segunda-feira, novembro 09, 2009

Minha Grande A-haventura em Oslo - Parte 1: Pílula de Expatriado

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Então, vou começar pelo começo! Saímos de Bodø quinta de manhã. Fazia sol e frio, e fomos à pé pro aeroporto (já contei que é há duas quadras daqui, né?). Esperamos nosso vôo que durou 1 hora. Chegando em Oslo...



Mas nada iria destruir nossa excitação com o fim-de-semana prolongado! Tava frio, mas nada que não pudéssemos suportar. Apanhamos o trem de Gardermoen (Aeroporto) pra Oslo.


Fizemos check-in no hotel - ficamos no Scandic Byporten, que fica exatamente na saída da estação central de trem de Oslo (Oslo S). E o Oslo Spektrum ficado outro lado da rua, e o Rockefeller há 4 quadras. Como chegamos cedo, largamos as coisas no hotel e fomos dar um giro. Começamos pela Karl Johans Gate (não é gate em inglês não, é gáte, rua em noruga). Essa é uma das ruas mais famosas de Oslo, que deságua no Palácio Real, e ainda por cima é o distrito dos teatros, bares, lojas, ponto extremamente turístico - e caro! (Abaixo vista geral da Karl Johans Gate, o edifício-sede do grupo Thon, o Parlamento Norueguês e o Grand Hotell.)




Já que estavamos de férias, resolvemos parar pra comer algo e tomar uma cerva. Depois andamos mais pela redondeza. Encontrei uma loja de chás e cafés. Não resisti, entrei. Chama-se The Black Cat. O lugar ainda vendia uns cacaus em pó mucho loucos, franceses, aromatizados com laranja, amêndoas, frutas vermelhas... Ô, dó! E o pior - nem tão caro!!! Visitamos umas lojas, já pensando em resolver o presente de Natal da sogra e cunhados...

Voltamos pro hotel lá pelas 5 e pouco, tomamos banhão e saímos de novo, dessa vez em direção ao Rockefeller para o show do Gil. Chegamos cedo, pegamos lugar na frente na fila. Telefonei para minha antiga conhecida, a Torborg. Ela fez um estágio no Pantanal há 10 anos atrás, e desde então nunca mais havíamos nos falado. Até que retomamos contato via Facebook. E foi ela que me fez saber que haveria um concerto de Gil nessa data! Enfim, nos encontramos na porta do Rockefeller e assistimos ao show juntas, ela grávida de 7 meses!

E é aí que entra o título do post, pílula de expatriado... Porque já tem algum tempo que eu procuro acompanhar vários blogs de brasileiros expatriados, pra descobrir a fórmula da felicidade, se é que você, leitor, me entende. Ou então, a fórmula do "não fazer cagada" mesmo... Alguns morrem de saudade de casa, outros nem tanto, mas existem certos aspectos que são comuns a todos... Tipo uma certa vontade incurável de comer feijão, farofa, pão de queijo, seja lá o que for, desde que seja brasileiro e de difícil acesso em terra estrangeira. Também é comum a ligação umbilical com a terra-mãe, seja através da net, das novelas, do noticiário, o diabo-que-o-parta, mas o brasileiro em geral sempre sente que falta algo quando tá fora do Brasil.

Eu costumo dizer que não escuto muita música brasileira aqui, porque me elas me deixam triste. E é verdade, bate uma nostalgia, saudade, dói mesmo. E eis que me deparo com ninguém menos que Gilberto Gil versão banquinho e violão... Fazendo parte de um festival de música internacional chamado Oslo World Music, que aconteceu na cidade durante toda a semana, e que acabou sendo ofuscado pelo a-ha e pela final do campeonato norueguês de futebol. Voltando... Para esta tour, Gil escolheu apenas cordas. E trouxe consigo seu filhote Bem Gil e ninguém menos que o fabuloso Jacques Morelembaum! Acreditam nisso? Eu nunca tinha visto Gil ao vivo...

E do momento em que ele botou o seu corpinho de 67 anos no palco, até mais ou menos o meio do show, eu chorei mooooooitooooo! Num sei dizer se era um choro feliz ou triste, mas era muito emocionado e orgulhoso mesmo... O repertório genial, com algumas coisas antigas, 3 músicas inéditas, tudo embalado a um Rockefeller (ô, lugarzinho esquisito!) lotado (ingressos esgotaram meses atrás) de brazucas histéricos e norugas apáticos. Show longo, quase duas horas, Lars quase dormiu... Porque, convenhamos, banquinho e violão, bem intimista, sem entender as letras do Gil, é difícil mesmo. Mas eu AMEI de paixão. Não tirei muita fota, e fiz apenas um filmitcho bem discreto, pois o povo tava de boa, e aparentemente era proibido. Resolvi obedecer...

