sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Sexta-feira ambiental - Updated

Das soluções possíveis para o material mais nocivo que existe, e mais durável também, como me contou Alan Weisman em seu livro "The World Without Us", aqui está uma, sendo desenvolvida por um pessoal do País de Gales...



Outro cara que tem me contado várias coisas interessantes através de sua coluna semanal é o Efraim Rodrigues. Mandei um e-mail a ele pedindo permissão pra reproduzir a coluna aqui, já que tá duro achar links pra ela. Se ele responder - e permitir - posto aqui logo mais, neste mesmo post. Update - ele respondeu e permitiu... Lá vai...

Sem sair de casa



O corretor de imóveis vende a imagem que você passará a ser ecológico se viver fora da cidade. Vai acordar com os passarinhos, terá árvores em seu jardim. Aliás, carneiros e cabras pastarão solenes nele.

Mesmo que tudo aconteça assim, seu impacto ambiental será muito maior em um terreno grande do que em um apartamento na cidade.

Pense grande, pense no número 6.805.000.000. Esta é a quantidade de pessoas no mundo hoje. Pegue a área de seu paraíso ecológico, 500 m2 ou 1000 m2, multiplique por este número e veja o que seria do mundo se todos dispusessem desta área. Mas a coisa não para aí. O “paraíso ecológico” exige usar o carro para tudo. Acabou o fósforo ! carro. Estou sem sal ! carro. Escola, aula de balé, cinema a noite. Carro, carro e carro.

O prejuízo não é só ambiental. É também psicológico. Ao vestir esta neo-armadura de metal, vidro e plástico nos tornamos estrangeiros em nosso próprio mundo. Não conhecemos o vizinho porque nunca passamos andando na porta da casa dele, quando ele também estaria saindo a pé.

Há urbanistas estudando isto. O arquiteto Peter Calthorpe criou o conceito de “andabilidade” a partir da sua experiência em uma casa-barco em Sausalito, Califórnia (Calthorpe é também especialista em causar inveja em pobres mortais como eu).

Os leitores assíduos desta coluna irão lembrar-se do Shopping Center no meio do nada que virou um centro comercial para onde vão milhares de carros de manhã e saem todos a noite. Ninguém vive lá. Tyson’s Corner tem andabilidade zero. É o lugar que só existe por causa do carro. Tyson’s Corner tem mais lugares para carros que empregos.

Há alguns anos, mencionei este problema e recebi um telefonema de um importante jornalista que mora em uma chácara, cria porcos e faz até a própria lingüiça. É muito bom consumir produtos locais, que viajaram menos e com isto consumiram menos recursos. É igualmente bom dar os restos de comida para animais. No entanto, se formos todos morar em chácaras, precisaríamos de um outro país para elas.

E vivendo em cidades, como fazem hoje 70% dos brasileiros, precisaremos de cidades melhores. A agricultura deve entrar cidade adentro, produzindo aquilo que estraga rápido e é mais caro, hortaliças principalmente. Estas hortaliças estariam muito bem se fossem nutridas com restos de alimentos compostados e humificados, fechando um ciclo de matéria e melhorando as cidades.

Voce não precisa mudar-se para reduzir sua pegada ecológica. Ao contrário, há muito a fazer dentro de nossas próprias cidades.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Nos fins de semana ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva.
Veja colunas anteriores em http://www.efraim.com.br/Blog/Blogger.aspx

E a sempre relevante Lúcia Malla, em sua Sexta Sub de hoje, linka uma matéria da Revista New Scientist. Vale a pena ler o post dela e a matéria. E se a Lúcia tem esperanças de que mudanças são possíveis, então eu também tenho. Segundo a Lúcia, fazendo a nossa parte cada um contribui. E meu amigo Daniel sempre fazendo a dele...

Como colocou a Daniela no post sobre as pérolas do Enen (seria hilário se não fosse trágico), o que nos mostra (se são verdadeiras as frases selecionadas), o tamanho grau de ignorância sobre um assunto tão martelado hoje em dia, o aquecimento global. O que me prova que educar é fundamental, então tô aqui sempre tentando fazer o meu pouqinho, né?

E porque é Sexta, pra terminar com música, uma outra bandinha que ouço muito há muitos anos, e de quem tenho TODOS os Cds já lançados, o Jamiroquai. De seu álbum de estréia, Emergency on Planet Earth, de 1993, saiu o single "When you gonna learn?". Talvez tenha sido a primeira banda a tocar no assunto meio-ambiente tão descaradamente. E eu, na época fazendo faculdade, vivia grudada na MTV e assistia emocionada ao clipe. Em 96, fui a um show deles em São Paulo, se não me engano no Via Funchal, com minha amiga Ana Paula... Os caras são fanomenais ao vivo também. Desculpem pela versão meio low definition, mas foi a única que achei.



When you gonna learn? by Jamiroquai

Yeah, yeah
Have you heard the news today?
People right across the world are pledging they will play the game
Victims of a modern world, circumstance has brought us here,
Armaggedon's come too near, too too near now
Foresight is only key to save our children's destiny
The consequences are so grave, so so grave now,
The hipocrites we are their slaves
So my friend to stop the end on each other we depend, oh we depend

Mountain high and river deep
Stop it going on,
We gotta wake this world up from its sleep,
Oh People, stop it going on

Yeah, yeah,
Have you heard the news today?
Money's on the menu in my favorite restaurant,
Well don't talk about quantity, 'cause there's no fish left in the sea
Greedy men been killing all the life there ever was,
and you better play it nature's way, or she will take it all away,
And don't try tell me you know more than her 'bout right from wrong,
Oh, you've upset the balance man, done the only thing you can,
Now my life is in your hands.......

Mountain high and river deep, oh yeah, we gotta stop it going on,
We gotta wake this world up from its sleep,
Oh people, stop it going on

Oh, ohoh hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey.
Oh hoho hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey, heyyyyy.
x(2]

Mountain high and river deep yeah, we've gotta stop it going on,
We gotta wake this world up from its sleep,
Oh people, stop it going on
Greedy men will fade away, yeah yeah,
When we stop it going on,
I know it's got to be that way, when people, stop it going on!
I'm asking,
Oh, when you gonna learn, to stop it going on?
Now, when you gonna learn, to stop it going on?
Now, when you gonna learn, to stop it going on?
Oh. When. You. Gonna. Learn. To. Stop. It. Going. On?

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Nós e os homens de uniforme

Se você não faz parte do time que acha bacanérrimo um homem - ou mulher - de uniforme (polícia, bombeiro, militar, etc), e por bacanérrimo leia sexy, então não leia este post...

Alguém aí deve se lembrar do dia em que um homem tentou entrar na minha casa... E o policial que veio em meu socorro era tão bonito que eu quase caí dura... Pois é, Lars que me perdoe, mas eu sou daquelas que não resistem a um uniforme. Aliás, Lars usava uniforme de oficial no navio, o que chamava ainda mais a atenção, rsrsrs...

Então, só pra ilustrar que (quase) todos nós temos um pouco de Sex and the City dentro de nós... Outro dia tivemos um exercício de evacuação de incêndio no hotel. Os bombeiros vieram e tudo. Bombeiros vikings, se é que vocês me entendem. As camareiras - a maioria solteira - não conseguiam segurar os risinhos, eu rolei de rir. Também espiei, claro, pois jegue amarrado também pode espiar o matinho, não pode?

Pois é. Ainda por cima, Bodø é uma cidade Top Gun (por causa da base aérea ser a mais importante da Defesa norueguesa, desde a II Guerra; pela proximidade com a fronteira da Rússia; e por causa da Otan), e aviadores, pilotos, sei lá, do mundo todo vem treinar vôo em F-15, 16, sei lá também, aqui. Então o hotel vive tendo grupos de militares com aqueles uniforminhos camuflados de verde. Aliás, aqui é tão comum que até no supermercado eles circulam.

