sábado, dezembro 16, 2000

Cheguei!!!!

Olá, criaturas!

E, ainda estou viva... Quero dizer, quase...

Mas vamos por partes.

Temporada caribenha foi bem curta, mas muito mais proveitosa que a última. Fui fazer snorkling em Cozumel com o marido, e aliás, que mar, quantos peixes... De todos os tamanhos cores e formas. O barco era um daqueles com o fundo de vidro, entao quando passávamos de um recife a outro íamos vendo os peixinhos. Quando o barco parava, tigurf na água, e dá-lhe peixinhos e peixões. Nunca tinha visto um fundo de mar tão claro... Depois almoço mexicano no restaurante de sempre, para despedir. No mesmo cruzeiro fui a praia em Aruba. Praia linda, só por uma horinha, mas já restaura a cabeça...

Cruzeiro seguinte, fui à praia na Jamaica, para não levar para o resto da vida uma má impressão de Ocho Rios. Fomos ao hotel Renaissence, pagamos 5 dolares (eu e uma amiga filipina que trabalha comigo) e pudemos usar nao só a praia particular (que nem era lá essas coisas) como a piscina. Esta sim, um espetáculo! Cachoeira artificial, bar daqueles que os banquinhos são dentro da água, cinematografico. Valeu...

No mesmo cruzeiro, fui a praia em Curaçao com o marido. Também muito linda. E 8 de dezembro saí pela última vez em Miami. E aí embarcaram os 1600 passageiros (sendo 800 brazucas) que nos acompanhariam na travessia de 16 dias...

Público complicado, cruzeiro complicado... E só para ajudar, aconteceu uma coisa que me abalou profundamente: há três dias o marido foi embora. Cansado demais, estressadíssimo e triste por não poder estar presente no noivado da irmã (ah, as tradições indianas...), brigou com o chefe e pediu as contas... Depois que a merda já tava feita é que ele se tocou: faltava tão pouco pra gente chegar ao Brasil, pra ele conhecer meus pais, pra gente ficar um tempo junto no Brasil... Já era tarde, e botaram ele pra fora em Barbados, primeiro porto antes de chegarmos ao Brasil. Foi tudo tão rápido que não deu tempo nem de cair a ficha. A gente combinou que, como eu ia com ele para a Índia de qualquer jeito, assim que eu terminar o contrato (em Março) vou para lá. Aí a gente resolve o que vai fazer. Só posso assegurar uma coisa: acho que chega de barco.

Na noite em que ele foi embora eu estava muito abalada, mas nada que meia garrafa de Baileys não resolvesse. Cai na cama, só e arrasada, mas dormi rápido.

Cama que aliás mudou de endereço. Me mudei da cabine da chilena, porque era muita chilenice pro meu gosto, e a mulher, alem de ter tanta coisa amontoada na cabine que quase não tinha espaço pra gente, não me deixava dormir.

Além do que, o "bairro" onde eu morada era bem sujinho, onde moram os lavadores de pratos e etc... O corredor novo é mais bem habitado e mais limpo. E moro com uma portuguesa chamada Cristina, ô pá! E tá dando super certo.

Também fui promovida. Agora trabalho no Champagne Bar, o bar especializado em champagne, vinhos e caviar. Acho que dá para fazer mais dinheiro, se a Cia. não pagar a garantia que prometeu... Porque esta brasileirada está uma catástrofe: o cassino anda vazio, e os bichos vão aos bares para tomar cafezinho e pedir copos de água da torneira... Tragédia para meu bolso...

Enfim, estou agora a umas duas milhas de Fortaleza, onde aportaremos hoje às 5 da tarde para um overnight. Vou sair e enfiar o pé na jaca, agora que tenho boa vida e muito tempo livre. O marido faz muita falta, mas como me disse meu chefe, ele está vivo e o mundo é pequeno...
Proxima parada, Salvador, dia 20.

São Luis não paramos, pois o mar estava endiabrado...

Enfim, estou aqui para desejar a todos um excelente natal e um maravilhoso ano novo. Mandem suas orações de fé a mim. Tenho saudade de todos os meus amigos....

Paz, amor e muita macacada

Beijos
Cami Camelia Cristina Regina Maria

sexta-feira, dezembro 01, 2000

Bom, pessoal, cá estou eu... Ainda viva

...para contar que as coisas aqui continuam cheias de onda!!! Ráráraá!
Temos muitos brasileiros novos chegando a bordo, fora a tonelada de hispânicos em geral.

A travessia de Boston para Miami foi feita em 2 cruzeiros de 7 noites . O primeiro de Boston para Puerto Rico, e depois de Puerto Rico para Miami. Em ambos passamos por St. Thomas, St. Marteen, Antigua e St. Croix. Dexei para trás St. Croix, que ja tinha visto ano passado, Antigua foi ma decepção (oh, lugar pobre e feio), St. Thomas sempre tão americano, e a surpresa foi St. Marteen, fui a praia no lado francês com uma amiga peruana, uma costariquenha e claro, minha amiga Sophie, a canadense. Fomos a uma praia de nudismo, onde vi o pior show de horror que já pude ter visto... Graças a Deus, 65% das pessoas estavam vestidas... Uma parcela de topless, e os peladões eram ridiculamente feios: corpos caídos, tudo caído, gordas sem noção, enfim... Tirando tudo que era feio, a praia em si era maravilhosa, o mar perfeito, e tudo que eu precisava era um mergulho. Assim o fiz, e em uma hora estava de volta ao lado holandês da ilha, onde estávamos ancorados.

Agora estamos de volta ao Caribe, naquela rota tradicional Key West, México, Grand Cayman, Jamaica, Aruba e Curaçao.

Dia 8 de dezembro começamos o cruzeiro de reposicionamento, em direção a Santos. Passaremos por Barbados, depois São Luís do Maranhão, Fortaleza, Salvador, Rio e Santos. Daí ficamos no Brasil até 6 de abril, quando o barco atravessa para Portugal. Fazemos drydock por 7 dias em Lisboa (tiram o navio da água para manutenção pesada), depois vamos ao leste do mediterrâneo, tomando a rota que hoje é do Legend of the Seas - Espanha, Itália, Grécia, Turquia e Israel. Alguem tem duvida se eu volto???

