempre tão americano, e a surpresa foi St. Marteen, fui a praia no lado francês com uma amiga peruana, uma costariquenha e claro, minha amiga Sophie, a canadense. Fomos a uma praia de nudismo, onde vi o pior show de horror que já pude ter visto... Graças a Deus, 65% das pessoas estavam vestidas... Uma parcela de topless, e os peladões eram ridiculamente feios: corpos caídos, tudo caído, gordas sem noção, enfim... Tirando tudo que era feio, a praia em si era maravilhosa, o mar perfeito, e tudo que eu precisava era um mergulho. Assim o fiz, e em uma hora estava de volta ao lado holandês da ilha, onde estávamos ancorados.

Agora estamos de volta ao Caribe, naquela rota tradicional Key West, México, Grand Cayman, Jamaica, Aruba e Curaçao.

Dia 8 de dezembro começamos o cruzeiro de reposicionamento, em direção a Santos. Passaremos por Barbados, depois São Luís do Maranhão, Fortaleza, Salvador, Rio e Santos. Daí ficamos no Brasil até 6 de abril, quando o barco atravessa para Portugal. Fazemos drydock por 7 dias em Lisboa (tiram o navio da água para manutenção pesada), depois vamos ao leste do mediterrâneo, tomando a rota que hoje é do Legend of the Seas - Espanha, Itália, Grécia, Turquia e Israel. Alguem tem duvida se eu volto???

E para terminar, no último cruzeiro no Canadá, saindo do Saguenay River, o tempo estava feio, e resolvi ficar na cama ate mais tarde. Foi quando um bando de baleias azuis cercou o navi o(umas 10 pelo menos), e o Capitão avisou a todos pelo sistema de auto-falantes. Eu estava dormindo e claro, perdi!!! Ódio!!!

Bueno, beijos a todos, hasta luego, e obrigada a todos que respondem...

Saudades
Camila