Mas hoje, dia feio, nojento, fomos arrancadas das nossas rotinas por uma situação inusitada. Tipo, ontem, quando saí do trabalho, o número de hóspedes previstos pro café da manhã era de 64, ou seja, manhã tranquila. Hoje, depois de percorrer as 8 quadras sob -12 graus, com neve caindo daquele jeito, por todos os lados, chego no hotel e vejo que o número havia subido pra 94. WTF???, me perguntei, e eu mesma respondi que deveria ter havido algum vôo que não saiu ontem à noite pelo mau tempo.

Minha chefe chegou lá pelas 8. Até aí, nada de anormal. Lá pelas 8 e pouco, eles foram chegando, em pequenos grupos, pra tomar café. Os Royal Marine Commandos, de uniforminho azul, a maioria na faixa dos 20 e poucos - 30 e poucos. E aos poucos a mulherada do hotel começou a vir circular pelo restaurante e cozinha... Minha chefe falava "Tô passando mal, tanto homem bonito...". Eu ria - mas também fui dar váááááárias espiadas. Meu bufê nunca esteve tão bem cuidado!

Nessa época do ano, eles em geral vem pra um Centro de Operações no Ártico fazer um treinamento sob condiçõs frias (gelo e neve) ao norte daqui. Não haviam feito reserva, chegaram do nada, e, depois de bem alimentados e quentinhos, se foram da mesma forma que chegaram. Masprovavelmente nem desconfiam que deixaramum mulherio suspiroso pra trás. Depois que eles partiram, ainda ficaram nas nossas conversas durantes os coffee breaks... Ah, como eu queria ter tirado umas fotinhos - dos moços bonitos, e das caras das camareiras!

IMAGEM DAQUI. Pra ver mais fotas, cique na imagem. E pra terminar, cena tristíssima do filme "Taking Chance". Mas os uniformes....


terça-feira, fevereiro 23, 2010

Acertaram em cheio - comentários comentados

Vocês, meus comentaristas e companheiros de geleira, acertaram em cheio, todos... É o inverno. Cheeeeegaaaaaaa, que já encheu o saco. Por isso os norugas tiram férias em fevereiro!

Como disse o Léo, a gente acaba postando porque vira vício - essa é a sina do blogueiro, né?

Mas fico feliz em saber que tenho mais coisas em comum com meus amigos virtuais e invisíveis do que sonha a filosofia. Xarazinha ama o Amyr e Sonildes leu Shackleton, não é incrível? Por isso dá vontade de bater um papo de boteco (no boteco mesmo) com cada um destes visitantes que eu também visito... Renatinha diz que lê meus arquivos, que mulher de paciência, meldeus... Porque esse blog bem ou mal conta 10 anos da minha vida. Quer dizer, conta, tem pesadelo, divaga, ouve música, assiste filme, etcetera e tals.

Sonildes, você tem razão quando fala que tudo tem a ver com a minha perda, Mas às vezes nem eu me dou conta. Então vou buscando significados. Tô achando alguns, viu? E esse convite será aceito sim - de preferência no verão. Sempre tem um final de semana em que ser feliz é possível pra mim. Usarei um deles pra ir a Malmo.

A Lu também tem achado a Internet chata, mas concluo então que estamos chatas nós, por causa desse frio maldito que invade nossas entranhas sem que percebamos. Carolina garante que melhora, então acredito nela.

Hoje, além de chata tô cega, pois deixei meus zóios na ótica pra trocar as lentes. Tudo isso pra poder dirigir aqui nesse inferno de geleira. Então as visitas aos respectivos blogs ficarão adiadas. Hoje num consigo nem ver tv direito, e é diade episódio duplo de "Weeds", buáááááá'.

Acreditam que quando cheguei no hotel hoje cedo tinha gelinho nas minhas pestanas? Que nem em filme de esquimó...

Pra quebrar o gelo, quem, quem, quem??? Fazia tempo que eles não davam uma palinha aqui. O título da música é bem pertinente. A letra também...


segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Pra quando tudo fica chato...

Tô numa daquelas fases de pouco saco com a Internet... Tá duro eu achar relevância nas coisas nesses dias, mas no fundo deve ser porque tô chata. Quero ler sobre as coisas que me interessam, quero assistir coisas que me interessam. Correndo pra ver os filmes do Oscar antes do Oscar - e em fase pré-Oscar, se não for filme indicado, esqueça. Senão nem perco tempo. Sou chata assim. Tenho meus sistemas.

Tô ensaiando pra falar sobre o livro que terminei de ler (foi um parto! - mas pra quem levanta às 5 da matina, duas pagininhas por noite já fazem meus olhinhos quererem férias...), "The World Without Us". Mas as conclusões tiradas após essa leitura são hiper-ultra polêmicas, e de polêmica num tô afim agora, porque sempre tem um dono-da-verdade que vem encher o saco. E tô sem saco pra gente assim.

E comecei a ler o livro sobre o Ernest Shackleton e sua expedição à bordo do Endurance em 1914. Pra quem não sabe, ele foi o comandante de uma expedição à Antártica (seria a primeira a cruzar o Continente Antártico à pé), que infelizemente falhou porque ficaram presos no gelo. O navio foi destruído, os homens ficaram à deriva 10 meses no mar congelado, mais 5 meses em Elephant Island, mas Shackleton não perdeu UM homem sequer. Interessantíssimo, e quem me influenciou a ler esse livro foi um dos meus ídolos, Amyr Klink.

Quando tinha 13 anos, li o livro "Cem Dias Entre Céu e Mar". O doido atravessou o Atlântico a remo, lembram-se disso? Naquela época meu pai foi entrevistar o Amyr, e me levou junto. Depois de ter lido o relato tão emocionado, emocionante, e de ter tentado me colocar no lugar dele, vê-lo na frente e reconhecê-lo um ser humano tão comum só fez crescer minha admiração por ele.

Agora, o documentário "Mar Sem Fim" fala direto no meu coração... Já postei há tempos sobre isso aqui. Pra quem não viu esse documentário sobre um verdadeiro herói brasileiro, dá pra ver no Youtube, e vale a pena... Cada palavrinha que sai da boca dele me move, pois somos muito parecidos - o mar, o pé no mundo... Ele é apenas um pouco mais ousado! rsrsrs Nesse primeiro vídeo, a primeira parte, ele começa a falar do Shackleton lá pelos 7:15 minutos. Pra ver o resto (em 6 partes) é só seguir no Youtube.



Amyr é um sopro de ar fresco, sempre. Ainda por cima tem um senso de humor fenomenal... E me faz bem conhecer uma das história que o inspirou. E, tentando me inspirar na "capacidade do Shackleton de administrar o desespero interior de cada um dos seus homens" (palavras do Amyr), vou aqui, administrando meu desespero me focando nas coisas que tem relevância pra mim - e apenas pra mim!

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Recordar também é morrer de vergonha pelas escolhas passadas

O Léo, do freezer vizinho, a Finlândia, me fez cavar umas coisas antigas da minha vida que eu prefiro deixar engavetadas... Mas ele chamou a atenção para o blog da Jarid. E eu fui lá ler sobre o que se tratava. Pra quem não sabe, a Jarid é uma brazuca casada com um indiano sikh (os de turbante). Então, pra quem não vai ter saco de ir lá xeretar, eu resumo...

Jarid recebeu um pedido de ajuda via Internet, em nome de uma brasileira que havia largado tudo pra ir atrás de seu amor indiano que conheceu na net. A sogra até tinha falado com ela via webcam, e ela partiu com poucos dólares no bolso (erro número 1) e sem falar nem inglês (erro número 2). Quer dizer, tudo errado, mas existem váááááários casos assim. Aqui na Noruega, na Índia, nos States, seja onde for. E, como "se a esmola é grande o Santo desconfia", as recepções nem sempre são como esperadas. No caso dessa brasileira, o indiano era casado com dois filhos... Nem quero ir muito mais além (quem quiser, vá ler no blog da Jarid), mas no fim que a moça estava sendo envenenada...

Me parece que muita gente suspeitou da história. Eu empatizei na hora, nem por um minuto eu imagino que seja mentira. Porque isso acontece por lá aos montes. Os indianos são complicados, a cultura deles é muito diferente da nossa, e é preciso compreender e aprender MUITO antes de se envolver com um. Os valores são distintos, sabe? Em muitos aspectos acho que a Índia ainda tem bastante da novela de Glória Perez. Mas pior!

