quarta-feira, maio 27, 2009

Xixi no banho - chegou aqui rápido, hein?

Ontem fiquei pensando... sabe como é, sozinha em casa, com muito tempo livre, e com a maior preguiça do mundo de me atracar com os livros de Norueguês... Tenho praticado mais fazendo traduções de matérias e entrevistas que vejo na net do que qualquer outra coisa...

Então inventei de procurar na net "assuntos ambientais",digamos assim, e finalmente cheguei até a campanha do SOS Mata Atlântica " Xixi no Banho", que tá rolando no Brasil - não sei se no país todo, mas em São Paulo, ao menos. Tenho admiração pela entidade, pelo que ela representa, mas na verdade não conheço a fundo o trabalho deles, o que é uma vergonha, pois trabalhei para o fundador do SOS lá no Pantanal... Enfim, prá quem não conhece a campanha, veja aqui no link Xixi no Banho .





(DISCLAIMER: Se vc é daqueles que acha que fazer xixi no banho é nojento, a coisa mais degradante do mundo, então pare de ler o post! Vá fazer xixi na privada e me deixe devanear em paz sobre assuntos que não são da minha alçada!)

Tava até pronta para publicar um link para a campanha Xixi no meu Facebook, mas apaguei o post. Achei necessário ler mais sobre o assunto, que me pareceu ia gerar polêmica. Pesquisei, achei! A primeira das críticas, no blog De repente, é de medo que a mensagem - economizar água - se perca no meio da discussão mijar ou não no banho. E vai mais além, como envolver comunidades pobres, como as que vivem às margens da Billings e nem saneamento tem? E me parece, de acordo com a Internet, que foi exatamente isso que aconteceu... Várias pessoas repudiam a campanha pelo simples argumento de que é nojento, nem pensar, saúde pública, vai gastar mais água ainda lavando o chuveiro depois, etc. Essas críticas pra mim são vazias. Não vi críticas de meios de comunicação (não tem problema, pois a maioria deles também é vazia!) nem de entidades ambientais ou especialistas, salvo a crítica no blog Bratislava, onde o autor esbraveja contra a campanha por ela promover uma ação isolada, que serve muito mais como apaziguadora de culpa da classe média (ainda existe isso no Brasil?) que faz porra nenhuma pelo ambiente no dia-a-dia, do que como campanha de educação ambiental. Várias pessoas dizem que esperavam mais do SOS...

Agora, me pergunto, eu aqui, que desde cedo me preocupo com preservação, entretando tenho o infortúnio de pertencer à grande massa daqueles que acha que fazer sua parte engloba, entre outras ações, fechar a torneira ao escovar os dentes, será que qualquer tentativa que atraia atenção para o tema não é válida? Exceto por vários blogueiros que li net afora escrevendo sobre o assunto com português ruim dizendo que xixi no banho é nojento bla bla bla ( as únicas críticas que tem argumentos coerentes são as do De Repente e do Bratislava) me parece que as críticas são pequenas e que, portanto, a campanha causou o impacto esperado pelo SOS. Segundo o Mário Mantovani, ao menos. Veja trechos de entrevista tirada da Veja.com (desculpe a fonte ruim, mas foi a única que achei!):

"Há muita gente torcendo o nariz para uma campanha que pede às pessoas que façam xixi no banho?
Ao contrário. Para a minha grande surpresa, a campanha teve um impacto positivo violentíssimo. A gente vê pela reação, principalmente, via internet. A ação está bombando. As pessoas mandam e-mails, participam, elogiam, dizem que esse é um jeito legal de chamar a sociedade para a luta pelo ambiente. A campanha usa humor, e isso é uma coisa bacana. Nós deixamos de ser um espírito desagradável, de fazer aquele papel do ecochato que dá ordens para as pessoas. E, por trás da questão do xixi no banho, há coisas maiores: está ali a defesa do código florestal e da Mata Atlântica, que é uma grande produtora de água. É claro que tem gente que diz "Eca!" para a proposta da campanha, mas a maior parte parece entender a ação como uma chamada à cidadania. Essa campanha está tendo uma repercussão fantástica."

"Qual o público mais atingido pela campanha?
A melhor resposta que estamos recebendo vem do público jovem. É ele o que mais se manifesta, mandando e-mails ou escrevendo mensagens nas redes sociais. Talvez essa geração jovem esteja mais ligada à questão ambiental que aquela que veio antes dela. Mas acredito que as crianças também devam adorar a brincadeira."

Para quem não vive e nunca viveu na cidade de São Paulo, vale a pena tentar explicar , com minha experiência de criança que cresceu ouvindo na Globo que o suprimento de água da cidade só era suficiente para dali a X anos, o problema na cidade... É MUITA gente, porra! Simples assim! Há anos me emputecia, nas épocas mais quentes em Sampa, quando via gente lavando calçada com mangueira... É calçada pra ca**lho pra se lavar em SP!!! E numa ocasião, em 2003, quando a cidade precisou racionar água (!!!!!) porque não chovia nem a pau, um calor de rachar, passava pela rua e vi uma vovó lavando a calçada - que nem folha tinha - com mangueira. Não me contive e dei-lhe um esporro! Perguntei se ela assistia ao noticiário e se ela sabia que do outro lado da cidade havia gente que não poderia tomar banho hoje, um dia tão quente, porque não tinha água... A véia me deu de ombros... Lógico, ela não vai estar aqui quando ac oisa ficar preta mesmo! Se a campanha fizer esta senhora (e muitas outras) pensar antes de lavar a calçada, o papel tá cumprido, não?

