quinta-feira, agosto 04, 2011

Nem tudo está perdido

Então, eu ia falar tudoaomesmotempoagora no post anterior, depois que terminei meu desabafo me dei conta de que as notícias mais leves não cabiam ali...

Parece que esse verão durou um ano, dado o caos e comoção no trabalho. Quem trabalha, ou um dia já trabalhou, na área de turismo, vai compreender exatamente o que digo. Quem não é da área pode apenas imaginar o desepero e a alergia de gente que acabamos contraindo depois de um certo tempo. No meu caso, lá se vão mais de 17 anos na área. Uma área em que você trabalha mais quando os outros estão se divertindo. Onde não há feriados, os finais de semana são em dias úteis, blablabla. 

No nosso hotel, atendemos cerca de 5000 pessoas em 7, 8 semanas. Claro, era o que carregava meu último navio em semana e meia, mas o navio tinha 152 mil toneladas e 1800 cabines. O hotel tem 96 apartamentos... Como também já havia dito, me detonei de tanto trabalhar no começo do verão, cheguei a levar 19 dias seguidos sem folga. Estava exaaaausta e minha tolerância a seres humanos vai se esvaindo com o passar dos dias, e as mesmas perguntas cretinas sendo repetidas ao infinito. Não é culpa do coitado que pergunta, pois lá sabia ele que a ignorância dele assolava outros 316 passageiros... Sim, é sarcasmo. E sim, não é culpa do turista se a máquina de café tem um botão escrito CAPPUCCINO, LATTE, ESPRESSO, CAFE, etc. Eles ficam ali plantadões zoiando a máquina, apertando tudo que NÃO Épra ser apertado, e depois de 19 tentativas pedem ajuda. A situação se agrava quando há um (ou dois, ou às vezes três) ônibus lotados de cidadãos da terceira ou quarta idade. Eu em geral sou paciente. Tenho o quíntuplo de paciência com idosos do que tenho por exemplo com crianças-peste ou pré-adolescentes endiabrados. Piora ao triplo quando são vovôs-turistas-mal-educadésimos. Os vovôs noruegueses (ônibus de noruegueses) são os campeões da falta de educação nessa época do ano, seguidos dos italianos e russos (que devem viajar em orçamento e carregamconsigo TUDO que esteja pregado). No rank dos educadinhos, por incrível que pareça, estão os franceses, seguidos dos alemães (mais inacreditável ainda). 

Há quem ouse levantar seus dedinhos pra me apontar e dizer que eu estou generalizando. Ainda por cima eu, que tenho ÓDIO de generalizações. Mas ao lidar com turistas "a granel" por quase a metade de minha vida, eu acho que tenho PhD. Posso generalizar turista o quanto eu quiser.

Então, tem horas em que a gente rola de rir com as presepadas deles, noutras a gente quer mais é chorar. Numa manhã em que um ônibus inteiro roubou café da manhã sem pagar (sabe a trouxinha de comida enroladinha no guardanapo?), eu constrangida fui comentar com minha chefe, que me contou que em dois andares haviam desparafusado quadros dos corredores e levado embora! Ladrões de arte barata de hotel!!! Ou quando um dia um guia desceu à recepção com uma lumináriana mão. A recepcionista já se preparou... Então o guia fala : "Seria possível vocês mandarem esta luminária de volta ao hotel Artikus (um hotel de nossa rede)? Meu passageiro roubou e o recepcionista de lá telefonou durante a noite. Tive que bater de quarto em quarto até que me devolvessem... Desculpem o transtorno...". Imagina a vergonha!!!!! E isso tudo na Europa, aquela que alguns ainda insistem em dizer que é o lugar MAIS CIVILIZADO do mundo, huahauhauhauahaua!