E para terminar, no último cruzeiro no Canadá, saindo do Saguenay River, o tempo estava feio, e resolvi ficar na cama ate mais tarde. Foi quando um bando de baleias azuis cercou o navi o(umas 10 pelo menos), e o Capitão avisou a todos pelo sistema de auto-falantes. Eu estava dormindo e claro, perdi!!! Ódio!!!

Bueno, beijos a todos, hasta luego, e obrigada a todos que respondem...

Saudades
Camila

quarta-feira, outubro 11, 2000

Finalmente

Olá a todos!

Depois de tanto tempo sem escrever, preciso contar a todos vocês rapidamente como está minha nova vida no navio.

O encontro com o marido foi ótimo, e atualmente temos tido muito pouco tempo juntos, mas é mil vezes melhor que três meses separados, sem dúvida. Ele está super infeliz com o trabalho na cozinha, mas parece que tudo vai melhorar.

Falando em melhorar, o clima deste barco melhorou 25 mil vezes. A população latina cresceu em progressão geométrica. Todos os funcionários que tem contato com passageiros e não falam português ou espanhol estão sendo literamente eliminados. Por um lado, perderei alguns amigos, como a Sophie, a canadense. Por outro, é tão bom falar português e espanhol...

Minha nova companheira de cabine é chilena, e acabou de ser promovida a supervisora de bar. Muito legal, e nos damos muito bem.

Já o trabalho, tenho que dizer que o primeiro cruzeiro foi muito duro, por ainda não saber direito como funcionavam as coisas. Nem botei o nariz na rua, todo o cruzeiro. Entretanto, trabalhar com público é tão bom... Apesar de estes cruzeiros no Canadá/Nova Inglaterra serem para 5ª idade. O passageiro mais novo tem uns 75 anos, e vem com pai e mãe, se é que vocês me entendem. Por isso, também é dificil fazer dinheiro, já que eles não bebem. Mas já descolei meu jeitinho brasileiro de ganhar uns dolarezinhos extras.

Neste cruzeiro sai em Quebec, fui almocar com a Sophie e sua família. Amanhã saio em Bar Harbour para comer a famosa lagosta da Nova Inglaterra.

Este cruzeiro estou trabalhando num bar/lounge onde acontecem todos os bingos e game-shows do navio, por isto tenho também entretenimento, d[a para escutar uma musiquinha...

Tenho dormido em etapas, ao longo do dia, quando tenho breaks, parra compensar as noites pouco dormidas, já que acabo tarde e acordo cedo, pois o marido agora trabalha no cafá da manhã (vejam quanta inversão de papéis). Enfim , a mudança foi sem dúvida para melhor.

Estes dois últimos dias foram especialmente duros, pois o mar estava agitadíssimo. Foram 24 horas horríveis, todos os garçons que trabalham comigo enjoaram e foram para a cabine, e trabalhei sozinha... Um momento difícil: estava com a bandeja abarrotada, servindo uma mesa, quando entramos numa onda. O lounge fica na frente do navio, então voamos. Quando a frente do barco caiu na água de novo, a onda que formou (ou spray) subiu até a janela do bar, que fica no deck 5. Medo... Mas são coisas da vida no mar.

A bandeja? Não derrubei nem uma gota...

Beijos e saudade
Cami Camélia

sábado, junho 24, 2000

Home, sweet home

Cheguei, depois de oito meses de trabalho escravo, muita exploração, e uma volta pelo Caribe e Europa, completando no total 17 países na rota. Claro que nem todos puderam ser visitados, mas em todo caso, é muito, né?

Volto ao trabalho e a meu lindo maridinho que ficou lá sozinho dia 23 de setembro, quando embarco em Boston, para cruzeiros pela Nova Inglaterra e Canadá, depois Caribe novamente, até partir para a América do Sul em dezembro. Natal no Rio....

A boa nova é que parti de lá com um novo contrato em mãos: agora serei uma Bar Server... Menos tensão, menos indianos e filipinos (so que agora muitos, mas muitos jamaicanos...), mais chilenos e portugueses, mais dinheiro...

Cheguei ontem, 23 de junho, depois de 30 horas de viagem. Sai do porto de Harwich, Inglaterra, as 7 da manhã do horário de lá (2 da manhã aqui). Na porta do barco, uma revista da polícia inglesa daquelas...

Antes de terminar, impressões do último cruzeiro. Como já disse, acho, estava esgotada, e dava uma preguiça desgraçada de sair. E depois que minha amiga Sophie se foi, e o marido não pode sair todo dia como eu, sair sozinha ficou muito chato... Suécia não rolou, por causa de uma tempestade. Na Noruega tava um frio de doer o peito na hora de respirar, e o trabalho era muito. Não rolou. Na Finlândia, dobramos o turno de tanto trabalho. Não deu.

Finalmente Rússia, onde marido tirou folga para me levar para passear. Não tínhamos muito tempo, pois o porto fica a mais de meia hora da cidade. Entao fomos a uma igreja ortodoxa cahamda Church of the Spilt Blood, que presta homenagem ao último czar, Nicolau II, assasinado com toda a sua familia (14 pessoas, incluindo um dos filhos de 9 anos) na Revolução Bolchevique.

O templo é um dos maiores exemplos da arquitetura russa, e balançaa as pernas. Não queria ir embora. Depois fui procurar caviar beluga, mas ainda estava caro (90 doletas um potinho de 30g), e como não dava tempo para continuar procurando, desisti. Depois tentei escolher uma boneca matryoschka, aquelas que são uma dentro da outra, mas eram tantas que desisti. O marido escolhe uma depois, que ele tem mais umas 5 vezes na Rússia. Aí fomos caçar um lugar para comer. Escolhemos um hotel chique, com um café na rua. Escolhemos stroganof russo e típico, o original e veradeiro, feito com páprika econhaque, diferente deste que as donas de casa fazem há anos aqui, com creme de leite e catchup... Delicioso, e regado a cerveja russa, mais ainda...

