A noite de sexta pra sábado passei sozinha, porque Lars estava cansado e teve que parar pra pernoitar - o que eu prefiro, pois o caminhão é um monstro gigante e as estradas daqui são estreitinhas e cheias de curvas e túneis. Assisti TV até tarde.
Sábado Lars chegou - estava sol, com céu azul. "Oba, churrasco!", pensei. Descongelei as patas de caranguejo que tínhamos comprado na semana anterior, o camarão que sobrou da semana passada, e também um filézão de bacalhau fresco. Saímos pra fazer compras, e obviamente o tempo mudou. O céu nublou, o famoso ventão gelado de Bodø começou a soprar. O que não nos derrotou não... Grelhamos na churrasqueira, mas almojantamos dentro de casa - mais precisamente na mesa de café, só por fazer algo diferente...

Depois assistimos ao filme "The Hangover" (acho que no Brasil saiu ou vai sair como "A Ressaca"). Diversão perfeita pra um sábado chuvoso. O filme é mais um daqueles besteiróis americanos, mas eu conheço MUITA GENTE (melhor especificar - muitos colegas tripulantes) que passou por algo assim na vida. Às vezes mais de uma vez. Eu não pagaria pra ver no cinema, mas vale a pena assistir. Eu confesso que baixei da net. Baixo mesmo, ainda mais morando numa cidade que tem UM cinema com TRÊS salas. Enfim, são 4 caras que vão pra uma despedida de solteiro em Vegas e acordam sem lembrar de nada, sendo que o noivo sumiu...O resto do sábado passamos no sofá assistindo televisão e tomando caipiroska. Assistimos novamente ao filme "Na montanha dos gorilas" de 1988, que conta a história da pesquisadora Dian Fossey, que foi morar no Congo e depois em Ruanda, nas montanhas onde vivem os raros gorilas da montanha, trabalhando para o Dr. Louis Leakey, paga pela Natiaonal Geographic. Muitos dizem que se não fosse por ela, a espécie teria sido dizimada. Deixo aqui um trailer. Vale a pena, e Dian figura em minha lista de ídolos, apesar de várias críticas que o trabalho dela recebeu. Ela foi assassinada lá mesmo, nas montanhas, e está enterrada ao lado de seu gorila favorito, Digit, que também foi morto pra que suas mãos e cabeça virassem enfeite na casa de algum cretino pelo mundo afora...
No domingo, acordamos com muito sol. A temperatura chegou a 27 graus. Então corremos pro carro pra tentar aproveitar o dia. Fomos até um lugar chamado Artic Seasport Center. Pensamos ser um lugar tipo um clube, onde você passa o dia, e nada, aluga jet skis ou coisa parecida. Chegando lá, era mais pra um hotel. Mas descobrimos outro lugar fabuloso pra passar um fim-de-semana. Há chalés e barcos pra alugar. Fica numa península, e tem água por todos os lados. A vista é fantástica. A estrada pra chegar lá já foi um belo passeio. Cheia de fazendas, com cavalos e vacas, e um cheirinho de esterco no ar, tudo com o mar e céu azuis ao fundo. Adoro cheiro de esterco, me lembra o Pantanal... Queria ter tirado mais fotos, mas acabou a bateria da máquina e eu esqueci a sobressalente em casa.




E nessa última foto, algo curioso... Os pescadores, quando chegam do mar com um halibut (em português abalote, em norueguês kveite), desenham com carvão ou caneta o contorno dele no deck de madeira do pier, e dentro escrevem a data da pesca e o peso e comprimento dele. Isso porque halibuts são peixes de alto mar que atingem tamanhos monstruosos, e são difíceis de ser pescados dentro de um fjord. Havia vários desenhos no deck, mas tirei foto só de um. Havia um de 150 kg - era imenso. A foto seguinte é só pra exemplificar, e foi tirada daqui. A carne dele é branquinha, ele é um peixe achatado como o linguado, só que muito maior, e custa verdadeiras fortunas...


