domingo, julho 15, 2012

Agência de viagem não!

Estou aqui sentada no nosso pseudo-escritório em casa, dividindo minha atenção entre ler as baboseiras do Facebook, fazer pedido de hortifruti pro hotel pra amanhã e observar o gatôncio suspirando no cochilo depois de uma sessão escova com o Lars. Então resolvi baixar o Facebook no Android (troquei de telefone OUTRA VEZ depois de perder outro num acidente envolvendo água, muita água) e pra isso precisava reconfigurar minha conta no Google. Daí meio que lembrei que eu tinha um blog.

Desde o falecimento parcial do meu laptop, tenho compartilhado o do Lars. E não é a mesma coisa. Além de tudo, ando tão entretida com a vida real que meio que perdeu a graça ficar vivendo a virtual. Pra completar, por algum motivo que eu não lembro exatamente, troquei a senha do Google e deepois esqueci, por estar usando pouco. Por isso o blog ficou às moscas, sem comentários publicados (ou mesmo moderados). Hoje sentei pra botar as coisas no lugar e achei por bem fazê-lo por aqui também.

Na verdade, eu fiquei bem com vontade de fechar o blog. Porque ando sem tempo pra ele, e as coisas não são mais como antigamente, naqueles dias de nada pra fazer. Vejo um monte de gente se desculpando por falta de tempo pra atualizar o blog e tals. Mas o tempo escasseia de verdade, quem disse que a gente lembra que tem blog???

Daí que quando a gente finalmente abre o tal blog e vai publicar os comentários, percebe que metade deles são de gente que vai mudar/viajar pra Noruega e quer ajuda com informações... Mesmo com o link dizendo que eu não ajudo. Porque não tenho saco e muito menos tempo. Ora bolas, ninguém me ajudou horrores quando vim pra cá, liguei pros lugares, li todos os sites, pedi ajuda do Lars pra traduzir as coisas (ou da professora de norueguês em São Paulo), e fui atrás. Naquela época, nem havia tantos blogs de brasileiras vivendo por aqui. As comunidades do Orkut eram uns ninhos de cobra. Mas mesmo assim eu achei tudo e cheguei aqui na cara e coragem. A Internet torna as pessoas folgadonas, porque ao invés de correr atrás da informação, já sai correndo perguntado pro primeiro bloguinho que aparece. E quando chegar aqui, #comofaz? É preciso aprender a se virar. 

Meus posts já foram escritos com todas as informações necessárias pra que o povo possa ter um degrauzinho inicial, e os posts de viagem dão links de hotel, atrações visitadas e tudo. Acreditam que tem gente que escreve "Oi, vou viajar pra Noruega em _______ e gostaria que você me escrevesse pra me dar informações. Meu e-mail é.......". Pode? Alguma vez eu disse que sou agente de viagem/guia de turismo? Por isso agora mudei o link ali em cima pra PERGUNTAS FREQUENTES, porque acho que a maioria não entende FAQ (e nem deveria, na verdade, porque não é português. Eu removi minha pequena gafe/cafonice e troquei pro portuga bem claro). Será que agora eu me livro?

E, acidez à parte, tem gente que escreve agradecendo porque leu tal post e seguiu a diga de hotel/documentos, etc, e deu tudo certo. Tá vendo como tem gente que consegue?

Mudando de assunto, nos últimos 5 meses (desde a última postagem), nada de novo por aqui. Continuo trabalhado pacas, mas adoro o que faço, acredito na empresa pra qual trabalho, e finalmente me livrei 100% do fantasma da minha ex-chefe (que ainda trabalha no hotel, agora como recepcionista, portanto não tem nada conosco). Minha equipe, composta de 2 filipinas, 1 nigeriano, 2 iranianos, 1 eslovaco, 1 belizenha (essa eu tive que olhar no Google, rsrs), 1 iraquiana (curda, na verdade, mas foi pro Iraque no verão por causa de uma morte na família), 1 norueguesa e eu, nunca foi tão eficiente, trabalhadora e confiável. A porcentagem de ausência por doença no meu departamento hoje é cerca de 2/3 inferior ao que era nos anos anteriores. Moral da história - estrangeiros são mais comprometidos com o trabalho que os nativos. Um norueguês em geral tem uma dorzinha no branco dos olhos e fica 3, 4 dias em casa, enquanto o estrangeiro toma uma aspirina e vai trabalhar. Não que os noruegueses sejam assim folgadões, mas o sistema social ajuda neguinho a ser menos comprometido, pois sabe que se ficar em casa ninguém pode fazer nada, e a empresa ainda tem que pagar o sujeito e se virar pra substituí-lo. Já em outros países menos "desenvolvidos", neguinho falta mais de um dia e nem precisa se dar ao trabalho de voltar.  Sistemas diferentes.

O verão esse ano está assim meia boca, mas aqui ao norte não chove como tem chovido lá pra baixo. Então tem dado pra aproveitar a varanda, a rede brasileira, fazer um monte de churrasco, trabalhar no jardim, e todas as coisas que se faz em massa e coletivamente no verão ártico.. Os locais vão pro jardim com roupitchas pequeninas (mesmo que e temperatura esteja em torno dos 16 graus) expor suas peles de bicho da goiaba ao sol. Incluo-me nessa. Nada como botar as canelas de fora depois de um inverno de botas, ceroulas e meiões de lã!

Fora isso, nossa vida mudou bastante depois da chegada do gatão. Mas é impagável chegar em casa e ter essa figura sentadinha na porta esperando a gente. E Lars, que nem podia falar em gatos, nem parece o mesmo. Um bichinho muda toda a perspectiva. Kjellemann vai conosco pro chalé (chora o caminho todo na gaiolona dele), se diverte horrores, na hora de vir embora ele entra no gaiolão e espera ser colocado no carro. Uma figura.

Pra teminar, muitas horas passadas na cozinha, fazendo montes de comida fresca e deliciosa depois que passamos a assinar uma cesta orgânica. A cada duas semanas, recebo na porta de casa uma cesta com frutas/verduras e batatas. Tudo orgânico, fresco, cheiroso e gostoso. Nossas visitas ao mercado dimunuíram bastante. Passamos a comprar peixe fresco na peixaria e congelar porcionado. Gastamos cerca de 20% a menos com comida a cada mês, e comemos muito melhor, sem agortóxicos e outras melecas. Também recomendo muito, faz bem pro seu corpo e faz bem pra saúde da agricultura familiar - ao menos por aqui. 

Por hora é só. Não sei quando volto por aqui... Mas se houver algo fabuloso pra contar, prometo que apareço!


quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Sinal de fumaca

...sem cedilha porque meu computador tá mei pifado e estou usando o do marido. Caramba, mês e meio sem notícia... Vários motivos pra isso: falta de tempo, muito trabalho, gato em casa e uma falta de vontade tremenda de gastar meu rico tempinho disponível com idiotices da internet.

Por partes...

No final de janeiro viajei pra Estocolmo com as outras chefes do hotel mais a operária-padrão de 2011, uma recepcionista. Fomos pra conferência de inverno da Nordic Choice Hotels, que acontece todos os anos, e como dizem os suecos, é uma das maiores firmafest da Escandinávia. Esse anos fomos 2300 participantes. Todos com hotel e refeicões pagas por dois dias. O evento em si acontece num domingo e segunda, mas nós vamos sempre na sexta pra aproveitar o fim de semana. E que aproveitamento! Finalmente dei conta de realmente ver Estocolmo, passear, andar bacarai à pé, comer e beber bem! Chegamos sexta e fomos direto  pro Clarion Collection Hotel Tapto, um hotel lindinho, nosso irmão, mas meio fora de mão. Era o aniversário da chefe de governanca, então fomos almocar no Ostermalm Saluhal, lugar disputadíssimo pelos locais e turistas, a disneilândia da comida local e artesanal. Comi ostras, camarões a lagostins, e tomamos champagne pra celebrar. O clima esse ano foi bem mais leve, pois a nuvem negra de depressão da minha ex-chefe não estava presente! Mais tarde fomos a um pub irlandês em Gamla Stan chamado Wirstroms. Aconselho uma visita a todos que passem por Estocolmo e sintam-se perdidos na Suécia, pois o local é frequentado por todos os estrangeiros que habitam a capital. Os bartenders são irlandeses e qo que parece @ chef també, porque o beef & guinnes stew que comi estava de chorar.

Sabado foi dia de passeio a pé, depois de trocarmos de hotel. Fomos pro Clarion Hotel Stockholm, uma beleza de hotel, e extremamente bem localizado. Almoco em Gamla Stan, caminhada por meia cidade, e a noite encontramos o povo dos Clarion Collection de Tromsø, Harstad e Trondheim pra ir jantar no Wallmans, mesmo local do ano passado, onde fui obrigada a assistir um show de garcons cantando Abba enquanto tentava engolir meu bife. Esse ano foi bem mais divertido, me surpreendi com as mudancas que fizeram no conteudo do show. E a comida estava espetacular. Depois foi toooooooodo mundo pro bar do hotel e a coisa comecou a ficar mei pesada, então como boa funcionária que sou (afinal, é festa da firrrma, né?), fui dormir.