A noite deveriamos sair para ir a um bar de caviar, mas deu muita preguiça, tava frio, sabe como é, levantar cedo no dia seguinte... Desistimos, e no dia seguinte também fiquei com muita preguiça de sair.


Na Estônia, trabalhei até 12:30, e o barco ia embora 13:30. Fazer o que na rua, que também era longe?

E em Copenhagem, deixamos para sair a noite. Fomos ao Tivoli Gardens, um parque maravilhoso, todo iluminado a noite, e com zilhões de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Até demos uma volta de montanha russa. Jantamos um jantar chique e fomos dormir. Dia seguinte era dia de fazer as malas, entao não sai.

Resumindo, não vi quase nada este ultimo cruzeiro, mas o pouco que experimentei valeu muito a pena.

sábado, junho 10, 2000

Mar do Norte

Pois é, acabou-se a primavera mediterrânea, mas teve início há doze dias o verão escandinavo...

Partindo de Barcelona em 29 de maio, quando meu marido retornou ao inferno, rumamos às terras vikings. Antes, claro, passamos por Gibraltar, um pequeno país cheio de pedras, meio inglês meio espanhol, o qual não vi. Depois, Lisboa, cidade lusitana esta a qual não pude ver, pois os passageiros eram monstros alucinados, que comiam feitos dragas e aspiradores de pó. Além do que, todo dia de porto tinha almoço para travel agents. Então, mudamos de cor passando por Hamburgo, belissima cidade na cinza Alemanha. Cidade linda de morrer, com muitas facas alemãs à venda e muitas pessoas alemãs na rua. Lugar extremamente germânico, este... Fiquei, pela primeira vez, meio assustada com o fato de não falar a língua (e que não dá para sair pelas ruas na Alemanha dizendo Ales kaputz in kopf, Kartofenkopf e outras besteiras germânicas, né , Fabio???). Fui ao banco trocar dinheiro, e uma velhinha na fila desatou a falar comigo. RARARARA, nao sabia se ria ou chorava, entao simplesmente sai de perto. Ficamos em Hamburgo até duas da manhã, então eu e o marido fomos dar um rolê para ver qualé que era. Como Amsterdam, há uma rua chamada St. Pauli, que é tipo uma Red Line, toda baseada na indústria do sexo. Putas por todos os lados. Só dava crewmember na rua tendando dar uma aliviada na pressão. Mas as putas, alem de caras, direto dizem : "No black, no indians, no filipinos...". Pode, puta que escolhe???

Acabamos num café tomando cerveja dinamarquesa e comendo kartoffen fritten.

Depois, Oslo, ainda mais cinza, mas adorável, vista do deck do navio pq novamante nem pude sair...

E depois, Copenhagen. Esta sim, uma cidade belíssima. Fui passear com o marido, almoçamos comida dinamarquesa, tomamos mais cerveja dinamarquesa... E os dinamarqueses são super cool. E as bicicletas na rua? E um sol de lascar (para eles) e a gente com 15 casacos, uns dez, 9 graus, por aí...

Hoje, 10 de junho, chegamos em Harwich, Inglaterra, terminando um cruzeiro para começar outro, este sim, muito especial. Primeiro, porque é o meu último antes das férias. Segundo, pelo roteiro. Oslo (desta vez vou lá fora nem que tenha que faltar ao trabalho!!!), depois Stockholm, Suécia, depois Helsinki, Finlândia, aí São Petersburgo, Rússia, com pernoite e dois dias, como em Veneza, depois Tallin, Estônia, depois Copenhagen, com pernoite e dois dias.

Vocês acham que eu vou ficar um pouco acabada ou não?

E terceiro, pasmem: estou dividindo cabine com o meu marido!!!! E um fato raramente visto em toda a Royal Caribbean. Aconteceu que minha cabin mate Agnes, A Filipina, foi embora hoje, um cruzeiro antes de mim, não sei porquê. O contrato dela era diferente. As outras duas garotas da cozinha foram embora hoje. As cabines são limitadas, então o que passou foi que Chef Seidi tinha uma cabine de moças vaga, e outra cabine de moças com uma moça dentro (euzinha) e zero moça chegando. E ela tinha três moços chegando. Um teria que ficar na minha cabine, o que não poderia ser. Como o companheiro de cabine de meu marido se foi hoje também, tinha espaço, onde ela "teoricamente " poderia me colocar. Se eu não topasse, ela teria que mandar para casa hoje, o que seria ruim, pois faltaria uma pessoa para a cozinha.

Então ela me chamou no escritório e perguntou se eu me importava de mudar para a cabine dele. So faltou eu gargalhar na frente dela... Disse que de jeito nenhum. Ela perguntou se ele iria se importar, eu disse não, então, feito. Contei a ele e gargalhamos por 5 minutos.

Pensei que seria uma coisa meio lowprofile, uma vez que isto viola uma regra da empresa. Mas não, a chefa doida botou na lista de troca de cabine, no mural da cozinha. Todo mundo sabe...

Muitos casais agora vão reclamar, uma vez que a excessão foi aberta. Mas e só por um cruzeiro. Não to nem ai, vou aproveitar...

Começo a fazer as malas...

A tirar muitas fotos também... Vou ver o sol da meia noite...

Alias, são dez da noite e eu tô vendo o pôr do sol no mar do Norte pela escotilha do internet cafe. O sol levanta de novo as 4 da manhã...

Muitos beijos e até dia 13, meu querido brasilzão...

Beijo
Camélia

segunda-feira, maio 22, 2000

Oi

Ah, Veneza...Desde o último email muita água rolou - literalmente - aqui no Mediterrâneo. Passei pelos mares Adriático e Eônico umas tantas vezes, e cá estou em Veneza novamente. Hoje botei o nariz fora só para umas comprinhas e um bom almoço. No fim o almoço ficou miserável e caro, quease tive que ir ao McDonald's e pedir um McPolpetta (tô brincando!). Na segunda vez não me impressionei tanto quanto na primeira, mas ainda assim mexe lá dentro.. Tanto tempo no ar, tanta gente já andou por aqueles canais e ruas...

