Primeiramente, queria começar dizendo o quanto fiquei impressionada com a repercussão do post "O monstro está chegando"... Escrevi aquele post após o trabalho, tinha saído do hotel às 11 da noite. Na rua, um frio gelando os ossos, o maldito ventão féladapoooota de Bodø. Eu andando sozinha na rua às 11 da noite, coisa impensável pra um paulistano! Trechos do caminho muito escuros, deu mais medo de fantasma que de um ladrão... E a mente vagando pela escuridão da rua, e o diabinho safado sentadinho ali no ombro, falando, falando. Cheguei em casa, fiz um sanduba e me servi um copo de leite, sentei na poltrona do Lars (que nesta altura já roncava há tempos), assisti 5 minutos de tv enquanto devorava o sanduba, e de repente me bateu uma vontade incontrolável de escrever. Taquei o computador no colo e saí digitando. Nem pensei muito no que escrevia, foi mesmo um desabafo. Quando terminei e reli o post, matei a minha charada... Era apenas o meu consciente dando bronca no inconsciente, que às vezes insiste em dominar os pensamentos e acaba nos botando pra baixo. Acredito piamente em seguir os instintos, mas se deixamos os pensamentos negativos nos dominar, a vida fica bem mais difícil e triste. Haja terapia pra se livrar dos nossos próprios monstros.
Eu tive foi um momento de clareza, como disse minha mama. Meu pai tinha ficado até preocupado, achando que eu estava triste... Não estava. Não quero que o diabinho desapareça não, pois se temos lucidez e clareza pra lidar com eles, eles podem trazer muito bem às nossas vidas. Eles são um sinal de alerta, e avisam que talvez reflexão seja necessária. No meu caso, era!
Fico profundamente agradecida por todas as palavras de apoio que recebi, todas me tocaram profundamente - o que só aumenta a clareza com que vejo as coisas agora. E o diabinho não venceu, dessa vez. Mas logo logo ele acha outro ponto sensível pra cutucar. E assim vamos matando um leão (ou diabinho) a cada dia! Não consegui responder a todos os comentários, mas agradeço mesmo. Obrigada, gente boa!
Antes de continuar, vou dar uma saidinha pra dar uma espiadinha no Rei, que está de visita aqui em Bodø e volto já.
***
Então, só consegui voltar hoje, Sábado. Ontem estava de folga, mas saí pra dar minha aula cedo. Depois da aula os aluninhos me deram carona até a cidade, pois a movimentação pra ver o Rei era grande. Ele esteve aqui uma vez em 1999 e a última em 2007. Dessa vez, ele veio inaugurar uma nova ala e Centro de Operações Militares na Base Aérea. Aqui está o ponto de defesa mais importante da Noruega, e de interesse específico pra Otan, pela proximidade com a fronteira russa - acreditem, as atividades russas ainda são monitoradas de perto até hoje. Quase todas as manhãs pilotos da Força Aérea saem em exercício com seus F-16. Às vezes eu acho que moro no filme Top Gun, rsrsrs. Como o aeroporto é aqui atrás de casa, às vezes o apartamento até treme com o barulho.
Então, ontem, bandeiras enormes começaram a ser hasteadas no Centro, eu vi do ponto de ônibus. O Rei chegou (o Rei voa em vôos comerciais normais, não tem avião dele não!), e helicópteros da Base Aérea e os caças começaram a voar sobre a cidade, muito barulho, muito alarde. Depois chegou um navio e vários barquinhos estranhos. Às 2 da tarde, os caças simularam um ataque com bombas num forte antigo que fica em frente ao píer. E fui lá ver, pois um vizinho me disse (ao me ver andando na rua com o pescoção esticado olhando os 4 caças voando em formação e sorrindo pelo fator surreal da coisa toda) que 20 caças simulariam o ataque. Eu precisava ver isso! E fui correndo pro pier, eu e meia cidade (a outra meia cidade estava no porto, esperando o Rei). Então os caças voaram de 2 em 2, jogando umas bombas (imagino que de mentira), mas não foram 20 ao tempo. Fiquei decepcionada!
Mas foi muito curioso presenciar o nacionalismo dos noruegueses, a firula toda pra ver o Rei... Eu não tive saco de ir até o porto, tava chovendo e ventando. Voltei pra casa, fiz almojantar, Lars chegou e fomos direto pro Parken Festivalen. Perdi o De Lillos, assisti a uma banda sueca, uns gangsta rappers americanos horríveis, e The Hives.
