Mostrando postagens com marcador navios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador navios. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, junho 24, 2009

Enquanto isso

Enquanto preparo outro post, fica aqui um entretenimentozinho... Os bartenders do Freedom of the Seas dando um show de bola. Os três são filipinos, e o Stephen, o segundo, foi campeão nacional de flair do TGY Friday de Manila. O primeiro, Leo, era bar boy quando eu ainda trabalhava lá, foi promovido e já dá show. E Melvin, o rapaz de terno, era bartender e foi promovido a Head Bartender. Se ficar chato, pula pra depois dos 4 minutos... Tô tão orgulhosa - e morrendo de saudade - dos meus meninos. Gente finíssima!!!

E pensar que uma vez até fiz curso de flair... De tanto levar garrafada na cabeça acabei desistindo de praticar...



segunda-feira, março 16, 2009

Nostalgia marítima

Meu primeiro navio, Splendour of the Seas, 74000 toneladas, capacidade para 2000 pasageiros e 750 tripulantes, que foi "home away from home" entre outubro de 1999 e março de 2001, e me levou a 22 países, sendo 9 deles diferentes ilhas do Caribe... Com ele, fiz Caribe (saindo de Miami), Mediterrâneo saindo de Barcelona, Escandinávia (tambem desde a França), Nova Inglaterra e Canadá a partir de Boston, e América do Sul saindo do Brasil e de Buenos Aires)
Mais imagens aqui.


Meu segundo navio, já com outra Cia, a Carnival Cruise Lines. Este era o Carnival Fascination, uma lata velha onde passei um mes apenas... 70000 toneladas, capacidade para 2000 passageiros e mais ou menos 700 tripulantes. Passei a bordo desta meleca o Natal e Ano Novo de 2001 para 2002. Cruzeiros de 3 e 4 noites, com overnight em Nassau nas 3 noites, e saida de Cozumel 10h da noite nas 4 noites. Como estava em treinamento, o regime de trabalho não era muito intenso. Deu pra aproveitar bem as noitadas nas ilhas! Terminando o treinamento (Carnival College), fui transferida para outro navio um mes depois.


O Carnival Victory, com 101000 toneladas, capacidade para 2700 passageiros e quase 1000 tripulantes. Saindo também de Miami, fazendo Caribe Leste (San Juan - Puerto Rico, St Thomas, St Croix e Nassau) e Caribe Oeste (Cozumel, Jamaica, Grand Cayman). Foi minha residência por apenas 4 meses (de janeiro a maio de 2002), acabei pedindo demissão pois o ambiente de trabalho e as condições de vida a bordo eram muito inferiores as da Royal Caribbean International.



Meu quarto navio (de volta a Royal Caribbean), Navigator of the Seas, com 148000 mil toneladas, capacidade para 3600 passageiros e 1200 tripulantes. Saindo de Miami, visitando o Caribe Oeste (Cozumel, Grand Cayman, Jamaica e Haiti), e Caribe Leste (San Juan - Puerto Rico, St Thomas, St Maarten e Bahamas - Nassau). Foi meu lar entre abril de 2004 a janeiro de 2006. Ótimas lembranças... Saí de lá para ir abrir o navio que era o mais novo da frota na época.
Mais imagens aqui.


Perspectiva: Splendour e Navigator lado a lado em Cozumel

Meu penúltimo navio, Freedom of the Seas, com 160000 toneladas, capacidade para 4 mil passageiros e 1400 tripulantes. Foi meu lar entre abril de 2006 e agosto de 2008. Eu participei do "start-up team" do Freedom, embarcando nele no estaleiro em Turku, Finlandia. Saímos rumo a Hamburgo, na Alemanha, depois Oslo, Southampton (Inglaterra), atravessamos o Atlântico em direção a Boston, depois NY, e finalmente, 45 dias depois, Miami, onde faríamos nosso primeiro cruzeiro com passageiros pagantes. A cobertura da imprensa foi colossal por ele ser o maior e mais inovador navio do mundo, além da parede de escalada e pista de patinacçã no gelo, ele tem também uma piscina de surf, o FlowRider. Um espetáculo... Veja mais aqui.


Depois de abrir o Freedom, com a rotina de trabalho insana, estava cansadas, e resolvi procurar trabalho quando uma amiga, tambem Camila, me pediu meu CV pois estavam contratando Head Sommelier numa das Cias para a qual a empresa onde trabalha prestava serviço. Saí do Freedom de férias e fui fazer uma entrevista no Rio, e fui contratada...


Entao, fui parar nisso aí... O menor (48000 toneladas, capacidade para 1600 passageiros e 470 tripulantes)e pior navio onde já trabalhei. Pelas condições de vida a bordo, traços de carater da tripulação (só os muitos brasileiros a bordo eram gente boa) e trabalho semi-escravo... Passei 4 semanas, entre outubro e setembro de 2006 a bordo dele, mas na segunda semana já havia telefonado para a Royal, que estava me esperando. As duas ultimas semanas foram pra juntar grana pra pagar a passagem de volta. A coisa boa do Grand Mistral: Grécia, Tunísia, a ilha de Malta e lugares da França e Italia que pude revisitar.

E para o ano que vem, fica aqui o plano... O mais novo, melhor, maior, mais inovador, mais lindo navio do mundo, o Oasis of the Seas, nova adição a frota da Royal Caribbean International, introduzindo na indústria as suítes loft, zip-line (tirolesa) de 6 andares, The Tide Bar, que sobe e desce três andares, entre outras coisas. Já estamos (eu e Lars) guardando o dinheiro para isso, pois ter trabalhado quase 10 anos (eu - o Lars, mais de 10 anos) em navio e não ir ver de perto esta coisa, não ia dar... Para detalhes:
http://www.oasisoftheseas.com/
http://www.oasisoftheseas.com/video.php

Fica aqui nosso plano, por escrito, pra não perder a perspectiva...





sábado, agosto 09, 2008

O que acontece agora?

Para quem ainda não sabe, não estou mais trabalhando na Royal Caribbean. Foi um casamento de 8 anos e 10 meses - com um break de três anos, claro... Foi ótimo enquanto durou, mas chegou a hora de fazer outra coisa da vida. E meu namorado, Lars, chegou `a mesma conclusão na mesma hora, ou seja, "perfect timing". Então ele me disse que gostaria que eu fosse morar na Noruega com ele. E este é o novo capítulo da história. Assim que chegar no Brasil tenho que começar a correr atrás de vistos e de aulas particulares de norueguês, prá já ir adiantando o meu lado.

Estive na Noruega de férias em abril deste ano e adorei. Sim, é frio, mas também é lindo, cheio de beleza natural e atividades outdoors. Antes de dizer que é muito frio, é preciso experimentar ever se um se adapta. No meu caso espero que sim. Há centenas de brasileiros vivendo na Noruega atualmente. Aqui vão algumas fotinhos da Noruega, e algumas fotos de meu último contrato no Freedom... Vou sentir muita saudade de todos que conheci no percurso, mas se tem uma coisa que a vida de navio (ship´s life, como a tripulação se refere a ela) foi e me desapegar e aprender que as pessoas vem e vão, mas que as especiais realmente ficarão, seja no contato, seja na memória - para sempre...




sexta-feira, abril 27, 2007

De férias

Bem, acho que os posts aqui passaram a ser semestrais! Também, a internet no navio nunca funciona, o que não me deixa tempo para as frivolidades internéticas!

Tô em Sampa de férias. Semana que vem to indo para a Ilha de Pascoa, no pacifico sul - um oceano onde ainda não estive. Mas essa aventura será narrada numa outra ocasião.

Depois de ter saido e ter me incorporado a tripulação do Grand Mistral, da Iberojet, retornei ao Freedom. Foi um contrato excelente - não esperava estar lá, e de repente me vejo em frente ao navio outra vez. Me senti um pouco perdedora, havia jurado que não punha mais os pés na Royal. E no fim foi o melhor contrato que tive até hoje. Primeiro porque foi um contrato curto - de 4 meses e 3 semanas - eu venho dando uma sorte com isso.... Segundo porque estive ao lado de minhas amigas loucas - das quais eu já havia me despedido para sempre. Como já havia contado no post anterior, muitas festas, muita diversão, e o trabalho também acompanhou o ritmo... Foi tranquilo, ninguém enchendo o saco da gente.... Meus companheiros de trabalho (somos 8 em nosso time) sao agradabilissimos, e todos nos nos damos super bem. No natal fizemos um amigo secreto entre nós e fomos almoçar num restaurante "chique" em Cozumel (Pepe's) para entregar os presentes - foi divertidíssimo. Meus companheiros na época: um indonesio, um indiano, um filipino, uma romena, uma búlgara, um mexicano e uma sul africana. Somos muito diferentes mas muito bem relacionados!









