Então, acabou a festaria toda. Um dia inteiro de parada, gente com os trajes típicos e bandeira pendurada pelo ladrão. Comemoram o dia da instituição da constituição. Mas como tudo neste mundo tem seu lado B, vamos à ele.
(Antes que alguém já fique me achando uma chata-reclamona, eu acho imporante expor os fatos. Tenho Ó-D-I-O de um povo que acha que a Noruega é a Terra Prometida, o melhor lugar do mundo, cheio de gente rica e educada. Isso aqui é um país justo, correto, e rico, de modo a garantir uma vida decente à sua população enquanto durar o dinheiro do óleo. Mas tem seus defeitos, como todo lugar do mundo. E pouca gente fala deles. E eles me chamam aatenção, porque eu era uma daquelas que achava que aqui fosse Utopia. Então é legal mostrar os dois lados, sempre que possível)
Pois bem, meu primeiro 17 de Maio caiu num Domingo, e estávamos voltando do chalé. A sogra se esconde lá todos os anos. De festança mesmo só vi um povo narua em Fauske. No segundo, ano passado, eu estava de folga do trabalho, então botei uma roupona formal (um vestido, e passei um frio dos infernos, pois, lógico, chovia, tipisc, como dizem os nativos) e fui com Lars assistir à parada. Deixando bem claro, Bodø tem cerca de 45 mil habitantes, é uma cidade pequena, e no fim a parada fica igual todos os anos. Primeiro vem uma banda, depois a gurizada, depois o cube de futebol, o falido Bodø/Glimt, daí outra banda, então começa a bizarrice - clube de cahorros, clube de Tai-Kwon-Do, um grupo de ciclistas, outra banda, o grupo de Cheer Leaders, outra banda, a escola tal, mais uma banda, os clube dos cavaleiros (com os cavalos), outra banda, daí a Igreja tal, e por aí segue o trem (aliás, parada, em norueguês, é tog, a mesma palavra pra trem) por hoooooras a fio. Então, sejamos honestos e sinceros, entedia. Ano passado tive a impressão de já ter visto tudo...
E esse ano, eu estava trabalhando, porque todos queriam folga, e eu dei. Servi um café da manhã especial pra 20 e poucos hóspedes agradáveis, alguns alemães, perdidos na selva... E não tive vontade nenhuma depois disso de sair pra rua. Sempre tenho a impressão que já vi todos os bunads que poderia ter visto em duas vidas. É o tal traje típico que eles usam pra todas as ocasiões formais. É bonito e tal, cada região tem um especial. Mas é muito deles, muito mesmo. Eu jamais seria pega dentro d´um deles (I would never be caught dead wearing one, that´s what I meant), é muito noruga. A menos que eu fosse a imigrante que mais se sentisse norueguesa, aí sim, Mas não me sinto, e acho que não me sentirei nunca. Não tem nada a ver com gostar daqui ou não, mas com identidade, coisa que minha amiga Tietta apontou bem num comentário no post sobre a hipocrisia da Páscoa.
No início, eu achava liiiiiiiiiiindo o tal bunad. Hoje já não acho, acho que é uniformismo, conformismo quase, e tem muito a ver com a tal Jante Lov, um princípio norueguês sobre o qual um dia preciso falar, mas que resumindo, define o comportamento norueguês (e escandinavo em geral) em apreciar a homogenização da sociedade e desprezar realizações (sucesso, fortuna ou conhecimento) pessoais. Tipo "não se ache melhor que nós ou ninguém porque pra nós você não é nada." Resumindo, contar vantagem e posar de gostoso aqui pega mal pra caramba. E hoje, depois de um tempo, percebo algumas coisas... O uso do bunad uniformiza o povo, homogeniza mesmo, marca apenas de que lugar você vem, mas não o que você tem. Se é que alguém me entende. Nesse aspecto, é até legal. Mas é monótono, se é que alguém continua me entendendo. O povo casa de bunad, vai no 17 de maio de bunad, vai na igreja de bunad pra batizados e "crismas", enfim... Tudo!
