domingo, julho 26, 2009

Desculpas, e uma noite mucho ããã, interessante.

Primeiro, porque cometi alguns assassinatos ao português num post anterior, e meus pais NUNCA deixam passar - sorte minha. Escrevi vários haviam... Palavra que não flexiona no plural. O certo SEMPRE seria "Havia vários produtos disponíveis". Já corrigi, Dona Maria do Carmo!

Segundo, pela falta de assunto. Na verdade não é falta de assunto não, é falta de paciência pra teclar. Fiz um update no post a-hasando em Londres, pois achei um vídeo do Morten tocando bateria na fabulosa música "The Bandstand".

Queria aproveitar também pra contar sobre meu outro blog. Precisava ser feito. A coisa aqui tava ficando muito poluída - Noruega, meus devaneios, música, meio ambiente e... gastronomia? Não, muita salada. Então abri um bloguinho só para falar das comidices e tolices etílicas a que me meto. Chama-se Caderninho, e está linkado aí ao lado. Pra lá foram todos os meus links adorados de sites de comida e vinho, além dos meus blogs de leitura que falam sobre comida, entre eles o Sabor Saudade da Claudia, o Bistrô Pimenta e o Come-se.

Bom, sobre a noite interessante... Ontem à tarde o amigo do Lars (com quem vamos pra Lofoten em Agosto) ligou, dizendo que a namorada tava sem o filho, e se queríamos fazer alguma coisa. Então disse ao Lars que os convidasse para vir aqui. Compramos camarões, fiz uma maionese de ervas com hortelã, dill, cebolinha e manjericão da minha hortinha (ó a misturada começando!), bebemos (muita) cerveja, ouvimos música, e lá pelas tantas o amigo e a namorada resolveram que era hora de sair. E apesar de meio duros esse mês - casório, alianças,etc, - resolvemos acompanhá-los. Pegamos um taxi e fomos ao centro.



Cara, que coisa surreal. O verão tá acabando, mas não tá frio não. Ontem à noite deu até pra sair sem casaco. E por isso, as moças estavam no geral vestidas pra calor de Rio de Janeiro. Em alguns momentos parecia que eu estada num episódio de "Sex and the City", em outros, "Gossip Girl". A diferença é que nesses dois shows as mocinhas dificilmente cambaleavam pelas ruas de tão bêbadas. Tentando se equilibrar nos saltões. Morri de rir. A melhor coisa de sair na selva é observar os animais. E nesse quesito, Bodø, com seus 40mil habitantes, é um ecosistema riquíssimo. Em cima disso, o povo bebe, gente, como esse povo bebe! Eu não aguento acompanhar - e não quero, pois cair na rua, nem quando eu tinha meus 20!

A namorada do amigo tem 25 anos. Digamos que o grau de empolgação dela é um TANTO maior que o meu. Chegamos a um bar que ainda não estava lotado, e que naquela noite não estava cobrando entrada. Até conseguimos uma mesa. Em questão de minutos o lugar ABARROTOU. Conseguir uma rodada de drinks no bar foi tarefa de meia hora. Num certo momento, a mocinha me puxou pelo braço pra ir ao banheiro. Lá fui eu. Ao entrar no banheiro, uma portinha se abre, sai uma menina de dentro do reservado, e a amiguinha me puxa pela mão pra dentro do reservado. Pensei "Car...., que que é isso? Cadê a privacidade do ser humano?" Qual não foi minha surpresa ao encontrar duas privadas no reservado... Sim, DUAS PRIVADAS, pra que as amiguinhas não precisem parar de conversar enquanto se aliviam!!! Na hora, eu ri. Acho que de choque. Mas não gostei. Pode ser procurar pelo em ovo (li demais sobre feminismo por causa do blog da Lola, acho), mas achei aquilo o reforço da piada machista e cretina que diz que mulheres não vão sozinhas ao banheiro porque uma tem que espremer a cabeça da outra. Detestei a idéia, na verdade. Na hora do desespero, da bexiga cheia de cerveja, eu tenho que mijar com outra garota ao meu ladinho???? Nã-não! Já disse ao Lars que não volto lá. Bom, na volta do banheiro, a criatura queria dançar. E veja bem, ela me puxava com voracidade mesmo! Parecia ela mesma uma adolescente... Quando chegamos no lugar, estava tocando Duran Duran e outras bandas oitentistas. Ao chegar na pista, o DJ começou a tocar aquelas músicas que não são música, tipo gangsta-rap da pior espécie. Além de não conseguir dançar este tipo de som, as mocinhas de Gossip Girl quase caíam em cima da gente. Desisti, mesmo, com mais voracidade do que a mocinha tinha pra dançar. Não adiantame puxar não, quietinha no seu canto! Afinal, o adulto sou eu! Pronto, recuperei o controle sobre mim! Ufa!