Mas enfim, o show foi uma pílula de alívio, de mata-saudade, de ligação com a terra natal e com o orgulho de ter nascido nela, sei lá! Recomendo a todos os expatriados a experiência. Pode ser o Gil ou qualquer outro músico da sua preferência...





Depois do show, Lars e eu passamos num 7-11 (Seven Eleven, gente!) pra comprar um lanchinho, e fomos cedo pro hotel, pois sexta era dia de ir à Embaixada Brasileira...

E chegou o dia... Tomamos café cedo e apanhamos o trem com direção a Skøyen, um subúrbio de Oslo que me pareceu grã-finíssimo, a julgar pelo tipo de comércio, cafés e os edifícios elegantes. Mas ao sair da estação de trem não tinha um maldito que conhecesse o endereço... Entramos numa loja de eletrodomésticos pra pedir informação. Ao invés do endereço procurado, encontramos um jogo de 12 taças pra vinho de cristal, por 199 coroas. Sim, isso mesmo, 199 coroas por 12 taças. Acabamos comprando um jogo de presente de natal pros cunhados. E no fim, acabamos pegando um táxi e - vergonha! - a Embaixada era bem perto dali.

Lá chegando, toquei a campainha e fui recebida por um senhor asiático (e imediatamente comecei a rir e lembrar da Lu Håland e o trauma que ela pegou com esse tailandês!). "Take a number", ele disse, apontando para a maquininha de senha. Peguei uma, sentei, e esperei uns 5 minutos, quando aparece uma moça na janelinha. Era a Gisele, a que me atendeu via e-mail. Disse que estava ali pra retirar o passaporte e a certidão de casamento. "Ah, sim! Cristina?" E eu "Camila!" "Ah, isso, Camila, pera só um minutinho" E foi minutinho mesmo. Voltou com toda a papelada pra eu conferir. Depois de confirmar os dados do passaporte ela entrou com ele, e logo voltou com o bicho pronto pra receber meu autógrafo. Depois ela me deu a certidão de casório pra ler e assinar - nessa hora chegou o Lars, que tinha ficado pra trás pra fumar...

Depois de assinada, ela me disse que eu teria 180 dias a partir da entrada no Brasil pra transcrevê-la num Cartório do Primeirio Ofício. Fácil assim! Então tá, tchau! Obrigada! Não foi?

Na volta da Embaixada, dessa vez à pé, resolvemos voltar na loja das taças de vinho e comprar mais 12 taças pra nós por 199 coroinhas, afinal, casa de uma sommelier, e nossas taças de vinho são de "vrido", daquelas pequetitas que não permitem nem girar o vinho sem derramar metade pra fora...

E de lá de volta pro hotel, mas apenas deixamos as coisas e saímos de novo. Visitar o Rei Haarald! rsrsrs (nota póstuma da autora: fui visitar o Rei e nem sei o nome do homem, que por acaso é Haakon e não Haarald... Vergonha...) Já que ele nos visitou em Bodø, nada mais natural do que retribuir a visita. O que achei o máximo é que o palácio não tem nem grade... O povão passeia no jardim mesmo!




Nessa altura, minha amiga Torborg telefonou pra nos encontrarmos de novo. E ao mesmo tempo Tor Erik, o primo do Lars, também chegou em Oslo. Nos juntamos todos e fomos achar um restaurante pra comer uma coisa leve. E de lá, fomos a uma padaria/deli/café chamada W.B. Samson... De chorar... Comemos uma bisnagona de marzipã com chocolate que vixe! Só comendo mesmo pra entender... E foi então que a Fabi Zulli, a-hamiga da comu do a-ha no Orkut me ligou dizendo que tinha acabado de chegar em Oslo - ela mora fora da cidade... E veio nos encontrar! Foi muuuuuito legal encontrá-la. Ela foi ao show de sexta (do a-ha) também, então lá pras 5 da tarde (já era bem noite), caminhamos os 5 em direção à estação de trem. De lá Torborg foi embora, Lars e Tor Erik voltaram pro Hotel e eu acompanhei Fabi até a fila do Spektrum pra conhecer as 4 brasileiras (também do Orkut) que vieram a Oslo só pros shows. As meninas (Aline, Amanda, Lili, e Lily) estavam na fila desde a 1 hora da tarde. Debaixo de chuva até! Ali elas acharam outra brasileira, a Ana, de São Vicente. Mas foi muito bom ir até lá conhecê-las, fiquei na fila fofocando de a-ha com elas até a hora que abriram os portões.