Depois de todo esse carnaval, eu achava que ia acabar parando numa cadeira de rodas. As dores nas costas estavam pavorosas e certos dias eu nem conseguia dormir. Já tinha me decidido a pedir demissão, afinal minha chefe volta semana que vem e aí acaba-se a minha vida de chefe, eu volto a ser operária-padrão. Graças a nossa senhora da bicicletinha, diga-se de passagem, porque ser empregador na Noruega pode ser um pesadelo, mas isso é assunto pra outro post...

Ai fui ao médico pra saber o tamanho do estrago. Fui no meu fastlege, o equivalente a um "médico da família". O ugandense (falei certo?)... Depois de muuuuuuita lenga-lenga, ele bota as cartas na mesa: "Mas o que eu posso fazer or você hoje? Você quer sykemelding (licença por doença) ou remédios pra dor?" E eu disse que queria fazer outros exames, e ele me mandou caminhar e me exercitar. Talvez seja a maneira dele de me dizer que eu preciso perder peso, captei a mensagem. Mas não resolveu meu problema. Paguei as 137 coroas (40 e poucos reais) de consulta e saí dali mei tristonha... Sentei-me na net e revirei Bodø atrás de um orto, mas tá, quem disse que aqui o sistema de saúde particular é como no Brasil? Não... Só existe ortopedista no hospital, e você precisas er encaminhado por seu fastlege, e se o bendit@ não achar seu caso grave, pode esperar até 8 meses. 

Antes do verão eu tinha feito umas 5 sessões de acupuntura. Um sonho, muito relaxante, me ajudou à beça com o maxilar travado (meu dentista em SP havia sugerido), mas não ajudou com as dores. Então resolvi ceder a todas as sugestões e ir me consultar com um quiropraxista (e se tiver errado, foi tudo culpa do santo Google, pois eu só sabia o nome desse troço em inglês e espanhol).

Segunda feira lá fui eu. Abre a porta do enorme consultório, com uma secretária viking e sapatos abandonados no foyer, um viking de 3 km de altura. Eu sou baixinha, a família do meu marido é baixa. O cara era ENOOOOORME. Jovem e simpático, e adorou o fato de eu ter perguntado se podia falar em inglês porque saberia explicar melhor os sintomas. Assim ele disse que poderia treinar um pouco o inglês dele. 

Tiramos um mega radiografia de corpo inteiro, fomos de volta pro consultório. Ele "leu" a radiografia comigo, disse que havia problemas, mas que não eram graves. Disse que meus quadris estavam tortos, e tudo isso por causa da lesão que sofri ano passado, carregando peso. Então me deitou na maca, me torceu, me deu um puxão, ouvi um croc de um lado. Repetimos do outro lado. Depois tive que ficar (very uncomfortable) de quatro num aparelho estranho, e ele deu um apertão no meio da minha coluna, a coisa estralou do pescoço ao cóccix (Ô, PALAVRA LAZARENTA!!! Tail bone é bem mais fácil...), e voilá, a dor se foi... Assim. Num apertão!

Ontem voltei, levei mais 4 apertões na coluna, e ele disse que em 4 a 6 sessões eu estarei bouinha. A dor, de 10, passou a 2. Incrível. E agora nem mais vou acabar numa cadeira de rodas, nem vou ter que pedir demissão do trabalho que me exaure mas do qual eu gosto tanto. Nem tudo está perdido...

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Mudando de assunto, mas não poderia deixar passar... Hoje meu paizinho faria 65 anos. Muitos beijos e que ele esteja em paz...
Essa música deslumbrante é o tema de um dos filmes preferidos dele. de acordo com a mama. Seguindo a tradição, essa é pra você, papi.

terça-feira, agosto 02, 2011

Pequenas reflexões

(Comentários para esta postagem estão desabilitados porque na verdade isso é uma desopilada de fígado, não uma conversa. Não quero saber o que os outros pensam sobre o assunto, sinceramente. Chega dessa história. Alerta - escrevi uma porção de palavrões!)