Mas voltando ao lado B... O lado B acontece na véspera do 17 de maio. E aí vem outra tradição local... Russ. Já falei um tico de Russ na época daquele programa ótemo da TV Norge, o Alt for Norge. Quando @ sujeit@ adolescente termina a escola (13 anos de estudo até ir pra facul), eles comemoram tornando-se Russ. Durante o ano, eles tem vááááárias atividades juntos, com a escola. E a partir de fim de abril, eles se "fantasiam" com roupas de russ, umas calçonas decoradas com, claro, a bandeira noruga, e que podem ser azuis, pretas ou vermelhas. Como estão nos seus 18 anos, os monstrinhos podem legalmente beber. Daí os pais dão carros velhos pra eles, que eles pintam com várias bobagens, e entre 1 e 17 de maio saem festando pela cidade sem medo do amanhã! Eles "tem direito" de fazer TUDO o que quiserem. Ano passado mataram uma moça aqui nessas de bebeção e carros, e quase como nos trotes infelizes das universidades brasileiras, às vezes acaba em tregédia. Tregédia à parte, os monstrinhos legalizados ainda andam buzinando e soprando apitos infernais pra todos os lados, a qualquer hora do dia ou noite.
Semana retrasada uns deles, bebaços às 2 da tarde, estavam perseguindo um imigrante, um tiozinho conhecido no centro dacidade que anda fuçando as lixeiras pra catar latas e garrafas plásticas e reciclá-las nas máquinas dos mercados em troca de grana. Se o Russ não tivesse tão bebum ele teria alcançado o tiozinho, em pleno píer. E os transeuntes achando lindo, rindo pacas enquanto o adolescente manguaçado gritava "Norge er for nordmann!!!" (A Noruega é para os noruegueses...). Muito triste.
Mas então, como o 17 de maio é o último dia de Russ, e é feriado, dia 16 à noite à cidade vira terra de ninguém. Eu fui trabalhar, saí de casa às 5:20 da manhã, e as ruas pareciam um quadro dantesco. Lixo, muito lixo na rua. bêbados caídos por todos os lados, e o recepcionista do hotel trancado lá dentro pra ninguém invadir. As coisas só acalmaram lá pelas 7 e meia, 8 da manhã. E aí começam a sair de casa as famílias digníssimas com seus trajes formais. Seria até engraçado se eu não achasse mei trágico, Mas enfim, é a tradição local, e nós, reles forasteiros que não somos nada, não podemos fazer nada além de respeitar tal tradição e nunca, jamais mencioná-la de maneira pejorativa....
Pra encerrar, uma peculiar foto do jornal local, o Avisa Nordland...
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Numa nota que não tem nada a ver, que eu PRECISO mostrar... Olha eu fazendo resenha de mulherzinha no bloguinho da Nara, que chiquê!!!
Numa nota que não tem nada a ver, que eu PRECISO mostrar... Olha eu fazendo resenha de mulherzinha no bloguinho da Nara, que chiquê!!!





15 comentários:
Eu não acho que a Noruega é a terra prometida não, como todo lugar tem coisas boas e ruins. Eu nunca achei o bunad lindo, acho interessante a tradição, a questão cultural da coisa, também acho que não usaria, realmente é muito norueguês. Esse lance dos estudantes eu acho ridículo, uma baderna.
O dia nacional não é um grande evento pra mim, mas gosto de ir dar uma olhada no movimento. Ivar, apesar de não ser extremamente nacionalista, gosta de celebrar o dia, colocar a bandeira em casa e tal. É ate divertido, e eu tento aproveitar o dia.
