O pito foi meu pai quem deu, por causa do post anterior, sobre Sean Goldman. Porque há coisas sobre o caso que sabemos pouco, e tal. Independente da picaretice do pai do menino, ou da família materna, o pai é o pai. Ponto. E se os EUA não respeitam a Convenção de Haia em todos os casos, o Brasil tem que imitar e não respeitar também? Eu acho que tem que se respeitar e acabou...
E sobre a revista Veja. Que fique bem claro que a abomino como meio de comunicação porque é absolutamente tendenciosa, assim como as grandes redes de TV brasileiras e alguns dos principais jornais do país. É só isso. Não dá pra confiar só nas notícias que eles veiculam, então é importante beber em outras fontes.
Quanto à decepção natalina... Eu até tava entusiasmada com a questão das decorações, o espírito de Natal, e tals, pra então descobrir que é tudo balela! Consumismo puro. Por aqui as pessoas não apenas fazem árvores de Natal, mas enchem, entopem a casa de enfeites de Natal, toalhinhas de Natal, velas e castiçais de Natal, tapetes de Natal, um horror! Fiquei chocada com a futilidade, e achei cafona no último. Vivo numa cidade pequena, e portanto com aquela mentalidade provinciana. Cheia de tradições, uma delas de encher a casa de enfeites caríssimos de Natal, que se pendura nas janelas e espalha por toda a casa. E depois as comadres se telefonam pra trocar informações sobre os enfeites que veem na casa das outras e tal. Achei uó!
E a troca de presentes foi um outro tapaço na cara! Eu, Lars e a mãe dele jantamos aqui, e depois fomos pro irmão dele. A árvore de Natal abarrotada de presente embaixo. E a tradição: as crianças pegam um presente, lêem pra quem é, entregam, a pessoa abre, vai agredecer a quem deu, e assim pega-se o próximo presente. Até aí tudo bem. Mas então começaram a aparecer presentes de gente que não estava ali presente. E Lars me disse que todos juntam todos os presentes que ganharam e levam pra abrir, e achei o fim do mundo! Porque cargas d´água fariam isso? Pra se exibir, claro! Quem ganha mais presentes lindos, tem mais amigos, etc. Daquela sala saíram 5 sacos de lixo de um metro ou mais de altura. Ficamos ali das 9 até mais de 11 e meia abrindo presentes.... Booooring! As crianças ganharam tanto brinquedo que daria pra uma creche ou orfanato inteirinhos por uma ano... Já sei o que comprar pros sobrinhos ano que vem, e certamente não será brinquedo.
Aquela coisa de união, família toda reunida, nica nica de nadinha. Os jantares cá e acolá são - como aparentemente TUDO em Bodø - um evento social. Enchi! E ano que vem, aqui em casa, só a árvore de Natal, e olhe lá. E quando perguntada, responderei... Como é possível celebrar um Natal assim quando milhões de pessoas não tem água ou comida? Porque não pegar o dinheiro e ajudar alguém que precise? Porque todo mundo vai à igreja, mas cadê os princípios cirstãos?
Esse pessimismo todo deve-se ainda ao livro "The World Without Us", que tem me causado mais pesadelos do que Atividade Paranormal, o filme... Porque eu continuo lendo? Porque acho importante saber que até a porcaria do seu exfoliante corporal manda plástico nada biodegradável pros oceanos e portanto pra cadeia alimentar... E que o salmão chileno do qual as pessoas se entopem nessa época do ano não é nativo do Chile, mas introduzido para reprodução em cativeiro, e hoje, depois de fugir, milhares de exemplares se reproduzem lindamente em córregos chilenos onde não tem predadores; que as plantas geneticamente modificadas pela Monsanto são feitas de tal forma que as sementes não sejam férteis, e assim os agricultores tenham que comprar sementes nova todo ano, e que esses mega-agricultores estão destruindo o ganho dos pequenos agricultores familiares que não tem como competir... Acho importante ter conhecimento de tudo pra poder mudar meus hábitos de acordo. E no Natal, todo esse esbanjamento de recursos, consumo de descartáveis, plásticos, etc, Surtei...
