segunda-feira, julho 13, 2009

Cenas de um casamento - My "big fat norwegian" wedding

Pra quem assistiu ao filme " My big fat greek wedding ", ou "Casamento Grego" em português, deve estar esperando um relato de um casório imenso... Mas não foi. Pequeno, mas muito, muito norueguês (daqui da MINHA Noruega).

Desde que finalmente conseguimos resolver a data, depois de desenrolar toda a burocracia, a família do Lars vem fazendo um alarde sobre esse casamento. E eu estava incomodada, porque queria que fosse simples, muito simples. Então minha sogra começou a ter idéias, de fazer um café, como eles dizem aqui, na casa dela. Eu fiquei ressabiada, mas ao mesmo tempo não podia ficar reclamando... Afinal, é a família dele.

Mas no fim não foi tão simples assim! O tal café de recepção, que eu imaginei bolo, champagne e café, virou um super almoço. Na quinta feira a sogra veio me buscar para me apresentar à cabelereira - que queria ver meu cabelo antes - e depois comprar flores para o cabelo. Já que ia ter festinha, ao menos eu queria ficar bonitinha, né? Mas então, na floricultura, a sogra e cunhada começaram a dizer que eu ia precisar de um buquê. Eu não tinha mesmo pensado nisso, afinal, buquê e todos esses rituais estão associados, na minha cabeça, à um casamentão na igreja. Até das alianças nós havíamos esquecido, só pedimos na quarta. Enfim, escolheram dúzias de rosas, para meu cabelo, para meu buquê epara os arranjos nas mesas...

A cunhada me disse que ia fazer uma sopa de peixe, já tinha pedido o kransekake, a sogra já tinha pedido outro bolo (de chocolate, porque eu gosto, e porque é não-tradicional, digamos assim), e iam servir o gravlaks que eu fiz, e iam comprar morangos... Ainda na quinta, fomos para a casa da cunhada (onde fariam o almoço), montaram meu buquê - usando um suporte de prata que a cunhada tinha usado no casamento dela - e começaram a arrumar as coisas para o dia seguinte. Puseram a mesa com faqueiro de prata e taças de cristal e a melhor louça, toalha chiquérrima... Finalmente percebi que virou um almoço SUPER formal... Castiçais de prata, velas brancas imensas... Depois minha mãe me convenceu de que era na verdade um bom sinal, que eles estavam demonstrando que estavam felizes de me receber na família.

Na sexta, o grande dia, acordamos cedo - o hábito faz o monge... Às 10 da manhã Lars me levou à cabelereira. Foram duas horas de sofrimento, 56 grampos e umas duas latas de laquê. De cara fiquei me achando estranha (é a falta de costume). Achei o cabelo meio alto. Chegando em casa, com apenas 40 minutos pra terminar de me arrumar, dei uma achatada nele, cortei dois fiapinhos, e passei a gostar do resultado.


Ah, e antes que eu me esqueça... Fez um tempo ótimo a semana toda, um sol de lascar. Adivinha como amanheceu o tempo dia 10 de julho de 2009? Nublado, claro. Mas ao menos não fazia frio, pois o vestido é cavado...

Chegamos ao Salten Tingrett Sorenskriveren exatamente às 12:55h - e chovia! Desci do carro debaixo de chuva. O restante da família do Lars já estava lá. Nos dirigimos ao salão, e poucos minutos depois o juiz chegou, com uma capona preta. Falou em norueguês, depois em inglês. Nos colocou em pé à frente dele. Começou a ler um texto, por uns minutinhos, depois perguntou se eu aceitava Lars, em norueguês, eu respondi que sim em norueguês, depois a mesma coisa com Lars, depois assinamos o livro, ospadrinhos (Anders e Sylvia) assinaram o livro, o juiz nos parabenizou, disse que nos deixaria a sós para tirar fotos, e puft, acabou!

Tiramos umas fotos e partimos... Para a casa do irmão do Lars. Os convidados começaram a chegar 40 minutos depois. Este primeiro arranjo de flores é na verdade o meu buquê. Abaixo, o kransekake.




E as pessoas foram chegando com seus presentes, começamos a tomar champagne... A comida foi servida, todos se sentaram à mesa, teve antes um discurso do irmão do Lars. A tal sopa de peixe (feita com salmão e bacalhau fresco, camarão, mariscos, vinho branco, alho poró e creme de leite, entre outras coisas) estava divina. Meu gravlaks (servido com ovos mexidos e baguette) foi elogiadíssimo. Depois disso, cortamos a torta de chocolate, o kransekake, e o café foi servido. Aí o conhaque começou a rolar solto. Nessa altura eu e Lars tivemos que abrir todos os presentes e ler todos os cartões em voz alta. Toda a família foi extremamente agradável e muito gentil...

