domingo, novembro 14, 1999

Agora da Jamaica

Cheguei de novo! Com algumas novas impressões de bordo. Estou na Jamaica. Meu chefe perguntou quando eu gostaria de ter meu off e e disse que na Jamaica. Leia bem: off não significa que eu poderia "não trabalhar" hoje, mas sim que eu poderia deixar de trabalhar algumas horas... Mas repare, uma vez que as tarefas são muito bem divididas, se eu não completar aquelas designadas a mim, ninguem o fará. Portanto, para poder sair do navio algumas horas, eu tenho que dar conta defazer todo o meu preparo pro jantar. O que significa que eu preciso, então, começar mais cedo. Então peguei no batente as 5 da matina, pra poder picar todas aquelas folhas pra 2000 pessoas...

As 10 da manhã eu já estava livre, dei uma descansadinha e as 11 eu saí. Estou em Ocho Rios, na Jamaica. Um taxista me "ofereceu" seus serviços de guia e me levou pra dar uma voltinha pela cidade. Primeiro fomos ver a principal atração turística, Dunn's River Falls, uma cahoeira que tem niveis, como mega degraus de pedra, e termina na praia. Então, começando na praia, os turistas sobem pelascascatas. Bonito. Mas Bonito, no Mato Grosso do Sul, é mais,verdade! Depois fui comer jerk chicken, a iguaria típica, que é um frango extra-temperado e apimentado assado em brasa, como o nosso churrasco. É servido com arroz e feijão, mas diferentemente do nosso, o feijão é como que cozido junto com o arroz. Não tem caldo, é tudo misturado. Para beber, Ting, um refrigerante jamaicano - só existe aqui - feito de grapefruit. Bem gostoso. Durante o almoço no lugar bem simples que o tal taxista me levou, tocava Bob Marley ao fundo. Quase um clichê, mas foi gostoso. E então, começou a chover, muito! Eu tinha apenas 1 hora para voltar ao navio. Até aí tudo bem. Mas no fim, quando o taxista diriga o taxi de volta, em direção aocentro, meteu o patão na minha perna e soltou um "I love brazilian girls...". Aí eu já fiquei nervosa,mandei ele tirar o mãozão e mandei parar ali, senão eu ia gritar. O cara ficou meio bolado, e me pediu 50 dólares. Paguei, porque fiquei com medo. Ele ainda falou umas barbaridades quando saí do taxi, mas tudo bem. Corri pradentro do Internet Cafe de onde lhes escrevo este post...

Decepção com a tão sonhada Jamaica, devo dizer...

Mudando de assunto, a nossa rota este cruzeiro é - saindo de Miami - Key West, Cozumel, at sea, Grand Cayman, Jamaica, at sea, Aruba, Curaçao, 2 at sea, Miami de volta. Até o final do ano ficaremos nisso. Reveillón muda um pouco, e passaremos o dia 31 no mar e dia 1 estaremos em Labadee, a "ilha" particular da Royal Caribben no Haiti. Parece muito divertido... MAS NÃO É!!!

Primeiro porque, em Miami, tenho poucas horas. É dia de embarcação . Não há almoço, mas tenho que preparar as saladas para o jantar. No final do cruzeiro as folhas já estão prá lá de Bagdad, então prá começar o serviço tenho que esperar as folhas novas chegarem a bordo. Tenho menos tempo de preparo...

Neste Key West, não pudemos aportar porque o mar não estava prá peixe. O navio balançava tanto que os carrinhos com pratos andavam sozinhos pela cozinha! 30% da tripulação enjoa, o hospital lota, os passageiros comem menos. Eu até gosto disso, pois é gostoso prá dormir a noite. Não enjôo nem a pau... Nasci para o mar, sou filha de Iemanjá! Ao invés de pararmos no porto, passamos o dia navegando.

Paramos em Cozumel,emseguida, como previsto. Quase tivemosque passar a noite lá, a tripulação ficou eufórica - mas foi alarme falso. Netuno colaborou com nosso nórdico capitão Tor (sem brincadeira,ele é da Noruega). Ontem a noite balançou bastante, quase não paramos em Grand Cayman, já que lá não tem pier - tem quelevar os passageiros a praia de barquinhospara 150 pessoas de cada vez, esta operação chama-se tendering.

Minhas horas são pouquíssimas, e a tarde termino tão cansada que só quero dormir. Não tenho nem vontadede sair. Se quiser sair, tenho sempre que começar as 5 da manhã, e sair depois de ternminar, para então entrar a noite no mesmo horário. E confessando, depois do pequeno "incidente jamaicano" hoje, prá que? Melhor dencansar.

O trabalho vai bem, dentro do possivel. Iam me transferir de setor, me passando para o café da manhã, onde o serviço é mais leve, mas ainda não rolou. O Chef Executivo corporativo veio visitar o navio e disse aso meu chefe que já tinha dito isso antes, não queria mais ver mulheres na salada... E como em qualquer cozinha do mundo, as coisas as vezes ficam confusas, especialmente se vc tem gente aoseu redor falando um inglês ininteligível, além de suas mais de 20 línguas nativas.

Os indianos tem sido pais para mim. Me dão comida indiana (eles cozinham a comida deles todos os dias, não comem outra coisa), que apesar de ser forte e eu não gostar na maioria das vezes... Me ajudam no trabalho, e me defendem dos grosseiros garçons famigerados.

Apesar de todo o cansaço, tá dando prá levar. Além da rotina de trabalho, tem os malditos treinamentos (emergência, muito importante, caso o navio AFUNDE, cultura da corporação, Higiene na Cozinha, etc...).

Até a próxima...

Nenhum comentário: