Alguém se lembra disso? Essa música , junto a outras poucas, mais profundas, fincaram raízes em mim. De quando criança. Eu escutava essa música em espanhol, entendia bulhufas da letra, mas achava a coisa mais linda. Hoje, ao ler a notícia de que Mercedes Sosa faleceu em Buenos Aires, ela me veio imediatamente à cabeça. E me dou conta de ela talvez fosse a única cantora "folk", ou de MPA (música popular argentina, rsrsrs) argentina conhecida no exterior. Enfim, dona de bela voz, descanse em paz. E hoje eu queria mesmo volver a los 17...
Aos fatos mais assustadores, seguindo. Ontem, por volta das onze e meia da noite, eu estava aqui fuçando na net. Ouvi vozes mais cedo, entra e sai do edifício, e julgando pela barulheira no apartamento de cima, presumi que a vizinha estivesse dando uma festinha. De repente escuto vozes no corredor, e alguém bate à porta, e depois toca a campainha. Achei tudo muito esquisito. Às vezes nosso vizinho ao lado bate aqui pra falar com o Lars. Mas ao ir até a porta (que tem uma janela de vidro fosco), notei que a luz do corredor estava apagada, e que não havia luz no vizinho, portanto, ele não deveria estar em casa. Então perguntei quem era, já em inglês, apavorada. E o cara encostou a carteira no vidro (não dá pra ver muito através do vidro) e disse que era da polícia. Eu perguntei de novo o que ele queria, pois sabia que não era polícia coisa nenhuma. Ele pediu pra eu abrir a porta. Eu disse que não ia abrir, e que ele fosse embora. Eu corri na janela, pra ver se havia algum carro lá fora, e não havia nada. O homem então começou a gritar que ele era um táxi, e que eu o havia chamado pelo meu telefone. Eu disse que não havia chamado taxi nenhum, e que ele por favor embrora. Ele continuou.
Então, eu engrossei, e gritei que ele não saísse da minha porta e fosse embora, eu estava chamando a polícia. Ele continuou, disse que não era agressivo, mas que eu abrisse a porta. Então eu peguei meu celular e comecei a discar. A sorte mesmo é que eu tive um treinamento de combate à incêndio no hotel, e aprendi os números da emergência e polícia. Senão eu nem poderia chamar a polícia! Chamei a emergência primeiro, que me mandou ligar no outro número.
O policial atendeu, e eu perguntei se ele falava inglês. Nessa hora eu tremia igual vara verde, o coração prestes a saltar do peito, sair pela boca. Mal conseguia segurar o telefone. Já anunciei que havia um homem tentando entrar na minha casa. Nisso, o homem me xingou horrores através da porta e sumiu.
O policial pediu meu endereço e disse que a patrulha estava a caminho. Pediu que eu não desligasse, e ficou falando comigo, perguntando exatamente o que aconteceu, meu nome e sobrenome, se eu estava sozinha, se eu era cidadã norueguesa, meu telefone, se estava tudo bem... Depois que ele colheu todas as informações e pediu meu RG norueguês (fødselsnummer), ele disse que ia desligar, e que se o homem voltasse, pra ligar de novo. E no que ele desligou, o carro da polícia encostou.
Eu abri a porta pra eles (nisso o policial da estação me ligou e pediu que eu abrisse a porta, pra eles) e eles meio que empurraram mais a porta e se forçaram pra dentro de casa. Quando viram que eu estava sozinha mesmo (que o homem não estava em casa), saíram e ficaram na porta. Perguntaram o que aconteceu, se eu vi o homem, e como ele era. Eu disse que apenas vi o vulto dele pelo vidro, e que ele tinha um sotaque do leste europeu ao falar inglês (e eu conheço muito bem o sotaque, após conviver ANOS com sérvios, croatas, lituanos, ucranianos, romenos, búlgaros, húngaros...). Nisso, umas pessoas começaram a descer as escadas fazendo muito barulho, e os policias perguntaram quem eram aquelas pessoas. Disse que não fazia idéia. Perguntou quem morava em cima de nós, eu respondi uma moça, perguntaram o nome, disse que não sabia (e não sei mesmo!). Então eles me mandaram entrar e trancar a porta e esperar. Eles acenderam todas as luzes do corredor, e subiram. Deram o maior es***ro na menina e acabaram com a festa. O silêncio se fez imediatamente. Os policiais voltaram, disseram que estava tudo ok, era uma festa, que estava terminada, e que eu trancasse as portas, e se o homem voltasse pra ligar de novo. Muito educados e prestativos.
