Bondens Marked é o tal mercado de produtos "caseiros", que os produtores vem vender na cidade. Tem feiras assim no país inteiro, inclusive uma vez li anúncio na revista Mat og Vin (Comida e Vinho). Nossa compra foi excelente. Sogra comprou apenas um queijinho. Já eu...



Não é barato não, mas comprei esse queijo de cabra fedidésimo à lá francesa - a geladeira está empestelhada, mesmo eu tendo empacotado o queijo 500 mil vezes!, geléia de rosa e de folhas de pinheiro, mel dessa flor roxa que tem foto nesse post (última foto), e lefse caseiro com queijo marron. Os vegetais estavam maravilhosos, mas carésimos. 5 coroas por UMA beterraba! Pensei que com 5 coroas se compra 1kg de beterraba no Brasa...
Além dessas, fiz outras compritchas com a sogra. Comprei umas forminhas que vão do micro ao forno pra fazer sobremesas e tortinhas, e já usei logo, e vou postar no Caderninho depois. Comprei um belíssimo prato de vidro pra dar de presente pra minha cunhada, para agradecê-la por tudo o que fez por nós no nosso casamento - estávamos atrasados com isso. E finalmente comprei uma nova luminária pra sala de jantar. No verão tava claro na hora do almojantar, agora vai começar a escurecer! O engraçado aqui é que quando começam as liquidações, é em tudo. Roupas, sapatos, artigos de decoração, móveis, até churrasqueiras e redes... Então é a boa hora de comprar. Depois das compras fui almojantar com sogra, cunhada e sobrinhos do Lars. Comemos sei frito, a sobremesa que preparei nas forminhas novas, e a cunhada adorou o prato de vidro... E assim se passou grande parte do dia em que eu estou de folga, mas sozinha!
***
Mudando de assunto, minha fadinha filipina veio me contar que segunda, 31 de agosto, é o dia para inscrição na Voksenopplæring (escola para adultos) daqui de Bodø. É lá que todo estrangeiro é obrigado a cursar 300 horas de norueguês para depois fazer um tipo de Toefl do norueguês chamado Norskprøve, para então poder aplicar para a residência permanente ou ainda cidadania norueguesa. Bom, voltando à fadinha, perguntei à ela se a irmã dela iria se inscrever, e Roselle disse que estava de folga e iria levar a irmã. Eu disse que também estava de folga, e perguntei se ela se incomodaria de me encontrar em algum lugar pra irmos juntas. Sem problema, trocamos telefone e tudo. Algumas horas mais tarde, ela me mandou uma mensagem de texto, dizendo que a inscrição começa às 6 da tarde, e que me encontra lá (porque, só pra variar, a escola é a 5 quadras de casa!) Ah, e disse pra levar o passaporte. Eu ainda acho que não é tão simples assim, pois o povo aqui da cidade é meio cri-cri com burrocracia, e considerando que ainda estou no meu visto de noivado, pois o de casada ainda não saiu, pode ser que eu dê com os burros n'água. Então, segunda pela manhã, vou à UDI (a imigração) levar a Certidão de Casamento definitiva e cópia do contrato de trabalho, pra ver se ajuda. Faz um mês que pusemos o requerimento, então tô precisando dar uma acelarada nas coisas.
Por outro lado, fico aqui pensando que não entendo esse desespero com a tal da escola. Nos fóruns e comunidades do Orkut, a mulherada (porque há apenas um ou outro homem que se envolve nas discussões) - que eu passei a acompanhar cada vez com menos frequência - já logo avisa pras recém-chegadas ou pras que ainda nem chegaram, que sem falar a língua é impossível adaptar-se - ou conseguir trabalho. Por vários motivos eu entendo e concordo, mas por outros acho que fazem mesmo tempestade em copo d'água. Eu e mais uma ou duas somos a prova viva de que nada é impossível. Claro que estudar a língua é fundamental, mas tem várias pessoas que sobrevivem sem precisar falar noruga no dia-a-dia. Depende da qualificação, do tipo de emprego, do setor em que atua, etc. Pode ser difícil, mas não é impossível não. Também depende muito do fator "a que se sujeita uma pessoa". Quem se sujeita a trabalhos mais básicos, digamos assim, talvez consiga se colocar mais rapidamente - eu ACHO.