Aconteceu comigo entre 1999 e 2001. Namorei um indiano. Se você um dia chegou a ler os imensos arquivos deste blog saberá. Se não, eu facilito... Começa aqui, e então aqui, depois aqui, aqui , e o último, aqui. Resumo do meu Caminho das Índias particular: namorei o indiano no navio, indiano foi demitido por bebedeira durante o cruzeiro de travessia pro Brasil, onde minha família nos esperava no Rio no Natal. Naquelas férias (2001) resolvi ir pra Índia. No começo foi tudo tranquilo, a irmã dele ia se casar e eu fui pro casamento. E foi aí que deixei de narrar a história.

Mas o fim dela é assim...Depois do casamento, quando a irmã foi morar com o marido dela, a sogra mudou de anjo pra bruxa de vassoura. Não me fazia nada fisicamente, mas gritava conosco o dia todo. Parece que o medo dela era que eu roubasse o filho dela. Viúvas, na Índia, não podem fazer nada, tem "pouca serventia", digamos assim. Um horror, mas a cultura é deles, não minha!

Então voltei pro Brasil e resolvemos (na verdade eu resolvi porque resolvi e meus pobres pais, apesar de contrariados, não fizeram nada além de apoiar, ajudar, aceitar...) trazer o indiano pro Brasil. Lá se foi o indiano pra Delhi pegar o visto... O visto foi recusado, eu até liguei na Embaixada... Então tentamos de todo o jeito trazer o indiano, e não teve jeito. O plano então foi voltarmos a trabalhar em navios, cada um a partir de seu país. Eu arrumei em poucos meses um agente, e embarquei em menos de duas semanas (foi assim que eu fui parar na Carnival...). Quando embarquei, recebi um e-mail do indiano dizendo que ele ia pra um navio da Princess... :0 O que???? E fiquei com esse o que no ar, pois foi aquele o último e-mail que recebi do indiano. Nunca mais.

Então mandei a Carnival à merda e voltei pro Brasil. Fui fazer muita terapia pra digerir tudo o que havia acontecido comigo, e digerir a própria Índia! Um ano depois, recebo um e-mail, pedindo desculpas, e pedindo pra voltar :O O que??????? Apaguei o e-mail, aquilo já era passado e a fila já tinha andado!

E num belo Domingo de verão, quente pra burro, estava eu trabalhando lá no Pantanal, quando meu pai me liga pra contar que o indiano tinha ligado e meu pai tinha dado o telefone do hotel. Minutos depois, o indiano liga e chora e diz que ama e o escambau a quatro. Ouviu tanto palavrão que nem eu sabia que meu repertório em inglês era tão vasto... E então ele disse que a família o havia obrigado a desistir de mim, bla, bla, bla. (Bem, hoje, pensando bem, abençoada sogra-bruxa, porque se ela tivesse sido permissiva, sabe-lá-deus onde eu estaria hoje - E VCS NESTE MOMENTO NÃO PODEM IMAGINAR O DESCONFORTO QUE ESSE PENSAMENTO ME CAUSA).

Enfim, moral da história... Conhecendo o cara pessoalmente por mais de um ano, indo pra Índia pessoalmente pra ver onde eu tava pensando em amarrar meu jegue, não foi suficiente pra evitar o estrago, imagina largar tudo, pular num avião e chegar numa terra doida sem falar nenhuma língua que eles entendam? Meu inglês já era fluente, eu fui com grana e cartão de crédito pra emergências e passagem de volta comprada. Num dá nem pra cogitar circunstância diferente! Ou dá? Se você acha que dá, então vá lá na Jarid ler o que aconteceu com a moça!

O pior é que ouvi (li) dizer que esses casos tem sido cada vez mais comuns por causa do Orkut (maiores países usuários: Brasil e Índia!). Por isso, todo o cuidado é pouco. Love stories de internet existem e dão certo sim (tenho leitoras que me confirmam, né?). Mas não é sempre. Ainda mais quando as diferenças culturais vão muito além das novelas da Globo...

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(Notaram meus asteriscos pra mudar de assunto?)

Ontem assisti ao filme Sharkwater. Chorei de desgosto. É um documentário sobre a matança de tubarões no mundo, por causa do hábito asiático de consumir a tal sopa de barbatana escabrosa. Ficom aqui me perguntando porque o Homem acha pode andar nesse planeta decidindo quem vive e quem morre no mundo animal... Quando o que dá mesmo é vontade de matar os chefões da indústria de barbatana, ou da indústria de carne de baleia (fácil, já tô na Noruega mesmo, agora é só achar os caras!)por exemplo. Sem eles, o mundo não perderia NADA, absolutamente NADA.

Enfim... O produtor/escritor/diretor/cinegrafista do filme, Rob Stewart, passou uns tempos com Paul Watson e os Seas Sheperds, de quem também já falei aqui. Foi ótimo ter outra perspectiva do trabalho do Watson, um ambientalista renegado pelos outros mais "certinhos". Na verdade, ele é o cara que não tem medo de ir lá peitar as máfias que pescam em territórios onde não existem leis nem regulamentações. O mundo precisa de mais gente assim, e fod**-se os críticos. Oficialmente, Paul Watson entrou pro meu hall da fama de ídolos - um dia falo sobre eles...

Pra quem não viu o filme, vale a pena correr atrás. Acho que já tem em DVD. (Ou me mandem comentário com o e-mail e eu mando a mágica, rsrsrs)

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Fim de semana de folga, iríamos para o chalé, mesmo sabendo que a previsão do tempo é de muito frio... Mas Lars se acidentou hoje no trabalho (nada grave, mas poderia ter esmagado o dedo de verdade... Tá inchadão, coitadinho!). Então, vamos ficar em casa, assistindo uns filminhos e tomando uns traguinhos...
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quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Nothing is pure anymore but solitude

Então, eu não poderia seguir em frente sem dividir isso com vocês (ou, na verdade, pra extravasar, desopilar, falar sobre isso pra ver se a fixação desaparece!). Mas antes de seguir, queria dizer três coisas: 1) Obrigada por reaparecerem, meus comentaristas. Eu não fiz draminha não, mas é bom ter com quer dividir as coisas, né? 2) Justamente eu, chorando que os comentaristas desapareceram, não tenho comentado muito nos bloguinhos alheios. Não que não visite, pois é rotina diária. É que os dias tem sido preguiçosos, o coração tá cheio de sentimentos que não podem ser traduzidos em palavras, e preciso por ordem. Na casa, nos pensamentos, na rotina... então você, querido leitor que escreve me pedindo dicas/conselhos, não se chateie se eu não responder. É que tá duro manter os posts, imagina responder tudo... É melhor funcionar na base do pergunta-o-queres-saber-que-eu-respondo, eu acho. 3) Obrigadíssima a todos que me desejaram feliz aniversário. Tava lá em lovely Trondheim, e de lá não deu pra responder. E na volta precisava postar sobre a viagem senão virava história velha!

Agora vamos lá! Ao assunto deste post... Ando me perguntando o que tem nessa água escandinava-viking, que estes países quando resolvem produzir músicos pródigos o fazem com todas as forças? Na verdade, "incluo fora" (rsrsrs) dessa lista a Suécia, Islândia e Finlândia porque não conheço ídolos musicais de lá que balancem a minha estrutura como os rapazes das bandas de três letras e três membros da Noruega e Dinamarca (se a ficha ainda não caiu: a-ha e Mew!).

Da tara pelo a-ha tá todo mundo careca de saber. Pelo Mew, menos. Eles tiveram participações coadjuvantes por aqui... Só que agora, depois de ouvir a melodia mágica deles ao vivo, com as animações hipnotizantes e alucinadas (criadas pelo Jonas Bjerre para cada música, porque ele é hiper-ultra-mega tímido no palco) fiquei doida... O iPod tá feliz porque tirou umas férias do a-ha...

