segunda-feira, dezembro 27, 2004

Natal e Ano Novo

Estou aqui sentada em minha cabine (por isso nao tenho acentos neste post), horrorizada com o noticiario da CNN, falando das Tsunamis que arrasaram a Asia. Estando num navio, isto me preocupa... Tsunamis sao sempre tratadas como mito, e ai estao.... Imagina so, voce esta la deitadao, no maior sol numa praia da Tailandia, e de repente, uma super onda te varre longe... Se voce sobreviver a onda, morre do coracao!

Bem, feliz natal! Nao posso dizer que foi muito feliz, mas ao menos estamos fazendo dinheiro. A festa de natal em si foi dia 21. Foi bem legal, fazia tempo que nao via a galera aqui tao bebum. Se houvesse um acidente naquela noite, o barco certamente ia afundar. Papai Noel nos trouxe de presente internet gratis entre os dias 24 e 31. O sistema ta um pouco sobrecarregado, mas... E falando em internet, o ultimo avanco tecnologico agora e wireless conection pelo barco afora para os passageiros. Agora temos tiozinhos gringos chegando no bar com seus laptops, surfando na Internet. Pretty amazing, se considerarmos onde estamos.

O cruzeiro de natal comecou sexta, dia 24, e engloba o reveillon tambem. Ficamos 9 dias, e vamos a Costa Maia no Mexico pela primeira vez. Nao que eu esteja muito feliz, pois para nos, winetenders, e muito trampo. Vendendo champagne e vinho a beca, ao menos.

Semana passada em Saint Martin tinham 3 barcos da Royal no porto, o NV, o Jewel e o Adventure. Era uma reuniao de tripulacao como eu ainda nao tinha visto. Eu e meus amigos Alejandro, Carol e Marie fomos para Marigot, a capital do lado frances de Saint Martin. Apesar de ser tudo em Euros, almocei uma lagosta maravilhosa com uma garrafa de Muscadet de Sevre et Maine sur lie... Gastamos uma grana, mas so ganhar, ganhar e ganhar nao e tao divertido quanto gastar!

(a lagosta; sentido anti-horario: Marie, Karol, eu e Alejandro)










Comprei 4 garrafas de vinho que estou guardando para o reveillon.

A noite de natal foi puxada, trabalhando pra caramba, fechamos o Vintages as 2 da manha, eu e os dois hungaros novos. Depois fomos pra festa latina de natal. E falando em festa de natal, hoje a noite tem a terceira, do pessoal das lojas! Tudo e motivo pra festa!

Depois escrevo mais contando como foi a festa de reveillon.

sábado, dezembro 04, 2004

5 years award & back to the Splendour

Adivinhem só... Outro dia me chamaram pra ir receber meu prêmio de 5 anos de serviços prestados na companhia. Uma festinha muito da sem graça, com camarão e coca cola, e o Capitão tirando fotos com a gente. Me deram um pin folheado a ouro que tem a forma do logo da cia, com 5 minúsculos diamantes (que eu ainda acho que são de mentira). E eu nem trabalhei estes cinco anos, mas eles contam os três anos que passei fora como válidos. Melhor pra mim, pois se um dia pegar minha aposentadoria de 10 anos, ja estou com meio caminho andado!

E outro dia chegarmos em Cozumel, e o Splendour tava estacionado ao lado. Eu e várias pessoas que trabalharam lá fomos visitar. Foi tão emocionante que eu até chorei.... Encontrei meu primeiro chefe, um cozinheiro de Honduras... Encontrei várias pessoas que trabalharam comigo e ainda estao lá... Mas o mais esquisito, é como o Splendour é pequeno comparando com o Navigator... Eu nao tinha esta idéia, até andar lá dentro outra vez... Mas o Splendour é muito mais chic, se é que vocês me entendem. E durante todo o inverno vamos encontrá-lo todo Cozumel, a cada 15 dias.









(duas v ezes no Splendour, revi Nicholas e Revelin; SP X NV)

Assim que Cozumel seguinte eu fui lá outra vez, com amigos diferentes, pra visitar o pessoal do bar. Encontrei uma galera outra vez... Foi muito legal.

Além disso, meus tours gastronômicos continuam a todo vapor... Cozumel, St. Thomas (comi uma Zarzuela de marisco num restaurante espanhol chamado Maison Amália que era de chorar), St. Martin, Jamaica, Cozumel...

Cada vez melhor....

Até a proxima.

quarta-feira, novembro 17, 2004

Novidades

(Labadee, propriedade particular da Royal no Haiti)


Bom, já estou de volta há 7 semanas, e muita coisa tem acontecido... Nem sei se soará tão interessante, mas a vida tem sido bem intensa por aqui...

Amigos chegaram, amigos se foram e não voltam mais... Faz parte. Pra quem fica, é tudo trabalho e festa. Que aliás tem dado uma acalmada, mas vem aí final de ano e elas vêm em cascata.

Então foi assim: um dia sai com meu amigo húngaro pra praia em Labadee (a ilha particular da Royal no Haiti). Nos "disfarçamos" de passageiros, ganhamos coco loco (um drink dez!) gratis, e ainda nos metemos na fila do almoço no meio dos passageiros, de óculos escuros e boné, e ninguem nos pescou - e se pescasse, era warning na certa! Um dia lindo.


Outro dia, sai de voluntária na Jamaica. Há um lugarejo chamado St. Ann's Bay, bem pobre, onde há um hospital público que cuida de loucos e idosos. O furacão Ivan detonou o lugar, e a gerência do Navigator resolveu levantar fundos para ajudá-los. Rolaram várias rifas e bingos, e doações espontâneas de tripulantes. Então eles pediram gente para ir com o Hotel Manager e a Crew Activities Manager e a Human Resources Manager levar as doações para o hospital. Só eu e mais uns 5, sendo 2 do gift shop, um camareiro jamaicano, uma mocinha do youth staff e dois filipinos eletricistas, para instalar a máquina de lavar nova que levavamos. Um longo caminho, uns 30 minutos de carro, pela costa jamaicana. Chegando lá, o lugar era extremamente miserável. O cheiro era terrível, mas as pessoas estavam tão felizes que foi possível aguentar tudo. Me senti muito mal com tudo aquilo, mas feliz de ter ido.

(St. Ann's Bay, Jamaica; vista dum mirante a caminho de Megans Bay, St. Thomas)


Depois ganhei do Raul, o brasileiro que trabalha com as excursões em terra, um tour para dois para Megan's Bay beach em St. Thomas. Levei meu amigo Norbert, o húngaro. Foi um dia lindo. Praia lotadassssa, mas a água estava uma delícia.

Depois teve um outro dia na Jamaica, onde minha colega Anoushka organizou sua despedida. Nos acompanharam uma sul africana e uma espanhola do spa, um amigo meu, chileno, Cristian, do room service, e minha roomie Blanca, a peruana. Fomos a um autêntico restaurante italiano, o Evita´s, no alto das colinas, de onde se tem uma vista fantástica do porto, e do Navigator, of course.

Comemos muito e muito bem. A dona do restaurante é italiana, de Veneza... Comi linguine com frutos do mar, inclusive o viagra jamaicano que e uma conchinha que se chama conch. Delicioso... Nem jantei naquele dia.

(almoço no Evita's; eu com Anoushka; eu e Christian em Cozumel)









Depois teve um dia em Cozumel que o Cristian, chileno, me chamou pra sair. Fomos fazer compras (vanities!), depois um big lunch mexicano... Depois fomos no supermercado, onde comprei vários queijos pra uma festa de queijo e vinho que planejávamos para a Anoushka. Depois paramos no duty free do porto e comprei vários vinhos espanhóis da Rioja... E do duty free ao barco pegamos uma puta chuva na cabeça. Maravilhosa!

Depois saí em St. Thomas pra comprar vinho pra festinha...

E ai veio a festa de queijo e vinho.... Vinho espanhol, sul africano, australiano, californiano, argentino (que eu trouxe), romeno e até israelense! Foi divino, e embebedante!
(festinha do DJ Paulo...)
E ainda, houve festinhas informais do crew bar, semanalmente. Quando meu amigo garçon português Paulo, aprendiz de DJ, vai tocar no BackDeck, é encontro dos latinos na certa. Às vezes dançamos até 4 da manha...

E as festas oficiais, como a de ontem, patrocinada pelo Dining Room: Bacardi Late Night. O DJ parou às 4:30 da manhã. E depois neguinho saiu em grupos pra terminar de beber nas cabines. Eu e a Blanca achamos melhor ir dormir.

E o trabalho? Faz 4 semanas que trabalho no winestand, no dining rooom. Os garçons vendem o vinho, vem buscar comigo, e eu digito as contas pros passageiros. Ou seja, faz 4 semanas que não trabalho com passageiros pentelhos... E como comida de passageiro (cuidado com a pança senão vou engordar!)

O dinheiro tá muito bom, o trabalho, pouco....

Que mais posso dizer? Voltar pro Brasil? Eu, hein?????????

quinta-feira, setembro 09, 2004

Últimos dias argentinos....

Nestas alturas deveria já ter terminado de escrever o diário sobre a viagem a Argentina, mas depois de um mês, os detalhes pequenos se foram... Então, resumindo, na quinta-feira, fiz um tour pela região de Luján de Cuyo, no estado de Mendoza. É a area vitivinicultora argentina de onde saem os melhores Malbec argentinos. A guia que me levou (chamada Eugenia) além de muito gente boa, sabia muito de vinho.

Ela me pegou às 8 da manha no albergue, e saímos em direção à vinícola Família Zucardi (produtora dos vinhos Santa Julia, entre outros). Super moderna, produção em larga escala, tecnologia... Visita de meia horinha, depois fomos provar os vinhos. Era muito cedo, e ainda tinhamos 5 vinícolas pela frente, assim que provávamos e cuspíamos, profissionalmente! De lá, ela me levou a Faculdade de Enologia Dom Bosco, a mais antiga da Argentina. Uma maravilha. Tudo meio artesanal, mas vi uma classe de alunos e tudo mais. Vimos o enólogo fazendo testes com barris de carvalho francês com ondulações diferentes (muito complicado)... Foi show. Provamos uns 10 vinhos - cuspindo!