Tem que aproveitar mesmo, amiga, comer muita salsicha e tals... Mas que a gente não precisa achar tudo lindo, não precisa mesmo! O bacana é curtir a coisa, mas meu olhar crítico não se cansa nunca... Eu ando mei chata mesmo. Acho que é síndrome de paulistana em cidade pequena, sei lá. beijos
ahhahahaha, você me mata de orgulho, toda mulherzinha no meu brógui!Minha linda, eu acho fantástica(para não dizer fodástiicaaa) a sua visão das coisas e adoooooro o seu ponto de vista.Se os outros te acham reclamona, espere até que sintam na pele.Essa coisa do "Norge er for Nordmann" é doloroso e explica bem a tolerância de alguns(muitos) para conosco, estrangeiros.Só não vê quem não quer, não é mesmo?
Também não usaria a fardinha, sou muito mais os nossos trajes juninos, não?bem mais coloridos e alegres, heheheheeheheheh!!!
(ok, parei com a zoação)
Quanto a Indiska, olhã, eu poderia te mandar, massss, pensando bemmmmm, você vai ter que vir aqui me verrr, sua danada, ande, pegue logo o avião e venha tomar umas pingas comigo!!
beijoooooooooooo
Olha, vou te contar, aqui onde eu moro quase não vejo nada, só uns poucos que moram aqui na rua e saem bem vestidos pra verem a parada com as criancas que voltam com balões nas mãos. Mas pense que no Brasil, em Natal, eu morava do lado da rua onde passava a parada do 7 de setembro, por isso nunca me animei pra sair de casa pra ver aqui, pois sei que é bem entendiante.
Já os bunads eu acho bonito, um traje legal, mas só, fica legal quando muitos estão juntos de bunad, já em separado fica mais normalzinho. Mas eu já achava que em vez de dar essa uniformizada como você falou, era algo esnobe. Minha sogra não tem e nem os filhos nunca tiveram, uma vez perguntei e ela falou que era caro e algo como pra gente esnobe e levando em consideracão o preco, conclui que era mesmo.
Jamais usaria bunad, não faz parte da minha cultura, das minhas origens, dos meus valores, enfim. Sei também que jamais me sentirei norueguesa, sou eu e não pretendo mudar. Também não tem nada a ver com gostar ou não,mas tem a ver com meus 38 anos bem vividos de vida sem esquecer quem sou.
Menina, ontem eu coloquei aquilo do patriotismo no facebook, nem expliquei, o povo não entendeu, alguns vestiram a carapuca, e sinceramente, encheu o saco. Mas enfim, acho ridículo isso de gente querer virar norueguesa mal chega aqui, e mais ainda quando mete o pau em tudo mas quer pagar de fina na frente de família do marido. Eu só tenho uma cara.
Já os russ, esses eu quase não vejo movimentacão, mas as histórias assustam, ridículo o que fizeram com esse senhorzinho.
Mas no final eu acho tudo tão parecido com o que vivi no Brasil, inclusive isso de russ, tirando os trajes, lá pelas minhas bandas usávamos somente camisetas, mas a prepotência, os exageros e o alcool, mesmo com todo o preparo para o vestibular, rolou muito na minha época.
Ih, fui ver o post lá em Nara, eita que tico e teco tá devagar hoje, eu já tinha lido, claro.
Só ainda não fui á cidade comprar o creminho, mas que preciso, ah preciso.
Beijo
Insano seria pensar que como seres humanos os noruegueses não tenham defeitos, muito mais grotesco ainda imaginar que como país de primeiro mundo não haverá falhas (Não existe o mundo perfeito), pequenas violências, crimes, erros e etc. INFELIZMENTE, estão passíveis de acontecer em quaisquer lugares do mundo. Isso é índole, caráter, nada haver com patriotismo.
O Brasil sem dúvida é um dos países emergentes mais corruptos do mundo e isso faz com que você deixe de ser patriota? Eu pelo menos nunca deixarei...