Assim como os "rapazes" do a-ha, se conheceram na escola e descobriram o interesse pela música ao fazer um filme pra um trabalho. Estão juntos há mais de 15 anos, fazendo música difícil de ser classificada pela imprensa musical. Às vezes chamam a música deles de "artsy-pop" (algo como pop-artístico), às vezes de prog-rock (rock progressivo), e por aí afora. O que sei é que eles soam como nada que eu ouvi anteriormente, e tocam nas minhas entranhas. Dos cinco álbuns, não há NENHUMA música chata! Até o a-ha manchou sua história com os dois lixos "Touchy!" e "You are the one", além do fraquinho álbum Memorial Beach. O Mew ainda não fez isso.

5 anos se passaram entre o lançamento de "And the glass handed kites" e o novo "No more stories....". Mas a música antiga é fresca e atual, e a nova, quase futurista, quebrando a barreira da normalidade. Quem ouve (ouve mesmo, com ouvidos que interpretam) a música "Introducing Palace Players" (que eu já reproduzi aqui) entende.

Mas a primeira música que ouvi deles foi "Apocalypso"(fui fuçar pra ver quem era o cara que tinha uma banda paralela com o Mags do a-ha e o Guy Berryman do Coldplay, e foi por causa do Apparatjik que eu conheci o Mew, apenas ano passado) e me apaixonei na hora... Fui atrás e fui amando cada música. As guitarras, a melodia, a voz do Jonas, as letras tão doidas que às vezes nem fazem tanto sentido... E foi assim, de supetão.

Quero dividir uma música que - sem brincadeira - me traz às lágrimas a cada vez que ouço... Infelizmente não a executaram em Trondheim, mas já tô de zóio. No verão eles vem pra Tromsø, e lá vou eu fazer mais um tour musical pela Noruega!

A música chama "Comforting Sounds" (sons reconfortantes) e foi lançada originalmente no álbum Half the World is Watching Me, de 2000. A letra é fabulosa ( a frase que dá título ao post é dela, e a tradução - pra quem num fala ingrêis - é mais ou menos "Nada mais é puro além da solidão". Impactou?). Leia o resto, e ao ouvir, preste atenção, com o som altinho. Esse clipe faz parte do DVD Live in Copenhagen. Olha a iluminação... Olha como o Bo toca a guitarra dele... Olha como o Jonas canta e depois pega a guitarra dele e dá seus gritinhos... Olha como Dr toca os teclados. agudinhos e fininhos e delicados.. O baixista... Parecem todos em êxtase. Mas as lágrimas caem dos meus olhos no minuto 4:29, quando Silas entra com a bateria, e a partir daí não param... E eu quero gritar junto com Jonas... Toda santa vez - every, every single time! E acho que essa é uma das músicas mais melódicas e melancólicas que já ouvi na vida. Simplesmente fabulosa.




Comforting Sounds by Mew

I don't feel alright in spite of these comforting sounds you make
I don't feel alright because you make promises that you break
Into your house, why don't we share our solitude?
Nothing is pure anymore but solitude
It's hard to make sense, feels as if I'm sensing you through a lens
If someone else comes, I'd just sit here listening to the drums
Previously I never called it solitude
And probably you know all the dirty shows I've put on
Blunted and exhausted like anyone
Honestly I tried to avoid it
Honestly
Back when we were kids, we would always know when to stop
And now all the good kids are messing up
Nobody has gained or accomplished anything

Pior que escrever sobre tudo isso não diminuiu a fixação. Talvez só tenha cansado vossas belezas... Rsrsrsrsrs...

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Terminando o fim de semana passado...

Eita, que este terceiro post foi duro de sair... Acho que tô ficando chata porque o número de comentários tem diminuído bastante... E como todo blogueiro sabe, o comentário é o alimento do blog...

Enfim, pra matar o assunto e eu poder seguir falando de outras bobagens...
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Domingo, 14 de fevereiro

Deixamos o hotel cedo, e peregrinamos até o aeroporto. Foi duro deixar uma cidade tão mais excitante que nossa pra trás. Aliás, diria que se Oslo está para NY, Trondheim seria Boston, toda charmosa e cultural... Adorei, e quero voltar mooooooito lá!

Depois de 1 horinha, Bodø cobertinha de neve desponta no horizonte. Nevou enquanto estivemos fora.

Entramos em casa, foi o tempo de descarregar as fotos, fazer um rango-relâmpago e sair de novo pro show do Sivert Høyem. Sentamos no gargarejo, na segunda fila, tão perto do palco que era capaz que a cusparada do cantor ou o suor dele respingasse em nós! Mas assim que é bom ver show... Na Casa de Cultura de Bodø, um público de idade média bem acima dos 50 anos - totalmente deslocada. Sivert toca umas baladas, e o Madrugada (a banda antiga dele) tem várias baladas. Mas o som é mais pesado, e ele tem dois guitarristas ANIMAIS...

Ele fez piada o show todo sobre a audiênica sentadinha aplaudindo. Só no final, na saideira da saideira, Moon Landing, que dá nome ao último álbum, foi que a veiarada resolveu levantar e dar uma mexidinha no esqueleto... Show pequeno, umas 600 pessoas. Dilíça, virei fã, e o Lars que já amava o cara, passou a amar mais ainda.

Deixo aqui vídeos da mesma tour, em outros shows, graças ao Utúbio, pois na Casa de Cultura é proibido gravar show e o povo respeita. Consegui roubar umas fotitas, mas depois ponho, pois tão na memória da câmera (a anta aqui esqueceu o cartão de memória no computador...) e precisop achar o cabo, e agora num é hora disso...

Honey Bee


Moon Landing


Northwind - e saca a pooosta banda dele... O guitarrista de cartola é o bicho! Amei!

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Mew-adventure in Trondheim, parte 2: Catedral de Nidaros e arredores

Sábado, 13 de fevereiro


Acordamos sem pressa e tomamos um bom café da manhã. A primeira coisa que fizemos foi esgotar as compras. Voltamos na Traktøren, e eu comprei meus ramequins (8 por 300 coroas) e Lars comprou ainda 4 caixinhas de temperos e especiarias para carne de caça. De lá voltamos ao hotel pra deixar a sacola. Na frente do hotel havia uma linda loja de decoração, e achamos na vitrine um presente de dia das mães pra sogra (14 de fevereiro é Dia das Mães na Noruega).

Então ajeitamos as solas dos sapatos e as pusemos pra trabalhar. No caminho, uma faixa anuncia um centro de experiência aha! Já tava pensando que era, mas não era...


Caminhamos até a Catedral de Nidaros. Pra quem não conhece a história, ela começou a ser construída por volta de 1070, swob o local onde o Rei Olav Haraldsson foi enterrado. Após sua morte, foi santificado (é assim que fala?). Originalmente católica, a Catedral foi construída em estilo barroco, e sua construção levou cerca de 250 anos. O lindo blog My Little Norway tem um post em três partes sobre ela, em inglês, com fotos antigas e tudo.

Após a Reforma Protestante, passou a ser a catedral de Bispos Luteranos em Trondheim. É nessa Catedral que acontecem as coroações da Realeza norueguesa.

A catedral é belíssima... Pode ser comparada a todas as catedrais que visitei na Europa (Saint Estephan, em Viena; Mátyás-Templom em Budapeste; Basílica de São Marcos em Veneza, Notre-Dame em Paris, Sacre-Coeur em Paris; Catedral de São Vito em Praga), e se bobear ainda ganha de algumas. É tida esculpida em pedra-sabão, e por isso as paredes interiores tem inscrições de visitantes - ilegais, mas lá, marcadas...

Acendi uma velinha para meu pai, Lars acendeu outra pro pai dele, foi bem emocionante...

Fora da Catedral, nas instalações no Arcebispo, tem um museu com peças provenientes das escavações arqueológicas no local, bem interessante, e num outro prédio estão expostas as coroas da Noruega (abra o link pra visualizá-las no site oficial). Acho que nem em Versailles eu tinha visto coroas de verdade... Fotos são proibidíssimas. Ainda consegui contrabandear uma do manto real, mas das coroas nem pensar. Tem um guarda lá com elas o tempo todo.