A minha sangria desatada com a escola era pra poder arrumar um trabalho logo, pra poder contribuir com meu marido nas despesas, ter dinheiro pra poder viajar, ir pro Brasil quantas vezes sejam necessárias, comprar o que eu tiver vontade... Achamos que fosse levar mais tempo, mas como o trabalho veio, a escola perdeu um pouco a importância no presente momento. Primeiro, dá pra sobreviver com o norueguês parco que eu já falo, e que melhora a cada dia, por osmose mesmo. Segundo, eu não tenho A MENOR intenção de voltar a estudar. Admiro muito os acadêmicos - quem dera eu levasse jeito pra coisa. Mas a essa altura da vida, depois de 25 anos na escola, uma faculdade, mesmo que de curta duração, já feita, e uma especialização, digamos assim, CHEGA! Mestrado em Enologia? Doutorado em formas pós-modernas de administração de custos em cozinhas industriais ou não? Correr atrás de professor e orientador, estudar pra prova, a esta altura da vida? Só se eu talvez pudesse pesquisar os efeitos negativos do aquecimento global nos vinhedos da Borgonha, e tenho certeza que já deve ter um Zé estudando isso, lutando pra ser financiado, cheio de lobistas de Bordeaux com algum argumento contra o estudo, etc, etc,etc. Que papo chato, né? Prefiro é ler o trabalho do Zé quando ele conseguir ser publicado!
Não consigo entender porque alguns expatriados acham que melhorar de vida é ter empregão, cargão e carrão! Milhares deixam o Brasil todos os anos em busca de uma vida melhor. Aqui, no caso da Noruega, muitos acreditam que precisam ter um emprego igual ou melhor do que tinham no Brasil, não enxergando o que eu enxergo (talvez a minha visão da coisa seja muito romantizada mesmo) como vida melhor. Porque, em primeiro lugar, eu procuro nunca me esquecer que estou na posição em que me encontro hoje por causa das escolhas que fiz na vida.
Sem contar o que deixei pra trás nos navios, pois como já expliquei aquela vida é irreal... Saí de uma cidade féladapooota e ingrata como São Paulo. Com poucas possibilidades de retornar ao mercado de trabalho na posição pra qual tenho qualificação hoje - gerente de Alimentos & Bebidas, ou de restaurantes, empresas de caterig, etc. Alimentos e Bebidas em grandes quantidades, ou com muita qualidade, se vocês me entendem. Salários tão inferiores à realidade que as pessoas ainda preferem se aventurar no mar, por exemplo, pra mudar de vida (e começa assim o ciclo!). Caos no trânsito, falta de segurança, violência, excesso de ruído, excesso de poluição, sistema de saúde praticamente inexistente se você não tiver acesso à rede particular, que te quebrará um dia se o seguro não cobrir tal cirurgia. Pensão ridícula se você não puder pagar um plano privado. Impostos altos sem retorno. Políticos cretinos (mas isso existe no planeta inteiro, seguramente!)... Quer mais?
Daí conheço o amor da minha vida - não sei se já disse isso, mas quanto Lars e eu apenas nos paquerávamos, à distância, uma noite ele me olhou bem nos olhos, e eu disse à minha roomie Kristine (da Bulgária) que eu ia casar com ele! Ela rolou de rir. Então, quando casamos, era pra ela estar aqui, mas não conseguiu licença pra desembrcar... Então, conheço o amor da minha vida, e ele diz (depois que eu havia vindo pra cá de férias e conhecido o lugar) que quer vir viver na terra dele, junto comigo... Morria de medo que eu jamais aceitasse, porque a cidade é pequena e talz. Então, eu tive que sentar e refletir muito antes de concordar. Vou ser imigrante pro resto da vida. Check. Vou apanhar pra aprender a língua. Ok. Vai demorar até que eu consiga fazer parte do sistema. Ok. Vou viver ao lado da pessoa que amo. Checadíssimo, maior númeor de pontos! Vou viver numa cidade pequena onde não há congestionamento, não há transporte público muito decente porque não é necessário, e poderei ir e vir à pé ou de bicicleta. Check. Vou pagar impostos altíssimos mas terei um sistema de saúde decente que não me quebre caso fique muito doente e mesmo um pouquinho doente. Check. Poderei mandar meus filhos (se e quando tiver) pra escola sem perder o sono com o pagamento pela educação deles. Check. Vou poder me aposentar e desfrutar da vida com a dignidade merecida sem precisar contar moedas pra pagar os remédios pra pressão e coração. Check, muito check. Vou viver num país maravilhoso, frio pra cara***, mas que ainda assim é belíssimo, e a natureza é poderosa - bem o Brasil aí ganha, mas as montanhas, fjordes, florestas e o mar, ah, o mar, Check, check, check. Vou morar num apartamento que me possibilita ir à pé ao aeroporto mesmo com bagagem. Check... Alguém aí me entende? Pelo Lars, talvez até pra Zâmbia eu me mudasse... E ele ainda veio com todos os acessórios.