(eu e Lars, o naruegues, e a festa de natal)

Ja mencionei que no Natal conheci - já conhecia de vista - um norueguês? Pois é, estamos juntos desde então. O nome dele é Lars, ele é engenheiro eletricista (é assim que fala?). Juntou toda a alegria que eu tinha com isso... Além do que, nosso grupinho de amigos era bem ativo - crew bar toda noite, mesmo quando éramos só nós.... Em janeiro chegou a primeira brasileira pra aumentar o time comigo, a Mariana. Depois chegou Igor - mas este já vazou, infelizmente.

(os 3 brasileiros)
Enfim, tava tudo perfeito - ate o dia 4 de fevereiro, quando a Nadia (a amiga romena) foi embora. Ela foi pra casa de férias e depois ia abrir o Liberty (eu não quis ir por causa do Lars...). Fiquei bem abalada, pois ela era minha grande companheira pra todas as horas... E dai, dia 11 de fevereiro, véspera do meu aniversario, vários outros foram embora - pra sempre.... Cesar, Tracey, e mais gente linda que vai deixar muita saudade. Meu príncipe norueguês tambem saiu de férias neste dia.













(Eu, Lars, Tracey e Cesar, e ultima noite da Nadia)

Então no meu aniversário os wine tenders se juntaram e me deram uma festinha que foi a melhor festa de aniversário que ja tive num navio. Era um sea day e tinha TRIVIA no crew bar. Festinha, bolo, presentes, varios shots de Jagermeister.... Nunca ri tanto...
(aniversario, todos os wine tenders)
E dai foi só desabando.... 4 semanas depois a Kristine (a amiga búlgara, e minha roomie por muito tempo - a melhor que tive) também se foi, também indo para o Liberty depois. Gerson, o wine tender mexicano, tambem se foi de férias, felizmente pra voltar ao Freedom.

E logo antes de eu vir embora chegaram mais 3 brasileiros - a Clarissa e seu irmão Pedro - gente finíssima, e a Giovana (com quem falei uma vez só...). Tem mais um brasileiro chegando comigo dia 27 de maio, o Thiago. Achei ele numa comunidade do Orkut... E por ai deu pra perceber que tem um montão de brasileiros chegando... A maioria com destino traçado - serão transferidos para o Splendour, que chega no Brasil dia 4 de dezembro deste ano. Felizmente pra mim, eu não posso trabalhar nele porque minha posição so existe em 4 navios - Navigator, Mariner, Freedom e Liberty.

Por hora é só, queria dar um uptade no diário....

sexta-feira, dezembro 15, 2006

GI a solta na America do Norte

Apos uma longa e tenebrosa epidemia de GI (Gastrintestinal Illness) agora posso dar um update na situação.

Então, cheguei no Freedom no dia 19 de novembro, com o rabicho entre as pernas, pois a cada pessoa de quem já havia me despedido, tinha que explicar porque eu estava de volta tão rápido. Tinha deixado o navio em agosto. E só pra desenterrar assombração, neste mesmo dia o Leo, o ex irlandês, tambem deixava o Freedom para sempre. Sua irmã, que eu conheci na Irlanda, o estava esperando desembarcar no mesmo local que eu esperava para embarcar. Mas o re-encontro foi normal, morno até. Já havia passado muito tempo... Houve um pequeno porém... O navio estava com uma epidemia de GI, com 350 casos, portanto, o pessoal a bordo deveria sanitizar o navio inteiro antes de deixar novas pessoas embarcarem.

PAUSA PARA EXPLICAR O TAL GI
Na America do Norte, principalmente nos meses frios, existe um virus chamado Norwalk Virus, que causa doença gastro-intestinal (diarréia e vômito) e é facilmente transmissível. Uma pessoa infectada precisa somente tocar uma superfície para infestá-la. Outra pessoa que toque a mesma superfície e ponha as mãos numa mucosa (olhos, nariz e principalmente boca) irá contrair o virus e desenvolverá os sintomas dentro de no máximo 72 horas. É uma infecção, que pode atématar crianças e idosos. O CDC (Centre for Disease Control & Prevention) calcula que anualmente mais de 50 milhões de pessoas só no hemisfério norte sejam infectadas. Feio, né? O pior é pensar que muito dessa facilidade de transmissão tem a ver também com FALTA DE HIGIENE PESSOAL.

Mas os navios são sujos? Escuto esta pergunta - que ja ficou besta, pra mim! - sempre. Então, pense num virus-zinho que esta ali infectando um povo que já não lava a mão com a frequência que deveria. Pense numa pessoa indo ao banheiro público com diarréia, e tentando se limpar. Então o papel higiênico rasga e a pessoa acaba tocando suas proprias fezes,s abe? Fezes estas que são uma sopa de vírus, diga-se assim. Então ela, com as fezes+virus nas mãos, vai tocar a descarga. Depois vai abrir o trinco do reservado, e - SE ELA FOR UM MINIMO LIMPA!!! - vai então abrir a torneira para lavar as mãos. Mas em banheiros públicos todo mundo lava as mãos com pressa, certo? Então ainda vai ter um pouquinho de cocô virulento na mão da pessoa, que vai então tocar a porta de saída. Onde esta pessoa deixou vírus (e cocô)? Em todos os lugares que ela tocou, e ainda vai tocar na próxima hora ao menos. Imagine a próxima pessoa que der a descarga no mesmo reservado, etc, etc, etc. Esta pessoa vai contrair a infecção, ter os sintomas em algumas horas, e assim por diante. Agora pense nos EUA, em lugares como os aeroportos, shopping malls, e o PORTO DE MIAMI? Dá pra sacar a proporção do negócio?

Então, como a epidemia é continental e está ligada ao clima (Norwalk Virus gosta de frio), as pessoas já embarcam no navio carregando o vírus, que trouxeram de casa/escola/trabalho/elevadores/supermercados, etc. E dentro do navio, acontece igualzinho ao que aconteceu no segundo parágrafo (vírus+cocô). Só que no navio, o sujeito que fez a caca não vai embora de carro. Ele vai pro elevador, pro cassino, pega nos corrimãos.... Dá pra entender? Em 72 horas já virou um rebosteio. E o CDC exige que os passageiros reportem que estão doentes, mas eles não o fazem, pois sabem que se o fizerem serão isolados, portanto perderão alguns dias de seus maravilhosos cruzeiros trancafiados em suas cabines. Ao final de 7 dias, quando chega o dia dos passageiros desembarcarem, alguns ainda doentes continuam espalhando o vírus, e se as coisas não são desinfectadas, o vírus continua ali esperando outro hospedeiro porquinho, que tocará uma superfície e depois a boca.

E no início do parágrafo disse que a infecção por Norwalk virus está ligada à falta de higiene pessoal, porque se você lava as mãos CORRETAMENTE e COM FREQUÊNCIA, é difícil contrair a doença. Se expostos a uma epidemia deste tipo - ou porque não, cotidianamente? - é necessário lavar as mãos com frequência, por no mínimo 20 segundos, esfregando bastante com sabão. Não é o sabão que propriamente lava a mão (sabão elimina ALGUMAS BACTERIAS, mas neste caso é um virus, e sabão não elimina). O vírus é eliminado pela ação mecânica de esfregar as mãos, e o sabão facilita isso. Água quente, de preferência (lembra que o virus gosta de frio?). Quem faz isso com frequência não fica doente. Não é a toa que a porcentagem da tripulação que fica doente é muito menor que a de passageiros.
PLAY PARA TERMINAR O POST

Então, esperei bastante para embarcar no navio. Para completar, depois que já haviam terminado de desinfetar o navio e liberaram o embarque, o pessoal do crew office disse que não havia cabine para mim. Eu estava sendo aguardada para o dia 26 de novembro. Algumas horas depois consegui embarcar - me colocaram numa cabine provisoriamente atá a semana seguinte.

Minha cabine era com uma garota do dining room. Ela não morava lá, acho que ficava com o namorado, assim que estive praticamente sozinha. Depois fui reencontrar as meninas, meus colegas de trabalho... E como de costume, correria, lavanderia, uniformes, pre-departure safety training... E fui trabalhar as 5 da tarde. E por num instante me sentia em casa de novo. Estava feliz por ter voltado. Mas a grama é sempre mais verde do outro lado da cerca, muitos dizem, não é? Se não tivesse saído, não teria percebido o que deixei para trás.