Domingo comecaram as palestras no Globen Arena. A noite teve uma festanca pra todos os participantes no Clarion Hotel Sign, um desbunde de hotel de design. Quem quiser ver um tiquim pode xeretar aqui. Segunda, mais palestras e a cerimônia de premiacao. Um dos operários-padrão de toda a Nordic Choice foi um cozinheiro de um Quality Hotel em Fredrikstad, que fez uma horta orgânica do telhado do hotel! I heart!

Terca voltamos pra Bodøcity e dia seguinte foi dia de trabalho. Muito trabalho, por sinal.

No fim de semana seguinte fui pra Trondheim, também a trabalho. Fiquei no Clarion Collection Grand Olav, onde encontrei outros 3 chefes de A&B pra uma reunião explicando mudancas no conceito do depto, e um workshop, onde fizemos juntos o buffet de jantar do Grand Olav. Terca fomos tomar café da manhã do Rica Nydelven, o melhor café da manhã de toda a Noruega, ano após ano. Premio merecido, mas baralho, era comida demais! E cara pacas. Não, não somos e nem queremos ser aquele tipo de hotel!

E um fato muito, muito inusutado e inesperado... Na terca, meu voo saia tarde de Værnes, e o chef de Tromsø estava no mesmo voo TRD-BOO-TMS. Então fomos dar um rolezinho no centro antes de pegar o busão. E o Per Ivar (o chef de Tromsø) queria comprar um presente pro filho. Precisava achar uma loja de brinquedos, e resolvemos perguntar pra alguém na rua. Dentre todas as probabilidades, paramos a primeira moca que passava. Ele comecou a falar com ela em noruga, mas quando eu vi o rostinho dela, ja larguei, em noruga, posso perguntar uma coisa? E mudei pro portuga: Você é a Raquel? e ela Camila? O momento foi tão Twilight Zone que ficamos sem saber o que dizer direito! Mas olha o que é a transmissão de pensamento, eu pensei pacas nela porque sabia que ela mora ao lado do Grand Olav... Eu e Per Ivar fomos até Bodø no avião falando disso! Raquel, eu volto com calma pra gente refazer esse encontro direitinho, com direito a um café ou, quem sabe, uma(s) cerveja(s)!

E a última novidade, quando estava eu faceira em Estocolmo almocando em Gamla Stan, toca meu telefone e era o pessoal da associacao protetora dos animais de Bodø, conhecida na Noruega como Dyrebeskyttelsen. Lars e eu havíamos há tempos nos voluntariado pra ser lar temporário de gatos, já que a entidade não possui ainda um abrigo próprio. Eles ainda estavam desetruturados, por isso não nos deram retorno por muito tempo. Mas no comeco desse ano eles conseguir acertar todos os detalhes, entao antes de Estocolmo vieram aqui em casa pra assinar um contrato. E alguns dias depois ligaram pra avisar que havia um gato sem lar.

Na segunda em que eu estava em Trondheim, Kjell Nusse, o gatucho que já veio pra nós com esse nome escabroso (onde já se viu dar nome de gente pra bicho? No Pantanal isso era a moooorte. A menos que seja um nome menos comum... Enfim...), chegou em casa. Lars sozinho, e nós sem ter certeza se Lars era aleérgico a gatos ou não. O gato estava tomando antibióticos porque estava sendo tratado de uma infeccao na patinha. Kjell Nusse foi encontrado na rua e depois de meses, recolhido por uma vovó. Ela não deu conta de cuidá-lo, e aí entramos nós.

Kjell está conosco há três semanas, já nos conquistou - especialmente ao Lars, que era meio avesso a gatos. Ontem foi ao veterinário ser castrado, vacinado e microchipado. O Dyrebeskyttelsen desistiu de procurar por seus donos, e hoje recebi um telefonema de que há já uma pessoa interessada em adotá-lo. Vai ser triste deixá-lo ir, mas o sentimento de dever cumprido fala mais alto, e depois dele poderemos fazer o mesmo por muitos outros gatos.

Porque minha resolucao de ano novo era deixar de apenas falar, e comecar a fazer algo pelos outros. Passei a contribuir com a Unicef mensalmente, e abrigando os prestamos um grande servico aos bichinhos abandonados ou perdidos. Ficam umas fotas de Kjell...



A mesa da cozinha, o escritório e o banheiro são dele! Tirei a toalha de mesa e tentei de tudo, mas é o local mais alto da casa...