Então voltei pro hotel, tomei um banho - estava congelada por aquela hora e meia na chuva na fila! E depois eu, Lars e nossa vela, o primo, saímos pra achar algo pra comer. Depois de andar muito (tudo cheião por causa das torcidas do Molde e do Ålesund, os dois times que disputaram a final do campeonato norueguês no Domingo, e que L-O-T-A-R-A-M Oslo este fim de semana...) acabamos indo parar num restaurante mexicano. Depois de algumas margaritas, lá nos fomos pr´um pub inglês chamado Sir Winston, na Karl Johans de novo! E dessa vez fomos pro hotel tarde, depois das 2 da manhã...

E continua, pois não dá pra entregar todo o ouro de uma só vez...

10 comentários:

Beth/Lilás disse...

Camila a-hamiga!
Tô pressentindo que vem mais história boa por aí, mas o que contou já deu pra sentir o clima, bombando, né!

Ri móito sozinha diante do PC com você dizer que chorava de emoção ao ouvir Gil e esta pequena e maravilhosa troupe, Moralembaum é demais, e enquanto isso teu maridex dormia a rodo! kkkkkkk
Fico imaginando a cena e não é prá gringo mesmo! kkkkkkkkk

Aliás, me desculpe, mas os nomes de seus amigos e marido (Torborg, Lars e Tor Erik) me lembram alguma coisa ligada ao Superman, pois não tinham nomes assim no seriado que conta a vida do super herói. Devem ser parentes, quem sabe! kkkk

Muito boa a sua conexão com a moça da embaixada e a compra das taças de cristais!

Tô esperando mais notícias dessa viagem legal.

beijos cariocas super quentes

Luciana disse...

Camila, menina, quem riu aqui fui eu, e esse asiático ainda trabalha lá? Não mereco!!!
Brincadeirinha, mas que cansei de ligar e sempre ele atender e me dar zero de informacão, zero de comunicacão, ... traumatizei mesmo.
Mas de repente vendo sua história de que tudo agora está funcionando bem e dando certo, penso até em arriscar novamente.

E então você também foi pro show de Gil¨. Nao, eu não fui, mas li que tinha uma brasileirada presente.
Eu acho que a maior emocão nem é tanto rever algum artista brasileiro, mas ver aquele artista por essas bandas, e ainda mais uma brasileirada na platéia, deve rolar uma identificacão danada, e aja emocão.Pro show do G Gil eu não iria, mas se tivesse algum artista mais 'agitante', carismático, ... Ivete Sangalo, eu acho que me abalaria até Oslo pra ver, deixava a preguica de lado e ia me sacudir por lá.

Bom, quanto a saudade das coisas do Brasil eu acredito que com o tempo vai passando. Comida eu não sinto saudades, apesar de ter me derretido por achar uma melancia brasileira essa semana, mas a bicha tava estragada e foi decepcionante demais, salvo isso eu não compro nada vindo do Brasil, quer dizer, compro, mas nao por ir buscar algo que seja brasileiro, mas se tiver no supermercado e em preco bom, tá dentro do carrinho.
Por enquanto me mantenho vendo novela (só uma que estou aguentando ver, tá chaaata), mas temos que admitir as do Brasil são as melhores, apesar de terem piorado bastante, mas já vi mexicana também (não espalhe)quando morava no Brasil.
Eu não sou muito dada a saudades, talvez por isso sinta menos a falta de muita coisa.

E como está a escola?
Eu estava meio desanimada semana passada com minha turma, a gente estava conversando muito, conversas paralelas, e a concentracão estava zero, e para completar a professora não tem muito domínio de classe. Pensei em pedir pra mudar de sala, mas desisti, vou me concentrar mais e ver no que vai dar, de resto é fazer minha parte fora de lá e meter a cara nos livros, nos áudios, na tv norueguesa, nos filmes daqui, etc.

Fiquei curiosa de ver essas tacas de super preco bom, adoro.

Beijo

Somnia Carvalho disse...

Camilinha queridinha,

quase chori com voce chorando com o gil cantando... haha...

eu entendo perfeitamente... e uma coisa de sentir se pertencente aquilo que nos emociona nao e?

eu nao tenho problema de nao comer comida brasileira, faco o que da e tal... mas claro que tem horas meu! que ter uma feijoada, coisas assim da agua na boca e quando volto so quero me esbaldar... mas acho que a musica ainda e mais forte... e uma laco emocional muuuito forte...

e que maravilha que em tantas aventuras de voces dois em Oslo voce teve esse super presente.

eu entendo mesmo, mas agora to lembrando que eu chorei muuuuuito semana retrasada quando fomos ao teatro e vi um show de danca moderna com dancarinos do mundo todo... fiquei tao emocionada... e nada me lembrava o Brasil, imagina entao que vc tinha ainda mais motivo para se
arrepiar.

e que bom que tudo saiu certo la com os papers!

beijocas e boa noite!

