sábado, outubro 16, 1999

Vou entrar de gaiata num navio!

Este é o primeiro post deste blog, que vai contar minhas futuras aventuras trabalhando a bordo de um navio de cruzeiros da Royal Caribbean Cruises.

Pra quem não sabe, depois que terminei o curso de Cozinheiro Chefe Internacional (CCI) do Senac, em 97, fiquei um tempo fazendo bicos, até que no início de janeiro do ano passado me mudei pro Pantanal, pra trabalhar num hotel-fazenda ecológico. Isto dava um blog a parte, então pulamos pro fato de que um ano depois, achando que tinha abandonado minha carreira de chef, voltei pra SP.

Um belo Domingo lendo o caderno de empregos do Estadão, dei de cara com um anúncio em inglês, que chamava para um recrutamento para a Royal Caribbean. Me lembro que desde o tempo da faculdade de hotelaria eu lia a Revista Viagem & Turismo e sonhava, ao ver as propagandas da Royal. Então pensei, "Por que não? Não custa nada tentar..."E lá fui eu, com currículo debaixo do braço e a cara de pau... A entrevista era bem num feriadão em SP, a cidade estava bem vazia. Ao entrar no hotel, me encaminharam ao Centro de Convenções, e para minha surpresa não havia muita gente esperando. Então um senhor veio em minha direção e tentou falar portugês, mas era de lingua hispânica. Leu meu CV e disse que eu não tinha muita experiência para a vaga aplicada - queria trabalhar na cozinha... Mas me mandou esperar mesmo assim.

Depois entrei numa sala, e o homem que faria a entrevista estava sentado. Começou falando inglês, e assim foi até o fim. Eu achei que tinha ido bem, pois havia um grande entrosamento na conversa, e eu estava muito a vontade. Acho que o fato de meu inglês ser muito bom ajudou... Mas na verdade eu saí de lá sem muita expectativa, pois o tal hispano não tinha ido com a minha cara.

Duas semanas depois ele me ligou e se identificou. Era o hispano. Perguntou se eu poderia comparecer a um outro hotel naquela semana, e la fui eu, muito curiosa. Quando cheguei, haviam umas 30 peesoas esperando. Então o tal hispano chegou, nos levou pra dentro de uma sala e perguntou se sabíamos porque estávamos ali. E respondeu ele mesmo que nós todos tínhamos passado na pré-seleção. A partir dali ele nos daria instruções para que pudessemos tomar nossa decisão.

Então, ele era um agente de contratação da Royal Caribbean, o único na Américado Sul, e seu escritório ficava no Chile. Os aprovados que quisessem dar continuidade ao processo de contratação deveriam viajar ao Chile, onde deveriam ficar por uma semana aproximadamente, por conta própria. Pagar todos os exames médicos necessários e despesa com visto, além da estadia e passagem aérea, além da passagem aérea até o porto de embarque.

Depois da apresentação, metade da galera já broxou achando que deveria ser algum tipo de tramoia, exploração, sei lá. Eu pensei muito no assunto e fiquei muito ansiosa, mas resolvi arriscar depois de conversar muito com minha família. Meus pais toparam arcar com as despesas.
Duas semanas depois desta última entrevista, o chileno, Sr Tulio, telefonou e perguntou se eu tinha me decidido. Disse que sim, que toparia, e ele disse que eu deveria estar no Chile dentro de uns 10 dias. Foi uma Sra. correria, médico, passagem ao Chile, festinha de despedida, etc.

Por sorte uma ex-professora da faculdade tinha uma boa posição numa cadeia de hotéis na América Latina, me conseguiu um descontasso na hospedagem num hotel de boa categoria e num bairro bom em Santiago.

E assim me preparei para partir, sem saber o que me agurdava do outro lado, com a cara e a coragem. A única certeza que tinha era que, se eu estivesse me metendo numa fria, voltaria rapidinho.

Este blog narra daqui por diante todo o épico...

Nenhum comentário: