segunda-feira, maio 25, 2009

Surfando na net

Hoje achei um link para um texto interessantíssimo de um brasileiro sobre expatriados.

"Exceto para o brasileiro nostálgico. Ah, expatriado com saudade não brinca de ser brasileiro, não! Mesmo formado com Iron Maiden ou com a vanguarda paulistana, ele não se furtará a demonstrar que sabe os passos do samba. Ainda que membro, em terras brasileiras, da minoria que odeia futebol, ele se vestirá de verde e amarelo nas Copas do Mundo. Conhecedor da violência urbana carioca ou paulistana, ele se revoltará contra editoriais, reportagens ou filmes estrangeiros que a retratem. E assim por diante. É o brasileiro que torna-se (imaginariamente) brasileiro no exterior.

Mas a emigração também produz outra forma de expatriado, o "bem-adaptado" que já não "entende" como é possível viver com um salário brasileiro, "esquece" palavras em português e vocifera receitas econômicas fáceis, que funcionaram, garante-nos, em outros lugares. Esse personagem vai tecendo uma identidade híbrida, baseada num pastiche de valores aproveitados da terra adotiva e numa brutal simplificação metonímica de traços do país de origem. É o brasileiro que, no exterior, deixa de ser (imaginariamente) brasileiro."

O texto é "Expatriamentos", de Idelber Avelar. Aqui o link para o texto na íntegra.

Curiosa que sou, fui fuçando pra achar mais. Cheguei no blog do mesmo. E encontrei lá o "Decálogo dos Direitos dos Blogueiros". Rolei de rir... Porque enquanto xeretava a net, tava aqui pensando que hoje em dia, qualquer pessoa, qualquer pessoa mesmo, pode ter um blog. Se o que ela escrever vai ser interessante, aí são outros 500. Mas também lembrei que o que pode não ser interessante pra mim, pode ser para ouitras pessoas... E se você entrar fundo na blogosfera, vai ficar pasmo com a imensidão dela, com a vastidão de assuntos tratados...

Veja um exemplo... Até outro dia, eu tinha opinões fortes a respeito da tal inclusão digital. Sempre pensei que seria ótimo que todos tivessem acesso anet com intuito educativo, por exemplo, poiselapode ser uma ferramenta poderosa. É possível viajar sem sair do sofá, pesquisar sobre animais, cientistas, o espaço, etc, etc. Mas é possível também ter acesso outras informações que eu consideraria perigosas em mentes menos, digamos assim, privilegiadas. E com este pensamento na cabeça, dei de cara com o blog do Santiago Nazarian. Escritor, 32 anos, 5 livros! Que na verdade é o irmão mais novo da, na época, minha melhor amiga dos tempos de infância, da segunda à quarta série... (Viu, a Internet te faz dar voltas sem querer?). E fui olhar o blog dele, e tinha lá um post chamado Inclusão Digital, veja o post aqui. Adorei a inclusão digital dele!!! A faxineira da minha mãe também tá na maior inlcusão digital lá na casa dela... Primeiro, comprou o computador, mas ainda não tinha internet em casa. Ela ficava preocupada que os filhos tinham que ir na lan house (eu também ficaria...). Então o computador era mais pra trabalho de escolha, pra ver dvds e jogar jogos. Agora eles tavam colocando lá internet discada. Adoro esta inlcusão digital... Então porque ter preconceitos no mundo digital? A cabeça tem que estar aberta, se não gostar, não leia, não poste, não comente, né não?

Com estes pensamentos todos na cabeça, li o Decálogo... do Idelber... Aí vão alguns pontos:

"10. Toda blogagem se dará em paz e exercitará a liberdade de expressão inerente a qualquer democracia. A blogagem estará a salvo de perseguição política, religiosa ou doutrinária de qualquer caráter. O blogueiro será livre para dizer o que lhe venha à telha, desde que, obviamente, não cometa com a linguagem crimes de calúnia ou plágio."

"6. Todas as blogueiras terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa e sem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca com semelhante tranqüilidade."

"2. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre a composição do vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer."

Veja o post na íntegra.

Adorei o número 2! Por isso hoje tirei o pé da jaca e parei de ficar me censurando se quero escrever bobagens. O blog é só meu! Ainda que ninguém leia, tenho o registro de quase 10 anos da minha vida aqui. Então digo o que quiser, não só sobre viver na Noruega... Não me atreverei a escrever dezenas de linhas sobre coisas que não entendo, mas escrevo como as percebo, certo? E cheia de tempo nas mãos, vai ficar longo o negócio, então paro por aqui. Já misturei feijão preto com ostra mesmo!

E aí ao lado coloquei links para outros blogs, o da Luciana que eu já lia, mas não tão frequentemente como agora, e os outros dois que achei hoje!

Divirto-me!

2 comentários:

Idelber disse...

E vivam os encontros virtuais possibilitados pela internet! Obrigado pelas citações e pelos links. Um grande abraço.

Luciana disse...

Oi Camila, que bom que você comentou lá no blog, assim pude descobrir o seu.
Agora vou te adicionar e ficar vindo sempre te visitar.
Menina, também sou super amadora nas fotos, mas vou dando meus cliques, me divirto muito, e meu marido ainda me deu uma máquina mais potente como incentivo, só que ainda não sei usar direito, kkkk

Beijo