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segunda-feira, abril 12, 2010

Comerciais

Uma propagandinha legal, que mostra como quem viaja de trem pensa no meio-ambiente. Pena que os trens sejam elétricos até um trecho. A energia usada provém de hidrelétricas, e não de energia nuclear por exemplo. De Trondheim até Bodø (onde termina a estrada de ferro norueguesa) o trem já circula a diesel mesmo... de qualquer forma, é uma estatal que cuida do ambiente. Pena que as viagens sejam tão longas. De Bodø a Trondheim, são 9 horas. De avião, menos de 1...



Outra propaganda genial, acho que a melhor da TV aqui, uma vez que os comerciais em geral são bem ruins... As agências de propaganda daqui precisam de um upgrade urgente... Mas voltando, é uma campanha de um jornal, jornal à lá imprensa marrom, bem sensacionalista, o VG, que não dá pra levar muito a sério. Sérios mesmo, só tem dois, o Aftenposten e o Dagens Næringsliv. Essa campanha do VG tem vários outros filmes ruins, mas esse, ah, é genial! No final, aparece a frase "o dia não é o mesmo sem ele".



E dando um update na história do meu médico, recebi esta semana os resultados de todos os exames que fiz quando fiz minha consulta com Dr. Atepo. Veio uma lista de uma página, com quase tudo normal, e no final duas linhas escritas à mão: "Tudo normal, exceto alergias - gato e poeira. Saudações, Dr. Atepo." E assim se consolida a relação médico-paciente na Noruega. Que saudade da Dr. Priscilla, da Dr. Denise, do Dr. Carlos e de todos os meus outros Drs. no Brasil. Mas é preciso acostumar-me às mudanças, né não?

Estamos planejando uma semana de férias agora antes do verão, pois ele será pesadíssimo pra nós no hotel. Começa a temporada de ônibus de turismo, prática comum na Europa, especialmente na Alemanha. Hordas de velhinhos alemães desembarcarão todos os dias, entre junho e agosto. Segundo uma das recepcionistas, como uma nuvem de gafanhotos, vão passando e levando tudo que vêem pela frente, inclusive talheres e louças se não ficarmos atentos... Se não estiver parafusado, tchau!

Queríamos passar uma semana na Escócia, mas porque vivemos aqui nos cafundós do planeta, no cocoruto do mundo, temos que ir sempre até Oslo pra sair da terrinha. Resolvemos, pela barateada nos custos, dar um pulo na vizinha Suécia, onde nosso suado salário vale mais em função da taxa cambial. O povo aqui vive gritando que tudo na Suécia é mais barato, mas na realidade o dinheiro norueguês vale mais na Suécia. Por isso a horda de suecos que vem trabalhar na Noruega no verão... E já estou me mancomunando com Sonildes pra um churrasquinho pré-verão...

quinta-feira, março 18, 2010

Min fastlege...

Pois é... O título é "Meu médico", em norueguês. Terça feira me levantei indisposta e sentindo uma tontura muito estranha, não conseguia parar de pé. Me sentia a bordo de um barquinho - e olha que disso eu entendo! Não fui trabalhar, e Lars tinha viajado pra longe. Sobrou pra pobre de minha santa sogra vir me acudir. Ligamos pro médico e consegui uma consulta no mesmo dia.

Então, o sistema de saúde funciona assim: ao chegar na Noruega (ou ao conseguir seu visto, acredito), o imigrante em geral é chamado pra um exame de tuberculose. Feito esse exame, se está tudo OK, um médico é atribuído a esse imigrante via sistema. Aí esse médico fica sendo o seu médico. Acredito que sejam clínicos gerais... Se por acaso você não gostar do médico, pode entrar no sistema via net mesmo e solicitar troca, e lhe atribuirão outro. Toda vez que você precisar ver um médico, deverá consultar o seu primeiro, e se el@ sentir necessidade, poderá lhe encaminhar a um especialista.