Assim que o carro da polícia foi embora, a vizinha com os amigos saíram e bateram a porta de entrada do edifício. Eu tentei falar com o Lars, mas ele não atendia o telefone. Sorte que achei minha mama e papai no Skype, pra ao menos desabafar e me acalmar. Fui deitar meio abalada ainda, mas pensei nas hipóteses mais prováveis. Ou era um amigo da vizinha, bebum e afim de tirar uma onda, ou apenas tão bebum que nem se deu conta (acontece por aqui, minha gente, de nego acordar no dia seguinte sem saber onde está, de tanto que bebem), ou era um taxista clandestino que foi chamado, e o povo na festinha, bebum, esqueceu que tinha chamado, ou algo assim.
Sábado à noite é mesmo um inferno. A maior desvantagem de morar no centro, na verdade.
Agora, numa nota mais sem-vergonha.... Gente, os policiais eram TÃO bonitos (OS DOIS), mas TÃO bonitos que fiquei até desconcertada! Nunca tinha visto (ou notado) outros norugas tão bonitos. Será que a história do efeito-uniforme é mesmo verdade? Nossa, quanta sem-vergonhisse, já diriam as recatadas... E vou ter que encher o saco do Lars (que a essa altura ficou mal por ter desligado o telefone, então melhor não fazer piada de policial bonitão mesmo!)
Hoje acordei tranquila. Ao menos sei que se acontecer de novo, a polícia aparece a galope (menos de 3 minutos eles estavam em minha porta!). A-D-O-R-O morar numa cidade pequena... E deixa eu ir mexer meu feijão, que hoje tem almoço brasileiro - arroz, feijão, farofa e lombo de porco! E salada..
Aos fatos mais assustadores, seguindo. Ontem, por volta das onze e meia da noite, eu estava aqui fuçando na net. Ouvi vozes mais cedo, entra e sai do edifício, e julgando pela barulheira no apartamento de cima, presumi que a vizinha estivesse dando uma festinha. De repente escuto vozes no corredor, e alguém bate à porta, e depois toca a campainha. Achei tudo muito esquisito. Às vezes nosso vizinho ao lado bate aqui pra falar com o Lars. Mas ao ir até a porta (que tem uma janela de vidro fosco), notei que a luz do corredor estava apagada, e que não havia luz no vizinho, portanto, ele não deveria estar em casa. Então perguntei quem era, já em inglês, apavorada. E o cara encostou a carteira no vidro (não dá pra ver muito através do vidro) e disse que era da polícia. Eu perguntei de novo o que ele queria, pois sabia que não era polícia coisa nenhuma. Ele pediu pra eu abrir a porta. Eu disse que não ia abrir, e que ele fosse embora. Eu corri na janela, pra ver se havia algum carro lá fora, e não havia nada. O homem então começou a gritar que ele era um táxi, e que eu o havia chamado pelo meu telefone. Eu disse que não havia chamado taxi nenhum, e que ele por favor embrora. Ele continuou.
Então, eu engrossei, e gritei que ele não saísse da minha porta e fosse embora, eu estava chamando a polícia. Ele continuou, disse que não era agressivo, mas que eu abrisse a porta. Então eu peguei meu celular e comecei a discar. A sorte mesmo é que eu tive um treinamento de combate à incêndio no hotel, e aprendi os números da emergência e polícia. Senão eu nem poderia chamar a polícia! Chamei a emergência primeiro, que me mandou ligar no outro número.
O policial atendeu, e eu perguntei se ele falava inglês. Nessa hora eu tremia igual vara verde, o coração prestes a saltar do peito, sair pela boca. Mal conseguia segurar o telefone. Já anunciei que havia um homem tentando entrar na minha casa. Nisso, o homem me xingou horrores através da porta e sumiu.
O policial pediu meu endereço e disse que a patrulha estava a caminho. Pediu que eu não desligasse, e ficou falando comigo, perguntando exatamente o que aconteceu, meu nome e sobrenome, se eu estava sozinha, se eu era cidadã norueguesa, meu telefone, se estava tudo bem... Depois que ele colheu todas as informações e pediu meu RG norueguês (fødselsnummer), ele disse que ia desligar, e que se o homem voltasse, pra ligar de novo. E no que ele desligou, o carro da polícia encostou.
Eu abri a porta pra eles (nisso o policial da estação me ligou e pediu que eu abrisse a porta, pra eles) e eles meio que empurraram mais a porta e se forçaram pra dentro de casa. Quando viram que eu estava sozinha mesmo (que o homem não estava em casa), saíram e ficaram na porta. Perguntaram o que aconteceu, se eu vi o homem, e como ele era. Eu disse que apenas vi o vulto dele pelo vidro, e que ele tinha um sotaque do leste europeu ao falar inglês (e eu conheço muito bem o sotaque, após conviver ANOS com sérvios, croatas, lituanos, ucranianos, romenos, búlgaros, húngaros...). Nisso, umas pessoas começaram a descer as escadas fazendo muito barulho, e os policias perguntaram quem eram aquelas pessoas. Disse que não fazia idéia. Perguntou quem morava em cima de nós, eu respondi uma moça, perguntaram o nome, disse que não sabia (e não sei mesmo!). Então eles me mandaram entrar e trancar a porta e esperar. Eles acenderam todas as luzes do corredor, e subiram. Deram o maior es***ro na menina e acabaram com a festa. O silêncio se fez imediatamente. Os policiais voltaram, disseram que estava tudo ok, era uma festa, que estava terminada, e que eu trancasse as portas, e se o homem voltasse pra ligar de novo. Muito educados e prestativos.
