Seguindo a proposta da Somnia, apesar de atrasada, aqui vai minha contribuição...Eu escolhi seguir uma profissão que me tiraria do ambiente familiar em todas as férias, feriados e ocasiões importantes, digamos assim, pois estaria fatalmente trabalhando pra servir, alojar, alimentar e entreter os outros nessas ocasiões: a famosa hotelaria...
Quando optei por esta profissão em 1992, diga-se de passagem, havia apenas 7 faculdades de hotelaria no país, sendo o Senac e Renascença em São Paulo, e a Estácio de Sá, no Rio, as mais famosas. Hoje tem faculadade de hotelaria caindo pelos cantos do Brasil, e entrar na profissão está difícil - há mais oferta de mão-de-obra do que demanda...
Enfim, um jovem de 18, 19 anos não imagina o que vem pela frente ao entrar nessa vida... Da sala de aula, parece uma coisa. No cotidiano, é totalmente diferente. Você lida com centenas, às vezes milhares de pessoas por semana. A sua energia se esvai. Com o tempo, você se torna alérgico às pessoas.
Mas voltando ao Natal... Desde o meu primeiro, até o ano de 1994, sempre passei com a família. A maioria em Campinas, na casa dos avós. Não me lembro de nenhumzinho Natal longe. Até que em 1995 fui fazer estágio de conclusão de curso no hotel de meu tio, em Cumuruxatiba, na Bahia. Foi o primeiro Natal fora de casa, ainda por cima no hotel do tio - lembrei de minha família o tempo todo, que deveria estar reunida lá em Campinas. Ainda por cima porque o Natal anterior havia sido passado lá em Cumuru, família toda... Foi duro. A faculdade não havia preparado pra isso!
Em 97, recebi uma proposta de trabalho no pantanal do MS. Lá fui eu, em janeiro de 98. E consequentemente o Natal de 98 foi passado lá. Foi a segunda festa de natal que tive que organizar para hóspedes - havia pouquíssimos no hotel. Então a festa foi mais mesmo pra nós, funcionários caimanescos (o nome do hotel é Caiman, já falei por aqui, e tem uma foto daquele Natal aqui). E mesmo que estivéssemos quase em família - a família Caiman é unida até hoje, e todo fim de ano sempre que possível alguns de passagem por SP ainda se encontram - ainda não era a mesma coisa...
E o engraçado foi que, a partir daí, os únicos Natais que eu passei em família foram o de 2003 e o passado, quando Lars esteve no Brasil... E o mais engraçado - ou triste - é que eu fui me desensibilizando pra data. Ainda depois de infinitos Natais a bordo dos navios. Coisa mais superficial, consumista e vazia, que pra nós tripulantes não fazia muito sentido... Minha perspectiva com relação à data mudou bastante nesses anos. E fora as comilanças todas, e o fato de estar mesmo com a família, acho que é só isso, já que o papo religioso todo da data se perdeu em mim, que não sou nem religiosa nem crente em nada além da ciência.
Até que, em 2005, eu me juntei ao programa de "caridade" da Royal Caribbean pela segunda vez. E pra explicar um pouco, funciona assim... Cada navio junta um fundo monetário ao longo do ano, através de rifas, ou mesmo doações do tripulantes. Então, no fim do ano - ou na eventualidade de uma fatalidade, como um furação no Caribe - o escritório central da Royal seleciona comunidades/localidades em cada ilha/porto, e cada navio, através do Gerente de RH, vai escolhendo quem vai ajudar. Em 2004, com o Navigator, eu fui com o grupo levar uma máquina de lavar industrial a um hospital mental em St. Ann's Bay, na Jamaica (onde nasceu Bob Marley), que havia sido semi-destuído por um dos furacões horrorosos daquele ano - o Ivan. A experiência deveria ter sido fantástica, e no fim virou um pesadelo horrível pra mim. Eu já havia pobreza de perto, mas nada comparado àquilo. O cheiro do local, os sinais de destruição do furacão, a falta de condições do local, juntando com osdoentes mentais... Afffff, eu saí de lá me sentindo pior! Tanta merda, o navio escolhe instalar uma máquina de lavar no local???? O Diretor de Hotel, Raimund Gscheider (lembram dele de um dos vídeos do Oasis?), levou uns filipinos eletricistas pra instalá-la e tudo o mais. Mas eu achei nada gratificante, pois aquela gente precisava de colchões novos, por exemplo... As escolhas em dar prêmios e não dinheiro se baseavam no medo de a grana desaparecer e nunca chegar aos necessitados mesmo. Desde então sempre me juntei aos programas.