Eu tinha ouvido (lido) várias coisas sobre os médicos daqui, e a primeira experiência não foi boa, então estava meio apreensiva. Chagamos lá, um consultório bem simples. Dr. Atepo Johnson. Pensei, de que catso de lugar esta pessoa será? E ao entrar, me deparo com um senhor gigante. Africano... Mas de onde? Conversa vai, conversa vem, de Uganda. Sua esposa da Tanzânia.

Tirou minha pressão, perguntou meu histórico - eu levei todos os exames que havia feito antes de vir pra cá, considerando mesmo esse histórico, que aqui seria inexistente... No Brasil eu tinha meus médicos que conheciam meu histórico... Aqui começa tudo do zero!

Então depois de conversarmos bastante, mediu minha pressão de novo, que já havia baixado um pouco. Pediu pra refazer alguns exames de sangue, inclusive de alergia, considerando a alergia pavorosa que tive quando cheguei aqui... De lá passei pra outra sala, onde assistente tirou sangue e imediatamente mediu glicose e outra coisa lá... Tava tudo em ordem. Duas probabilidades, uma virose leve que possa ter atacado o sinus, ou stress... Me deu três dias em casa (os dias de trabalho, porque eu tava off no fim de semana mesmo...), e é isso... No fim das contas, gostei do Dr. Johnson, e não tenho intenção de mudar. Ouvi de muitos noruegueses mesmo que a relação com os médicos aqui é bem "profissional", aoponto de eles náo lhe olharem na caradurante a consulta. Náo sei se isso procede, mas como fiquei satisfeita, deixo assim. Ah, e o preço da consulta - incluindo os exames? 179 coroas, cerca de 60 reais! Se eu dissesse que cada consulta com meus médicos em São Paulo custava de três a quatro vezes esse valor, no mínimo, fora os exames pagos à parte, acho que pagar impostão acaba valendo a pena...

Ah, e eu acho que era stress mesmo... Meu trabalho é bastante físico, e semana passada foi punk... Deve ser isso mesmo, deixa eu dar aquela descansada!

Falando em saúde, terça à noite assiti a outro documentário indicado pro Oscar, o Food Inc. Não porque foi indicado, mas porque o assunto me interessa. Eu gosto de ser arrancada da minhazona de conforto. O ser humano se tornou uma criatura muito acomodada... Não gosta de sair da zona de conforto. Estranhei a baixa repercussão sobre o post do The Cove. Mas percebi que é isso, as pessoas não querem ser incomodadas com problemas distantes, não querem assistir a cenas que as perturbem. Por isso reagem tão pouco... Mas isso é assunto pra ainda outro post.

Sobre Food Inc, o documentário trata da indústria alimetícia americana... Como a revolução dela começou por causa do fast food. Como tudo hoje é remetido às grandes lavouras de milho e soja, monopolizadas por poucas corporações, entre elas a bandida Monsanto (assita aqui a outro documentário apenas sobre ela e suas vilanices)... Mostra a crueldade das fazendas de porcos, vacas e frangos. Como esses animais e os trabalhadores que trabalham na indústria são tratados com nenhuma dignidade... E como, ao eleger certos produtos pra colocar na sua mesa, você contribui com tudo isso. Por exemplo, os produtos hiper-baratos, que são subsidiados pelas grandes corporações: comprando-os, você contribui para a exploração descarada de trabalhadores em países distantes, você contribui diretamente com o lucro líquido das corporações a ajuda a colocar mais um pequeno produtor, ou um que se recuse a seguir as regras ditadas pelas tais corporações, fora do negócio. A coisa é séria...

Por exemplo, você sabia que quase tudo que você tem dentro da sua geladeira tem algum derivado do milho, e que este milho é transgênico? Você tem o hábito de ler rótulos? Sabe o que está na sua comida? Pois é, hora de começar a saber...

Eles também mostram o lado mais esperançoso: a diferença que os alimentos orgânicos fazem, seja no tratamento dos bichos, das lavouras, na redução do uso de pesticidas e de coisas geneticamente modificadas,ede como VOCÊ, consumidor, tem o poder de mudar o jogo apenas pelas suas escolhas. O exemplo é o Wall-Mart, acorporação americana mais preocupada com o meio ambiente. Não porque eles sejam politicamente corretos, mas porque osconsumidores do Wall-Mart passaram a exigir mudanças, e eles se adiantaram em tentar agradar. Resultado: diversos prêmios em sustentabilidade (até meu pai, que escrevia sobre isso, já havia mencionado), antigosclientes felizes, novos clientes, e corredores quilométricos coalhados de alimentos orgânicos ao invés dos outros.

