Preciso começar a por ordem aqui nesse pedaço. Ainda não terminei o relato da viagem de microférias pra Dinamarca e Suécia... Ainda virá, nem que só pra minha própria futura lembrança. Por hora, um post longo sobre o quase não-verão daqui. E minha mãe veio visitar bem nesse período. Ano passado o verão foi espetacular. Fez muito sol. Esse ano posso dizer que pra cada 10 dias, apenas um é de sol.
Mas vamos lá... Um dos raros dias de sol... Esse sol é o das 5 e meia da matina, em maio, já na fuça da gente.

Outro típico sinal da primavera/verão por aqui é ver rebanhos espalhadinhos nos pastos. A partir do outono eles são recolhidos ou levados pra outras regiões. Até outubro ainda veremos vaquinhas, ovelhas, renas e cavalos nos campos e beiras de estrada.
Ainda em maio, esse foi o primeiro sei da primeira (e única) pescaria da temporada. Coincidentemente também o maior pescado por nós nessas águas.
E falando na neura noruga de fazer churrasco no verão (vários blogs do povo que mora por essas bandas já falou sobre isso, assim não preciso eu também reforçar a idéia), aqui a imagem que prova e reforça toda essa nóia... As linhas de itens pra churrasco de cada uma das redes de mercados. Essa é do Rema 1000 (pronuncia-se rematussen). Foi também um dos poucos churrascos que fizemos esse ano. Além das carnes, há os acompanhamentos, molhos e guarnições da mesma marca, e esse ano até cerveja fizeram... Resolvemos provar!
Ainda nesse fim de semana de maio, mas essa imagem resume como foram a maioria dos dias do mês...
Mesmo sem sol, a gente nota que é primavera porque as plantas se manifestam. Aqui, uma espécie nativa de samambaia (eu nem desconviava que elas existissem nessa latitude, sempre as julguei, assim como mosquitos, seres tropicais...) que inunda os bosques e as beiras da estrada.
E esse verde é um verde que não nos abandona o ano todo... Os pinheiros permanecem verdes por todo o inverno, mas na primavera/verão crescem, e as pontinhas deles ganham novas folhinhas e os galhos crescem. Eles ficam levemente bicolores.
Mama e minha sogra, no fim de semana que fomos passar no chalé e choveu, choveu, choveu... Aqui no aniversário de 80 anos do vizinho que sempre ajuda com tudo, grande amigo da família...
E a mama achando linda a queda d´água do Kobelv, ou rio Kob, que tem até um troll pescador...
Na volta do chalé, a semana nos deu UM dia de sol. Nesse dia resolvi mostrar pra mama como é que a norueguesada como camarão aqui em Bodø. Coisa também típica da primavera/verão, o píer se apinha de barcos de pesca vendendo camarões. Os camarões são vendidos inteiros, com cabeça, e já pré-cozidos. O povo compra camarão no barco e senta nas mesinhas ao longo do píer, na maior refestelança. Por aqui esses camarões são descascados e descabeçados, arrumados delicadamente sobre uma fatia de pão branco e guarnecidos com maionese e limão. Trouxe pra casa, fiz eu mesma uma divina maionese com chili e coentro, e guardamos as cabeças porque eu faço caldos que depois são usados em sopas, ou até no cuscuz de peixe que a mama fez e foi devorado com tanta sofreguidão que nem tempo deu de tirar fota. A sogra A-D-O-R-O-U!!!
O antes e depois! O girassol foi comprado no ICA e tá vivinho da silva, apesar de não tomar todo o sol de que precisa...Abaixo, mama sentada nas mesinhas do píer. Onde o povo come camarão. Só pra ilustrar. Esse foi um outro raro dia de sol em que saímos pra fazer comprichas, nós duas...
Mama e as flores do píer...

E num outro dia de sol, levamos a mama na loja de plantas. É uma cadeia, tem no país inteiro, creio eu. Compramos amores-perfeitos, lavanda, uma florzinha roxinha bem típica, além de várias outras bobagens, como caixinhas e sementes pra fazer brotos comestíveis. A experiência com eles começou ontem. Depois eu conto...

Além das flores que se compra no verão e duram apenas uma estação, há outras mais perenes nos jardins. Esse ano os liláses tomaram conta das ruas, com suas cores delsumbrantes e seu cheiro espetacular.

Falando em verão e cheiro, já que do último não é possível tirar fotos, outro aroma específico, e que incomoda a muitos mas eu adoooooro, e que invade a cidade nessa época (deveria ser no início da primavera, mas como ela efetivamente começou mais tarde, esse ano o fedô veio mais tarde também), é o do esterco sendo espalhado nos campos pra fertilizar a terra. Helou, eu morei numa fazenda de gado no pantanal por váááááários tempos. Acordar e ir dormir com aquele arominha no ar, a gente não só acaba acostumando, como no meu caso, associando-o a algo familiar. Então quando os fazendeiros ao redor da cidade começaram a arar seus campos e jogar esterco, e o ar foi tomado por aquele cheiro de fazenda, eu fui tomada por #NostalgiaFeelings...
E a mama veio ver o sol da meia-noite. Eu fui fazer naninha, já que levantava às cinco no dia seguinte. Meu querido marido então levou minha mãe pro alto de uma montanha. O sol se escondeu atrás de Landegode, a ilha onde fomos ver o sol da meia-noite ano passado. Mama ficou com frio, Lars caçou uma jaquetona dentro do carro, e voilá!




Viu? O sol vai descendo, descendo, se esconde atrás da ilha e logo em seguida já começa a subir de novo. Isso porque o movimento do sol aqui em cima, no cocoruto do planeta, é elíptico. No equador ele faz um 180 graus - nasce num ponto, passa pelo zenith (meio-dia) e cai na direção oposta. Aqui, você pega esse movimento e puxa pra baixo, em direção ao horizonte... Difícil explicar sem desenhar...E numa outra noite de sol (engraçadíssimo dizer isso, "noite de sol", né?), mama acorda com barulho de chuva. Ué, sol e chuva?, se pergunta ela... E abriu a cortina e viu isso...
Eu e Lars já tinhamos visto um assim duas vezes essa primavera, conseguimos fotografar só numa delas, ainda por cima com o telefone...
Por fim, outra rara noite de sol, esse era o visual quando saí do hotel, às 11 da noite...
Como o post ficou muito longo, vou encerrando por aqui. Essa semana ainda posto um sobre o maior dia de sol de toda a visita da mama, quando fomos pra Kjerringøy. Vale um posto exclusivo pra aquele dia...
Um comentário:
olha, soh vc vier pra visitar o HArvard Museum, eu vou aih ver o sol da meia noiteeeeeee!!!
adorei as fotos e a narracao tb!!! hahahaha
beijos!! pra vc e pra mama!! :)
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