Na saída tive que parar na lojinha e comprar dois pacotes de chás de ervas, produzidos ali mesmo... Da catedral fomos em direção à Old Town Bridge, uma ponte antiga que cruza o rio Nidelva. Ao cruzá-la, chega-se a uma parte da cidade chamada Bakklandet. Morro acima, está o Forte de Kristiansen, e uma vista fabulosa da cidade...

Vista a partir da ponte

Subindo o morro em direção ao forte, vista da Catedral

Na entrada do Forte

A antiga prisão no forte - resolvi fazer esta foto em P&B

As armas!

Vista do rio dividindo a cidade

Na descida do morro, vários momentos pitorescos... Como o Think!, carro elétrico de fabricação norueguesa (lembram da história do a-ha e dos carros elétricos na Noruega, né?), e o que deveria ser o futuro da indústria automobilística-sustentável, mas não é; e um Jack Russel sentado na janela da casa dele, assistindo ao movimento...

Depois dessa baita caminhada, ainda andamos um pouco mais, procurando um lugar especial para o happy hour deste sábado tão proveitoso. No caminho, uma coisa muito curiosa... Um banheiro público no meio da rua...

E, depois de muito andar, chegou a hora do happy hour, e acabamos parando no mesmo pub escocês de ontem, onde bandos de homens assistiam ao futebol inglês, apostavam em cavalos ou assistiam aos jogos das Olimpíadas de Inverno, que começaram esta sexta-feira em Vancouver.

Nada como uma boa Newcastle pra relaxar os pés!!!

Depois de duas cervejas, voltamos pro hotel, pra tomar banho e descansar os pés de verdade. Pra jantar, havíamos feito reserva num restaurante posh ali em Bakklandet, de cozinha asiática. Mas como o garçon nem pegou nosso telefone, desistimos. Porque eu queria muito, muito, muito ir ao restaurante familiar tailandês em frente ao hotel. E foi a melhor coisa que fizemos. Comemos pacas, bebemos, e gastamos menos do gastaríamos comendo o mesmo no restaurante posh. Além do que, foi uma das melhores comidas tailandesas que eu comi na vida... Simples e magnífica, quase explodi!

Com direito à degustação de cerveja tailandesa! Depois do jantar,demos um volta no quarteirão, apreciando o movimento e fazendo a digestão. E acabamos a noite no mesmo pub na frente do hotel. Mas dessa vez não ficamos até fechar... Deitamos antes da meia-noite!

domingo, fevereiro 14, 2010

Mew-adventure in Trondheim, parte 1: Presente de aniversário

Sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010.

Saímos de casa exatamente 35 minutos antes do vôo. Atrasou uns 25 minutos porque vinha de Tromsø. Depois de uma horinha, chegamos ao aeroporto de Trondheim, que fica num lugar loooonge pra burro chamado Værnes. De lá pro centro são uns 45 minutos de busão, a 90 coroas por pessoa! Um absurdo, mas bem mais barato que taxi.



De Bodø a Trondheim, o tempo tava quase igual...














Chegamos então ao Centro, e andamos uma quadra até o hotel, lindinho por sinal... Fica num edifício que foi uma padaria (bakeri, em norueguês) no fim do século 19. As paredes são forradas com fotos antigas contando a história do lugar. Ainda por cima bem localizado.


Depois de instalados saímos pra dar um rolê. A sogra havia me presenteado na quarta com uma plantinha suculenta linda, e mais 500 coroas pra comprar um presente pra mim. Então fomos dar uma sapeada nas lojas. Em Bodø não tem nada de loja além das de departamento. Então achei na Zara uma jaqueta pra chuva, bem primaveril, por 200 coroas. Tava em promoção porque era da coleção passada. Abocanhei, lógico. Depois andamos até um dos shoppings da região. Nesse, achei uma loja de utensílios de cozinha, daquelas de enlouquecer, chamada Traktøren. Depois de quase uma hora fuçando, achei uns ramequins de louça que vão ao forno, joguinhos de 4 por 150 coroas. Mas não levei, caso achasse alguma outra coisa.

E então já era hora do nosso happy hour, então paramos num pub escocês (mas os pubs na Europa, fora da Irlanda e UK, são todos iguais mesmo...). Tomamos uma Kilkeny e uma Guinnes (minhas cervejas irlandesas favoritas).

Então voltamos ao hotel pra banhão e jantar. Um bufê bem do furreca, com tacos mexicanos. Cá pra nós, o nosso bufê é melhor, por isso somos o melhor Clarion Collection da Escandinávia no quesito comida... Mas enfim, era incluso.

E então resolvemos sair cedo pra chegar no local do show, o Stundentersamfundet, cedo, pra ficar num lugar bom. Nem sei se preciso dizer, mas pelo nome deve dar pra concluir, que o local do show é um tipo de clube de estudantes... E só tinha estudante. Nos sentimos os próprios peixes-fora-d´água. Mas Mew é Mew, então não importou muito. Chegamos mais de uma hora antes do show, e foi um saco esperar até abrirem as portas. Mas quando abriram, conseguimos um lugar relativamente bom, sentados.

A abertura foi uma banda local chamada Taxi Taxi. Boazinha, só violões, as mocinhas cantando direitinho, mas não dava pra ouvir NADA. Primeiro, porque o som estava uma osta e eu fiquei logo torcendo pra que arrumassem o problema logo, senão o Mew ficaria prejudicado. Segundo, porque havia umas 1000 pessoas ali dentro falando ao mesmo tempo, fazendo a social, todos com cervejonas imensas nas mãos, inclusive aqueles que aparentavam ter menos de 18 anos (idade legal pra beber cerveja na Noruega).

Taxi Taxi acabou, e entraram os técnicos pra ajeitar o palco e testar o som. Levou uma boa meia-hora. Então, às 10:45 da noite Mew entra no palco. Um a um, começando a tocar seu instrumento, e por último o Jonas. A platéia veio abaixo... A pena é que eu não consegui fazer nenhum vídeo ou fotinha decente. É que o show deles é meio que feito propositalmente pra isso. A iluminação é sempre indireta,vem de baixo ou por trás deles, ou se é direta é colorida. Além disso, tem muita fumaça, e os vídeos projetados ao fundo o tempo todo. É a imagem Mew, construída por eles pra acompanhar a música. Tudo quase psicodélico.



Mas os caras tocam pra carvalho! Eu não esperava que fosse tão, tão, tão tão bom... Bo quase arrebentou as cordas da guitarra dele, e Silas detona a bateria. Muito energéticos. Jonas é bem quietinho no palco, quase não se mexe. Mas quando ele abre a boquinha, meldeus! E ele ainda por cima toca guitarra e piano no show. Quem sabe faz ao vivo, eu sempre digo...

Abaixo o set list, que consegui no site da Last.fm.
1. Snow Brigade
2. Hawaii
3. Introducing Palace Players
4. Repeaterbeater
5. Silas the Magic Car
6. Apocalypso
7. Saviours of Jazz Ballet
8. Bamse
9. (Uda Puda)
10. Beach
11. Am I Wry?
12. 156
13. Sometimes Life Isn't Easy
14. Tricks of The Trade (Additional Information: First time ever live)
15. Cartoons and Macramé Wounds
Encore:
16. Special
17. Zookeeper's Boy
Encore 2:
18. Louise Louisa

Pra ilustrar o astral do show, terei que colocar aqui um vídeo que achei no Youtube, já que os meus não ficaram bons. Esse trecho é Apocalypso e Bamse... E tem um urso holográfico que fala, bicho... Muito legal!



Aqui meus vídeos:

Special


Repeaterbeater


Aliás, Léo da Finlândia, tem um show deles em Tampere dia 16 agora! Se eu fosse você, eu ia! Não vai se arrepender!

Bom, saí do show extasiada. E aí era hora do happy hour. De novo! Andamos de volta pro hotel, e paramos num pub bem em frente ao hotel. Ficamos por lá até o bartender nos dar o aviso de fechamento, às 2:30 da manhã... Daí caminha, assim bem alegrinhos.