Sobre o atentado terrorista em Oslo no final de julho, preferi não falar nada. A tragédia é tão imensa que fala por si, portanto, foi absolutamente desnecessário comentar o assunto. O silêncio é mais sensato. Especialmente porque, no auge acalorado do momento, é fácil apontar dedos e falar merda, como eu vi muit@s fazendo naquele fim de semana. As investigações esclareceram (e ainda estão esclarecendo) o caso, e talvez pelo inesperado da coisa o choque tenha sido ainda maior. 

Porque, né, convenhamos, no nosso Brasil merdas dessa altura (talvez de outro naipe) acontecem todos os dias. Conversando com minha mãe, ela me contou como a coisa tá feia em São Paulo. O sobrinho, filho, seilá, de uma conhecida, de 24 anos, foi atropelado na Vila Madalena por uma playboyzinha rica e bêbada ao volante. Não vira notícia. Nas periferias de SP chacinas e matanças acontecem a todo o momento, mas não viram notícia. A ONU decretou fome (em inglês, famine, que siginifica que a coisa lá passou de feia há muito tempo) na Somália, e as imagens que vem de lá não viram notícia, afinal, não é "novidade" fome e miséria na África. O mundo está desmoronando na frente dos nossos olhos, mas as pessoas se recusam a enxergar. Porque a realidade é cruel, então é mais fácil passar ao largo, consumindo desenfreadamente, tacando tudo no lixo sem separar nada, comendo comida com quilos de agrotóxicos e agentes cancerígenos, e desperdiçando água até não poder mais. Mas aí um tarado maníaco racista de merda faz o que fez e o mundo fica estarrecido. Não entendo...

Claro que foi trágico e estarrecedor, mas meio que tava demorando pra algo assim acontecer, o difícil seria imaginar que aconteceria na Noruega. País chamado errôneamente de pacífico/pacifista pela imprensa e público em geral. Porque como quem tem %& tem medo, perdoem a expressão, a Noruega sabe que tem uma população minúscula, e portanto um exército menor ainda, e em caso de guerra (eles ainda são um povo bem traumatizado pela II Guerra), se algum gigante (como a Rússia, de quem eles tinham um pavor horrível) atacasse, babau Noruega. Por isso eles fazem parte da Otan, realizam exercícios aqui na minha região (onde vivemos com F16s voando sobre nossas cabeças o tempo todo), e mandaram, sem ter nada a ver com isso, tropas para o Afeganistão (e depois choraram horrores a morte de 4 soldados ano passado), e pra Líbia. Os moços que foram pra Líbia saíram direto daqui, e dormiram no meu hotel na véspera. Pacífico não, que o buraco é mais embaixo. O jeito é estar em conformidade com o bloco "poderoso" do planeta, custe o que custar. Sem falar na onda contra imigração/imigrantes que vem aumentando na Noruega e na Europa toda, e as propostas dos partidos de direita, vergonhosas. Sem imigrantes a Noruega se extinguirá, só não vê quem não quer (ou quem é racista de merda e usa a desculpa de ser contra imigração como fachada)...

Mas uma coisa que faz com que os noruegueses (e talvez os suecos e dinamarqueses, e talvez os finlandeses possam ser incluídos nesse grupo) serem noruegueses é a batalha constante por uma sociedade justa, de inclusão, com uma população que age corretamente. O  que faz dos noruegueses noruegueses é a barraquinha que vende batata na beira da estrada, onde a batata e o potinho pra pôr o dinheiro, e uma plaquinha com o preço ficam ali, sozinhos, e o povo para, põe o dinheiro no potinho e pega apenas a batata pela qual pagou. Outro exemplo legal, e num texto excelente sobre o mesmo assunto aqui. E por isso, o mundo chamou a Noruega de inocente e ingênua. E a forma de viver aqui não tem nada de inocente ou ingênua. Talvez eles vivam numa realidade paralela, se comparando com outros lugares do mundo, mas se a sociedade hoje é assim, é porque se lutou e muito pra isso. E isso não é inocência, é caráter, que é ensinado de geração a geração... 