E a[i veio a hora do almoço. Ela me levou num lugar chamado Finca La Adalgisa, um hotelzinho com um vinhedo de Malbec de 2 ha. A matriarca da família cuida do vinhedo, tem um cavalo (UM) que trabalha no vinhedo... A família colhe as uvas e faz o vinho, com uvas prensadas mecanicamente numa prensa antiga de madeira. O vinho é fermentado em piletas de concreto que ainda nem tinham sido cobertas com tinta epóxi. Depois de pronto, o vinho é engarrafado, não envelhece em carvalho. E foi o vinho mais educativo que provei - para ver o que é um Malbec sem traços de carvalho. Além de fresco e delicioso. Durante o almoço (vejam as fotos) tomei mais de meia garrafa! E enquanto eu comia saladas, queijos, pães caseiros e pêssego em compota com doce de leite (tudo feito lá), a Eugenia buscava um casal que contunuaria o tour conosco.

(acima, faculdade de Enologia; ao lado, almoco na La Adalgisa)


Quando ela veio me buscar, o casal era brasileiro. Luiz Henrique e Carla. Então fomos à Catena Zapata, a maior produtora de vinhos argentinos de qualidade. Chegamos atrasados, e claro, no nosso grupo tinha um brasileiro vovô (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) mala pra caramba, que fez a gente passar um monte de vergonha com seus comentarios ridículos. Depois de visitar as instalações monumentais, fomos provar os vinhos. Pedimos mil desculpas a guia da Catena pelos brasileiros mala.

(Catena Zapata, a Opus One argentina; Alta Vista; eu, Luiz e o proprio Carmello ao fundo)










De lá, fomos para a Alta Vista, mas chegamos tarde pra visitar a bodega, então passamos direto a prova de vinhos.... E de lá, a Carmello Patti, um senhor muito simpatico que possui uma bodega boutique - faz vinhos com muito amor, e em pouca quantidade.

Terminei o tour às 7 da noite, bebum e com fome. Ja não tinha forças, mas ainda assim tomei um banhão e saí caminhando até um restaurantezinho próximo, comi algo simples e corri de volta pra cama. No dia seguinte, sexta-feira, tinha combinado com o Luiz Henrique e a Carla de irmos na Bodegas Escorihuela, onde esta ubicado o restaurante de Francis Mallman, o chef argentino mais famoso, que inclusive esteve pelo Brasil, no A Figueira Rubayat.

Então na sexta, ao meio dia eles passaram pra me pegar. Chegamos um pouquinho cedo, mas fomos direto pro restaurante. Muito bonito, modernoso. A comida foi excelente, dos aperitivos\vinhos de entrada a uma salada morna de centolas (aqueles caranguejos gigantes que parecem aranhas). Depois uma pratada de risotto (super bem cozido) de cogumelos frescos e secos, tudo isso regado a duas garrafas de vinho. Malbec Obra Prima, of course... Não sobrou espaço pra sobremesa.


(restaurante Francis Malman)


De lá saímos para o tour pela bodega com - adivinhem.... Uma casal de brasileiros... A bodega era linda, os caras são super profissionais, e depois no final, mais vinho.

(linha de engarrafamento, Bodegas Escorihuela)








Na volta fiquei pelo centro, fazendo umas comprinhas. No finzinho da tarde, quando estava já escurinho, tomei um chocolate quente com media-lunas. E de lá pro albergue, onde teria um churrasco à noite. Minha última noite.... Então tomei um banho e cochilei uma siesta, depois desci pro churrasco. Só tinha alpinista no albergue, assim que eu estava totalmente fora do meu elemento. Conheci vários caras que são guias de montanha, e de tours pra Patagônia. Um pessoal bem interessante.

E no dia seguinte saí cedinho pra o aeroporto de Mendoza. Às 8 da manha, na Curitiba argentina, me roubaram minha bagagem de mão.... Com todos os meus cremes, perfumes, relógio, brincos, cabos da maquina digital, e 1000 dólares. Eu ficaria ainda um dia em Buenos Aires, mas assim que cheguei no aeroporto eu mudei a passagem e voltei pra casa no sábado mesmo.... Acabou bem mal a viagem tão boa, mas os momentos prazerosos foram tantos que não vou deixar algo assim estragar minhas memórias....

And now back to the ship.....

quarta-feira, setembro 08, 2004

Que Miércoles!!!!!!!!

Bueno, hoy dia és miércoles...

Depois do pileque de ontem, dormi até acordar, sabe? Até mais tarde um pouco. Lá pelas 10 e pouco sai para telefonar, confirmando o tour com a garota da Vino y Aventura, uma agência especializada em levar "conoisseurs" para conecer vinhedos e vinícolas, sem blá-blá, com guias que entendem de vinhos. Então fui num Internet café (hé milhões deles, tanto em Buenos Aires como aqui em Mendoza, e a hora da Internet custa 1 peso, ou seja, 1 real) para descarregar o memory card de minha câmara num CD. Levou 2 horas, o cara disse que sabia fazer, mas enrolou, enrolou...

De lá fui cambiar plata numa casa de câmbio. Já tinha andado um bocado, a fome estava apertada, e lembrei da guia Carolina, de ontem, quando havia perguntado a ela qual seria uma muy típica refeição mendocina. E ela me disse "Chivito assado, muy rico". Me deu o nome duma rua onde há vários restaurantes que servem. O tal chivito é um cabritinho assado inteiro, mas o bichinho é bem novinho...

Então andei um bocado, cheguei na tal Calle Sarmiento, e tinha uma churrascaria (perdon, parrilla) atrás da outra. Entrei numa que me agradou, Don Tristan - segundo referências posteriores, acertei em cheio! Tinha um bufezinho de salada. Pedi o tal chivito, veio um prato imenso, e olhando eu achei que não ia dar conta. Mas, vixe, como o bichinho era bom... Carne bem macia, rosadinha, com aquele sabor especial de madeira... Pra acompanhar, como dizem os mozos (garçons) : "Vinito?" "Por supesto...". Tomei um Trapiche Malbec 2004, super jovem e fresco, ainda que um pouco ácido. Mas casou perfeito com o chivito.

Depois do almoço, aquela leseira desgraçada... Andei umas 8 quadras até o supermercado, onde comprei uma garrafa de água mineral, outra de vinho (Santa Julia Bonarda 2003), e voltei pro albergue. Como tirei o dia para descansar, fiz uma siesta, depois acordei, tomei banho e desci, pra tomar meu vinho e fazer um pouco de lição de casa - sim!, estudar, fazer anotações sobre os vinhos que andei provando e as coisas que aprendi sobre eles.

Depois de 2 tacinhas, fui me trocar (mais roupa de frio, pois tava um pusta dum frio) e fui jantar na mesma Calle Sarmiento, num restaurante chamado Azafran, que se intitula "almacen de esquicitices y vinos". Era um bistrozinho moderno com loja de vinho anexa. Sabia que o local era uma referência regional, então, lá fui... Era bem em frente ao Don Tristan.

Entrei solita. Os mendozinos, assim como os portenhos, não dão muita pelota pra gente que sai pra comer sozinha. Mas o que eu podia fazer? O lugar estava lotado, mas tinha uma mesa legal, para quatro, e uma mínima. Adivinha qual eu ganhei? Claro, atrás de um movel, não via nada. Mas como estava para comer e tomar um big vino qualquer, tanto fazia.

O cardápio, de pôr qualquer um que aprecia a boa comida louco. De frutos do mar a cervos patagônicos, o que fazer? Pedi um sorrentino de cervo patagônico defumado com ricota, e molho de hongos (funghi) selvagens. Puts, como comi hongos na Argentina até agora!!! Para beber, um Alamos Bonarda 2001, que me tinha sido recomendado pelo dono do La Tasca de la Plaza Espana (aquele bistrozinho espanhol, lembra?), e tambem pra comparar com o Santa Julia que tinha comprado à tarde.

A senhorita simpatica que me servia trouxe uma magnifica cestinha de pães caseiros, e serviu o vinho. E eu fiz firula, não por metidice, mas para realmente apreciar o vinho. Ao meu lado, tinha uma mesa com dois senhores. E eles ficavam olhando pro meu vinho. E pra minha cara. E eu rodava o copo e metia o nariz dentro do copo, e eles me olhando. O vinho era ESPETACULAR. Muito diferente do que eu estava acostumada... Logo chegou meu prato.

Quando acabei, o vovô (EU E OS VOVÔS!!!!!!!!!) da mesa ao lado se virou e finalmente me perguntou que vinho era aquele. Lhe respondi, e ele, todo cerimonioso, disse "você entende de vinhos?", e eu, sem pompa "Sou sommelier". E ele "Ah... Eu bem desconfiei quando vi você não só provando como tomando seu vinho. E ele está bom?" E eu "Excelente. Quer provar?" A garconete lhes serviu 2 taças de meu vinho, e els me ofereceram um prova do vinho deles. Mas logo antes de eu provar, me disseram "Perdoe-nos, mas seu vinho é bem melhor que o nosso!". E assim engatamos uma conversa antes e durante a sobremesa (a minha era mil folhas com ricota fresca de cabra e frutos regionais). Depois do jantar, cada um pagou sua conta e eles se despediram, deixando seus enderecos de Buenos Aires, caso eu quisesse companhia para tomar vinho durante minha última noite lá...

E assim levantei e caminhei novamente aquelas 10 quadras de volta ao albergue, isso la pelas 12 da noite. Nestas alturas eu já tinha me acostumado, já nem olhava para trás pra ver se havia algum movimento suspeito.

E fui dormir empanturrada novamente, mas feliz!

terça-feira, setembro 07, 2004

Destino: Aconcagua

Bom, o recepcionista me acordou 6 horas da manhã. O tempo estava horrível, chovia. Mas me alegrei, pois devia estar nevando na montanha ao menos pra eu poder ver os picos nevados, como nas fotos de Mendoza. Uma outra garota do albergue tambem ia. Era portenha (de Buenos Aires pra quem não sabe).

Classicamante o microbus parou, e a guia nos veio buscar: "Hola, soy Carolina. Mucho gusto...". Subimos no bus e ja tinha um casal de vovôs e um casal jovem. Ainda passamos em outro albergue pra buscar mais um casal, e por último num hotem, outro casal. E só agora me dei conta que eu e Gabi (a portenha) eramos as únicas avulsas!