O resto fica pra depois...

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Post de aniversário

Pois é... Hoje fiquei mais velha (ou mais sábia?) de novo. É a 36a vez. Aqui um presentinho que minha irmã enviou - uma fotinho da festinha do meu 9o aniversário. Naquela festa, eu ganhei, entre outras coisas, um LP da Olivia Newton-John (eu AMAVA a figura!), umas bonequinhas com cheirinho de frutas da coleção Moranguinho, e a família e amiguinhos do lado.

Esse ano vai ficar faltando um pedaço... Mas as memórias estão bem vivas na cabeça.

Eu de azul, minha irmã de rosa, e Rita, amiguinha da irmã, com papi

Daqui a pouco embarcamos para Trondheim. Apesar do friozinho (aqui faz 3 graus negativos, mas Trondheim aparentemente sempre é mais fria) e da neve, tô ansiosa, pelo concerto do Mew (e ficar cara a cara com o Jonas Bjerre), e também por conhecer a cidade que parece que conheço tão bem pelos blogs da Britt, aí na listinha. Ela retrata a cidade dela com poesia, diariamente.

Voltamos Domingo e vamos então ao concerto do Sivert Høyem. E segundona voltamos à labuta.

E umas novidades que não tinha contado... Fim de semana passado, saímos pra dar uma espiada numa loja de móveis usados. Queria uma escrivaninha pro quarto de hóspedes. Custava 200 Kr (uns 70 reais) e tava caindo aos pedaços. Então fomos a uma loja de móveis na mesma quadra. Estão todas em liquidação - não sei porque. Lars se apaixonou por uma mesa de cozinha, alta, com duascadeiras altas - parece uma mesa de bar. Mas é confortável e economiza espaço. Compramos. Depois, nós dois nos apaixonamos por uma mesa de centro de madeira escura, pesada. O preço tava muito amigo. Compramos.

Depois fomos a outra loja de decoração. onde escolhi um tapete (Made in India, viva a globaização) de lã crua. Mais claro, pra ornar (acho essa palavra tão brega!!!) com as cortinas novas. Não foi barato, mas abocanhamos pela metade do preço. E ainda compramos uma espécia de cômoda com gavetas de juta para o vestíbulo.

Saímos de casa pra gastar 200kr, gastamos mais de 6 mil. Mas a casa tá ficando mais com cara de casa. Enchemos de plantas, e a sogra sacou o lance das plantas, e cada vez que ela vem, traz uma. Ganhei uma orquídea linda, branca com pintinhas roxas, e quarta ela trouxe um cacto de presente de aniversário.

Um dia posto fotos da casinha, quem sabe.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

E lá vem mais fota...

Acho que se fizesse sol em Nárnia - sim, o lance todo da neve e brancura é porque lá não tem sol, eu sei. Mas se fizesse, acho que seria assim...











Saí de casa hoje cedo com muita neve no coco e na fuça - por todos os lados. De acumular nos ombros, no capuz e até no peito do pé. Quando voltei pra casa, Nárnia estava ainda branquinha, mas com esse solão dourado. Todas as fotos foram feitas com a máquina tosca do celular, que tem 1,3 megapixels apenas. Imagina com a de verdade... Parei de levá-la na bolsa com medo que congelasse - o iPod congelou duas vezes...

O tempo está começando a ficar agradável, com a volta da luz! Que venha a primavera!!!

domingo, fevereiro 07, 2010

Mais dois filminhos

Sexta à noite foi a vez de "Precious" ("Preciosa" no Brasil). Filme pesado, especialmente depois de ter lido, no mesmo dia, um guest post da Lolíssima sobre abuso... Chega a ser difícil de acreditar que a história de Clareece Precious Jones (baseada numa história real, de uma moça chamada Sapphire) possaser verdadeira, e pior, que essa história seja tão, mas tão comuns em tantas vidas por esse planetinha afora...

É daquele tipo de filme em que, quando você acha que não tem como ficar pior, piora mais ainda, sabe? Sem muita esperança. Mas acho que contar a história dessa moça e de como ela finalmente conseguiu dar uma basta em sua vida de abusos já serve como um exemplo.

Ontem achei um post que o Zeca Camargo (que pra mim não é assim, uma Brastemp, em termos de referência pra NADA, mas que ao menos curte cinema a beça) havia escrito quando viu o filme em NY. Vale ler o post dele, até porque ele escreve sobre este filme e sobre "500 dias com ela".

Destaque para Mo'nique, que ganhou o Globo de Ouro como atriz coadjuvante por este filme, e que está nacorrida pelo Oscar (na minha reles opinião, com boas chances de ganhar). Ela está fabulosa. A iniciante Gabourey Sidibe, no papel de Precious, também está bem no papel - e na corrida pela estatueta - mas a Mo'nique ARRASA. Um doce pra quem reconhecer a Mariah Carey E o Lenny Kravitz no filme.

Não gosto de ficar contando filmes nem de me meter a crítica, como todos já sabem, mas fica aqui a sugestão. Vale a pena. Tô pagando pra ver quantos prêmios levam (são 6 indicações ao todo).



Ontem à noite foi a vez de "An Education" ("Educação" no Brasil). Escolhemos esse porque eu não tava afim de ver The Hurt Locker, e porque pelo trailer pareceu belo. É. Belo, belíssimo, mas um típico filme europeu. Mais lento, mais delicado. Carey Mulligan (no papel de Jenny) está muito bem, mas o Alfred Molina, que interpreta o pai de Jenny, rouba a cena. Trilha sonora bela, filme belo, história bela. Mas foi um filme que não me emocionou, nem de perto, o mesmo tanto que os outros até agora...

A ida ao cinema pra ver esse filme deve envolver um jantarzinho francês ou uma visita a um club de jazz depois da sessão... Também vale a pena assistir no telão.



Como hoje fui trampar e tivemos um dia cheíssimo, já estou pescando enquanto escrevo estas linhas. Então, televisão it is!


sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Porque clássicos são "forévis" & curtas

e deu vontade...



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Hoje estaria de folga. Chefe telefonou ontem e pediu ajuda, pois precisava ir ao dentista - no meio do expediente. Então fui trabalhar por 3 horinhas... Quando saí de casa, tropecei num casal de imigrantes sambando pela rua pra não pisar no gelo. Minutos adiante o mesmo casal - que havia me ultrapassado, com pressa - veio me pedir informação. Queriam saber onde era o posto de saúde, aquele onde imigrantes se apresentam pro teste de tuberculose. Ao invés de dar-lhes a informação, disse a eles que caminhassem comigo - eu passo lá todo dia. Fiz duas pessoas mais felizes hoje.

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Na volta do trabalho, sol baixo, mas ainda batendo no rosto. Desde que voltei do Brasil tem havido mais horas de sol por dia. Hoje, por exemplo, às 8:30 da manhã já tinha luz. Às duas da tarde ainda tem sol, acima do horizonte. Além da luz, os passarinhos também estão voltando. Fazia meses que nem via nem ouvia os bichinhos. Apenas aqueles tipos de corvo preto-e-branco, que são tipo os pombos daqui - ratos alados. Hoje, flagrei uma cena tão fenomenal que tive que parar e rir.

A duas quadras de casa, eu vinha por um lado da rua, e do outro, um menino e seu cão. O menino, uns 10 anos de idade. O cão, uma espécie de perdigueiro com cocker, algo assim. Passaram por um jardim de uma casa onde havia um bando IMENSO de passarinhos cantando feito loucos. Dessa vez, estava sem iPod (aprendi a lição!), e carregada de compras de mercado.

Bem, o cão, ao ver os passarinhos num arbustão, enlouqueceu e queria pular a cerca da casa. Só faltou apontar feito perdigueiro de desenho animado. Os passarinhos não se arretaram não, permaneceram ali na maior barulheira (sabe pardalzada no final da tarde brasileira? Igual...). Até que o menino tanto fez que espantou os passarinhos. Ao ver a nuvem de passarinhos revoar, o cão abanava o rabo, parecia que ia sair voando. E o menino notou que eu tinha parado pra olhar tudo aquilo e saiu disfarçando. E assim que ele e seu cão dobraram a esquina, a passarinhada voltou pro arbusto! Ah, uma tarde norueguesa de fim de inverno...

