Esse jingle fez parte da minha infância. Minha avó cantava conosco...
Bom, já contei como anda a minha relação com o Natal há uns posts atrás... E de repente me vejo aqui, quase na terra do Papai Noel (que aqui é chamado Julenisse, e não é exatamente aquele papai noel, está mais pra um Elfo do Natal*), com tudo branquinho e lindo... Diferente, pra dizer o mínimo. Eu tenho uma amiga canadense dos tempos do Navigator, ela sempre ficava muito mal na época do Natal, com saudade de casa, da família e da neve... Da neve???? pensava eu, e ela sempre me disse que o dia em que eu tivesse um white Christmas, eu entenderia.
Não que o espírito natalino tenha me invadido, nem nada assim, mas é uma época do ano muito aguardada por aqui. Os norugas são doidos por Natal... Então, Natal é chamado Jul. Não sei da raíz etimológica da palavra, mas é assim. Feliz Natal, portanto, God Jul - na verdade traduzido diretamente seria Bom Natal, como deseja o antigo jingle.
E as tradições daqui são muuuuuuito diferentes do que eu estou acostumada. E como, com o passar dos anos, eu fui me desligando da coisa, não tinha idéia de como elas seriam aqui...
Começa com o tal do Advent, primeiro dia de Dezembro, dizem uns, 4 Domingos antes no Natal, dizem outros. Mesmo lendo várias explicações, ainda não assimilei bem a coisa, e calculei que talvez haja mais por trás disso, do que a pura tradição cristã. Então, o tal do Advento é digamos assim uma espera pelo Natal. As pessoas em geral mantém um castiçal de 4 velas, e a cada Domingo se acende uma (algo aí me lembra o Hannukah. Nada a ver, mas beleza!). A cor que marca o Advento é o roxo. O que explicou a quantidade de ornamentos de Natal e objetos de decoração na tal cor. Eu tinhaachado muito estranho tanto roxo, afinal as cores tradicionais do Natal são verde, vermelho, branco, dourado e prateado... Mas o roxo é a cor que simboliza essa espera.
O que vi por aqui - e até temos em casa - é que as pessoas, a partir do fim de semana passado, colocam luzes nas janelas, que ficam acesas dia e noite (e a dor na consciência de gastar energia eu ponho aonde, me diz????). Para as crianças - e umacriança grande como o Lars - existe à venda um calendário de Natal. Trata-se de um quadradão oco de papelão com um quadradinho marcado para cada dia de Dezembro. Dentro de cada quadradinho tem um chocolatinho, presentinho ou pirulitinho... Lars abre o quadradinho dele todo dia de manhã, acho fofo o modo dele de relembrar a infância...
Aqui em Bodø, cidade pequena e provinciana, o consumismo exacerbado não bateu na minha cara ainda. Temos dois shoppings na cidade. No menor, poucas decorações exageradas, tudo muito discreto. No outro, uns bonecos de Papai Noel bem toscos e olhe lá. Em compensação, nos mercados, TUDO tem versão natalina. Só falta maçã e tomate virem estampados com Juletomat (tomate de Natal), porque de resto, tem Juleøl (cerveja de natal), Julebrus (refri de natal), Juleleverpostei, Julepotet salat, e por aí afora. Fora a biscoitada, é o festivalde biscoito de Natal.
Isso porque é uma tradição natalina muito antiga aqui na Noruega de se assar 7 biscoitos de Natal nos 7 dias que antecendem o Natal. A origem dessa tradição é incerta, e hoje todos os tipos de biscoitos podem ser comprados nos mercados. Eu me arrisquei há umas duas semanas e fiz serinakake, e vou postar logo no Caderninho. Estou me preparando pra assar pepperkake, ou o famoso biscoito de gengibre, tradicional também na América do Norte e outros países europeus. Lembram do ginger-bread man (aos 56 segundos do vídeo)? Então, o mesmo tipo de biscoito, que se usa também pra fazer as casinhas de biscoito de gengibre (gingerbread house, muito popular nos EUA e aparentemente ficando popular aqui também, importando a tradição americana, que por sua vez deve ter sido importada daEuropa. Afinal, o conto de fadas "João e Maria" - Henzel and Gretel - tem uma. É possível comprar as casinhas prontas no aqui mercado para apenas decorá-las com as crianças...)