E a guia começa a falar de futebol (Má ideia, eu pensei). As janelas do microbus já estavam embaçadas, fazia um senhor frio lá fora... E o papo de futebol seguia. Cada um tinha que dizer o nome, de onde era e pra que time torcia. E assim descubro que o último casal, sentadinho ao meu lado, era carioca! Fluminense, acho... Dai logo veio a minha vez, eu disse que não achava uma boa idéia falar de futebol quando há argentinos e brasileiros presentes. O povo riu, e os brasileiros começaram a conversar comigo. Gente muito fina! Não eram daqueles brazucas que fazem a gente passar vergonha lá fora.

Bom, conforme fomos indo em direção às montanhas o tempo ia melhorando. Não sol, mas a chuva estava parando. E a guia explicou que a Cordilheira era dividida em três partes: pré-cordilheira, depois cordilheira frontal, e por fim a Cordilheira. A moça era bem informada e preocupada em passar informação. Na primeira parada colheu plantinhas e explicou todas. Depois falou dos animais que habitam a região (inclusive o condor, animal ameacadíssimo!). Se tivessemos sorte, íamos ver alguns...

Paramos num lugar onde tinha uma ponte bem rústica sobre um riozinho. Ela nos fez tomar água do riozinho, só pra poder fazer piadinhas depois (até que bom senso de humor). Por esta ponte passou o General San Martin, libertador da República Argentina. A estrada seguia o rio Mendoza e a estrada de ferro. E adivinha quem avistou o primeiro condor do dia??? Euzinha, olhava algo lá no céu, e vi um pontão preto. Olha o condor lá... Virei heroína. E viva a Caiman! E fomos embora. Então, paramos num hotel no meio do nada pra pegar mais um casal. Um lugar lindo, mas frio.... Já se podia ver um pouco de neve no alto das montanhas. Passamos por um povoado onde ficou hospedado o Brad Pitt quando das filamgens de "7 anos no Tibet". Raaaaah, pensavam que tinha sido filmado no Tibet? Que nada! Uspallata é o nome do lugar. O Brad é um herói lá!!!! E paramos num local pra tomar um café (que caiu super bem) e alugar sapatos de neve. Eu, porque estava muito da entretida com meu café e um imenso cão perdigueiro, não ouvi a guia falando dos sapatos. Depois eu vi o povo com eles. Perguntei a vovó do bus (como se eu não tivesse ainda aprendido a lição com vovòs) se deveria alugar, e ela disse "Não, é só pra arrancar dinheiro do povo". Bom, quem precisa de botas, afinal...

E subimos, e subimos, até alcançar os 3500 metros de altitude. E tava tudo branco.... (Vejam as fotos, no link do Webshots) Nevava!!!!! Fazia frio.... E eu sem sapatos de neve! Quem precisa????? EU!!!! Paramos numa estação de esqui chamada Los Penitentes. Estava fechada, pois só nevou agora. No inverno não houve neve suficiente. Lindo.... Mas frio. E a guia Carolina tirava sarro de nós, brazucas. Com razão, pois eu nunca tinha visto tanta neve!!!! E nem os cariocas....

De lá fomos mas allá, arriba, até um lugar chamado Punte del Inca. Uma ponte natural, com umas pedras ao lado, que depois foram esculpidas em forma de templo. É uma estação termal. Mas o pé afundava na neve. E minhas botas (que não eram pra neve, claro) já estavam há muito congeladas. Já não sentia o dedão, e comecei a ficar preocupada. Assim, deixei o grupo e fui tomar (OUTRO!) café num botequinho espelunca. Havia uma lareira improvisada, e na frente uma mesa com 4 (ADIVINHA?????) vovôs. Pedi licença, puxei uma cadeira e me sentei. Pus as botas perto do fogo. Saia fumaça delas. Tirei as botas e saía muita fumaça das meias... Os vovôs (e vovós) eram chilenos. Ficaram morrendo de pena de mim. Mas o pé só tava frio mesmo. Nada sério. Um alfajor e 30 min depois, fomos embora para nosso local de almoço, outra vez em Los Penitentes. Nos sentamos, eu, Ana Lúcia, Flavio (os cariocas) e Gabi (a portenha). Pedimos uma garrafa de vinho. A opção de almoco era bife de tira com batatas ou um guiso de lentejas (lentilhas). Pedi lentilhas. Veio quase que uma sopa, cobrindo um monte de arroz, com abóbora, linguiça, uma delícia!!!!!!! E quentinho. "Postrezito?". "No, gracias. Cafe con conhaque". "quatro...". Quentinhos e bebinhos, saímos em direção ao bus e quem tinha aparecido???? O sol!!!!!! A paisagem tinha mudado por completo. Lindo, um céu azul de tirar o fôlego!!!!!!

(a drástica mudanca de tempo depois do almoço, e depois da fronteira com o Chile)

E então nosso motorista Hugo se encheu de braveza e tentou nos levar ao Aconcagua. A estrada estava fechada por causa da neve, mas o Hugo passou pelo posto policial, onde não havia ninguém. E lá chegamos... Nós, a uns 3800 metros de altitude, e ele a quase 7000. Vimos na verdade uma montanha "mas alla", com nuvens tapando. Mas valeu. Me senti 1% alpinista!!!!!!


Na volta, a Carolina encheu uma garrafa de água com ar da montanha. Disse que quando chegássemos na cidade iriamos ter uma surpresa. Então, na descida, paramos ainda uma vez na pré-cordilheira, pra ver uma represa importante... E Carolina e Hugo nos surpreenderam com café e alfajores. Nesta altura do campeonato, eu ja nem falava de frio. Falei um palavrão em português e o povo morreu de rir... Eles adoram nosso sotaque, dizem... E meu alfajor eu dei pr´uns cachorros que estavam por ali... Tadinhos...

Pra encurtar, o passeio terminou, e eu e Gabi combinamos de encontrar Flávio e Ana no La Tasca de la Plaza Espana, lembram? O primeiro lugar onde jantei em Mendoza. Nos encontramos por volta de 10 da noite. Pedimos entrada, e um fabuloso Malbec 2000 chamado Obra Prima, de uma bodega-boutique. A entrada eram mariscos com salsa de açafrão.... De prato principal, eu Flávio e Ana pedimos Lomo de ternero a la plancha (file de novilha grelhado). Excelente. Mas o prato da Gabi, Cazuela de mariscos, tava muito mais bonito.

Depois de um super dia agradával, um lindo passeio, belíssimas refeições, caí na cama feito pedra. E chega!

segunda-feira, setembro 06, 2004

Um tour furado....

(barrica antiga da Bodegas y Cavas Weinert)


Hoje decidi fazer um tour (intermediado pelo albergue) às minhas primeiras vinícolas, aqui chamadas de Bodega. Pela manha dei um rolê pela cidade, fui até a Plaza Independencia, visitei umas vinotecas (lojas de vinhos). Comprei uma comida vegetariana pra viagem e fui almoçar no albergue. O tour saiu às duas da tarde.

Aquele tour típico: um microbus cheio de turista, uma guia falante... Ih, acho que não cou curtir... Tinha uns gringuinhos, pobrezinhos, e o inglês da guia - Laura - era carregadíssimo. No caminho para Maipu, uma das cidadezinhas vizinhas, onde se concentram boa parte das bodegas e dos vinhedos, a criatura se atracou com o microfono e não parava de hablar.

Explicou que a região de Mendoza é um deserto, e o homem a transformou num oásis, através de um sistema de irrigação fenomenal, que usa a água de degelo das montanhas - inclusive das Neves Eternas... É realmente incrível o sistema que eles usam, com diques que represam os rios Mendoza e dois outros. Há um sistema de comportas que são abertas por horas ao dia, e assim a água é distribuída igualmente em toda a região. Se não fosse a extrema secura do ar, não se poderia jamais dizer que a região é (foi) um deserto!

Explicou a história dos vinhedos, os diferentes tipos de plantio, as diferenças climáticas que tornam este lugar um lugar especial para vinhos, e o tal vento Zonda. É um vento quente que só ocorre aqui e em mais dois países da Europa - não lembro quais - e quando ele sopra, ele aumenta a temperatura e pressão atmosférica. Depois que ele cessa, bum! Frio - e consequentemente neve nas montanhas (eeebaaaa!). Além disso, os vinhedos são castigados anualmente com chuvas de granizo. Algumas das pedras são grandes o suficiente para matar uma vaca, dizem eles. As chuvas de granizo são o pesadelo dos viticultores mendocinos.

Bom, chegamos na Bodega Baldrón. Nosso grupo se juntou com outro, éramos uns 30. Uns brasileiros daqueles de dar vergonha... Se empurrando e tudo. Uma guia da casa nos acompanhou. Mostrou todo o processo (uma bodega pobrinha...), e por fim fomos para a sala de degustação. Um vinho horroroso! Mas tudo bem.

De lá, fomos à Bodegas y Cavas de Weinert, em Luján de Cuyo, outro lugarejo que vive da vitivinicultura. A Weinert foi fundada na argentina por um germano-brasileiro. É uma das únicas bodegas que ainda utilizam tonéis de carvalho ao invés das barricas menores. Por uma questão de opção. A bodega é linda! Se diz que frequentemente é possível ver membros da família enfiados dentro das barricas fazendo a limpeza. Tradição vitvinícola - de geração para geração. Depois do tour, uma breve degustação. Vinhos bem melhores, inclusive um Cabernet/Malbec rosé bem seco! Interessante...

Nestas alturas, ja tinha feito "amiguinhas": uma suíça que hablava español muy bien, e umas argentinas do meu albergue. Paramos ainda na igreja da Santa de la Carodilla, a protetora dos vinhedos. Comemos empanadas, e finito o tour!

A noite, saí para jantar. Andei, andei e acabei parando num lugar de massa. Só fiquei porque tava exausta, mas comi mal. Caí na cama e dormi feito un angelito. No dia seguinte, ia sair para um tour até o Aconcagua.

Mendoza, um caso à parte

Mendoza é uma província argentina (estado), e a cidade de Mendoza é a capital desta província. é a primeira região produtora de vinhos da Argentina em quantidade. Fica a 200 km de Viña del Mar (Chile) e 1400 de Buenos Aires. Assim que é mais perto do Chile.