Assim que o carro da polícia foi embora, a vizinha com os amigos saíram e bateram a porta de entrada do edifício. Eu tentei falar com o Lars, mas ele não atendia o telefone. Sorte que achei minha mama e papai no Skype, pra ao menos desabafar e me acalmar. Fui deitar meio abalada ainda, mas pensei nas hipóteses mais prováveis. Ou era um amigo da vizinha, bebum e afim de tirar uma onda, ou apenas tão bebum que nem se deu conta (acontece por aqui, minha gente, de nego acordar no dia seguinte sem saber onde está, de tanto que bebem), ou era um taxista clandestino que foi chamado, e o povo na festinha, bebum, esqueceu que tinha chamado, ou algo assim.
Sábado à noite é mesmo um inferno. A maior desvantagem de morar no centro, na verdade.
Agora, numa nota mais sem-vergonha.... Gente, os policiais eram TÃO bonitos (OS DOIS), mas TÃO bonitos que fiquei até desconcertada! Nunca tinha visto (ou notado) outros norugas tão bonitos. Será que a história do efeito-uniforme é mesmo verdade? Nossa, quanta sem-vergonhisse, já diriam as recatadas... E vou ter que encher o saco do Lars (que a essa altura ficou mal por ter desligado o telefone, então melhor não fazer piada de policial bonitão mesmo!)
Hoje acordei tranquila. Ao menos sei que se acontecer de novo, a polícia aparece a galope (menos de 3 minutos eles estavam em minha porta!). A-D-O-R-O morar numa cidade pequena... E deixa eu ir mexer meu feijão, que hoje tem almoço brasileiro - arroz, feijão, farofa e lombo de porco! E salada..





14 comentários:
Camila, que pavor esse. Contei pro meu marido, ele bem rápido disse para eu nunca abrir a porta pra estranhos, não é a primeira vez que ele e familia alertam para isso, pois já aconteceram umas coisinhas do tipo por aqui também, mas eu não abro nem pra conhecido. Vou anotar o número da polícia, esse não tenho e é util demais.
Tomara que não volte e que sua vizinha festeira não vá aí implicar com você.
Beijo
Camila, que susto horrível! Eu moro no último andar, tem interfone, mas tenho que ficar esperta contra bebuns aqui também. Meu marido já me avisou para não andar sozinha em ruas desertas de noite. Ainda bem que a polícia te ajudou, não é todo mundo que tem a mesma sorte na Noruega. Beijo!
Que engraçado o que aconteceu com você Camila, pedi para várias pessoas fazerem o teste e não teve problemas, vai lá e tenta de novo, se não conseguir me fala tá?
bjks
www.soblogsamigos.blogspot.com
Eu ia ter morrido de infarte... morro de medo de coisas assim....
que bom que tudo ficou bem...
menina, jah eh a segunda vez que coloco essa musica pra tocar... Eu nunca soube quem a cantava... vc e suas informacoes maravilhosas...
Vou ateh fazer um post sobre essa musica tambem pra poder manter lah no blog pra quando eu quiser ouvir...
kkkkkkkkk
beijos!
É, Camila, não dá pra baixar a guarda nunca. Nem mesmo numa pequena cidade da Noruega...
Por aqui os delitos são muitos. Há várias histórias de neguinho tomando bifa em pleno metrô. Os caras dão um tabefe na pessoa e levam seus celulares. é mole? Em agosto, quando o povo sai de férias, o índice de casas arrombadas vai às alturas também. Fora que, no réveillon parisiense, a manchete do dia seguinte não é "1 milhão celebram a chegada no novo ano em frente à torre eiffel", mas "600 carros queimados, um aumento de 10% em relação ao ano anterior"...
Que qué isso Camilinha!?
Tô rosa chiclete, nunca poderia imaginar uma coisa dessas neste lugar tão pacato.
Mas a bebedeira está em todo lugar e depois, quem sabe tua vizinha é uma garota de programa e suas visitas são desse naipe!
Tranque sempre suas portas quando o maridex não estiver por aí ou peça para ele deixar o rifle de matar alces, quem sabe uma balinha pode espantar um bebebum desses. hehehe
E os policiais, heim?