Eu acho LINDO o evento, amei... Admirei-me muito com o amor que eles oferecem a pátria, e se usássemos um terço desse exemplo, consequentemente teríamos um Brasil melhor.
Quando adotamos um país abraçamos indiretamente a sua cultura, temos que agradecer quem nos recebe com muito carinho, não será a falha de um mero adolescente mimado que irá mudar todo conceito de uma nação.
Quanto ao Bunad, eu não compraria porque é muito caro, mas adorei e seu eu ganhasse um, com certeza usaria.
Tem uma parte da Noruega em mim, alias muito forte e muito grande meu filho e me orgulho disso.
Nossa, como vcs sao negativas. Vai dizer que barsileiros tb anos e acham os melhores do mundo? e podem ser esnobes e cheios de querer? por que seria deiferente na Noruega, um pais que do nada chegou ao patamar em que se encontra? por que eles deveriam estar contentes por seu pais estar sendo invadido por estrangeiros que querem mudar sua cultura e tradicoes? Nao, acho Bunad lindo, ams nao em mim. Acho bonito o respeito noruegues pela sua patria, doa a quem doer. Os Russ estao na deles e tem mais que curtir mesmo, antes no Brasil eu tivesse tido uma oportunidade dessas. E se ela tivesse essa tradicao, dai haja pinga pra todo mundo.
Em Roma vica como os romanos, ou pelo menos tentem! e vivam a vida!
Nao e a terra prometida e nunca sera, mas a gente tem que tentar ser feliz com oque a vida nos oferece!
Agnes C. Haavik
Narita, te mandei um recadito, zóia lá! Doida pra pingaiar c´ocê, da próxima vez a gente acha um bar com cidra, eita nóis! E pros que não vivenciaram o racismo europeu, só digo que aguardem, logo logo ele estará numa esquina perto de você. Primeiro Tromsø, agora aqui. Tsc, tsc... Beijão lindona!
Lulu, aqui eu também não veria tanto, mas é que eu vivo na contramão... Quando o povo tá indo dormir na maior pingaiada eu tô indo pro batente, então vejo coisas que nem todo mundo vê. Daí aflora esse sentimento mistureba, digamos assim. Já no meu caso, morando em Sampa, nunca, jamais fui a uma parada de 7 de setembro. Não siginifica que eu não seja patriota, eu sou brasileira e tenho orgulho disso. A pátria que eu escolhi pra chamar de casa me recebeu muito bem, e eu tenho um enorme respeito. Mas não sou baba-ovo, você sabe bem como penso. Qualquer hora preciso escrever sobre esse sentimento de não pertencimento, pra uma pessoa que morou quase 10 anos num lugar que muda de lugar o tempo todo, é complicado. Um dia... É duro quando o povo não entende e mesmo assim mete a colher na divagação alheia. Who the cap fit, let them wear it, como dizia Bob Marley.Pois é, galera chega ontem e parece que nasceu aqui. Mas tudo muda,depois de um tempo, a gente sabe. E Soap & Glory nos pezinhos, eu agarântio!Hahahaha!
beijão pra vc!
hahahahah, aii Camilão,acabei de ler seu recadito e mizifia, vou ficar te aguardando pra colocar os bafos em dia, vai ser bom demais!Quanto aos estresses do brógui, pelamordeDeus, não pense uma coisa dessas nem de brincadeira.Eu só acho o seguinte, a Noruega tem várias facetas e nós, passamos por fases.A primeira é essa coisa da visão cor de rosa, tudo é lindo, as pessoas são educadas e etc tal.Ora, na fase de turista, vai dizer mais o que?Dai vem o curso de norueguês, os primeiros contatos com a língua, com o povo, vem a luta pelo trabalho, a disputa, o desafio de matar leões a cada dia, o jogo de cintura e ai a gente vê que não é bem assim.Eu posso dizer que já passei maus bocados de chorar quando chegava em casa devido a intolerância de alguns colegas, mas dai mudar a cabeça de uma pessoa que nunca viveu a experiência, isso eu não faço porque e perda de temo.Eu paro, olho, suspiro e dou tempo ao tempo.Porque contando, ninguém acredita, até acontecer consigo.
beijos e mais beijos em você :)
Cheguei ontem, você tem razão, no entanto vim certa das dificuldades.