Nas demonstrações contra o terror e de apoio aos sobreviventes, eles se mostraram iguaizinhos, com a mesma força de caráter. Como que dizendo pro tarado-doente que cometeu o crime que ele não conseguiu quebrá-los. O rei e a rainha na rua, no meio do povo, com um mínimo de proteção. O príncipe e princesa (que perdeu um familiar na ilha) também circularam livremente por vários locais, como fazem em geral. O PM se ergueu como um gigante, e se portou de maneira exemplar. Chorou em público, apertou mãos, abraçou parentes. Em cada localidade em que houve algum tipo de manifestação houve um membro do governo presente. Isso é raro e está longe de ser ingênuo. Pode ser eleitoreiro, pode ter interesses políticos no gesto (afinal vai começar mais uma campanha), mas não é inocente e ingênuo, baralho! É preciso parar de enxergar a Noruega como Wonderland...

E é só isso que eu tenho a dizer sobre o assunto, Me recuso a dar qualquer tipo de publicidade pro maníaco demente que cometeu o crime. E que a Europa acorde pra onda de ódio que está ameaçando se levantar como uma destruidora tsunami. Preconceito é uma merda, racismo é pior e mais perigoso (tem aqui outro excelente texto sobre isso). A humanidade já assistiu como isso pode terminar. Por isso aprenda: não discrimine, não faça piadas com o assunto e nem ria delas. Aceite a diversidade ética e cultural, PRINCIPALMENTE se você é imigrante. Assim você se aproxima mais dos princípios que os escandinavos vem defendendo há tempos.

E pra terminar, se você é brasileir@, assista ao vídeo abaixo (reserve cerca de 1 hora de seu tempo, é belo!) e pensará 10 vezes antes de abrir a boca pra falar de imigrantes... Seu sangue é imigrante!

Somos São Paulo [We Are São Paulo]. 6 bilhões de Outros from GoodPlanet on Vimeo.



domingo, julho 10, 2011

Tô viva (esfolada, mas viva), e Minha Vida Segundo o a-ha

Daniela começou, eu peguei a rabiola e copiei. Coube direitinho. Pra quem é fã como eu, entende que vai também do siginicado das músicas, não apenas dos títulos... Minha vida através de músicas do a-ha...

Você é homem ou mulher? White Dwarf
Descreva-se: Mother Nature Goes to Heaven
Como você se sente? Less than Pure
Descreva o local onde você vive atualmente: Case Closed on Silver Shore
Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? Foot of the Mountain
Sua forma de transporte preferido: Start the Simulator
Seu melhor amigo: We're Looking for the Whales
Você e seu melhor amigo são: Sunny Mystery
Qual é o clima? The Sun Never Shone That Day
Se sua vida fosse um programa de TV, o que seria chamado? The Sun Always Shines on TV
O que é vida para você? Soft Rains of April e Stay on These Roads
Seu relacionamento: You are The One
Seu medo: Scoundrel Days
Qual é o melhor conselho que você tem a dar: There's Never a Forever Thing e Out of the Blue Comes Green
Pensamento do Dia: Cosy Prisons
Meu lema: Don't do me any favors

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Brincadeiras à parte, a coisa aqui ficou feia por umas semanas. É que passei semanas preparando um esquema de trabalho pro verão inteiro, e na hora H, na boca do gol, um sujeito desistiu e resolveu ir pra Espanha, e minha cozinheira sérvia entrou com licença médica 100%. Ou seja, fiquei capenga duma perna e um braço. Nos últimos minutos do segundo tempo da prorrogação eu consegui contratar uma filipina FABULOSA e dois irmãos iranianos também muito pé de boi pra trabalhar. Mesmo assim, precisei eu mesma cobrir vários turnos que ficaram descobertos, além de ter que cobrir a preparação de comida todos os dias, já que o outro cozinheiro fixo esteve de férias por três semanas. Trabahei 19 dias seguidos sem folga. uma loucura. Mas agora estabilizamos...