Em 2005 o Navigator resolveu ajudar a Jamaica outra vez. Dessa vez foi na época do Natal. Ali mesmo, onde ancorávamos a cada 15 dias, em Ocho Rios, as vans saíram pra sede do Rotary Club. Nós(uns 15 tripulantes voluntários) estávamos munidos de presentes de Natal embrulhados e transportados em sacos vermelhos - os sacos da lavanderia do navio na verdade. Éramos esperados por centenas de crianças de várias faixas etárias, que cantaram, dançaram e brincaram muito conosco, todos com os uniforminhos das escolas. Esse sim, valeu, pois ao menos fizemos o dia daquelas crianças. Eu preferia que pudéssemos ter feito mais, pra mudar a vida delas definitivamente - a Jamaica é extremamente miserável - mas foi um pouco. Me segurei pra não chorar. As fotos daquele dia eu acidentalmente deletei da câmera, infelizmente, e chorei muito quando o fiz... Naquele Natal eu esqueci um pouco da babaquice e superficialidade das festas a bordo, a festa de verdade foi em Ocho Rios.
E, finalmente, esta foto... Foi tirada em 2007, meu último Natal a bordo, dessa vez no Freedom of the Seas, que visita Labadee - a propriedade que a Royal Caribbean "aluga" do Haiti - a cada 15 dias. Só que dessa vez me envolvi um pouco mais. Num Domingo de novembro saí com Michael Opermman, sul-africano que era Gerente de Atividades para Tripulação, de taxi, para uma Toys'R'Us qualquer num local afastado de Miami. Tínhamos 2 horas, 4 mil dólares pra gastar, e presentes pra umas 500 ciranças pra comprar. Tarefa difícil. Mais difícil ainda foi conseguir um taxi pra sair dali, um Domingão, com tudo aquilo... Levou mais de uma hora, e QUASE, pela primeira vez na vida, perco o navio - acho que já mencionei que como tripulante esse sempre foi o meu maior pesadelo, né? Chegamos 10 minutos antes do horário de embarque de tripulação. Se você atrasa, créu! Mínimo uma advertência - tolerância zero...
Durante as semanas seguintes, foi um tal de mutirão pra empacotar presente, arrumar em caixas, permissão pra levá-los pra terra (tudo que sai do navio precisa de uma permissão...). No grande dia, saímos num barquinho, (Labadee não tem píer), desembarcamos tudo e éramos aguardados por centenas de crianças e adolescentes. Muitos discursos de todas as partes depois, começou a distribuição de presentes. As crianças, apesar de quase não conseguirem conter a excitação, foram comportadérrimas.
Pra quem não sabe, o Haiti é um dos países mas pobres do mundo. Aquela propriedade da Royal encravada ali sempre me incomodou de certo modo - a Cia investiu ao longo dos anos milhões de dólares ali, até o Clinton (Embaixador da ONU pro Haiti, ou algo que o valha) eles conseguiram levar até lá pra mostrar como eles investem e melhoram a condição de vida dos locais... É, pura balela...
Em meu último contrato, eu fui Gerente-Assistente de Bares, e era responsável pela operação em Labadee. Tudo que é vendido/servido na ilha sai pronto do navio - inclusive o gelo - e os diversos bares são montados minutos antes de os passageiros começarem a desembracar. Era uma operação de guerra, e eu e meus meninos e meninas ficávamos ali de 7 da manhã até quase 4 da tarde. Ao desmontar tudo, o horror se instalava. Era um tal de nativo aparecer de tudo que é lado, pedindo um refri, uma cerva, catando lixo e restos de coquetéis semi-derretidos em caixade papelão, pedindo comida na cozinha... Eu sempre, sempre me choquei, e sabia que a Royal faz porcaria nenhuma além de gerar empregos e pagar uma merreca... Enfim, o mundo é cruel sim! (Pense nisso em suas próximas férias... O turismo no local que você escolheu é sustentável, respeita e ajuda os locais ou é selvagem e exploratório????)