Deixando Veneza de lado, o assunto principal é Roma... Antes, dei uma passadinha na Sicília, para ver se encontrava o Al Pacino ou Marlon Brando, mas não rolou, pq fui a Messina, e não Palermo... Anyway, fantastic... E a comida??? Risotto de frutti di mare, o mais bem feito que já comi. Daqueles que nem enjoam...

Mas Roma... Dia pesado, saindo bem cedo do barco, para retornar às 4 da tarde. Na verdade, em Roma, apenas 4 horas. Mas meus amigos, quanto se pode fazer em 4 horas...

Resolvi (eu e meus amigos - uma canadense e dois indianos cristãos) começar pelo Vaticano, e tava rolando a Missa das Dez. Era dia das mães. Adivinha que tava rezando esta missa??? Ele mesmo, o Papa. Voltou de Portugal só para me ver. Quando ele me viu entrar na Cidade do Vaticano, ergueu as mãos e comecou a rezar... De novo, não sou religiosa, mas arrepiou.. Ouvimos dez minutos de baboseira católica e nos raspamos de ônibus para o Coliseum. A Capela Sistina e a Basílica S. Pedro tavam fechadas (a Capela por ser domingo e lá funciona o Museu do Vaticano, que não funciona domingo, e a Basílica por causa da missa).

Gents, sabe aquela coisa de já ter visto um lugar 548 vezes (ou mais) em filmes, e se ver desta vez ali, pessoalmente?? Emocionante, também, especialmente quando se sabe que o lugar quase tem vida própria... Quase 2000 anos de história. Antes de chegar ao Coliseum se passa obrigatoriamente pelas ruínas do antigo Fórum da época do Imperador (Cesar) Trajano. Até encontrei com ele na rua, numa estauta (com trocadilho, sim).

De lá, após uma hora, rapa-pé para a Fontana de Trevi, para jogar a famosa moedinha que assegura a sua volta a Roma. Yo no creo en brujas, pero.... No cuesta ententar...

Este relato segue assim chinfrim, pois há uns três dias escrevi um que tava muito legal, mas deu pau no satélite e babau...

E é isto!

Dia 25 vou a Mônaco, a partir de Villefranche. Plena Cote d'Azur, Riviera francesa.

Esqueci de contar que neste meio tempo fui ver a obra prima da arquitetura catalã em Barcelona, a Catedral da Sagrada Família, de Gaudí. Subi nas torres e tudo, apesar de a bicha AINDA não ter terminado de ser construída... E a com~edia, levei um cozinheiro indiano comigo, pois eles só saem com indianos para comer comida indiana! Eu disse a ele "when in rome, do like the romans...". Pegamos o metrô e lá fomos. Ele achou tudo lindo, mas o highlight do passeio pra ele: no elevador, subindo ao topo das torres da Sagrada Família, havia um diretor de filme de Bollywood famosíssimo lá. Raj falou com ele e tudo! Depois disso, era como se alguém tivesse apertado a mão do Robert de Niro ou alguém bem famoso... O bicho não queria mais saber de igreja, só queria voltar logo pro navio e contar pra indianada toda! Uma figura...

Alguns dias depois disso, fui rapidinho visitar Marseille, a Capital da Provença, só para comer a típica Bouillabaisse (não sei como se escreve, mas sei como se come, com torrada de alho e queijo, hummmmm.... - para quem não sabe é uma sopa de pescados e açafrão típica do local - bem aí na foto). E a França é um país muito francês, se é que vocês me entendem. A Itália é mais legal. Vamos ver como estarei de tempo livre em Paris, próximo cruzeiro.

Dia 29 acaba a temporada mediterrânea (só dois cruzeiros, infelizmente) e aí, rumo a Escandinávia... Dia 29 o marido volta das vacaciones...

Hasta la vista

Cami Camélia

terça-feira, abril 25, 2000

Independência portuguesa

Hola, amigos.

Estou aqui de novo, para relatar mais curiosidades do mundo cão. Então vamos por partes.

No cruzeiro passado, recebemos um info (pois aqui na frota, tudo que acontece de importante e sério num barco é passado em documento para todos os outros, e os supervisores decidem se vão postar ou não) sobre um incidente no Monarch of the Seas. Um garçon filipino passou a faca na garganta de um garçon turco, depois cortou os pulsos e pulou no mar - tentando cometer suicídio. Foi resgatado (rolou um Oscar, Oscar, Oscar, que é o sinal internacional de emergência em qualquer barco para Man Overboard), e o cara foi resgastado. O turco não morreu, e o Capitão saiu da rota e foi para Granada, para salvar as vidas dos caras, levando-os para atendimento em terra. Agora me diz: TEM CONDIÇÕES? Há dois dias em St. Thomas encontramos o Monarch, mas os tripulantes estão proibidos de visitar outros barcos, e nenhum tripulante de outro barco pode visitar o Monarch (quando dois barcos da frota se encontram nos portos, rola uma troca de visitas entre tripulantes, um vai fuçar o barco do outro, ou até visitar amigos).

No dia 22 de abril de 2000 nada aconteceu, exceto a CNN, que entre um documentário Elian Gonzalez e outro jornal Elian Gonzalez (só se fala dele), fez um documentário sobre "the largest country in south america"...

Domingo de páscoa cagado, porque estes passageiros (80% deles representados por argentinos, espanhóis) tem hábitos diferentes do que a gente, há 4 meses com americanos e canadenses, estava acostumado. E tem os judeus americanos - que tem 200 dietas especiais, muitos são kosher, enfim, tá uma catastrofe na cozinha. Todo mundo trabalhando três vezes mais. Nem parecia páscoa. Mas o Capitão colocou um pastor de "serviços religiosos mistos" a bordo por todo este cruzeiro, para oficiais, staff, crew e passageiros. Quem vai a missa nestas horas?