No verão servimos cerca de 3000 refeições pra turistas europeus que cruzam o continente de busão. E são 3, 4 ônibus por noite, isso até final de julho. Metade já foi. Sobrevivi. Afinal, trabalhei MUITOS anos em navios, ficando 6 meses a bordo cada vez e trabalhando TODO SANTO DIA. Nossa durabilidade é 200% maior que a dos locais, que vira e mexe ficam dodói. Dói o branco do olho, a sobrancelha, o cotovelo, cada hora é uma coisa, ô povo que adora se encostar... Ser empregado na Noruega é uma maravilha, mas ser empregador é um pesadelo, pois as mãos ficam totalmente amarradas. Se um sujeito é Zé Doente, não há nada que se possa fazer, e é preciso viver com o encosto. O governo paga pra Zé Doente ficar em casa, mas o empregador sofre com não poder contratar alguém pro lugar do Zé Doente que não seja em caráter de substituto. Daí fica bem difícil encontrar mão de obra qualificada que queira ficar só de substituto. Foi o que aconteceu comigo agora, achei um chef eslovaco fenomenal, mas ele não quis ficar porque queria um trabalho fixo, que eu não podia oferecer a ele, porque a minha Zefa Doente está intitulada a ter seu emprego de volta assim que fique boa - leve o tempo que levar.

Por isso estou bem feliz com o fato de deixar de ser chefe e voltar ao meu emprego de antes. Porque a licença médica de 8 meses da minha chefe termina agora em Agosto, e ela volta pro seu emprego, e eu pro meu. Se algum Zé Doente atacar, não é problema meu. Além do que, se eu ficar doente (que a coluna tá cada vez pior), é minha vez de me tratar e ter meu emprego garantido na volta. E tudo graças ao imposto altíssimo que eu pago todo mês. Coisas de país que cuida do Bem Estar Social.

Esse foi meu primeiro fim de semana livre em três semanas, e hoje é nosso aniversário de casamento. Fez um calor dos Pólos essa semana, mas obviamente alegria de pobre dura pouco e agorinha começou a chover, pra fazer a segundona ainda mais espetacular!

Minhas plantas esse ano estão que estão, meus brotos de ervilha viraram uma floresta amazônica, e metade foi devorada e a outra metade está dando flores. Muito sol, churrasco, mariscos cozidos no vinho branco e outras comidas de verão. 

Só dando um alou pra dizer que ainda respiro - trabalho, mas respiro.

domingo, junho 19, 2011

O verão se instalou de vez por aqui

Seguindo a linha do tempo pra narrar os acontecimentos, mas dessa vez escrevo num post só, pois ando tão ocupada que dá vontade de chorar só de pensar.

 Eu e Daniela no Glasshuset, um pequeno shopping no centro

No começo do mês, Daniela, do blog Dona Pedrinha, esteve de passagem por Bodø com o maridón. Vieram pra um casório, mas deu tempo de nos encontrarmos rapidamente na sexta. Pena que foi rápido, porque foi muito gostoso. Impressionante essa coisa de desvirtualizar amizades, na maioria das vezesas pessoas são exatamente como as imaginamos. Lars também curtiu. Levamos os dois pra uma mini-noitada na nossa pequena cidade, terminando com uns traguinhos no Picadilly, único pub (minúsculo) de Bodø. Pena que o tempo estava horrível, choveu e ventou muito naquele fim de semana, até o dia de eles irem embora, claro. No Domingo abriu o tempo, o sol saiu, e desde então não se escondeu mais!

Então, no fim de semana seguinte (que foi o passado), com um sol magnífico, os termômetros marcando 27 graus, catamos a caranga e nos mandamos pra Kjerringøy no sábado. Pra quem acha que não tem praia no Ártico (e eu já mostrei diversas vezes que há, e que são divinas!), dê uma apreciada nas fotos. Passamos o dia de camiseta e havaianas. Inclusive o Lars!