Quem disse que seria fácil?
E não tenha duvidas gata que se chegar o dia que eu me sentir de saco cheio, arrumo minha malinha e volto pra minha terra.
O que eu não concordo é com brasileiro querendo mudar a cultura e etc... Nós que viemos, desse modo, nós que teremos que nos adaptar...
Seguirei a risca o ditado: "os incomodados é que se mudam"
Beijinhos
Camilitas,
vejo que e dificil abrir a boca e dizer o que sente e pensa ne? voce e corajosa e manter a capacidade critica e essencial sim!
entendo perfeitamente que as tradicoes locais repetitivas cansem e devem cansar ainda mais quem nem mesmo se ve nelas. Por outro lado eu vejo nesta tradicao ai o mesmo que vejo naquilo que comentei da pascoa hipocrita do seu post...
Fiquei imaginado sabe o que? um noruga namorado que eu tive. Quando ele chegou ao Brasil para estudar e eu o conheci ele simplesmente era apaixonadesimo pelo nosso pais. Tudo ele achava o maximo... as nossas farras, nosso carnaval, nosso jeito de ser... tudo! e ele dizia isso... Ficou aqui pouco mais de um ano so, mas no fim lembro dlee falando: estou com muita saudade de casa... queria muito ver o sol da meia noite, tenho saudade do inverno e de esquiar no norte da noruega...
entende? eu acho que provavelmente a tal tradicao deva mesmo encher o saco com o tempo, mas ela e como disse sua leitora ai acima e a Lu tambem, muito parecida com o que temos aqui...
Isso nao quer dizer que entao a gente vai dizer, mas todo mundo tem lado ruim entao nao podemos criticar os noruegueses. Claro que sim! e devemos!
eu ja sou muito pollyana deslumbrete ce sabe ne? mesmo 4 anos na suecia eu ainda via as celebracoes com muito interesse, embora eu tambem achasse repetitivo... mesmo a celebracao dos adolescentes nas ruas quando temrinam o segundo grau... e tonto sair as ruas e beber e berrar e tal, mas e uma outra versao das nossas formaturas.
Nao pretendo mudar vc nem espero que vc seja menos cri cri, porque ser cri cri te mantem sendo voce! eu tambem sou cri cri cri... consigo ver problemas na suecia e na europa tambem! mas ainda assim tenho la o jeito deslumbrado de ser.
beijocas e boa noite! saudade de vc!
Beth, lindo seu comentario...concordo e bato palmas...nos que temos filhos que sao noruegueses/brasileiros temos total direito a participar dessa tradicao norueguesa que acho o maximo....gosto dos Bunads, so nao sei se usaria, mas minha filha usa com muito prazer...mas nao julgo brasileiras que usam pois nao as deixa menos brasileiras do que qualquer uma de nos...brasileiro so pensa no 7 de setembro como feriadao prolongado, sao poucos que veem aquela data como o Dia da Patria!!...digam oque quiserem, mas noruegueses sao patriotas e com razao, tem um belo pais (com seus defeitos e erros), mas estao ai galgando os melhores niveis de vida do mundo...enfim, nao julgo, apenas experiencio tudo que a vida tem me proporcionado...aprendo e cresco como pessoa em um pais que nao e meu, mas e dos meus filhos,do meu marido e familiares...