Então, não importa o tipo de trabalho, ou status social, ora bolas! Olha a vida que eu tenho!!! A escola de norueguês pode muito bem esperar. Já tive meu ano sabático mesmo, entre abandonar o navio e começar a trabalhar aqui foi um ano certinho. Tive tempo pra mim, redescobri a chama do meu amor pela cozinha, pude ressucitar esse bloguinho que conta, malemal, 10 anos da minha vida (quão interessante ela poderia ser, meldeus, a não ser pra mim mesma?). O grande negócio é dar tempo ao tempo. Afobação e stress, num lugar como esse, não tem espaço, nénão? Carrão? No dia em que eu tiver um carro, vai ser um Buddy. Pagar os olhos da cara de imposto? Sinceramente, não entendo o povo.
***
No mais, preparando a casa - e várias guloseimas - pra chegada da minha irmã com o marido na sexta. Que bom receber família!



Não é barato não, mas comprei esse queijo de cabra fedidésimo à lá francesa - a geladeira está empestelhada, mesmo eu tendo empacotado o queijo 500 mil vezes!, geléia de rosa e de folhas de pinheiro, mel dessa flor roxa que tem foto nesse post (última foto), e lefse caseiro com queijo marron. Os vegetais estavam maravilhosos, mas carésimos. 5 coroas por UMA beterraba! Pensei que com 5 coroas se compra 1kg de beterraba no Brasa...Além dessas, fiz outras compritchas com a sogra. Comprei umas forminhas que vão do micro ao forno pra fazer sobremesas e tortinhas, e já usei logo, e vou postar no Caderninho depois. Comprei um belíssimo prato de vidro pra dar de presente pra minha cunhada, para agradecê-la por tudo o que fez por nós no nosso casamento - estávamos atrasados com isso. E finalmente comprei uma nova luminária pra sala de jantar. No verão tava claro na hora do almojantar, agora vai começar a escurecer! O engraçado aqui é que quando começam as liquidações, é em tudo. Roupas, sapatos, artigos de decoração, móveis, até churrasqueiras e redes... Então é a boa hora de comprar. Depois das compras fui almojantar com sogra, cunhada e sobrinhos do Lars. Comemos sei frito, a sobremesa que preparei nas forminhas novas, e a cunhada adorou o prato de vidro... E assim se passou grande parte do dia em que eu estou de folga, mas sozinha!
***
Mudando de assunto, minha fadinha filipina veio me contar que segunda, 31 de agosto, é o dia para inscrição na Voksenopplæring (escola para adultos) daqui de Bodø. É lá que todo estrangeiro é obrigado a cursar 300 horas de norueguês para depois fazer um tipo de Toefl do norueguês chamado Norskprøve, para então poder aplicar para a residência permanente ou ainda cidadania norueguesa. Bom, voltando à fadinha, perguntei à ela se a irmã dela iria se inscrever, e Roselle disse que estava de folga e iria levar a irmã. Eu disse que também estava de folga, e perguntei se ela se incomodaria de me encontrar em algum lugar pra irmos juntas. Sem problema, trocamos telefone e tudo. Algumas horas mais tarde, ela me mandou uma mensagem de texto, dizendo que a inscrição começa às 6 da tarde, e que me encontra lá (porque, só pra variar, a escola é a 5 quadras de casa!) Ah, e disse pra levar o passaporte. Eu ainda acho que não é tão simples assim, pois o povo aqui da cidade é meio cri-cri com burrocracia, e considerando que ainda estou no meu visto de noivado, pois o de casada ainda não saiu, pode ser que eu dê com os burros n'água. Então, segunda pela manhã, vou à UDI (a imigração) levar a Certidão de Casamento definitiva e cópia do contrato de trabalho, pra ver se ajuda. Faz um mês que pusemos o requerimento, então tô precisando dar uma acelarada nas coisas.