Camila Hareide disse...

Mulherada deliciosa... Que bom que vcs compartilham minha maior a-haventura comigo! Perdão por estar sumida de vossos blogs - já olhei os das 3 hoje, mas não deu tempo de comentar. Voltarei...

E sabe do que eu esqueci de postar? Antes do Gil começar a cantar a 3a música, eu estava pensando na "Super homem - a canção". E que música ele começa a tocar? Ela mesma! Eu cheguei a soluçar... Ai, que coisa!

http://www.youtube.com/watch?v=jFBJ3U2uvN8

beijo

Tietta Pivatto disse...

Ô Camélia

12 taças!!!! Que ótimo! Eu e Daniel ficamos nos achando por ter comprado duas daquelas gigantes na Casa China (Paraguai), nossa, nem tem lugar pra guardar tanta taça aqui em casa, hahaha!!!!

Putz, deve ter sido hilário esse show, hein? Você pura emoção e o Lars dormindo, hahaha!!!!! Um dia você retribui pra ele, hehe...

E que legal que encontrou a Tor Borg, faz tempo que não falo com ela, que massa saber que está grávida!!! Mande beijos pra ela!

Tô curiosa pra saber do A-ha, não enrola não!!

Beijos!!

Raquel disse...

"Ikke nååååå", dizia o asiático quando alguém ligava na Embaixada. Eu e o maridão citamos esta frase do asiático até hoje, morremos de rir. Um dia publico as fotos que tirei com o Morten Harket no blog. Boa semana!

Claudia disse...

Camila, querida, eu acho que a questão da dor da distância tem a ver com a auto-estima e quanto maior tua auto-estima mais se sofre. É minha pobre conclusão. E eu não deixo de ouvir música brasileira nunca e sempre choro quando ouço, também me deixa devastada, mas pior é não ouvir, anular minha essência na vã esperança de facilitar a adaptação ao lugar onde se está hoje. Tudo é muito provisório e eu sou mais eu. Onde quer que eu esteja eu sou eu. E saber quem você é ajuda na hora de lidar com os outros, a gente fala de igual para igual, de cabeça levantada, sem nóia.

É a pessoa que eu sou na essência que tem algum valor, o que me faz especial, o Brasil é minha essência e eu "abrasileiro" tudo o que posso esse é o meu lema. Gente sem origem não tem valor para mim.

Sabe que, usando a linguagem do vinho, eu acredito que as pessoas também tem terroir, denominação de origem que se eu pudesse eu controlava (risos). Deixe tua origem falar alto, te guiar pois é ela que te (nos) faz especiais, sofra se tiver que sofrer, não há escapatória já que você é uma pessoa com grande auto-estima. Acho que a gente sofre quando a gente não pode ser quem se é... Mas para mim o pior são as pessoas que odeiam o que são e se viram umas subservientes, sem valor, sem cultura, sem origem...

Eu deliro, mas acho que você é das minhas.

Já vi uns 25 shows do Gil, sério, tu sabe que eu sou rodada, mas se eu visse de novo, na atual situação a flor da pele que eu vivo, ia chorar do começo ao fim...

C.

Léo C. disse...

Esse fim de semana parece ter sido fantástico mermo, hein. Estou esperando a segunda parte. O camarada vocalista quebrou o recorde mundial de novo? rs...agora eu fico me desafinando, digo, desafiando no singstar: "taaaaaaake onnnnn meeeeeeee!!! Taaaaaake meeeeeeee ooooooooooonnnn!!!!!". Aí eu fico lembrando de tu. Sorte minha que vc nao está lá pra ver isso. Ou sorte sua...rs....

Anyway, eu postei no meu blog inspirado no seu. Mas sem pressa de olhar lá, se concentra em escrever a tão esperada segunda parte primeiro...rs

bjos do freezer do vizinho (promessa de 30 cm de neve hj...que beleza!!!! parece que deus tá raspando o teto do congelador e jogando tudo pra baixo)

Léo

Léo C. disse...

Caraca, eu juro que quando escrevi o que eu escrevi no meu blog eu ainda não tinha visto o que a Cláudia escreveu aí acima. rs

Mas é mais ou menos isso mesmo.
:)

Unknown disse...

Oi Camila...meu noivo insistiu pra caramba pra ir neste show...mas eu estava com tanta preguiçaaaaa!!!Caramba,depois eu me arrependi muito...porque com duas semanas de Noruega...já sinto falta de ouvir pessoas que falam o mesmo idioma...o cheirinho do feijão cozinhando...e outras coisitas que vc sabe bem. Camila..manda umas dicas pra mim...vc e Raquel que já são veteranas em Noruega. Grande beijo