terça-feira, janeiro 19, 2010

De volta para o futuro

Encerrou-se meu tempo no Brasil. Chegou a hora de voltar pra casa, pro marido, pro emprego, quem sabe pra escola.

Muitos baús revirados - fisicamente e na memória. Resoluções de ano novo que escorreram entre meus dedos. Agora é hora de repensar. Terei umas 30 horas de viagem longa e dura para começar.

Só sabe o que sentimos nesses dias aqueles que já passaram por isso. Mas a vida precisa seguir, e ela é frágil e curta. Por isso deve ser aproveitada ao extremo. Cada minuto conta, e eles não voltam. Mais do que nunca, minha vontade de mudar o mundo se manifesta.

Deixo uma São Paulo morna e chuvosa pra chegar em uma Bodo fria e seca, cerca de 4 graus negativos. Lars me conta que a neve e gelo já se foram... Que inveron foi esse? 4 nevascas no polo norte??? É isso?

Foi importante passar estes dias com minha mãe. Ir ao cinema, comer hambúrguer do América, encher a pança de frutas diversas (comi de frutas em duas semanas o mesmo que comeria provavelmente em um ano na Noruega), sentar e lembrar, lembrar, lembrar... Faz parte do processo, e eu não teria paz interior se tivesse ficado lá. Na mala, café, goiabada, farinha de milho e muitas, muitas, muitas lembranças.

Enfim, meu ano está começando agora. A vida como eu conhecia mudou, pra sempre.

8 comentários:

Carolina disse...

Seja bem-vinda de volta à Noruega. A vida continua e espero que as boas lembranças alegrem seus dias.
Beijo

Beth/Lilás disse...

Camilinha,
Faça uma boa viagem de retorno e volte para seu futuro que ainda brilha ao lado do seu marido.
Espero que sua mãe e irmã fiquem bem e sigam seu caminho nesta vida.
Eu entendo quando você diz que tudo mudou, para sempre. É assim mesmo.
O que fica para sempre mesmo são as recordações e, geralmente, boas.
Beijo grande!

Anônimo disse...

Oi Cah!
seu post me emocionou. estou aqui com os olhos cheios d'agua...
beijos querida!

Camila disse...

Xarazinha, tenha uma viagem segura e tranquila!

Tietta Pivatto disse...

Querida Camélia Cristina

Me diga, mulher, quando é que sua vida foi sempre igual? A cada ano você teve uma novidade, uma descoberta, uma passagem especial de crescimento hormonal, biológico, psicológico, social, animal, emocional, etc... Nunca é a mesma coisa. E de cada uma delas você soube tirar a melhor lição, aumentando sua sabedoria de vida. Cada pedaço da sua história ajudou a construir esse mulherão que você é hoje (tá, eu sei que você é baixinha mas você entendeu o sentido da coisa!).

Uma mudança repentina sempre é traumatizante, assustadora, pois nos pega de surpresa. Mas é também aí que encontramos nossa força, nossa capacidade de adaptação, construída pelas experiências passadas.

E o seu momento chegou, como já chegou para muitas pessoas que agora te acolhem e vai chegar para outras a quem você vai dar o seu acolhimento. Foi assim que nossa sociedade humana se construiu. Alguns querem passar a perna em todo mundo para chegar no topo, mas a maioria escolhe se abraçar para alcançar o mesmo objetivo. Perceba que quem acolhe sempre é acolhido, como é o seu caso.

Tenho certeza que se o Seu Mário, se pudesse ficar espiando daqui pra frente, faria algumas piadas dos tombos que você ainda vai levar na neve congelada, mas o sorriso mais constante seria o do orgulhoso pai que deixa uma filha tão incrível como você.

Camélia, você é uma daquelas pessoas que fazem o mundo ser muito melhor, e ele sabia disso, e com certeza, se teve consciência da partida no último segundo, se deu conta de que contribuiu com sua mãe na escolha dos melhores genes para a próxima geração, e foi em paz. Acho que isso vale para tua irmã também, que embora eu não conheça pessoalmente, deve compartilhar disso tudo.

Agora ele faz parte da energia que se dissipou, mas que vai estar para sempre te inspirando a crescer, conquistar, se indignar, se emocionar e dar muitas risadas, mesmo que por entre lágrimas. Essa energia deve ser transformada num dos motores que deverão te conduzir na continuidade da vida.

Claro que nada será como antes, mas muita coisa será melhor. Você acabou de crescer mais um pouco e a conquistar mais uma forma de ver o mundo. Embora tão dolorida, essa passagem deve ser absorvida da melhor forma possível.

E deixe para começar o ano quando ele tiver que começar, não se prenda ao calendário.

Enfim, to parecendo Paulo Coelho...

Tudo isso só pra te desejar um FELIZ ANO NOVO!!!!

Super beijo,

Tietta Pivatto

Lúcia Soares disse...

Oi, Camila.
A vida não mudou, não. "Apenas" (é pouco??!!) ele não está mais presente. Mas vai ver como ele vai ficar mais próximo de você. O meu se foi há quase 15 anos, tinha 74 anos, eu tinha mais de 40, senti-me como uma orfãnzinha de livro...
Fora o fato de não poder falar com ele (pessoalmente...) não se passa 1 dia sem que nele eu pense.Vai fazer falta o calor do corpo, o abraço, o beijo...mas a presença será constante, vai ver!
Bj

Raquel disse...

Inverno aqui é um bicho traiçoeiro, quando pensamos que ele se foi...'ói ele aí traveiz', haha...Mas, estou rezando para aquela friaca que durou dias a fio não voltar. Eu pensei que iria para Sampa em abril, mas vou ter que mudar os planos por causa do novo emprego. Vou tentar ir em agosto. Que saudade de lá!! Boa viagem de volta, beijos!

Melissa disse...

Oi Camila,
só quem já perdeu um dos pais sabe o que você está passando. E eu também sei que não há palavra alguma nesse mundo que possa minimizar uma dor como essa. Fica aqui o meu abraço. Espero que o tempo faça a tristeza passar e que fique só a saudade.

Beijos,
Melissa