Este é o famoso cruzeiro de travessia. Saimos de Miami, dois dias no mar até St. Thomas, um lugar lindíssimo, com um mar de enlouquecer, mas que, e claro, conheci muito pouco. Já havia estado la em meu primeiro cruzeiro, mas nem sabia direito onde estava.

Bem, até chegarmos em St Thomas, estávamos no mar do Caribe ainda, mas na região das US Virgin Islands estava mais rough, mais agitadinho. Nada diferente do que estamos acostumados. De St. Thomas para cá, hoje é o segundo dia de mar - tem mais três pela frente até Tenerife, nas Ilhas Canárias - e o mar tá ficando cada dia pior. Ontem, durante o dia todo, o barco balançou. Juntando mar virado com velocidade de quase 50 km por hora (dá pra acreditar que estes monstros fazem tudo isto?), e por esta velocidade os motores balançam mais, já viu, né? Tá uma trepidação danada. A sensação ontem era a mesma de quem viaja a 110km por hora numa estrada reta e plana num carro tipo um Vectra. Hoje, durante o dia todo, ja parecia que estavámos viajando por uma estrada montanhosa, tipo as serras mineiras, de ônibus... Vê a diferença, galera?

Amanhã já vai ser a estrada Miranda-Caiman de F4000.

A sensação é estranha: você caminha pelos corredores, vai em linha reta, mas na verdade anda de um lado para outro, feito bebum. E num passo o chão está alto, no outro está baixo, e assim por diante.

Tudo que tem rodinhas anda sozinho, mas vocês não podem imaginar a quantidade de coisas que tem rodinhas na cozinha... Mas ainda tá no controle. Vou rezar pra ficar pior, pois tô querendo emoção e aventura. Quando ficar pior, os funcionários vão começar a enjoar, vai ser uma vomitação desgraçada, os passageiros pedindo maçã (alivia a sensação de enjôo o tempo todo... O máximo. E dá-lhe trabalho.

Esperava mais emoção nesta travessia, queria sentir uma lasquinha do que o Amir Klink sentiu (impossível, devido às proporções, né?), mas mesmo assim está valendo.

Ainda travessia: todo dia adiantamos o relógio uma hora. Já tô meio vesga de sono, mas quando chegar em Tenerife vou estar só o caroço da manga...

Hoje tomei vacina contra difteria. Pasmem, a Rússia é infestada de difteria, e estão começando a vacinar a tripulação agora, para não correr risco de trazer a doença.

E por último, e o mais legal de tudo (so para os Senaquianos): em Miami, 21 de abril, sexta feira santa, encontrei com Ana Paula de Paula e sua super família Pablo (o marido) e Sebastian (o bebê mais gostoso do mundo). Nos encontramos na frente de um fast food de comida brasileira (dá pra imaginar?), comemos arroz, feijão e farofa e tomamos guaraná. Depois de trocar a fralda do Sebastian no carro (dentro do estacionamento - Supermãe á assim..), eles me levaram de volta ao meu palácio . Só não puderam passar da porta, porque o guarda não deixou, mas mesmo assim foi o máximo. Tenho fotos. Adorei, viu, Ana?

Hoje tem festa a fantasia com churrasco, mas a minha festa é na cama, com meus lençóis e gato de pelúcia, que amanhã é outro dia de começar 6 da manhã.

E no mais, pessoas, e só. Beijos transatlânticos
PS: o titulo do email é devido a libertação dos portugueses. Eles dizem com aquele sotaque idiota "quando nos libertamos de Salazar...". Tão comemorando, e dizem até hoje "Um bom espanhol é um espanhol morto".

segunda-feira, abril 03, 2000

Como uma onda...

Depois de um longo e tenebroso silêncio, estou de volta com mais uma sessão besteirol, direto do Caribe, para você leitor.

A primeira novidade é ruim... Há mais ou menos três cruzeiros (um mês em terra!), uma de gente foi presa em Miami. Passageiros e tripulantes. Motivo: tentavam entrar nos EUA com um monte de heroína. Naquele dia a polícia de Miami e o FBI vieram a bordo, e nenhum tripulante pode sair pra passear em Maimi. Revistas e buscas, pegaram todos os envolvidos. Passado o buxixo, o próximo porto era Cozumel, no México, com um dia de mar até chegar lá. Naquela noite de mar, foi encontrado um saco de 100 kg de batatacom cocaína dentro. O cozinheiro da noite foi na área de provisões buscar suas batatinhas pra preparar no dia seguinte, e viu um sacão com um furo e um pó branco. Mas era batata! Achando aquilo muito estranho, ele chamou um segurança. Esperto, o cozinheiro. Capitão Tor tinha acabado de chegar de férias naquele Miami, era sua segunda noite a bordo! Capitão Tor chamou a Guarda Costeira. Por este motivo chegamos ao Mexico atrasados, as duas da tarde.

A investigação começou a tomar corpo, quando deram pela falta de um caribenho que trabalhava na sala das batatas. Ele havia desaparecido (diz-se jump ship), fugido do navio em Miami - saiu e não voltou mais. As investigações continuavam, até que chegamos em Ocho Rios, Jamaica. Neste dia mais três ou quatro jamaicanos não voltaram pro navio. Na terra deles é mais fácil, né...

O moral da tripulação foi no chinelo, pois todos começam a pensar que não se pode confiar em ninguém... O Splendour era agora o navio mais sujo da frota. A notícia vai de porto em porto, saiu na CNN... E logo estaremos indo para a Europa. Lá vai ter problema... E a cada Miami, vem o FBI a bordo fazer pente-fino, com cachorro e tudo. E todo cruzeiro acabam prendendo mais gente. Até em Aruba, onde supostamente a droga foi embarcada, as autoridades revistam toda a tripulação na saída e entrada.