Cheguei às 8:30 da manha, estava fresco (13 graus), e dava pra ver as montanhas - os respeitáveis Andes - sem neve. Me decepcionei um pouco. O albergue era dez, uma casona, com quarto legal, e um staff ótimo. Fiquei horas esprando para poder ocupar o quarto, e lá pelas duas da tarde saí para um passeio. A cidade estava deserta, era um domingão. Logo achei uma praça linda, com um restaurante que eu gostei da cara, em frente. Mas estava fechado. Andei um pouco mais. Almocei num lugar qualquer, e mal. Tava tudo fechado, então, "ja que sá tem tu, vai tu mesmo". Voltei pro albergue, sesteei, tomei um banho e saí de novo. Resolvi que ia naquele restaurante da Plaza Espana, pois tinha comprado a revista El Conocedor (a Gula deles) e o tal lugar estava recomendado. Porém, eu não tinha grana trocada - só dolar, porque eu sou fina..., e eles quase nao aceitam "tarjeta" de credito aqui. Entao me mandaram ao hotel Hyatt cambiar la plata. E lá no hotel (um prédio lindo) tive que ir até o casino. O que me broxou, pois de cassino, chega os dos navio.... Troquei o dinheiro e fui comer, la no LA TASCA DE LA PLAZA ESPAÑA. Se alguém um dia vier a Mendoza, não pode deixar de ir la.

Servico excelente. O dono me trouxe um livro sobre a cidade. Depois que souberam que eu trabalhava com vinhos, so me papacaricaram....

Tomei um Torrontes (Atilio Avena Y Hijos) 2003 excelente, acompanhando um plato de machas - um bivalve chileno (só existem no Chile) - afinal, Valparaíso é logo ali.... com molho de ervas e queijo. Perfeito! Depois, pescado a Don Carlos, uma mescla de peixes brancos com um molho de vinho branco, gratinado com queijo.... De sobremesa, pêssegos frescos cozidos em Malbec... Passei tão bem...

Isso tudo depois de comprar brinquedinhos de antigamente numa feira de artesanato na Plaza España.

Voltei caminhando pro Albergue, umas 6 quadras. Isso, prum paulistano, e uma dadiva por si só! Caminhar de noite na rua, sem preocupação! Dormi o sono dos justos (se não fosse o vento Zonda). Pero esso es otra historia...

sábado, setembro 04, 2004

Continuação...

Bem, o título do último post ficou sem explicação... Mas aí vem o porquê. Buenos Aires tem um ar europeu, sim, assim como Montevidéo, Havana... Mas a sujeira na rua não trai o traço latino! Ruas imundas... Como São Paulo!

Entretanto, com um café a cada esquina, podemos ver os portenhos lendo seu jornal e tomando seu café com medialunas - um tipo de croissant, típico - serido sempre com um copinho de água ao lado. Cafés excelentemente bem tirados, diga-se de passagem. E garçons empertigados, por todos os lados. E os cafés ou confiterias tem nomes Paris, Gardel, Piazolla, Espana, e por aí vai... Paris seria aqui se não fossem os argentinos...

Bom, dia 3 em Buenos Aires. Acordei moída, cheia de dores nas pernas e pés. Fui a Calle Florida trocar dinheiro, e sabadão estava bem mais tranquilo. Depois fui ao tradicional bairro San Telmo, tipo a Vila Madalena deles. Ruinhas cheias de antiquários, quase tudo fechado. A Feria de San Telmo acontece só aos Domingos. Resolvi almoçar num restaurante recomendado, e barato. Mesinhas grudadas umas nas outras. Pedi uma parillada para una persona, com chorizo (linguiça), chinchulines (a tripa leiteira do Pantanal, que por sinal é melhor que a daqui, pois o sabor da daqui é de queijo velho), riñones (ecaaaaa) e bife de tira. Pedi uma salada verde pra acompanhar, e ela estava bem suja. Assim que não valeu o almoço, mas foi barato. Nas mesas ao lados, dezenas de portenhos apreciando garrafas de vinho tinto barato misturado com água com gás.

De lá resolvi ir ao Parque Lezamo. Uma boa caminhada... O parque nem é tão bonito, mas o destaque fica para a igreja Ortodoxa Russa. Bem típica da Rússia!

De lé decidi ir a La Boca, conhecer o Caminito. Mas as ruas foram ficando cada vez mais sujas... E me disseram umas señoras a quem pedi informação, que perto do porto era perigoso. Ainda bem que nem tinha levado a máquina hoje.

Finalmente cheguei ao Caminito. Um lugar interessante, mas tinha um festival rolando, estava absolutamente LOTADO... E meu humor já não era dos melhores, pois estava exausta. Depois de tomar um café num barco-bar no imundo porto do Mar del Plata, tomei um táxi e voltei pro albergue. Me dei conta de quanto tinha andado...

Descansei, fui à Internet e liguei no Navigator. Estava tudo ok, o cruzeiro tinha sido estendido por 2 dias, e eles estavam navegando ao redor das Bahamas. Então fui ao Cafe Tortoni, o mais tradicional de Buenos Aires. Lindo, decoração original do começo do século. Comi um sanduba, tomei um café (nunca na vida tomei tanto café num só fim de semana)...

Na volta pro albergue, chuva... A primeira. E fui terminar meu Finca El Portillo Malbec no albergue, assisitindo a cobertura do furacão Frances no Larry King. Que salada cultural.

No dia seguinte saí cedinho pra Mendoza. Mas aí é outra história.

Paris é em Buenos Aires??? Na-não....

Well, e assim comecava meu segundo dia na terra do tango. Acordei tarde, pois fui dormir bebum. Fui tomar café, fiquei papeando com um casal de alemães que vai ficar viajando 4 meses por estes lados - menos Brazil, muy caro!

Já eram pra la de 11 quando finalmente saí, em direção a Plaza de Mayo - Bairro Monserrat. Tinha que chegar cedo lá, pois é na hora do almoço que começam as manifestações de piqueteiros (quem nao sabe o que esta rolando lá, vá ler jornal). Há umas duas quadras do albergue, atravessava a rua quando um velhinho me pede inofrmações. Peço desculpa e lhe digo que não sou daqui... Ele pergunta se sou brasileira, e aí começa.... Morou no Brasil, a filha mora na Alemanha... Me convidou para um cafá e eu aceitei, pois dizia o Guia da revista Viagem que assim eram os portenhos. Mas ai o vovô desatinou a falar e não parava mais... Eu olhava o relágio agoniada... 1 hora depois pedi desculpas e fui. Cheguei na Plaza de Mayo 12:30 e já escutava o burburinho. Um mar, um exército de policiais na rua, em frente a Casa Rosada, por todos os lados... A Casa Rosada tinha acabado de fechar para visitação. Aliás, ela é pink! Nem tirei fotos, pois deu medo. O clima foi ficando tenso, e eu piquei a mula. Me mandei para o Centro pela Calle Florida (a 25 de Março deles, só que o comércio não é popular). Peguei a Av. Corrientes (tem a ver com tango, mas não achei nada disso). Cheguei ao Restaurante Arturcito, 40 anos de tradição, o melhor bife de chorizo da cidade. E era mesmo. E destaque para o café expresso, com uma espuma tão cremosa que parecia de chopp. Durou até eu acabar de beber o café...

De lã, fui ao teatro Colón. Nem ia entrar, mas lembrei do Municipal de Havana ( Cuba), que tinha valido a visita. Então, por 7 pesos, vi o interior do teatro, desbundantemente belo!!!!! Um espetáculo por si... Ouvi um recital de violino e um ensaio de ópera. Quem for a Buenos Aires não pode perder este passeio. Já eram 3 e pico e voei, pela Calle Florida, até a Recoleta. No meio do caminho, um show de tango de rua, a música era La Cumparsita. Custou 2 pesos, muy bem pagos. Cheguei a Recoleta. Parecia com os Jardins, em São Paulo. A Av. principal, Alvear, parece a Oscar Freire. Salvatore Ferregamo, Escada, joalherias, etc. Nesta altura, o bife de chorizo já tinha sido digerido havia tempo. A barriga gritava arroz... E aí, era hora da famosíssima empanada do San Juanino. E óbvio, ao chegar lá, fechado! Mas o dono me abriu a porta e me vendeu duas empanadas (uma normal, outra picante, as duas de carne, claro). Ia ao cemitério dar um alô pra Evita, mas não deu. 4 horas de caminhada, 3 bairros, os olhos ardiam.... Tomei um táxi e voltei pro albergue.

Banho, e saí para comprar vinho no super da esquina. Um Finca El Portillo (Salentein) Malbec 2002 por 10 pesos. Que barganha... Vinho gostosinho! Aí jantei no resto (como dizem os portenhos) embaixo do albergue. Uma massa caseira, uma água, um copo de vinho ordinário... 12 pesos com serviço! Exausta, subi, abri o vinho e liguei a TV. Chegaram outros alemães, começamos a conversar, e de repente vi no jornal da Globo (na Globo Internacional) que a Florida seria varrida pelo furacão Frances. Entrei em pânico ao pensar no Navigator, que estaria em Miami neste mesmo dia, e na Ana Paula de Paula, que tinha me mostrado as proteções anti-furacão na casa nova deles. Como não podia fazer nada, bebi mais um pouco e fui dormir...

Continuo depois...

sexta-feira, setembro 03, 2004

Diários argentinos de Bacco

Só pra não perder a linha de raciocínio...

Estou de férias, pra quem não se deu conta, e resolvi viajar pra Argentina, pra conhecer uns vinhedos e vinícolas, e Buenos Aires, por supuesto. Bom, ontem meu vôo atrasou 2 horas, cheguei duas horas mais tarde aqui, mas tudo em riba. O albergue que estou é legal, bem localizado, dividido em duas casas, uma na frente da outra. Numa delas, dizem que o Borges costumava ler seu trabalho para o público.