Depois lendo o blog da Claudia em busca de biscoitos natalinos e marzipã, encontrei um belo artigo sobre o assunto, e reproduzo aqui...
"Percebo que o Natal, assim como o Carnaval, é uma grande celebração pagã adotada pelos povos cristãos. Daí tanta contradição entre datas e celebrações nas diversas igrejas cristãs do planeta. Não que eu me importe. Não me importo nem com as contradições, nem com o paganismo. Muito pelo contrário, adoro identificar a permanência das tradições pagãs em geral, meu paganismo existencial se acelera nesta hora. O fato é que o Natal, as luzes do Natal, os personagens do Natal (elfos, gnomos, ajudantes do Papai Noel e o Papai Noel em si) e as comidas de Natal são todas parte de uma antiga celebração pela vida durante o inverno Europeu. Aqui, no norte da Europa, com o inverno mais intenso, percebe-se claramente a celebração do Natal como uma festa da vida, pela sobrevivência dos povos do gelo. E o Natal começa bem cedo aqui e eu acho que é uma das coisas que ajuda esta gente a sobreviver. O Natal aqui é cercado de lendas, de histórias e de comidas especiais e é uma data que enlouquece o povo daqui de uma forma pouquíssimo cristã (isto talvez em outra postagem). Outro lance é que o Natal aqui ainda tem pouquíssimo apelo comercial, especialmente se comparado com o Brasil. Aqui o lance é comer e beber muito, muito mesmo, para viver, para sobreviver, acender velas e luzes para iluminar as almas, abrir os caminhos, chamar de volta os deuses antigos."
Taí uma resposta, claro! Os cristãos provavelmente acabaram assimilando os antigos costumes pagãos, dando origem a uma outra festa!
Independente de tudo isso, o Natal aqui é forte. Como disse Claudia, acho que talvez seja mais fácil suportar o frio e a escuridão com uma festa tão grande acontecendo o mês todo.
Fora tudo isso, ainda tem a tradição das Julebord, ou, na tradução livre pro português, mesa de Natal. É quando, desde o mês de novembro, as empresas e locaisde trabalho começam a reunir os funcionários para celebração de Natal, com direito a muitacomilança e principalmente, bebelança! Leia o fabuloso post do Leo na Finlândia sobre a pikkujoulu, versão finlandesa da Julebord. É de matar de rir, e é assim mesmo que as coisas acontecem, segundo ouvi por aí. Em algumas se leva a família toda, noutras só os funcionários...
Essa sexta, dia 11, o chefe do Lars vai nos lever pra jantar no SAS Hotel, e de lá vamos pra um dos bares da cidade. Ai,ai,ai... Ainda bem que tô de folga. Mas na sexta seguinte, dia 18, é a vez da nossa, lá do hotel. Vamos pra uma escola de culinária bem transada, cozinhar nossa própria comida e beber - um pouco só pra mim, pois trabalho cedo no outro dia...
Volto em breve com relatos sobre as festas e a coisa toda da árvore de Natal, que vamos comprar semana que vem. Aqui só se enfeita a árvore na véspera de Natal, família toda reunida.
Por enquanto, mais um vídeo de Natal pra vocês... "12 days of Christmas", com Richard Spacey, Cruise Director, e os crupiês, dançarinos, bartenders, chefs, recreadores, cabelereiros, garçons, faxineiros, técnicos de som e luz do Freedom of the Seas, e claro, o Capitão Erik e suas 5 tarjas douradas. Gravado em 2007 - meu último Natal a bordo...