Mas voltando ao principal... Voltamos pra casa depois de um tempo. Tava MUITO calor - nenhuma nuvem no céu, o sol tosta mesmo. Então fizemos um churrasco - com as sobras de ontem fiz uma comidinha ótema (as receitas todas estarão no Carderninho), e almoçamos do lado de fora, na varanda. Depois foi preciso ir pra sombra dar uma morgada, e nessa morgada achei, começando na TV a cabo, o filme "Things we lost in the fire" (em português, "Coisas que perdemos pelo caminho" - porquê as traduções dos nomes dos filmes são quase sempre cretinas?), com Halle Berry, Benício del Toro e David Duchovny. Fazia tempo que queria assisitir... Eu gostei muito do filme. A diretora dinamarquesa Susane Bier deu ao filme um tom que me lembrou muito o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amores Perros", entre outros). De uma tristeza sem fim, mas com muita sensibilidade. Já disse que não cabe à mim fazer resumo ou crítica cinematográfica, mas fica aqui a dica.
Após o filme,deu tempo apenas de dar uma refrescadana cara e correr pro cinema - tínhamos ingresso pra assistir "Public Enemies", dirigido por Michael Mann ("Collateral", "Ali", "Heat", entre outros tantos), com Johnny Depp, Marion Cotillard, Christian Bale (hot hot hot hot), Billy Cudrup, elenco imenso... Passado nos anos 30, quando o FBI, dirigido por Edgar J. Hoover está atrás de bandidos perigosos como John Dillinger (Johnyy Depp) e outros assaltantes de banco. Não é lá o melhorfilme do mundo, mas convence. Não me arrendi de ter ido ver no cinema. Johnny Depp faz seu papel de Johnny Depp, como sempre, mas está bem (confesso que tô muito mais louca pra vê-lo no que ele faz melhor - personagens caricatos (como Jack Sparrow de Piratas do Caribe, o Willy Wonka de Tim Burton), ele será o Chapeleiro Maluco de "Alice no País das Maravilhas", também de Tim Burton (que eu aaaammmmoooo). Mas voltando ao filme original, vale a pena, e deixo também um trailer. Nem sei se já foi lançado no Brasil ou não...
Só fiquei mal no cinema 1)porque tava um calorão lá dentro, e o AC não tava ligado 2)o povo se entupindo de pipoca e uns salgadinhos fedidos , nas cadeiras apertadas que parece que o pacote do vizinho tá na sua cara, 3) o povo espirrando e tossindo no cinema me fez pensar na gripe suína... Aprendemos que cinema - filme popular - no Domingo não dá. Na próxima deixamos pra durante a semana. Quando fomos ver "Che - Revolucionário", só tínhamos nós dois na sala.
Ao sair do cinema, ainda estava quente, e o pôr-do-sol estava de matar... Lars então fez a proposta irrecusável: dirigir até o alto da montanha pra fotografar o espetáculo. Disse sim na hora. A vista era de chorar... Em primeiro plano, a ilha de Landegode, onde o amigo do Lars tem chalé e ocasionalmente vamos passear. Na segunda foto, o paredão de montanhas lá longe são as ilhas de Lofoten, onde íamos essa semana (e não vamos mais porque a namorada do amigo terminou com ele, e íamos ficar na casa dela).


E hoje de manhã fazia 25 graus quando acordei. Claro que a essa hora já deu uma refrescada e até cohveu - bem na hora que precisamos sair! Mas tá valendo. Sogra veio em casa me ensinar umas coisinhas, mas comida é lá no outro blog mesmo (que só vai ser atualizado depois desse!).





4 comentários:
que delícia de fim de semana! Que inveja! O meu, no mais alto grau de emoção, foi quando eu escrevi uma página!
Brincadeira, até que fui ao cinema também, minha tábua de salvação (aqui temos uma carteirinha de cinema. você paga um x por mês e pode ir ao cinema quantas vezes vc quiser, em determinadas salas, claro). Fomos ver The Reader. Muito bom. triiiiste. mas muito bom. recomendo.
Menina! Essas imagens são lindas de chorar realmente! Eu adoro pôr de sol e parece-me que em qualquer canto do universo ele é sempre lindo.
Quanto ao se churrasco de patas de caranguejo que meu marido já comeu no Canadá e ficou impressionado, ainda camarões e peixe! É tudo o que gosto, poi8s carne vermelha não é o meu forte. Prefiro churrascos de peixes e este seu foi de dar água na boca.
Linda você e o maridex.
beijos cariocas
Camila, que maravilha de final de semana. Eu amo esses passeios de carro, as vistas aqui são lindas demais, a gente baba mesmo.
Essas duas fotos estão lindas, deve ter sido um espetáculo, lindo demais.
Pena que a namorada do amigo e amigo acabaram o namoro, e vocês não vão ao passeio, mas...
Também baixo filmes, aqui até tem cinemas legais,mas prefiro ver em casa, e pra alugar sempre fica difícil, não tem variedades, ou os filmes famosos, que geralmente a gente já tem visto, ou filme porcaria. Como gosto de ver sempre um filmezinho, então baixo, não tem outra solucão por essas bandas.
Beijo
Missbutcher (uau), acaba logo este mestrado, criatura! Pra poder curtir o sol parisiense... Inveja dessa carteirinha de cinema! Ainda não vi The Reader, tá no computador, na fila. Vi Revolutionary Road, e sua mãe me deu o livro - ainda não li, também tá na fila!
Beth, por-do-sol aqui é coisa rara. No verão o sol não se põe (sol da meia noite) e no inverno ele quase nem nasce! Então quando aparece um assim, tem mesmo que aproveitar... E peixe é tudo de bom mesmo, concordo com você! E obrigada pelo linda!
Pois é, Luciana, quando sai o sol, tem que correr atrás mesmo. Paisagens divinas, né? Sim, baixo tudo, podem me prender!Fora que pagar 90NOK de cinema por cabeça dói a alma!
beijos mulherada!
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