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Hoje cozinhei bacalhau pra marido e sogra. Picadinho, refogado no azeite e cebola, com tomate em rodelas, coberto com molho bechamel e queijo, gratinado no forno. Com batatas assadas, brócolis e vinho branco espanhol. Fiz mais de 1 kg de bacalhau. Pergunta quanto sobrou... De sobremesa, vin santo da Toscana com biscotti...

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E por falar em clássicos...


quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Animação irlandesa concorrendo ao Oscar

Minha mãe recebeu de um amigo - irlandês, por sinal - e me repassou. Essa animação tá conocrrendo ao Oscar de curta de animação. Produzido entre outros pela RTE, a tv estatal irlandesa, que os irlandeses acham uma merda, e eu achava ótema... Enfim, perdi um tempão legendando pra quem num entende inglês, pior ainda inlgês irlandês. O filme é genial... Divirtam-se.

Chama-se "Granny O´Grimm´s Sleeping Beauty", algo como "Bela Adormecida da Vovó Grimm" - numa alusão os Irmãos Grimm, imagino eu?

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Meu presente de aniversário

Mew, ao vivo, em Trondheim... Já cansei de falar, né? Mas ainda preciso me beliscar...



The Zookeeper's Boy

Are you my lady, are you?

If I don't make it back from the city
Then it is only because I am drawn away
For you see
Evidently there's a dark storm come
And the chain on my swing is squeaking like a mouse

So are you my lady, are you?
The rain, the rain, the rain is falling down
The cars remain

You're tall just like a giraffe
You have to climb to find its head
But if there's a glitch
You're an ostrich
You've got your head in the sand

In a submersible I can hardly breathe
As it takes me inside, so the light sings
Answer me truthfully
Do the clouds kiss you
With meringue-coloured hair
I know they cannot

So are you my lady, are you?
The rain, the rain, the rain is falling down
The cars remain

Santa Ana winds bring seasickness
Zookeeper hear me out
How dare you go?
Cold in the rain

Tall just like a giraffe
You have to climb to find its head
But if there's a glitch
You're an ostrich
You've got your head in the sand

Are you my lady, are you?
The rain, the rain, the rain is falling down
The cars remain
I could not be seen with you
Working half the time and looking fine
In cars re-made

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Três é muito?

Três posts num dia???? Pois é, tava de folga esses dias. Hoje pendurei cortina nova (numa janela só, uma coisa de cada vez), passei aspirador na casa e fiz um rango em homenagem ao meu pai: arroz, feijão e salada de rúcula, que ele adorava. Ainda fiz uma carninha de porco moída que ficou uma delícia.

Depois do almojantar saí com o Lars a procura de uma igreja aberta porque queria acender uma velinha pro meu pai. Mas, acreditem, as igrejas norueguesas NÃO existem para oferecer conforto espiritual aos fiéis ou necessitados. Ao menos aqui em Bodø, as danadas dão expediente de meio-dia até 3 da tarde... Assim até eu queria virar clériga, rsrsrs. Como demos com a cara na porta, fomos comprar umas comidinhas que precisávamos. Na volta começou a nevar de novo. Acendi a velinha em casa mesmo...

E acabamos de assistir Invictus, e tudo o que eu consigo dizer é que é um poooota filme. Tô passada de o Clint não ter sido indicado pra direção... Pra quem não entende bulhufas de rugby (jogo popular em todos os países do Common Wealth, mais alguns outros tipo Itália...), é preciso mencionar que os All Black (a seleção nacional da Nova Zelândia) estavam pro rugby na época como o Brasil está pro futebol. E a dança de guerra que eles fazem antes da partida é uma dança Maori (chamada Haka), que é feita desde 1888, a CADA partida dos All Black. É feita pra intimidar os oponentes...

E pensar que a unificação de um país rasgado em dois pelo ódio racial começou pelo esporte (e pela visão de um líder muito do esperto!)... Morgan Freeman está ótemo de Mandela, e o sotaque africaaner do Matt Damon tá perfeito!

Até agora foi um dos melhores filmes que vimos... Mas muitos ainda virão.

Deixo aqui uma propaganda de scotch lançada durante um torneio Six Nations (uma espécie de Copa dos Campeões de rugby). Hilária...



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PS: acabei de recer este e-mail do meu tio...

"Carmo, meninas e amigos,
Pelos retornos e prognósticos, mais de 100 velinhas e pensamentos deram
a volta ao mundo, partindo daqui e passando pela Noruega, Nova Zelandia, USA, França,
Inglaterra e África do Sul.
Tenho certeza que o Marião, esteja onde estiver, haveria de gostar dessas lembranças,
o que não o impediria de fazer o que a Antonia chama de "tiradinha engraçada", coisa
muito dele.
Que essa imagem abaixo permaneça sempre em nossos corações ! Obrigado a todos
Pedro


Saíram as indicações ao Oscar

Melhor Filme: Avatar, The Blind Side, District 9, An Education, The Hurt Locker, Inglorious Basterds, Precious, A Serious Man, Up, Up in the Air.

Melhor Ator: Jeff Bridges (Crazy Heart), Geirge Clooney (Up in the Air), Colin Flirth (A Single Man), Morgan Freeman (Invictus), Jeremy Renner (The Hurt Locker).

Melhor Atriz: Sandra Bullock (The Blind Side), Helen Mirren (The Last Station), Carey Mulligan (An Education), Gabourey Sidibe (Precious), Meryl Streep (Julie & Julia)

Direção: James Cameron (Avatar), Quentin Tarantino (Inglorious Basterds), Kathryn Bigelow (The Hurt Locker), Lee Daniels (Precious).

Para maiores detalhes, acesse o Oscar.com.

Agora é esperar pra ver... E vamos correndo que tem muito filme pra assistir até dia 7 de março!

Surpresa pra mim foi a animação "Up" - que assisti no avião é uma graça de filme, especialmente o começo - ter sido nomeada a melhor filme. Acredito ser um feito inédito pra uma animação, não? Vou pesquisar pra ter certeza.

A maioria das indicações já havia sido "soprada" através do Globo de Ouro, nada mudou muito aqui. "Avatar" levou 9 indicações (empatado com "The Hurt Locker", o que significa que não quebrou o recorde de 14 indicações que "Titanic" recebeu.)

De partir o coração...

Ontem não consegui assistir Invictus - a internet andava "meilenta"... Tentamos "Precious", mesmo problema. Então me lembrei que tínhamos gravado "Taking Chance" na TV digital, passou no cabo (Canal +). Pra quem não sabe, é uma produção da HBO feita pra televisão, cujo papel deu o Globo de Ouro a Kevin Bacon (melhor ator cat. drama em produção para tv ou minisérie). O filme conta a história de um Tenente-Coronel do exército americano, Michael Strobl, que, sentindo-se culpado por estar em solo americano ao invés de combatendo no Iraque, oferece-se pra acompanhar o corpo de um soldado morto em combate pra casa.

De todos os filmes de guerra que eu possa ter assistido, nem um nunca foi tão triste. Porque não trata da guerra estúpida em si, mas de todo o trabalho que envolve trazer um filho da terra morto em combate de volta à sua família. Desde o despacho do corpo (ou o que sobrou dele) no Iraque até a recepção em solo americano, o tratamento, a limpeza, o uniforme, caixão, cuidado com os pertences pessoais, e a entrega de tudo isso à família. Coisas que nós, brasileiros, tão distantes da guerra, não pensamos - senão não com frequência, nunca! Um trabalho "sujo", mas de certa forma muito digno, e que precisa ser feito.

O filme conta a rotina desses militares envolvidos no processo, e o roteiro foi escrito a partir do diário do Tenente-Coronel, interpretado com maestria pelo Kevin. De arrancar lágrimas, e muitas, seja você contra ou a favor da guerra. Porque o filme não trata dela - não há uma cena sequer com sangue ou violência... Ele trata da dor de trazer os mortos de volta... Fazia algum tempo que eu não ficava tão comovida - até o Lars também ficou. Além de tudo, a fotografia é belíssima...