* leia mais sobre este assunto aqui neste excelente blog
Bom, já contei como anda a minha relação com o Natal há uns posts atrás... E de repente me vejo aqui, quase na terra do Papai Noel (que aqui é chamado Julenisse, e não é exatamente aquele papai noel, está mais pra um Elfo do Natal*), com tudo branquinho e lindo... Diferente, pra dizer o mínimo. Eu tenho uma amiga canadense dos tempos do Navigator, ela sempre ficava muito mal na época do Natal, com saudade de casa, da família e da neve... Da neve???? pensava eu, e ela sempre me disse que o dia em que eu tivesse um white Christmas, eu entenderia.
Não que o espírito natalino tenha me invadido, nem nada assim, mas é uma época do ano muito aguardada por aqui. Os norugas são doidos por Natal... Então, Natal é chamado Jul. Não sei da raíz etimológica da palavra, mas é assim. Feliz Natal, portanto, God Jul - na verdade traduzido diretamente seria Bom Natal, como deseja o antigo jingle.
E as tradições daqui são muuuuuuito diferentes do que eu estou acostumada. E como, com o passar dos anos, eu fui me desligando da coisa, não tinha idéia de como elas seriam aqui...
Começa com o tal do Advent, primeiro dia de Dezembro, dizem uns, 4 Domingos antes no Natal, dizem outros. Mesmo lendo várias explicações, ainda não assimilei bem a coisa, e calculei que talvez haja mais por trás disso, do que a pura tradição cristã. Então, o tal do Advento é digamos assim uma espera pelo Natal. As pessoas em geral mantém um castiçal de 4 velas, e a cada Domingo se acende uma (algo aí me lembra o Hannukah. Nada a ver, mas beleza!). A cor que marca o Advento é o roxo. O que explicou a quantidade de ornamentos de Natal e objetos de decoração na tal cor. Eu tinhaachado muito estranho tanto roxo, afinal as cores tradicionais do Natal são verde, vermelho, branco, dourado e prateado... Mas o roxo é a cor que simboliza essa espera.
O que vi por aqui - e até temos em casa - é que as pessoas, a partir do fim de semana passado, colocam luzes nas janelas, que ficam acesas dia e noite (e a dor na consciência de gastar energia eu ponho aonde, me diz????). Para as crianças - e umacriança grande como o Lars - existe à venda um calendário de Natal. Trata-se de um quadradão oco de papelão com um quadradinho marcado para cada dia de Dezembro. Dentro de cada quadradinho tem um chocolatinho, presentinho ou pirulitinho... Lars abre o quadradinho dele todo dia de manhã, acho fofo o modo dele de relembrar a infância...
Aqui em Bodø, cidade pequena e provinciana, o consumismo exacerbado não bateu na minha cara ainda. Temos dois shoppings na cidade. No menor, poucas decorações exageradas, tudo muito discreto. No outro, uns bonecos de Papai Noel bem toscos e olhe lá. Em compensação, nos mercados, TUDO tem versão natalina. Só falta maçã e tomate virem estampados com Juletomat (tomate de Natal), porque de resto, tem Juleøl (cerveja de natal), Julebrus (refri de natal), Juleleverpostei, Julepotet salat, e por aí afora. Fora a biscoitada, é o festivalde biscoito de Natal.
Isso porque é uma tradição natalina muito antiga aqui na Noruega de se assar 7 biscoitos de Natal nos 7 dias que antecendem o Natal. A origem dessa tradição é incerta, e hoje todos os tipos de biscoitos podem ser comprados nos mercados. Eu me arrisquei há umas duas semanas e fiz serinakake, e vou postar logo no Caderninho. Estou me preparando pra assar pepperkake, ou o famoso biscoito de gengibre, tradicional também na América do Norte e outros países europeus. Lembram do ginger-bread man (aos 56 segundos do vídeo)? Então, o mesmo tipo de biscoito, que se usa também pra fazer as casinhas de biscoito de gengibre (gingerbread house, muito popular nos EUA e aparentemente ficando popular aqui também, importando a tradição americana, que por sua vez deve ter sido importada daEuropa. Afinal, o conto de fadas "João e Maria" - Henzel and Gretel - tem uma. É possível comprar as casinhas prontas no aqui mercado para apenas decorá-las com as crianças...)