Sim, a classe média tem a consciência aliviada por comprar a pasta de dentes Sorriso Herbal do SOS Mata Atlântica, como eu sempre fiz. Por, talvez, começar a fazer xixi no banho, sei lá. Obviamente estes mesmos sujeitos da classe média provavelmente não doam dinheiro nem voluntariam para nehuma entidade ambiental, não tem carros híbridos (muito menos a álcool - NO BRASIL!!!!), não se esforçam para separar o lixo (que não é nem a Prefeitura que coleta, em geral empresas particulares que os condomínios e associações de moradores contratam), ainda usam sacos de supermercado, consomem muito além do que precisam... Mas ao menos o fato de fazer esta gente pensar no assunto já não é uma vitória?

Entendo a revolta frente a uma ação pequena, citando o blog Bratislava, onde o sujeito diz que não adianta nada fechar a torneira dele enquanto escova os dentes, se um produtor de soja latidundiário continua poluindo milhões de litros de água para irrigar plantação que alimenta o gado europeu. Diga-me, então, o que o indivíduo comum pode fazer para parar o fazendeiro do MT? Parar de comer carne? A carne que a gente come aqui é daqui! E se deixarmos de comer, no momento, tem quem coma... E se a pecuária parar de dar dinheiro, eles somem com as vacas e plantam soja!

Então, tudo o que me resta, enquanto indivíduo, é fechar a torneira ao escovar os dentes, usar sacolas duráveis no supermercado, economizar energia elétrica, comprar e consumir alimentos conscientemente, VOTAR conscientemente (alguém aí lembra em quem votou, ou sequer sabe se seu parlamentar comparece ao trabalho???), reciclar o lixo, ter um carro híbrido, elétrico(pra quem pode), ou melhor ainda, ABANDONAR o carro, colaborar com entidades ambientais, ser voluntário, divulgar campanhas ambientais, etc. Ou não?

Depois de tanto pensamento, vi no blog da Lucia Malla um post mais antigo que fala sobre o fim de sua igenuidade ambiental. De novo, explico - eu, uma simples sujeita que nunca estudou a questão, nem é da área, muito menos, se mete a ler um blog de uma pessoa mais engajada, e depois fica aqui babando no sofá sem entender nada! Então, no fim das contas, continuar fazendo minha parte resolve, ou não?

Acredito que sim! Não desisto disso não! Por isso botei aí do lado o selinho do "Faça a sua parte", que por sinal apoiou o Xixi! Visite e descubra como continuar contribuindo sem necessariamente mijar no box!

Um comentário:

O.t. Manary disse...

Olá Minha Amiguinha Camila,

Tudo bem com voce….?

Ah, gostei desse artigo sobre o “Xixi”, muito interessante.

Quero adicionar uma idéia para voce, acerca do que voce falou sobre está estudando o idioma de onde voce está. E vou falar de minha própria experiencia.

Nao sei se voce sabe, mais o processo principal pelo qual um Bêbê inicia a falar ou aprende a falar, é pelo o “ouvir”; a criança presta atençao a todo mínimo detalhe ao som da fala de seus Pais: voz, sonido, lábios e tudo mais. Bom, baseado neste principio, quando cheguei aos Estados Unidos há muitos anos atrás, um grande amigo meu me deu o seguinte conselho: “Compra um livro em Inglês, do qual voce possa encontrar tambem os CD’s do mesmo. Ao passo que voce ler, acompanhe a leitura com um headphone, sempre que voce puder: em casa, no carro, no trabalho, etc...” – Bom, o que que eu fiz? Nao conseguia achar nenhum livro que ao mesmo tempo tivesse os CD’s correspondente ao conteudo do mesmo. Entao, graças a Deus encontrei na Biblia a soluçao: fui a uma “Christian Store” e encontrei uma Biblia na Nova Versao Internacional e todos os cassetes (coisa antiga hehehe) apenas do Novo Testamento. – O que fiz, ouvia e lia ao mesmo tempo, o maximo que eu podia. Quando entrava no carro, apenas ficava a ouvir aquelas fitinhas; no trabalho usava um headphone, e muitas vezes quando ia dormir, ao deitar-me colocava o headphone ao ouvido até cair no sono(claro, acordava mais tarde e guardava o aparelho). Muitas pessoas, me chamaram de louco, e perguntavam por que eu estava fazendo aquilo??!! Eu apenas dizia que queria aprender Ingles o mais rapido possivel, pra poder ler e escrever. – Bom outra coisa que eu fiz: Comprei um caderno grande, e nele transcrevia muitos capitulos da Biblia que eu lia e ouvia, repetidas vezes; e tambem Jornais locais, ia nas lojas e os comprava, lia a noticia e transcrevia do jornal ao meu caderno. Outra vez, muitos me chamaram de louco.

Bom , valeu demais todo o meu esforço, pois me deu um impulso muito grande na escrita e pronuncia da ligua. É verdade que mais tarde entrei numa escola pra melhorar minha gramática. Mas, até hoje, ADORO ouvir e ler ao mesmo tempo em Ingles. Valeu apena!! Conheço pessoas que chegaram antes de mim, e ainda nao sabem quase nada....

Acho que voce pode tentar o mesmo, quem sabe voce vai se divertir. Espero que tenha ajudado.... hehehehehehehe........

Muito interessante o teu blog. Parabens. Um grande abraço.


O.t. (Otniel)