Hummmmm, imagino que lindezas, devem ser a cara do A-ha. hehehhehe
Tem que ver os negões boluchos que tomam conta na Linha Vermelha, tu não ia acreditar que aquilo é a nossa guarda. hehehe
bjs cariocas
Camila do céu, que susto! Aqui tem sempre os bêbados voltando da farra no fim de semana, mas acho que eles se comportam. Bem, a cidade onde moro não é tão alta, mas estamos na região das montanhas - Fjellregionen. O tempo aqui é bastante estável - chove pouco - mas faz muito frio. Alguns anos Tynset registra a temperatura mínina da Noruega - Imagine só? As minhas montanhas também já estão branquinhas e o povo super empolgado com o início da temporada de esqui. Dá uma olhada qdo tiver tempo: http://www.fjelltur.no/
Boa semana pra você!
Camila,
Estas histórias são bem comuns para o povo que mora em apartamento. É impressionante como a vida em prédio é louca neste país. Outro dia uma mulher peladona invadiu a varanda de uma amiga aqui em Trondheim fugindo do sujeito que é vizinho do apartamento dela. Bateu no vidro no meio da noite e no fim também baixou polícia, o tal vizinho era conhecido da polícia, fichado e minha amiga mora ao lado do perigo. Melhor uma casinha afastada, mas eu também tenho o número da polícia na memória do celular. Não abra a porta de jeito nenhum, já pensou...
Mas olha, os noruegueses falam inglês com sotaque bem parecido com o povo do leste europeu...
E que Mercedes Sosa descanse em paz, ela era adorada, foi um marco na minha juventude, vi um show dela no Rio e você não era nem nascida...
C.
Camila, vim responder o comentário aqui. Isso, a gente vai postando aos poucos e sempre, muito válido.
Eu dei meus pitacos no post de domingo, abaixo dos que linkei, mas vou comentar esses de hoje, mais pra frente, mas talvez ainda essa semana que estou de férias.
Uma coisa não posso deixar de escrever pra quem quer sair do Brasil e se arriscar por aqui ou em outros países, que é: "percam a preguica de ler", eita que o povo morre de preguica de procurar e ler informacões, expressões, querem tudo mastigado em duas linhas, e ainda se irritam. Perdem tempo reclamando no orkut mas não querem perder uma hora lendo um site ou blog.
Beijo
Mulherada toda, obrigada pela preocupação. Tô bem convencida que foi algum mal-entendido de bebum, apesar de o jornal ter noticiado que prendeu 2 pessoas no Sábado por perturbar a paz alheia nas casas das pessoas... O negócio é a simples precaução de trancar portas - não vou me deixar levar por pânico não!
Lu, aqui a Politi é 112! Checa aí se é o mesmo...
Pois é Raquel, polícia eficientésima e MUITO prestativa!
Cris, já fui lá!
Renatinha, li seu post sobre a música e gostei muito!
Bel, tive que dar risada com a bifa no metrô! Que tristeza... Então Reveillon em Paris, jamé!
Dona Lilás, imagina se o policial me acha com o rifle do Lars em punho? E aff, só vc notou minha sem-vergonhice!!!rsrsrs
Ivy, virge!, eu moro mais ao norte que vc, mas acho que aqui faz menos frio... Ainda não tem neve na cidade. Vou fuçar esse seu paraíso aí com mais calma!
Claudia, apesar de trágica, a história da peladona rendeu uns 5 minutos de risada pra nós aqui em casa (TIVE que contar pro Lars!)... Vc está certa em relação ao sotaque, mas eu vivi mais de ano com uma búlgara na cabine, no navio. Conheço as sutis diferenças MUITO bem. O cara definitivamente não era noruga... Sem julgamentos, apenas outro estranja perdidão aqui, feito eu!
Excelente post! A memória das pessoas precisa ser instigada a todo instantes nestes tempos em que um segundo atrás já é um passado distante. E Mercedes já nem era mais lembrança (ainda viva)... Obrigado por me fazer lembrar!
Oi Camila! Cheguei até aqui pelo blog da Beth (Mãe Gaia) e, menina, adorei! Que história apavorante! Ainda bem que os policiais "valeram" o susto! hihi
Tu trabalhas em hotel? Eu também! Diferença? Todas! Tu és chick, porque hotel na Noruega deve ser MARA. Eu sou fufu, porque hotel no BRASIL, em Floripa, é pura escravidão! Blé!
Beiju!
Oi, Camila.
Eu também adoro a Sosa! Arrepia, né? lindo demais. Mulher que pânico! Ainda bem que você é muito bem humorada (me pareceu) e soube até tirar proveito da situação - os policiais bonitos (rs). Nunca imaginei que existissem tais problemas por esses lados também!
Bjos
Fê
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