Bem, me ajeitei, fiz um roteirinho básico com o guia que comprei no aeroporto, e decido começar com estilo, num show de tango. O guia trazia uma recomendação de Sergio de Paula Santos, um enófilo brasileiro, para ir ao Club del Vino. E aí me fui... Chegando lá, o tal do show era só para convidados... Mas a gerente me deu um convite, viva a boa educação dos portenhos. Era um show de tango sem dança, mas com uns músicos muito bons e uma cantora que parece que é popular por aqui. Bem intimista, bonito. Sentei numa mesa com um velhinho, que era o pai da diretora do espetáculo. Engatamos uma conversa, pedi um vinho - um Malbec 2001 de uma vinicola artesanal, muy rico!, o vovô pediu uns queijos... Foi legal... Depois passei pro restaurante pra jantar. Um lugar agradabilíssimo, com um cardápio bem interessante. Pedi de cara um cervo da patagonia, mas, claro, não tinha... Então, mudei pra morcilla (linguiça de sangue) com peras carameladas. Pra tomar, um blend de Shiraz Bonarda 2002 de uma vinícola de San Juan chamada Santos. Delicioso, mas aí eu já estava entupida. Mas já tinha pedido um risoto de funghi selvagem com alho poró doce, e pra tomar, um Tannat Merlot 2003, também da Santos... Maravilhoso! Estava tudo perfeito, mas eu estava realmente entupida... Deixei quase metade do risoto - o vinho eu acabei, é claro. E o mais assutador, pedi a conta... Esperei um susto, e assutei! 40 pesos, o que dava uns 40 reais... Em São Paulo esta refeição não teria saído por menos de 70 reais!!!

Voltei pro albergue estufada e de pileque, mas valeu... Se todos os dias forem assim, eu fico aqui pra sempre!!!!

quinta-feira, agosto 19, 2004

Fidel e as Quinceaneras....finalmente

Pois é... Eu adiei tanto para contar este causo que agora acho que até perdeu a graça. Mas enfim...

A desgracada da Royal Caribbean, querendo manter seus barcos cheios para poder competir com a Carnival, que detem mais de 60% do mercado, anda vendendo para qualquer um. A última moda, durante o verão, nos últimos três anos, são as festas de debutantes a bordo.

Vem aquela cucarachada toda, muitas vezes mexicanos, que são ruins de aturar, amargos de engolir... As meninas - a maioria gordas e feias - se põem aqueles vestidos bregas, as mães , pior ainda. E vão ao teatro, onde a locutora apresenta cada uma das meninas. Depois acendem velas, vem uns cadetes com espadas, enfim, tudo que tem direito. Depois dançam valsa com os pais, aquela cafonice. Mas o pior é como eles se comportam. Temos que trabalhar em ao menos três festas de quinceaneras por semana, e são open bar. Os desgraçados chupam um drink atrás do outro, agarram a gente pela roupa, comem toda a comida de uma vez só, um horror. Mas os grupos organizados pela empresa mexicana, chamada Cordoba, pagam 20 pilas para cada um de nós por festa.

Até que um belo dia vem uma empresa de Miami, chamada Happy Holiday. Era um grupo de 350 pessoas. Todos cubano-americanos. A festa de abertura para eles, num sábado, deveria começar às 7 horas. Às 6:30 eles chegaram e começaram a atacar a comida. Comida que normalmente é suficiente para 550 pessoas normais, em Repeaters Parties, toda semana. Em meia hora, pareceia que um grupo de piranhas tinha atacado os réchauds. Só o que se via eram pilhas e pilhas de ossinhos de frango.

Bebida??? Esperavam os garcon na porta da cozinha, e assim que saia um de lá com a bandeja cheia, eles pulavam em cima. Parecia filme. O pobre garçon jamaicano voltava para dentro com a bandeja vazia e cara de espanto, amaldiçoando. Até os supervisores começaram a tirar sarro. E a vergonha de ser latina nestas horas????

Foi quando Jose Domingues, um mexicano muito espirituoso, entra na cozinha e diz "Pô, galera, dá um tempo pra eles porque em Cuba não tem comida. E pior que nas filipinas!!!!!". Todos começaram a rir, apesar da piada grosseira, porque naquela situação ela caiu muito bem.

Grotesco! Pitoresco! Asqueroso! Naquele momento jurei que ia fazer de tudo para conseguir minha promoção, para nao ter que trabalhar nestas festas nunca mais.....

E enfim, na semana seguinte fui trabalhar como wine tender. E depois de muita confusão para segurar o posto de wine tender, resolveram me mandar de férias para me encaixar na rotação de férias dos wine tenders. Na verdade deveria ter ido semana passada, mas como o gatinho chegava das férias no dia 14, pedi mais uma semana, assim que me vou dia 21 (depois de amanhã).

Estou feliz por ter ficado - pelo gatinho, pois está tudo indo muito bem! - mas tive que trabalhar esta semana na disco de novo. Terminando às 3 e pico da manha, só vejo o rapaz quando ele está dormindo. Mas não se pode ter tudo.

Estarei de férias por cinco semanas. Pretendo ir a Argentina, desenvolver um pouco mais meus conhecimentos "vinícolas". Mas o blog segue no ar.

Fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, agosto 07, 2004

Depois de um mês

Pois é, muita coisa aconteceu nestas semanas, mas poucas realmente importantes.

Por onde começar??? Vejamos: depois que o "amiguinho" sul-africano se foi de férias, tive uma maratona de degustações de vinho e estudo, pois para mudar de posição precisava estar pronta. Estava trabalhando no Ixtapa, depois me passaram para a Disco, The Dungeon, outra vez. Duas semanas trabalhando até as 4 e pouco da manhã, fazendo pouco dinheiro, mas me divertindo muito. Tenho um amigao húngaro chamado Norbert que estava trabalhando comigo, mais meu amigao Bozidar, sérvio. O Bartender do service bar era o Arnold, jamaicano, e o do front bar, Calvert, de St. Vincent. Como o front da disco é super movimentado, um montão de bartenders vem fazer back up. E vira uma zona. Pra começar que nos todos enchemos a cara (eu e o Norby, nem tanto, mas eles, ai,ai,ai...). Toda vez que servimos shots aos passageiros, os bartenders preparam um para nós também. E assim foram duas semanas: uma tequila para passageiro, uma para mim. E no dia seguinte tinha que acordar mais cedo e ir experimentar vinho! Uma loucura, mas só assim para aguentar o tranco... O bom é que é só na disco que rola isso.

Durante as duas semanas de trabalho na disco, briguei com minha ex-amiga Jocelyn, a chilena, por um motivo idiota. Ficamos duas semanas sem nos falar. Assim que minha confidente passou a ser a Lidia, uma mexicana. Com minha room mate as coisas iam bem mal. Ela pediu demissão, e nas últimas semanas estava cagando e andando para tudo, só queria saber de correr atrás de homem (s). A cabine estava um nojo, e eu decidi não limpar mais para ver até onde ela ia. Um belo dia, no crew bar, desabafei com meus amigos mexicanos (são vários): o papel higiênico tinha acabado, e era sempre eu a ir buscar mais. Ela nunca trouxe um rolinho sequer para a cabine. A pasta de dente da desgraçada acabou e ela passou a usar a minha - se pedisse, sem problemas. Mas sem pedir é f***. Como a idiota tirava a maquiagem com papel higiênico e óleo Johnson (que ecaaaaa), ela passou a usar meu algodão, já que não tinha papel higiênico. E o Ingmar deu uma sugestão: não trazer papel higiênico e ver o que acontece. Pois busquei papel higiênico para mim e escondi no meu armário. Escondi tambem a pasta e o algodão. Não é que a desgraçada levou UMA SEMANA para trazer um rolinho de papel higiênico e comprar pasta de dente, que aliás tem a venda aqui no navio? Eu não entendo como ela se virava. Até tirei minha toalha de banho do banheiro com medo que ela resolvese substituir!!!!!

A gota d´água foi o dia em que ela fez minha toalha de banho de tapete de banheiro. Quando acordei , tive tanto ódio que pegei a toalha dela, limpei o chão do banheiro e a privada (que não eram limpos há duas semanas!!!!!!), e pendurei de volta. No jantar deste dia encontrei o Ingmar e contei a ele. Ele sugeriu que eu fizesse pipi na escova de dentes dela, mas aí já era demais. Estava vingada com a toalha mesmo!

Entao a desgraçada se foi, faz 3 semanas, roubando alguns de meus Cds. Gracas a Deus, eram CDs gravados, mas que piranha. E os uniformes de wine tender que ela deveria deixar para mim, ela roubou, levou tudo embora! Que ela seja bem feliz la no inferno, a louca!

E então veio a coisa boa: quando a desgraçada se foi, eu fiquei no lugar dela. Sim, consegui minha transferência para wine tender. Nas últimas 2 semanas passadas, estou no Vintages, o wine bar, fechando. Ou seja, seja sea day ou port day, trabalho das 5 da tarde atá a 1 da manha). Moleza de vida, tenho provado todos os vinhos, já estou bem mais confiante!

A única dureza é que em uma semana mais, a partir do dia 14 (quando volta o amiguinho), eu passo a fazer os wine tastings sozinha. Estou estudando muito ainda, e pelo visto deverei continuar estudando sempre! Passo então a abrir o Vintages, um shift um pouco mais longo, mas em compensação estarei terminando o serviço no máximo às 10 da noite. Torçam por mim.

E amanhã chega das férias minha nova room mate, uma romena, também wine tender, mas é super gente boa. Depois que a louca da Alejandra se foi fiquei duas semanas sozinha na cabine! Maravilha.

E neste meio tempo todo, muita festa, festa, festa. Aqui dão festa para comemorar o aniversário do cachorro de alguém. Dining room party, casino party, gift shop party, spa party, bar party, e ontem foi Jamaican Independence day party. Wicked! Numa dessas festas, sobre umas cervejas a mais, fiz as pazes com a Jocelyn. Assim que quase tudo está voltando ao normal.

Depois escrevo mais sobre Fidel Castro e as Quinceaneras (note to self!)

domingo, julho 04, 2004

Crise do meio-contrato....

Sim, senhores, perdão pelo tempão sem notícias, mas muita água rolou - e ainda assim não há muitas novidades.

Por partes: a infecção dos rins era sim uma infecção, e os médicos não encontraram nada de errado comigo. Entretanto, destruiram meu sistema imunológico com tanto antibiótico. Assim que estou gripada, e não queria nem passar perto da enfermaria, para que não me confinassem ou metessem antibióticos de novo. Hoje não dava mais para aguentar e fui ver a enfermeira, que me deu uns remedinhos, e já me sinto melhor. Mas esta é a segunda infecção que pego. Nada grave, mas meu corpo deve estar um parquinho de diversão para bactérias.