Pra ajudar, peguei uma gripe brava, e por conta disso estou adiando a festa de Ano Novo na casa de um amigo do Lars. Além do mais, não tô nem um pouco afim de ver um povo mais de 30 se portando como adolescentes com relação ao álcool. E olhe que eu bebo, hein? Então seremos nós dois bem tranquilos aqui em casa.
Mas aproveito pra desejar a quem passar por aqui um 2010 cheio de realizações. E que aproveitemos pra refletir e fazer as mudanças necessárias pra um mundo mais justo - e habitável no mínimo. Deixo aqui um cartão de Fábio Yabu, que generosamente não se opõe à reprodução deles. Mas se imprimir, que seja em papel reciclado, como ele sugere...
PS - antes que alguém me interprete mal... A família de marido é ótima, maravilhosa. O tradicionalismo faz parte do way-of-life bodense, então não os culpo. Me irrita mais esse tipo de coisa quando vem de gente que conheço menos - amigos, familiares mais distantes e etc.
Quanto à decepção natalina... Eu até tava entusiasmada com a questão das decorações, o espírito de Natal, e tals, pra então descobrir que é tudo balela! Consumismo puro. Por aqui as pessoas não apenas fazem árvores de Natal, mas enchem, entopem a casa de enfeites de Natal, toalhinhas de Natal, velas e castiçais de Natal, tapetes de Natal, um horror! Fiquei chocada com a futilidade, e achei cafona no último. Vivo numa cidade pequena, e portanto com aquela mentalidade provinciana. Cheia de tradições, uma delas de encher a casa de enfeites caríssimos de Natal, que se pendura nas janelas e espalha por toda a casa. E depois as comadres se telefonam pra trocar informações sobre os enfeites que veem na casa das outras e tal. Achei uó!
E a troca de presentes foi um outro tapaço na cara! Eu, Lars e a mãe dele jantamos aqui, e depois fomos pro irmão dele. A árvore de Natal abarrotada de presente embaixo. E a tradição: as crianças pegam um presente, lêem pra quem é, entregam, a pessoa abre, vai agredecer a quem deu, e assim pega-se o próximo presente. Até aí tudo bem. Mas então começaram a aparecer presentes de gente que não estava ali presente. E Lars me disse que todos juntam todos os presentes que ganharam e levam pra abrir, e achei o fim do mundo! Porque cargas d´água fariam isso? Pra se exibir, claro! Quem ganha mais presentes lindos, tem mais amigos, etc. Daquela sala saíram 5 sacos de lixo de um metro ou mais de altura. Ficamos ali das 9 até mais de 11 e meia abrindo presentes.... Booooring! As crianças ganharam tanto brinquedo que daria pra uma creche ou orfanato inteirinhos por uma ano... Já sei o que comprar pros sobrinhos ano que vem, e certamente não será brinquedo.
Aquela coisa de união, família toda reunida, nica nica de nadinha. Os jantares cá e acolá são - como aparentemente TUDO em Bodø - um evento social. Enchi! E ano que vem, aqui em casa, só a árvore de Natal, e olhe lá. E quando perguntada, responderei... Como é possível celebrar um Natal assim quando milhões de pessoas não tem água ou comida? Porque não pegar o dinheiro e ajudar alguém que precise? Porque todo mundo vai à igreja, mas cadê os princípios cirstãos?