Mas voltando... Nessadia éramos uns 35 tripulantes. Depois da entrega de presente, houve apresentações de dança, de canto, ascrianças nos fizeram dançar com elas... Mas estavam mesmo querendo é comer! E o almoço foi servido, tudo muito organizado ecomportado - mas eu sabia que aquela seria uma refeição como nunca, e provavelmente a única do dia. E me sinto mal, mal, mal com isso. Esse programas de voluntariado são do tipo me-sinto-melhor-porque-fiz-o-bem-por-um-dia... Naquele momento, foi delicioso ver um sorriso naqueles rostinhos (repare que não há um sorriso na foto! Eles estavam ali rindo, e cada vez que eu falava - a profa. traduzia porque eu não falo francês - olha a foto, eles ficavam duros como pedra...) E depois?
Mas então, o espírito natalino não foi recuperado, mas tranformado em mim naquele dia... E essa foto me traz todas as lembranças de um Caribe bem pobre e maravilhoso, e de seu povo que lá habita...
Quando optei por esta profissão em 1992, diga-se de passagem, havia apenas 7 faculdades de hotelaria no país, sendo o Senac e Renascença em São Paulo, e a Estácio de Sá, no Rio, as mais famosas. Hoje tem faculadade de hotelaria caindo pelos cantos do Brasil, e entrar na profissão está difícil - há mais oferta de mão-de-obra do que demanda...
Enfim, um jovem de 18, 19 anos não imagina o que vem pela frente ao entrar nessa vida... Da sala de aula, parece uma coisa. No cotidiano, é totalmente diferente. Você lida com centenas, às vezes milhares de pessoas por semana. A sua energia se esvai. Com o tempo, você se torna alérgico às pessoas.
Mas voltando ao Natal... Desde o meu primeiro, até o ano de 1994, sempre passei com a família. A maioria em Campinas, na casa dos avós. Não me lembro de nenhumzinho Natal longe. Até que em 1995 fui fazer estágio de conclusão de curso no hotel de meu tio, em Cumuruxatiba, na Bahia. Foi o primeiro Natal fora de casa, ainda por cima no hotel do tio - lembrei de minha família o tempo todo, que deveria estar reunida lá em Campinas. Ainda por cima porque o Natal anterior havia sido passado lá em Cumuru, família toda... Foi duro. A faculdade não havia preparado pra isso!
Em 97, recebi uma proposta de trabalho no pantanal do MS. Lá fui eu, em janeiro de 98. E consequentemente o Natal de 98 foi passado lá. Foi a segunda festa de natal que tive que organizar para hóspedes - havia pouquíssimos no hotel. Então a festa foi mais mesmo pra nós, funcionários caimanescos (o nome do hotel é Caiman, já falei por aqui, e tem uma foto daquele Natal aqui). E mesmo que estivéssemos quase em família - a família Caiman é unida até hoje, e todo fim de ano sempre que possível alguns de passagem por SP ainda se encontram - ainda não era a mesma coisa...
E o engraçado foi que, a partir daí, os únicos Natais que eu passei em família foram o de 2003 e o passado, quando Lars esteve no Brasil... E o mais engraçado - ou triste - é que eu fui me desensibilizando pra data. Ainda depois de infinitos Natais a bordo dos navios. Coisa mais superficial, consumista e vazia, que pra nós tripulantes não fazia muito sentido... Minha perspectiva com relação à data mudou bastante nesses anos. E fora as comilanças todas, e o fato de estar mesmo com a família, acho que é só isso, já que o papo religioso todo da data se perdeu em mim, que não sou nem religiosa nem crente em nada além da ciência.