E pra terminar, o namorado foi embora de férias. Se já estava ruim com ele, imagina sem... Tô tentando me concentrar na Europa, que vem aí, minhas férias em 22 de junho... Desembarco na Inglaterra, alcanço só um cruzeiro na Escandianávia e Rússia. Mas melhor que nada.

Tenho ainda dois cruzeiros no Caribe. Agora é hora de ir a praia em lugares que não fui, fazer comprinhas de turista. Hoje comecei pelo México. Amanhã é Grand Cayman de novo, ainda não decidi o que vou fazer. Tá fazendo um calor louco aqui no Caribe. Dentro do navio é temperatura constante de ar-condicionado. Eu continuo com dificuldade pra entender se é manhã ou tarde quando acordo, especialmente na soneca da tarde, fico sempre em dúvida. É o cansaço de mais de 5 meses sem folga, sem um dia prá poder dormir até mais tarde.

Quando chegar em casa, a primeira providência é dormir até gastar o colchão, depois penso no resto.


quarta-feira, março 08, 2000

Curiosidades & Pornografia

Acharam que eu ficar falando de pornografia, né? Não tem nada disso não, fica pra imaginação de vocês. Vou falar sobre curiosidades inúteis que aprendi sobre outras culturas, como a indiana, por exemplo...

Vocês sabiam que a Índia é um país muito indiano? Piadas a parte... Não importa qual das 127 religiões que eles seguem e 956 línguas eles falam (outra piada!) uma coisa eles tem em comum - não se faz, EM HIPÓTESE ALGUMA, sexo ANTES do casamento. Prá quem pensa que eles adoram AQUILO só porque é o país do Kama Sutra, estão muito enganados. O Kama Sutra é uma lenda religiosa que transmite ensinamentos de amor. Dizem eles.... Enfim, normalmente a noite de núpcias será um desastre, já que é a primeira vez dos dois. Imagino que desastre, ainda por cima porque a grande maioria dos casamentos na Índia ainda são arranjados. Eles acreditamque o amor vem depois, com a convivência. Horrível, eu acho. Mesmo em pleno ano 2000 (para os hindus, muito maisque 2000), na Índia as mulheres ainda vão a praia de roupas e trajes típicos, mesmo entrando na água e tudo! Vivem cobertas. Os casamentos acontecem em geral por volta dos 20 e 25 anos de idade.

Já imaginaram um rapagão de 25 anos virgem? Então, os mais apressadinhos tem suas iniciações sexuais com prostitutas, mas dizem que elas são tão baratas e sujas que não dá coragem. E asde luxo, só marajá pode pagar.

Pintado o quadro da realidade da Índia, aí vem a explicação do motivo pelo qual comecei este post, antes que vcs se (ou me) perguntem.

Imagine estes rapazes pegando um avião pela primeira vez na vida, indo parar direto num navio cruzeiro que roda por praias muito turisticas... Vão a praia pela primeira vez deste lado do mundo e vêm as mulheres de bíquini, como só haviam visto em publicações proibidas.... Prase ter uma ideia, os indianos vao a praia do Caribe de jeans. E aí eles começam a pensar NAQUILO, e só NAQUILO... Descobri recentemente que pornografia rola solta no navio, mesmo no alto escalão. Há uma suspeita troca de fitas cassete na cozinha diariamente. E foi assim que cheguei a este assunto, pois cada vez que via alguém com um vídeo ia logo perguntando qual filme, pra saber se poderiam me emprestar depois. Várias vezes ouvi como resposta "Pretty Woman"... E não entendia pq eles gostavam tanto deste filme. Até que um dia, meu chefe, um hondurenho, estava do meu lado quando aconteceu. E perguntei a ele, "Chief, qual é a história com este fime?". E meu chefe rolou de rir e me respondeu em espanhol que era filme pornô, por isso eles ficavam sem graça quando eu perguntava! AH, TÁ!!!!!!!!!

Ainda não terminou... Dentro de todo este clima propício a rapazes "imaginativos", somam-se bordéis espalhados pelas ilhas. Afinal, onde tem marinheiro tem puteiro... Então muitos destes indianos acabam "se iniciando" nesses ESTABELECIMENTOS. No meu departamento tem um rapaz mais novo que eu, magrinho, feinho, baixinho, de bigodinho. O nome dele é Raj. Ultimamente ele anda se assanhando com as garçonetes. Sempre que pintava alguma no nosso balcão com um pedido, ele corria na frente de todos para atender, ficava olhando praelas, cheio de saliências. Ontem ele tava mais calminho pois tava meio gripado.

Hoje - estavamos em Aruba - ele estava de folga a tarde, e a noite apareceu pra trabalhar mais serelepe do que nunca, faceiro que só. Ninguém teria sabido de nada, mas imagina a velocidade de fofoca-spread, famosa Rádio Peão... Um garçon indiano contou pra outro que tinha encontrado o Raj no puteiro de Aruba. Em menos de 15 minutos, a cozinha + salão inteiros estavam sabendo. E olha que é gente a beça... TODO MUNDO parou no nosso balcãopara dar uma zoadinha no cara, até as garçonetes, especialmente as do Leste europeu que não tem papas na língua. No começo eu gargalhei também, mas depois fiquei com dó do pobre Raj... Até marcaram uma festinha no crewbar depois do serviço pra comemorar o primeira vez do Raj. Pode?????????

Me desculpem aqueles que acham o assunto de mau gosto, mas é só não ler...

quarta-feira, março 01, 2000

Não me afoguei ainda

Hello, pessoal!
Tanto tempo sem dar notícia...
Mas aquela empolgação do começo, em escrever diários e mensagens coletivas o tempo todo vai passando...

Ultimamente nada de muito diferente tem acontecido. Como tô trabalhando no café da manhaã de tarde eu tô um caco e vou mais é dormir (já que aqui, cada minuto de descanso é sagrado). Já completei 4 meses de trabalho ininterrupto, ou seja, nem um dia de folga... E depois de tanto tempo, sabe o que acontece? Você acostuma de uma tal maneira que nem sente mais. Só quando se para pra PENSAR no quanto é revoltante. Mas o demente que inventou navios cruzeiro acho que nao tinha imaginado isso, né?