Até antes de ver o filme, eu comprava alegremente produtos da marca First Price (uma marca genérica bem barata, à lá Carrefour)... Agora me restrinjo apenas aos de limpeza... Já disse ao Lars que vamos reduzir o consumo de frango, e tentaremos ir comprar ovosm batatas e cenouras direto nas fazendas da região. Carnes no mercado, apenas as dos produtores locais. Peixe, se possível, direto do barco.

Carne moída pronta daqui, nunca mais... Tenho um colega de trabalho que trabalhou num supermercado grande. Me contava que a carne bovina e suína que fica exposta na prateleira do supermercado por alguns dias e não é vendida é recongelada e enviada à China, onde é processada e mandada de volta como carne moída para as indústrias... Imagina o quão podre e cheia de tratamento ela não é? No aspecto carne, sinto saudade do Brasil, com sua pecuária semi-extensiva na maioria, e vacas que vivem vidas de vaca, dignas, até o derradeiro momento. Com menos hormônios e coisas ruins. O duro é que pra manter esse processo é preciso desmatar.



Enfim, vale o documentário, e quem quiser ver mande o e-mail mágico, já sabe. Acho que temos todos obrigação de espalhar essas idéias pro maior número de pessoas possível, já que as corporações limitam o acesso à esse tipo de informação... Assista aqui a uma entrevista em inglês com os realizadores do filme.

quinta-feira, junho 18, 2009

Mais tuberculose, Che, Morangos, Ruibarbos e etc...

Não, eles não tem nada em comum. É que este é mais um daqueles posts mistureba.

Ontem à tarde recebi uma carta do Hospital da cidade dizendo que eu deveria me apresentar ONTEM À TARDE pra fazer radiografias... Quase não dava tempo, mas fomos, depois do almojantar. Lars me levou. Outra impressão ruim do sistema de saúde norueguês. Subimos para a ala de Raio X. Leitos com roupa de cama suja pelo corredor, e sacos de lavanderia pelo corredor. Posso não ser especialista em Governança Hospitalar, mas tenho muito BOM SENSO. Enfim, depois de rodar todo o andar para achar um funcionário e avisar que estávamos lá, como mandava a carta, Lars ainda levou pito do enfermeiro, dizendo que a carta não tinha nada que dizer isso, e que esperássemos na salinha. Meia hora depois veio uma enfermeira e perguntou meu nome. Mandou esperar. Voltou mais duas vezes, pois não conseguia se entender com meu nome... Finalmente me chamou, tiramos a radiografia, não levou nem 5 minutos. Na saída fui perguntar pra ela como receberia os resultados, e a resposta, em inglês, foi "You must leave now!" (você tem que sair agora!). Respondi a ela que não se preocupasse, pois não tinha intenção de ficar ali. Mas que precisava saber como receberia os resultados. E ela disse que o Centro de Saúde me contactaria. Vou esperar, sem estresse. Pode demorar, mas chega!

Terça à noite eu e Lars fomos ao cinema assistir "Che, Guerrilla". É o segundo filme. O primeiro, "Che, The Argentine", que traz Rodrigo Santoro no papel de Raul Castro, eu ainda não vi. Ele trata mais da Revolução Cubana, e talvez tenha sido bobagem assistir ao segundo sem ver o primeiro. Mas o Guerrilla mostra o último ano de Che na selva boliviana. Benício del Toro dá um show. Não tenho a mínima intenção de fazer resenha de filmes aqui, estou longe de ser crítica. Mas dou minha opinião, que é honesta. Eu amoooooo o Soderberg, ainda não vi um filme dele que eu ache ruim. Mas este é um tanto longo. São mais de duas horas, só ali na selva. Mas talvez tenha sido proposital, pois você começa a sentir a tensão da telona. Eu não sabia de muito deste episódio da vida dele, além de sua morte lá. Mas ainda prefiro o Che romantizado de "Diários da Motocicleta". Recomendo - mas assista ao The Argentine primeiro.

