Estou aqui sentada no nosso pseudo-escritório em casa, dividindo minha atenção entre ler as baboseiras do Facebook, fazer pedido de hortifruti pro hotel pra amanhã e observar o gatôncio suspirando no cochilo depois de uma sessão escova com o Lars. Então resolvi baixar o Facebook no Android (troquei de telefone OUTRA VEZ depois de perder outro num acidente envolvendo água, muita água) e pra isso precisava reconfigurar minha conta no Google. Daí meio que lembrei que eu tinha um blog.
Desde o falecimento parcial do meu laptop, tenho compartilhado o do Lars. E não é a mesma coisa. Além de tudo, ando tão entretida com a vida real que meio que perdeu a graça ficar vivendo a virtual. Pra completar, por algum motivo que eu não lembro exatamente, troquei a senha do Google e deepois esqueci, por estar usando pouco. Por isso o blog ficou às moscas, sem comentários publicados (ou mesmo moderados). Hoje sentei pra botar as coisas no lugar e achei por bem fazê-lo por aqui também.
Na verdade, eu fiquei bem com vontade de fechar o blog. Porque ando sem tempo pra ele, e as coisas não são mais como antigamente, naqueles dias de nada pra fazer. Vejo um monte de gente se desculpando por falta de tempo pra atualizar o blog e tals. Mas o tempo escasseia de verdade, quem disse que a gente lembra que tem blog???
Daí que quando a gente finalmente abre o tal blog e vai publicar os comentários, percebe que metade deles são de gente que vai mudar/viajar pra Noruega e quer ajuda com informações... Mesmo com o link dizendo que eu não ajudo. Porque não tenho saco e muito menos tempo. Ora bolas, ninguém me ajudou horrores quando vim pra cá, liguei pros lugares, li todos os sites, pedi ajuda do Lars pra traduzir as coisas (ou da professora de norueguês em São Paulo), e fui atrás. Naquela época, nem havia tantos blogs de brasileiras vivendo por aqui. As comunidades do Orkut eram uns ninhos de cobra. Mas mesmo assim eu achei tudo e cheguei aqui na cara e coragem. A Internet torna as pessoas folgadonas, porque ao invés de correr atrás da informação, já sai correndo perguntado pro primeiro bloguinho que aparece. E quando chegar aqui, #comofaz? É preciso aprender a se virar.
Meus posts já foram escritos com todas as informações necessárias pra que o povo possa ter um degrauzinho inicial, e os posts de viagem dão links de hotel, atrações visitadas e tudo. Acreditam que tem gente que escreve "Oi, vou viajar pra Noruega em _______ e gostaria que você me escrevesse pra me dar informações. Meu e-mail é.......". Pode? Alguma vez eu disse que sou agente de viagem/guia de turismo? Por isso agora mudei o link ali em cima pra PERGUNTAS FREQUENTES, porque acho que a maioria não entende FAQ (e nem deveria, na verdade, porque não é português. Eu removi minha pequena gafe/cafonice e troquei pro portuga bem claro). Será que agora eu me livro?
E, acidez à parte, tem gente que escreve agradecendo porque leu tal post e seguiu a diga de hotel/documentos, etc, e deu tudo certo. Tá vendo como tem gente que consegue?
Mudando de assunto, nos últimos 5 meses (desde a última postagem), nada de novo por aqui. Continuo trabalhado pacas, mas adoro o que faço, acredito na empresa pra qual trabalho, e finalmente me livrei 100% do fantasma da minha ex-chefe (que ainda trabalha no hotel, agora como recepcionista, portanto não tem nada conosco). Minha equipe, composta de 2 filipinas, 1 nigeriano, 2 iranianos, 1 eslovaco, 1 belizenha (essa eu tive que olhar no Google, rsrs), 1 iraquiana (curda, na verdade, mas foi pro Iraque no verão por causa de uma morte na família), 1 norueguesa e eu, nunca foi tão eficiente, trabalhadora e confiável. A porcentagem de ausência por doença no meu departamento hoje é cerca de 2/3 inferior ao que era nos anos anteriores. Moral da história - estrangeiros são mais comprometidos com o trabalho que os nativos. Um norueguês em geral tem uma dorzinha no branco dos olhos e fica 3, 4 dias em casa, enquanto o estrangeiro toma uma aspirina e vai trabalhar. Não que os noruegueses sejam assim folgadões, mas o sistema social ajuda neguinho a ser menos comprometido, pois sabe que se ficar em casa ninguém pode fazer nada, e a empresa ainda tem que pagar o sujeito e se virar pra substituí-lo. Já em outros países menos "desenvolvidos", neguinho falta mais de um dia e nem precisa se dar ao trabalho de voltar. Sistemas diferentes.
O verão esse ano está assim meia boca, mas aqui ao norte não chove como tem chovido lá pra baixo. Então tem dado pra aproveitar a varanda, a rede brasileira, fazer um monte de churrasco, trabalhar no jardim, e todas as coisas que se faz em massa e coletivamente no verão ártico.. Os locais vão pro jardim com roupitchas pequeninas (mesmo que e temperatura esteja em torno dos 16 graus) expor suas peles de bicho da goiaba ao sol. Incluo-me nessa. Nada como botar as canelas de fora depois de um inverno de botas, ceroulas e meiões de lã!
Fora isso, nossa vida mudou bastante depois da chegada do gatão. Mas é impagável chegar em casa e ter essa figura sentadinha na porta esperando a gente. E Lars, que nem podia falar em gatos, nem parece o mesmo. Um bichinho muda toda a perspectiva. Kjellemann vai conosco pro chalé (chora o caminho todo na gaiolona dele), se diverte horrores, na hora de vir embora ele entra no gaiolão e espera ser colocado no carro. Uma figura.
Pra teminar, muitas horas passadas na cozinha, fazendo montes de comida fresca e deliciosa depois que passamos a assinar uma cesta orgânica. A cada duas semanas, recebo na porta de casa uma cesta com frutas/verduras e batatas. Tudo orgânico, fresco, cheiroso e gostoso. Nossas visitas ao mercado dimunuíram bastante. Passamos a comprar peixe fresco na peixaria e congelar porcionado. Gastamos cerca de 20% a menos com comida a cada mês, e comemos muito melhor, sem agortóxicos e outras melecas. Também recomendo muito, faz bem pro seu corpo e faz bem pra saúde da agricultura familiar - ao menos por aqui.
Por hora é só. Não sei quando volto por aqui... Mas se houver algo fabuloso pra contar, prometo que apareço!