E o engraçado, apesar de apinhados num universo tão espremido e pequeno, o cotidiano é tão dinâmico, já não sei mais. Todo dia eu faço tudo igual, meu dia de trabalho é exatamente o mesmo. NADA diferente. Então, se vc é original e criativo, tem que inventar maneiras de fazer o dia ficar diferente para não pirar. Minha diversão é descobrir maneiras de trabalhar menos. Digo ao chefe que estou racionalizando... Na verdade, como agora eu deixei de receber hora extra, ando enrolando no trabalho cada vez mais.

De manha chego mais cedo do que necessário e corro feito doida para aprontar tudo. Aií uns quinze a vinte minutos da hora do restaurante abrir eu tenho para dar aquela enroladinha básica... As vezes vou tomar café da manhã mais cedo, e as 10 horas tenho direito a meia hora para tomar o café. Como ele ja tá tomado, eu vou ver o sol, ou vou ao computador... E assim vai...

A noite, corro cada vez mais para acabar mais cedo, e as vezes vou para a cabine TÃO CEDO que não consigo dormir, ai tenho que ver televisão... Mas tem 4 canais de filmes so para tripulação... E são filmes novos, tipo os que passam em avião...

Mas assim e bom porque vou me poupando para ter forças para sair mais nos portos, ao invés de dormir. Dia 21 começa a travessia do Atlântico. Tô super ansiosa, porque saímos de Miami, vamos a St. Thomas (Caribe), e daí são uns 5 ou 6 dias de mar direto até a ilha da Madeira, em Portugal. E durante a travessia, todos os dias adianta-se uma hora o relógio... É, de avião vai de uma vez, mas no barco o fuso vai te matando aos poucos... Todo dia uma hora a menos pra dormir...

Mesmo neste itinerário, quando vamos da Jamaica à Aruba (é bem longe, tem um dia de mar no meio), adiantamos o relógio em uma hora. Depois, na véspera de Miami é uma hora atrasado. Da pra pirar um pouco. Tem dias em que a gente dorme por quinze minutos e quando acorda você já não sabe se é dia ou noite, se você tá atrasado para o trabalho diurno ou noturno. Para quem usa uniforme diferente de dia e noite - oficiais, por exemplo, ou garçons - deve ser complicado, pois qual roupa vestir? Ainda mais que nossas cabines não tem janela nem escotilha...

Neste último Miami day, eu e o namorado (às vezes digo marido, pois passamos TODO o tempo juntos, inclusive no trabalho) fomos às compras. Ele vai de férias dia 31, ou seja, daqui três Miamis (a contagem de tempo também mudou, percebem?). O que significa que ele só tem três dias para comprar tudo que quer (os indianos são tarados por eletrônicos, e aqui é extremamente barato, e na Índia parece que ninguém checa a bagagem...). Fomos a downtown, que e uma vizinhança de brasileiros e latinos. Ninguém fala inglês em downtown Miami.
Acabou que eu comprei uma filmadora, e posso gravar estas imporessões malucas.

Depois fomos almoçar, eu queria comer farofa. Restaurante brasileiro é um atrás do outro, mas escolhemos um chamado Café Brasil, que é mais " famosinho"... Fica numa galeria que tem uma praca de alimentação. Ao lado do resturante brasileiro tinha um outro restaurante indiano... A calhar, nao? Cada um matou sua saudade da comida de casa.

Comi arroz, feijão preto, farofa, mandioca (tava tudo bom) e uma picanha horrorosa. Bebi guaraná, e nunca pensei que esta experiência fosse tão significativa.. O garçon era nordestino, e eu fiquei tão feliz ao ouvir seu sotaque... Na fila, só tinha brasileiro, e havia uma TV que transmitia a Globo Internacional... É maravilhoso escutar a sua língua, sem aquele sotaque de portugal...

Fiquei feliz...

Ontem fui a Key West de novo, e desta vez fui ao Aquário. Decepcionante. Mas tomei um sorvete bem bom (Ben & Jerry's, Marcio) e contemplei o mar, que e o único mar verde do Caribe (o resto é azul profundo, até dói) e nos faz lembrar muito o sul da Bahia.

Amanhã de folga com o namorado no México. Depois eu conto...

quinta-feira, fevereiro 03, 2000

Segura essa...

Pessoal, segura essa...
Dois dias atras, nao sei pq cargas d' agua, o capitao avisou no sistema de alto falantes que, uma vez na Jamaica, nao poderiamos aportar em Ocho Rios, e seguimos para Montego Bay. Para quem nao sabe, e uma das praias famosas da Jamaica, e que eu sempre quis conhecer.(na foto ao lado, estou tomando uma margarita de morango no Margaritaville, rest. tematico de Jimmy Buffay). Como eu tenho tenho tempo, poderia sair. o melhor: o marido tambem deu um jeitinho de tirar folga. E la fomos nos para a praia.
O nome da praia era Doctor's Cave, e eu imaginei um lugar deserto.
Chegando la, que nada, era uma praia lotada, que vc paga pra entrar... Mas linda. Finalmente superei minha decepcao com o Caribe, enfiei o pe na jaca e mergulhei em aguas limpidas e azuis, com peixinhos ao redor. Foram apenas duas horas na praia. Mas valeram...
Depois, hora de comer. Aonde ir? O taxista ( que dirigia a unica mercedes da cidade, por isso cobra mais...) nos levou a um lugar chamado Margaritaville. Adinhe o porque do nome? Tem algo a ver com um drinque que e o carro chefe da casa. Isto mesmo, margaritas...
Um restaurante de uns quatro andares, sendo que o ultimo da no mar, e tem um escorregador ficou bebum, direto para a agua fria), e uma boiona onde as pessoas ficam feito jacare... A gringada toda bebada...
Para esclarecer, em cada lugar diferente do Caribe ha um bar tematico:
no Mexico (Cozumel) e o Carlos'n'Charlie's. Em Aruba, ha o mesmo Carlos'n'Charlie's e o Joe's Iguana. Curacao e o mais particular dos recantos, entao nao tem tanta besteira. o lugar tem personalidade.
Voltando Jamaica, sao dias assim que fazem valer o sofrimento.
Amanha estou planejando ir ao Aquario de Curacao. Vamos ver, depois eu conto.
E dia 12 e meu aniversario, entao, se quiserem, mandem postais, podem ser postais digitais. Vale ate do Guaruja, nesta altura...
beijos, e ate a proxima aventura
Camila Camelia
PS - Saiu o itinerario com os primeiros cruzeiros brasileiros: natal com overnight (pernoite) no Rio, depois Buzios (com pernoite), depois Ilhabela e Santos. Segue assim por dois cruzeiros, depois Santos, Ilhabelha, Rio, Florianopolis, Punta del Este e Buenos Aires. E ai acaba Janeiro, e eu nao sei mais.
Preparem suas malas...

