terça-feira, junho 12, 2001

Voltei...

Pessoal

Antes de mais nada quero esclarecer a alguns que se confundiram... Eu não fui casar na Índia não, fui apenas visitar meu namorado e assistir ao casamento da irmã dele.

Bem, a Índia é um país de contrastes, etc, etc, como todos já sabem, com a diferença de que eu pude viver muita coisa que turista não vive: participar do pré, durante e pós cerimônia de casamento, visitar diversas casas de várias classes sociais, viver na periferia, que á a parte desgraçada de Mumbai, e o melhor - andar de trem de subúrbio.

Não preciso nem dizer que rolou um puta choque cultural entre a mãe de meu namorado e eu, mas ao contrário do que acontece com indianos, meu namoradao maravilhoso ficou do meu lado... E nossa relação ficou fortalecida. Sem contar detalhes mais sórdidos, porque inclusive eu ainda não os digeri, havíamos resolvido tentar voltar juntos para o Splendour. Uma vez que ele não conseguiu voltar porque a Royal não o aceitou de volta, decidimos que eu voltaria e ele tentaria outro barco. Já tinha ate a passagem para Veneza, quando numa briga inflamada com a mãe o bichinho resolveu vir embora comigo para o Brasil. Já tínhamos a passagem, só faltava o visto.Como íamos mesmo para New Delhi, tava fácil. [Nota da autora alguns anos depois: o que o desgraçado do indiano queria mesmo era escapar da horrível família dele, mas na hora H não foi macho o suficiente pra peitar... Depois de um ano da separação, em 2003, o cabraainda me ligou no Brasil, implorando pelamordedeus pra vir morar comigo. Mandei-lhe à merda]

Pegamos o avião para Delhi (na hora de dar tchau para a sogra, a mulher desembestou a chorar porque disse que sabia que ele estava fugindo comigo para sempre, tudo isto porque ele estava levando o passaporte dele!!! Louca de pedra, nós saindo só com uma malinha, enquanto eu deixava toda a minha bagagem e meus dolares pra trás???). No dia seguinte fomos para Agra, para visitar o famoso Taj Mahal. No caminho, ele resloveu me contar que o tio dele (que faz as vezes do pai, que faleceu), ao ser consultado sobre este "novo" passo que ele queria dar, disse a ele que o melhor seria ir cumprir ao menos mais um contrato num navio para saldar sua dívida. E eu perguntei que divida era esta (até então não sabia). Pois é, a família foi TÃO LEGAL com ele que, além de gastar TODO o dinheiro que ele tinha juntado durante todos os anos de navio, AINDA O FEZ SE ENDIVIDAR NUMA NOTA PRETA... Resultado, tive que concordar. E num momento idiota de iluminação, disse "Não volto mais para o navio! Acabe seu contrato que eu te espero no Brasil!". Como sou cretina... [Nota da Autora em 22/mar/2004: foi ai que eu cometi um erro... Deveria ter voltado para o Splendour - talvez estivesse lá ate hoje, me poupando tanto contratempo...]

Ficamos assim decididos, voltamos a Mumbai e foi um tal de cancela passagem... Ao menos conseguimos toda a grana de volta. A mãe dele pirou de vez, o astral tava péssimo entre eu e a sogra, e resolvi vir embora. Depois de duas frustradas tentantivas de embarque - se o Brasil é desorganizado, o que é a India então? Parei uns três dias na África do Sul, aproveitei para fazer um mini-safári e ir visitar Sun City. Foi legal, deu para espairecer...

Agora cá estou eu de volta, desempregada, procurando emprego, o que aliàs parece estar extremamente difícil. Liguei ate para o Laurent e ele mesmo me disse isso. Ja mandei uns currículos, e o negócio é esperar.

O marido, como anda de saco cheio da família e detesta a Índia (para viver, é claro!) disse que se até o final de junho nao conseguisse emprego, viria para cá. Eu o encorajei, achando que, com nossos curriculos e experiência, seria mais fácil.

Mas o lance agora é assim: esta segunda tenho uma entrevista com um novo agente de navios - quem tiver interesse me escreve que eu passo o telefone do cara. Ele contrata para várias empresas de navio, e não só brasileiros como estrangeiros. Já arquitetei um plano: se ele puder agenciar meu marido tambem, chamo ele, e ai vamos de novo juntos para um outro navio. Porque no pais do apagão, agora, num da pé!!! O jeito é encher o colchão lá fora e depois torrar aqui.

E se tudo der errado, ai eu jogo nas mãos de Deus. E neste meio tempo, se alguém precisar de uma domestica de luxo...

Beijos e até o proximo capítulo...
Cami Camélia

quarta-feira, maio 09, 2001

A India é...

Pessoas, aqui vai um breve relato sobre minha estadia neste pais asiático chamado Índia... Posso dizer que, depois de chegar aqui, eu entendi tudo... Tudo significa o comportamento dos indianos que eu conheci no navio, tudo significa a gama de diferentes reações das pessoas que vem de férias...


Um país que te toca a pele e a alma com a mesma intensidade, e mesmo assim quando você vezes se pergunta se gostou ou não (até agora) nao há resposta! Strange.