E uma nota: Bodø tem um cinema com três salas. Houve tempos de minha vida que eu jamais conceberia viver longe da variedade paulistana de cinemas. Com o advento da net, as coisas mudaram!

Vamos aos morangos... É verão, e a variedade de frutas nos mercados tem aumentado, pois os poucos itens de produção local começam a aparecer. Incluindo frutas de clima frio, que no Brasil só encontrava importadas e sem gosto de nada. Primeiro caso é o das nectarinas. Sempre adorei, mas com meio-sabor. Aqui pude enterrar meus dentinhos em nectarinas maduras e caudalosas, como aqueles pêssegos gigantes do Uruguai... Tem também as ameixas vermelhas, daquelas em que a época de comer é a do natal no Brasil. Estão cada dia mais saborosas. Uma das minhas frutas favoritas sempre foi a cereja - quase um fetiche, pois coisa muito difícil encontrá-las no Brasil. E quando encontradas, com gosto de papelão! Uma vez contrabandeei meio kilo de cerejas pra dentro do navio, em Barcelona, após uma dolorosa visita ao mercado La Boquería. Dolorosa, porque queria comprar tudo que via e ir pra casa cozinhar, mas não podia. AGORA POSSO! Comprei um sacão de cerejas. Lars não gosta, imagina! É como não gostar de chocolate!!!

Ontem, quebrei um jejum culinário meu... Finalmente encontrei ruibarbos pra vender. Comprei, limpei, descasquei, e entrei na net pra procurar uma receita simples de compota. Nunquinha na vida tinha comido ruibarbo, e já tinha lido tanto a respeito... O resultado foi decepcionante... O danado tem gosto azedo forte, quase cítrico. Uma vez cozido com açúcar, fica uma coisa doce-azeda, gostosinha, mas bem longe de ser uma iguaria. Acho que é por isso que fazem mais compota de ruibarbo com outras frutas... Sei lá!

E finalmente os morangos... Vínhamos comprando deliciosos morangos portugueses ou holandeses (estou parando de comprar importados depois do filme HOME e a diabólica visão das estufas espanholas, mas para alguns itens não tem jeito mesmo! Melhor comprar de qualquer lugar do que da Espanha, anyway). Conversando com minha concunhada, contei à ela sobre os morangos... E então ela disse "Espere para comer os morangos noruegueses, você não tem idéia...". E ontem, fomos fazer comprinhas após a radiografia. Passando pela sessão de frutas, senti um cheirinho de morango (meu nariz é biônico) e fui olhá-los. Numa caixinha azul, sem etiqueta de procedência-ou seja, não seriam importados. No cartaz, dizia morangos noruegueses. Mais baratos e mais cheirosos que os importados... Chegando em casa fui lavá-los, e só nessa brincadeira eu e Lars quase acabamos com a caixinha, de tão deliciosamente suculentos, perfumados e saborosos que eram! Me arrependi de não ter comprado mais, e quando achar de novo, comprarei mais e farei compota e geléia!!!

Ainda tenho bastante coisas pra falar sobre comida, mas agora tô assistindo o jogo do Brasil, contra os merdas dos EUA.

sexta-feira, maio 29, 2009

Tempo ruim

Pra começar, a previsão do tempo mudou completamente... Tem estado horrível, chuvoso, frio. Não passa dos 9 graus desde ontem. Tá ventando tanto que às vezes acho que vou sair voando com casa e tudo, feito Dorothy! Já estou me dando conta, aos poucos, do que é viver no polo Norte. Aqueles dias de sol maravilhoso pelo visto não acontecem com frequência, o que explica o desespero dos habitantes em aproveitá-lo. Como disse a médica que me fez o teste de tuberculose, aqui se vive o verão inteiro com a lembrança daqueles dias de sol. Parece exagerado... Vamos deixar o verão de verdade chegar.