segunda-feira, janeiro 24, 2000

Mais um pouco de bobagens

Pessoas, a cada dia que passa tem ficado mais difícil. É muito trabalho e bastante solidão. Isso pq tenho um cobertor de orelha, imagina se não tivesse... O ambiente é terrível na cozinha. Quando vc chega, você é novidade, e acima de tudo carne fresca. Marmanjo sempre tenta tirar uma casquinha. Como o produto aqui saiu do mercado cedo, e já estão acostumados comigo (não sou mais carne fresca), a hostilidade natural apareceu, oslobinhos tiraram as peles de cordeiro. Ainda mais agora que o povo sabe que eu não tô curtindo trabalhar na cozinha e tô querendo mudar para o bar, mó preconceito... Eles dizem'que eu me acho melhor que eles. Enfim...

Prá ajudar, já estou trabalhando aqui há 3 mese sem folga. Prá ter folga aqui só doente, porque aí eles não deixam trabalhar não. Meu namorado ficou com uma horrível semana passada, confinado na cabine três dias. E eu indo lá levar cházinho pra ver se pegava a bendita, e nada...

Ao menos tinham me mudado para o café da manhã, mas eu levanto as 4:45 da manhã todos os dias. E o trabalho é mecânico, todo dia, tudo igual. Ao menos sobra um tempo para conhecer as ilhas, mas quando volto tô morta, e então tenho que ir trabalhar outra vez. Ainda assim poderei conhecer o Caribe.

Legal é quando acontece alguma coisa não-planejada. Tipo outro dia, não pudemos aportar em Key West, então fomos para as Bahamas, cidade de Nassau. Não pude sair, mas deu prá ver um navio da Disney parado ao nosso lado - com Mickeys e Patetas e Donalds por todos os lados. E se por acaso encontramos com um navio da Royal no porto, é possível visitar. Eu nunca gastei energia com isso, pois dizem que por dentro é tudo igual.

E o mar não anda prá peixe. Outro dia estava tão ruim que os trolleys (carrinhos com rodinhas, diferentes tamanhos e funções) andavam sozinhos pela cozinha. Tiveram de ser amarrados. De repente, um THOMP, pegamos uma ondona. Tinha um filipino tomando refri ao meu lado. A coca saiu do copo dele em seguida caiu no copo novamente. Sabe aquela subida e descida que nem turbulência de avião? Foi daquele jeito. Por uns 10 segundos, silêncio total, e então, "Oh, Jesus" pra todos os lados da cozinha. E nestes momentos a pobre mãe do capitão é quem leva, se vcs entendem. Este capitão chama-se Per Moen (capitão Tor saiu de férias) e é mais velho, tem até uma peruquinha, aquelhes toupes no topo da cabeça... Rezo por ele nessas horas, para que ele saiba bem o que faz...

Semana passada tive um curso de combate a incêndio na cozinha. Assustador pensar que algo PODE acontecer a qq momento...

quinta-feira, janeiro 06, 2000

Noite de Reveillón

Trabalhando até 10 da noite... Abrimos uma garrafa de champagne vagabundo que nos foi "gentilmente cedida" para comemorar a meia-noite brasileira. Pensei em todo mundo, amigos e família...

Pouco antes da meia-noite, horário local, ancoramos na baía de Labadee, no Haiti, em frente a praia privada que a Royal tem lá, juntamente com outros 6 navios da RCCL. Houve uma queima de fogos na ilha, que nós assistimos desde o barco. A meia-noite todos os navios apagaram suas luzes e apitaram... Cada um a suameia-noite, que acabou sendo em 7 momentos distintos. A cada minuto era um navio que apitava. Foi bonito...

Depois disso, ainda tentei me arrumar e ir para o crew bar com o namorado, mas resolvemos ir dormir porque a festa tava caidassa. Creio que os passageiros devam ter se divertido mais. No dia seguinte, aconteceu o inesperado, FUI A PRAIA!!! 2 meses no Caribe e esta foi a primeira vez. Resolvi aproveitar pois o Splendor não volta mais a Labadee tão cedo. Era uma chance única. Fiquei um pouco decepcionada, pois consegui sair mais no final da tarde, o sol tava atrás da montanha, então não tinha solzão na praia, que além do que era cheia de pedras e corais. Não deu pra aproveitar muito, mas ainda sim tomei um banhinho de mar só para lavar a alma!

Dois dias depois, tirei folga em Aruba. E como minha resolução de ano novo foi conhecer todas as praias, assim fiz. Fui a praia. Tomei um taxi, pedi informação, e acabei num Hyatt. Ao avistar o mar, ele era tão azulcomo nas fotos das revistas. E a areia branquinha e grossa. Deitei ao sol, feito lagartixa. Tomei banho de mar - a água é azulzinha, mas nãoera tão transparente não. Sou mais o Brasil, pelo que vi até agora.

Flando em Brasil, junto com a Argentina e Uruguai, entram no nosso roteiro para Dezembro de 2000. Será que ainda vou estar aqui?