Por outro lado, fico aqui pensando que não entendo esse desespero com a tal da escola. Nos fóruns e comunidades do Orkut, a mulherada (porque há apenas um ou outro homem que se envolve nas discussões) - que eu passei a acompanhar cada vez com menos frequência - já logo avisa pras recém-chegadas ou pras que ainda nem chegaram, que sem falar a língua é impossível adaptar-se - ou conseguir trabalho. Por vários motivos eu entendo e concordo, mas por outros acho que fazem mesmo tempestade em copo d'água. Eu e mais uma ou duas somos a prova viva de que nada é impossível. Claro que estudar a língua é fundamental, mas tem várias pessoas que sobrevivem sem precisar falar noruga no dia-a-dia. Depende da qualificação, do tipo de emprego, do setor em que atua, etc. Pode ser difícil, mas não é impossível não. Também depende muito do fator "a que se sujeita uma pessoa". Quem se sujeita a trabalhos mais básicos, digamos assim, talvez consiga se colocar mais rapidamente - eu ACHO.
A minha sangria desatada com a escola era pra poder arrumar um trabalho logo, pra poder contribuir com meu marido nas despesas, ter dinheiro pra poder viajar, ir pro Brasil quantas vezes sejam necessárias, comprar o que eu tiver vontade... Achamos que fosse levar mais tempo, mas como o trabalho veio, a escola perdeu um pouco a importância no presente momento. Primeiro, dá pra sobreviver com o norueguês parco que eu já falo, e que melhora a cada dia, por osmose mesmo. Segundo, eu não tenho A MENOR intenção de voltar a estudar. Admiro muito os acadêmicos - quem dera eu levasse jeito pra coisa. Mas a essa altura da vida, depois de 25 anos na escola, uma faculdade, mesmo que de curta duração, já feita, e uma especialização, digamos assim, CHEGA! Mestrado em Enologia? Doutorado em formas pós-modernas de administração de custos em cozinhas industriais ou não? Correr atrás de professor e orientador, estudar pra prova, a esta altura da vida? Só se eu talvez pudesse pesquisar os efeitos negativos do aquecimento global nos vinhedos da Borgonha, e tenho certeza que já deve ter um Zé estudando isso, lutando pra ser financiado, cheio de lobistas de Bordeaux com algum argumento contra o estudo, etc, etc,etc. Que papo chato, né? Prefiro é ler o trabalho do Zé quando ele conseguir ser publicado!
Não consigo entender porque alguns expatriados acham que melhorar de vida é ter empregão, cargão e carrão! Milhares deixam o Brasil todos os anos em busca de uma vida melhor. Aqui, no caso da Noruega, muitos acreditam que precisam ter um emprego igual ou melhor do que tinham no Brasil, não enxergando o que eu enxergo (talvez a minha visão da coisa seja muito romantizada mesmo) como vida melhor. Porque, em primeiro lugar, eu procuro nunca me esquecer que estou na posição em que me encontro hoje por causa das escolhas que fiz na vida.
Sem contar o que deixei pra trás nos navios, pois como já expliquei aquela vida é irreal... Saí de uma cidade féladapooota e ingrata como São Paulo. Com poucas possibilidades de retornar ao mercado de trabalho na posição pra qual tenho qualificação hoje - gerente de Alimentos & Bebidas, ou de restaurantes, empresas de caterig, etc. Alimentos e Bebidas em grandes quantidades, ou com muita qualidade, se vocês me entendem. Salários tão inferiores à realidade que as pessoas ainda preferem se aventurar no mar, por exemplo, pra mudar de vida (e começa assim o ciclo!). Caos no trânsito, falta de segurança, violência, excesso de ruído, excesso de poluição, sistema de saúde praticamente inexistente se você não tiver acesso à rede particular, que te quebrará um dia se o seguro não cobrir tal cirurgia. Pensão ridícula se você não puder pagar um plano privado. Impostos altos sem retorno. Políticos cretinos (mas isso existe no planeta inteiro, seguramente!)... Quer mais?