Falando em tuberculose, voltei três dias depois para fazer o controle do teste. Tinha até esquecido dele, pois a bolinha sumiu, não dava pra ver nenhuma reação. Acreditam que a mulher botou uma régua pra medir o tamanho da reação no lugar errado? Quando avisei, ela disse que não, então mostrei a ela a mini-ini-máini cicatriz da seringa! Ela não tinha nem anotado se tinha visto minha cicatriz da BCG! E, ao medir a reação no lugar errado, ainda disse "Nossa, é uma grande reação!"... Espero precisar pouco de médicos aqui! Então disse que ela encaminhará os resultados para o hospital, e que eles me enviarão uma carta avisando o dia do raio X. Whatever...

E por falar em verão... Vi aqui no mercadinho da rua de casa um cartaz para um festival de música em Lofoten (ilha perto daqui - tem que pegar uma balsona), chamado (!) Codstock! 3 dias de peixe e música! Nem preciso falar o quanto ri...

E por falar em festival de música, com o verão, há centenas deles sendo realizados pelos país durante a estação. Vi a proganda de um enorme em Oslo, mas fica caro pra nós, pelo vôo e tudo, considerando que já vamos pro A-ha em novembro... Mas descobri também, pelo site da NRK, que há um festival itinerante! E tem em Bodø, em agosto! Lars também se animou, pois disse que dois anos seguidos teve que embarcar no navio dias antes do festival. Tem música, churrasco, bebida... E na programação, uma banda de música eletrônica norueguesa de sucesso internacional, Röyksopp!!! Boa época pra nos visitar, hein?



Pra aliviar um pouco meu eco-terrorismo, dei um tempo com o assunto... Já disse que acho que faço minha parte até bastante. Escrevi um post sobre lixo, aqui em casa e aqui onde moro. Será publicado bem depois. Mas resolvi que ele fará parte de uma série sobre a Minha Noruega! Digo minha, pois eu não moro em toda a Noruega, moro em Bodø, cidade pequena, longe do centro urbano, digamos assim, numa província onde jovens da capital ainda crêem haver ursos polares (!)... Por isso, posso falar com propriedade como são as coisas aqui, em Bodø e arredores. Começo com um assunto mais interessante: comidinhas...

segunda-feira, maio 25, 2009

Teste de tuberculose

Ontem quando vínhamos de Styrkesnes o chefe do Lars telefonou pra dizer que ele tinha que estar em Glomfjord hoje às 4 da manhã... Então ele achou melhor viajar ontem mesmo e pernoitar, ao invés de acordar de madrugada e dirigir sonolento. Além disso, minha sogra está mal da pneumonia de novo (os médicos deram bronca, que ela não tinha nada que ter viajado e mexido em jardim, e sim tratado de repousar e se recuperar...). Enfim, a questão era meu teste de tuberculose... Quem ia me levar?

Quando cheguei em Bodø há um mês e pouco atrás, nos primeiros dias já fomos à UDI - órgão do governo que cuida da imigração - pegar meu visto (obrigatório fazê-lo em até 7 dias da chegada) e já fui perguntando tudo - escola, teste de tuberculose, etc - que eu sabia que tinha que correr atrás, pois foram as coisas que tinha lido numa comunidade do Orkut e em blogs de moças que já moram aqui. Então o senhor agente de imigração que nos atendeu somente respondeu que eu receberia uma carta com a notificação do exame. A carta chegou exatamente um mês depois, me dando duas semanas de antecedência para o teste. Então Lars tinha pedido para a mãe dele me levar. Como ela está de repouso absoluto...

Lars pensou em pedir à cunhada, mas eu perguntei se era longe - porque se fosse seria mais complicado... Ainda não aprendi a me locomover de ônibus aqui, até porque daqui para o centro são 4 quadras, mais ou menos. E Bodø é uma cidade pequena, mas bem espalhada. Lars disse que era "mais ou menos" perto. E eu sempre digo à ele "Hello, esqueceu que sou paulistana?". Então pedi que me mostrasse, pois eu iria sozinha. Ele tutibeou, mas já estava mesmo na hora de eu começar a enfrentar situações cotidianas sozinhas. E afinal de contas, o que poderia dar errado? Já não me virei sozinha na Hungria, na República Tcheca, na Finlândia, na Alemanha , na Índia, falando apenas inglês? Então era hora de me virar aqui, de perder o medo de lidar com as pessoas - que na maioria fala inglês, mesmo que mal!