 27 graus, a prova!

 Daqui é preciso pegar uma balsa pro lado de lá, Kjerringøy é do lado de lá...
 Esta balsa, diariamente das sete da manhã às onze e meia da noite.
 Fjære é o nome da praia. que é uma espécie de reserva.
 Deu uma vontade de mergulhar de cara! Mas a água é tão fria que doeu meus dedinhos do pé.

 Kjerringøy é cheia de fazendas de ovelhas e vacas, muitas orgânicas, e também fazem muito queijo por ali.



 E o café, que é dos donos da fazenda Kjerringøy, e tudo é orgânico, inclusive o refri que tomamos. Abaixo o almocinho orgânico delicioso!

 E do lado de fora do café, em plena vila, as vaquinhas tranquilas... Conversei com ela e ela veio pertinho.


 Água muito gelada, mesmo... Uma pena.
Depois de um dia desse, resolvemos que não íamos pra casa e ficar na frente da TV, com um baita sol da meia-noite lá fora. Então tomamos um banho e voltamos pra cidade à pé. Fomos tomar uma(s) cerveja(s) no Teltet, um bar ao ar livre bem no píer, depois comer mexilhões no Bryggeri Kaia, e de lá fomos ao Topp 13, o bar no topo do Hotel SAS, o mais alto da cidade, pra ver o sol da meia-noite (mas eram apenas 10 horas da noite!).
 Do Topp 13
 Do píer, no caminho de casa

E esse final de semana também está sendo de muito sol. Ontem aconteceu em Bodø uma corrida, e o hotel era um dos principais patrocinadores. Então lá fomos nós, 13 bravos funcionários, honrar o nome da casa. Nos inscrevemos pra 5 km. Na largada, a mulherada saiu correndo mesmo, e eu, Lena e Per Arne bravamente andamos todo o percurso. Fizemos os 5 km em 50 minutos, e provavelmente fomos os últimos da nossa categoria, mas o importante é participar. Um sol de matar, eu me lambuzei de protetor solar e lá fomos. E depois da corrida, fomos todos juntos comer pizza e tomar cerveja (pra recuperar as calorias gastas, claro). Terminamos a noite no Teltet de novo, e eu vim pra casa cedo. Tava bem cansada pra falar a verdade.

Hoje vou trabalhar mais tarde por umas horinhas. Contratei dois refugiados do Irã e agora preciso treiná-los. Então vou pra lá dar uma força com o ônibus do dia (no verão, todo dia recebemos turistas europeus a bordo de ônibus, uma loucura!)

domingo, junho 05, 2011

O eclipse parcial do sol da meia noite

Dia 1 houve um eclipse parcial do sol da meia noite, fenônemo que só pode ser observado perto do Pólo Norte, e raro: o próximo eclipse parcial do sol da meia noite visível na Escandinávia acontecerá em 2084. Antes disso, em 2015, acontecerá um eclipse total do sol, visível em Svalbard, e no primeiro dia em que o sol nasce depois da looooooonga noite polar, em 20 de março. Vou começar a reservar passagem agora!

Mas então, foi visível em todo o norte da Noruega, Canadá (Bach e Pinduca certamente devem ter visto, penso eu comigo!), Alaska, norte da Rússia e um pedacinho do Japão, como mostra essa figura da Nasa.

Começava por volta de 22:30 aqui em Bodø, e por volta de 23:30 estaria no ponto máximo. Eu estava podre de sono, mas me aguentei firme. Fiz fotos, mas com minha pequena e singela Panasonic Lumix, não esperem muita coisa. Acabei fazendo lindas fotos de pôr do sol, isso sim.

Mas há maneiras de ver fotos mais bonitas. Aqui, no blog de uma holandesa que vive em Tromsø, ou num site de astronomia noruegês, é só clicar nos tabs abaixo da foto pra ver imagens do eclipse em diferentes cidades do norte da Noruega.