Depois lendo o blog da Claudia em busca de biscoitos natalinos e marzipã, encontrei um belo artigo sobre o assunto, e reproduzo aqui...
"Percebo que o Natal, assim como o Carnaval, é uma grande celebração pagã adotada pelos povos cristãos. Daí tanta contradição entre datas e celebrações nas diversas igrejas cristãs do planeta. Não que eu me importe. Não me importo nem com as contradições, nem com o paganismo. Muito pelo contrário, adoro identificar a permanência das tradições pagãs em geral, meu paganismo existencial se acelera nesta hora. O fato é que o Natal, as luzes do Natal, os personagens do Natal (elfos, gnomos, ajudantes do Papai Noel e o Papai Noel em si) e as comidas de Natal são todas parte de uma antiga celebração pela vida durante o inverno Europeu. Aqui, no norte da Europa, com o inverno mais intenso, percebe-se claramente a celebração do Natal como uma festa da vida, pela sobrevivência dos povos do gelo. E o Natal começa bem cedo aqui e eu acho que é uma das coisas que ajuda esta gente a sobreviver. O Natal aqui é cercado de lendas, de histórias e de comidas especiais e é uma data que enlouquece o povo daqui de uma forma pouquíssimo cristã (isto talvez em outra postagem). Outro lance é que o Natal aqui ainda tem pouquíssimo apelo comercial, especialmente se comparado com o Brasil. Aqui o lance é comer e beber muito, muito mesmo, para viver, para sobreviver, acender velas e luzes para iluminar as almas, abrir os caminhos, chamar de volta os deuses antigos."
Taí uma resposta, claro! Os cristãos provavelmente acabaram assimilando os antigos costumes pagãos, dando origem a uma outra festa!
Independente de tudo isso, o Natal aqui é forte. Como disse Claudia, acho que talvez seja mais fácil suportar o frio e a escuridão com uma festa tão grande acontecendo o mês todo.
Fora tudo isso, ainda tem a tradição das Julebord, ou, na tradução livre pro português, mesa de Natal. É quando, desde o mês de novembro, as empresas e locaisde trabalho começam a reunir os funcionários para celebração de Natal, com direito a muitacomilança e principalmente, bebelança! Leia o fabuloso post do Leo na Finlândia sobre a pikkujoulu, versão finlandesa da Julebord. É de matar de rir, e é assim mesmo que as coisas acontecem, segundo ouvi por aí. Em algumas se leva a família toda, noutras só os funcionários...
Essa sexta, dia 11, o chefe do Lars vai nos lever pra jantar no SAS Hotel, e de lá vamos pra um dos bares da cidade. Ai,ai,ai... Ainda bem que tô de folga. Mas na sexta seguinte, dia 18, é a vez da nossa, lá do hotel. Vamos pra uma escola de culinária bem transada, cozinhar nossa própria comida e beber - um pouco só pra mim, pois trabalho cedo no outro dia...
Volto em breve com relatos sobre as festas e a coisa toda da árvore de Natal, que vamos comprar semana que vem. Aqui só se enfeita a árvore na véspera de Natal, família toda reunida.
Por enquanto, mais um vídeo de Natal pra vocês... "12 days of Christmas", com Richard Spacey, Cruise Director, e os crupiês, dançarinos, bartenders, chefs, recreadores, cabelereiros, garçons, faxineiros, técnicos de som e luz do Freedom of the Seas, e claro, o Capitão Erik e suas 5 tarjas douradas. Gravado em 2007 - meu último Natal a bordo...
* leia mais sobre este assunto aqui neste excelente blog