Fazendo um balanço, 2007 foi um ótimo ano. Fui pra Europa 3 vezes, conheci uns 10 países novos, revi lugares como Veneza, NY, Boston, conheci gente nova a beça, e melhor, me conheci um pouco melhor também... Não posso reclamar de nada.

E a saga da caganeira não terminou, mas continua outro dia, que este é só meu primeiro cruzeiro de volta!

quarta-feira, novembro 15, 2006

Aventuras mediterrâneas

Estava devendo uma explicação quanto ao belíssimo contrato de 4 SEMANAS que fiz a bordo do Grand Mistral. Ai vai...

Cheguei em Barcelona dia 16 de outubro e não havia ninguém esperando por mim no aeroporto. Me lembro que o porto de Barcelona era longe. Liguei para o escritório em Madrid e mandaram então um agente me buscar. Detalhe que meu vôo de SP pra Lisboa atrasou e em Lisboa chovia canivete no aeroporto, então o vôo para Barcelona atrasou também. O navio saía de Barcelona às 13 horas. Já era meio-dia. O agente chegou e já tinha um brasileiro com ele, o Fabio, que ia trabalhar na recepa, como dizia ele (recepcao). Ao chegarmos no porto, não pude deixar de resmungar "Que banheira véia, rapaz!". Afinal, eu tava vindo de um navio gigantesco e novo em folha pra um vovô de 1999. E resgatado de uma Cia de cruzeiros falida, a antiga Festival Cruises. Enfim...

Já a bordo, procedimentos-padrão de sign-on - preenche papel , entrega passaporte, assina contrato, recebe chave. E então veio uma filipina me receber. Ela já chegou resmungando que eu tinha chegado atrasada, que a pessoa que eu ia substituir já tinha ido embora, e então quem é que ia me explicar tudo... Eu disse a ela que só precisava de alguém que me mostrasse onde arrumar os uniformes, pois já cohecia outros navios, e afinal não poderia ser tão diferente. Mas era! Achar os lugares foi fácil. O difícil foi a situação em que a cabine se encontrava: NOJENTA. Moravam dois caras lá, que tinham desembarcado naquela manhã. UM NOJO, pêlo/cabelo, sabe-lá-Deus o que, por todos os lados. A cortina do banheiro cheia de mofo. O carpete da cabine imundo. Os armários imundos. Consegui com os chineses na lavanderia ao menos um pano. pra dar um tapa na cabine. Forrei todas as gavetas com plástico. Peguei roupa de cama limpa em dose dupla. Já dei um jeitinho no banheiro.

Minha room-mate chegou depois. Era uma cubana. Eu nunca tinha visto cubanos em navios, pois sempre havia trabalhado para Cias americanas, mas a Iberojet era espanhola. Era a primeira vez da menina, e ela estava assustada. Primeiro dia de navio para marinheiro de primeira é um choque... Neguinho corre com você pra tudo que é lado, e você não tem nem tempo de absorver quão minúscula é a cabine, muito menos o caminho pro serviço todos os dias... Já te levam pra lavanderia que sempre é impossível de achar de novo, pra pegar uniformes e roupa de cama e banho. Depois vão te mostrar onde você vai trabalhar, depois onde você vai comer.... E a menina já estava zureta. Eu nem lembro o nome dela...

O primeiro tempinho que tivemos depois de desfazer as malas foi limpar o banheiro. E quando assustamos já era hora de ir trabalhar. Então fui encontrar meu chefe no Bar Office. Fui recebida por um colombiano, o Assist Bar Manager. Ele andou por aí comigo, me levou para ver a adeguinha do restaurante onde eu ia trabalhar. Me apresentou pessoas... E então já fui fazer o trabalho em si, com um cara me ensinando.

A carta de vinhos era novidade pra mim, pois sõ tinha vinhos da Espanha. Eu teria que administrar todo o estoque para os dois restaurantes e ainda servir vinhos no restaurante menor, que depois vim a saber que era o restaurante exclusivo dos passageiros que se hospedavam nas suítes.

Para minha supresa, ao começar o serviço, dei de cara com duas pessoas que haviam trabalhado comigo no Splendour em 2000. O Marcelo, mâitre, e a Erika, que ainda era waitress. Muita coincidência.... E mais um montão de brasileiros - eram quase 150, ou ate mais.

Pra encurtar a história, a galera que trabalhava comigo era na maioria latina. Havia um indiano, três brasileiros, um cubano, e o resto tudo colombiano. E este povo, exceto os 3 brasileiros, não gostou do fato de a Cia ter trazido uma pessoa tão "inexperiente" para fazer o serviço, sendo que eles poderiam ter promovido alguém do time. Enfim, começou o esquema de sabotagem, diz-que-disse, tudo apoiado pelo Assist. Bar Manager da Colombia que nao ia com a minha cara. E tudo isso à parte, eu trabalhava almoço e jantar todos os dias, tendo direito a um almoço livre. por cruzeiro. Então dava pra sair muito pouco nos portos. E em cima de tudo isso, o crew bar fechava às 2 da manha, e você não podia sair de lá com cerveja pra tomar na cabine. E muito menos comprar bebida nos portos e trazer pro navio. Isso era normal nas outras Cias que eu havia trabalhado. Lembro de um episódio em que comprei em Livorno uma garrafa de Sassicaia - um vinho italiano RARO e CARO - para a minha pequena coleção, e tomaram de mim na entrada. Ate aí tudo bem, eu sabia que não poderia levar o vinho para a cabine, que ele seria confiscado e devolvido no meu último dia. Mas aí era um merda de um guarda indiano (precisava ser dessa raça, né? Vejam meus postsde 2001!) quem pegou a garrafa e todo, mas TODO dia ele me via e vinha me dizer que eles tinham tomado o meu vinho na noite anterior. E eu pensando naqueles oficiais com um Sassicaia nas mãos, dava até arrepio, meu vinhozinho que eu paguei tão baratinho (1oo euros, comparando com os 3000 reais que ele vale aqui no Braza, já viu, né?)....Pesadelos.

O Bar Manager, meu chefe, que era finlandês, não queria saber de nada, só de encher a cara na discoteca do navio. Era o colombiano que mandava em tudo...

E pra terminar, eles me haviam prmetido salário em Euros, pago em cash, etc. E na minha primeira semana o fod** da empresa veio a bordo pra COMUNICAR os tripulantes que a partir do próximo ano os salários passariam a ser pagos em DOLAR, e muito possivelmente em Reais quando o navio estivesse fazendo a temporada brasileira. Entao eu tive aquele velho pensamento: Ai, o que eu vim fazer aqui? Nesta mesma noite mandei um e-mail a RCCL, dizendo que queria voltar. Eles levaram + ou - uma semana pra me achar um lugar e perguntaram se eu poderia embarcar na semana seguinte em Miami. Eu disse que estava em Barcelona, precisava de uns 15 dias pra sair dali e arrumar a passagem pra Miami. Então eu esperei uma semana mais antes de pedir demissão, senão eu sabia que ia ser tratada "diferente" pela equipe. E eles continuavam ferrando minhas folgas, sumindo com vinho pra depois jogar a culpa em mim, e eu QUIETA. Então uma semana depois, quando já tinha a grana da passagem de volta, eu pedi as contas. O dinheiro que recebi nas últimas duas semanas serviu pra pagar a passagem de volta justamente porque quebrei o contrato e a Cia não cobre a despesa nestes casos.

Dubrovnik, Coratia Valetta, Malta
Mas voltei ao Brasil com novos portos "na bagagem" - alguns deles não conhecia, como Malta, uma ilha no Mediterrâneo que era um dos lugares mais lindos que já havia visto, a Tunísia, a Croácia e a Grécia. Também tenho muito boa lembrança dos brasileiros que deixei por lá, muito divertidos, alguns bem determinados, outros enganados como eu. Fora a lembrança dos colombianos, nem tudo foi tão mal assim. Afinal, foram 4 semanas de "férias" no mediterrâneo! Com amigos ótimos...

Corfu, Grecia
E alguns dias depois estaria novamente em Miami, em frente ao Freedom of the Seas, depois de todas as despedidas já feitas e de ter jurado que jamais voltaria lá...


quarta-feira, setembro 20, 2006

Depois de um longo inverno...

Bom, eu sei que fiquei muito tempo sem escrever, e por desencargo de consciência vou dar uma atualizada nas coisas.... Depois da inauguração do Freedom, passei o contrato trabalhando muito e fazendo muita festa com minhas colegas Nadia e Kristine (Romênia e Bulgária respectivamente), com a adição de Arvinder Singh, indiano do Navigator que se juntou a nós no Freedom. Festa direto, até altas horas da madrugada, e no dia seguinte, que praia que nada.... No final do contrato ja tinha emagrecido 9 kilos, foi a dieta da cerveja!!!!


