segunda-feira, maio 04, 2009

Feriado no chalé

Lars e mãe tem um chalé fora da cidade, como 90% dos noruegueses, assim ouvi. É muito comum ter o seu chalé na praia, montanha, lago, fjord, ou seja, qualquer lugar que não onde se mora! O do Lars fica a duas horas ao norte de Bodø, num lugar chamado Stirkesnes, uma vilita mínima na beirada de um fjord deslumbrante. É um chalé simples,e por ser num local MUITO frio, não tem água encanada dentro da casa. Ou seja, não tem pia prá lavar louça (pia tem, mas não tem torneira), e não tem banheiro! Isso porque na maior parte do ano, a água congela. Portanto, num lugarejo sem estrutura, não tem como ter água correndo nos canos no frio. Então, não tem o ano todo mesmo!

Por isso o banheiro é uma casinha do lado de fora.... Com privadinha a moda antiga e tudo. Banho, só de gato.

Mas nada disso importa no fim, porque faz frio mesmo lá. Tava mais frio que aqui na cidade, óbvio. O lugar é um desbunde... Ano passado, estava mais frio quando estive lá, e vimos aurora boreal, um céu de estrelas que dói a vista... E tem montanha que acaba no mar, e prainhas, e no verão o povo põe os barquinhos na água e vai pescar...

Então, sexta-feira fomos prá lá, eu e Lars. Tava um sol de morrer, dia lindo. E lá fomos. Duas horas depois, chegamos lá ainda com luz (claro, pois meia noite ainda tem luz atualmente!), arrumamos o chalé - acendemos o fogo no aquecedor (com lenha), fomos ligar uma torneira no quintal - que dispensa a água do degelo da montanha, que vem num riachinho... Essa água é usada para escovar os dentes e lavar a louça.













Depois, outra tradição norueguesa: toda casa tem um mastro de bandeira, e a bandeira sempre está hasteada quando tem gente em casa (ou no chalé).

Então, torneira com água correndo, fogo aceso e casa quentinha, bandeira hasteada, churrasqueira pra fora... Assamos uma carninha (dessa vez, de vaca! finalmente) e jantamos com salada. Depois, aquela deitadinha no sofá prá assisitir televisão. A NRK1 mostrou um show do Leonard Cohen em Londres - tá bem velho ele, mas ainda dá no coro! Adoro ele... (veja aqui um trecho do show, Hallelujah, que na TV tinha qualidade decente. Mas saca a voz do sujeito!) Depois desse programão maravilhoso, estávamos prontos prá ir deitar. Mas quem disse que eu conseguia levantar do sofá gente??? Os joelhos falharam, e a coluna falhou... A lombar não colaborava, e não estava sustentando nem meu peso... Lars teve que me ajudar a levantar e ir prá cama. Tava super preocupada... Será o vírus cabeludo, será por causa da viagem de carro? Nunca tive este tipo de problema na coluna.

E acordamos no dia seguinte... Passarinhos cantando, sol fraquinho, e a tal dor na coluna, tchau! Cadê... Mas os joelhos estavam duros, não queriam dobrar muito bem... Mas foi melhorando. E depois do café, com banana cozida (no friozinho deu vontade), descemos a montanha até a casa de barco. Lars tinha que mexer no barco antes de botá-lo na água. Primeiro, pintar o casco, depois o motor, depois trocar a bóia que prende o barco... Ufa!


Depois de todo este trabalho, faltava agora só esperar a maré subir... As 7 da noite! Então voltamos prá casa, sentamos na varanda, acendemos o cachimbo que tinhamos comprado em Porto Rico (com tabaco de cereja, iumi!), e abrimos uma cervejinha, que viraram duas, depois uma dosinha de White Henessy que tínhamos comprado em St Maarten... Enfim, agarramos um fogo, como dizem os mexicanos. E tacamos fogo na churrasqueira, e fizemos almojantar (middag). E um vinhozinho... E o tempo nesta altura já tinha virado, e tava chovendo pacas!


Então as 7 da noite resolvemos descer a pé (e de fogo) prá botar o barco na água. Aparentemente esta situação (botar o barco na água de fogo) é comum na Noruega! Fomos debaixo de chuva, mas achando que a caminhada nos faria bem. E chegando na casa do barco morro abaixo, começou a chover muito!

E a bateria do barco tava arriada, e o motor não pegava, e o Lars começou a gritar palavrão de lá de longe, e eu dando risada... No final o motor reserva pegou, e ele levou o barco até a bóia laranja, onde ele ficará amarrado até o outono. E então nós subimos o morro ensopados, já bem mais alertas, e com frio! E claro que esta noite (a de sábado) foram os joelhos que falharam de vez, juntamente com meus punhos. Se alguém me empurrasse pelas costas eu cairia feito uma batata, pois não tinha apoio nem nas pernas nem nas mãos! Vírus *¨&%$#@ CABELUDO! Preparamos um lanche, assistimos uma tvzinha (um filme ruim com a Sally Field e Ed Harris).
Fui dormir com muita dor.

Claro, dia seguinte (hoje, Domingo) acordei boa! Joelhos ainda um pouco duros, mas funcionando, punhos em ordem, mãos inchadas feito pão de novo! Arrumamos tudo e pegamos a estrada pra chegar cedo... Choveu durante o caminho todo. Mas em Bodø tava sol. Lars tava cansado e fomos dormir cedo.

Próximo fim de semana estamos planejando ir até lá de novo, mas dessa vez levando bateria nova, para poder finlamente sair prá pescar... Tô entusiasmadíssima.... Pescar seu peixe, levar prá casa e cozinhá-lo! Hum!

E prá acabar, uma fotinho do barco (que se chama Herdis) lá no elemento dele, naquele fjordão que espera para ser explorado!

2 comentários:

Bel Butcher disse...

Oi Camila,
nossa, que lugar incrível! Muito bonito!

Agora, explica aí pra gente por que diabos ir ao hospital não é tão simples e por que você não poderia escolher a médica como sua médica ali, na hora?

Aqui na França temos que escolher um médico. É parecido com o sistema médico de família. Ele irá te assistir e te recomendar, caso seja necessário, especialistas. Com a recomendação dele, não pagamos, ou só pagamos a tabela, dos especialistas. mas, se você quiser ir sem a indicação dele, aí você paga mais caro. Eu gostei do meu de cara. Algo raro por aqui, já que a relação médico-paciente é beeeem diferente. Bem mais distante, diria. Se eu não tivesse escolhido, teria que pagar a consulta e continuar a procura.

Camila Hareide disse...

Oi, Bel... É mesmo muito bonito... Aproveite o verão prá vir conhecer com a Tania!

Bom, segundo o Lars, para ir ao hospital aqui, só mesmo se vc estiver morrendo. Há consultórios médicos pela cidade, com médicos de plantão, e mesmo as ambulâncias levam as pessoas nesses médicos e eles encaminham aos outros serviços. Achei estranhíssimo! Eu ainda não tinha o meu médico porque ainda não tinha recebido meu RG norueguês. Como ele chegou esta semana, agora posso escolher meu médico, que é prá vida toda! Acho que neste ponto é como aí...

Espero não ficar doente tão cedo, não gostei muito do sistema... Acho que é porque estamos acostumados com o sistema brasileiro... Enfim...