Tudo aqui é muito pobre e sujo... Andar de trem de subúrbio, uma experiÊncia pela qual a maioria de turistas por sorte não passa) causa náusea. As pessoas dentro do trem fedem, e claro, debaixo de um calor super seco de 42 graus (pois é, moçada, eu vim no verão), um ar tão poluído que só se acredita após limpar as orelhas... As favelas ao longo do trilho fedem - peixe, merda, miséria, e das janelas podemos ver criancinhas brincando nos esgotos. Não muito diferente do Brasil, vocês devem estar pensando. Pois bem, acreditem-me, a Índia faz Salvador parecer Buenos Aires, São Paulo parecer Manhattan, Rio de Janeiro idêntica a Paris, se é que vocês me entendem. Talvez porque nós, paulistanos "bem nascidos" passemos a vida muito isolados da realidade da periferia. A Índia e é um choque. Dá nojo na maioria das vezes.

Mas aí vem a religiosidade, as cores dos sarees e suridaars das mulheres nas ruas, os templos hindus por todos os lados, as muçulmanas com seus trajes negros e rostos cobertos destoando de tudo, as vacas nas ruas, os sabores da comida...

Difícil!

Com minha "família" tá indo tudo bem. Não havia razão para tanta duvida. Estão um pouco atarefados com as coisas do casamento nestes dias, mas ja deu até para me levar às compras. Precisam ver meu saree dourado que comprei para o casamento. Já fui ate a praia (um lixo o Arabian sea) e a um parque aquático.





Enfim, nada mais a dizer. Saio daqui direto para Veneza, onde pela 3a vez embarco no Splendour, para uma temporada na Grécia e Turquia. Pelo visto, sem o marido, que não esta conseguindo voltar parta o barco. Resolvemos então que eu devo aproveitar a bocada mais uma vez e fazer mais alguma grana, enquanto ele trabalha em outro barco/cia. Depois vou para o Brasil e espero por ele lá...

Que os 300 milhões de divindades hindus me ajudem.

Beijos
Cami

segunda-feira, fevereiro 19, 2001

Carnaval assim....

Olá, pessoal!

Aqui vos fala a marinhonauta mais sumida deste país. Não que nos últimos tempos não tenha acontecido nada de mais. Acontece mesmo é que dei uma segurada legal na grana, e o corte incluiu Internet, uma vez que o custo de ligações para a Índia aumentou minha despesa em 3000%.

Deixando a besteira de lado, nos últimos dois ou três meses aconteceram coisas, sim.

No caribe fiz snorkling em Cozumel com o marido, com direito a almoço mexicano, fui à praia em Aruba, Jamaica, e até praia de nudismo (sem tirar a roupa, claro) em St. Martin, fui ao Paradise point em St. Thomas. Fui passear com o marido em San Juan, Porto Rico. Me despedi do marido em Barbados (despedida da qual eu não me recuperei ate hoje), e a partir daí passei a levar uma vida mais "solteira". Quero dizer, antes só saía com o marido e se o marido saísse, pq não tinha graça sem ele. Agora saio com os amigos. [Nota da autora, anos depois: o "marido" foi despedido por bebedeira no navio. Na época, cega, não queria enxergar]

Durante a travessia fomos jantar em Fortaleza, durante um overnight super selvagem. A primeira vez que este tripulção pisa em terras brasileiras, e foi um Deus nos acuda. No dia seguinte digamos que 30% não conseguiu ir trabalhar!!!

Eu saí com dois chilenos, uma filipina e um português, e saímos as três da manhã (bar staff sofre...). Resolvemos voltar quando nos demos conta que estavamos comendo picanha ao alho as 5 da manhã...

Depois foi uma tarde no Pelourinho, com almoço delicioso no restaurante do Senac.

Depois chegamos ao Rio, onde no Natal minha família e a Ana Paula vieram me visitar. Fomos almocar (muito bem) em Copacabana. O Rio tá tão lindo... O Roberto Hercowitz tava a bordo 'cruzeirando' com a esposa e a sogra.


Reveillón passamos ancorados na Baia de Copacabana, com vista vip da queima de fogos. Vendemos champagne pra brazucada a dar com pau, e comiam caviar como arroz. Fiz bastante din-din, suficiente por todo o fim de contrato, uma vez que ultimamente só tem pobre a bordo, e só compram café... Café no Champagne Bar... Brasileiros...

Neste tempo todo, do natal ate agora, passamos por Punta del Leste umas 4 vezes, e eu fui comer bife de chorizo uruguaio com suco de pêssego fresco em todas elas. Alias, muito lindo aquele lugar. De Buenos Aires so deu para sentir o cheirinho... E claro, aguentar a argentinada com seu sotaque insuportável. Duas passadas por Florianópolis, na praia de Jurerê, vários overnights em Búzios e Ilhabela, praia em Búzios e Ilhabela, almoços deliciosos. 3 de fevereiro meus pais vieram me ver de novo em Santos. Fomos almoçar na praia, comida deliciosa.

Pulei também duas rápidas incursões por Montevidéo, capital uruguaia, belíssima!

Saio de férias e vou para a Índia.

De lá pretendo ir direto ao próximo barco. Novos destinos, novos ares... Estou pensando agora em Alaska, Hawaii e Riviera mexicana, a bordo do Rhapsody of the Seas. Que tal parece??? Vamos ver se eles me transferem...

Bem, por ora e só. So queria mandar notícias.

E pra dar uma invejinha, começamos cruzeiro de Carnaval. Depois de amanhã Salvador, depois Porto Seguro, depois Búzios, depois três dias no Rio com dois overnights, depois Ilhabela e Santos, onde os restos :) de passageiros vão desembarcar. Restos pq eu taria em pedaços, depois de um carnaval destes!

Mandem noticias daí de onde estiverem.