Enfim, minha data prevista de férias seria em novembro, mas acabaram adiantando para setembro, porque precisaram que eu trocasse com uma menina. Aceitei na hora, caso contrário meu contrato seria de 8 meses. Saindo em setembro, acabai fazendo 5 meses.

E quando saí de férias, avisei a todos que não voltaria mais.... Queria arrumar um trabalho em terra firme, tipo horario comercial, pois esta vida de navio já estava me exaurindo... Ainda lá no Freedom eu tinha mandado já uns e-mails procurando trabalho. Cheguei no Brasil e uma amiga - tambem Camila - tinha encaminhado meu cv para uma empresa de navios chamada Iberojet, onde precisavam de um Head Sommelier a bordo de um navio pequeno chamado Grand Mistral.

Bem, eu haviado jurado que navio nunca mais, mas como o Mistral vem para o Brasil nos verões, pensei que seria uma chance de fazer algo, ganhar dinheiro enquanto esperava algo melhor aparecer, e se pintasse, era só pular fora em Santos. Então fui à entrevista no Rio de Janeiro, onde passei 2 dias ótimos dias na casa de meu amigo Felipe, ex-colega de Navigator também. A entrevista foi ótima, adorei a gerente de RH, adorei a possibilidade de estar em um cargo de supervisão dentro de um navio, e mais ainda, adorei o fato de me mandarem embarcar em Barcelona com passagem paga e ficar um mês na Europa antes de cruzar o Atlântico rumo ao Brasil.

Entao lá fui eu de ferias, deixando o Freedom com muitas despedidas e muitas boas memórias na bagagem... A aventura na Iberojet eu conto num próximo post...

domingo, agosto 20, 2006

Coração partido na Finlândia & Freedom inaugurals

Bom, é isso mesmo... Leo, o namorado irlandês e eu terminamos a relação de um ano e pouco. Ele disse que queria coisas diferentes, e eu concordei. Foi duro, ainda mais porque não só sou obrigada a saber que o bicho está na mesma lata de sardinha gigante que eu, 24 horas por dia, mas além disso a loja onde trabalha é exatamente ao lado do bar onde eu trabalho. Enfim, meus amigos estão aí para dar apoio mesmo... E saímos da Finlândia rumo a um estaleiro em Hamburgo, na Alemanha. A saída de Turku foi linda porque o mar estava congelado, e precisamos ser rebocados até o Báltico. Um dos quebra-gelos se chamava Apu (para os fãs dos Simpsons...). Os funcionários do estaleiro ficaram lá no pier dizendo Adeus ao navio que eles construiram por 37 meses.

Durante aquela noite o navio navegou bem devagar em meio a uma grossa camada de gelo quebrado, e eu escutava os blocos de gelo raspando na parede do navio - minha cabine era lateral, no deck zero, como toda cabine de peão, né gente... Uns dias depois, já em alto mar, que na verdade não era alto mar e sim o báltico, todo o suspense depois de contornar a Suecia, para passar em baixo da Storebelt Bridge, que é uma das mais longas do mundo.



Na Alemanha ficamos, ainda sem passageiros, em doca seca (dry-dock) por mais cinco dias. A equipe precisava trocar um propeller com defeito. Então seguimos no mesmo ritmo de Turku - trabalhando em "hora comercial" e a noite, bota festança nosbares. Hamburgo é uma cidade bem bonita. E no dia 24 de abril o CEO da Royal Caribbean assinou o contrato de posse no navio, numa cerimonia chique na ponte de comando do navio. Claro que eu, Nadia e Kristine servimos as bebidas. Até aparecemos na TV, no especial do Discovery sobre a construção do Freedom. E depois disso, o navio pertenciaa Royal, assim que podiamos fazer que faziamos num navio da Royal. Para comemorar, a primeira Full Crew Party a bordo no crew bar - em Turku eram em uma disco na cidade.

Depois destes últimos cinco dias de férias, começamos então a receber ai mprensa européia, agentes de viagem e VVVVVIP guests, para cruzeiros de uma noite "to nowhere". A cada dia embarcavam aproximadamente 3000 pax, e saíamos com elas dando "uma voltinha no mar" - assim eles teriam chance de experimentar "the Freedom of the Seas experience". Detalhe que tudo era grátis para este povo sortudo. Eu e Nadia trabalhando no restaurante principal, responsáveis pelo estoque de vinhos (como boas e responsáveis wine tenders, as mais experientes da equipe, sacumé?). Vinhos que seriam servidos a vontade E DE GRAÇA no jantar... Enfim, fizemos isso na Alemanha, depois Oslo. A norueguesada bebia o triplo do que bebiam os alemães, e por conta disso o pessoal do bar tomou na cabeça, porque dá-lhe repor estoques todos os dias. Nem deu pra sentir o cheirinho de Oslo. E da Noruega para a Inglaterra, onde também não consegui sair do navio nem uma vez.

Então chegou a famosa travessia do Atlântico - seis dias em alto mar. O tempo estava divino. Muito sol, apesar da baixa temperatura. Não havia hóspedes a bordo conosco, exceto ainda alguns trabalhadores (porque afinal de contas o maledeto navio ainda não estava 100% pronto!) finlandeses e alemães, e uma equipe de TV belga que filmou um capítulo inteiro de uma novela. Muito engraçado, todos os dias anunciavam nos alto-falantes que precisavam de extras. E para "testar" os serviços, várias áreas abriram para os tripulantes. Todos os dias as piscinas, jacuzis, parede de escalada e toda a área de esportes abria, o restaurante principal abria pra podermos testar a cozinha, os show de variedades, as paradas e o show de patinação foram apresentados só para nós, e a cada noite dois bares abriam. Foi muito divertido. Mas então chegamos a New York, onde seria realizado o batismo do navio, e fomos recepcionados por 25 helicópteros da imprensa. Um episódio do Today Show com Katie Courik foi filmado a bordo, muita imprensa, um evento do Spike Lee tambem rolou, com direito a Oprah, Wesley Snipes, Morgan Freeman, etc. De New York a Boston, no mesmo esquema - 3mil in, cruzeiro até a esquina, 3000 out. Todos os dias, tudo de graça para os passageiros. E enfim, no dia 2 de junho de 2006 finalmente chagamos a Miami. Teríamos 2 dias para abastecer com os produtos de costume, pois até então tinha sido tudo especial e diferente. Neste dia também encontramos o Navigator no porto e eu consegui um tempinho para correr lá e dar um oi pros meus antigos companheiros. Alguns deles tambem vieram conhecer o Freedom.

E depois de exatos dois meses de muito trabalho, mas tambem muita diversão, o Freedom of the Seas partiu pro abraço com seus primeiros 4200 passageiros pagantes, no dia 4 de junho de 2006. Agora era hora de começar a ganhar dinheiro!

E com tanto trabalho, e tanta diversão, nem deu muito tempo de pensar no irlandês com tristeza. E no fim nos tornamos amigos...

Ah, e detalhe: eu era a única brasileira a bordo, num universo de 1400 tripulantes. Dá pra por a banderinha, né?

domingo, abril 09, 2006

Turku, Finlândia

Pois é, povo, tô aqui na Finlândia, depois de uma longa viajem... Cheguei aqui dia 4 de abril.

O navio no dia que cheguei não estava em condições, uma zona. Para se ter uma idéia, é como andar numa obra qualquer. Fora a tripulação, que ainda não está toda a bordo, há 3 mil operários e construtores trabalhando no local. Nós estamos como escravinhos descarregando conteiners e guardando as coisas dentro do navio, aguardando os lugares ficarem prontos. Tudo coberto com plástico para não estragar carpetes e estofamentos, as obras de arte ainda sendo instaladas, o teto TODINHO em todos os lados está descoberto por causa da fiação... Mas em cinco dias o trabalho rendeu, e hoje já se dá pra ter uma idéia. O bicho vai ficar lindão... Aguardem...

Enquanto isso, algumas horas de trabalho duro por dia e depois muita cerveja em Turku, que não e o c* do mundo. Uma cidadezinha bem bacana, lotada de bares, restaurantes e finlandeses que sempre nos olham com caras curiosas.

Sexta-feitra teve um festão numa disco local só pra tripulação. Foi bem legal. O Navigator tá em peso aqui, umas cem pessoas vieram de lá comigo, fora a honra e surpresa de reencontrar algumas pessoas do Splendour que não via há anos.