Lá pelas 6 horas os últimos convidados se foram. E nesse meio tempo, mesmo gente que não havia sido convidada passava de carro e batia na porta pra deixar um cartão ou um presente. Descobrimos que a sogra havia publicado na coluna social (!!!!) do jornal local - por isso muita gente sabia! Melhor, na verdade, pois acabamos ganhando mais presentes!

Os sobrinhos do Lars foram dormir na outra avó, então eu, Lars, a sogra Marit, o cunhado Anders e a concunhada Sylvia fomos jantar no restaurante Svendgårds, considerado o melhor de Bodø. Eu tava entupida, mas vamos lá...

Eles todos pediram um traguinho de aperitivo, eu e sogra ficamos na água. O cardápio tinha baleia e rena, além de bacalhau, king crab e outras esquisitices (como dizem os de língua hispana). Confesso que fiquei muito tentada a pedir baleia, mas reslovi atacar a rena. Anders disse que eu deveria escolher o vinho. O sommelier, um rapaz sueco, era fenomenal. Fiquei até intimidada... Escolhi um branco húngaro e ele recomendou um tinto italiano.



Foi muito, muito agradável. Ao final do jantar, insistiram com sobremesa. Eu não aguentava mais, mas pedi um prato de queijo... Dois queijos noruegueses locais e dois italianos, com compota de tomate e compota de figo. A sogra pediu uma sobremesa, e os três bebuns pediram irish coffee!

De lá saímos (à pé, umas duas quadras, mas eu com sapato salto 9, entupida de comida e vinho) para o bar na cobertura do hotel Radisson SAS, com vista da cidade toda e do último sol da meia-noite do ano. Todos pediram drinques, mas eu estava a ponto de explodir - o dia todo com o vestido, salto alto, cabelão, estômago abarrotado... Havia um outro grupo festejando um casamento lá também. Uma hora depois acabamos indo embora. Pegamos um taxi (para as 4 quadras até nossa casa) e demos carona pra sogra. Meus cunhados foram pra outro bar.

Precisei tomar um chá quente antes de dormir - mas foi um dia FABULOSO. Como deveria!

Fotos essa semana, no Webshots, pois o Blogger já tá querendo cobrar pelas fotos extras, pode?

7 comentários:

Bel Boucher disse...

E depois dizem que europeu é frio! Que coisa fofa. Realmente, pelo o que você descreveu, foi tudo ótimo. Comme il faut!

Parabéns, muitas felicidades ao casal.

PS: ai se papai noel lê isso...
:-)

Luciana disse...

Camila, parabéns, muitas felicidades pra vocês, espero que você seja muito muito feliz aqui na Noruega.
Adorei a descricão do seu casamento, acredito, pelo que li, que tudo ficou lindo, e simples, aos moldes daqui.
Vou aguardar as fotos, depois coloque o link, por favor.
Menina, então o blogger já está cobrando por fotos? Não vai demorar a cobrar de mim que encho o blog de foto e vídeos.

Beijo

Camila Hareide disse...

Bel, obrigada... Depois vou mandar as fotos pra sua mãe ver! E, esclarecendo, aqui faz frio, mas as pessoas não ;)

Luciana, obrigada também! Cada vez que ponho uma foto agora, diz que a capacidade de armazenamento do Picasa está no limite... Se quiser mais espaço, só pagando. Ainda não experimentei apagar as fotos pra ver o que acontece... Mas vou dar uma maneirada.

Boa semana pra vocês!

Tietta Pivatto disse...

Que gostoso, uma celebração simples mas profunda, cheia de significados.

Desejamos ao casal toda a felicidade do mundo!!!!!!

Beijos,

Tietta e Daniel

Luciana disse...

Oi Camila, ah, você usa o Picasa, eu não uso, jogo direto no blog, nem olhei ainda como funciona o Picasa. Já tentou colocar direto no blog?
Beijo

Claudia disse...

Camila,

Tua sogra foi mesmo uma mãe, que legal. Difícil isso por aqui. Eu casei aqui, na cidade do Per, e não teve ninguém querendo aparecer ou ajudar. Além de nós dois e do filho mais velho do Per, apenas duas amigas que foram as madrinhas. Era o segundo casamento para nós dois, mas mesmo assim. Aqui ninguém quer saber.

Outra coisa, dizem no Brasil que casamento em dia de chuva dá sorte...

Claudia

Camila Hareide disse...

Puxa vida, Claudia, não sabia disso de casar em dia de chuva... Que bom! A sogra é mesmo um doce, dei sorte, viu? E a cunhada também. Me senti um pouco contrariada no início, mas depois que tudo aconteceu, vi como foi legal...