Daí conheço o amor da minha vida - não sei se já disse isso, mas quanto Lars e eu apenas nos paquerávamos, à distância, uma noite ele me olhou bem nos olhos, e eu disse à minha roomie Kristine (da Bulgária) que eu ia casar com ele! Ela rolou de rir. Então, quando casamos, era pra ela estar aqui, mas não conseguiu licença pra desembrcar... Então, conheço o amor da minha vida, e ele diz (depois que eu havia vindo pra cá de férias e conhecido o lugar) que quer vir viver na terra dele, junto comigo... Morria de medo que eu jamais aceitasse, porque a cidade é pequena e talz. Então, eu tive que sentar e refletir muito antes de concordar. Vou ser imigrante pro resto da vida. Check. Vou apanhar pra aprender a língua. Ok. Vai demorar até que eu consiga fazer parte do sistema. Ok. Vou viver ao lado da pessoa que amo. Checadíssimo, maior númeor de pontos! Vou viver numa cidade pequena onde não há congestionamento, não há transporte público muito decente porque não é necessário, e poderei ir e vir à pé ou de bicicleta. Check. Vou pagar impostos altíssimos mas terei um sistema de saúde decente que não me quebre caso fique muito doente e mesmo um pouquinho doente. Check. Poderei mandar meus filhos (se e quando tiver) pra escola sem perder o sono com o pagamento pela educação deles. Check. Vou poder me aposentar e desfrutar da vida com a dignidade merecida sem precisar contar moedas pra pagar os remédios pra pressão e coração. Check, muito check. Vou viver num país maravilhoso, frio pra cara***, mas que ainda assim é belíssimo, e a natureza é poderosa - bem o Brasil aí ganha, mas as montanhas, fjordes, florestas e o mar, ah, o mar, Check, check, check. Vou morar num apartamento que me possibilita ir à pé ao aeroporto mesmo com bagagem. Check... Alguém aí me entende? Pelo Lars, talvez até pra Zâmbia eu me mudasse... E ele ainda veio com todos os acessórios.
Então, não importa o tipo de trabalho, ou status social, ora bolas! Olha a vida que eu tenho!!! A escola de norueguês pode muito bem esperar. Já tive meu ano sabático mesmo, entre abandonar o navio e começar a trabalhar aqui foi um ano certinho. Tive tempo pra mim, redescobri a chama do meu amor pela cozinha, pude ressucitar esse bloguinho que conta, malemal, 10 anos da minha vida (quão interessante ela poderia ser, meldeus, a não ser pra mim mesma?). O grande negócio é dar tempo ao tempo. Afobação e stress, num lugar como esse, não tem espaço, nénão? Carrão? No dia em que eu tiver um carro, vai ser um Buddy. Pagar os olhos da cara de imposto? Sinceramente, não entendo o povo.
***
No mais, preparando a casa - e várias guloseimas - pra chegada da minha irmã com o marido na sexta. Que bom receber família!
5 comentários:
Camila, te entendo e concordo demais.
Concordo total com isso aqui: "O grande negócio é dar tempo ao tempo. Afobação e stress, num lugar como esse, não tem espaço, nénão?"
Nada melhor que tempo ao tempo, e aproveitar a vida.
Os meus tudos aqui também täo bem check check.
Eu fiquei quase dois anos sem ir a escola, era até para ter feito um post sobre isso, vou ver se escrevo amanha, que não entendo essa neura também não, não entendo a neura de chegar aqui e achar que tem que ter tudo que nunca nem teve, querem casa boa, carro do ano, roupas de marca, e aja pressão, e felicidade que é bom, cadê?
Eu não me arrependo um segundo por ter ficado osmosando essa língua por quase dois anos, me ajudou muito, me faz não boiar na escola. Conhecer sobre as coisas daqui, sacar o idioma(não significa falar nem entender tudo, mas saber como funciona a língua) ajuda muito, e fazer tudo isso sem aceitar pressão, não tem melhor.
