Pra quem não sabe do meu interesse especial por esse assunto, como se não bastasse ser uma pessoa que adora comer, eu ainda fui estudar na escola! Me formei Cozinheira Chefe Internacional em 1997, pelo Senac SP. Então, não apenas a comida em si me interessa, mas a história da alimentação de um povo, que conta muito sobre cada civilização. Não vou postar aqui apenas elementos do meu achismo, pois obviamente o assunto requer pesquisa. Este assunto me inspirou mais ainda ao notar, nas dezenas de programas de culinária da tv aberta e a cabo, que pouco se fala sobre culinária norueguesa, limitam-se à culinária escandinava, sempre evidenciando mais a Suécia e Dinamarca - e o fabuloso Anthony Bourdain na Islândia...
Enfim, fui fazer pesquisa (na Internet, óbvio, mas não me restringi ao Wikipédia não. Usei meus prórios livros sobre o assunto também). Achei até um blog de um povo que ainda vive como viking! Os hábitos alimentares de um povo são obviamente ligados à história desse povo. Então, os vikings tem grande influência na alimentação norueguesa. Assim como os sami (conhecidos no Brasil como lapões?), povo nômade que habita o norte da Europa há séculos (da Noruega até a Rússia) e que sempre subsistiu das renas... Falar dos sami merece um outro post, um outro dia.
Ainda há que se considerar geografia... E na Noruega, apenas 5% das terras são cultiváveis - o resto é montanha, fjord, ilha, neve... Aqui no norte da Noruega, o período de cultivo (crescimento e maturação) das plantações é de 100 dias (no sul, de 190 dias!) com muitas horas de luz. A corrente do Golfo também exerce enorme influência do clima e aumenta o período de cultivo, que, entretanto, ainda é curto para o trigo, que não era comum. Aveia, cevada e centeio eram mais utilizados. Acredita-se também que os vikings, comerciantes que também foram, traziam às vezes produtos de outras terras. Acredita-se que os vikings, ao chegar à Irlanda, conheceram o meade, um vinho feito de mel, e se encantaram com ele, aprendendo a produzi-lo e levando a tradição a outras terras. Entretanto, não encontrei nenhuma menção a meade na Noruega.
A batata só chegou Europa depois da exploração da América do Sul, trazidas dos Andes pelos espanhóis. Curiosidade: os noruegueses, como muitos outros europeus, foram relutantes na utilização da batata, e passaram a usá-la como alimento a partir de 1700, quando a comida se tornou mais escassa. A Noruega comemorou 250 anos da presença da batata no país no ano 2000! Hoje, a batata é o vegetal mais importante na mesa norueguesa.
A Noruega também era um país pobre, camponês (tô falando de séculos atrás). Os grãos e carnes (ovelhas, cabras, porcos, aves, e caças) além dos peixes, sempre estiveram presentes na mesa noreguesa. Sobreviver (e manter os animais vivos) de ano a ano, em condições adversas, era uma luta. Os animais eram mortos no outono, quando estavam mais gordos e os pastos e eventuais rações começavam a ficar escassos. Pela falta de refrigeração, algum método de conservação precisava ser empregado, pois mesmo no frio as carnes apodrecem. Então, defumação, cura com sal, cura com sal e água e a secagem (o vento frio é excelente) preservavam as carnes. Mais tarde açúcar também passou a ser empregado. Do leite se fazia queijo, manteiga e leitelho. O outono era a época mais farta do ano, e a maioria das festas era planejada para esta época.
Os pães nacionais, historicamente, eram dois - que não precisavam de forno para assar, pois eram assados em, pedras chatas aquecidas: o lefse, feito de farinha (que não de trigo - ou mais tarde batata), leite, creme ou banha. Era assado em fogo, numa espécie de grelha, e podia ser guardado por mais tempo. Há também o lefse mole, feito com creme de leite. Este não se conservava e era mais consumido em ocasiões festivas. O segundo, flatbrød, ou o que conhecemos no Brasil como pão sueco, também era feito de farinha. A massa era esticada, esticada, esticada, e assada numa grelha até ficar bem crocante. Este também se conservava por muito tempo.
Já falamos das carnes e grãos de antigamente, agora vem os peixes... A pesca sempre foi atividade importante, e os peixes sempre foram abundantes. Há relatos já na Idade Média sobre a importância do bacalhau e do arenque na economia norueguesa. Eram preservados em forma de pickles (o arenque) ou salgados (o bacalhau). Pratos feitos com carne de peixe moída (bolos e bolinhos de peixe) são muito antigos e tradicionais na Noruega.
A comida crua só passou a ser consumida a partir de 1700 também com o apareceimento do fogão. Entretanto, eram poucas as famílias que possuíam fornos em casa, pois requeriam muito combustível para aquecê-los.
Frutas aqui no Norte, naquela época, somente as berries (frutinhas dos arbustos) da floresta, como framboesas, mirtilos, multen (uma espécie de framboesa, mas amarela).
Não encontrei relatos de quando o açúcar começou a ser usado na Noruega, mas acredita-se que os vikings usavam mel como único adoçante.Outro fator importante: as famílias nórdicas comiam apenas duas vezes ao dia. Dagverðr no meio da manhã, e náttverðr à noite. A maioria das famílias possuía algum tipo de mesa, e as ricas usavam um tipo de toalha.
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Falarei sobre a comida nos dias de hoje em outro post... Agora vou fazer meus hambúrgueres de salmão! Ah, uma fotinho do bacalhau que Lars pescou, eu limpei e finalmente cozinhei, só pra dar vontade! Assei, com bastante azeite extra-virgem, tomates e cebola. Acompanhado de batatas sauté com alecrim. Lars adorou, disse que nunca tinha comido bacalhau assim. O que reforça minhas teorias, a serem explicadas futuramente.









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