Até que, em 2005, eu me juntei ao programa de "caridade" da Royal Caribbean pela segunda vez. E pra explicar um pouco, funciona assim... Cada navio junta um fundo monetário ao longo do ano, através de rifas, ou mesmo doações do tripulantes. Então, no fim do ano - ou na eventualidade de uma fatalidade, como um furação no Caribe - o escritório central da Royal seleciona comunidades/localidades em cada ilha/porto, e cada navio, através do Gerente de RH, vai escolhendo quem vai ajudar. Em 2004, com o Navigator, eu fui com o grupo levar uma máquina de lavar industrial a um hospital mental em St. Ann's Bay, na Jamaica (onde nasceu Bob Marley), que havia sido semi-destuído por um dos furacões horrorosos daquele ano - o Ivan. A experiência deveria ter sido fantástica, e no fim virou um pesadelo horrível pra mim. Eu já havia pobreza de perto, mas nada comparado àquilo. O cheiro do local, os sinais de destruição do furacão, a falta de condições do local, juntando com osdoentes mentais... Afffff, eu saí de lá me sentindo pior! Tanta merda, o navio escolhe instalar uma máquina de lavar no local???? O Diretor de Hotel, Raimund Gscheider (lembram dele de um dos vídeos do Oasis?), levou uns filipinos eletricistas pra instalá-la e tudo o mais. Mas eu achei nada gratificante, pois aquela gente precisava de colchões novos, por exemplo... As escolhas em dar prêmios e não dinheiro se baseavam no medo de a grana desaparecer e nunca chegar aos necessitados mesmo. Desde então sempre me juntei aos programas.
Em 2005 o Navigator resolveu ajudar a Jamaica outra vez. Dessa vez foi na época do Natal. Ali mesmo, onde ancorávamos a cada 15 dias, em Ocho Rios, as vans saíram pra sede do Rotary Club. Nós(uns 15 tripulantes voluntários) estávamos munidos de presentes de Natal embrulhados e transportados em sacos vermelhos - os sacos da lavanderia do navio na verdade. Éramos esperados por centenas de crianças de várias faixas etárias, que cantaram, dançaram e brincaram muito conosco, todos com os uniforminhos das escolas. Esse sim, valeu, pois ao menos fizemos o dia daquelas crianças. Eu preferia que pudéssemos ter feito mais, pra mudar a vida delas definitivamente - a Jamaica é extremamente miserável - mas foi um pouco. Me segurei pra não chorar. As fotos daquele dia eu acidentalmente deletei da câmera, infelizmente, e chorei muito quando o fiz... Naquele Natal eu esqueci um pouco da babaquice e superficialidade das festas a bordo, a festa de verdade foi em Ocho Rios.
E, finalmente, esta foto... Foi tirada em 2007, meu último Natal a bordo, dessa vez no Freedom of the Seas, que visita Labadee - a propriedade que a Royal Caribbean "aluga" do Haiti - a cada 15 dias. Só que dessa vez me envolvi um pouco mais. Num Domingo de novembro saí com Michael Opermman, sul-africano que era Gerente de Atividades para Tripulação, de taxi, para uma Toys'R'Us qualquer num local afastado de Miami. Tínhamos 2 horas, 4 mil dólares pra gastar, e presentes pra umas 500 ciranças pra comprar. Tarefa difícil. Mais difícil ainda foi conseguir um taxi pra sair dali, um Domingão, com tudo aquilo... Levou mais de uma hora, e QUASE, pela primeira vez na vida, perco o navio - acho que já mencionei que como tripulante esse sempre foi o meu maior pesadelo, né? Chegamos 10 minutos antes do horário de embarque de tripulação. Se você atrasa, créu! Mínimo uma advertência - tolerância zero...
Durante as semanas seguintes, foi um tal de mutirão pra empacotar presente, arrumar em caixas, permissão pra levá-los pra terra (tudo que sai do navio precisa de uma permissão...). No grande dia, saímos num barquinho, (Labadee não tem píer), desembarcamos tudo e éramos aguardados por centenas de crianças e adolescentes. Muitos discursos de todas as partes depois, começou a distribuição de presentes. As crianças, apesar de quase não conseguirem conter a excitação, foram comportadérrimas.