Ainda ontem, antes do Lars viajar, levamos jantar para a sogra (não sei se já mencionei, mas o apê dela é a uma quadra de nós), levei também sopa de legumes que eu tinha feito e congelado... E a sogra se espantou muito (um bom espanto) por eu ter decidido ir sozinha ao exame. Às vezes eles são superprotetores comigo...

Então lá fui eu... Logicamente, como tem que ter um senão, chovia legal... Botei minha jaquetinha de chuva, um gorro prá proteger a cabeça, e lá fui eu. São 10 minutinhos de caminhada, mas com a chuva, incomodou um tantinho, sabe? Prá ajudar, esqueci o celular em casa! Me dei conta quase lá. Pensei que se desse algo errado, não tinha nem como ligar pra Sylvia (concunhada)...

Cheguei lá já soltando o norueguês: "Bom dia, onde fica o setor de vacinação ?" , e com toda esta cara gringa, a moça já largou um superrápidonorueguêsexpresso pro meu lado. Segundos com olhos arregalados (eu acho), e respeirei e pensei um bocadinho, e respondi que eu não falava norueguês muito bem. Queria saber por que cargas d´água dá este pânico na hora de falar, sendo que eu sei falar o mínimo! Me sinto uma criança! Mas tudo bem, a mocinha me pediu pra esperar (eu estava adiantada).

Então depois de um tempo, entrou um rapaz alto, negro, bonitão, e logo atrás dele uma mulher usando o hijab, mas daqueles mais longos... Me causou um certo impacto a cena. O marido falava norueguês bem, pude ouvir. E a esposa ficou ali, parada, muda, e ainda por cima olhando prá mim! Não queria olhar muito pra que ela não achasse que eu tava encarando, sei lá... E não é que eu nunca tenha visto uma mulher de véu, mas realmente não estou acostumada com esta imagem. E no fim de semana tinha visto um documentário sobre 4 mulheres que tem um programa numa tv a cabo árabe, o Kalam Nawaem da MBC. Uma delas é palestina, a outra libanesa, uma saudita e outra egípcia. Elas falam de tabus (pro mundo árabe) como masturbação, homossexualismo, direitos da mulher, etc. Fiquei com isso na cabeça... Bom, o post é sobre o exame de tuberculose...

Então a médica me chamou... Muito simpática. Minha segunda visita ao médico, e ainda não vi nenhum usar avental! Tô acostumada a ver médicos nos seus consultórios (até nos navios) de avental... Então começou a conversa... Você prefere que eu fale inglês ou norueguês, ela perguntou em norueguês, e eu, querendo fazer piada, quebrar o gelo, disse que em inglês, pois em norueguês, nós ficaríamos alí até amanhã... Mas ela não riu! Então perguntou se eu sabia porque estava ali. Eu disse que sim. Ela perguntou se eu já havia sido vacinada contra tuberculose, disse que sim, no Brasil somos vacinados quando pequenos. Ela pediu para eu mostar a cicatriz, e comentou , ao vê-la, que era tão grande! Enfim, enquanto ela preparava a agulha, small talk... Ela começou dizendo que o teste era de praxe para todos os imigrantes recém-chegados, para tentar conter a propagação da doença. Contei a ela que a tuberculose estava erradicada no Brasil, até ano passado, quando votaram a parecer vários casos. Então (tava demorando) ela soltou um "Aqui na Noruega também, mas os casos registrados aqui foram em imigrantes da Somália ou Paquistão... Os noruegueses que contraíram a doença era velhinhos...". Tava demorando, quis dizer, o comentário com uma pontinha de intolerância... Mas depois ela ainda disse "Aqui fazemos este teste nas criaças por volta dos 13 anos, pois é com esta idade que vacinamos com BCG. Antes vacinávamos todos, agora já não... Acho que sai mais barato fazer este teste doque vacinar a todos...". Opa, peralá, coméquié que eu não ouvi direito? Não tenho nenhuma informação a rspeito do assunto, mas as campanhas de vacinação no Brasil não são bem sucedidas? Quando eu morava lá naquele fim-de-mundo de meu Deus, no Pantanalzão, vinha o povo da Secretaria de Saúde vacinar criança, adulto (rubéola, tétano), e até bicho? Nossos gatos escaparam e os agentes de saúde até deixaram duas vacinas conosco pra pegar os gatos mais tarde (foram necessárias 5 pessoas, um pra cada pata e um pra cabeça pra conseguir realizar a tarefa!)? Uai, se aqui é o primeiro mundo, cadê??? E depois são os somalianos que trazem a doença?