O orkut tem muita pressão, essa semana eu disse para uma menina que caisse fora, a pobre tava griladíssima com um tópico, por 4 dias ela não pensou em outra coisa, até ficou doente, outro tópico bom: existe vida fora do orkut.
Outra coisa complicada é convívio com brasileiras exatamente pelo que você colocou no seu post, a competicão, a pressão, o ter que ter e tentarem fazer a outra se sentir o cocô do cavalo do bandido se nao tiver ou souber igual.
Eu consegui emprego sem falar norueguês, era na fábrica de salsicha, fazendo salsicha, mas não gostei porque ia ficar doida com as máquinas, barulho, cheiro da linguica crua e principalmente por causa dos horários que eram alternados e nao tinha como eu voltar pra casa a noite, moro fora da cidade, depois não fui mais atrás, as costas não me permitiram, mas não tenho qualificacão nenhuma, não quero ir pra faculdade de novo, e não sei ainda por onde comecar, aliás, comecando pela escola, quem sabe não me dão um curso depois.
Deopois escrevo um post sobre as críticas que recebi e recebo por nao ter ido pra escola até o fim, bom, são os tais administradores da vida dos outros.
Mas na verdade adorei essa tal feirinha, nunca fui por aqui, amo essas coisas, e estou pegando suas dicas de culinária lá no caderninho.
Beijo
Feirinha boa essa, mas tudo que é comida "alternativa" é sempre caro, aí e aqui ainda.
Bem, náo conheço estas iguarias que vc colocou aí, exceto a geléia de rosas e o tal queijo fedido, pois já comi por aí na vida, mas nunca o coloquei dentro da minha geladeira.
Quanto as suas reflexões sobre a nova vida, também concordo que vc deu uma boa guinada nela e stress ou correria para fazer coisas a levará ao mesmo nível de vida que tinha aqui no Brasil. Sabemos que países como o nosso, tentam igualar-se no consumo aos países ricos e desenvolvidos como os States por exemplo, mas as pessoas acabam adoecendo precocemente e todo o dinheiro que adquirem é para gastos materiais ou viagens internacionais a fim de aparecerem para outros.
Eu juro que se tivesse a idade de vocês, estaria fazendo a minha vida desse jeito, até mesmo aqui no Brasil, tentaria ir morar numa cidade menos exigente, menos poluente, menos violenta - talvez o interiorzão mesmo. E tenho incentivado meu filho a isso, mas ele ainda é muito novo e estudante de engenharia, sonha um pouco alto ainda, mas espero que no decorrer de sua maturidade enxergue logo essas coisas e faça o melhor para sua vida.
No mais, queria dizer-lhe que você deve ser uma ótima datilógrafa, pois adora fazer posts grandes e nunca daria certo twittando, aliás vc nem deve ter o tal twitter, né!
beijos grandes cariocas
Ola. Eu (meio que) respondi seu post la no meu blog, respondendo seu comentario. Obrigada pela visita porla, beijos!
www.baxt.net/blog
Nossa, amei esse post. Concordo DEMAIS. Eu morei fora por pouco tempo (Espanha, fazendo uma pós) e o que eu mais gostava lá é que todo mundo parecia ter o mesmo, levar a mesma vida, todo mundo classe média (com exceções claro, mas falando no geral). E olha que lá não é nenhuma Noruega.
Se matar pra ter um carrão e apartamento de Casa Claudia são sonhos de consumo de quem aprendeu a ver a vida desigual como normal, eu acho.
Abração
Sua consideração sobre o assunto tá super correta no meu ponto de vista. Este mês uma velha amiga que casou e mora em Sampa há 11 anos veio me visitar. Eu moro numa cidadezinha colonizada por vária etnias européias no interior do RS(80.000 habitantes). Ela tem um filho de 10 anos, ele não queria vir, sabe como é, cidade sem McDonalds, sem shoping...Daí terça ela foi embora, foi uma choradeira. O garoto não queria voltar pra São Paulo. Um mês inteiro de simplicidade e liberdade, brincando na rua, andando de bicicleta até tarde da noite, tomando banho de rio, pescando no açude, galinha, vaca, porco...Tem coisas que dinheiro não paga. Coisas que você sabe dar valor.
Quem vai pra um lugar paradisiaco feito a Noruega pensando apenas em melhor o bolso, não merece a sorte que tem
Postar um comentário