Pra quem não sabe, o Haiti é um dos países mas pobres do mundo. Aquela propriedade da Royal encravada ali sempre me incomodou de certo modo - a Cia investiu ao longo dos anos milhões de dólares ali, até o Clinton (Embaixador da ONU pro Haiti, ou algo que o valha) eles conseguiram levar até lá pra mostrar como eles investem e melhoram a condição de vida dos locais... É, pura balela...
Em meu último contrato, eu fui Gerente-Assistente de Bares, e era responsável pela operação em Labadee. Tudo que é vendido/servido na ilha sai pronto do navio - inclusive o gelo - e os diversos bares são montados minutos antes de os passageiros começarem a desembracar. Era uma operação de guerra, e eu e meus meninos e meninas ficávamos ali de 7 da manhã até quase 4 da tarde. Ao desmontar tudo, o horror se instalava. Era um tal de nativo aparecer de tudo que é lado, pedindo um refri, uma cerva, catando lixo e restos de coquetéis semi-derretidos em caixade papelão, pedindo comida na cozinha... Eu sempre, sempre me choquei, e sabia que a Royal faz porcaria nenhuma além de gerar empregos e pagar uma merreca... Enfim, o mundo é cruel sim! (Pense nisso em suas próximas férias... O turismo no local que você escolheu é sustentável, respeita e ajuda os locais ou é selvagem e exploratório????)
Mas voltando... Nessadia éramos uns 35 tripulantes. Depois da entrega de presente, houve apresentações de dança, de canto, ascrianças nos fizeram dançar com elas... Mas estavam mesmo querendo é comer! E o almoço foi servido, tudo muito organizado ecomportado - mas eu sabia que aquela seria uma refeição como nunca, e provavelmente a única do dia. E me sinto mal, mal, mal com isso. Esse programas de voluntariado são do tipo me-sinto-melhor-porque-fiz-o-bem-por-um-dia... Naquele momento, foi delicioso ver um sorriso naqueles rostinhos (repare que não há um sorriso na foto! Eles estavam ali rindo, e cada vez que eu falava - a profa. traduzia porque eu não falo francês - olha a foto, eles ficavam duros como pedra...) E depois?
Mas então, o espírito natalino não foi recuperado, mas tranformado em mim naquele dia... E essa foto me traz todas as lembranças de um Caribe bem pobre e maravilhoso, e de seu povo que lá habita...
6 comentários:
Camila, eu fico boba de ver uma pessoa tão jovem e tão cheia de experiências incríveis e engrandecedoras!
Esta profissão que abraçaste, realmente é servil, e LINDA, pois toda profissão assim, tem por trás muita dedicação, muito carinho, trabalho que pensa no próximo principalmente.
São histórias maravilhosas que vc além de trabalhar no contexto, pode sentir e conviver com tantas diversidades humanas.
Imagino como não foi feliz para estas criancinhas este pequeno ato de vocês naquele momento, para eles também ficará na memória este dia. E eu sou como você, nada religiosa, mas sinto que temos mais religiosidade em nossos atos do que muitos que ajoelham-se em igrejas ou vivem comungando e beijando a batina de padres.
Você parece-me uma pessoa de bem e para o bem.
Continue assim menina, tudo isso está sendo contabilizado e revertido no seu crescmento humano - você já é uma grande mulher!
Adorei saber da história por trás dos panos dessas grandes corporações!
beijos cariocas
Ah pronto, mas é claro que alguém ia me fazer chorar nessa minha TPM... rsrs
Choro mesmo, porque sou libriana do tipo que se encomoda e muito com injustiças! Me parte o coraçao pensar em toda essa desigualdade.
Meu ùnico trabalho voluntàrio direto na vida foram dois meses visitando uma casa para crianças afastadas dos pais por um motivo e outro, e algumas jà esperando por adotaçao (filhos de pais nao-reabilitàveis, assim chamados) e foi na cidade da minha mae. Chorava todos os dias quando voltava pra casa, frustrada com a minha impotencia de melhorar mais do que algumas horas do dia daquelas crianças.
Imagino o quanto tenhas visto nas tuas viagens, em tantos cantos desse mundo!
Aqui na Escandinavia a gente acaba "amortecendo" esses sentimentos jà que pouco do que a gente ve nos causa esse desconforto, mas aì entra a consciencia, como tu bem falou, que pode começar pela nossa escolha do local de férias!