Não tô criticando não, mas houve uma dose de espantamento... Enfim...

Daí ela me pediu pra esticar bracinho, e lá veio agulhinha. Como ela explicou antes, fiquei preparada, mas tenho HOOOORRRROOOOOORRRRRR de agulha, não olho mesmo! Quando tomei vacina pra febre amarela, olhei prá agulha e desmaiei! Doei sangue uma vez, e quase desmaiei também... Então ela injetou um troço no braço que doeu feito picada de marimbondo - quem levou, sabe! A médica disse que tinha acabado, e olhei meu braço, ficou uma bolinha inchada e esbranquiçada. Coçou um tiquinho. Ela disse pra não coçar e não achatar a bolinha. Quinta-feira tenho que voltar pra fazer o controle, ou seja, ela vai medir inchaço e vermelhidão, e se achar necessário, me encaminha ao especialista pra fazer uma radiografia do tórax. A bolinha sumiu, não tá coçando e nem quase pode ser percebida, agora. Mas ela disse que terei uma reação, por causa da vacina.

Então, ela me dispensou, disse até quinta, e foi isso! Na volta pra casa, chovia mais, masainsa resolvi se mais corajosa e parei na vendinha Joker da esquina pra comprar umas cositas... Primeira comprita sem Lars! Comprei framboesas, chocolate e iogurte, passei no caixa, o homem falou comigo, eu acenei com a cabeça, estendi dinheiro, recebi o troco, e no final "Takk skal du ha", o muito obrigado de praxe... E saí... E NÃO DOEU NADA! Sei que parece pouco, mas foi bastante pra mim. Fiquei mais corajosa... Agora não é só cumprimentar vizinho durante as caminhadas, já posso fazer mais coisas....

Putz, tenho mais um montão de bobagem pra falar, mas fica pra depois... Tenho afazeres domésticos pra cuidar!

quinta-feira, abril 30, 2009

Do febrão ao comichão, e outro show do a-ha!

Então, lembra do febrão? Foi no sábado... Na terça feira o Lars não teve trabalho outra vez e ficamos a toa. No fim da manhã, fomos outra vez na loja da Cruz Vermelha (Røde Kors) onde a Marit (minha sogra) é voluntária. Estávamos em busca de um criado mudo para o meu lado da cama, e artigos de cozinha, tipo formas de pão, etc. Dessa vez ol ugar tava abarrotado de estrangeiros. Eu ainda não tinha notado os forasteiros aqui em Bodø. Devia ter uns 4 indianos, 3 turcos, uma moça russa, um tiozão croata... E o motivo de tantos era porque a loja tava com uma promoção para roupas... Uma sacola cheia de roupas por NOK50, ou seja, menos de R$20.

Tem gente que deve ter nojo ou preconceito de comprar roupas usadas, na verdade é um brechó, e brechó o povo acha chique! Eu tava precisando de umas roupas quentinhas de malha e moleton pra eu poder retomar meus exercícios e sair pra caminhar diariamente. Achei um montão de suéters, uma calça dessas prá esportes, tipo caminhada, que tem zíper no meio da perna e vira bermuda, camisetas de mangas compridas... Enchi a porra do saco e paguei menos de R$20. Obviamente que lavei todas as roupas chegando em casa.



Achamos um criado-mudo com duas gavetas estilo art-déco, linhas arredondadas, super bonitinho, por NOK45 (R$15), e várias formas para pão, bolo, mais umas coisas de banheiro que estávamos procurando. Super-brechó!