Por hora é isso, depois conto mais... Agora tenho que ir tomar cerveja!

domingo, março 19, 2006

Updating

Ok, ok, eu sei que estive absolutamente relapsa com esta página, mas é dificil manter tudo em dia.

Não escrevi nada sobre meu contrato passado, mas realmente o que importa é que eu e Leo vamos firme, e nós dois nos voluntariamos para abrir o novo navio da Royal Caribbean, o Freedom of the Seas (acessem o site e deem uma olhada, 20 mil toneladas maior que o Navigator, 100 pés mais longo, e com novas e imbatíveis atrações). Achamos que seria bom mudar de ares, e obviamente abrir o maior barco do mundo deve adicionar algo no currículo. Mas, o mais importante, bastante dinheiro, pois no primeiro ano o barco e disputadíssimo, vive lotado, e não há promoções... Sorry, sem visitas no Freedom até o ano que vem.

Saí de férias no meio de janeiro e fui para a Irlanda, conhecer a famiíla do Leo. Primeiro fiquei uma semana em Dublin, na casa do irmão do Leo - eu fiz sign-off uma semana antes dele. Para quem conhece a famosa infame anedota da Índia, tenho a dizer que esta experiência foi muito mais prazerosa. De Dublin fomos a Galway, a cidade natal dele, na costa oeste. Conheci a familia, amigos, e viajamos pela Europa, fazendo o roteiro que sempre quis: Budapeste, na Hungria, passando rapidamente pela Eslováquia só para adicionar um país a nossas listas, depois Viena, na Áustria, Praga, na República Tcheca, e finalmente Paris.

A viagem foi ótima, muita neve começou a cair em Budapest - ah, que lindo Budapest, e o caminho de trem de lá para a Eslováquia foi branquinho, branquinho. Em Bratislava ficamos apenas 6 horas, esperando o próximo trem. Foi suficiente para ver a cidade com 10cm de neve, comer num restaurante trendy e tomar vinho eslovaco, ou a sommelier aqui não sossega, e sentar na estação de trem e tomar várias Staropramen e Budvar... Chegamos em Viena à noite. O albergue era ótimo. Saímos para jantar e no dia seguinte fomos passear. Em um dia deu pra ver muita coisa. Exaustos, pegamos o trem pra Praga no dia seguinte. Já o albergue de Praga não era tão legal, mas deu pro gasto. Passamos a maior parte do tempo na rua de qualquer jeito.

De Praga tomamos um avião para Paris. E foi fabuloso. Notre Dame, Sacre Couer, Louvre, Orsay, Versailles, enfim, fizemos muito com nosso tempo. Passei meu aniversário lá, comendo um prataço de frutos do mar crus. Num bistrô fenomenal. Comi muito bem, aliás, exceto pelo dia em que resolvemos economizar e comer um almoço furreca numa dessas lojinhas turcas de kebab. Tive uma baita intoxicação alimentar com sanduiche de queijo, pode?

De Paris voltamos a Irlanda de Ryan Air - se estiver na Europa, ainda com dinheiro contado, Ryan Air na cabeça. É baratíssimo. Descemos em Shannon, mais perto de Galway. E então ficamos uns dias em Galway e depois fomos para Limerick, onde Leo tinha feito faculdade, um pouco mais ao sul. Alugamos um quarto numa residência de estudantes, por umas duas semanas. Saiu barato. Conheci lugares incríveis, como os Cliffs of Moher e o Bunratty Castle, no condado de Clare. Para quem não conhece a Irlanda, recomendo. Minha passagem estava marcada para dia 18 de março, então dia 16 fomos para Dublin e ficamos na casa do tio do Leo, para eu poder assistir a Parada de Saint Patrick. Foi fantástico. E pra ajudar, uma amiga irlandesa louca do navio tambem estava lá... Voei no dia seguinte com a maior ressacado mundo, afinal, os irlandeses quase não bebem!!!

Enfim, fico aqui no Brasil até dia 1 de abril, quando embarco para Miami, e de lá para a Finlândia (Turku). Devemos estar por lá umas 2, 3 semanas, e depois faremos tours com imprensa e agentes de viagem pela Europa. Atravessaremos o Atlântico, ficaremos um tempo por Boston e NY e depois, de volta ao bom e velho Port of Miami.

Juro que dessa vez vou tentar manter as coisas mais atualizadas.

Bye now...









(Budapest, margem do Danubio; Cliffs of Moher, costa sudoeste da Iralanda; Praga)
(Notre Dame, Paris; parada de St. Patrick, Dublin)

domingo, junho 05, 2005

Muito tempo depois

Pois é, estou em falta com este negócio aqui, mas a última vez que tentei escrever foi logo depois do Natal. Fiquei horas, a Internet saiu do ar e perdi tudo, que ódio. Bem, na verdade há um montão de coisas novas, mas todo mundo já deve saber a estas alturas, então farei curta uma longa estória.

Depois de um teretetê com um músico canadense muito legal, mas muito confuso, um moço irlandês (Leo) que trabalha na loja me "convidou pra sair", num dia que tinha uma festa enorme oferecida pelo departamento de bar, ou seja, euzinha nem precisava, mas me ofereci pra ajudar. Passei metade da noite fazendo caipirinha e mojito pra galera. Incendiou a festa, rapaz - e dá-lhe Pitu na galera. Bem, depois de convidar pra sair, a gente saiu, saiu e continuou saindo, até eu me mudar pra cabine dele. Felizmente o companheiro dele namora (a estas alturas achamos que é namorava) uma gerente, que tinha a cabine só pra ela. Assim, por 6 semanas, tivemos uma cabine só nossa.

(eu e Leo)
Falando em cabine, quando a Blanca (a peruana) foi embora, mudou-se para minha cabine uma caribenha de St Vincent, muito chata, mal-humorada e que falava no telefone a noite toda, a Cornelia.

Nesse meio tempo, também teve um cruzeiro charter que era 100% gay. Foi o máximo, fora as demontraões de atraso e preconceito injustificado por parte da tripulação caribenha - em peso, até os passageiros comentavam como eles eram homofóbicos. Mas eu e a tripulação normal nos divertimos a beça, um grupo de gente divertida e inteligente - tinha bicha do mundo todo, não muitas l[esbicas (os gays dizem que as lésbicas não são muito divertidas!) As festas foram de chutar o pau da barraca, todas eram temáticas. A White Party na piscina foi um escândalo! Quanta bunda de fora! As festas acabavam lá pelas 5 da manhã e eles faziam o Bar Manager abrir a disco atá as 11 da manha. Pobre bar staff! E bem no meio disso tudo, minha roomie, a Cornelia, ficou doente com Norwalk virus - perdão pelo português, mas uma caganeira desgraçada. Por precaução, o médico me confinou por três dias numa cabine separada. Fiquei três dias trancada e sozinha - obviamente o Leo vinha me visitar escondido e trazia a cerveja - eu não estava nem doente, caramba! Era só precaução! Afinal, eu tava perdendo toda a diversão, só escutava o barulho das festas no Studio B, bem acima da cabine que eu estava... E os gays se foram. (White Party, pool deck - cruzeiro gay)

Então mudei pra cabine da Melissa, uma filipina muito gente boa, com mania de limpeza, e que namora meu colega Pradeep. Ele amou, pois eles tiveram a cabine só pra eles por seis semanas. Viu como tudo se acerta?

E tudo foi correndo de vento em popa, eu e Leo, Pradeep e Melissa... Pra ajudar, eu e Leo íamos sair de férias juntos, no mesmo dia. Ele deu uma indidretinha, e eu acabei fazendo o convite, "por que você não vem passar férias comigo no Brasil?". Ele não demorou em comprar a passagem e viemos.

Por curtas duas semanas e meia. Passamos rapidão no Rio, um tourzinho básico pela cidade. E eu tinha que leva-lo no Maracanã, já que ele é maluco por futebol. Depois fomos pra Ilha Grande. Foi bárbaro.

E o Leo foi terminar suas longas férias na Irlanda. Eu fiquei aqui, morrendo de saudades, mas me preparando pra minha grande viajem pra California, San Francisco e Napa Valley. Fui aprofundar meus conhecimentos em vinho com dois cursos no The Culinary Institute of America, vulgo CIA.

(a sede do CIA em St. Helena; a sala de aula; meu passeio de balao pelo Napa Valley)









E agora me preparo pra voltar ao navio, dia 9 viajo e dia 11 embarco. Mas desta vez prometo escrever mais, nem que seja de pouquinho...