Bom, este é o primeiro comentário que faço oficialmente depois de ler o blog por um tempo. Na verdade estou acompanhando não somente o seu, mas outros blogs há um tempinho, como o da Luciana e o da Bete, por exemplo. Acho que vou criar o hábito de começar a comentar em todos! hehehhe
enfim...
acho que todos estão certos em dizer que existe o lado A e o lado B em qualquer lugar do mundo. Aqui no Brasil acontecem atrocidades sem tamanho também. Quem não lembra daqueles jovens que botaram fogo no índio vivo em Brasília? Ou naquele assaltante que arrastou a criança durante váras ruas enquanto a mãe assistia o filho sendo morto daquele jeito cruel? Como brasileiros aprendemos a dificil relação entre amar o país em que vivemos e ter que lidar com fatos como estes, dia após dia. Geralmente reclamamos, falamos mal também, por que esta é a nossa realidade. Assim como a Noruega é a sua realidade, faz parte do seu dia a dia, do seu cotidiano, portanto, não vejo nada mais natural do que você relatar as coisas que não lhe agradam. Aliás, não existe coisa mais natural que isso. E digo mais, tenho apenas que agradecer por você e outras mulheres que moram ai e que relatam as experiências em blogs, compartilharem tudo, tanto as coisas boas, quanto as coisas ruins. Tenho um "relacionamento" e acho as aspas ai bem importante, porque ainda não sabemos ao certo que diabos estamos fazendo, com um noruegues que conheci ano passado. Sinceramente? Nunca tinha prestado atenção na Noruega, fui realmente parar para pensar sobre depois que o conheci. No começo ele sempre dizia coisas como "vem para cá" ou "vou te tratar como uma princesa" e ai eu passei a ler vários blogs, incluindo o seu. Fazer isso me ajudou a colocar os pés no chão. Antes de ficar comigo, ele ficou com uma amiga minha, longa história, mas nem eu, nem ela tinhamos isso em nossos planos. Não conheci ele pela internet, não que isso faça diferença, mas ele praticamente caiu na minha cabeça. Na dela primeiro, por um pequeno desencontro, mas ela ficou super impressionada com o salário dele e outras coisas, já queria que o homem se apaixonasse e a levasse embora,na época eu fiquei revoltada por que ele era bem mais que isso, ela nem sabia falar inglês, nem conversavam, nem se conheciam de verdade, e tudo o que ela via era uma possível vida melhor em outro país, mas... cá estamos eu e ele conversando há quase seis meses. Quando digo a ele o quanto ganho, ele ri e me pergunta que diabos eu ainda estou fazendo aqui. Sempre usa frases como "o que você tem a perder". Mas graças a vocês, eu coloquei meus pés no chão. Parei para pensar e sei que não vai ser fácil, caso, vai saber, aconteça da coisa vingar. Estudei quatro anos, sou publicitária e, tendo em vista a situação do nosso país onde muitos pais de familia vivem com um salário mínimo, eu ganho muito bem, mas como muitas de vocês dizem, chegando ai eu seria praticamente uma analfabeta que iria depender dele para tudo. Na minha cabeça, preciso de um tempo para me acostumar com a ideia. Fui sincera com ele. Ele entendeu. Ficou chateado no começo, disse "a noruega não é assim como elas dizem" é claro que para ele não é... mas acho que isso só melhorou nossa relação porque estamos dando passos bem lentos. Isso é novo pra mim e pra ele. Durante este tempo lendo estes blogs eu monetizei e investi bastante no meu blog, comecei a trabalhar também como freelancer, o que me permitiria escrever estando em qualquer lugar do mundo, se este fosse o caso, e estou mais ou menos ciente de como as coisas podem ser. E fico feliz por não ter jogado tudo pro alto no calor do momento. Portanto, não se acanhe nunca em dizer o que pensa, pode até desagradar uns, mas pode ajudar outros. Além disso, ser verdadeiro com a gente mesmo é sempre o mais importante.
Vim ler os comentários, bombaram, hein?!
