quarta-feira, setembro 08, 2004

Que Miércoles!!!!!!!!

Bueno, hoy dia és miércoles...

Depois do pileque de ontem, dormi até acordar, sabe? Até mais tarde um pouco. Lá pelas 10 e pouco sai para telefonar, confirmando o tour com a garota da Vino y Aventura, uma agência especializada em levar "conoisseurs" para conecer vinhedos e vinícolas, sem blá-blá, com guias que entendem de vinhos. Então fui num Internet café (hé milhões deles, tanto em Buenos Aires como aqui em Mendoza, e a hora da Internet custa 1 peso, ou seja, 1 real) para descarregar o memory card de minha câmara num CD. Levou 2 horas, o cara disse que sabia fazer, mas enrolou, enrolou...

De lá fui cambiar plata numa casa de câmbio. Já tinha andado um bocado, a fome estava apertada, e lembrei da guia Carolina, de ontem, quando havia perguntado a ela qual seria uma muy típica refeição mendocina. E ela me disse "Chivito assado, muy rico". Me deu o nome duma rua onde há vários restaurantes que servem. O tal chivito é um cabritinho assado inteiro, mas o bichinho é bem novinho...

Então andei um bocado, cheguei na tal Calle Sarmiento, e tinha uma churrascaria (perdon, parrilla) atrás da outra. Entrei numa que me agradou, Don Tristan - segundo referências posteriores, acertei em cheio! Tinha um bufezinho de salada. Pedi o tal chivito, veio um prato imenso, e olhando eu achei que não ia dar conta. Mas, vixe, como o bichinho era bom... Carne bem macia, rosadinha, com aquele sabor especial de madeira... Pra acompanhar, como dizem os mozos (garçons) : "Vinito?" "Por supesto...". Tomei um Trapiche Malbec 2004, super jovem e fresco, ainda que um pouco ácido. Mas casou perfeito com o chivito.

Depois do almoço, aquela leseira desgraçada... Andei umas 8 quadras até o supermercado, onde comprei uma garrafa de água mineral, outra de vinho (Santa Julia Bonarda 2003), e voltei pro albergue. Como tirei o dia para descansar, fiz uma siesta, depois acordei, tomei banho e desci, pra tomar meu vinho e fazer um pouco de lição de casa - sim!, estudar, fazer anotações sobre os vinhos que andei provando e as coisas que aprendi sobre eles.

Depois de 2 tacinhas, fui me trocar (mais roupa de frio, pois tava um pusta dum frio) e fui jantar na mesma Calle Sarmiento, num restaurante chamado Azafran, que se intitula "almacen de esquicitices y vinos". Era um bistrozinho moderno com loja de vinho anexa. Sabia que o local era uma referência regional, então, lá fui... Era bem em frente ao Don Tristan.

Entrei solita. Os mendozinos, assim como os portenhos, não dão muita pelota pra gente que sai pra comer sozinha. Mas o que eu podia fazer? O lugar estava lotado, mas tinha uma mesa legal, para quatro, e uma mínima. Adivinha qual eu ganhei? Claro, atrás de um movel, não via nada. Mas como estava para comer e tomar um big vino qualquer, tanto fazia.

O cardápio, de pôr qualquer um que aprecia a boa comida louco. De frutos do mar a cervos patagônicos, o que fazer? Pedi um sorrentino de cervo patagônico defumado com ricota, e molho de hongos (funghi) selvagens. Puts, como comi hongos na Argentina até agora!!! Para beber, um Alamos Bonarda 2001, que me tinha sido recomendado pelo dono do La Tasca de la Plaza Espana (aquele bistrozinho espanhol, lembra?), e tambem pra comparar com o Santa Julia que tinha comprado à tarde.

A senhorita simpatica que me servia trouxe uma magnifica cestinha de pães caseiros, e serviu o vinho. E eu fiz firula, não por metidice, mas para realmente apreciar o vinho. Ao meu lado, tinha uma mesa com dois senhores. E eles ficavam olhando pro meu vinho. E pra minha cara. E eu rodava o copo e metia o nariz dentro do copo, e eles me olhando. O vinho era ESPETACULAR. Muito diferente do que eu estava acostumada... Logo chegou meu prato.

Quando acabei, o vovô (EU E OS VOVÔS!!!!!!!!!) da mesa ao lado se virou e finalmente me perguntou que vinho era aquele. Lhe respondi, e ele, todo cerimonioso, disse "você entende de vinhos?", e eu, sem pompa "Sou sommelier". E ele "Ah... Eu bem desconfiei quando vi você não só provando como tomando seu vinho. E ele está bom?" E eu "Excelente. Quer provar?" A garconete lhes serviu 2 taças de meu vinho, e els me ofereceram um prova do vinho deles. Mas logo antes de eu provar, me disseram "Perdoe-nos, mas seu vinho é bem melhor que o nosso!". E assim engatamos uma conversa antes e durante a sobremesa (a minha era mil folhas com ricota fresca de cabra e frutos regionais). Depois do jantar, cada um pagou sua conta e eles se despediram, deixando seus enderecos de Buenos Aires, caso eu quisesse companhia para tomar vinho durante minha última noite lá...

E assim levantei e caminhei novamente aquelas 10 quadras de volta ao albergue, isso la pelas 12 da noite. Nestas alturas eu já tinha me acostumado, já nem olhava para trás pra ver se havia algum movimento suspeito.

E fui dormir empanturrada novamente, mas feliz!

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