Mas vamos às minhas fotas, incluindo uma toscona onde pus uma radigrafia na frente da lente, rsrsrs.















É isso. A olho nu foi bem mais interessante! E aproveitando a deixa, pra quem não entende o fenômeno do sol da meia noite (alguém aí acaba com a minha angústia e me diz se com as novas regras de ortografia, sol da meia noite é com hífen ou sem?), tem aqui uma animaçãozinha também da Nasa. Metade do trabalho, a outra metade é imaginar a sombra no globo dando toda a volta, e nas regiões onde não tem sombra, o sol não se põe. Claro que isso muda a cada dia. Aqui em Bodø o espetáculo começou sexta-feira e vai até 8 de julho.

sábado, junho 04, 2011

Louca por brotos

Talvez fosse um post pro outro blog, mas fiquei com preguiça... Ano passado comprei uns kits pra fazer brotos em casa. Agora que a luz do dia reina 24 horas por aqui, é hora de botar as sementinhas na água... Ano passado fiz broto de alfafa e de brócoli. Os de feijão não deram certo. Esse ano comecei com ervilhas, são lindos quando dão uma crescidinha. E olha a rapidez:

Dois dias depois de serem colocados pra germinar (primeiro passaram 24 horas na água)



E uma semana depois




Não vejo a hora de devorá-los!

Um montão de atualizações

Mas vou postá-las na ordem dos acontecimentos... Quem sabe uma por uma. Começando com essa que ficou um tempão na minha cabeça, e preciso extirpar este pensamento este incômodo das entranhas.

Pra quem me conhece e sabe da minha preocupação constante com o futuro do mundo (da humanidade, do planeta) que às vezes beira a chatice, deve se lembrar do livrinho "O mundo sem nós" do Alan Weisman e de como eu fiquei impressionada com ele. Agora estou finalmente terminando de ler "O fim da Terra e do Céu", do astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser. Um livro bastante difícil, não pelas idéias em si, mas pela questão da mecânica quântica, física de partículas  e tals. Mas bastante interessante (ele trata da relação dos fenômenos cósmicos, como eclipses e passagem de cometas, com teorias religiosas antigas e atuais de fim do mundo, e como pra religião o fim do mundo sempre vem do céu, pra depois pular pra como o mundo realmente vai acabar, daqui uns bilhões de anos, quando o sol se transformar numa gigante vermelha) pra colocar as coisas em perspectiva. Pra me mostrar o quão insignificantes somos em meio a tudo isso, e de repente pra sacar que algumas questões fundamentais da humanidade jamais poderão ser respondidas porque é fisicamente impossível comprovar certas teorias. Mas divagações de lado, o livrinho do Marcelo Gleiser acalmou um pouco minhas angústias fundamentais, e me deu ainda mais vontade de ler o livro do (ser humano mais extraordinário desse mundo pra mim) Stephen Hawkins, "Uma breve história do tempo"

Elocubrações de lado, vamos voltar ao livro do Weisman. A propaganda dele em animação...

E a teoria em prática... A caminho de Styrkesnes, ao longo de um ano!

 Verão 2010
 
Outono 2010

Inverno 2010/2011
Primavera 2011




 Primavera 2011
 Primavera 2011

domingo, maio 29, 2011

Agora sim, a primavera chegou!

Os 5 dias e 6 noites que passamos no chalé foram de chuva, chuva e mais chuva. Quase emboloramos. Mas entre gotas e outras gotas, sempre sai um solzinho. Se nevasse nessa época, era capazde ter nevado também. A missão, além de relaxar muito no silêncio profundo (exceto pelas quedas d´água, com toda a neve derretendo, e a passarada que praticamente não dá sossego!), era pescar um pouco, construir um deck de madeira na frente do chalé,ver bastante TV ruim, ler nossos livrinhos, enfim, curtir a vida. E apesar da chuva, foi possível fazer praticamente tudo! Porque noruegueses são extremamente adeptos do DIY (Do It Yourself), já que contratar gente pra pintar sua casa ou construir um simples deck de madeira pode quadruplicar o custo da brincadeira, meu maridis é muito prendado! Em dois dias contruiu o deck dele, mesmo debaixo de chuva. Tudo o que eu fiz foi ajudá-lo a carregar a madeira morro acima!