Ih, isso de ver parada não faz a gente patriota, lá em Natal era do ladinho da minha casa, lembro de ter ido somente uma vez ver um pouquinho, mas as pessoas ali não estão por patriotismo, isso na verdade é o de menos, vão mesmo pra mostrar pras criancas e comprar lanchinhos depois, afinal falta diversão; vão para paquerar com os militares gatinhos e de farda mais fofos ainda, mesmo quando não são nada bonitos; vão para ficarem de olho nos namorados porque sabem que outras vão tá lá pescando... Enfim, muitas razões que passam longe de patriotismo, então você nunca ter ido ver na verdade não quer dizer nada.
Eu digo que é parecido aqui e no Brasil, porque não encontrei muita novidade, acho tudo parecido, no mesmo estilo. Outra dia uma brasileira criticou os Russ, disse que ainda bem que não temos essa cultura de comemorarmos esse final de escola, aí eu perguntei 'como assim?!!! De onde você vem? Claro que temos, só tira o macacäo.'
Dizer o que se pensa é difícil, muitas vezes até discordam sem saber nem porque estão discordando. Quando mudei o nome do meu blog eu pensei em dizer mais o que penso, era a proposta, como bem diz o título, mas resolvi não elaborar mais tanto, dá um trabalho, kkkkkkk
Vamos que vamos!
Beijo
Para mim o mais bizarro, além de tudo que vc citou, mesmo eu achando bonito os bunads e o patriotismo, é esse povo comparar o 17 de maio com o carnaval carioca. Ahn??
Ouvi isso várias evzes... nosso dia 17 de maio é como o carnaval no Rio né? Eu rio na cara deles e respondo que não chega nem aos pés.. nossa festa é diferente, mais colorida e muito, muito maior que esse "Fargerike Toget" e por motivos absolutamente distintos. Te uns norugas que são mesmo sem noção..
Apesar de eu achar lindo homens de bunads e desejar ver meu marido vestindo um, adoro o fato dele não dar mta importância para isso.
Ahh e Terra Prometida par amim tem fartura de comida.. coisa que aqui não acontece não. Na minha opinião é assim, o Brasil é cheio de defeitos, mas temos fartura de alimentos. E qualidade tb.. as frutas e verduras aqui não são tão gostosas. enfim... nada é perfeito.
Eu achei seu blog lá na Luciana Håland e vim , li e comento, agora...Primeira vez?
OLha, nao há pais perfeito. nao há lugar perfeito. nao há vida perfeita.
Nao há modelos de pessoas a serem reproduzidos em série. Por essa razao, vc, a dona do blog, pensa desse jeito, eu penso do meu e, simplesmente, uma verdade: a vida flui mais fácil se aceitamos a visao do outro sem tentar impor a nossa...por que CADA SER HUMANO É FRUTO DE SUAS PROPRIAS EXPERIENCIAS. O deslumbre é maior, quase sempre, em pessoas que acabaram de chegar no pais. Ou desespero..Tudo é questao de assimilar e se dar a chance de entender o outro...
O mundo vi virado da cabeca para baixo por que ouvir alguém é muito dificil. È mais fácil, impor idéias. Mesmo que tenhamos um segundo passaporte, como é o meu e o caso de tantos outros...um dia, cedo ou tarde, vamos querer fazer a mala...
Eu mesma, vivo fazendo sempre....se eu pudesse moraria no mundo..:E nao, na Suécia, åpara onde eu vim,a s egunda vez, carregada...
Mas, uam vez aqui, estou na luta...
As celebracoes na Suécia?eu gosto..Meu marido, a viking, detesta mas, eu, nao..por que, isso me lembra muito bem a minha infancia, onde eu particiapva de desfiles e afins...Isso sempre foi, na minha cabeca, levado a sério...e tenho boas lembrancas...
kkk
dias felizes
Seu blog éinteressante e bom de se ler...Uma das razoes é que vc parece ser uma pessoa de personalidade, mas, tbm, doce.
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