Esse pessimismo todo deve-se ainda ao livro "The World Without Us", que tem me causado mais pesadelos do que Atividade Paranormal, o filme... Porque eu continuo lendo? Porque acho importante saber que até a porcaria do seu exfoliante corporal manda plástico nada biodegradável pros oceanos e portanto pra cadeia alimentar... E que o salmão chileno do qual as pessoas se entopem nessa época do ano não é nativo do Chile, mas introduzido para reprodução em cativeiro, e hoje, depois de fugir, milhares de exemplares se reproduzem lindamente em córregos chilenos onde não tem predadores; que as plantas geneticamente modificadas pela Monsanto são feitas de tal forma que as sementes não sejam férteis, e assim os agricultores tenham que comprar sementes nova todo ano, e que esses mega-agricultores estão destruindo o ganho dos pequenos agricultores familiares que não tem como competir... Acho importante ter conhecimento de tudo pra poder mudar meus hábitos de acordo. E no Natal, todo esse esbanjamento de recursos, consumo de descartáveis, plásticos, etc, Surtei...
Pra ajudar, peguei uma gripe brava, e por conta disso estou adiando a festa de Ano Novo na casa de um amigo do Lars. Além do mais, não tô nem um pouco afim de ver um povo mais de 30 se portando como adolescentes com relação ao álcool. E olhe que eu bebo, hein? Então seremos nós dois bem tranquilos aqui em casa.
Mas aproveito pra desejar a quem passar por aqui um 2010 cheio de realizações. E que aproveitemos pra refletir e fazer as mudanças necessárias pra um mundo mais justo - e habitável no mínimo. Deixo aqui um cartão de Fábio Yabu, que generosamente não se opõe à reprodução deles. Mas se imprimir, que seja em papel reciclado, como ele sugere...
PS - antes que alguém me interprete mal... A família de marido é ótima, maravilhosa. O tradicionalismo faz parte do way-of-life bodense, então não os culpo. Me irrita mais esse tipo de coisa quando vem de gente que conheço menos - amigos, familiares mais distantes e etc.




8 comentários:
Olha, Camila, achei seu post muito bom, concordo em geral com seus pontos de vista, até mesmo sobre a revista Veja, que eu assino. Acho que ela é tendenciosa, sim, mas quase todos os veículos de comunicação o são aqui no Brasil, e como já sou grandinha posso ler quase tudo e perceber quando a informação é 'vendida' ou não. Nesse caso do garoto, não achei a matéria que ela fez tendenciosa, o caso é mesmo complicado e há mais omissões do que clareza nas versões de cada família, então acho que resta mesmo seguir a Convenção, como vc observa, afinal a mãe já tinha basicamente sequestrado o menino antes, não é mesmo? Mas quem vai julgar os motivos dessa moça, que já morreu, ter abandonado o marido e o país dele? Enfim, complicado.
Desejo a vocês um ótimo 2010, com alegrias e possibilidades novas aí na sua cidade :)
clara
Oi Camila, antes de tudo um bom ano de 2010 para você também, muitas felicidades e tudo de bom.
Menina, quanto a isso de Natal, também me cansou, e olhe que eu gosto dessa época. Estressei até em ver o povo desesperado nas lojas atrás de comprar tudo que pudesse, numa correria total, vi no jornal que até disputas por produtos teve em alguns lugares, coisa feia, duas pessoas agarradas com um produto brigando pra ver quem leva pra casa, como se não existisse mais nada no mundo.
Passei o natal na casa dos meus sogros, e lá a coisa é simples e modesta, minha sogra não é dada a extravagâncias nem muito consumismo, mas ainda assim achei exagero, não a comida, mas os presentes pro menino, muito brinquedo inútil, tanto brinquedo que ele foi brincar com uma caixa vazia. Os adultos geralmente pedem o que precisam, no nosso caso pedimos cartäo de compra de uma loja de plantas, pros pais os vasos e um espelho, então viemos pra casa de mãos abanando mesmo, pois não trouxemos o espelho nem os vasos. Já minha cunhada levou sacolas e mais sacolas de bugigangas para casa, e ela também faz isso de levar tudo que ganha para abrir lá, mas não sei se tem intuito de exibir. E o outro casal, meu cunhado com esposa e filhos não foram, então era pouca gente mesmo, e ainda assim me impressionou o número de presentes pro menino, fico imaginando nessas famílias dadas ao exibicionismo.
E essas de pedirem presente com a tal da lista, me arrepio, acho feio demais, responder quando se pergunta ainda vá lá, mas orientar crianca a pedir, dá não.