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Natal e Ano Novo

Estou aqui sentada em minha cabine (por isso nao tenho acentos neste post), horrorizada com o noticiario da CNN, falando das Tsunamis que arrasaram a Asia. Estando num navio, isto me preocupa... Tsunamis sao sempre tratadas como mito, e ai estao.... Imagina so, voce esta la deitadao, no maior sol numa praia da Tailandia, e de repente, uma super onda te varre longe... Se voce sobreviver a onda, morre do coracao!

Bem, feliz natal! Nao posso dizer que foi muito feliz, mas ao menos estamos fazendo dinheiro. A festa de natal em si foi dia 21. Foi bem legal, fazia tempo que nao via a galera aqui tao bebum. Se houvesse um acidente naquela noite, o barco certamente ia afundar. Papai Noel nos trouxe de presente internet gratis entre os dias 24 e 31. O sistema ta um pouco sobrecarregado, mas... E falando em internet, o ultimo avanco tecnologico agora e wireless conection pelo barco afora para os passageiros. Agora temos tiozinhos gringos chegando no bar com seus laptops, surfando na Internet. Pretty amazing, se considerarmos onde estamos.

O cruzeiro de natal comecou sexta, dia 24, e engloba o reveillon tambem. Ficamos 9 dias, e vamos a Costa Maia no Mexico pela primeira vez. Nao que eu esteja muito feliz, pois para nos, winetenders, e muito trampo. Vendendo champagne e vinho a beca, ao menos.

Semana passada em Saint Martin tinham 3 barcos da Royal no porto, o NV, o Jewel e o Adventure. Era uma reuniao de tripulacao como eu ainda nao tinha visto. Eu e meus amigos Alejandro, Carol e Marie fomos para Marigot, a capital do lado frances de Saint Martin. Apesar de ser tudo em Euros, almocei uma lagosta maravilhosa com uma garrafa de Muscadet de Sevre et Maine sur lie... Gastamos uma grana, mas so ganhar, ganhar e ganhar nao e tao divertido quanto gastar!

(a lagosta; sentido anti-horario: Marie, Karol, eu e Alejandro)










Comprei 4 garrafas de vinho que estou guardando para o reveillon.

A noite de natal foi puxada, trabalhando pra caramba, fechamos o Vintages as 2 da manha, eu e os dois hungaros novos. Depois fomos pra festa latina de natal. E falando em festa de natal, hoje a noite tem a terceira, do pessoal das lojas! Tudo e motivo pra festa!

Depois escrevo mais contando como foi a festa de reveillon.

sábado, dezembro 04, 2004

5 years award & back to the Splendour

Adivinhem só... Outro dia me chamaram pra ir receber meu prêmio de 5 anos de serviços prestados na companhia. Uma festinha muito da sem graça, com camarão e coca cola, e o Capitão tirando fotos com a gente. Me deram um pin folheado a ouro que tem a forma do logo da cia, com 5 minúsculos diamantes (que eu ainda acho que são de mentira). E eu nem trabalhei estes cinco anos, mas eles contam os três anos que passei fora como válidos. Melhor pra mim, pois se um dia pegar minha aposentadoria de 10 anos, ja estou com meio caminho andado!

E outro dia chegarmos em Cozumel, e o Splendour tava estacionado ao lado. Eu e várias pessoas que trabalharam lá fomos visitar. Foi tão emocionante que eu até chorei.... Encontrei meu primeiro chefe, um cozinheiro de Honduras... Encontrei várias pessoas que trabalharam comigo e ainda estao lá... Mas o mais esquisito, é como o Splendour é pequeno comparando com o Navigator... Eu nao tinha esta idéia, até andar lá dentro outra vez... Mas o Splendour é muito mais chic, se é que vocês me entendem. E durante todo o inverno vamos encontrá-lo todo Cozumel, a cada 15 dias.









(duas v ezes no Splendour, revi Nicholas e Revelin; SP X NV)

Assim que Cozumel seguinte eu fui lá outra vez, com amigos diferentes, pra visitar o pessoal do bar. Encontrei uma galera outra vez... Foi muito legal.

Além disso, meus tours gastronômicos continuam a todo vapor... Cozumel, St. Thomas (comi uma Zarzuela de marisco num restaurante espanhol chamado Maison Amália que era de chorar), St. Martin, Jamaica, Cozumel...

Cada vez melhor....

Até a proxima.

quarta-feira, novembro 17, 2004

Novidades

(Labadee, propriedade particular da Royal no Haiti)


Bom, já estou de volta há 7 semanas, e muita coisa tem acontecido... Nem sei se soará tão interessante, mas a vida tem sido bem intensa por aqui...

Amigos chegaram, amigos se foram e não voltam mais... Faz parte. Pra quem fica, é tudo trabalho e festa. Que aliás tem dado uma acalmada, mas vem aí final de ano e elas vêm em cascata.

Então foi assim: um dia sai com meu amigo húngaro pra praia em Labadee (a ilha particular da Royal no Haiti). Nos "disfarçamos" de passageiros, ganhamos coco loco (um drink dez!) gratis, e ainda nos metemos na fila do almoço no meio dos passageiros, de óculos escuros e boné, e ninguem nos pescou - e se pescasse, era warning na certa! Um dia lindo.


Outro dia, sai de voluntária na Jamaica. Há um lugarejo chamado St. Ann's Bay, bem pobre, onde há um hospital público que cuida de loucos e idosos. O furacão Ivan detonou o lugar, e a gerência do Navigator resolveu levantar fundos para ajudá-los. Rolaram várias rifas e bingos, e doações espontâneas de tripulantes. Então eles pediram gente para ir com o Hotel Manager e a Crew Activities Manager e a Human Resources Manager levar as doações para o hospital. Só eu e mais uns 5, sendo 2 do gift shop, um camareiro jamaicano, uma mocinha do youth staff e dois filipinos eletricistas, para instalar a máquina de lavar nova que levavamos. Um longo caminho, uns 30 minutos de carro, pela costa jamaicana. Chegando lá, o lugar era extremamente miserável. O cheiro era terrível, mas as pessoas estavam tão felizes que foi possível aguentar tudo. Me senti muito mal com tudo aquilo, mas feliz de ter ido.

(St. Ann's Bay, Jamaica; vista dum mirante a caminho de Megans Bay, St. Thomas)


Depois ganhei do Raul, o brasileiro que trabalha com as excursões em terra, um tour para dois para Megan's Bay beach em St. Thomas. Levei meu amigo Norbert, o húngaro. Foi um dia lindo. Praia lotadassssa, mas a água estava uma delícia.

Depois teve um outro dia na Jamaica, onde minha colega Anoushka organizou sua despedida. Nos acompanharam uma sul africana e uma espanhola do spa, um amigo meu, chileno, Cristian, do room service, e minha roomie Blanca, a peruana. Fomos a um autêntico restaurante italiano, o Evita´s, no alto das colinas, de onde se tem uma vista fantástica do porto, e do Navigator, of course.

Comemos muito e muito bem. A dona do restaurante é italiana, de Veneza... Comi linguine com frutos do mar, inclusive o viagra jamaicano que e uma conchinha que se chama conch. Delicioso... Nem jantei naquele dia.

(almoço no Evita's; eu com Anoushka; eu e Christian em Cozumel)









Depois teve um dia em Cozumel que o Cristian, chileno, me chamou pra sair. Fomos fazer compras (vanities!), depois um big lunch mexicano... Depois fomos no supermercado, onde comprei vários queijos pra uma festa de queijo e vinho que planejávamos para a Anoushka. Depois paramos no duty free do porto e comprei vários vinhos espanhóis da Rioja... E do duty free ao barco pegamos uma puta chuva na cabeça. Maravilhosa!

Depois saí em St. Thomas pra comprar vinho pra festinha...

E ai veio a festa de queijo e vinho.... Vinho espanhol, sul africano, australiano, californiano, argentino (que eu trouxe), romeno e até israelense! Foi divino, e embebedante!
(festinha do DJ Paulo...)
E ainda, houve festinhas informais do crew bar, semanalmente. Quando meu amigo garçon português Paulo, aprendiz de DJ, vai tocar no BackDeck, é encontro dos latinos na certa. Às vezes dançamos até 4 da manha...

E as festas oficiais, como a de ontem, patrocinada pelo Dining Room: Bacardi Late Night. O DJ parou às 4:30 da manhã. E depois neguinho saiu em grupos pra terminar de beber nas cabines. Eu e a Blanca achamos melhor ir dormir.

E o trabalho? Faz 4 semanas que trabalho no winestand, no dining rooom. Os garçons vendem o vinho, vem buscar comigo, e eu digito as contas pros passageiros. Ou seja, faz 4 semanas que não trabalho com passageiros pentelhos... E como comida de passageiro (cuidado com a pança senão vou engordar!)