Pra quem tem HBO na TV à cabo no Brasil, aqui vai a grade de programação com as datas de exibição. A vantagem é ver o filme legendado. Pra quem não tem HBO, é um filme feito pra TV, portanto não passará nos cinemas. Se você fala inglês e não tem problemas em assistir o filme sem legendas, e quiser muito assistir, entre em contato comigo via comentário, me mande seu e-mail (eu nunca publico e-mail dos leitores), e eu mando de presente, rsrsrs!

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Outra historieta de partir o coração... Notemos o esquecimento e abandono à que esta gente está submetida. Não se lê nos jornais nem se assiste nos noticiários. Do mesmo jeito que o Haiti, que precisou ser devastado por um terremoto pavoroso pra que pessoas que nunca ouviram falar dele, não fosse pela música de Gil e Caetano, ficassem abaladíssimas com a tragédia.

Seria interessante que as pessoas que lavam quintais, garagens e calçadas com água pensassem um pouco nessas crianças. Não que a sua economia de água vá ajudá-las de alguma forma. Quer dizer, até ajudaria, se os míseros troquinhos que você economizasse na conta de água fossem doados a instituições que ajudam este povo, tipo a Unicef.

Por exemplo, a British Airwais em parceria com a Unicef tem uma campanha fenomenal... Um envelopinho é fornecido a cada passageiro, para que se depositem as moedinhas não usadas (pra quem viaja a países de moeda diferente. Tipo, sobraram moedinhas de euro ou dólar, bota no envelopinho). Esses envelopes são recolhidos pela tripulação. Nessa brincadeira, a BA já arrecadou 27 milhões de dólares. Dá pra entender como o pouquinho pode ser muitão? Isso é só pra provar pra gente estúpida e egoísta que sim, o pouquinho de muitos soma muito, e faz MUITA diferença pra quem não tem NADA!

Então, voltando ao assunto, um videozinho de um programa do SBT (eu achei no Uol e me chamou a atenção. Tomara que chame a sua também).



segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Desencontros & filmes

Consegui confirmar nossa viagem para Trondheim essa semana, como já havia dito. Já sabia que a Claudia não estaria lá... E agora recebi uma mensagem da Raquel, que também não vai estar lá... Desencontros com minhas blogueiras inspiradoras. Mas tudo bem, pois pelo que leio por aí, Trondheim é uma cidade para ser visitada várias vezes!

Domingo, dia 14, voltamos cedo de Trondheim, porque vamos a outro show aqui em Bodø, do Sivert Høyem. Para quem se lembra do post musical que ofereci pra Beth, é aquele cantor, o cara que era vocalista do Madrugada. Ele se apresenta na Casa de Cultura de Bodø, na turnê do álbum "Moon Landing". E o Lars gosta muito dele. Então, no dia do meu aniversário, veremos Mew em Trondheim, e no dia dos namorados (Valentine´s Day) veremos o Sivert. Nada mau... Apesar de estarmos um pouco mais duros este começo de ano (Lars teve menos trabalho, e eu fiquei mais de duas semanas sem trabalhar, e somos ambos pagos por hora - ainda assim minha boa chefe me pagou 4 dias inteiros como doença... Legal ela, né?), é bom demais nós dois trabalharmos pra poder desfrutar desses luxos de vez em quando. E ainda com o descontão de funcionário na Choice, duas noites de hotel com café da manhã e jantar incluídos saíram pela metade do preço de UMA diária com café no Scandic de Oslo...



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Hoje tava de folga, acordei mais tarde (afinal, trabalhei de Domingo a Domingo!), e tava um frio de lascar. Mesmo assim me enchi de coragem, chá quente e meias, além da armadura anti-frio, e fui pegar um busão até a Polícia, onde fica o Departamento de Imigração - a famosa UDI. Precisava passar o visto pro passaporte novo (viajei com os dois, o vencido com visto válido, e o novo, e não tive problemas). Primeiro tive uma experiência ruim com um motorista de ônibus, que, ao me ouvir dizer que meu norueguês não é muito bom, me mandou ir fazer curso! Perguntei a ele "O que foi que você disse?", e ele disfarçou me pedindo que mesentasse ao lado de uma senhora que me ensinaria mais norueguês... E a tal senhora era um docinho de senhora, perguntou se eu falava inglês, e então fomos falando inglês. E eu fiz questão de explicar a ela que ainda não tinha visto num UM motorista de ônibus que falasse inglês (que soubesse OU quisesse), pra deixar o sujeito bem sem-graça...

Isso de lado, o único desconforto ao chegar na Polícia foi notar que meu iPod congelou de novo (e eu, muito burra, não aprendi a lição!). É que outro dia ele congelou no bolso do casaco, e levou dois dias pra voltar a funcionar. Hoje até pus o bichinho dentro de uma luva, mas não adiantou...

E na Polícia, o atendente da UDI pegou meus dois passaportes, ouviu minha explicação e pedido, e simplesmente respondeu: "Amanhã você retira na recepção, se não se importar..." E eu "Só isso?" E ele "Só isso!" Então tá! Depois fui ao supermercado à pé, e de lá pra casa também à pé. Derrapando pelos cantos...

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E eu, que sou rata de premiações (via TV, logicamente), não achei nenhuma *osta de canal norueguês ou sueco transmitindo ontem o Grammy ao vivo. Então só hoje pude ver a Lady Gaga cantando com o Elton John, por exemplo, ou saber que a chata da Beyoncé (acho ela linda, 10 e tudo o mais, mas que acho as musiquinhas dela mooooito chatinhas!) papou 6 Grammys. Então, procuramos nos distrair de outras formas. Assistindo a dois filmes seguidos, por exemplo, já que era um Domingão frio.

Primeiro, vimos The Blind Side (não sei se já entrou no Brasil nem que tradução esdrúxula vão dar pra ele - PS, acabei de descobrir, é "Um Sonho Impossível" e ainda não estreou). É o filme com a Sandra Bullock (ela ganhou vários premios por esse papel, incluindo o Globo de Ouro), que conta a história real do jogador de futebol americano Michael Oher. A história é linda e comovente - muito comovente. Apesar de ser malemal sobre o esporte mais chato do mundo, o futebol americano, e de ter como cenário um dos lugares mais chatos do mundo, Memphis. Mas é recheado de bom-humor e tem tiradas ótimas do moleque que faz o filho da Sandra Bullock. Sessão da tarde, heart-warming, compensa por isso. Se a Bullock merecia os prêmios, não arrisco dizer, mas que ela está ótema no papel, isso está.

Na sequência, assistimos It´s Complicated ("Simplesmente Complicado", ainda não estreou no Brasil), com Maryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin (que tá parecendo um boneco de cera de tanta plástica e bronzeamento artificial...)Uma comédia romântica pra espectadores acima dos 50, como o filme anterior da diretora Nancy Myers, Somenthing´s Gotta Give (no Brasil, "Alguém tem que ceder"). Diversão garantida, muitas vezes pela personagem do Baldwin, e pelas cenas que envolvem um baseadinho (sim, um cigarrinho mágico de maconha!). Mas é outro sessão da tarde. Não gaste seu din-din no cinema, espere em DVD ou na TV à cabo, ou baixe...

A pedida de hoje é Invictus (estreou essa semana no Brasil), já que a Clara tanto recomendou. E como o último Clint Eastwood me decepcionou pacas (Gran Torino, que na verdade é o Dirty Harry aposentado tentando aprender a ser gente).



Como hoje faz um mês que meu pai se foi, assistamos a um filminho do tipo que ele gostaria de ver... Peço a tod@s querid@s leitores que façam uma oração ou mandem um bom pensamento pra ele ficar em paz, como pediu meu tio Pedro, numa corrente positiva.

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Atenção Mama, Ana Spolon e Tommy, vocês agora serão os guardiões do português correto neste blog, tá? Para que eu não envergonhe meu papa, onde ele estiver... Podem puxar minha orelha, de verdade.