Hoje, vamos pra lá às 4 da tarde, ver Big Bang, Röyksopp e Manic Street Preachers. Tem um live streaming aqui pra quem quiser acompanhar - no Brasil, a partir das 10 manhã. O festival se chama Parken porque é no parque da cidade. Ele é como uma cratera de vulcão, e o palco fica lá embaixo, assim é possível ver o palco de todos os ângulos. Mas antes de música, é mais um mega evento cultural. Chovia, havia lama pra todos os lados, ainda assim lotado. Um Bodøstock, digamos assim. Ontem viemos embora antes da meia noite, e paramos numa lanchonete pra comer uma comida trash pra não acordar de ressaca. Hoje, sem beber pois amanhã trabalho. Só às 5 da tarde, mas trabalho.
Eu tive foi um momento de clareza, como disse minha mama. Meu pai tinha ficado até preocupado, achando que eu estava triste... Não estava. Não quero que o diabinho desapareça não, pois se temos lucidez e clareza pra lidar com eles, eles podem trazer muito bem às nossas vidas. Eles são um sinal de alerta, e avisam que talvez reflexão seja necessária. No meu caso, era!
Fico profundamente agradecida por todas as palavras de apoio que recebi, todas me tocaram profundamente - o que só aumenta a clareza com que vejo as coisas agora. E o diabinho não venceu, dessa vez. Mas logo logo ele acha outro ponto sensível pra cutucar. E assim vamos matando um leão (ou diabinho) a cada dia! Não consegui responder a todos os comentários, mas agradeço mesmo. Obrigada, gente boa!
Antes de continuar, vou dar uma saidinha pra dar uma espiadinha no Rei, que está de visita aqui em Bodø e volto já.
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Então, só consegui voltar hoje, Sábado. Ontem estava de folga, mas saí pra dar minha aula cedo. Depois da aula os aluninhos me deram carona até a cidade, pois a movimentação pra ver o Rei era grande. Ele esteve aqui uma vez em 1999 e a última em 2007. Dessa vez, ele veio inaugurar uma nova ala e Centro de Operações Militares na Base Aérea. Aqui está o ponto de defesa mais importante da Noruega, e de interesse específico pra Otan, pela proximidade com a fronteira russa - acreditem, as atividades russas ainda são monitoradas de perto até hoje. Quase todas as manhãs pilotos da Força Aérea saem em exercício com seus F-16. Às vezes eu acho que moro no filme Top Gun, rsrsrs. Como o aeroporto é aqui atrás de casa, às vezes o apartamento até treme com o barulho.
Então, ontem, bandeiras enormes começaram a ser hasteadas no Centro, eu vi do ponto de ônibus. O Rei chegou (o Rei voa em vôos comerciais normais, não tem avião dele não!), e helicópteros da Base Aérea e os caças começaram a voar sobre a cidade, muito barulho, muito alarde. Depois chegou um navio e vários barquinhos estranhos. Às 2 da tarde, os caças simularam um ataque com bombas num forte antigo que fica em frente ao píer. E fui lá ver, pois um vizinho me disse (ao me ver andando na rua com o pescoção esticado olhando os 4 caças voando em formação e sorrindo pelo fator surreal da coisa toda) que 20 caças simulariam o ataque. Eu precisava ver isso! E fui correndo pro pier, eu e meia cidade (a outra meia cidade estava no porto, esperando o Rei). Então os caças voaram de 2 em 2, jogando umas bombas (imagino que de mentira), mas não foram 20 ao tempo. Fiquei decepcionada!
Mas foi muito curioso presenciar o nacionalismo dos noruegueses, a firula toda pra ver o Rei... Eu não tive saco de ir até o porto, tava chovendo e ventando. Voltei pra casa, fiz almojantar, Lars chegou e fomos direto pro Parken Festivalen. Perdi o De Lillos, assisti a uma banda sueca, uns gangsta rappers americanos horríveis, e The Hives.
Hoje, vamos pra lá às 4 da tarde, ver Big Bang, Röyksopp e Manic Street Preachers. Tem um live streaming aqui pra quem quiser acompanhar - no Brasil, a partir das 10 manhã. O festival se chama Parken porque é no parque da cidade. Ele é como uma cratera de vulcão, e o palco fica lá embaixo, assim é possível ver o palco de todos os ângulos. Mas antes de música, é mais um mega evento cultural. Chovia, havia lama pra todos os lados, ainda assim lotado. Um Bodøstock, digamos assim. Ontem viemos embora antes da meia noite, e paramos numa lanchonete pra comer uma comida trash pra não acordar de ressaca. Hoje, sem beber pois amanhã trabalho. Só às 5 da tarde, mas trabalho.
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