O dinheiro tá muito bom, o trabalho, pouco....

Que mais posso dizer? Voltar pro Brasil? Eu, hein?????????

quinta-feira, agosto 19, 2004

Fidel e as Quinceaneras....finalmente

Pois é... Eu adiei tanto para contar este causo que agora acho que até perdeu a graça. Mas enfim...

A desgracada da Royal Caribbean, querendo manter seus barcos cheios para poder competir com a Carnival, que detem mais de 60% do mercado, anda vendendo para qualquer um. A última moda, durante o verão, nos últimos três anos, são as festas de debutantes a bordo.

Vem aquela cucarachada toda, muitas vezes mexicanos, que são ruins de aturar, amargos de engolir... As meninas - a maioria gordas e feias - se põem aqueles vestidos bregas, as mães , pior ainda. E vão ao teatro, onde a locutora apresenta cada uma das meninas. Depois acendem velas, vem uns cadetes com espadas, enfim, tudo que tem direito. Depois dançam valsa com os pais, aquela cafonice. Mas o pior é como eles se comportam. Temos que trabalhar em ao menos três festas de quinceaneras por semana, e são open bar. Os desgraçados chupam um drink atrás do outro, agarram a gente pela roupa, comem toda a comida de uma vez só, um horror. Mas os grupos organizados pela empresa mexicana, chamada Cordoba, pagam 20 pilas para cada um de nós por festa.

Até que um belo dia vem uma empresa de Miami, chamada Happy Holiday. Era um grupo de 350 pessoas. Todos cubano-americanos. A festa de abertura para eles, num sábado, deveria começar às 7 horas. Às 6:30 eles chegaram e começaram a atacar a comida. Comida que normalmente é suficiente para 550 pessoas normais, em Repeaters Parties, toda semana. Em meia hora, pareceia que um grupo de piranhas tinha atacado os réchauds. Só o que se via eram pilhas e pilhas de ossinhos de frango.

Bebida??? Esperavam os garcon na porta da cozinha, e assim que saia um de lá com a bandeja cheia, eles pulavam em cima. Parecia filme. O pobre garçon jamaicano voltava para dentro com a bandeja vazia e cara de espanto, amaldiçoando. Até os supervisores começaram a tirar sarro. E a vergonha de ser latina nestas horas????

Foi quando Jose Domingues, um mexicano muito espirituoso, entra na cozinha e diz "Pô, galera, dá um tempo pra eles porque em Cuba não tem comida. E pior que nas filipinas!!!!!". Todos começaram a rir, apesar da piada grosseira, porque naquela situação ela caiu muito bem.

Grotesco! Pitoresco! Asqueroso! Naquele momento jurei que ia fazer de tudo para conseguir minha promoção, para nao ter que trabalhar nestas festas nunca mais.....

E enfim, na semana seguinte fui trabalhar como wine tender. E depois de muita confusão para segurar o posto de wine tender, resolveram me mandar de férias para me encaixar na rotação de férias dos wine tenders. Na verdade deveria ter ido semana passada, mas como o gatinho chegava das férias no dia 14, pedi mais uma semana, assim que me vou dia 21 (depois de amanhã).

Estou feliz por ter ficado - pelo gatinho, pois está tudo indo muito bem! - mas tive que trabalhar esta semana na disco de novo. Terminando às 3 e pico da manha, só vejo o rapaz quando ele está dormindo. Mas não se pode ter tudo.

Estarei de férias por cinco semanas. Pretendo ir a Argentina, desenvolver um pouco mais meus conhecimentos "vinícolas". Mas o blog segue no ar.

Fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, agosto 07, 2004

Depois de um mês

Pois é, muita coisa aconteceu nestas semanas, mas poucas realmente importantes.

Por onde começar??? Vejamos: depois que o "amiguinho" sul-africano se foi de férias, tive uma maratona de degustações de vinho e estudo, pois para mudar de posição precisava estar pronta. Estava trabalhando no Ixtapa, depois me passaram para a Disco, The Dungeon, outra vez. Duas semanas trabalhando até as 4 e pouco da manhã, fazendo pouco dinheiro, mas me divertindo muito. Tenho um amigao húngaro chamado Norbert que estava trabalhando comigo, mais meu amigao Bozidar, sérvio. O Bartender do service bar era o Arnold, jamaicano, e o do front bar, Calvert, de St. Vincent. Como o front da disco é super movimentado, um montão de bartenders vem fazer back up. E vira uma zona. Pra começar que nos todos enchemos a cara (eu e o Norby, nem tanto, mas eles, ai,ai,ai...). Toda vez que servimos shots aos passageiros, os bartenders preparam um para nós também. E assim foram duas semanas: uma tequila para passageiro, uma para mim. E no dia seguinte tinha que acordar mais cedo e ir experimentar vinho! Uma loucura, mas só assim para aguentar o tranco... O bom é que é só na disco que rola isso.

Durante as duas semanas de trabalho na disco, briguei com minha ex-amiga Jocelyn, a chilena, por um motivo idiota. Ficamos duas semanas sem nos falar. Assim que minha confidente passou a ser a Lidia, uma mexicana. Com minha room mate as coisas iam bem mal. Ela pediu demissão, e nas últimas semanas estava cagando e andando para tudo, só queria saber de correr atrás de homem (s). A cabine estava um nojo, e eu decidi não limpar mais para ver até onde ela ia. Um belo dia, no crew bar, desabafei com meus amigos mexicanos (são vários): o papel higiênico tinha acabado, e era sempre eu a ir buscar mais. Ela nunca trouxe um rolinho sequer para a cabine. A pasta de dente da desgraçada acabou e ela passou a usar a minha - se pedisse, sem problemas. Mas sem pedir é f***. Como a idiota tirava a maquiagem com papel higiênico e óleo Johnson (que ecaaaaa), ela passou a usar meu algodão, já que não tinha papel higiênico. E o Ingmar deu uma sugestão: não trazer papel higiênico e ver o que acontece. Pois busquei papel higiênico para mim e escondi no meu armário. Escondi tambem a pasta e o algodão. Não é que a desgraçada levou UMA SEMANA para trazer um rolinho de papel higiênico e comprar pasta de dente, que aliás tem a venda aqui no navio? Eu não entendo como ela se virava. Até tirei minha toalha de banho do banheiro com medo que ela resolvese substituir!!!!!

A gota d´água foi o dia em que ela fez minha toalha de banho de tapete de banheiro. Quando acordei , tive tanto ódio que pegei a toalha dela, limpei o chão do banheiro e a privada (que não eram limpos há duas semanas!!!!!!), e pendurei de volta. No jantar deste dia encontrei o Ingmar e contei a ele. Ele sugeriu que eu fizesse pipi na escova de dentes dela, mas aí já era demais. Estava vingada com a toalha mesmo!

Entao a desgraçada se foi, faz 3 semanas, roubando alguns de meus Cds. Gracas a Deus, eram CDs gravados, mas que piranha. E os uniformes de wine tender que ela deveria deixar para mim, ela roubou, levou tudo embora! Que ela seja bem feliz la no inferno, a louca!

E então veio a coisa boa: quando a desgraçada se foi, eu fiquei no lugar dela. Sim, consegui minha transferência para wine tender. Nas últimas 2 semanas passadas, estou no Vintages, o wine bar, fechando. Ou seja, seja sea day ou port day, trabalho das 5 da tarde atá a 1 da manha). Moleza de vida, tenho provado todos os vinhos, já estou bem mais confiante!

A única dureza é que em uma semana mais, a partir do dia 14 (quando volta o amiguinho), eu passo a fazer os wine tastings sozinha. Estou estudando muito ainda, e pelo visto deverei continuar estudando sempre! Passo então a abrir o Vintages, um shift um pouco mais longo, mas em compensação estarei terminando o serviço no máximo às 10 da noite. Torçam por mim.

E amanhã chega das férias minha nova room mate, uma romena, também wine tender, mas é super gente boa. Depois que a louca da Alejandra se foi fiquei duas semanas sozinha na cabine! Maravilha.

E neste meio tempo todo, muita festa, festa, festa. Aqui dão festa para comemorar o aniversário do cachorro de alguém. Dining room party, casino party, gift shop party, spa party, bar party, e ontem foi Jamaican Independence day party. Wicked! Numa dessas festas, sobre umas cervejas a mais, fiz as pazes com a Jocelyn. Assim que quase tudo está voltando ao normal.

Depois escrevo mais sobre Fidel Castro e as Quinceaneras (note to self!)

domingo, julho 04, 2004

Crise do meio-contrato....