Outro motivo que não me deixou escrever foi trabalhar no Dungeon ( a disco horrível). Estava terminando lá pelas 4 e pico da manhã todos os dias. Depois que iniciei meu treinamento para wine tender seriamente, me passaram para o Ixtapa Lounge, outro bar horrível, onde se joga bingo diariamente e se canta karaokê. É insuportável, mas era o schedule que me permitiria ter tempo para treinar.

Dinheiro, que é bom, tá duro. Agora entrou o verão, e um barcao deste atrai famílias com muitas, muitas crianças. Não gastam nada os pentelhos e ficam jogados correndo por a~i, dando trabalho pra nós. Assim sera até setembro... Haja saco. Imagina a disco, então, que é proibida para menores de 18 anos, e os pivetes tentam de tudo para entrar lá.... Pedimos ID, eles dizem que não tem, saem por uma porta e entram pela outra.... Um inferno!

Quanto à minha transferência de posição, tá meio enrolada, pois tudo aqui fica enrolado se você não insiste. O supervisor sul-africano me arrumou um bom programa de treinamento, estou assistindo a todos os wine tastings, passando muito tempo no Vintages (wine bar) e lendo , lendo muito, estudando feito louca. Se não der certo, ao menos o conhecimento nunca é demais.

E o tal sul-africano foi-se de férias ontem - e como passamos um bom tempo de treinamento juntos, meio que fizemos as pazes. Mas ele fica de férias por 6 semanas, e na volta vejo no que dá, sem stress. Aliás, ele volta como wine tender, assim que me treinará tambem!

O bom e que o F&B Manager é português, e me viu em ação trabalhando e disse para o sul-africano (que se chama Leslie) que me quer a bordo deste barco, e vai pressionar no que puder para me transferir. O Hotel Director tambem está "do meu lado" uma vez que estivemos trabalhando juntos no Splendour, quando ele era Dinning Room Manager. Ele me reconheceu, o que é excelente!

Enfim, o jeito agora é trabalhar duro e insisitir, insistir, insistir. E esqueci de dizer: dois wine tender se demitiram, e se vão nas próximas 3 semanas, o que aumenta as minhas chances.

Do outro lado, houve festanças de arromba a bordo: independência canadense, dinning room party, independência filipina... Me diverti a beça, mas nas próximas 6 semanas me aposento do crew bar, me dedicando aos estudos, assim quando o Leslie voltar estarei pronta para assumir a posição.

E ando de saco cheio de tudo, especialmente de jamaicanos. O gente insuportável: eles gritam uns com os outros o dia todo, você nao sabe se estão bravos ou felizes, gritam com você, falam aquele inglês horroroso que não entendemos nada, e depois berram reclamando que falamos espanhol na frente deles... É a sindrome dos 3 meses, completados ontem. Como passa rapido...

E hoje é 4 de julho - o drink do dia é o Firecracker - daiquiri de morango, pina colada e pina colada azul (todos frozen) em camadas, num copo longo, com uma bandeirinha americana... E tem festa na piscina para os hóspedes.... Haja saco!

E por fim, se tudo falhar, me transfiro de barco. Já ate tenho as opções.

Comecou a contagem regressiva para minhas férias.

Inteh!

domingo, junho 13, 2004

Hospital geral

Yo, everyone!

Hoje fiz um tour interessante por Miami. Fui, junto com uns outros dez tripulantes enfermos, a um hospital que trata tripulantes (uma área especial!) em South Miami, a uns 25 minutos do porto. Chegando lá, nao era bem um ER, mas melhor que alguns hospitais que já entrei no Brasil. É uma ala específica do Hospital Batista que cuida de tripulantes de várias cias, inclusive a Carnival e NCL.

Às 8 fui ao hospital aqui do Navigator, peguei os papéis, fui a primeira a sair. Uma van veio buscar a gente, e nos deixou lá. Tudo bem que foi uma espera de 2 horas, mas com muffins, bagels e café e suco. Bem decente.

Fiz raio x, colhi sangue e urina e fiz um ultra som. O médico que me examinou é especializado em vias urinárias (urologist, em inglês, mas urologiasta em português não é outra coisa?). Me senti num episódio de ER, com a diferença que não vi as coisas escabrosas de emergência que aparecem na TV. Enfim, fui a última a terminar. O motorista ja tinha ido levar o povo que tinha terminado antes e voltou para me buscar. Esqueci de avisar - enquanto esperava o motorista voltar, almocei no restaurante do hospital, pois já tinha perdido o almoço em casa (Navigator). Foi superb! Tomei rootbeer e tudo (um refri de gengibre supimpa!). Voltando ao navio, passei pela doutora, peguei as píldoras (em espanhol) que me mandaram - o urologista, ou seja lá o que for - dobrou a dose de meu antibiótico.

E ai já me puseram para trabalhar. Mudaram o schedule, e eu agora estou trabalhando na disco, que se chama The Dungeon (a masmorra!). Além de ser o lounge mais feio, com caveiras e tudo, fecha as 3 da manha, e tem bebum pra dedel. Aliás, excelente para quem vem se recuperando, não? A vantagem é que tenho bastante tempo livre de dia.

Enfim, semana que vem pedirei pro bar manager - que se chama Mark Marotto (vejam os nomes de personagens que estou encontrando) me mudar de bar. Qualquer coisa, menos disco, oi.....

E hoje faz uma semana que o supervisor sulafricano surtou, e graças a Deus ele é sensato, então estamos como se absolutamente nada tivesse acontecido. Ele me trata como se a semana não tivesse acontecido, o que é bom, pois ele é meu supervisor favorito - o único profissional. O outro que eu apreciacva se foi, chegou outro filipino no lugar. Além do que, vou precisar da ajuda do cara esta semana... Com o treinamento de vinhos.

Enfim, I'll keep you posted.... I' m back!

quinta-feira, junho 10, 2004

Parece que era uma pedra, era sim....

Quando eu acho que estou a ponto de melhorar, aí vem o rojão.... Ontem fiquei na cabine, mas como minha doença não é contagiosa, não estava confinada, assim que saía para comer nas horas de fome, ou para por dinheiro no meu cartão - para poder acessar a Internet - ou mesmo para ir com um amigo chileno que está cuidando de mim tomar sorvete Ben & Jerry's no Promenade Cafe (pela porta de serviço, óbvio). Voltei a cabine e fiquei assisitindo Friends no crew channel até a Alê chegar. Depois que ela saiu de novo, eu não conseguia dormir. Aí chegaram meus vizinhos - uma casal, um indiano e uma peruana - e começaram uma festinha infernal. Às 4 da manhã tive que tomar um remédio para dor.

Óbvio que apaguei e não escutei o barulho do despertador, e perdi o horário da médica. 9 horas eles me chamam e ficam bem bravos comigo. Escutei um montão. Mas me tiraram sangue, um raio x, outra amostra de urina e agora, depois de 5 dias a dra. chegou a conclusão de que eu deveria ver um especialista em Miami, no sábado. Assim são eles. Dra. Martelle também disse que eu não deveria sair da cabine para NADA, que para comer tenho que chamar Room Service.

Para aqueles que pensam que trabalho aqui é só vida boa, prestem atenção.... Não fiquem doentes! Eles só ficam preocupados em conter epidemias.... Senão o CDC (Center for Disease Control & Prevention) vem a bordo. Aliás, ouvi que o Splendour ficou preso em Galveston, Texas, porque não passou na inspeção do USPH (United States Public Health). E custa dinheiro, por isso nos mantém saudáveis.

Mas quando aparecei no hospital no primeiro dia, com a urina cor de coca cola, a fdp da enfermeira sul africana (oh, racinha) me disse que poderia ser falta de higiene .... Tá pensando que eu vim de uma vilinha lá na Índia ou nas Filipinas? Por favor.... Ainda estou pensando se farei um report do caso para Human Resources ou não.

Por hora é isso. Trancada e assistindo aos dvds de Sex and the City que minha amiga mexicana Lidia emprestou. E pedindo room service por telefone!

No meio do meu rim tinha uma pedra....

Pois é!

Numa noite estou feliz e faceira, e na outra, meu mundo desaba. Não que seja motivo para fazer drama, mas o tipo sul-africano também é lelé! Ainda bem que este eu descobri rápido, e assim fica como uma conquista na minha lista. Segundo meu amigo mexicano Jose, esta é a maneira chilena de pensar - porque as chilenas não tem muito boa fama por aqui. Deixando este episódio de lado, que foi curto, e não merece ser comentado além do fato de eu ter me divertido um pouco, vem a pedra.

Na manhã seguinte ao surto do tipo, eu fui fazer stores - quando levamos as bebidas para o bar. Carreguei um monte de peso. Depois teve treinamento de emergência, e eu não me sentia bem.Pensava que era um misto de cansaço com ressaca com susto do surto do doido, mas quando fui fazer pipi, me assustei de verdade. Coisas que eu jamais imaginei que poderiam sair de nós. Uma coisa feia mesmo. Eram 11 da manhã, então esperei atá as 3 da tarde, quando abre o hospital, corri ao escritório do bar manager e peguei um formulário (burocracia?) e fui. A enfermeira pediu uma amostra de urina. Dei, ela viu e disse "Uh, it looks bad!" Very comforting para alguém em pânico que acha que está com hepatite, morrendo, né?

Enfim, a médica me viu, me deu uns remedinhos e me mandou para a cama. Disse que no outro dia estaria boa para trabalhar. Mas a dor não passou, e outro dia na cabine. Terça voltei ao trabalho, mas 3 horas depois a dor voltou. Voltei para a cabine, e hoje também. Se não fosse por meu chefinho, se eu morresse, só se dariam conta quando a Alejandra voltasse a cabine.

Quis dizer com isso que é nessas horas que você percebe como este mundo é solitaário. Meus "amigos", aqueles com quem vou a praia, tomo cerveja de noite, etc, desapareceram. Mas ai vem o bom: aqueles de quem você não espera apoio aparecem. E aí a gente volta a se surpreender com as pessoas.

Enfim, dramas a parte, apesar de entediadíssima trancafiada por 4 dias, estou preocupada, mas agora mais tranquila.

Espero me recuperar logo para voltar a vida louca de trabalho e crew bar, já que em 3 semanas perco a maioria do povo com quem tomo cerveja no crew bar - vai um montão de peruano de férias! Espero que cheguem outros tão legais - bonitos e solteiros - no lugar destes!