Achei lindo o post, pra falar pouco e nao voltar a chorar. rs
Beijos e aproveite o final de semana!
É Camélia, bem vinda à realidade. Quem tem dinheiro e condições deixa as migalhas que os miseráveis vão comer depois. Natal pra mim foi sempre isso, uma vez por ano as pessoas se reúnem e comem até passar mal, revêem pessoas queridas DA FAMÍLIA e o resto do mundo que assista a pujança pela janela.
Não participo dessas campanhas pra dar bola e panetone para os pobres, como já diziam os Titãs, "a gente não quer só comida, a gente quer a vida, diversão e arte".
E aí tem que entrar no papo da política, da economia sustentável e inclusão social... Mas que político quer saber de pobre esfoeado e esclarecido? Nem pensar, olha o perigo...
Mas enfim, curta o seu Natal com sua nova família e cultive o fato de você ser uma pessoa de bem, pois é isso que faz o mundo melhor. Temos ainda alguns muitos séculos para alcançar uma sociedade decente, mas estamos fazendo nossa parte ao deixar pequenas mensagens para o mundo. Alguém sempre lê e muda sua forma de pensar.
Muitos beijos!!!
Tietta
não gosto de natal, nunca fui mto fã, tão triste esse teu relato, a miséria que impera no mundo, essas crianças lá, aqui onde moro, e tanta indiferença de todos nós, que algumas vezes ajudamos e achamos que fazemos o que podemos, podemos mais, mas quem quer sair de sua zona de conforto?
Oi Camila, adorei seu post.
Me identifiquei demais com muita coisa que você diz, e também me sinto muito mal em ajudar só um dia e saber que não posso resolver ou melhorar a vida das pessoas, nem que fosse com o mínimo que todo ser humano deveria ter direito nesse mundo, que considero a alimentacão, isso como o minimo, porque pra viver dignamente se precisa de mais, muito mais.
Também perdi o espírito natalino, até comecei a escrever um post e deixei de lado, mas depois posto, sobre as chatices do natal, isso de ser bonzinho e caridoso só nessa época pra fazer média, o consumismo que aumenta horrores, as pessoas só pensam em comprar, em ganhar presentes, em pedir presentes, ... acho tudo isso horrível.
Também não sou nem um tiquinho religiosa, mas via mais a data como um momento de reflexão, de pensar no mundo, no próximo e na própria vida, em estar com a família, até porque o natal antecede o ano novo, e também acontece geralmente em momento de férias, mas também perdi a esperanca nisso tudo. Muitas famílias se reunem por obrigacao ou pra descolar um presente, e poor aí vai.
Outra coisa que me identifiquei no seu post é que tenho usado constantemente a frase: estou com alergia a gente, ri demais quando li aqui também, que bom que não sou a única que tem esse tipo de alergia.
E também gostei muito de saber esse outro lado do turismo que vocë conta, que apesar da gente imaginar (eu imagino porque nunca vi, nunca estive nesses lugares), mas lendo o que você escreve isso fica bem mais real. Uma pena tudo isso.
Bom, amei seu post.
Beijo
Camila:
flor, eu moro do lado de Campinas!!!!! hahahaha eita mundo pequeno mesmo.
Adorei a expressão "alergia de gente"!
Como a Lu, também não sou religiosa (eu tento, mas não consigo mais...mas acho bonito as pessoas que o são), e também nunca tive um Natal feliz, com paz...ou seja, ainda não sei o que significa o Natal.
Belas experiências vc teve...definitivamente, o Natal é das crianças. E acredite: elas sempre se lembrarão de vc, querida. Como vc sempre se lembrará delas! O amor sempre deixa marcas, né?
Linda: mesmo que tenha sido por um único dia, saiba que vc alegrou a vida dessas pessoas para a vida inteira, tá? ponha isso na sua cabeça! Tem pessoas que podem e não o fazem, você fez o que podia, tá bem?
vc é uma pessoa admirável, mesmo. Seu marido é um homem de muita sorte!!!!(rs)
Beijos, flor
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