Ontem tinha pedido ao Lars prá fazermos hoje alguma atividade física,uma caminhada na montanha, andar de bike... Isso se o sol saísse! Então, enquanto tomávamos café (frokost) o telefone tocou. Era um amigo do Lars nos convidando para passar o dia no chalé dele, que fica numa ilha em frente à cidade, e portanto somente acessível de barco. O dia tava bonito, o convite foi perfeito!
Como todos já sabem, não tenho medo de água - barcos, mar aberto, tudo muito familiar para mim. Tomas, o amigo de Lars, havia checado a previsão do tempo, tudo parecia bem - tempo bom, vento bom, sem tempestades a caminho. Afinal, há um pedaço de mar aberto entre o porto de Bodø e a ilha de Landegode. Lars estava preocupado com minhas roupas, se estavam quentinhas o suficiente. E eu, com a mente pregada em barco, sol, mar do Caribe, a baía da Ilha Grande... Já imaginam, né?
Então,chegando no porto, o vento tava geladíssimo. Entendi o porque da preocupação do Lars. Mas eu tava quentinha, de ceroula, protetor de pescoço, gorro, ea boa e velha jaqueta da Royal caribbean, feita para o frio da Finlândia... Enquanto embarcavamos as coisas no barco, um navio da Hurtigruten (o Polarlys - luz polar) entrava na baía de Bodø e apitava.
Disse pro amigo do Lars que este era um som muito familiar prá mim. Alias, que água, barcos, nunca me meteram medo. Mas ali parada no pier, estava pensando em quão fria aquela água estaria, e que água fria sim me metiamedo. Por um momento me lembrei de todos os treinamentos de emrgência dos navios, de regras de sobrevivência, e especialmente do último treinamento que fiz no Freedom, logo antes de vir embora, de comandante de barcos salva-vidas. Aqui neste link tem um vídeo engraçado sobre ele...
Então, com todos estes pensamentos que passaram em minha cabeça como um relâmpago, entramos no barquinho e lá fomos... O passeio começou muito bem, apesar do vento absolutamente congelante. E de repente, saímos da baía em direção ao mar aberto, e o mar estava reviradíssimo - pro tamanho do barco, claro. Ondas enormes pegando a gente de frente. Juro por Deus que nunca tive tanto medo... Mas pelo simples pensamento de que se algo acontecesse, não adiantaria nadar, mesmo que houvesse terra relativamente próxima, pois a água gelada nos mataria em minutos. Eu sei que quem não tem experiência no mar deve estar me achando exagerada, mas por quase 10 anos fui treinada para sobreviver no mar caso algo acontecesse, e sempre ouvi - inclusive de médicos - que hipotermia mata rápido.
MAs o pior passou, depois de uns 40 minutos chegamos a uma baía na ilha, e o mar dentro de baías émais calmo... E quando chegamos, a vista foi essa:
Mas o chaé do Tomas ficava mais além, o lugar da foto acima era só o pier... Então Lars me fez calçar um coturnão dele, pois poderia haver lama. O vento tava gelado, mas a água tão transparente e verde... Oh, os truques que nossa mente nos prega... Se eu estivesse num lugar tropical, não me custaria muito prá pular numa água assim. É como se esquecessemos que a água é fria! E eu sou aquariana, e apesar de meu elemento ser o ar, a água exerce sobre mim uma forçade atração inexplicável.Então caminhamos uns poucos metros, e a visão foi essa:
Tomas e a família usam este chalé mais no verão, por motivos quase óbvios - é muito frio!!! Então depoisda caminhadinha chegamos ao chalé, e eu fui olhar a parte de trás... Então achei isso - e realmente, não pudecrer nos meus olhos...
Uma praia caribenha ou tahitiana em pleno Pólo Norte??? E foi uma certeza que tive - que valeu o passeio difícil de barco prá chegar neste lugar! Que por sinal, aposto, poucos seres humanos viram...
Fomos até lá com Tomas para ajudá-lo a encher a hot tub (banheira de água quente) dele. Tivemos que esticar uma mangueirona, e ele bombeou água do mar. Medimos a temperatura da água - era de 8 graus na superfície! Terminados os trabalhos, comemos morangos portugueses que Tomas levou, e aprontamos tudo para voltar. A volta foi muito mais tranquila, pois as ondas nos pegavam por trás. E quando chegamos novamente na baía de Bodø, o sol brilhava novamente.
Por sorte antes de encontrarmos Tomas no porto na ida, paramos na Vinmonopolet do centro e compramos uma caixade vinho para o fim de semana - depois faço um post sobre vinho em caixa, se alguém estiver se perguntando... Ao chegarmos em casa, tomamos um banho quente e claro, atacamos a caixa de vinho. Tor Erik veio nos visitar e assistimos um programa genial no Travel Channel, chamado "Tall Ship Tales", sobre 45 pessoas que deram uma volta ao mundo num veleiro grande, inspirados na família Schurman do Brasil. O capitão é canadense, de New Foundland. As aventuras deles pelo Pacífico-sul são geniais... Se alguém tiver curiosodade, tem link sobre ele aqui e aqui.





Um comentário:
CAMI !!!! Que saudades !!! Você está melhor? O frio já tá melhorando por aí? Aqui o frioziho está chegando !!Que fotos lindas ! Parece até filme. Desculpe não escrever antes... E você, o Lars, tudo bem? Da amiga brasileira qu te ama, Alê (O Guaiba tá mandando beijos)
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