E para fechar com chave de ouro: tinha um amigo no dinning room, um português chamado Mário. Esta semana teve uma festa, o tio se emborrachou e alguém o levou para a cabine. Ele estava tão bêbado que ligou o som no último, e acendeu uma baseado - o que por si só já seria uma violação para a qual a Royal tem tolerância zero! Bem, o bicho tava bebum e doidão, e fez um fumacê desgraçado dentro da cabine, que é um ovo. Obviamente o alarme de incêndio tocou lá na ponte de comando (incêndios são o acidente mais comum em barcos, são a maior causa de afundamentos). O oficial de plantão telefonou para a cabine do bebum para ver porque o alarme de incêndio tava disparado, mas o doido não ouviu o telefone por causa da música. Então o oficial seguiu o procedimento de emergência e chamou a segurança para ir na cabine do Mario ver o que estava acontecendo. Quando a besta abriu a porta, a fumaça saiu quadradinha da cabine dele. Não sei por qual violação fatal ele estaria mais culpado, mas o burro foi demitido. Saiu ontem em St. Thomas. Perdi um amigo, mas que cara burro!!!!!!!!!!

quinta-feira, junho 03, 2004

Festa estranha com gente esquisita & Pense no Haiti

Bom, muitos dias sem tempo para isto, e sem muita coisa nova acontecendo, e de repente acontece tudo de uma vez. Então, vamos por partes

1) Mudei de cabine. Minha nova room mate também eéchilena (ai, que lástima), mas ela é wine tender - trabalha com os vinhos, posição para a qual estou aplicando. A cabine e um pouquitito maior, mas esta tão imunda quanto a anterior. Para dizer a verdade, esta chica eémais porca que a outra, mas fazer o que? Ao menos ela me deixa dormir em paz! E esta nova cabine não é em cima da lavanderia chinesa - um barulhão. Então tá! Acho que ainda estou no lucro.

2) Festa estranha! Este cruzeiro é um charter - um DJ afro-americano chamado Tom Joyner fretou o navio e vendeu as passagens através de seus programas de radio em Chicago, Atlanta. e LA. O lucro é para caridade - para ajudar a manter negros carentes nas escolas, e para manter vivas as escolas negras historicamente importantes - ou algo assim. Resultado: temos 2900 african-american guests neste navio, e cheio de celebridades (populares aqui, lógico), como por exemplo Michael McDonald e En Vogue. Mudaram tudo - todo o entretenimento veio com eles. Nossos entertainers (os bailarinos, o pessoal do Ice skating, os músicos) não tem nada o que fazer.... Haja paciência, pois estes passageiros são meio high maintenance - exigentes e chatos a beça, além de sem educação. Mas fazer o que.... Sábado já esta ai!

3) Semana passada voltamos a Labadee, a ilha particular da Royal no Haiti. Bonito que só! Fui a praia, e esta tudo muito diferente do que vi lá no reveillón do milênio. Entretanto, neste cruzeiro charter, voltamos a Coco Cay - mas a tripulação está proibida de desembarcar, pois haverá um show do Sean Paul na ilha - um rapper jamaicano famosão - e além do que, nossos hóspedes farão nudismo! EEEEcaaaaaaaaa. Muito obrigada, tomarei sol no crew deck!

4) Mais importante. Me enrabichei com um dos meus supervisores (pra variar, e sempre assim comigo!). Ele é sul africano, tem minha idade, não é nem nunca foi casado, portanto não há BAGAGEM. É que aqui sempre temos que checar estas coisas, pois é quase como conhecer gente pela internet! Estou feliz, mas o bichinho se vai de férias em duas semanas mais. A princípio volta para cá para ser o novo assistant bar manager, mas pode ser que o mandem para outro barco. Enfim, seja o que Deus quiser, e o jeito é aproveitar o momento.

5) Nosso novo chefe - Bar manager - é um americano de Las Vegas, trabalhava num cassino imenso. Gente boa. Assim quem sabe ele me ajuda a mudar de posição (para wine tender) mais fácil....

Bueno, acho que e so! Hasta la vista....

segunda-feira, maio 17, 2004

Confined to cabin....

Sim, estou confinada a cabine por hoje. No work, no money! Uma virose de dor de garganta e gripe, pegou um montão de gente, eu inclusive. Por isso estou com tempo de colocar a Internet em dia, daqui da cabine. Tô tomando um remedinho que é tomar, cair! Dormi das 10 as 4, acordei , tomei banho, fui jantar e voltei. Logo mais vou tomar outro, e dormir até amanhã (se a Paula deixar), quando volto ao médico. Amanhã é sea day e preciso trabalhar as 11:30, para a festa dos Cruise Critics.

Mas tudo começou na festa de aniversário de um chileno, na quinta passada. Todo mundo que estava no crew bar bebeu demais, inclusive eu. Tomei 7 Coronas e fiquei de fogo. Provavelmente um dos unicos pileques de verdade que terei este contrato. No dia seguinte, estaríamos em Coco Cay, portanto eu tinha o dia off.

E off to the beach I went! Outra vez na CocoDisneyCay. Mas o dia estava lindo, a água estava morna, uma delícia. Desta vez fui com a Jocelyn (minha amiga chilena) e seu namorado húngaro. Doido, diga-se de passagem, mas gente boa. Meio Neo nazi, super preconceituoso, mas Deus castiga! O Room mate húngaro dele se foi de férias este sábado, e no seu lugar chegou um jamaicano. Ele esta revoltadíssimo, e eu e a Jocelyn nos cagamos de rir. Bem feito!!! Mas é só por uma semana, pois no próximo sábado ele se vai de férias e me encarregou de tomar conta da Jocelyn. Pode?

Enfim, passei o dia na praia, foi ótimo. Nas próximas duas semanas continuo no Cosmopolitan Club. Ao menos duas semanas de boa música ao ouvido estão garantidas.

Falando em Cosmopolitan... Ontem no comecinho da noite um casal todo empertigado sentou no fundo do bar, na janela. Tinhamos saído de Miami com destino a Nassau, nas Bahamas, e viajamos devagar. Quase não se sentia o movimento do barco. Então a esposa do cara vira-se para o Ashley (uma figura de St. Vincent, no Caribe, que trabalha comigo) e diz "May I have a Cosmo, please?", e o Ashley olha para o cara e todo o jantar está saindo pela boca do cara! Uma puta vomitada daquelas!!!!!! Que nojo!

Ai, a velha pergunta... Sr, esta tudo bem? E o cara responde: The ship is rocking!

All right, eles se empanturram de comida e depois vem dizer que é por causa do movimento do barco. Enfim, chamamos housekeeping, eles tem um aspirador de vomito especial. Que nojo.

Depois descobrimos que o cara já tinha vomitado nos dois banheiros do Cosmo. Trabalhamos a noite toda com os banheiros trancados, pois era um estrago só! E mandando os passageiros ao banheiro mais próximo, que fica no deck 11, ou seja, três abaixo!

Nojeiras a parte, conheci finalmente o Ivan, um brazuca que trabalha no Youth Staff, que esteve tambem no Splendour. Agora não sou a única, mas sigo só, pois o cara é staff e eu sou crew, categorias diferentes de gente aqui!

Por hora é só, diretamente do confinamento. E fiquem de olho no Fantánstico, no quadro Me Leva Brasil, do Mauricio Kubrusly, que vai passar um programa no Pantanal, que eu "ajudei a fazer".

quinta-feira, maio 06, 2004

Vida muito dura

So para não começar a criar expectativas... Disse que era sõ uma paquera, e assim continuará sendo, pois o moço (me parece, assim ouvi) tem uma bagagem de 2 e outra de 4 anos, se vocês me entendem. Mas assim mesmo é a vida nos barcos, como dizem os poucos portugueses que tenho aqui. É bom checar todo o background do cara antes mesmo de aceitar uma cerveja, ou você pode entrar numa roubada. Como eu não preciso de outra na vida, estou fora... Só aceitando cerveja grátis...rs,rs,rs

Nestes últimos dias tenho trabalhado feito louca, sem tempo de ir ao gym, tenho tomado umas cervejas no crew bar - e ainda assim perdi 1,5 kg. Se continuar assim, estou bem. Vou arrumar ainda mais paqueras. Tem também outros dois húngaros atras de mim. Um garçon, que deve ter uns 23 anos e é um menininho, e feinho, e um cozinheiro do Chops Grille, idem. Fora um turco muito, mas muito bonito de olhos azuis. Mas é turco, Deus me livre.

Não se preocupem, dessa vez vou escolher muito bem. E sem pressa, que o mundo não acaba hoje.

Os venezuelanos tem feito estragos, mas a gente conta só mais dois dias com eles. Sabado já estamos em Miami de novo, e sabe lá que tipo de doidos chegarão esta próxima semana. Mas viram como aqui não tem rotina??? Fora isso, nada de muito novo. O bar que trabalho é o bar das Private functions - leia-se wedings - e esta semana já foram cinco casórios. E trabalhamos gratis, mas tudo bem. Umas semanas bem, outras nem tanto.

A verdade é que penso que já se passaram cinco semanas, faltam apenas 19... Assim fica mais fácil. Se ternimar aqui assim, acho que peço um request para outro barco depois - um da classe Radiance, ou um dos irmãos do Splendour. Credo, é gente demais confinada...

Só para mantê-los informados! Não se aflijam. Nem turco, nem indiano, nem outro doido...

segunda-feira, maio 03, 2004

Coco Cay & etc

Sexta passada chegamos à praia particular da Royal nas Bahamas - Coco Cay. Estava super cansada e tinha planejado ficar dormindo, mas minha roomie me convenceu, e nos juntamos a nosso colega Jose, mexicano. Lá fomos nós rumo a um mundo Disneylandia. Uma ilha pequena, mas suficiente para 3500 passageiros. Uma operação de guerra - na ilha existem as estruturas todas - restaurantes, bares, banheiros, etc. Mas tudo é montado depois que o navio chega - e de barquinho tender, porque não há píer. Coitados de nossos colegas do bar, a maioria os caribenhos, que estao acostumados.

Nós três fomos passear. Tomei uma horinha de sol, dei um mergulhão na água - gostosa - e depois voltei com Jose, deixando a Paula por lá. Mas foi regenerador. Já tinha ido a praia em Cozumel, mas este dia foi menos cansativo. Depois fui trabalhar.