Chegando do brechó, abri meu e-mail e tinha lá uma mensagem do site oficial do a-ha que haviam 2 shows confirmados para Oslo em Novembro... Perfeito! Era tudo que eu estava esperando musicalmente (e por favor não critiquem meu gosto musical. Tenho bom gosto em geral, mas eu simplesmente AMO o a-ha... Não sei explicar o porque, mas a música deles mexe comigo). E que a pré-venda para membros do a-ha começaria amanhã, 12h CET). Avisei o Lars que iríamos ao show, pedi que ele avisasse ao primo, que trabalha numa plataforma de petróleo e está no trabalho, porque o Tor Erik também ama a-ha. Ele mandou mensagem dizendo que queria ir também. Uhuuuuu, ver meus ídolos na terra natal, e quem sabe num show mais animado que o de SP, que foi meio devagar....

Fiz middag (almojantar), lombo de porco, comemos com arroz, lentilhas e abobrinha. Enchi meu porco de mango-chutney. E mais tarde fui tomar banho. Quando saí do banho estava em chamas... Minha pele estava toda vermelha e empipocada, e coçava, mais nos braços e tornozelos. Achei que estivesse tendo uma reação alérgica aalguma comida, ou que pudesse ser uma alergia a polen de grama (hey fever), sei lá...

Então lá veio novamente nossa assessora para todos os assuntos, Marit, que deu uma olhada em mim e começou a ligar para um médico. Na verdade era um plantão médico. A primeira pergunta era se eu tinha febre. Depois, se eu tinha usado algum cosmetico diferente, etc. Como todas as respostas a todas as perguntas eram negativas, a pessoa do lado de lá (uma enfermeira) disse pra ficar de olho, e se piorasse pra ligar durante a noite.

E depois que me acalmei um pouco, melhorou... E fomos dormir. As 4 da manhã acordei com os braços em chamas e com muita, muita coceira nos braços e tronco. Lars ligou para o número de telefone que tinhamos, e uma enfermeira fez todas as mesmas perguntas novamente. E mandou colocar toalhas molhadas sobre o local afetado e ligar as 8 da manhã, pois o local estava fechado. (Eu pensei, então, porque ela estava lá!). Mas a toalha molhada aliviou, e o Lars voltou a dormir, eu fiquei acordada.

As 8 da manhã ligamos para o número mágico novamente, e a enfermeira disse que estavam fechados (WTF, eu pensei) e que ela ia procurar um médico e ligar de volta. Eu, com muita coceira, que era quase dor, desesperada, já estava quase gritando pro Lars me enfiar no carro e me levar para o hospital. Mas parece que aqui, não é simples assim. Então ligou para a mãe dele, ia tentar me arrumar consulta com a médica dela.

Mas então a enfermeira ligou de volta, dizendo que eu tinha uma consulta as 10:30 da manhã. Por coincidência era a mesma médica dela! Então me preparei para a consulta. Chegando lá, levou quase uma hora para eu ser atendida, pois chegaram duas ambulâncias no local, e a médica era plantonista.

A consulta em si não foi muito profunda, dei a ela todos os sintomas, ela disse que se eu fosse paciente dela ela me examinaria mais a fundo (exames, etc), mas como não sou, não havia muito a fazer. Ela disse que parecia mais uma alergia, mas que poderia ser um vírus, dados os sitomas anteriores e as dores nas juntas. Me receitou um anti-alérgico... Prá mim já tava ótimo.

Compramos o remédio e eu tomei assim que cheguei em casa. E fui correndo acessar o site do a-ha prá poder comprar os ingressos. Fiquei dando refresh na página bem perto das 12h,CET, até aparecer o botão "add to cart" na página. Acho que fui a primeira a comprar os três ingressos! Mereço um prêmio, toda fu****, ainda com energia prá isso!


E depois desabei, pois não tinha dormido a noite... Lars foi trabalhar, voltou e eu ainda dormindo. O remédio dava sono, mas acordei igual, vermelhona, mas a coceira estava melhor.

O duro é não saber se foi mesmo alergia, ou se foi uma virose... E a médica disse que pode voltar...