Sim, senhores, perdão pelo tempão sem notícias, mas muita água rolou - e ainda assim não há muitas novidades.

Por partes: a infecção dos rins era sim uma infecção, e os médicos não encontraram nada de errado comigo. Entretanto, destruiram meu sistema imunológico com tanto antibiótico. Assim que estou gripada, e não queria nem passar perto da enfermaria, para que não me confinassem ou metessem antibióticos de novo. Hoje não dava mais para aguentar e fui ver a enfermeira, que me deu uns remedinhos, e já me sinto melhor. Mas esta é a segunda infecção que pego. Nada grave, mas meu corpo deve estar um parquinho de diversão para bactérias.

Outro motivo que não me deixou escrever foi trabalhar no Dungeon ( a disco horrível). Estava terminando lá pelas 4 e pico da manhã todos os dias. Depois que iniciei meu treinamento para wine tender seriamente, me passaram para o Ixtapa Lounge, outro bar horrível, onde se joga bingo diariamente e se canta karaokê. É insuportável, mas era o schedule que me permitiria ter tempo para treinar.

Dinheiro, que é bom, tá duro. Agora entrou o verão, e um barcao deste atrai famílias com muitas, muitas crianças. Não gastam nada os pentelhos e ficam jogados correndo por a~i, dando trabalho pra nós. Assim sera até setembro... Haja saco. Imagina a disco, então, que é proibida para menores de 18 anos, e os pivetes tentam de tudo para entrar lá.... Pedimos ID, eles dizem que não tem, saem por uma porta e entram pela outra.... Um inferno!

Quanto à minha transferência de posição, tá meio enrolada, pois tudo aqui fica enrolado se você não insiste. O supervisor sul-africano me arrumou um bom programa de treinamento, estou assistindo a todos os wine tastings, passando muito tempo no Vintages (wine bar) e lendo , lendo muito, estudando feito louca. Se não der certo, ao menos o conhecimento nunca é demais.

E o tal sul-africano foi-se de férias ontem - e como passamos um bom tempo de treinamento juntos, meio que fizemos as pazes. Mas ele fica de férias por 6 semanas, e na volta vejo no que dá, sem stress. Aliás, ele volta como wine tender, assim que me treinará tambem!

O bom e que o F&B Manager é português, e me viu em ação trabalhando e disse para o sul-africano (que se chama Leslie) que me quer a bordo deste barco, e vai pressionar no que puder para me transferir. O Hotel Director tambem está "do meu lado" uma vez que estivemos trabalhando juntos no Splendour, quando ele era Dinning Room Manager. Ele me reconheceu, o que é excelente!

Enfim, o jeito agora é trabalhar duro e insisitir, insistir, insistir. E esqueci de dizer: dois wine tender se demitiram, e se vão nas próximas 3 semanas, o que aumenta as minhas chances.

Do outro lado, houve festanças de arromba a bordo: independência canadense, dinning room party, independência filipina... Me diverti a beça, mas nas próximas 6 semanas me aposento do crew bar, me dedicando aos estudos, assim quando o Leslie voltar estarei pronta para assumir a posição.

E ando de saco cheio de tudo, especialmente de jamaicanos. O gente insuportável: eles gritam uns com os outros o dia todo, você nao sabe se estão bravos ou felizes, gritam com você, falam aquele inglês horroroso que não entendemos nada, e depois berram reclamando que falamos espanhol na frente deles... É a sindrome dos 3 meses, completados ontem. Como passa rapido...

E hoje é 4 de julho - o drink do dia é o Firecracker - daiquiri de morango, pina colada e pina colada azul (todos frozen) em camadas, num copo longo, com uma bandeirinha americana... E tem festa na piscina para os hóspedes.... Haja saco!

E por fim, se tudo falhar, me transfiro de barco. Já ate tenho as opções.

Comecou a contagem regressiva para minhas férias.

Inteh!

domingo, junho 13, 2004

Hospital geral

Yo, everyone!

Hoje fiz um tour interessante por Miami. Fui, junto com uns outros dez tripulantes enfermos, a um hospital que trata tripulantes (uma área especial!) em South Miami, a uns 25 minutos do porto. Chegando lá, nao era bem um ER, mas melhor que alguns hospitais que já entrei no Brasil. É uma ala específica do Hospital Batista que cuida de tripulantes de várias cias, inclusive a Carnival e NCL.

Às 8 fui ao hospital aqui do Navigator, peguei os papéis, fui a primeira a sair. Uma van veio buscar a gente, e nos deixou lá. Tudo bem que foi uma espera de 2 horas, mas com muffins, bagels e café e suco. Bem decente.

Fiz raio x, colhi sangue e urina e fiz um ultra som. O médico que me examinou é especializado em vias urinárias (urologist, em inglês, mas urologiasta em português não é outra coisa?). Me senti num episódio de ER, com a diferença que não vi as coisas escabrosas de emergência que aparecem na TV. Enfim, fui a última a terminar. O motorista ja tinha ido levar o povo que tinha terminado antes e voltou para me buscar. Esqueci de avisar - enquanto esperava o motorista voltar, almocei no restaurante do hospital, pois já tinha perdido o almoço em casa (Navigator). Foi superb! Tomei rootbeer e tudo (um refri de gengibre supimpa!). Voltando ao navio, passei pela doutora, peguei as píldoras (em espanhol) que me mandaram - o urologista, ou seja lá o que for - dobrou a dose de meu antibiótico.

E ai já me puseram para trabalhar. Mudaram o schedule, e eu agora estou trabalhando na disco, que se chama The Dungeon (a masmorra!). Além de ser o lounge mais feio, com caveiras e tudo, fecha as 3 da manha, e tem bebum pra dedel. Aliás, excelente para quem vem se recuperando, não? A vantagem é que tenho bastante tempo livre de dia.

Enfim, semana que vem pedirei pro bar manager - que se chama Mark Marotto (vejam os nomes de personagens que estou encontrando) me mudar de bar. Qualquer coisa, menos disco, oi.....

E hoje faz uma semana que o supervisor sulafricano surtou, e graças a Deus ele é sensato, então estamos como se absolutamente nada tivesse acontecido. Ele me trata como se a semana não tivesse acontecido, o que é bom, pois ele é meu supervisor favorito - o único profissional. O outro que eu apreciacva se foi, chegou outro filipino no lugar. Além do que, vou precisar da ajuda do cara esta semana... Com o treinamento de vinhos.

Enfim, I'll keep you posted.... I' m back!

quinta-feira, junho 10, 2004

Parece que era uma pedra, era sim....

Quando eu acho que estou a ponto de melhorar, aí vem o rojão.... Ontem fiquei na cabine, mas como minha doença não é contagiosa, não estava confinada, assim que saía para comer nas horas de fome, ou para por dinheiro no meu cartão - para poder acessar a Internet - ou mesmo para ir com um amigo chileno que está cuidando de mim tomar sorvete Ben & Jerry's no Promenade Cafe (pela porta de serviço, óbvio). Voltei a cabine e fiquei assisitindo Friends no crew channel até a Alê chegar. Depois que ela saiu de novo, eu não conseguia dormir. Aí chegaram meus vizinhos - uma casal, um indiano e uma peruana - e começaram uma festinha infernal. Às 4 da manhã tive que tomar um remédio para dor.

Óbvio que apaguei e não escutei o barulho do despertador, e perdi o horário da médica. 9 horas eles me chamam e ficam bem bravos comigo. Escutei um montão. Mas me tiraram sangue, um raio x, outra amostra de urina e agora, depois de 5 dias a dra. chegou a conclusão de que eu deveria ver um especialista em Miami, no sábado. Assim são eles. Dra. Martelle também disse que eu não deveria sair da cabine para NADA, que para comer tenho que chamar Room Service.

Para aqueles que pensam que trabalho aqui é só vida boa, prestem atenção.... Não fiquem doentes! Eles só ficam preocupados em conter epidemias.... Senão o CDC (Center for Disease Control & Prevention) vem a bordo. Aliás, ouvi que o Splendour ficou preso em Galveston, Texas, porque não passou na inspeção do USPH (United States Public Health). E custa dinheiro, por isso nos mantém saudáveis.

Mas quando aparecei no hospital no primeiro dia, com a urina cor de coca cola, a fdp da enfermeira sul africana (oh, racinha) me disse que poderia ser falta de higiene .... Tá pensando que eu vim de uma vilinha lá na Índia ou nas Filipinas? Por favor.... Ainda estou pensando se farei um report do caso para Human Resources ou não.

Por hora é isso. Trancada e assistindo aos dvds de Sex and the City que minha amiga mexicana Lidia emprestou. E pedindo room service por telefone!