Saímos de lá e fomos ao bom e velho bar para trintões (nós) e acima - beeeeem acima de trinta. Mas ao menos lá é fácil comprar um drink no bar, e os reservados são de uma privada só! E tinha várias mesas livres. Às 3 da manhã, acendem as luzes e tchau! Todo mundo tem que ir embora. É lei aqui na Noruega - após um certo horário, não se pode mais vender bebida. Então o bar fecha, e azar o seu se seu copo estiver cheio. Mate-o ou deixe-o, pois é todo mundo pra rua mesmo. O horário muda de lugar para lugar. Aqui em Bodø é às 3 em ponto. No blog Conexão Noruega o Bruno já havia escrito um bom post sobre a venda de álcool no país. Vale dar uma olhada.

Então, depois das despedidas, lá fomos à pé pra casa. Dessa vez não encontramos bebuns pela rua. Só nós - não-bebuns, e o sol nascendo de novo. Muita paz na selva nestas horas. E eu querendo entrar no jardins das pessoas pra cheirar as flores, de tão lindas que estão... Ainda não tinha visto, há lírios laranjas e rosas coloridas por todos os lados. Vou tentar fotografar essa semana. Até a minha rosa finalmente brotou - uma roseira do jardim, semi-morta, que resgatamos, podamos, limpamos a área ao redor, e ela brotou. Linda, vermelha e sozinha.

Chegando em casa, muuittaaaa água antes de dormir. Disse ao Lars que me senti completamente fora de contexto. Ah, que saudade de um boteco - seja ele um sujinho, ou um ajeitadinho como os da Vila Madalena. Que saudade de sentar em mesa na calçada numa noite quente, de garçons de gravatinha borboleta vindo tirar o pedido na mesa... Que saudade de beliscar enquanto aprecio meu chopp - e que saudade de um chopp Brahma...

3 comentários:

Luciana disse...

Camila, ri demais com a história do banheiro, contei pro meu marido, ele achou engracado também, disse que nunca tinha ouvido falar, mas vai ver é aproveitamento de espaco, ao contrário de você, de tanto ler nos outros blogs que veem machismo em tudo, eu abstraí. Mas a espécie macha também faz xixi conversando, os mijadouros são juntinhos, vai ver foi inspirado nisso.
Menina, Gossip girl, coloquei a moda das meninas do GG no meu outro blog, kkkk
Vou aderir a seu novo blog, fico comendo com os olhos no de Cláudia, agora vou me saciar visualmente e com as receitas no seu também.
Pois é, estou restringindo os acucares, incluindo aí pão, macarrão, batata, mas não 100%, dei uma boa reduzida no consumo, mas ontem comi chocolate, kkk
Beijo e boa semana.

Bel Butcher disse...

Xiii, começou... Saudades. Bom, você é certamente PhD em gerar saudade, mas não é fácil, ainda mais num país bem diferente do seu. No oceano pelo menos você tinha um milhão de nacionalidades diferentes, né? Acho que ajuda.

Aqui em Paris eu comecei meus ataques de saudade há um tempinho. Fizemos algumas coisas brasileiras - caldinho de feijão, pastel, pão de queijo - que era pra ver se ajudava a administrar a saudade. Mas o fato é, que sentimos falta não só das coisas, mas do ambiente, do jeito, das relações. E aí, não tem feijão que ajude!

Camila Hareide disse...

Saudade faz parte Bel, acaba acostumando. O jeito é abstrair dela. Mas quando eu fico p... com alguma coisa, ela aperta. Agente sempre acha que a grama é mais verde do lado de lá, e nem sempre é assim.

Tem um trecoh do Mar sem Fim, do Amyr Klink, que ele fala que um homem precisa viajar prase dar conta do que deixou pra tras. Mas oque acontece quando a viajem é estado permanente?

Eita, saudade...

beijo