Colocamos o barco na água, depois de Lars ter pintado o casco com uma tinta que protege das agressões do mar. Saímos pescando, e eu fiquei um tempão tentando e NADA. Apenas um sei minúsculo que eu devolvi pra água. Então Lars resolve tentar, e juro, foi ele colocar os anzóis na água e um bacalhau de uns 4, 5 kg mordeu! Foi nosso almoço do dia seguinte, na churrasqueira nova. O povo aqui faz churrasco em churrasqueiras elétricas ou a gás, e como bons brasileiros, sabemos que o sabor não é o mesmo. Então insisti bastante pra comprarmos uma churrasqueira a carvão, e a história é até engraçada... Aqui em casa temos um potão de cerâmica onde jogamos moedas. As moedas que trazemos do mercado quando levamos latas e garrafas PET pra reciclar, troquinho do prórpio mercado, etc. Um dia resolvemos contar por cima e descobrirmos que tínhamos mais de 1500 coroas ali! Pronto, era o dinheiro da churrasqueira! Levamos a moedaiada no banco, eles tem umas máquinas que contam as moedas. Daí você passa seu cartão do banco e a quantia é creditada na conta. Modernidade é outra coisa... Então, na churrasqueira nova assamos bacalhau, alce, salsichas vagabundas que ninguém deveria comer, mas fazer o quê, e também assei mexilhões que catei perto da casa do barco...

Resolvemos voltar na sexta pra poder relaxar um tico. Ontem fizemos uma mega faxina na casa, lavamos todas as janelas pelo lado de fora, limpamos o forno, tudo! E depois fomos na loja de plantas comprar florzinhas, já a primavera finalmente chegou aqui e os canteiros da cidade estão infestados de tulipas em flor. Roxas, vermelhas, amarelas, uma belezura! E tudo em 5 dias, de uma hora pra outra. Comprei campânulas roxas, amores-perfeitos de várias cores, e um amor-perfeito miniatura que é roxo e laranja. Além disso plantei manjericão, orégano, manjerona, dill, salsinha e pimentas. Fiquei louca de vontade de comprar uma arvrinha de groselha, mas se eu der conta dessa mini-horta esse ano, ano que vem compro as groselhas...

O engraçado é que ontem até fez um solzinho e o povo em toda a vizinhança estava do lado de fora, enxadas ou cortadores de grama em punho, todo mundo trabalhando no jardim. Mas como a temperatura ainda oscila entre 5 e 12, ainda não tinha nenhum valente de shorts e regata. Mas logo logo!

Vamos às fotas. E a foto do blog muda com as estações, e para marcar a primavera, nada mais próprio que as ovelhas com seus carneirinhos primaveris!


Para um visual como o acima, nada melhor do que o demonstrado abaixo pra apreciar!



Salsichas vagabundas industrializadas, mas de vez em quando não mata...



Bacalhau secando nos vizinhos de chalé.




Detalhes da praia, onde a areia é coberta totalmente por conchinhas de todos os tipos.




A madeira do deck, que teve que viajar morro acima, no muque!


 As cachoeiras formadas pelo degelo

 Renas na beira da água, e a gaivota no mar!

 E cocô de rena no alto das montanhas - temos um vizinho sami, por isso tanta rena.

 A contrução do deck começa, mesmo debaixo de chuva.

 O lago onde nadamos há uns verões, ainda congelado no alto da montanha...

 E um laguinho no caminho de volta

O deck pronto!

E pra finalizar, o sol nascendo ontem, 1:30 da manhã!