Este cruzeiro - e provavelmente o próximo - estou no Cosmopolitan Club, bar de martinis, com jazz ao vivo toda noite, no deck 14, bem no Vicking Crown - marca registrada da Royal. É bom porque há janelas, então vejo tudo de lá de cima - especialmente a piscina. A gente se diverte! São muitas horas de trabalho, já estou exausta, mas foi excelente mudar de ambiente.

Quanto a grana, estes 15 dias serão melhores. Esta semana temos 600 venezuelanos endiabrados a bordo, com um pacote pré-pago de bebidas - open bar para eles. No primeiro dia tomaram umas 50 garrafas de Black Label, só onde eu perguntei. Juntando todos os bares, nem da para saber. O staff do bar está desesperado - estão dando uma bruta canseira na gente, e são corretores de seguro, gente finíssima, imagimem só....

Mas é só essa semana.

Semana passada abriram o rink de patinação no gelo, mas não deu vontade de ir - prefiro o crew bar! Sábado embarcou um brasileiro, trabalha no Youth Staff, mas ainda não nos conhecemos. Semana passada tambem encontrei a Mabel, que trabalhou comigo no Splendour, está aqui há duas semanas, e só nos vimos na sexta - pode???? Imagina que pequeno é o barco... Eu agora no deck 14 quase não vejo meus amigos - então tenho que ir ve-los no crew bar.

Arrumei um paquera húngaro, mas parece que é uma racinha dificl essa, muito Nazi. Por hora é só paquera mesmo. Minha amiga (chilena, óbvio) Jocelyn arrumou um namorado húngaro. Ele é garçon no Portofino, restaurante italiano, que os passageiros pagam à parte. Então a noite vou lá para pegar um espressinho.... Matar a saudade de café de verdade. E assim apareceu o cara. Mas ele é mais tímido que eu, então isso leva um bom tempo.

Por agora é só. Depois conto sobre a semana com esta nuvem de gafanhotos venezuelanos.

quinta-feira, abril 22, 2004

Rock Wall

Uma vez por mês, o pessoal abre a parede de escalada para a tripulação... E também o rink de gelo para patinação. Como estou terminando cedo (após o último show), dava tempo e eu fui tentar uma vez... Afinal, de que adianta estar num navio assim se não se aproveita tudo o que ele oferece?

Lá fui eu, rumo ao deck 15, com uma chileninha que acabou de chegar. Ela foi só para tirar fotos (e a burra ainda tirou umas duas fotos só, e bem tremidas!). Fiz o ritual de colocar sapatinhos, cintos, capacete, e lá fui eu... É alto pra caramba, e dif~icil demais! Vendo não parece... Eu me atrapalhei toda, acabei com as pernas muito separadas, segurando todo o peso do corpo nas mãos... Faltou uns 3 mt para eu chegar lá em cima. Mas valeu a sensação, apesar da dor nos antebraços depois. Se eu não estivesse malhando direto, teria sentido muito mais.

Quando abrirem o rink de patinação - se eu puder ir - eu conto.

A próxima aventura será um curso de mergulho, feito a bordo, mas quando eu tiver guardado uma graninha.

Por agora é só isso.

PS: Feedback do show de patinação no dia do mar revolto: não rolou nada! O mar estava mais calmo lá pela hora do show.... Desapontamento!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, abril 19, 2004

Rocking and Rolling!!!!!!!!!!!!!

Bom, creio que pelas minhas explicações não dá mesmo para ter idéia do tamanho deste navio. Mas estando dentro dele, você às vezes esquece.... Até que o mar um dia se torne revolto, e você se sinta dentro de um liquidificador! Saimos de Nassau ontes às 4 da tarde, e uns 50 minutos depois, comecou a balaçar, aumentando progressivamente. Faz três semanas que estou trabalhando no Metropolis Theatre - dois andares, capacidade para 1100 pessoas ou mais! Ele fica no deck 5, foward, ou seja, bem na frente no navio. Pega as ondas de frente. Não sei como não cancelaram o show, pois dançar e cantar no palco quando o cenário atrás do elenco se movia para lá e para cá não á para qualquer um não.

Aliás, um comentário: já conheço todos os shows de cor! Hoje e]é dia de comedia, num show da meia noite, para adultos. Aquelas piadas bem americanas... Realmente espero que semana que vem me troquem de bar.

Se o navio não parar de balançar - o mar segue revolto - quero ver como vai ser o ice skating show hoje a noite. Se dançar e cantar já e dificil, imagina então dançar e patinar no gelo, com aquelas piruetinhas e tudo? Acho que verei belos tombos hoje.

Ontem chegou uma chilena nova, vinda do Serenade of the Seas - o barco mais novo da frota. Está estranhando tanto quanto eu, pois a atmosfera daqui é mais relaxada - com limpeza inclusive! Mas isso nos faz ter menos enchção de saco. Então levei a mocinha no crew bar comprar cigarros e ensinar o caminho a ela. Justo eu, que cada vez que ponho o pe no I-95 (corredor que corta o barco de ponta a ponta no deck 1) tenho que olhar para os dois lados para descobrir para onde ir... Lá chegando, encontramos amigos, várias Coronas, e por lá ficamos. O crew bar fica no deck 3 aft (bem atrás no navio) e á aberto - tem teto, mas as "janelas" são abertas. O spray das ondas espirrava na gente... Depois de várias Coronas e de ver dois de meus supervisores bem alegres, decidi que era hora de dormir. Difícil saber se não consegui andar reto pela bebedeira ou mar virado...

Esqueci de dizer também que ontem foi dia de festa do Capitão, onde damos bebidas grátis para os passageiros por uma hora - na verdade, champagne vagabundo. A recepção acontece no Royal Promenade, uma "rua" dentro do navio, que o corta de ponta a ponta, e que tem 3 decks de altura - um átrio gigante. Ali se concentram os 3 mil passageiros, e o Capitão (Rick Sullivan, canadense e bonzinho que só) vai fazer um discursinho. Temos de passar por esta gente toda com bandejas carregadas de taças de champagne, cuidando para que não esbarrem nelas e que não derrubemos champagne nos vestidos de gala das peruas. Ontem foi mesmo um desafio. Eu olhava minha bandeja e via as taças pendendo para um lado e para outro.... Divertido, mas não causei nenhuma desgraça - o que prova que voltei ao trabalho em forma!

Bom, por hora é só. Amanhã estaremos na Jamaica, mas tenho que trabalhar no almoço. Faz parte. Ao menos tenho uma bela vista do porto lá do deck 11.

sábado, abril 17, 2004

Um sopro de ar fresco...

Desde que cheguei, só saí duas vezes. Uma em Cozumel, para almoçar com minha amiga chilena Midzilla (sim, este é o nome da cabrocha), e depois tomar um café com ela e mais um bartender argentino - o primeiro de sua raça que vejo por aqui. Ele é super buena onda, mas não entende porque os mexicanos tratam ele mal depois que descobrem sua origem... :)

A outra vez foi em St Thomas, para fazer compras no K Mart. Travesseiro, toalhas, tapete de banheiro, enfim, coisas que façam a cabine ficar mais agradável. Neste mesmo dia, fui trabalhar no bar do teatro e saí um pouco mais cedo da cabine - assim poderia ver o sail away. Foi muito impressionante ver o Capitão puxar este barco enorme do porto tão devagarinho... Depois a velocidade aumenta, ele se vira sobre seu eixo...Lá embaixo, no porto, os trabalhadores portuários soltavam as amarras - fácil como se elas fossem fininhas, mas tem a espessura de minhas coxas ao cubo...

Ao fundo, o sol se punha, as pessoas la embaixo acenavam com as mãos, e então ele tocou o "apito" uma vez. As gaivotas voavam ao redor do barco, dizendo "Me, Me", como no filme do Nemo. Um passageiro parou do meu lado e começou a fazer um montão de perguntas. Queria ficar sozinha e o mandei (sugeri) para a piscina, pois é mais alto. Ele foi - e voltou! Dizendo que não tinha gostado da sugestão!!!! Ai fui embora trabalhar, depois de escutar o Capitão tocar o apito mais três vezes, indicando a partida. Ai me lembrei porque estou aqui. Me arrepiei toda.

Depois fui trabalhar no show no Studio B, a pista de patinação no gelo. O navio se movia (balançava mesmo) e pensei quão impressionante é um show de patinação no gelo em pleno mar. O cuidado que os caras tem para o gelo não quebrar quando o mar está bravo, o cuidado dos patinadores para não se machucarem.... Isso aqui é mesmo um shopping flutuante.

Esta semana me toca a terceira semana no Metropolis - o teatro com 1100 lugares. Já conheço os shows de cor - inclusive o de ice skating. Há tambem um malabarista peruano que trabalhou no circo Thiany - mundo pequeno - e morou em SP por 3 anos. A irmã dele é contorcionosta. Fazem um show bem legal. As chilenas dizem "el chow de la mina que se dobla". Me cago la risa, como dizem elas.

Já tenho uns amiguinhos portugueses, peruanos, colombianos, mexicanos... A latinaiada toda junta. Cada um se vira como pode.

Ainda não estreei minha maquina digital - comprei a que o Daniel indicou - powershot A80, mas o farei logo!

terça-feira, abril 13, 2004

Dez dias entre céu e mar....

Cheguei e já fui me ajustando... O bicho é imenso, mas com dez dias já dá pra me achar. Uma vez num navio, o senso de direção não muda. Semana passada sai em Cozumel para comer uma comidinha mexicana. Hoje em St Thomas, para umas comprinhas de guloseimas para aquela fome fora de hora.

A cabine e mínima (a menor que já estive) mas tem internet e tudo - apesar de cara. Minha room mate é chilena, se chama Paula, e é Chef de formação também... Mas vive de fogo - acho que vai ser despedida rapidinho.

Encontrei alguns amiguinhos do Splendour aqui, inclusive um bartender turco e um filipino. O resto são rostos novos!

Antes de embarcar estive com a Ana Paula de Paula e sua família - visitei sua linda casa nova e tudo. Foi show!

E por hora é isso mesmo, pois tô morrendo de pressa. Muita coisa para fazer hoje, e tenho pouco tempo.

Mas continuem comigo que estou na área!