Beijo
Eu tambem acho muito exagero essa coisa dos presentes, e se exibir com decoracao cara e o fim. Acho que as pessoas tem esquecido mesmo o sentido da celebracao do Natal.
Feliz 2010, com tudo de bom!
Beijo
Oi, linda, tudo bem?
Obrigada pelo comentário no Athena... oh, flor...eu tenho tido contato com tanta coisa que mal imaginava como era realmente, que é como eu digo pras minhas chefas: "pra mim, meu trabalho não enxerga fronteiras. Quero trabalhar pelos direitos das mulheres no mundo todo". E tento fazer isso...recebi a proposta do banco Soros pra desenvolver um projeto com aquelas pessoas e estou mandando bala. Formei uma equipe competente, com pessoas responsáveis...e com muito amor e energia. Torcer para que o Soros aprove!
Lindona: Feliz 2010 pra vc! Desanima não, flor...a gente pode e vai mudar a consciências das pessoas em prol de um mundo mais justo e melhor para todos e todas!!!
Amei conhecer você em 2009!
Beijos
Fer
Nossa, parece que fui eu que escrevi a parte sobre o Natal! Concordo em absolutamente tudo! Que saudade do Natal com minha família ano passado, com tudo simples, mas de coração. Meu Ano Novo também será tranquilo. Melhoras para sua gripe e feliz 2010! Beijo!
Camila amadinha!
Você tem toda razão, tá tudo muito louco e esta padronização, estes rituais, esta mesmice também me irrita, me desconsola, me desanima, me deixa de sacoooooo cheioooooo!
Pronto falei!
Só fiz este Natal aqui em casa porque o filho pediu para re-editar um natal parecido com o de antigamente e por causA de mi madre que tá véinha e precisa ser mimada, mas, sinceramente, acho tudo muito cansativo com esta super valorização do material que se tem hoje em dia para fazer um natal e festas de fim de ano.
Por isso, hoje tô no relax. Filho fez o almoço, macarronada com molho especial que ele aprendeu com a namorada italo-japa, tomei um Rosé Seco com maridex e vou temperar uns peixes para a noite. Você conhece o Pintado? Aquele que tem muito la no M.Grosso e Goias.
Vou rechea-lo com catupiry e fazer um arroz a piamontese. Tomaremos mais vinho e sera mais uma noite em nossas vidas. A diferença será a vibração que farei, aproveitando a carona do brilho da estrela que iluminará esta noite e farei por você e todos os que amo e interagiram comigo mais este ano. Gente boa, gente como você que tem amor à vida e à natureza, gente que ama de verdade.
Tudo de bom pra você e sua família é o que desejo neste novo ano.
Um super beijo da amiga carioca.
Ahhhh, adorei o cartãozinho e vou lá roubar um também pro meu blog. Boa idéia!
Camila,
E ainda ficou doente? Que maldade!
De resto nada me surpreende já que conheço o hábito para o desperdício desta gente. Na verdade, se eles não desperdiçassem tanto não haveria mudança climática. São países como esses que aqueceram o planeta, nega, aqui e lá. Os fazendeiros de salmão chileno são noruegueses, sabia? Todo o negócio foi implantado por noruegueses...
O natal me repugna mas tenho que segurar a onda por causa das crianças. Mas sabe que tem uma louca que mora aqui perto que tem uma casa com mais de 15 janelas e ela coloca luzes adventistas em todas elas, acredita? Um paredão de janelas e um abajour em cada uma sendo que em quase todas ainda tem a fatídica estrela pendurada. É um absurdo e eles acham que tudo bem. Ninguém aqui está nem aí...
Eu detesto tradições em geral mas ignoro eles.
Melhoras e bom ano!
C.
Camila, você escreve do jeito que gostaria de escrever. E olha que na minha idade já deveria ser bem mais atrevidinha e falar o que penso! Adoro quem não usa mais palavras pra mandar seu recado! Bj
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